Parte III

Bumi apenas observava sentando em uma cadeira de ferro rebuscada mãe e filho praticarem dobra. Os dois o lembravam muito Zuko e Honora anos atrás. Os movimentos eram rápidos, precisos, fluídos e sincronizados. Iroh era um jovem alto e aparentemente ficaria robusto, enquanto Honora continuava pequena e esguia. Engraçado como ele em muito pouco, para não dizer absolutamente nada, parecido com o pai.

Zhao era um nobre mediano, pouco mais alto que Honora de porte magro, sobrancelhas finas, rosto fino. Às vezes Bumi pensava que ele parecia muito uma mulher com toda aquela frescura e delicadeza. Agora vendo o filho, sinceramente, Iroh era alto, robusto, de rosto anguloso, sobrancelhas espessas, personalidade forte. Dobrava muito, mas também era um exímio esgrimista e tinha pensamento rápido. Em muito o lembrava na juventude.

Seus olhos caíram sobre a mulher em roupas de treinamento e juntou as sobrancelhas. Mesmo muito coberta podia dizer com certeza que ela estava mais magra. Quando voltou a vê-la quatro anos atrás depois de uma década reparou o quanto os anos e a maternidade a favoreceram, ela estava linda e até mais encorpada do que lembrava. Adorou redescobrir todas as curvas da firelady. Honora tinha aquela coisa que brilhava. Não sabia explicar, mas ela simplesmente se sobressaia. Tinha aquele humor ácido, com pensamento ágil, fazia as melhores expressões quando ouvia idiotices e tinha aquela risada cristalina. Quem a via de fora só notava a mulher tranquila de comando firme quando necessário, mas a morena era muito mais. Parecia injusto uma mulher ser tão linda, charmosa e inteligente... Não era a toa que as pessoas estavam sempre procurando pontos a criticar.

Só que ultimamente ela parecia tão cansada, estava desaparecendo naquelas vestes oficias. Estava comendo pouco, em todas as refeições notou o quão pouco ela estava comendo, logo que ela que o comandante gracejava que comia como um de seus soldados. Praticamente não lembrava do riso dela. Sabia que era um momento tenso na Nação, tanto que isso se refletia em revoltas que estava ajudando a conter. O mantendo sempre muito ocupado em seu escritório na cidade.

Definitivamente precisava dar uma fugida com a pequena e fazê-la relaxar, aproveitar um tempo de qualidade e comer bem... O comandante riu para si mesmo, em todos os sentidos.

A dupla terminou a série de dobras com um rugido com chamas, bateu palmas e se levantou caminhando até eles jogando uma toalha a Iroh e uma garrafa com água a mãe dele que pegou no ar. Ela ficava ainda mais linda despenteada. Bumi gostava muito de quando a firelady estava toda montada com as roupas oficiais, mas isso única e exclusivamente para ter o prazer de a despentear e desarrumar inteira. Adorava vê-la dentro de suas camisas deitada lendo um livro ou só fitando-o enquanto conversavam.

– Realmente não me canso de ver isso! – bateu no ombro do jovem – Ainda vai precisar de muito treino para chegar ao nível da Firelady, moleque.

– Eu sei, tio... Eu sou só um bobão perto da minha mãe e avô. – riu e olhou para Bumi, gostava dele desde criança, apesar de só o ter visto raras vezes quando estava com o avô e o comandante fazia uma visita rápida – Mas pelo menos eu tenho os dois para me ensinar!

– Esse é o espírito! – deu um tapa nas costas do rapaz que engasgou levemente – Me desculpe, Kid, eu esqueço da força as vezes.

– Cof... Cof... Tudo bem... – olhou a mãe bebendo água – Eu não disse que um pouco de sol ia te fazer bem, mãe? Está passando tempo demais naquele escritório.

Olhou rapidamente para Bumi e depois fixou o olhar no filho.

– Muito trabalho, querido, eu não posso deixar nada acumular!

– Mas se ficar doente ai sim vamos ter problemas! Diz para ela tio, que ela tem que relaxar um pouco!

O militar gargalhou estrondosamente arrepiando os pêlos da pele de Honora.

– O kid tem razão, Honora, precisa relaxar. Seu pai mesmo comentou que anda preocupado!

Passou a mão pelos cabelos ajeitando os fios que se soltaram.

– Vou pensar no assunto quando as coisas se acalmarem. Com licença, vou tomar um banho e voltar ao escritório.

Honoara já estava saindo quando a mão grande de bumi se fechou em seu cotovelo e a fez virar para olhá-lo.

– Eu preciso conversar com você a respeito de algumas mudanças na segurança da cidade. – disse a fitando profundamente nos olhos dourados –

– Tu... Tudo bem, Bumi, passe em minha sala no fim da tarde e conversamos. – disse saindo e sentindo tola pelas reações que ele causava –

Iroh já havia se acostumado com o jeito despretensioso que Bumi tratava a todos e como sabia que ele e a mãe foram amigos de infância, não lhe parecia estranho que se tratassem por nomes, ou que ele frequentasse a ala residencial do palácio. O garoto viu o pai atrasar o jardim do outro lado com um criado segurando uma sombrinha e rolou os olhos.

– Hey, Tio, vamos treinar espadas no pátio de pedra? Eu não tô afim do meu pai me ver aqui e resolver ficar de papo, não tenho saco pras conversas dele!

Os olhos azuis de Bumi correram até o nobre, como era fresco, não sabia com sua Hon conseguia ficar com ele e como teve um filho tão diferente dele.

– Eu tenho algum tempo até ir para o escritório na cidade, vamos logo então! – Bumi buscava conter a língua a respeito do que achava de Zhao perto de Iroh, afinal, o bobão era pai dele –

***

Bumi entrou no escritório de Honora quando o sol começava a se pôr e franziu o cenho. Toda vez que entrava ali as pilhas de papéis pareciam maiores e maiores, mesmo com a mulher trabalhando tanto sempre. Zuko havia comentado sobre tempos turbulentos. A morena estava muito concentrada lendo um memorando e notou a bandeja com o lanche dela quase que intocada, estava ficando muito preocupado, ela não estava comendo.

– Honora... – chamou para obter sua atenção e se sentou a frente da mesa dela –

A firelady ouviu os passos pesados do comandante, mas continuou lendo para não perder o fio da meada. Ele aparentemente não estava mais interessado em si, então não havia motivos para ficar eufórica com a visita. Fez algumas anotações em uma folha avulsa que prendeu ao maço de folhas com um clipe e colocou sobre uma das pilhas. Levantou o rosto a Bumi fitando-o relaxado sobre a cadeira, não entendia como ele consegue ser assim.

– O que precisa de mim, Bumi? Eu realmente não tive tempo ainda de ler o memorando que me mandou que eu realmente espero ser datilografado visto sua caligrafia difícil... – suspirou encostando as costas na cadeira de espaldar alto – Eu acho que até amanhã pelo almoço consigo chegar a sua petição, mas pode adiantar o assunto.

O homem fez uma careta e se curvou para frente se apoiando na mesa de madeira anciã dela.

– Baby... – o monge sorriu e seu tom de voz mudou – Sabe bem que não gosto de discutir esses assuntos oficiais com você, tudo que precisa ser resolvido eu faço por meio de memorandos, acho uma perda de tempo ficar nos ocupando com isso quando podíamos aproveitar a companhia um do outro.

Tentou ignorar a força do olhar dele sobre si. Era tão inconstante, até ontem era tão expressiva a ele quanto uma porta e agora ele salivava sobre sua mesa como se não houvesse nada melhor a admirar. A mente do homem a frente confundia a firelady. Engoliu saliva e pegou sua caneca sobre a mesa e bebeu um gole.

– Mas disse que queria falar a respeito de algo... – tentava puxar pela memória exatamente o que ele falara tomando outro gole até que sentiu a mão dele se fechar em seu pulso –

– Café frio, baby, por favor... Isso é repugnante. – puxou a mão dela para baixo e depois pegar a caneca vermelha e ao fita-la notou que não era café ali, chegou mais perto do nariz e farejou – Licor de cereja?

Trouxe a mão de volta perto do corpo e olhou para baixo.

– Eu me servi uma dose na caneca, só isso.

Bumi sabia que era mentira, Iroh comentou que achava que a mãe andava bebendo muito, estava ficando cada vez mais preocupado, mas não queria bancar o chato. Seria mais fácil saber o que acontecia e ajudá-la estando próximo e com Honora relaxada.

– Okay... que seja então! Vamos, deixe isso, vão servir o jantar para você no quarto. Vamos ter um tempo juntos... Esses dias foram terríveis! – disse dando a volta na mesa na mesa e puxando a mulher pela mão –

– O que? Não... Eu preciso trabalhar! – falou tentando se desvencilhar da armadilha dele –

Estava cansada dos joguinhos do comandante. Num momento ele vinha todo cheio de galanteios, passam algumas semanas assim e depois ele sumia e se afastava emocionalmente dela a deixando em frangalhos.

– Você precisa relaxar, baby... e eu vou cuidar disso...

Escorregou as mãos pela cintura muito fina dela notando que foi muito peso perdido e as encaixou nos quadris trazendo-a para chocar-se contra seu corpo e passando o nariz no pescoço alvo e dando uma leve mordida. Aquela mulher tinha um perfume que ainda lhe arrancaria a razão. E estava ainda mais adocicado pelo licor de cereja que ela bebeu. Nunca ficaria enjoado de estar com Honora, toda vez que tocava-a só sentia vontade de fazer outra vez.

– Hum... Bumi... Alguém pode entrar... – disse fechando os dedos na farda vermelha se arrepiando pelo chupão que ele estava dando em seu pescoço –

– E ai está toda a graça, boneca... – passou a língua no lugar avariado pelos dentes e apalpou os quadris femininos louco para poder fazer isso diretamente na pele macia dela. Foi caminhando em direção a parede mais próxima onde a prendeu e a beijou feroz –

Sentiu seu corpo ser pressionado contra a parede e ele abaixar-se para alcançar os lábios. A língua esperta do comandante entrou na boca de firelady exigindo seu espaço enquanto sentia as pequenas mãos dela entrarem por debaixo do casaco da farda sobre a camisa fina que usava. Passou uma das pernas por entre as dela e apertou com a mão grande a coxa enquanto continuavam se beijando.

Já sentia o sangue ferver e se deslocar para uma parte bem conhecida de sua anatomia. Se continuassem ali acabariam sendo pegos e isso era a última coisa queria, afinal, Honora não precisava de mais problemas. Apoiou sua testa na dela recuperando o fôlego.

– Hum... Vai pro seu quarto, baby, vou sou dar o perdido no pessoal aqui e já pulo sua janela. Hoje não vai trabalhar mais... – colocou o dedo sobre os lábios dela – E não adianta reclamar, essa noite o comandante vai te dar um tratamento especial.

Continua...

Notas finais
Kisskiss