Notas iniciais
Como eu já disse, imagino que ninguém vá ler isso aqui, mas vamos deixar os capítulos aqui! Honumi no coraçãozinho!

Parte II

Acordar de ressaca havia virado um hábito cotidiano da firelady visto que devido as madrugadas trabalhando e insônia, a única coisa que resolvia eram doses e mais doses de álcool. De certa forma sentia sua resistência melhorando, mas isso não melhora a saliva amarga e a cabeça retumbando logo pela manhã. Por sorte, sua criada de quarto já estava sempre a postos mantendo a cortina fechada contra a luz do sol e tinha água e um remédio para lhe oferecer.

Fitou o relógio e eram seis e meia.

Dali uma hora tinha uma reunião com dois representantes da Terra numa tentativa de renovar três contratos de livre comércio entre colônias das duas nações. Fazia pelo menos quatro meses que tentavam uma compatibilidade de agendas para a discussão dos novos termos do contrato o que paralisou quase que totalmente o comércio e exploração de uma área ao nordeste da capital piorando ainda mais a economia como um geral.

Pelo menos ambos estavam satisfeitos com a ligação, o que queria dizer que estavam ali apenas para aperfeiçoar alguns pontos para benefício de ambas as partes. Gostaria que Iroh participasse da reunião, mas ele tinha simplesmente arrumado uma desculpa e escapolido para aulas de pilotagem e só voltaria em três dias.

Jogou as pernas para o lado da cama e se levantou indo ao banheiro. Tomou um de seus conhecidos banhos ferventes para tentar acordar e ao voltar havia uma bandeja de café, não estava com paciência para olhar Zhao e ficar ouvindo provocações veladas. Não sabia porque Bumi incomodava tanto os brios do nobre, mas ultimamente ele estava insuportável.

Comeu duas torradas e uma xícara grande de café preto. A criada lhe olhou com reprovação, havia muito mais coisas na bandeja, mas ultimamente quase nada abria o apetite da lady.

– Eu preciso aproveitar esse tempo para revisar os contratos, Myuu, sem dizer que tenho que terminar de fazer o relatório semestra para o conselho contendo todos os últimos atos oficiais para publicá-los nos livros de controle.

A garota resmungou algo e Honora quase riu. Gostava muito dela, era uma criada discreta, eficiente e a tratava quase como uma amiga, sempre preocupada com sua saúde. Obviamente que retribuía esse cuidado com pequenos presentes e até mesmo privilégios a jovem que teve o casamento pago como presente de sua senhora.

– Eu vou almoçar direito, não se preocupe, Myuu. Poderia buscar minhas vestes oficiais enquanto eu arrumo meu cabelo?

Viu a mulher fita-la e por fim assentir.

Sentou-se a penteadeira e começou a pentear os cabelos. Os colocaria para cima num coque e prenderia a coroa. Lhe dava um ar mais sóbrio, sem dizer que levantava a expressão. E com todas aquelas olheiras e quatro quilos a menos, precisava de qualquer ajuda para parecer mais saudável.

Alguma maquiagem em truques que apreendeu com o passar dos anos e já parecia muito melhor. Foi quando perdeu-se alguns instantes fitando sua própria imagem. Em poucas semanas completaria 45 anos e por mais que realmente lhe dessem anos a menos, as coisas já não eram mais como antes. O brilho negro dos cabelos precisava ocasionalmente ser reforçado com ajuda dele um cabelereiro. Algumas marcas de expressão começavam efetivamente e não havia cremes ou qualquer coisa que pudesse evitar. Já não era mais a Honora de dez anos antes... E não falaria nem a de vinte, porque aí também era querer demais.

Por duas vezes esteve no quarto do comandante e tudo o que fizeram foi beber e conversar sobre velhos tempos. Campanhas dele e aventuras do passado. Trocaram alguns amassos e dormiram juntos, pelo menos ele dormiu. Provavelmente seu corpo também já não era mais tão desejável como antes. O tempo era cruel com as mulheres.

Sentiu-se tão tola e superficial preocupada com aparência e ser desejável... Ainda mais para Bumi. Ele tinha o dom de fazê-la sentir-se boba e infantil. Os ciúmes que sentia e todo aquele sentimento só a machucavam. Nunca lhe foram feitas promessas que não foram cumpridas. O militar nem na juventude lhe prometera amor...

Amor...? Sentiu vontade de rir de si mesma, quantos anos achava que tinha para ficar pensando em tolices como essa? Havia visto em algum de seus livros que amar era uma arte, mas que nem todos são artistas... Toda razão estava ali. Honora nunca foi artista. Então aquilo estava longe de seu alcance. Gostaria de ter tido algo como a relação dos pais, parecia tão certo e natural, mas aquilo era para poucos.

Suspirou e suprimiu a vontade de chorar, finalmente notando a criada as suas costas, segurando suas vestes pelo reflexo do grande espelho. Ajeitou a postura e tentou sorrir como sempre fazia.

– Hora de começar o dia!

***

Houveram algumas outra reuniões com representantes e por isso toda segurança do palácio foi reforçada. Por isso, nos próximos dias a firelady esteve praticamente todo o tempo em contato com o chefe de segurança, principalmente na reunião de defesa. E isso só deixou os nervos da mulher em pior estado do que já estavam. Geralmente haviam pequenos momentos deles entre todas essas reuniões.

Várias vezes quase haviam sido pegos enquanto se enroscavam entre um evento e outro pelos cantos do palácio. Mas agora estava bem claro que o Comandante não queria mais nada, como o marido havia dito, ele provavelmente achou um par de vinte que era muito mais interessante. Estava em sua sala afundada em papéis quando a porta se abriu sem que batessem um jovem rapaz de quinze anos entrasse com um enorme buquê de lírios do fogo, os preferidos da mãe.

Tinha vindo de um treinamento de espadas com Bumi e por isso vestia uma camisa sem mangas, calças militares e botas. O mais velho havia dito para levar o agradado a mãe já que Iroh contou estar com peso de consciência por ter fugido naqueles dias tão cheios para Honora. Achou uma boa ideia, sem dizer que vinha notando a mãe tão cansada que sabia que um buquê lhe colocaria um sorriso no rosto.

Estava acostumado com a mãe sendo aquela figura quase incandescente. Desde que se lembrava ela tinha mil compromissos e mesmo assim sempre estava presente quando precisava e linda. Cheia de energia. Adorava ver como dobrava quando era criança. Seus movimentos eram tão fluidos e suas chamas naquele tom de lilás que o avô dissera não ser usado a quase mil anos.

Só que ultimamente ela estava tão pra baixo. Como se todas as obrigações estivessem cobrindo aquele brilho que sempre teve. E ao entrar na sala viu a quantidade de pilhas de papéis sobre a mesa e sentiu-se mais culpado. Realmente aquela vida de Firelord não lhe apetecia muito, desde criança gostava mesmo era de estar com os guardas, ouvir as histórias da guerra que o avô contava. E com o passar dos anos o peso de ser filho único lhe caia sobre os ombros. Não havia a quem renunciar em favor.

Sabia que a mãe, nem o avô o obrigariam a assumir o posto se não fosse de sua vontade, mas da mesma maneira que amava a vida militar que vinha conhecendo e sonhava em vive-la também, mas não achava justo ser tão egoísta ao ponto de viver seu sonho e abandonar toda a nação que esperava dele que fosse o próximo líder. Suspirou. Era muita responsabilidade para alguém tão jovem. Chacoalhou a cabeça e abriu um sorriso.

– Para firelady mais linda e eficiente de toda essa nação! – disse caminhando e estendendo o buquê – Desculpe ter fugido, mãe!

Honora levantou os olhos e pela primeira vez em semanas, para não dizer meses, sorriu de coração e até mesmo seus olhos se iluminaram. Tinha um filho tão bom... Suspirou e pegou o buquê sentindo o perfume dos lírios do fogo que tanto amava.

– Obrigada, querido. – o fitou... era tão parecido com Bumi. – E não tem problema, eu disse que gostaria que assistisse as negociações, mas não vão faltar oportunidades.

Iroh não queria pensar em ter de ficar em uma dessas reuniões chatas e rolou os olhos.

– É... Eu sei, eu sei... – piscou algumas vezes – Por que a sala está tão escura? Janelas fechadas? Ah mãe, está um dia ótimo lá fora.

Dito isso caminhou e abriu as pesadas cortinas, deixando que uma onda de luz solar entrasse por todas as grandes janelas do escritório dando um novo ar ao lugar e fazendo com que Honora piscasse algumas vezes incomodada com a claridade.

– Feche isso, filho, estou com uma dor de cabeça... – se levantou para levar as flores até um vaso que ali havia retirando as flores que tinham nele e colocando as do filho — Iroh... Por favor! E eu também não preciso ficar vendo esse belo dia sendo que tenho de passar o tempo todo aqui dentro!

O jovem caminhou até a mãe e girou no próprio eixo pegando a mão dela e começando a rodopiar pelo escritório roubando um riso sincero dela. Era dessa mulher que ele estava falando.

– Não precisa ficar o tempo todo aqui! Pode trabalhar no jardim também, como fazia quando eu era pequeno! Vamos mãe! Eu nem estou te reconhecendo mais!

Tudo o que conseguiu fazer foi rir e parar com a leve dança que tinham. O filho de quinze anos já estava muitos centímetros mais alto. Fitou-o olhando para cima e suspirou.

– Vá fazer alguma coisa divertida, eu tenho que trabalhar e todas aquelas pilhas não vão se fazer sozinhas.

O garoto franziu as sobrancelhas quando reconheceu o cheiro diferente que sentiu assim que entrou na sala fechada. Era álcool. Desde pequeno conhecia o gosto da mãe por bebidas fortes e sinceramente era algo normal aos seus olhos. Mais ultimamente vinha notando que ela estava bebendo fora dos padrões. Pela manhã, a tarde, de noite... Na madrugada zanzando pelo palácio. Honora estava sempre bebendo. Ele imaginava todo o stresse que deveria estar passando, mas não gostava nada daquilo, principalmente quando ela parecia tão apagada.

– Mãe! Eu vou falar pro meu avô mandar trancar toda bebida na adega do palácio! São nove da manhã e você já está bebendo!

Honora franziu o cenho e se afastou do filho indo de volta a sua mesa.

– Iroh, vá fazer algo lá fora, ande! Se ficar mais dois minutos aqui vou lhe obrigar a trabalhar o dia todo comigo!

– Mãe!! – a encarou juntando as sobrancelhas -

– Quer mesmo ficar preso o dia todo aqui comigo? – arqueou uma das sobrancelhas usando seu tom de voz altivo –

– Okay, você venceu, mas me promete que vai almoçar comigo. E depois vamos treinar juntos! Lá fora!

Honora rolou os olhos.

–Tudo bem, tudo bem...

– Então estou de te esperando no pátio externo em! – ia saindo quando olhou para duas garrafas de bebidas que estavam sobre uma mesa de apoio, correu até ela, pegou as garrafas e pulou a janela –

A mulher quase deu um pulo, mas no final riu... E por fim suspirou bebendo o licor que ainda havia em sua caneca. Acabou se levantando e indo fechar as janelas, toda aquela luz a estava incomodando. E quando estava puxando a última cortina viu o comandante caminhando enquanto carregava um cesto para uma jovem que sorria para ele. Fechou os olhos e abriu um dos armários tirando mais uma garrafa e enchendo sua xícara.

Continua...

Notas finais
Kisskiss