Hysteria
1 Parte I
Notas iniciais
Enfim, só esclarecendo como ainda não foi divulgado o nome, eu uso para nome da filha do Zuko: Honora. Tem gente que acha que pode ser Ursa ou Ta min, mas EU enquanto não for revelado gosto da sonoridade de Firelady Honora.
Se alguém ler, espero que goste!
Parte I
Fechou o jornal do dia e suspirou levando os dedos a massagear as têmporas. Em todos as notícias eram as mesmas, críticas ao governo devido a instabilidade da economia, acusavam-na de gastar muito com campanhas militares sendo que há mais de cinquenta anos a nação do fogo estava tentando alcançar uma paz. Será mesmo que esses pseudojornalistas não viam que toda a tranquilidade que tinham hoje só acontece porque ainda há lutas contra aqueles que são contra o regime pacífico? Sem dizer que todas as Nações estavam enfrentando problemas na economia. Havia alta de preços, estiagens mais longas do que deveriam, fim de acordos econômicos que ainda não haviam sido renovados. Já no comando há quinze anos, a firelady sabia que com as manobras certas e algumas contenções em investimentos, o mal momento passaria, mas era difícil segurar o auge do estouro.
Sem dizer que sua vida pessoal não ia nem de longe as mil maravilhas. O herdeiro do trono não estavam minimamente interessado em começar a aprender seu trabalho, estava empolgado demais com a proximidade de seu alistamento militar. Honora previa que teria problemas no futuro com isso, ele parecia ter talento para a carreira militar, mas precisava que ele assumisse a coroa algum dia e como ele não tinha irmãos a quem abdicar em favor... Outra crise desencadearia.
Suspirou sentindo a cabeça latejar.
O casamento estava uma droga. Não que algum dia aquela fachada que vivia tivesse prestado, mas pelo menos antes conseguiam viver em harmonia. Só que agora o nobre parecia realmente disposto a fazer da vida da esposa o mais desagradável possível desde que descobriu de seu caso com o Chefe da Guarda Imperial, o Comandante Bumi, não é como se fossem fiéis um ao outro. Zhao tinha uma família numa colônia do interior e sempre soube dos casos da esposa com alguns membros da guarda. Tinham um acordo silencioso de não se intrometer um na vida do outro. Foi um casamento de interesses. Honora precisava casar rápido e família do nobre estava em bancarrota.
A palavras duras dele ainda martelavam em sua mente só aumentando suas dores de cabeça. Mas o que mais a incomodava era a verdade naquilo que ele falava. Abriu os olhos e passou as mãos pequenas pelos longos cabelos negros e olhou ao redor de seu grande e luxuoso escritório. Ás vezes sentia-se numa gaiola de ouro.
Fitou as pilhas de papéis que só cresciam em sua mesa dia após dia não importava quantas horas trabalhasse. Tudo precisava passar por sua mão e precisava estar perfeitamente ciente de tudo que aprovava ou vetava. Na juventude lembrava-se do pai sempre muito ocupado, cheio de afazeres, reuniões e tratados... Se hoje em tempos pacíficos estavam assim, Honora não queria pensar como foram os primeiros anos de Zuko no poder. Só que o pai teve algo que a firelady atual nunca teve, um companheiro que esteve com ele em todas as horas.
Mai era uma mulher de poucas palavras, mas a vida toda a viu ao lado do pai, independente de serem dias calmos ou tempestuosos. Eles foram uma equipe, ela o ajudava a manter-se são em meio a toda confusão que era a vida de um governante. E Honora sentia falta de um apoio assim. Zhao estava pouco se lixando para problemas políticos ou econômicos desde que não afetasse seu modo de vida e Bumi... bem... Bumi não queria nada mais. Nem sabia como ele havia aceitado o convite de Zuko para ser o chefe da guarda imperial. A vida em Capital City era deveras entediante para alguém como ele que passou a vida em campanhas militares.
Mas a mulher estava sozinha.
E como se tudo isso não fosse ruim o suficiente tinha que agir como se tudo estivesse bem. Estar sempre sorrindo e atenciosa com todos. Não era como se pudesse descontar suas frustrações em pessoas que nada tinham a ver. Aqueles eram problemas da firelady, o que fazia deles seus problemas exclusivamente, ninguém mais tinha algo a ver com isso.
Ergueu o corpo da cadeira e foi até um dos armários de madeira anciã de onde tirou uma garrafa de um bom e velho whisky que lhe acompanhava já alguns anos, entretanto, desde o inicio desse inferno astral o vinha o tendo em alta companhia e por isso sua garrafa estava no fim. Colocou a dose em sua caneca de café, não queria o pai, ou algum criado lhe questionando porque vinha bebendo tanto. Voltou a garrafa vazia ao armário e pegou outra, mas de licor de cereja. Sorriu para aquela belezinha. O álcool vinha sendo seu grande amigo.
Virou a dose forte de bebida sentindo-a queimar sua garganta e serviu-se enchendo a caneca com a outra bebida para ficar a seu alcance na mesa. Aquele dia estava só no inicio e Honora previa que precisaria daquele consolo ébrio.
Caminhou até a janela para dar uma olhada lá fora, vinha passando tanto tempo trancada em salas de reuniões que até estava se esquecendo como eram bonitas as manhãs de outono em sua nação. Mas a vista linda do jardim foi ofuscada, alguns metros distante de sua janela, reconheceu a figura bem fardada de Bumi e ele não estava sozinho. Quase riu, ele nunca estava sozinho. Aparentemente ele contava uma história a uma das criadas que o olhava com admiração e aquele sorriso patético no rosto.
Será que olhava para ele daquele mesmo jeito?
A voz de Zhao encheu os pensamentos de Honora.
“Você é patética, Honora! Fica pagando de grande líder, filha exemplar, mãe modelo, mas não passa de uma fangirl idiota manipulada por aquele grosseiro do comandante! Devia ver sua expressão rídicula quando o vê ou quando ele vem de galanteios para seu lado! – a risada irônica dele cortou a falação – Eu só consigo achar graça! Ele faz o que quer com você! E o pior de tudo, enquanto você morre de amores por ele, o grosseirão ama todas as jovens bonitas... E desculpe, minha cara, mas apesar de conservada já passou dos quarenta e logo, logo ele vai te trocar por duas de 25! O que realmente é uma ideia sensata, nenhum homem quer uma mulher mais poderosa que ele próprio! E se ele não te amou vinte anos atrás, por que ia perder esse tempo agora? Acha mesmo que algo mudou? E que finalmente todo esse seu amor bobo vai ser correspondido? Realmente... oh... Realmente, eu só consigo ter pena, querida.”
Fechou os olhos e fechou as cortinas.
Quem precisava de sol? Ela com certeza não!
Voltou a sua mesa de carvalho e começou a trabalhar. Tinha uma Nação inteira a comandar e como sempre, seu coração se despedaçando ficava para as noites insones onde podia sentir pena, auto-piedade, ódio e tudo o mais longe dos olhos de qualquer um.
Viu uma criada deixar uma bandeja com o lanche da manhã, mas nem havia tocado no café ainda. Estava sem fome. Apenas agradeceu e voltou suas energias a algo que valia a pena.
Continua...
Fale com o autor