Hyoku
26 Dia 30- Rotundo
Notas iniciais
A meu ver, aqueles encontros periódicos não tinham preço. Risadas altas, perguntas curiosas, expectativa, enquanto aguardavam respostas. Mais uma geração dos Cabinda Fontaine, reunida para ouvir "a lenda do pássaro de uma asa só." Com o passar dos anos, a tradição que começou com meu avô, continuava a ser transmitida através de meu pai.
— Está treinando Rafinha...? Um dia será você naquele banquinho contando a história de amor dos nossos avôs.
— Iana, eu sou escritor, esqueceu? Farei isso por intermédio de meus livros.
— Mas, nada é mais valioso do que aquilo. – Minha irmã apontou para nosso rotundo pai, sendo cercado pelos quatro netos.
Raphael Cabinda Fontaine, de quem herdei o nome, mostrava aos netos o Hyoku, pingente responsável por salvar a vida do irmão. Impossível olhar para meu velho— no auge dos oitenta anos –, e não se lembrar, do próprio vô Enzo sentado naquele mesmo lugar, nos contando aquela mesma história.
“Tivemos uma segunda chance.” Era como vovô encerrava seu testemunho, depois estendia a mão para vô Zaki, que aceitava seu toque de bom grado, sentava ao seu lado e após lhe dar um beijo demorado na bochecha sempre dizia. “Por isso chegamos até aqui.”
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