Hyoku
27 Dia 31- Habena
Notas iniciais
“Sei que não passo de um simples escravo, padre Damião contou-me que, não gostas de escravos, prefere amigos. Por isso nunca pedi nada a Ti. Não sou teu escravo, muito menos seu amigo... no entanto Enzo o é, e é pela vida dele que clamo de joelhos no chão. Não prometo ser teu escravo, pois – embora não pareça –, a escravidão acabou no Brasil. Somos todos homens livres atualmente. Pedir por sua amizade? Sou negro meu Senhor, não possuo nada para lhe oferecer. Mas, se me achar digno de vossa misericórdia, torno-me teu humilde servo. Dou-te a habena de minha vida. Meu único pedido. Cuide bem de meu anjo.”
Ao longo dos séculos recebi deles tantos nomes, diversas foram suas culturas: Anjo da guarda, aquele que cura, Rephael, Arcanjo Rafael, em alguns lugares até mesmo Hyoku. De alguns, recebi um amor imensurável, de outros nenhuma reciprocidade, somente indiferença. No entanto amei a todos, sem distinção. Desejei que minhas crianças se entendessem. Todos são iguais, nem maiores ou menores, nem melhores ou piores, apenas iguais.
Tantos foram os consagrados a minha égide, quanto às estrelas do céu. Ouvi todos seus lamentos e orações, entretanto, poucas tão sinceras quanto às de Zaki.
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