Hyoku
16 Dia 19 - Besante
Notas iniciais
Padre Damião fitou o homem sentado ao lado. Nada em seu rosto, agora coberto pela fina barba, lembrava o menino que conhecera outrora. O sacerdote jamais o julgaria por suas transgressões, tampouco o faria com Zaki. Não tinha tal autonomia. Pobres homens. Era só o que conseguia pensar.
Em suas orações, o clérigo questionava. “Você os condenaria por tão puro amor?” Nunca obteve respostas, ou quem sabe, não quis de verdade ouvi-las. Já bastava o peso do questionamento em si. Imaginava se não teria sido o culpado pelo despertar daquele sentimento pecaminoso. Foi deveras tolo em suas reflexões junto ao filho do comendador. Só de pensar em Giovanni sentia náuseas, aquele lá, ao contrário de Enzo, não valia um besante furado.
— Há quantos dias não faz a barba? Melhor. Quando fez sua última refeição? Precisa descansar.
—Descansei demais nesses dez anos depois que fui obrigado a partir. Chegou a hora de lutar por aqueles que amo. – Enzo entendeu um envelope em direção ao padre.
— O que é isso?
— O registro de nascimento de meus irmãos. Quer Giovanni aceite, quer não, perante a lei dos homens Raphael e Maria agora são meus filhos. Eles também são Fontaine.
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