Hybrids

21 Vocês não me escutam



Jungkook acordou cedo naquela manhã com uma missão em mente: preparar um café da manhã reforçado para todos da casa. Antes de sair da cama, olhou para o lado e sorriu ao ver Jimin dormindo profundamente, com a respiração serena e o rosto adorável.

Levantou-se com cuidado, fazendo o possível para não acordá-lo. Após um banho rápido, seguiu para a cozinha.

Como de costume, Mingi e Hoseok já estavam lá, sentados à mesa com canecas de café nas mãos, assistindo ao noticiário da manhã na TV. Eles sempre eram os primeiros a acordar, quase como um ritual silencioso entre os dois.

Yoongi, previsivelmente, ainda estava dormindo. E, pelo que Jungkook havia percebido nas últimas semanas, Taehyung parecia dividir o quarto com ele, os dois sempre apareciam juntos na sala logo cedo, sonolentos, com os cabelos bagunçados e as marcas dos travesseiros no rosto.

— Fez café? — Jungkook perguntou, entrando na sala.

— Ele fez — Mingi respondeu antes que Hoseok abrisse a boca — Mas tá horrível.

— Ei! — Hoseok deu um chute na canela de Mingi — Tá tomando por quê então?

— O amor faz a gente cometer loucuras... tipo beber seu café aguado.

— Mingi! — Hoseok corou, desviando o olhar, mas tentou disfarçar — Tá tomando porque quer. Se não gostou, faz melhor — resmungou, fazendo um bico emburrado.

— O seu é perfeito, amorzinho — Mingi provocou, fazendo biquinho pedindo um beijo.

— “Amorzinho”? — Hoseok o empurrou de leve — Não sei do que você tá falando.

— Hobi, é sério? Ainda tá tentando esconder? Todo mundo nessa casa já sabe que vocês tão namorando — Jungkook revirou os olhos, rindo.

— Deuses! Não dá pra ter um pingo de privacidade aqui! — Hoseok exclamou.

— Então vamos pro quarto resolver isso — Mingi piscou com segundas intenções.

— Podem ficar à vontade aí — Jungkook se levantou — Eu vou pra cozinha preparar um café de verdade. Nada pessoal, Hobi. Só... não sujem o sofá, por favor.

Jungkook saiu rindo, sentindo o olhar mortal de Hoseok queimando em sua nuca.

Ao chegar na cozinha, Jungkook colocou o avental com um sorrisinho no rosto. Estava animado, sempre acordava com as energias renovadas depois que começou a dormir com Jimin. O baixinho o deixava leve, nas nuvens, como um bobo apaixonado.

Mas, nos últimos dias, havia notado algo diferente. Jimin andava meio cabisbaixo e quieto demais. Por isso, Jungkook decidiu mimá-lo ainda mais. E qual a melhor forma de fazer isso? Pela boca, claro. Jimin podia estar murcho com o mundo inteiro, mas bastava sentir cheiro de comida gostosa que o humor já subia para o topo.

Começou a preparar waffles, os favoritos de Jimin, com aquela calda de chocolate que ele amava. Para deixá-lo ainda mais feliz, fez questão de montar um prato separado só para ele, caprichado, com coraçõezinhos de chocolate decorando as bordas. Os waffles dos demais ele colocou casualmente em uma travessa de vidro qualquer.

Satisfeito com a surpresa, pegou o celular e mandou no grupo do WhatsApp:

“Café tá pronto, vadias.”

Era impossível acreditar que aquele era o mesmo Jungkook tímido e calado de alguns meses atrás.

Jungkook seguiu em silêncio até o quarto para acordar seu príncipe adormecido.

Aos olhos dele, Jimin era a coisa mais linda que existia no mundo. Parou no batente da porta e ficou observando por alguns segundos, era um momento sagrado demais para ser interrompido. As bochechas gordinhas, o biquinho involuntário que fazia enquanto dormia… tudo nele era fatal para o coração de Jungkook.

Aproximou-se da cama com cuidado e se inclinou para depositar um beijinho delicado na testa dele. Jimin estava quente.

Jungkook franziu o cenho e tocou os lábios na testa de Jimin outra vez, apenas para ter certeza. Os cabelos claros estavam levemente úmidos de suor, grudando na pele, e os lábios tinham perdido o tom rosado de sempre, agora um pouco pálidos.

— Chim? Amor… — chamou baixinho, com a voz suave.

Jimin respondeu apenas com um murmúrio preguiçoso, se mexendo um pouco sob as cobertas, sem abrir os olhos.

O coração de Jungkook acelerou de imediato.

“Ele está queimando em febre.”

O pensamento veio como um soco no peito. A simples ideia de ver Jimin doente já era insuportável. Jungkook levou a mão até o rosto dele, afastando delicadamente o cabelo da testa, tomado por um misto de medo e cuidado.

Ele não podia deixar seu amado Jimin assim. Nunca.

Jungkook pegou o termômetro e o colocou cuidadosamente na axila de Jimin. Mesmo assim, ele não acordou. Esperou alguns minutos que pareceram eternos até conferir o visor. Quando viu o número, o coração quase saiu pela boca. Realmente era febre.

— Jimin… amor, acorda — chamou, agora com a voz carregada de preocupação.

Pegou-o no colo com cuidado. O corpo de Jimin estava quente demais, o calor atravessava o tecido da roupa e fazia Jungkook estremecer.

— Kookie…? — Jimin murmurou, sonolento, abrindo os olhos com dificuldade.

— Oi, meu amor — Jungkook respondeu de imediato, ajeitando-o melhor em seus braços — Você está com febre. Eu fiquei preocupado. Tá sentindo alguma dor? Você quase não comeu ontem…

Jimin franziu o nariz, fazendo uma careta fraca.

— Só tô cansado… e meio enjoado.

— Enjoado? — Jungkook sentiu o estômago afundar — Tá doendo o estômago?

— Uhum… — respondeu manhoso, encostando a testa no peito dele — Eu vomitei ontem.

— Vomitou?! — Jungkook arregalou os olhos — E por que não me contou isso, mocinho?

— Você tava ocupado… fazendo o almoço pro pessoal… — Jimin falou baixinho — Não queria te incomodar.

Aquilo doeu mais do que a febre.

— Incomodar? — Jungkook apertou o abraço, a voz firme e doce ao mesmo tempo — Você nunca me incomoda. Eu me preocupo com você. Cuidar de você é a minha prioridade, ouviu?

Jimin suspirou, fraco, tentando sorrir.

— É só um mal-estar, Kookie… não precisa ficar tão preocupado…

Jungkook encostou a testa na dele, ignorando completamente a tentativa de minimizar.

— Preciso sim — respondeu baixinho — Porque você é tudo pra mim.

Jungkook afagava o rosto de Jimin com ternura, tentando acalmá-lo, mesmo com o coração apertado de preocupação.

— Jimin… tem uma coisa que estou pensando — disse ele, com a voz suave.

— O quê? — Jimin se aninhou mais em seu colo, os olhos meio fechados pelo cansaço.

Jungkook respirou fundo antes de continuar.

— A gente… nunca usou camisinha. Nenhuma vez. E se…

— Grávido? — Jimin o encarou, surpreso. — Não… não é possível. Eu? Grávido? Já transei outras vezes e nunca aconteceu nada.

— Mas era com camisinha, amor. Só com a gente que não foi. E, bem… não é impossível. Eu acho que seria bom fazermos um teste.

Jungkook abaixou os olhos, se sentindo culpado.

— E… me desculpa, Jimin. Isso é culpa minha.

Jimin suspirou, preocupado.

— Kookie… a gente fez isso junto. Não foi só você. Mas… confesso que estou com medo.

— Medo de quê, meu amor?

Jimin demorou alguns segundos antes de responder.

— E se eu estiver mesmo grávido?

Jungkook segurou seu rosto com delicadeza.

— Então a gente vai enfrentar isso juntos. Eu ficaria feliz de ter um filho com você, Jimin. Sério. Vamos passar por isso como uma família. E eu vou estar do seu lado o tempo inteiro.

Jimin o olhou com os olhos marejados.

— Você fala como se tivesse certeza… como se me amasse a esse ponto. Isso mudaria tudo, Kookie.

— Jimin… é com você que eu quero passar o resto da minha vida. Você é o amor da minha vida. Nada vai mudar isso.

Jimin não conseguiu segurar as lágrimas. Se agarrou a ele com força.

— Eu tô com medo, Kookie…

— Eu sei… — Jungkook sussurrou, apertando-o contra o peito. — Mas mesmo que seja isso, vamos ficar bem. Eu vou cuidar de você, do nosso bebê, de tudo. Você não vai estar sozinho, nunca.

Ele sentia o corpo de Jimin tremendo em seus braços, não apenas pela febre, mas pelo turbilhão de sentimentos. E então o abraçou com ainda mais força, como se pudesse protegê-lo de qualquer coisa.

…

Depois de uma hora de espera ansiosa, o teste que Jungkook havia solicitado por aplicativo finalmente chegou. Jimin se levantou com dificuldade e foi até o banheiro, segurando o envelope com as mãos trêmulas.

— Kookie… — chamou depois de alguns minutos com a voz baixa, ainda do outro lado da porta.

— Oi, amor — Jungkook apareceu rápido, parando na frente da porta fechada.

— Eu… eu não quero olhar o resultado sozinho. Pode ver comigo?

— Claro que sim — respondeu, sem hesitar.

Jungkook entrou no banheiro e encontrou Jimin parado, com as mãos tapando os olhos, o teste repousando sobre a pia.

— Vamos olhar juntos? — perguntou, estendendo a mão.

— Tá… no três. Um, dois, três…

Ambos abriram os olhos ao mesmo tempo. E lá estava.

Duas linhas. Positivo.

Jimin nem conseguiu reagir, seus olhos se arregalaram, a respiração falhou, e em questão de segundos seu corpo desabou. Jungkook o segurou no ar, desesperado.

— Jimin?! Chim! — carregou-o com pressa de volta à cama.

Quando Jimin recobrou a consciência, estava deitado, com um acesso no dorso da mão. Soro gotejava lentamente, e o leve frescor de um medicamento percorria sua corrente sanguínea. Jungkook, que era enfermeiro, já havia feito tudo com calma e habilidade, não podiam arriscar levá-lo ao hospital, então cuidaria dele em casa.

Na poltrona ao lado, Hoseok observava tudo em silêncio. Seus pés batiam no chão num ritmo impaciente, os braços cruzados sobre o peito, o olhar sério.

— Vocês não me escutam… — disse, por fim, a voz carregada de frustração.

Notas finais
Ai ai... Hobi falou tanto pra usar camisinha, né? Mas titia ama, titia cuida. Que venha com saúde (✿◠‿◠)