Hybrids

5 Um Gênio Responsável


Notas iniciais
Olá (~ ̄▽ ̄)~ Só pra avisar que o capítulo tem umas saliências de leves, nada explicito, claro :)


Conforme os anos iam passando, Yoongi, Jimin e Hoseok aprenderam a conviver com a rotina imposta a eles. Uma rotina fria, meticulosa, cheia de testes, observações e relatórios.

A vida deles resumia-se a serem examinados como cobaias, treinados como se fossem máquinas, elogiados apenas quando obedeciam ou demonstravam alguma “evolução útil”. Mas os cientistas nunca souberam de tudo. Os três aprenderam rápido que não deviam mostrar tudo o que sabiam.

Hoseok, com sua inteligência acima do comum, foi o primeiro a perceber que precisavam de um lugar só deles. Um espaço onde pudessem existir sem serem vigiados, onde pudessem ser eles mesmos, com suas falhas, seus medos, suas manias e, principalmente, sua humanidade.

E foi Hoseok quem encontrou o esconderijo. Em meio àquela instalação subterrânea gigantesca, feita de corredores intermináveis, salas silenciosas e portas trancadas, havia uma antiga área de manutenção desativada, escondida atrás de uma parede com um sistema de acesso abandonado. Hoseok conseguiu invadir o código e fez daquele lugar o refúgio dos três.

Ali, não havia câmeras, não havia protocolos. Eles podiam rir alto, reclamar, contar segredos, brincar, chorar se quisessem. Podiam agir como meninos, como adolescentes, como pessoas e não como animaizinhos dóceis, programados para agradar.

Hoseok havia levado o esconderijo a um novo nível. Usando de sua genialidade e de uma boa dose de ousadia, roubou diversos computadores de laboratórios esquecidos, materiais de pesquisa e até peças de iluminação. Com paciência e muita improvisação, fez uma instalação de luz e internet, tudo por baixo dos radares, no mais puro contrabando.

Aquele lugar secreto virou seu santuário pessoal. Nas horas vagas — quando não estava fingindo ser apenas mais um híbrido dócil — Hoseok mergulhava nos estudos. Lia, pesquisava, conectava informações. Seu foco principal era entender o que eles eram.

Como era possível fundir o DNA humano com o de outras espécies? O que alterava no cérebro? Na estrutura óssea? No comportamento? Quais os limites éticos e ilegais que haviam sido ultrapassados para que eles existissem?

Ele queria respostas. E queria entendê-las melhor que os próprios cientistas.

A cada descoberta, Hoseok se empolgava como uma criança que encontra um novo brinquedo. A diferença era que seus brinquedos envolviam termos técnicos, mutações genéticas e diagramas complexos.

E quando os computadores não bastavam, ele recorria a seus dois fiéis comparsas.

— Yoongi, você consegue pegar aquele arquivo da sala 3B? Está num envelope bege, parece velho, vai estar numa gaveta com código duplo.

— Jimin, lembra da caixinha de metal no laboratório? Aquela com cheiro de álcool? Preciso dos papéis que estão dentro. Traz pra mim e eu te dou um doce depois.

Eles resmungavam, claro. Yoongi o chamava de nerd obcecado, e Jimin achava tudo "difícil demais". Mas no fundo, sabiam que tudo aquilo era importante. Hoseok não apenas estudava por curiosidade. Ele queria entender como foram criados e quais chances teriam de sair dali.

No esconderijo, cada um vivia à sua maneira. Longe dos olhos frios dos cientistas, eles finalmente poderiam existir como queriam.

Yoongi, fiel à sua essência, fazia exatamente o que fazia em seu quarto monitorado: dormia. E dormia bem. Estirado em um dos sofás rasgados que arrastaram até ali, coberto por uma manta velha, ele aproveitava o silêncio e o conforto daquele espaço livre. Era sua forma de fugir do mundo.

Jimin, por outro lado, transformava o esconderijo em um verdadeiro centro de entretenimento. Tinha sua TV, seus desenhos favoritos e um estoque de porcarias roubadas da dispensa dos funcionários. Ria alto, chorava alto, gritava com os personagens, vivia tudo intensamente. E quando cansava da montanha-russa emocional das animações, pegava o controle do videogame e se jogava nos seus jogos solo, já que Hoseok estava sempre grudado nos computadores e Yoongi... bem, dormindo.

— Vocês são uns inúteis de alma vazia, — ele dizia, dramático, enquanto comia salgadinhos com os olhos inchados de tanto chorar por um casal fictício.

Mesmo com as piadas e os resmungos, ali era onde se sentiam verdadeiramente vivos. Aquele esconderijo era o lugar deles. Um refúgio improvisado, bagunçado, cheio de fios, livros empilhados, almofadas gastas, snacks escondidos e risadas abafadas. Era onde deixavam de ser “experimentos” e voltavam a ser adolescentes com medos, sonhos e desejos.

E havia uma coisa em que os três concordavam, mesmo com suas personalidades tão diferentes é que o mundo era enorme. Eles queriam vê-lo. Queriam conhecer cada pedacinho, sentir a chuva no rosto, ver o mar de verdade, tocar uma árvore, olhar para o céu sem teto de concreto sobre suas cabeças.

É claro que tentaram fugir. Muitas vezes. Todas falharam. Mas nunca desistiram. Então, sobreviviam como podiam. Esperando pelo dia em que os portões se abririam, não porque permitiriam, mas porque eles fariam acontecer.

E até lá, aquele esconderijo seria o lar.

…

Com o passar do tempo, os corpos dos três começaram a mudar. Agora adultos, seus traços haviam se definido, e suas presenças já não passavam despercebidas. Hoseok havia crescido consideravelmente e era o mais alto dos três, mas Yoongi e Jimin… bom, altura não era o forte deles.

— Baixinho, mas compacto — como Yoongi gostava de se definir.

E quanto a Jimin, segundo o próprio Yoongi, e com total apoio de Hoseok, ele havia passado diversas vezes na fila do glúteo.

— Aquilo ali é genética injusta — Yoongi resmungava enquanto o via atravessar o esconderijo com seus shorts apertados.

Mas o que mais chamou atenção foi o comportamento de Jimin. Ele sempre fora grudado nos dois. Gostava de abraçar, encostar, se aconchegar — como um cachorrinho carente em busca de afeto. Mas algo havia mudado nos últimos tempos. Os abraços ficaram mais longos. As carícias, mais sutis. O olhar mais intenso.

E tudo isso começou a acontecer depois que ele começou a assistir doramas e filmes um pouco mais… adultos.

Numa tarde qualquer, Yoongi estava jogado no sofá, envolto em sua eterna preguiça, quando se deu conta de que o esconderijo estava absurdamente silencioso, exceto pela música dramática vindo da TV.

Levantou a cabeça só o suficiente para enxergar.

— Você comeu pelo menos? — perguntou, com a voz abafada pelo travesseiro. Estava pronto para voltar a dormir, mas se preocupava de verdade com o fato de que, às vezes, Jimin ficava tão vidrado nos episódios que esquecia até de comer.

— Já vou... — respondeu Jimin, sem tirar os olhos da tela. Ele estava com as mãos unidas sob o queixo, os olhos brilhando, o rabo balançando de leve de tanta ansiedade. — Eles vão... eles vão...

Sua voz estava trêmula de emoção.

— Eles… vão se beijar!

E quando o beijo finalmente aconteceu, Jimin deu um gritinho contido, batendo palmas com entusiasmo.

— AAAAAHHH! EU SABIA!

Yoongi, sem nem olhar, soltou um suspiro cansado e se virou no sofá.

— Quanta besteira… — murmurou, puxando o cobertor por cima da cabeça.

Mas nem ele conseguia negar: por mais que achasse tudo aquilo bobo, era reconfortante ouvir a risada de Jimin preenchendo o esconderijo. Mesmo que agora ela viesse acompanhada de suspiros românticos e abraços estranhamente mais demorados.

— Mas Yoonie, eles beijaram!

— E daí? — Yoongi murmurou.

— Eu também quero beijar assim.

— Que? — Yoongi se virou assustado.

Jimin se aproximou, estava sentado no tapete, mas parou perto do rosto de Yoongi, o encarando.

— Faz isso comigo? — Jimin pediu manhoso — Me beije.

Yoongi suspirou.

— Jimin, você sabe o que isso significa, né? O Hobi já ensinou isso pra gente. Não somos namorados.

— Mas somos amigos — Jimin deu de ombros.

— E amigos se beijam? — Yoongi perguntou confuso.

— Que mal tem? Beijo é bom, podemos nos beijar e ser amigos.

— Humm… — Yoongi se sentou, olhou para Jimin, pensativo. Também estava curioso — Vou perguntar pro Hobi, ele sabe de tudo.

Os dois correram até Hoseok, que fuçava diversos livros.

— Hobi, Hobi! — Jimin chegou animado — O Yoon pode me beijar?

Hoseok olhou para Jimin com uma expressão de desdém.

— Pode, ué. Precisa me perguntar?

— Você não entendeu — Yoongi se aproximou — Queremos saber se podemos nos beijar como namorados mesmo sem ser namorados.

Hoseok encarou Yoongi, esperava aquela pergunta idiota de Jimin, mas não dele.

— E por que não poderiam? Beijo é só beijo, pode beijar quem vocês quiserem — Hoseok revirou os olhos.

— Mas você disse que só namorados podiam beijar na boca — Jimin arqueou as sobrancelhas.

— Eu disse isso há tempos atrás pra vocês entenderem a diferença das relações. Acho que agora já estão crescidinhos, já expliquei tudo sobre beijos, sexo e o cio de voces… as vezes eu acho que voces não prestam atenção no que eu falo.

— Sexo? — Jimin abriu um sorrisinho.

— É Jimin… — Hoseok suspirou — O mais incrível é que sou o mais novo de vocês dois e sei tudo sobre isso. Vem cá, vou mostrar pra vocês um video de como eles fazem sexo, não mostrei antes porque vocês eram muito novos, segundo a lei dos humanos precisa ter dezoito anos.

Hoseok, sempre o mais curioso e didático dos três, resolveu dar uma aula prática sobre algo que os outros dois claramente só conheciam por nome: sexo. Depois de algumas pesquisas silenciosas, acessou um site adulto e colocou para rodar um vídeo gay.

O efeito foi imediato.

Yoongi e Jimin praticamente saltaram em cima do notebook, os olhos vidrados.

Yoongi fez uma careta, como se ver tudo aquilo tão escancarado causasse dor física. Já Jimin mordia os lábios com um sorrisinho torto, claramente intrigado — ou empolgado demais. Hoseok, por outro lado, assistia não o vídeo, mas as reações dos dois, como se estivesse estudando espécimes raros, o que de certa forma, eram.

Quando o vídeo terminou, o silêncio era quase constrangedor. Os dois ainda encaravam a tela como se estivessem tentando processar o que haviam acabado de ver.

— Eles se beijaram, se abraçaram e fizeram sexo, — explicou Hoseok, como um professor entediado depois de uma apresentação. — É só um vídeo bobo, pra vocês entenderem como funciona. Vocês podem fazer isso com quem quiserem. Mas com certos cuidados.

— Usar camisinha, — disse Yoongi, lembrando de uma das muitas aulas de Hoseok.

— E fazer com o amor da sua vida, — completou Jimin, com os olhos brilhando.

Hoseok revirou os olhos, suspirando.

— É, também... Mas principalmente com alguém em quem confie. Alguém que respeite vocês, que seja bom pra vocês.

Jimin mordeu o lábio de novo, pensativo.

— Podemos fazer entre nós? — perguntou com uma empolgação contida, como quem faz uma pergunta inocente, mas cheia de segundas intenções.

Yoongi arregalou os olhos, quase caindo do sofá.

— Fazer isso entre nós?! — repetiu, como se Jimin tivesse acabado de propor um crime.

— Podemos — Hoseok deu de ombros — Mas não acredito nessa coisa de amor, Jimin. Podemos fazer isso entre nós para ver como é e como gostamos.

— Eu já to com vontade — Jimin deu um sorrisinho e abraçou Yoongi.

Yoongi ficou tenso, aquele vídeo tinha deixado ele um tanto quanto estranho, e Jimin o abraçando o deixava ainda mais tenso.

— Ou seu cio tá próximo ou você é uma bixa safada mesmo — Hoseok olhou para Jimin, o examinando, com a mão no queixo — Você anda mais grudento que o normal.

— Meu cio?

— Sim, lembra que falei sobre isso?

— Eu vou ficar mais quenga do que já sou — Jimin deu risada.

— Não ria, isso é sério — Hoseok cerrou os olhos — O cio acontece para que possamos nos reproduzir. Embora ainda não descobri se é possível a reprodução em nós, híbridos.

Jimin o olhou cheio de dúvidas.

— Não pense muito nisso, Chim — Hoseok fez carinho no rosto dele —, esses estudos chatos são meu passatempo. Você deve se divertir e aproveitar o seu cio. O Yoon e eu vamos te ajudar, né Yoon?

Yoongi continuava imóvel, como se cada músculo estivesse travado. Seu corpo inteiro parecia em alerta, tenso como uma corda esticada demais. Uma gota solitária de suor escorria por sua têmpora, denunciando o conflito interno que ele tentava inútilmente esconder.

Jimin ainda o abraçava, com aquele jeito carente e ao mesmo tempo ousado que só ele tinha. Seu corpo era quente, macio, e seu cheiro era bom demais pro olfato apurado de Yoongi. Era como se o perfume misturado ao calor natural de sua pele atravessasse as camadas de roupa e atingisse direto os sentidos de Yoongi.

— Yoon? — chamou Jimin com a voz baixa, envolvendo o pescoço do outro com os braços. — Você está bem?

— Jimin... — a voz de Yoongi saiu trêmula, quase inaudível — Você tá muito perto.

— E qual o problema? — perguntou Jimin com um sorriso de canto, se aproximando ainda mais. Agora o abraçava de frente, os corpos colados, o rosto a poucos centímetros do de Yoongi. Estavam na exata posição dos personagens antes do beijo nos doramas que Jimin tanto assistia.

— Jimin… você tá me deixando estranho.

Yoongi mal piscava. Seus olhos estavam fixos nos de Jimin, sua respiração irregular.

A poucos passos dali, Hoseok observava a cena com o que só poderia ser descrito como análise científica. Não havia sinais de cio, nenhuma mudança hormonal perceptível, nenhuma alteração extrema. Não era instinto.

Estavam só flertando.

— Te deixando estranho? — Jimin perguntou, com aquele sorrisinho ladino e a voz baixinha, quase num sussurro. — Um estranho bom, né?

A provocação era clara, e Yoongi, mesmo com toda a resistência de costume, começou a ceder. Lentamente, como quem se rende a algo inevitável, suas mãos subiram até a cintura de Jimin. Os dedos se fecharam ali, e ele o puxou com delicadeza, colando seus corpos ainda mais.

Hoseok arregalou os olhos, quase derrubando o notebook do colo. Não fazia ideia se devia interromper, sair discretamente ou pegar pipoca. Ver os dois daquela forma era, no mínimo, curioso e no máximo, um ótimo entretenimento.

Foi quando Jimin fechou os olhos e, com uma calma inesperada, selou seus lábios aos de Yoongi. No início, o beijo foi tímido, hesitante. Era um terreno novo para ambos. Havia algo de confuso na forma como suas bocas se tocavam, como se estivessem tentando encontrar o ritmo certo.

Mas, como se seus corpos lembrassem de algo que suas mentes ainda não compreendiam, os movimentos começaram a se alinhar. As mãos sabiam onde repousar e os toques, onde explorar. Não havia mais dúvida. Só instinto, desejo e aquela estranha conexão que sempre existiu entre eles, mas que agora tomava forma real, palpável, aquecida por anos de proximidade, carinho e provocações inconscientes. Era como se, finalmente, algo estivesse se encaixando.

Jimin passou a língua nos lábios de Yoongi com delicadeza, quase como um convite silencioso, e Yoongi, sem resistir, respondeu da mesma forma. O beijo, antes tímido e hesitante, agora ganhava intensidade. Seus corpos se aqueciam, o desejo crescendo como uma chama que não parava de subir. As mãos de Jimin exploravam as costas de Yoongi, enquanto ele apertava sua cintura com força, querendo mais.

Hoseok, por sua vez, piscou algumas vezes, tentando se lembrar de que ainda era o cérebro lógico do trio. Se virou calmamente, como quem não quer atrapalhar, e estendeu a mão para pegar sua prancheta. Mas antes que pudesse sequer encostar nela, sentiu algo prender seu pulso. Yoongi o segurava firme, os olhos semicerrados, enquanto Jimin, agora voltado para ele, depositava beijos suaves e mordidas leves em seu pescoço.

— Nem pense nisso. Nada de estudos. — murmurou Yoongi com a voz falha, arrepiando-se quando Jimin mordeu um pouco mais forte. — Vem ficar com a gente.

Hoseok hesitou por um segundo... mas foi só isso. Um segundo. Porque, naquele momento, nem fórmulas, nem hipóteses, nem pranchetas faziam mais sentido. Ele sorriu, um sorriso diferente dos que costumava dar quando descobria algo novo na ciência. Era um sorriso quente, rendido.

— É... acho que essa é uma variável que vale a pena explorar pessoalmente. — respondeu, deixando a prancheta de lado e se aproximando dos dois.

Notas finais
Ai ai esses três...