Hybrids

30 O primeiro híbrido



Dak ainda o encarava sem acreditar. Suk também era um híbrido. Agora tudo começava a fazer sentido.

Ele havia sido enviado para investigar Suk porque seus superiores já desconfiavam dele havia muito tempo, embora nunca tivessem encontrado provas concretas.

Assim como Taehyung e Mingi haviam suspeitado, Dak realmente era um espião. A diferença era que os motivos e o lado para quem trabalhava eram completamente diferentes. Dak servia ao governo e estava do lado dos "mocinhos", por assim dizer. O que Taehyung e Mingi jamais imaginavam era que, de certa forma, Suk fosse o verdadeiro vilão daquela história.

— Então foi você quem induziu Hoseok a escolher Taehyung? — perguntou Dak, tentando processar tudo o que estava ouvindo. A frieza e o cálculo por trás de cada ação de Suk lhe causavam arrepios.

— Sim. Eu escolhi Taehyung para ser o "herói" deles. — Suk fez aspas com os dedos ao pronunciar a palavra. — Eu já tinha me aproximado dele muito antes e sabia exatamente como ele seria fácil de manipular. Não o escolhi porque era um excelente promotor. Escolhi porque ele tem um coração bom demais. Sabia que acolheria Yoongi e os outros sem hesitar.

— Mas por quê? Por que fazer Hoseok levá-los para a casa dele?

— Porque tudo isso foi planejado. Tudo. Cada detalhe, cada passo, cada decisão. — Suk cruzou as pernas com tranquilidade. — Eu deixei aquela caixa de papelão no quarto de propósito, esperando que Hoseok a encontrasse e tivesse exatamente aquela ideia. E foi o que aconteceu. Depois disso, bastou fazer com que ele conhecesse o incrível Taehyung durante suas pesquisas.

— Você manipulou tudo...

— Claro que manipulei. Não havia nada acontecendo ali que eu não soubesse. O esconderijo deles era uma excelente fonte de observação. O melhor de tudo era que eles nem imaginavam que estavam sendo estudados justamente no único lugar onde agiam de forma natural. Mas aquilo não era suficiente. Eu precisava descobrir como se comportariam convivendo com outras pessoas, enfrentando situações reais, criando laços. Por isso fiz questão de conduzir Hoseok até a conclusão de que deveria fugir e pedir ajuda a Taehyung. Por isso, Taehyung já era alguém cuja amizade eu vinha cultivando do lado de fora havia bastante tempo.

— Você é um monstro... — Dak mordeu o interior da bochecha, tentando conter a própria raiva. — Matou crianças pra realizar esses experimentos. Destruiu vidas. Seu louco, seu sádico de merda!

— Olha, posso ser louco, admito. Mas eu não matei ninguém. Quer dizer... meu pai conta? — Suk soltou uma risada sombria. — Quando esses experimentos começaram, eu era apenas uma criança. E não menti sobre isso, tenho mesmo vinte e sete anos. Foi meu pai quem descobriu como fazer tudo aquilo. Foi ele quem iniciou os experimentos. Eu apenas cresci observando, e… quando chegou a hora certa, tirei ele do caminho.

— Você matou o próprio pai? Então ele era o Doctor?

— Exatamente, meu querido espião bonitão. Meu pai era o homem por trás de tudo isso. Mas também era um pervertido nojento que merecia morrer. O objetivo dele nunca foi ajudar ninguém. Ele queria criar híbridos para satisfazer os desejos mais sórdidos e repugnantes de pessoas dispostas a pagar por eles. Mas nós não somos isso. Não somos brinquedos, não somos objetos sexuais e muito menos mercadorias. — Por um instante, Suk pareceu entristecer-se ao recordar aquilo. Então seu sorriso frio retornou. — Nós somos o futuro da raça humana.

— Futuro da raça humana? — Dak o encarou como se estivesse diante de um completo lunático. — Você tem ideia de como isso soa? Acha que aquelas crianças queriam morrer por esse tal futuro?

— E você acha que eu queria? — A voz de Suk endureceu imediatamente. — Acha que eu queria ver a minha mãe morrer por causa desse futuro? Acha que eu queria ter sido transformado em um experimento? Acha que eu queria passar anos sendo espancado até urinar sangue? Não, Dak. Eu não queria nada disso. Mas foi a realidade que me deram. Foi a vida que me impuseram... e eu aprendi a conviver com ela.

Dak abaixou o olhar para o chão, tentando organizar os pensamentos. Tudo o que havia descoberto nos últimos minutos parecia pesado demais para processar de uma só vez.

— Suk... você sabe que eles vão te pegar, não sabe? Sabe exatamente o que vai acontecer. Tem gente muito perigosa envolvida nesse esquema. Clientes poderosos, pessoas que não vão pensar duas vezes antes de te eliminar pra apagar rastros. — Dak suspirou profundamente. — Me deixa te ajudar. Nós podemos fugir. Podemos desaparecer daqui.

Suk soltou uma gargalhada.

— Você tá falando sério? — perguntou entre risos. — Você realmente continua apaixonado por mim mesmo depois de descobrir tudo isso? Mesmo sabendo quem eu sou de verdade? Vocês humanos são tão fáceis de manipular.

— Você também é humano, Suk. Não se esqueça disso.

— Não era você quem me odiava? Quem estava me ameaçando há cinco minutos atrás? E agora vem com esse papo de fugir comigo? — Suk balançou a cabeça, ainda rindo. — Acha mesmo que eu vou cair nessa?

— Eu não estou jogando nenhum jogo e nem tentando te manipular. Não gosto dessas coisas. — Dak sustentou seu olhar. — Também não vou mentir. Estou com raiva de você. Durante muito tempo acreditei que fosse inocente e... acabei me apegando. Quando comecei a descobrir que talvez você não fosse quem dizia ser, me senti um completo idiota. Como se tivesse sido traído.

— Own... que bonitinho. Você realmente se apaixonou por mim. — Suk levou a mão ao rosto de Dak e fez um carinho leve apenas para provocá-lo. — Mas não precisa se preocupar comigo. Eu não vou ser pego. Tenho tudo perfeitamente planejado. Aliás, foi exatamente por isso que você veio parar aqui.

— O que pretende fazer comigo? — perguntou Dak. — Vai me matar?

— Claro que não. — Suk soltou uma risada baixa. — Eu jamais destruiria uma obra de arte dessas.

Sem mover a cabeça, seus olhos percorreram Dak de cima a baixo. Então mordeu o lábio inferior e abriu um sorriso satisfeito.

— Tenho planos muito melhores para você. — Sua voz saiu suave — Mas, infelizmente, vou precisar incriminá-lo.

— Isso não vai funcionar pra sempre. Uma hora Taehyung vai descobrir. Eu sei o quão competente ele é.

— Não adianta ser competente e ser ingênuo. Aprendi isso observando o meu querido pai. — Suk apoiou o queixo na mão e sorriu. — E, para ser sincero, agora tenho ainda mais motivos para continuar observando todos eles. As coisas saíram muito melhor do que eu havia planejado. Você faz ideia do quanto fiquei feliz quando descobri a gravidez do Jimin? O DNA alterado dele foi transmitido para o bebê, e o feto está se desenvolvendo como um híbrido. Isso é extraordinário. É exatamente o tipo de resultado que eu esperava encontrar. Como já te disse antes, nós somos o futuro da raça humana.

— Então o Jungkook... sabe de tudo isso? Ele trabalha para você?

— Claro que não. Jungkook é lerdo demais pra participar de algo assim. — Suk soltou uma breve risada. — Ele simplesmente estava no lugar errado na hora errada. Ele é realmente um enfermeiro comum que não tinha qualquer envolvimento com o projeto. O problema foi que entrou em uma sala restrita na clínica onde trabalhava. Fui chamado imediatamente e estavam apenas esperando minha autorização para eliminá-lo. Mas eu enxerguei uma oportunidade melhor e mandei levá-lo para o laboratório dos híbridos. Eu já sabia do plano deles de roubar o cartão de acesso e, por isso, liguei o sistema de ventilação nos dutos. Isso obrigou Jimin a mudar de rota e encontrar Jungkook desacordado. E veja onde chegamos agora: um casal apaixonado, construindo uma família. Talvez esse tenha sido o meu experimento mais bem-sucedido. Eles provaram que híbridos podem se integrar à sociedade e criar vínculos da mesma forma que qualquer humano. E a melhor parte de tudo... — o sorriso de Suk se ampliou lentamente — agora sabemos que também podemos nos reproduzir.

— Você não pode brincar com a vida das pessoas.

— Eu não brinquei com a vida de ninguém. Apenas coloquei Jungkook no caminho de Jimin. Quem se apaixonou foram eles. — Suk deu de ombros com naturalidade.

— E eu? Por que me envolveu nisso? Como conseguiu fazer o delegado me colocar no caso?

— Bem, eu não sou idiota. Descobri que você era um agente infiltrado enviado para me vigiar no exato momento em que coloquei os olhos em você. Claro que, naquele instante, também tive vontade de te arrastar para a cama e transar loucamente com você. O fato de ser meu inimigo só tornava tudo mais interessante. — Suk soltou uma risadinha — Mas deixando os meus desejos questionáveis de lado, você era perfeito para o papel que eu precisava. Com essa sua expressão sempre séria e esse jeito intimidador, muita gente já não gostava de você. Seria fácil direcionar as suspeitas para o seu lado. Quanto ao delegado, bastou uma quantia considerável de dinheiro para convencê-lo a incluí-lo na investigação. Eu precisava que você estivesse dentro do caso para que, quando tudo viesse à tona, os olhares se voltassem para você e não para mim.

Dessa vez foi Dak quem riu, arrancando uma expressão de estranheza de Suk.

— O seu plano vai falhar. Espero que tenha consciência disso. Eu te ofereci uma oportunidade de se redimir e fugir daqui. Tem certeza de que quer continuar seguindo por esse caminho? A ciência realmente vale tudo isso?

— A ciência é tudo o que eu tenho. — O sorriso de Suk desapareceu pela primeira vez. — É a única herança que meu pai me deixou.

Notas finais
E agora? Torcer pelos mocinhos, para que o Tae consiga prender o Suk? Ou torcer pelo vilão, para que o Suk fuja com o Dak? (*  ̄︿ ̄)