Hybrids
31 Meu cachorrinho
Notas iniciais

Yoongi se incomodava com a forma como Suk parecia observá-lo o tempo todo.
— Ele precisa mesmo ficar aqui? — sussurrou para Taehyung.
— Yoon, ele está passando por um momento muito difícil. O homem que ele ama era um espião, o traiu e agora está foragido. Vamos tentar ser legais com ele. Suk é uma boa pessoa, dê uma chance.
Yoongi suspirou. Por algum motivo, não gostava de Suk. Sempre que ele se aproximava, sentia um arrepio estranho percorrer sua espinha. Durante muito tempo acreditou que fosse apenas ciúmes de Taehyung, mas aquilo parecia diferente. Não era só possessividade ou insegurança, era algo mais instintivo. Como se alguma parte dele estivesse constantemente em alerta. O mais estranho era que nem mesmo Hoseok parecia sentir aquilo. E Hoseok costumava desconfiar de tudo. Jimin, por outro lado, adorava Suk, mas isso não significava muita coisa. Jimin era capaz de amar qualquer pessoa que lhe demonstrasse um mínimo de gentileza. Tentando convencer a si mesmo de que tudo não passava de um ciúme infantil, Yoongi decidiu ignorar aquela sensação desagradável. Pegou uma xícara de café e caminhou até Suk.
— Beba, ainda está quente — disse Yoongi de maneira fria, tentando ignorar os arrepios estranhos que sentia sempre que ficava perto dele.
— Obrigado, Yoonie. — Suk sorriu de forma adorável ao receber a xícara.
"Odeio esse sorrisinho", pensou Yoongi, forçando uma expressão amigável em resposta.
Suk tentou ser mais discreto enquanto o observava.
"Yoongi é o único que eu não consigo conquistar. Não acho que seja ciúme por causa do Tae. Imagino que tenha relação com o fato de sermos felinos. Deve existir algum fator instintivo envolvido. Preciso anotar isso depois pra pesquisar melhor. Os felinos parecem ser mais difíceis de enganar e conquistar. Yoongi é parecido comigo."
— E... você está bem? — perguntou Yoongi, esforçando-se para soar gentil. Apesar disso, uma parte dele continuava querendo manter distância. Ainda assim, Suk era alguém importante para Taehyung, então precisava ao menos tentar.
— Vou ficar. — Suk suspirou e abaixou o olhar, assumindo uma expressão abatida. Era uma atuação que convencia qualquer um, exceto Yoongi. — Essa semana tem sido muito difícil para mim...
— Vai ficar tudo bem. — Yoongi pousou a mão em seu ombro numa tentativa de conforto, mas um calafrio imediato percorreu seu corpo. Ele retirou a mão quase no mesmo instante. — Bem... eu preciso terminar algumas coisas. Se precisar de alguma coisa, é só chamar. Sinta-se em casa.
— Casa... — repetiu Suk baixinho, apreciando a palavra. Pela primeira vez em muito tempo, sentia algo parecido com aquilo. Como se aquele lugar realmente fosse seu lar. Como se aquelas pessoas fossem sua família. — Obrigado, Yoonie.
Yoongi se retirou, e Suk também se levantou. Gostava da liberdade que tinha dentro daquela casa. Aquilo lhe permitia observar de perto como “seus” híbridos estavam vivendo, se adaptando e construindo suas vidas. Caminhou até o quarto de Jimin e parou no batente da porta, que estava aberta. Então deu duas leves batidinhas para anunciar sua presença. Jimin estava deitado na cama enquanto Jungkook lia um livro infantil para a barriga já grande e arredondada do namorado.
— Suk! — Jimin exclamou animado. — Entra! Vem conversar com o nosso feijãozinho.
Suk entrou no quarto e se sentou na beira da cama. Primeiro cumprimentou Jungkook com um sorriso gentil, depois voltou sua atenção para Jimin, sorrindo também.
— Como está o papai mais lindo do mundo? — perguntou Suk.
— Estou bem. Só ando com alguns enjoos e uma vontade enorme de ficar deitado o tempo todo. — Jimin riu baixinho.
— Isso é perfeitamente normal durante a gravidez, Jiminie.
— Quer sentir o bebê? — perguntou Jungkook. — Às vezes ele dá alguns chutes.
— Eu posso? — Suk olhou para Jimin, pedindo permissão.
— Claro que pode. Coloca a mão aqui. — Jimin pegou a mão de Suk e a pousou sobre sua barriga.
Após alguns segundos de espera, um pequeno chute foi sentido sob sua palma. Os olhos de Suk imediatamente se encheram de lágrimas. A emoção era genuína. Não existia nada no mundo que ele valorizasse mais do que os híbridos, e sentir a presença de uma nova vida, concebida a partir do amor de duas pessoas, tocava algo muito profundo dentro dele.
— E-ele... c-chutou... — disse com a voz embargada.
— Acho que ele gostou de você. Ficou até mais agitado agora. — Jimin sorriu ao sentir os movimentos dentro da barriga.
— Vocês já escolheram o nome?
— Combinamos que, se fosse menina, o Kookie escolheria. Seria Rebecca. Ele adora falar esse nome puxando o R, tipo... Rrrrrrrrebecca. — Jimin caiu na risada. — Mas como é um menininho, fui eu quem escolheu. Vai se chamar Kyungsoo. E ele vai ser bem altão, igual ao Kookie. — Jimin sorriu orgulhoso enquanto acariciava a própria barriga.
— Mesmo que ele seja baixinho como você, ainda vai ser lindo.
— Ei! Eu não sou baixinho. Vocês é que são gigantes. — Jimin cruzou os braços em protesto. — O Kyungsoo vai ter pelo menos dois metros de altura.
— Acredito que sim. — Suk riu da indignação dele.
— Estou tão ansioso pra pegar o meu pequeno Kyungsoo no colo. — Jimin sorriu para Jungkook, os olhos brilhando de expectativa.
— Eu também mal posso esperar por isso. Estou contando os dias pra conhecer ele. — Jungkook soltou um suspiro sonhador, completamente apaixonado pelo filho que ainda nem havia nascido.
— Ele vai ser lindo. — Suk continuou acariciando a barriga de Jimin. — Além de vocês dois serem lindos, ele vai nascer igual ao Jimin. Perfeito.
— Perfeito? — Jimin repetiu, estranhando a escolha da palavra.
— Sim, Jimin. Você é perfeito.
— Suk, eu tenho orelhas e um rabo de cachorro. Em que universo isso é ser perfeito?
— Justamente por isso você é perfeito, Jimin. — O olhar de Suk se suavizou. — Você é a salvação da raça humana.
— Eu? — Jimin o encarou, completamente confuso.
— Sim, Jiminnie. Você, o Yoonie e o Hobi. Vocês são extraordinários justamente porque são diferentes.
— Eu sempre achei que isso fosse uma maldição... — Jimin suspirou, abaixando o olhar.
— Não pense assim. Vocês foram abençoados pelos milagres da ciência. — Suk sorriu. — É por isso que o seu filho vai nascer saudável, forte e muito mais resistente do que qualquer ser humano comum.
— Falando desse jeito, você até parece um cientista maluco. — Jimin riu inocentemente.
— Eu pareço? — Suk acompanhou a risada. — Acho que eu não deveria ter feito Direito. Uma carreira na medicina ou na ciência combinaria muito mais comigo, não acham?
— Acho sim! — Jimin respondeu com um joinha. — Mas você ainda é novo. Já pensou em se especializar em outra área?
— Tenho muitos planos, na verdade. Quem sabe um dia. Bem, se me dão licença, deixei meu cachorrinho sozinho em casa e preciso alimentá-lo.
— Você tem um bichinho de estimação? — Jimin sorriu, interessado.
— Tenho. Ele me dá bastante trabalho, mas eu amo aquele danadinho.
— Que fofo! E qual é o nome dele?
— Dak-ho.
— Dak-ho? Igual ao...
— Isso mesmo. — Suk suspirou com um ar melancólico. — Eu estava tão apaixonado por ele que dei o nome dele ao meu cachorrinho.
— Isso é muito chato, mas você vai ficar bem, Suk. Você é bonito, inteligente e uma ótima pessoa. Vai encontrar alguém que te mereça rapidinho. Volta aqui depois, tá? Não é bom ficar sozinho.
— Obrigado, Jiminie. Você é muito gentil. Mas acho que preciso passar esta noite com o Dakzinho. Ele anda um pouco carente.
Depois de se despedir, Suk saiu do quarto. Ao passar pela sala, inclinou-se e depositou um beijo carinhoso no topo da cabeça de Taehyung antes de seguir para a saída.
…
Dak-ho andava de um lado para o outro dentro da cela. Já fazia uma semana que estava preso ali, e não conseguia parar de pensar no que os outros estariam imaginando sobre seu desaparecimento. Odiava aquela situação. Odiava saber de tudo o que Suk havia sofrido e no que aquilo o transformou. Parte dele ainda queria salvá-lo, mas não fazia ideia de como fazer isso. Afinal, para salvar Suk, seria preciso salvá-lo de si mesmo.
Um assobio distante anunciou a chegada de Suk. Dak imediatamente se endireitou e cruzou os braços.
— Boa noite, meu Dakzinho. — Suk apareceu com seu habitual sorriso provocador. — Se alimentou direitinho?
— Vai me manter preso aqui até quando?
— Até quando eu achar necessário. Olha, não leve para o lado pessoal, mas preciso manter você aqui.
Dak soltou um longo suspiro.
— Vai continuar insistindo nisso? Você sabe que a situação só vai piorar quando descobrirem.
— Mas eles não vão descobrir. — Suk deu de ombros. — Desculpe, mas preciso fazer uma coisa.
Ele chamou dois guardas com um gesto simples. Os homens armados entraram na cela e prenderam Dak à cadeira. Ele não reagiu. Apenas observou cada movimento com atenção, avaliando silenciosamente se existia alguma chance de tomar uma das armas e virar o jogo.
— O que você quer agora? — Dak tentou mover os punhos, mas eles estavam firmemente presos atrás das costas.
Suk dispensou os guardas com um aceno e, assim que ficaram sozinhos, entrou na cela. O sorriso debochado continuava estampado em seu rosto. Aproximou-se devagar e passou os dedos pelos cabelos de Dak, que imediatamente virou a cabeça para evitar o contato.
— É só um carinho no meu Dakzinho. — Suk deslizou a mão por seu rosto e então segurou seu queixo com firmeza, obrigando-o a encará-lo. — Você é bonito.
— Suk, o que você quer? — repetiu Dak, já sem paciência.
Suk sentou-se em seu colo, de frente para ele, sem desviar o olhar por um único segundo. Então se inclinou até a altura de seu ouvido e sorriu.
— O que eu quero? — Sussurrou — Eu quero você, Dak.
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