Hybrids
32 Verdadeiro ou falso?

Suk mordiscou de leve o queixo de Dak, exibindo um sorriso provocador enquanto permanecia sentado em seu colo.
— Suk... — A voz de Dak saiu falha. — Para com isso.
— E por que eu deveria parar? — Os lábios de Suk desceram até seu pescoço, roçando sua pele de maneira calculada e arrancando arrepios involuntários.
— Suk... — Dak fechou os olhos. Seu nome escapou em um sussurro acompanhado por uma respiração pesada.
Suk envolveu seu pescoço com os braços e o observou com aquele sorriso dissimulado. Era um lado dele que Dak nunca havia conhecido. Não o Suk gentil e amável que mostrava aos outros, mas alguém muito mais intenso, confiante e perigoso.
— Sabe qual é a única verdade em toda essa história? — perguntou Suk, em um tom baixo e tranquilo.
Dak não conseguia desviar os olhos dele.
— Qual?
— O desejo que sinto por você. Pelo menos sobre isso eu nunca menti.
Dak odiava perceber a própria reação de seu corpo diante daquela provocação. Sua razão gritava que Suk era alguém que precisava ser detido, alguém perigoso e imprevisível. Ainda assim, uma parte dele insistia em se deixar levar pela proximidade entre os dois.
— Me solta e talvez isso fique mais interessante. — Dak tentou mover os braços, mas as amarras continuavam firmes.
Suk sorriu e passou a língua pelos lábios.
— Estou louco por você, mas não sou idiota. — Sua voz caiu para um quase sussurro. — E sinceramente? Acho que fazer isso com você preso é bem mais… excitante.
Suk se inclinou novamente em sua direção, mantendo o olhar fixo no dele. Dak soltou um suspiro pesado, dividido entre a irritação, a desconfiança e os sentimentos conflitantes que insistiam em não desaparecer.
O que aconteceu depois foi algo que ambos tentaram negar por muito tempo.
Toda a raiva, a frustração, a desconfiança e os sentimentos que haviam guardado em silêncio acabaram se misturando de uma forma impossível de controlar. No meio de provocações e olhares carregados de emoções conflitantes, a distância que os dois insistiam em manter simplesmente deixou de existir. Durante algumas horas, esqueceram quem era o prisioneiro e quem era o carcereiro. Existiam apenas Dak e Suk, dois homens presos a sentimentos que nunca tiveram coragem de admitir completamente.
Em algum momento, levado pelo impulso e pela intensidade do momento, Suk acabou soltando Dak. Talvez tenha sido imprudência, ou confiança, ou apenas o desejo de sentir que Dak estava ali porque queria estar.
Os dois deixaram de lado as mentiras, os disfarces e os papéis que desempenhavam. Entregaram-se àquele sentimento intenso que vinha crescendo entre eles havia muito tempo, mesmo sabendo que, quando a realidade voltasse a bater à porta, nada seria simples.
Eles se encararam em silêncio, cansados e eufóricos ao mesmo tempo. A respiração de ambos ainda estava descompassada e gotas de suor escorriam por suas testas. Por alguns instantes, nenhum dos dois quis quebrar aquele silêncio. Mas, como sempre, foi Suk quem falou primeiro.
— Eu falhei... — Suk soltou uma risada amarga enquanto tentava recuperar o fôlego. — Falhei miseravelmente. Me deixei levar pelos meus sentimentos e agora estou aqui, vulnerável, tremendo nos seus braços depois de viver o melhor momento da minha vida. Não tenho forças para lutar contra você... e nem sei se quero. — Suspirou e apoiou a cabeça no peito de Dak, abraçando-o com força. — Você vai me entregar, não vai?
Dak fechou os olhos por um instante, mas não respondeu. Apenas o pegou nos braços e o levou até a pequena cama de solteiro no canto da cela. Deitou-se ao lado dele e puxou a coberta sobre os dois. Então ficou observando Suk em silêncio, acariciando seu rosto com delicadeza, como se quisesse gravar cada detalhe em sua memória.
— Desgraçado... — murmurou, soltando um suspiro cansado. — Eu realmente estou apaixonado por você. O que foi que você fez comigo?
— São os meus poderes de sedução. — Suk riu baixinho.
— Eu deveria estar te investigando, te algemando e te entregando às autoridades neste exato momento. — Dak continuou acariciando seu rosto. Seus olhos ardiam enquanto encarava os de Suk. Havia uma tristeza profunda acompanhada por uma vontade de que as coisas tivessem sido diferentes. Queria que tivessem se conhecido por acaso, em uma balada, em um bar ou esbarrando um no outro na rua. Qualquer cenário seria melhor do que aquele. Qualquer história seria melhor do que a de um agente infiltrado apaixonado pelo homem que deveria prender. — Suk... por favor... foge comigo. Eu não estou com um bom pressentimento sobre tudo isso. — Sua voz vacilou, transformando o pedido em uma súplica. — Eu estou te implorando. Vem embora comigo e me deixa te proteger.
…
Jimin estava radiante por estar no shopping ao lado de Suk e Jungkook. Era a primeira vez que saía em público desde que havia chegado àquela casa, e só isso já fazia seu coração bater mais rápido de animação.
Ainda assim, vez ou outra ajeitava a boininha preta na cabeça, desconfiado, com receio de que alguém percebesse suas orelhinhas escondidas. Mas aquilo nem era o que mais o incomodava. O rabo, preso e escondido dentro das calças, era muito mais difícil de ignorar. Mesmo assim, nada conseguia diminuir sua felicidade. Afinal, estava ali para comprar roupinhas para o seu bebê.
O casaco largo escondia sua barriga já bastante evidente, evitando os olhares curiosos dos desconhecidos. Mas, em meio à multidão apressada de pessoas carregando sacolas e correndo de uma loja para outra, ninguém parecia prestar atenção nele. Ninguém imaginaria que estava diante de um híbrido grávido. Claro que Jimin não era o único disfarçado. Jungkook também usava máscara para não ser reconhecido. O que era quase irônico, considerando que a pessoa responsável por seu sequestro caminhava tranquilamente ao seu lado.
Suk acompanhava os dois em silêncio. Jimin e Jungkook andavam de mãos dadas, trocando sorrisos e pequenos gestos de carinho, enquanto ele os observava. Havia algo profundamente satisfatório em vê-los felizes. Saber que seu "experimento" era capaz de amar, criar laços e construir uma família despertava nele um fascínio imenso. Na mente de Suk, tudo aquilo ainda fazia parte de sua pesquisa. Cada palavra, cada olhar, cada toque e cada demonstração de afeto eram cuidadosamente registrados em sua memória. Seu sorriso surgia espontaneamente sempre que testemunhava aqueles momentos. Durante anos, ouviu do pai que híbridos perderiam naturalmente a capacidade de sentir emoções complexas. Mas Jimin provava exatamente o contrário. De certa forma, Suk enxergava a si mesmo nele. Queria compreender aquelas emoções tão intensas. Queria sentir as alegrias, os medos, as inseguranças e até mesmo as tristezas que moviam as pessoas. Durante muito tempo acreditou ser incapaz de amar alguém de verdade. Porém, convivendo com os híbridos, começou a perceber que talvez estivesse enganado o tempo todo.
Passaram por várias lojas e Jimin queria comprar absolutamente tudo. Derretia-se a cada peça minúscula que encontrava, principalmente as que tinham estampas de cachorrinhos fofos. Para ele, todas eram indispensáveis.
As compras se acumularam tão rapidamente que Jungkook já não conseguia carregar tantas sacolas. Acabou precisando ir até o estacionamento para deixá-las no carro antes que seus braços desistissem de vez.
Jimin se curvou levemente ao sentir uma fisgada nas costas, e Suk imediatamente segurou seu braço, preocupado.
— Tá cansado, Jimin? Vamos sentar um pouco ali. — Apontou para um banco em frente a uma das lojas.
Jimin sorriu e deixou que Suk o conduzisse até o assento. Assim que ele se acomodou, Suk correu para comprar um suco natural.
— Toma, bebe um pouco. Vai te fazer bem. — Entregou-lhe o copo com canudo.
Jimin deu um gole e imediatamente fez uma careta.
— Tá sem açúcar!
— Claro que está. Você precisa evitar açúcar. Isso já faz mal para qualquer pessoa, imagina para você.
Jimin riu e passou a observá-lo com curiosidade.
— Você é tão atencioso comigo. Quer dizer, você é atencioso com todo mundo, mas comigo parece ainda mais. Vive me mimando.
— É porque, além de estar gravidinho, eu gosto muito de você. — Suk acariciou seu rosto com carinho. — E, quando digo isso, estou sendo sincero. Gosto de você e dos meninos de verdade. Vocês são como... minha família.
Os olhos de Jimin se encheram de lágrimas na mesma hora. Ele já era naturalmente emotivo, e a gravidez só havia intensificado aquilo.
— Nós também te amamos, Suk. Você faz parte da família, nunca duvide disso. E o Yoon pode parecer meio bruto às vezes, mas ele não é uma pessoa ruim.
— Eu sei. Ele só é ciumento. — Suk caiu na risada.
— Muito ciumento. — Jimin acompanhou a gargalhada.
— Estou ansioso para segurar o mini Jikook nos braços. — Suk sorriu enquanto limpava os cantos dos olhos, que haviam lacrimejado de tanto rir.
— Vai ser legal quando ele crescer e começar a te chamar de tio Suk.
— Acabei de sofrer uma explosão de fofura. — Suk voltou a rir, imaginando como seria aquele bebê híbrido, concebido de forma natural e fruto de um amor tão bonito.
Quando Jungkook retornou, os três seguiram para a praça de alimentação e almoçaram juntos. Jimin estava tão feliz e animado com o passeio que tanto Suk quanto Jungkook sentiram pena quando chegou a hora de ir embora. Mas, por mais que ele quisesse continuar explorando o shopping, o futuro papai precisava descansar.
…
Depois que Jimin tomou banho e se acomodou confortavelmente no quarto, recebendo uma massagem nos pés de seu dedicado namorado, Suk se sentiu mais tranquilo. Aproveitou para deixar os dois sozinhos e foi para outro cômodo observar mais um de seus híbridos.
— Tok tok. — anunciou-se do batente da porta.
Hoseok e Mingi olharam para trás. Os dois estavam concentrados diante dos computadores, cercados por documentos e anotações.
— Suk! Entra. — Mingi puxou uma cadeira para ele.
— Não estou atrapalhando? — perguntou com timidez.
— Claro que não. Você nunca atrapalha. — Hoseok sorriu.
Suk se aproximou de maneira discreta. Ou, pelo menos, era assim que gostava de agir. As pessoas tendiam a confiar mais em alguém que parecia gentil, tímido e inofensivo.
— O que vocês estão fazendo?
— Estamos trabalhando no caso dos híbridos. — Mingi virou um pouco a tela, exibindo diversos relatórios e documentos espalhados pelo monitor.
Suk sentiu o estômago revirar.
— E descobriram alguma coisa? — perguntou, tentando não demonstrar interesse demais.
— Nada realmente concreto ainda. — Hoseok suspirou e recostou-se na cadeira. — Mas temos algumas teorias...
— Tipo?
— Com o Dak-ho desaparecido, não tivemos oportunidade de interrogá-lo. Mas uma coisa tem passado pela minha cabeça. — Hoseok apoiou a mão no queixo, pensativo. — Talvez o Doctor, aquele homem grisalho que me lembro de ter visto apenas de relance, já esteja morto. Talvez outra pessoa tenha assumido o lugar dele. Quem sabe algum parente... ou até mesmo um filho.
Suk precisou reunir todo o autocontrole que possuía para não deixar o desespero transparecer em seu rosto.
— É uma boa teoria. Como chegou a essa conclusão, Hobi?
— Olha, no começo eles nos treinavam apenas para sermos objetos sexuais, algo para satisfazer os desejos dos nossos futuros donos. Mas, depois de um tempo, começaram a nos ensinar coisas que não tinham relação alguma com isso. Passaram a testar nosso raciocínio, inteligência e resistência física. Parecia que os objetivos deles tinham mudado no meio do caminho, por assim dizer.
Suk deveria estar preocupado ao perceber o quanto Hoseok estava próximo da verdade. No entanto, sentia algo completamente diferente. Estava fascinado. Cada observação de Hoseok apenas reforçava aquilo que ele já acreditava. Os híbridos eram muito mais do que simples ferramentas ou mercadorias. Eram inteligentes, adaptáveis, capazes de aprender, criar vínculos e desenvolver pensamentos complexos. Jimin, Yoongi e Hoseok provavam isso todos os dias. Quanto mais os observava, mais tinha certeza de que havia feito a escolha certa ao assumir o lugar do pai e mudar o rumo daquele projeto. Suk não queria que os híbridos fossem escondidos ou vendidos. Queria que fossem reconhecidos, admirados e valorizados pelo que realmente eram.
— Faz todo sentido. — Suk disfarçou a satisfação que sentia. Eles não faziam ideia de que estavam compartilhando suas teorias justamente com a pessoa que comandava tudo aquilo. — Tenho certeza de que vocês vão encontrar esse homem. Vocês são incríveis. E você, Hobi... eu fico realmente orgulhoso de ver o quanto é inteligente.
— Orgulhoso? — Hoseok sorriu, claramente feliz com o elogio. Ao mesmo tempo, uma pequena estranheza surgiu em seu peito. Às vezes, Suk falava com ele de um jeito que parecia paternal demais para alguém que conhecia havia apenas alguns meses. Era estranho ouvir aquilo de alguém só oito anos mais velho, com aparência delicada e um jeito tão gentil que costumava parecer até mais novo do que realmente era.
— Sim, orgulhoso. Você é incrível, Hobi...
"Quase tão incrível quanto eu."
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