Hybrids

19 Motorista de primeira viagem



Depois de uma semana insana organizando a nova casa, Taehyung finalmente voltou ao trabalho. A pilha de tarefas acumuladas o esperava, mas, por sorte, Suk era incrivelmente eficiente e tinha deixado tudo em ordem durante sua ausência. Agora que todos estavam seguros e adaptados, Taehyung conseguia respirar mais aliviado e focar nas responsabilidades profissionais.

Apesar das constantes briguinhas entre Mingi e Hoseok, Taehyung confiava neles, sabia que eram responsáveis e cuidavam bem dos outros. Isso lhe dava a tranquilidade necessária para mergulhar no serviço com mais foco.

Naquela manhã, chegou ao escritório com uma caneca de café fumegante em mãos, bocejando enquanto atravessava a porta. Estava exausto, já era rotina Yoongi invadir sua cama no meio da madrugada. E, por mais que o cenário parecesse sugestivo, a verdade era que ele só queria dormir. Nada mais.

Mas quando estava acordado, aí sim Yoongi sabia provocar. E fazia isso com maestria. Pequenas insinuações, olhares, comentários sutilmente maliciosos. Taehyung entendia cada um deles. E o mais curioso era que, apesar de fingir desinteresse, sempre devolvia na mesma moeda, se divertindo em silêncio com o jogo que crescia entre os dois.

O sorriso bobo de Taehyung, ainda preso às lembranças de Yoongi, desapareceu no instante em que Suk entrou na sala chorando. Seu rosto estava vermelho, encharcado de lágrimas e os olhos inchados.

— Meu Deus, o que aconteceu? — Taehyung correu até ele, segurando-o pelos ombros e se inclinando para ver melhor seu semblante abatido.

— O Dak… ele… — Suk mal conseguia falar entre os soluços, a voz trêmula sufocada pela dor.

— Calma, senta aqui — Taehyung o conduziu até a poltrona com delicadeza — Me conta o que houve, estou aqui com você.

Suk tentou limpar as lágrimas com as costas das mãos, mas elas insistiam em cair.

— Tae… eu amo ele demais, de verdade… mas… — sua voz falhou novamente — ele sempre me trata tão mal. Por que parece que ele me odeia? O que eu fiz pra merecer isso?

Taehyung se ajoelhou ao lado da poltrona e passou a mão devagar pelos cabelos de Suk, num gesto de conforto.

— Respira fundo. Vai com calma. Me conta o que ele fez dessa vez, eu tô aqui pra te ouvir.

Suk respirou trêmulo, tentando controlar o choro. Ele precisava falar. Precisava tirar aquilo do peito. Taehyung se sentou ao lado dele, pronto para escutar cada palavra.

…

… Kwan Suk …

Era mais uma manhã corrida como tantas outras. Suk mal havia acordado e já se perguntava quanto trabalho ainda os aguardava naquela semana. Taehyung andava sobrecarregado com os casos dos híbridos, e Suk queria ajudá-lo da melhor forma possível. No momento, isso significava manter todos os outros casos organizados e em dia.

Lá fora, o tempo estava frio e chuvoso, um tipo de clima que Suk odiava, especialmente por causa de um detalhe que o deixava profundamente desconfortável: meias molhadas. Só de pensar já sentia os pés gelarem. Por isso, decidiu não arriscar e chamou um táxi para ir ao trabalho.

Acomodado no banco de trás, ele observava a chuva fina escorrer pela janela, desenhando caminhos tortuosos no vidro. O som suave da água misturado ao barulho do carro criava um ambiente quase melancólico, mas ele logo se distraiu ao pegar o celular.

Abriu o grupo do WhatsApp que dividia com os amigos e franziu a testa ao ver novamente o nome do grupo: “Delicinhas”.

“Quem diabos coloca o nome de um grupo de WhatsApp de ‘Delicinhas’?”, pensou.

Claro, só podia ser coisa do Jimin. Ele era o administrador do grupo e o responsável por todas aquelas excentricidades. Sem perceber, Suk começou a rir baixinho das bobagens que Jimin e Jungkook estavam trocando ali. O humor leve e despreocupado das mensagens ajudava a espantar o peso da rotina e trazia um pouco de calor àquela manhã cinzenta.

Jimin vivia falando de memes de doramas, geralmente estrelados por atores que ele chamava de “Oppa” ou “Marido”, quase sempre exibindo o abdômen definido. Suk não entendia muito daquele universo, mas achava fofo o jeito como Jimin gargalhava com aquelas imagens.

Jungkook, por outro lado, só mandava links de gameplays. Suk nunca foi muito ligado em videogames, nunca teve tempo nem oportunidade de jogar, mas sentia uma vontade sincera de jogar com Jungkook um dia, só para se aproximar mais. Jungkook sempre o tratava com gentileza.

Hoseok era o intelectual do grupo, vivia mandando matérias científicas e notícias sobre o mundo. A maioria ignorava, mas Suk e Mingi liam tudo e, às vezes, até discutiam os assuntos no privado.

Já Mingi e Taehyung só mandavam bobagens. Vídeos de memes, dancinhas estranhas, dublagens absurdas de animais e outras coisas ridículas. Suk, mesmo sendo o melhor amigo de Taehyung, se impressionava com a capacidade do promotor de ser tão idiota fora dos tribunais. Era quase como se tivesse dupla personalidade.

E então havia Yoongi. O único que nunca falava nada no grupo. Na verdade, ele já tinha saído e sido adicionado de volta várias vezes. Achava o grupo a personificação do caos. Odiava principalmente as mensagens matinais de Jimin: “Bom dia, grupo!” acompanhadas de montagens cafonas com seus “Oppas” quase nus como fundo. Sem falar dos famigerados gifs… de pênis. Pênis dançando, pênis com carinhas, pênis de chapéu, de gravata, cowboy… uma verdadeira coleção. Yoongi simplesmente detestava tudo aquilo.

Mesmo com essas diferenças, mesmo com os exageros e as briguinhas ocasionais, Suk se sentia parte de algo precioso. Eram amigos de verdade. Unidos, leais e sempre prontos para se proteger e se amar, apesar de tudo.

"Sem dúvida, eles são preciosos pra mim. Vou protegê-los e amá-los pra sempre", pensou Suk, olhando as mensagens ainda rolando no grupo “Delicinhas”, com um sorriso bobo nos lábios.

Quando Suk chegou ao escritório, a chuva já havia afinado, mas o céu permanecia pesado, cinza, deixando o prédio com um ar quase assombrado. Ainda assim, havia algo que iluminava seus dias instantaneamente: ver Dak‑ho.

Dak era um homem intenso, difícil e silencioso. Sempre carregava aquela expressão fechada, dura, como se estivesse permanentemente de mau humor. Não ajudava em nada o fato de seus olhos parecerem sempre prontos para perfurar quem ousasse encará-lo por mais de dois segundos. Por isso, a maioria das pessoas mantinha distância.

Até Suk sentia algo diferente quando Dak estava por perto. Mas não era medo, era exatamente o oposto.

Dak o observava com aqueles olhos escuros e firmes, e o efeito em Suk era imediato. O coração acelerava. As pernas enfraqueciam. O corpo reagia antes mesmo da razão tentar intervir.

“Me olhando desse jeito, esse homem me desmonta inteiro. Me deixa sem chão, sem ar, sem defesa. Imagino ele me encostando na parede, me prendendo, me dominando… Deuses. Ele é absurdamente gostoso. Minha vadia interior tá lutando bravamente pra não se entregar.”

Suk desviava o olhar, uma inútil tentativa de se proteger.

Nos últimos tempos, sentia que algo entre eles estava mudando. Não conversavam muito, mas o olhar de Dak permanecia atento, quase curioso. Até que, em um dia qualquer, Dak sorriu.

Foi só um instante, quase imperceptível para qualquer outra pessoa. Mas para Suk, foi como se o mundo tivesse inclinado o eixo. O rosto esquentou imediatamente, o sangue subiu, e ele retribuiu o sorriso antes mesmo de pensar.

Além disso, naquela mesma semana, Dak se aproximou de sua mesa e lhe entregou uma xícara de café quente.

— Se mantenha aquecido — disse, com a voz baixa e firme.

Suk tremeu inteiro.

As pernas ameaçaram falhar, e ele precisou se concentrar para não deixar transparecer demais o que sentia. Queria que Dak o aquecesse de formas bem mais… interessantes. Mas, por ora, a xícara de café teria que bastar.

A cada dia, Dak se tornava um pouco mais gentil. E Suk flutuava com isso. Queria sair com ele. Queria beijá-lo. Tocá-lo. Descobrir cada canto daquele homem fechado e intenso. Já fazia quase um ano desde que Dak havia sido transferido para aquele setor, e o desejo de Suk só crescia.

Ainda era muito cedo. O prédio estava quase vazio, com poucos passos ecoando pelos corredores silenciosos. Suk foi até o refeitório pegar uma xícara de café, tentando acalmar a ansiedade que apertava seu peito desde que acordou. Passara o fim de semana inteiro sem ver Dak, e aquela ausência o deixava inquieto, frustrado, com uma saudade que ele sequer admitia em voz alta.

Olhou ao redor e então o viu.

Dak estava lindo, imponente e másculo como sempre. Os cabelos curtos, as roupas pretas que pareciam fazer parte de sua identidade, o corpo firme e a expressão fechada que só tornava tudo ainda mais perigoso e atraente. Havia algo nele que parecia naturalmente ameaçador e absurdamente sexy.

Suk sentiu o coração acelerar, respirou fundo, tentou controlar o sorriso bobo que insistia em aparecer e caminhou até ele.

— Bom dia, Dak.

Dak ergueu o olhar por um segundo, cerrou os olhos levemente e voltou a atenção para o celular. Não respondeu nem reagiu. Aquilo foi como um soco no estômago.

— Está tudo bem? — Suk tentou, a voz mais baixa, insegura.

Silêncio. Era como se Suk não existisse.

A garganta apertou, e um nó pesado se formou em seu peito. Algo estava errado. Dak nunca foi exatamente gentil, mas nunca o ignorou daquela forma.

— Dak… aconteceu alguma coisa? — insistiu, já sentindo os olhos arderem — Por que você tá me ignorando?

Dak soltou um suspiro impaciente, guardou o celular e finalmente se virou para ele. O olhar era frio.

— Acho que já deu pra perceber que eu não gosto de você — disse, seco. — Então, ao invés de ficar correndo atrás de mim como uma cadelinha, por que você não me deixa em paz?

As palavras atingiram Suk em cheio.

O ar pareceu faltar. O coração se despedaçou dentro do peito, cada pedaço caindo pesado. Dak virou as costas sem esperar resposta e saiu, deixando para trás apenas o som de seus passos se afastando. Suk ficou parado, os olhos marejados, vendo aquela figura desaparecer no corredor. E então desabou.

Correu para o banheiro mais próximo e se trancou ali. As lágrimas vieram sem controle, quentes, dolorosas. Não conseguia entender. Por quê? O que ele tinha feito? Sempre foi gentil, educado e prestativo. Nunca ultrapassou limites e sempre respeitou o espaço de Dak. Tinha apenas uma paixãozinha boba, silenciosa.

Sentou-se na tampa do sanitário e chorou como não chorava havia muito tempo. Soluços altos, descompassados, ecoavam no banheiro vazio. Agradeceu mentalmente por ainda ser cedo, por não haver ninguém ali para vê-lo daquele jeito.

O celular vibrou em sua mão. Era Taehyung, procurando por ele. Suk respirou fundo, limpou o rosto às pressas, mas o peito ainda doía como se tivesse sido esmagado.

…

Taehyung escutava em silêncio, com o maxilar travado, enquanto Suk desabafava entre lágrimas e soluços. O choro dele cortava o coração. A cada palavra dita, Taehyung sentia uma raiva crescente subir pelo corpo, queria encontrar Dak naquele exato momento só pra socar a cara dele.

Não gostar do Suk já era algo difícil de engolir, afinal, ele era literalmente o pacote completo: doce, gentil, leal. Mas tratá-lo com desprezo daquele jeito? Isso era imperdoável.

Taehyung segurou firme a mão do amigo, acariciando seu rosto molhado com delicadeza.

— Ei… ele não merece nem uma dessas lágrimas. Mas ok, hoje você pode chorar, amanhã levanta o queixo e se lembra do homem incrível que você é. — A voz dele era suave, mas firme. — Você é lindo, inteligente, e tem um coração enorme. Vai encontrar alguém que te enxergue como merece. O Dak é só um idiota.

— Mas eu… eu amo ele, Tae — a voz de Suk falhou — por isso dói tanto…

— Eu sei que dói — respondeu Taehyung, suspirando profundamente. — Vem cá. Senta aqui comigo, deixa eu cuidar de você um pouquinho.

Ele puxou Suk com delicadeza, e o outro não resistiu. Encostou a cabeça em seu ombro, buscando um pouco de alívio naquele abraço. Taehyung o envolveu com carinho, passando a mão devagar por suas costas, depositando beijinhos leves no topo da cabeça do amigo.

— Tá doendo tanto… — Suk murmurou, em meio ao choro abafado.

— Vai passar. Eu prometo. E até passar, eu tô aqui com você.

Taehyung fechou os olhos, tentando acalmar a fúria que borbulhava dentro de si. Aquilo não ia ficar assim. Um fora todo mundo leva, mas custava dar de forma decente e pelo menos humana? Com certeza ele ainda teria uma conversa séria com Dak.

…

Hoseok, embora jamais admitisse, estava nas nuvens. Havia um motivo muito claro para aquele brilho nos olhos: Mingi. Mais especificamente, Mingi dirigindo sorridente enquanto cantarolava músicas country americanas bregas que Hoseok detestava com todas as forças. Mas ver Mingi feliz daquele jeito fazia tudo valer a pena.

Apesar disso, Hoseok alternava entre encantamento e mau humor. Era o primeiro dia de suas aulas de direção, e Mingi seria seu instrutor. Não que isso fosse exatamente ruim, mas ele odiava admitir que não sabia fazer alguma coisa. Odiava ainda mais a ideia de depender de Mingi pra aprender.

— Pronto, chegamos — anunciou Mingi, desacelerando o carro.

— Aqui?! — Hoseok olhou ao redor, confuso. Estavam em uma estrada deserta, cercada apenas por campos de trigo ondulando ao vento.

— Claro. Achou que ia estrear no volante no meio da cidade?

— Achei, ué.

— Não quero ninguém morrendo atropelado, então vamos manter a segurança.

— Idiota — Hoseok murmurou, levantando o punho para dar um soquinho em Mingi, mas o outro foi mais rápido e segurou sua mão no ar.

— Não pode agredir o instrutor, aluno rebelde.

— Então para de me provocar. Vamos logo com isso.

— Não tá esquecendo de nada?

— O quê? — Hoseok ergueu uma sobrancelha, impaciente.

Mingi deu um tapinha na própria coxa.

— Sério isso? Já passei um tempão no seu colo. Isso aí devia cobrir a semana inteira desse desafio idiota. E nem tem ninguém olhando agora.

— Mas eu tô — Mingi respondeu, com um sorriso travesso. — Desafio é desafio. A honra está em jogo. Temos que cumprir, temos que nos sacrificar.

— Mingi, foi só um jogo de verdade ou desafio.

— Mesmo assim… agora vem.

Hoseok soltou um suspiro dramático e, com a cara emburrada, tentando esconder o quanto gostava daquilo, sentou-se no colo de Mingi.

— Pronto — cruzou os braços. — Podemos começar agora?

— Podemos — Mingi riu. — Primeira coisa quando for dirigir, sempre coloque o cinto de segurança.

— Não dá, né. Eu tô no seu colo.

— Agora não, claro. Mas quando estiver dirigindo sozinho, isso é o básico. Depois disso, ajusta o banco, confere os espelhos… retrovisores também, certifique-se de que tá tudo no seu campo de visão. Aí sim, dá a partida.

— Tá, entendi essa parte. — Hoseok bufou, impaciente.

Mingi pegou as mãos dele com delicadeza e as posicionou no volante, mantendo as suas por cima.

— Assim… — Sua voz saiu mais baixa, quase um sussurro. Hoseok odiava aquilo. O deixava vulnerável.

— Entendi isso também. — Hoseok sentia o corpo inteiro reagindo ao toque quente dele.

— E então você… — Mingi deslizou uma das mãos até a coxa de Hoseok, acariciando de leve. O toque fez um arrepio percorrer a espinha do ruivo. — …gira a chave.

Com as mãos ainda tremendo, Hoseok girou a chave. O motor do carro roncou, dando início a uma aula que prometia ser tudo, menos tranquila.

— E a-agora? — Hoseok sentia os dedos de Mingi deslizarem por sua coxa, apertando de leve. O toque o deixava perigosamente mole.

— Agora você… — Mingi pegou a mão dele e a guiou até o câmbio — segura firme e coloca em primeira.

A voz grave de Mingi se infiltrava nos sentidos de Hoseok de um jeito indecente, quente e até um pouco provocador.

— Feito… e a-agora?

— Agora pisa na embreagem e no… — a mão de Mingi voltou a se perder pelo interior de sua coxa, perigosamente próxima da virilha — …acelerador — sussurrou em seu ouvido.

Hoseok engoliu em seco. Já não aguentava mais.

— Mingi… — o nome escapou em um arfar carregado de desejo.

— Diga? — os lábios de Mingi exploravam seu pescoço.

— Por que tá fazendo isso? — Hoseok murmurou, mesmo se entregando aos beijos e ao toque — Somos inimigos… apesar disso ser absurdamente gostoso.

— Está gostando, meu querido inimigo? — Mingi sorriu contra sua pele.

— Sim… — Hoseok deixou a cabeça cair para trás, apoiando-se no ombro dele, os olhos fechados. Sua mão buscou a de Mingi, guiando-a sem vergonha alguma. O gemido baixo que escapou arrancou um sorriso satisfeito de Mingi.

Num impulso, Hoseok puxou a mão dele até a boca e passou a sugar seus dedos. Mingi arfou, sentindo a língua quente e úmida envolver sua pele.

— Hobi…

— Isso é só uma trégua — Hoseok murmurou antes de se virar de frente e, sem aguentar mais, capturar os lábios de Mingi num beijo intenso.

As mãos de Mingi deslizaram por baixo da blusa dele, explorando suas costas. O beijo se aprofundou, lento e carregado, até que precisaram se afastar para recuperar o fôlego.

Ofegante e envergonhado, Hoseok escondeu o rosto na curva do pescoço de Mingi, suspirando baixinho.

— Se você contar isso pra alguém… eu te mato — ameaçou, ainda com a respiração irregular.

— Vai ser nosso segredinho, raposinha — Mingi respondeu, sorrindo contra sua pele.

…

— O que você quer comigo? — Dak-ho perguntou, impaciente, fechando a porta do almoxarifado atrás de si.

— Quero saber qual é o seu problema — retrucou Taehyung, encarando-o sem medo.

Dak riu, mas era um riso seco, carregado de desdém.

— Engraçado, eu que devia perguntar isso. Só de ouvir sua voz já me dá dor de cabeça.

— Não muda de assunto. Você foi um completo escroto com o Suk! Precisava humilhar ele daquele jeito? — Taehyung avançou um passo, o tom de voz já elevado.

— Ah… então o queridinho foi chorar no seu colo? — Dak debochou. — Aquele bostinha não aguenta nada.

Taehyung perdeu a paciência. Empurrou Dak com força.

— Não ouse falar dele assim!

Dak-ho o empurrou de volta, mais forte, fazendo Taehyung bater de costas contra uma prateleira. A dor foi aguda, mas ele não demonstrou. Endireitou-se de imediato, com o olhar afiado.

— Quem você pensa que é? — Dak rosnou, avançando — Tá defendendo ele por quê? Tá afim dele, é isso?

— Que mentalidade podre — Taehyung cuspiu as palavras — Fico até aliviado que você não queira nada com ele. Suk merece alguém bom. E você… você é um bosta.

Dak deu uma gargalhada alta, quase animalesca, como se a raiva estivesse virando diversão.

— Pelos Deuses… pra mim ele não passa de um resto de lixo — Dak-ho cuspiu as palavras, com o rosto contorcido de desprezo. — Só de lembrar daquele sorrisinho meigo, já me embrulha o estômago. Diga ao seu amiguinho que nem pense em cruzar o meu caminho.

— Você é um babaca completo. Sempre fomos rivais nos tribunais, e mesmo assim eu te respeitei como profissional. Mas agora vejo que não merece nem isso. Você é nojento, Dak-ho.

— E eu tô me lixando pro que você pensa, Kim — Dak deu um passo à frente, os olhos flamejantes. — O grande Taehyung, né? O queridinho da promotoria, o herói de terno alinhado. Você é uma fraude. Vive de imagem. Todo mundo te idolatra, mas eu enxergo além — sua voz baixou, mais amarga — Você não passa de um falso que vive fazendo média. Francamente, não sei qual dos dois me irrita mais.

Taehyung sentiu a raiva crescendo, mas havia algo a mais ali. Uma tristeza camuflada, uma mágoa antiga escondida por trás da raiva de Dak-ho.

— Fala logo qual é o seu problema comigo. Vamos resolver isso como adultos.

Dak-ho soltou um riso seco.

— Já deu. Você me cansa, me enoja. Espero nunca mais ter que olhar pra sua cara fora do tribunal. Passar bem, Taehyung.

Ele se virou e saiu, deixando Taehyung parado, em silêncio, encarando a porta que acabara de se fechar.

Havia algo errado ali. Taehyung respirou fundo, confuso. O que Dak-ho tinha contra ele? Não lembrava de tê-lo ofendido ou feito algo digno de tanto desprezo. A única explicação que passou por sua mente foi ciúmes.

Ele e Suk sempre foram muito próximos. Talvez próximos até demais, a ponto de parecerem um casal. Mas não havia nada entre eles, só amizade. Seria possível que Dak-ho estivesse com ciúmes?

“Não faz sentido”, pensou, balançando a cabeça. Ciúmes não combinava com o perfil de Dak. Quem demonstrava esse tipo de coisa era Yoongi, e mesmo assim, era diferente. O que Dak sentia não era apenas raiva, era decepção.

Notas finais
Será ciúmes o problema do Dak?