Hybrids

20 Felino ciumento



Para o total desgosto de Yoongi, Taehyung decidiu levar Suk para passar uns dias com eles. O pobre rapaz ainda estava devastado com tudo o que havia acontecido com Dak-ho. Era difícil assimilar as palavras cruéis ditas pelo homem que ele amava.

— Ele é um babaca. — Jimin disse, acariciando os cabelos bagunçados de Suk com delicadeza.

— Não derrame mais nenhuma lágrima por esse idiota. — Hoseok completou, entregando uma caneca fumegante de chocolate quente.

— Estamos aqui pra você. — Jungkook segurou suas mãos trêmulas e frias entre as suas, tentando aquecê-las.

— Isso mesmo, Suk. Você tem muitos amigos que se importam com você. — Taehyung falou, tocando suavemente seu queixo com um sorriso acolhedor.

Do outro lado da sala, no canto mais sombrio, Yoongi observava tudo com cara de poucos amigos. Sentado sozinho e de braços cruzados, remoía seu ciúmes em silêncio. Não entendia o motivo de todos tratarem Suk como se ele fosse de porcelana. E, se dependesse de Yoongi, quebraria aquela porcelana com gosto.

Na mente de Yoongi, era ele quem merecia toda aquela atenção. Toda aquela preocupação. Ele era o fofo, o sarcástico irresistível, o cara que deu a Taehyung o melhor beijo da vida dele e não aquele “projeto de aborto” mimado, como gostava de chamá-lo em seus pensamentos.

Mas o que mais o incomodava não era nem o Suk em si, era Taehyung.

Desde que Suk chegou, parecia que Taehyung tinha esquecido completamente de sua existência. Aquilo o corroía por dentro.

Nem parecia que tinham se beijado há poucos dias. Agora Taehyung só tinha olhos para Suk, e isso o deixava possesso.

Yoongi se levantou abruptamente e saiu da sala, indo direto para o quarto e batendo a porta.

Suk percebeu. Mesmo com os olhos inchados de tanto chorar, ainda assim reparava nas expressões dos outros.

— Tae… — chamou baixinho — O Yoon… ele não parece bem. Vai falar com ele, por favor.

— Ele tá bem. É você quem precisa de mim agora.

— Não, Tae… ele quer sua atenção. Está visível. Vai lá. Eu estou bem com os meninos, a gente vai ver um filme e comer besteira. Ele sente sua falta.

Taehyung hesitou por um momento.

— Tem certeza de que vai ficar bem?

— Absoluta.

— Tudo bem então. — Tae se inclinou e beijou o topo da cabeça de Suk. — Cuidem dele pra mim.

Os outros assentiram com sorrisos afetuosos, enquanto Taehyung se levantava e saía em direção ao quarto de Yoongi.

Suk observou de longe, abraçado à caneca quente entre as mãos, sentindo-se um pouco mais leve. Mesmo que por dentro ainda estivesse em pedaços.

…

— Yoon? — Taehyung chamou suavemente, dando duas batidinhas na porta.

— Que é? — Yoongi respondeu, visivelmente emburrado.

— Posso entrar?

— Tanto faz.

Taehyung percebeu de imediato o tom estranho na voz de Yoongi, parecia que algo estava o irritando, parecia profundamente magoado. Entrou no quarto, fechando a porta com cuidado. Sentou-se à beira da cama, onde Yoongi estava deitado, enfiado sob as cobertas com a cabeça escondida.

— Vim te ver antes de dormir — disse Taehyung, tentando soar leve.

— Achei que estivesse com seu amiguinho — retrucou Yoongi, num tom carregado de sarcasmo.

— O Suk? Ele passou por umas coisas difíceis e...

— Então vai lá ficar com ele.

— Ele tá melhor agora... e eu queria saber se você tá bem — Taehyung tentou ver seu rosto, mas ele permanecia coberto.

— E você se importa? — a pergunta veio abafada da voz debaixo da coberta.

— Claro que me importo.

— Não parece. Você nem falou comigo a semana toda.

A voz de Yoongi soou embargada, como se estivesse segurando um nó na garganta.

— Me desculpa, Yoon. Foi uma semana corrida, cheia de casos difíceis.

— Pra ele você tem tempo. Fica todo fofo, preocupado… Pra mim você tá sempre ocupado.

— Yoon… — Taehyung falou com a voz baixa, calma, quase um sussurro — ele precisava de mim, por isso eu…

— Eu também preciso de você!

Taehyung congelou por um segundo. Aquela confissão o pegou completamente desprevenido. Yoongi sempre parecera distante, fechado, quase indiferente aos sentimentos dele.

— Yoon…? — chamou, atônito.

— Que droga, Taehyung… — Yoongi se enfiou ainda mais sob as cobertas, a voz falhando — Que droga…

O choro saiu contido, mas pesado.

— Olha pra mim, por favor — pediu Taehyung com cuidado — Me conta o que tá te machucando. É ciúmes do Suk? Se for isso, não precisa… nós não temos nada além de amizade.

— Eu não tô com ciúmes dele! — Yoongi explodiu, cuspindo as palavras. O choro triste se transformava em raiva — Eu não ligo pra ele! Não me sinto ameaçado! Não ligo que ele seja estudado, que tenha uma profissão incrível… não ligo que ele seja bonito. Não ligo que ele fale vários idiomas, que saiba cozinhar, que seja simpático, que todo mundo ame ele…

A voz começou a falhar.

— E não ligo… — soluçou — não ligo nem que ele seja um humano normal.

As lágrimas caíam livres agora, sem esforço para esconder.

— Yoon… vem cá — Taehyung puxou a coberta devagar. Encontrou Yoongi encolhido, chorando como se tivesse passado tempo demais segurando aquilo tudo sozinho. Sentou-se na cama e o puxou com cuidado para o colo.

Yoongi não resistiu. Apenas se agarrou a ele, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Não fica assim… — Taehyung murmurou, fazendo carinho em suas costas — Você é a pessoa mais incrível que eu já conheci. Inteligente, forte… dono da beleza mais avassaladora que existe. Se quiser estudar, você pode. Se quiser uma profissão, você vai ser incrível nela. Pode aprender qualquer idioma, cozinhar o que quiser… eu posso te ajudar em tudo isso, se você deixar. Mas o mais importante é que você não precisa se comparar com ninguém. Cada pessoa é única. E você, Yoon… é único do jeito mais bonito que existe. E também nunca esqueça o quanto seus amigos te amam. Jimin e Hoseok te amam de verdade. Nunca duvide disso.

Houve um pequeno silêncio antes de Taehyung continuar. Respirou fundo, reunindo coragem.

— E eu também… eu te amo. Muito. Amo você exatamente como você é. Em cada detalhe. Não me importa o que você seja ou deixe de ser… eu amo você por ser o Min Yoongi. Tudo em você é gracioso, intenso e perfeito. Não precisa mudar nada.

Yoongi apertou ainda mais o abraço, o choro diminuindo aos poucos, como se finalmente tivesse encontrado um lugar seguro. Fungou baixinho. As palavras doces de Taehyung iam acalmando seu coração acelerado.

— Você me ama? — murmurou, ainda abraçado ao outro.

— Muito — respondeu Taehyung com firmeza, mesmo com a voz embargada.

— Mas… me ama como o Hoseok e o Jimin?

— Não, Yoon. Não como eles. Eu te amo como… — ele hesitou, sentindo o coração martelar no peito — como alguém que sonha com um futuro ao seu lado… como um possível namorado.

Yoongi ficou em silêncio por alguns segundos, agarrado ao moletom de Taehyung. Por fim, perguntou em um sussurro trêmulo:

— Você não se importa que eu seja diferente?

— Amo você exatamente como é. Com todas as suas diferenças, com tudo que te torna único. Você aceita esse amor?

— Tae… — o nome veio junto de lágrimas novas. Ele o abraçou apertado — Tae… eu também amo você. Muito. Muito mesmo. E quero ficar com você.

— Então fica — sussurrou Taehyung, segurando seu rosto com carinho — me abraça forte e não me solta mais.

Yoongi colocou as mãos por cima das dele e assentiu com os olhos marejados. Aproximaram os rostos devagar, até colarem as testas. Por um segundo, o mundo pareceu silenciar. Sentiam apenas a respiração um do outro, o calor, a vibração do momento.

Fecharam os olhos e, finalmente, suas bocas se encontraram num beijo calmo e íntimo. Um beijo que selava tudo aquilo que ambos haviam guardado por tanto tempo.