Hybrids

24 Chamem a polícia!



Os cuidados com Jimin haviam se tornado prioridade absoluta dentro da casa. Hoseok e Jungkook praticamente não saíam de perto dele, atentos a cada detalhe, como se qualquer descuido pudesse custar caro. Em alguns momentos, esse excesso de zelo acabava irritando Jimin, que queria realizar pequenas coisas por conta própria e se frustrava ao ser constantemente impedido. Ainda assim, por trás das reclamações, existia a compreensão silenciosa de que tudo aquilo vinha do cuidado e do medo.

O tempo avançou, e logo Jimin chegou ao terceiro mês de gestação. Seu corpo já dava sinais mais evidentes da mudança, e os exames se tornaram ainda mais frequentes. Em um desses acompanhamentos, Hoseok realizou um novo ultrassom, dessa vez com o objetivo de descobrir o sexo do bebê.

— É um menininho — anunciou, com um leve sorriso.

A notícia trouxe um instante de alegria genuína, mas não veio sozinha.

Na tela, além da pequena forma em desenvolvimento, havia detalhes que chamaram imediatamente a atenção de Hoseok. O feto já apresentava traços híbridos, com pequenas orelhinhas e um rabinho em formação, muito semelhantes aos de Jimin. Aquilo confirmava o que ele já suspeitava: aquela gestação não seguiria nenhum padrão humano conhecido.

Hoseok analisou a imagem com mais atenção, o olhar técnico agora misturado com preocupação.

— O desenvolvimento está muito acelerado — disse, em tom mais sério. — Bem mais rápido do que o esperado para uma gestação humana.

Jungkook franziu o cenho, atento a cada palavra.

— Isso significa o quê?

Hoseok respirou fundo antes de responder.

— Que essa gravidez não vai durar nove meses. Se continuar nesse ritmo… ele deve nascer bem antes disso.

A descoberta trazia consigo não apenas surpresa, mas a confirmação de que eles estavam lidando com algo completamente novo, sem referências e sem garantias, apenas com o instinto de proteger aquele pequeno ser.

Jungkook não se cansava de admirar o corpo bonito do namorado, mesmo com Jimin insistindo em se enxergar de forma negativa.

Jimin havia ganhado um pouco de peso, mas continuava tão bonito quanto antes, talvez até mais. Seu corpo não tinha mudado muito, a não ser pela barriga, que crescia redondinha e com um leve brilho. Um dos momentos favoritos de Jungkook era passar creme nela, transformando aquilo em um ritual só deles, cheio de cuidado e carinho.

— Hora do creme nos meus bebês — Jungkook anunciou ao entrar no quarto, segurando um potinho de creme.

Jimin estava sentado na cama, recostado em almofadas confortáveis na cabeceira, concentrado em uma matéria que Hoseok havia enviado sobre cuidados com recém-nascidos.

— Eba! — disse animado, largando o tablet de lado antes de se deitar, claramente ansioso pela massagem.

Jungkook se aproximou e se sentou ao lado dele, observando-o com um carinho evidente no olhar. Com delicadeza, ergueu a barra do pijama, deixando à mostra a barriga redondinha.

— Como você tá se sentindo? Alguma dor? Algum desconforto? — perguntou, espalhando um pouco de creme nas mãos antes de começar a massagear suavemente a pele de Jimin, com movimentos cuidadosos.

— Estou bem, Kookie… não sinto dor — respondeu, relaxando sob o toque — Só que meus pés estão começando a inchar, eu sinto fome o tempo todo e… — ele interrompeu a frase, deixando escapar uma risadinha.

— E…? — Jungkook arqueou a sobrancelha, curioso.

Jimin o observou de cima a baixo, com um brilho travesso no olhar.

— Eu fico com vontade toda hora.

Jungkook soltou uma risadinha, balançando a cabeça.

— Você já era assim antes de engravidar, meu pequeno safadinho. Só que agora isso aumentou um pouco… não que eu esteja reclamando — disse, sorrindo para ele.

— Depois o safado sou eu — Jimin retrucou, fingindo indignação, mas sem esconder o sorriso.

As investigações continuavam, mas os avanços eram mínimos. Eles encontravam poucas pistas, e as que surgiam pareciam ter pouca relevância. A cada tentativa de progredir, a sensação era a mesma: davam um passo à frente e dois para trás. Decidiram então focar nos possíveis compradores dos híbridos, mas até isso se mostrou mais difícil do que imaginavam.

— E se pedirmos ajuda pra polícia? — sugeriu Suk, quebrando o silêncio.

— Você ficou louco? — Yoongi respondeu na hora, lançando-lhe um olhar carregado de desprezo.

— Pode ser uma boa, Yoon — disse Taehyung, pensativo, com a mão apoiada no queixo. — A polícia pode nos ajudar. Eu conheço pessoas confiáveis.

Yoongi o encarou por alguns segundos, avaliando.

— Tem certeza disso, Tae?

— Tenho. Algumas pessoas seriam de grande ajuda, e confio que manteriam a discrição. Posso falar com um delegado amigo meu, ele pode nos dar suporte.

Yoongi respirou fundo antes de responder, então assentiu levemente.

— Se você confia, eu também confio, Taehy.

Ele sorriu, e Taehyung segurou sua mão, retribuindo com um sorriso tranquilo.

Suk observou os dois em silêncio, um sorriso discreto surgindo em seu rosto. Achava bonita a relação que estavam construindo, e era nítido como, aos poucos, eles se aproximavam cada vez mais.

Mingi e Hoseok haviam viajado. Eles encontraram um endereço em Londres, onde supostamente havia um homem que teve contato com a corporação. Não tinham certeza de nada, mas decidiram investigar de perto. E, claro, aproveitariam alguns dias longe de tudo para terem um pouco mais de privacidade.

Enquanto isso, Suk e Taehyung foram até a delegacia para conversar com o delegado de confiança de Taehyung. Suk também o conhecia, o que o deixou mais seguro para expor tudo o que sabiam.

O delegado Lee os ouvia com atenção enquanto Taehyung explicava toda a situação da forma mais clara e objetiva possível. Ele não demonstrava nenhuma reação, apenas mantinha uma expressão séria, absorvendo cada detalhe.

— O senhor pode nos ajudar? — perguntou Taehyung, com um olhar carregado de esperança.

O delegado ajeitou os óculos e passou a mão pelo rosto cansado. Seus cabelos grisalhos, levemente desalinhados e com aspecto oleoso, denunciavam uma semana intensa de trabalho.

— Taehyung, você e o Suk são como filhos pra mim — começou, com a voz firme. — Eu quero ajudar. Essa história é séria… e, confesso, me intrigou bastante. Não posso me dedicar integralmente a essa investigação, mas posso acionar alguns homens de confiança.

— Qualquer ajuda já é muito importante, desde que tudo seja mantido em sigilo. Isso não pode chegar à mídia — acrescentou Suk, com seriedade.

— E não vai — garantiu o delegado. — Isso vai ser tratado como um assunto confidencial. As pessoas que vou envolver são de extrema confiança. São homens em quem eu confiaria a minha vida e a dos meus filhos. Vocês não precisam se preocupar com isso. Além disso, eu mesmo vou acompanhar o andamento da investigação sempre que possível.

Taehyung fez uma leve reverência.

— Agradecemos muito, delegado Lee.

O homem assentiu.

— Me agradeçam quando esses desgraçados forem pegos.

Suk deu um passo à frente, o olhar firme.

— Nós vamos pegá-los. Todos eles.

Uma semana depois, o delegado Lee já havia reunido uma pequena equipe para trabalhar no caso dos híbridos.

Taehyung e Suk aguardavam na sala de reuniões, sentados um de frente para o outro naquela enorme mesa de vidro. Taehyung revisava alguns papéis com atenção, enquanto Suk mexia no celular, passando os olhos por algumas notícias, mas sem realmente se concentrar em nenhuma.

A porta se abriu, e o delegado Lee entrou acompanhado de dois homens, ambos vestidos com uniformes da polícia.

Imediatamente, Taehyung e Suk se levantaram para cumprimentá-los com uma leve reverência.

Todos se acomodaram à mesa, voltando a atenção para o delegado, que ocupava a cabeceira.

— Como já foi informado, todos aqui sabem o motivo de estarmos reunidos — iniciou ele, olhando para cada um. Todos assentiram. — Podemos começar assim que o último participante chegar.

Taehyung franziu levemente o cenho.

— E quem seria?

— Meu braço direito — respondeu o delegado. — O homem que já salvou minha vida mais de uma vez e, sem dúvida, o mais competente para esse caso.

A maçaneta girou, e todos voltaram o olhar para a porta, curiosos.

O homem entrou com passos firmes, vestindo um terno cinza bem alinhado e uma gravata preta. Sua postura era impecável, a presença, imponente.

Suk e Taehyung ficaram estáticos. O ar pareceu pesar.

O homem caminhou até a mesa e se sentou sem hesitar, ignorando completamente os olhares surpresos direcionados a ele. Seu semblante era sério, carregado, com o cenho levemente franzido.

— Podemos começar — disse Dak, ajustando-se na cadeira, lançando um sorriso forçado na direção deles.

Notas finais
Será que vai dar merda o Dak se metendo com o caso dos híbridos? 🤔