— Calma, minha raposinha… vai passar — Mingi murmurou com suavidade, entrelaçando os dedos aos de Hoseok, que permanecia completamente tenso. — Tenta respirar fundo… relaxa um pouco.

— Eu não consigo… — Hoseok respondeu, apertando os olhos com força. Aquela sensação era nova, desconhecida, e isso o deixava ainda mais nervoso. — Eu tô muito nervoso, Min… parece que eu vou morrer, é sério.

— Você não vai morrer — Mingi sorriu de forma tranquila, levando a outra mão até o rosto dele e fazendo um carinho delicado. — É só a sua primeira vez, é normal se sentir assim. Depois você se acostuma.

Hoseok respirava de forma irregular, sentindo o próprio corpo reagir de maneiras que ele ainda não compreendia totalmente.

— Ainda bem que minha primeira vez é com você… — disse, sem abrir os olhos, tentando se agarrar àquela única certeza. — Se fosse com os meninos, eles iam rir da minha cara.

Mingi soltou uma leve risada, mas seu olhar continuava gentil.

— Vou segurar sua mão o tempo todo. Esse desconforto vai passar e você vai ver como é gostoso…

Hoseok apertou a mão de Mingi com força assim que o avião começou a decolar. Era a primeira vez que voava, e o nervosismo era tanto que seu estômago parecia revirar. Quando o avião ganhou altura e estabilizou, aos poucos ele foi conseguindo relaxar. Ainda assim, a mão de Mingi já latejava de tanto que havia sido apertada.

— Odeio aviões.

— Agora o voo fica mais tranquilo — Mingi respondeu com calma. — Toma, trouxe algo pra você beber.

Ele abriu uma latinha de Sprite, despejou no copo e entregou para Hoseok, que imediatamente abriu um sorriso, os olhos brilhando.

— Você é o melhor namorado.

— Eu sei — Mingi sorriu, ajeitando a boina na cabeça dele para esconder as orelhinhas de raposa. — Come também. Peguei sanduíche de frango, que você gosta, e salada de frutas. Precisa se alimentar direito.

— Você quer me engordar?

— Quero. Você tá muito magrinho, dá até medo de te abraçar e te quebrar no meio.

Hoseok arqueou uma sobrancelha, com um sorrisinho provocador.

— Engraçado… não parece ter medo disso quando as coisas esquentam. Vamos combinar, você me come com força.

— Hobi! — Mingi repreendeu, meio sem graça.

— É verdade, você me pega sem dó… e eu adoro — Hoseok riu.

Mingi balançou a cabeça, tentando esconder o sorriso.

— Já vi que o medo de voar passou.

— Um pouco… mas ainda quero ser mimado.

— Eu devo ser o namorado mais bobo do mundo, porque não faço outra coisa além de te mimar.

— Eu tenho ótimo gosto pra namorado — Hoseok respondeu, jogando o cabelo para trás de forma dramática.

Depois de comer, ele acabou adormecendo durante o restante da viagem. No fim, foi muito mais tranquilo do que Mingi havia imaginado.

Ao chegarem em Londres, Mingi já havia organizado tudo com antecedência. O hotel estava reservado, e um carro já os aguardava para que pudessem se locomover com mais liberdade. Enquanto dirigia pelas ruas desconhecidas, ele percebeu que Hoseok estava quieto demais, diferente do habitual.

— Tá tudo bem, Hobi? — perguntou, lançando um olhar de preocupação.

Hoseok soltou um suspiro longo, pesado, e desviou o olhar pela janela.

— Não, Mingi… eu não tô me sentindo bem.

Mingi diminuiu um pouco a velocidade, atento.

— O que foi, amor?

— Não é nada físico… não é dor de verdade — Hoseok levou a mão ao peito, pressionando levemente — é aqui… e é estranho.

Mingi franziu o cenho, tentando entender.

— O que você tá sentindo?

Hoseok demorou alguns segundos antes de responder, como se precisasse organizar algo que nem ele mesmo compreendia direito.

— Eu não sei explicar… — sua voz saiu mais baixa — A gente começou tudo daquele jeito, brigando, competindo… mas eu nunca quis competir com você de verdade. Eu sempre… te admirei. E queria que você me admirasse também. — Ele respirou fundo, o peito subindo e descendo com certa dificuldade. — Só que às vezes… eu fico inseguro.

Mingi apertou o volante por um instante, surpreso.

— Inseguro com o quê, Hobi? Eu admiro você pra caramba.

Hoseok balançou a cabeça devagar, os olhos marejando.

— Mingi… eu não tive uma formação acadêmica. Eu nunca fui pra uma escola de verdade. Eu nunca trabalhei, não tenho uma carreira… — a voz falhou, quebrando no meio da frase — eu nem existo. Não de verdade. Eu não existo nesse mundo.

Mingi encostou o carro no acostamento para poder falar com mais calma. A rodovia estava quase deserta naquela madrugada, envolta por uma escuridão silenciosa que parecia amplificar tudo o que Hoseok sentia.

— Hobi… meu amor — disse, tirando o cinto e se virando completamente para ele. Pegou sua mão com cuidado e depositou um beijo suave em seus dedos. — Você existe, sim. Tá aqui, na minha frente. Eu posso te ver, te tocar, te sentir. Isso já é mais real do que qualquer papel ou diploma.

Ele levou a mão até o rosto de Hoseok, acariciando sua bochecha com delicadeza.

— Você é o homem mais inteligente que eu já conheci. E olha que eu conheço muita gente incrível. Mesmo assim, ninguém chega perto de você. Você não precisa de um diploma pra provar isso.

Mingi respirou fundo, mantendo o olhar firme no dele.

— Eu sei que isso é importante pra você. E eu tenho certeza de que você vai conseguir tudo, estudar, trabalhar e construir algo seu… pode parecer distante agora, mas não é impossível. A gente vai dar um jeito juntos.

Hoseok desviou o olhar, inseguro, a voz saindo mais baixa.

— Como, Mingi? Como eu vou estudar ou trabalhar assim? — levou a mão à cabeça, tocando de leve as orelhinhas — As pessoas vão ter medo de mim. Não vão me aceitar.

Mingi apertou a mão dele com mais firmeza.

— Eu te aceitei. O Tae te aceitou. O Suk, o Jungkook… todos nós. E nenhum de nós tem medo de você. Eu te amo exatamente do jeito que você é. E acredita em mim, existem outras pessoas lá fora que também vão te aceitar, que vão te acolher.

Ele se aproximou um pouco mais, suavizando a voz.

— Não precisa ter medo disso.

Hoseok engoliu em seco, os olhos ainda carregados.

— Mas eu tenho medo, Min… e se… mesmo assim o mundo não nos aceitar?

Mingi não queria deixar transparecer que também sentia aquele mesmo medo. Precisava ser o ponto de apoio de Hoseok, a segurança que ele buscava naquele momento, mesmo sem ter todas as respostas.

— Então eu brigo com o mundo inteiro, se for preciso — disse com um leve sorriso, tocando o queixo dele com carinho. — Mas não vamos pensar nisso agora. Vamos dar um passo de cada vez. Primeiro, a gente acaba com essa corporação… depois, se vocês quiserem e se sentirem confortáveis a gente faz o mundo conhecer vocês. E, mais do que isso, faz o mundo amar vocês. Não fique com medo, eu vou sempre te proteger, minha raposinha.

Hoseok suspirou, ainda inseguro, mas visivelmente mais calmo.

— Tá bem…

Mingi o observou por alguns segundos. Nunca tinha visto Hoseok daquela forma, tão vulnerável, tão tomado pelo medo. Para todos, ele sempre parecia seguro, confiante e quase inabalável. Mas ali, com ele, Hoseok se permitia ser de verdade.

— Você… disse que… — Hoseok começou, um sorriso tímido surgindo no canto dos lábios.

— Eu disse o quê? — Mingi inclinou a cabeça, curioso.

— Que me ama… — respondeu baixinho.

Mingi riu, achando graça naquela timidez que não combinava em nada com o Hoseok de sempre.

— Disse sim. E posso dizer quantas vezes você quiser ouvir.

Ele soltou o cinto de Hoseok e o puxou para o seu colo, envolvendo-o com firmeza. Segurou seu rosto com as duas mãos para que ele pudesse vê-lo.

— Eu te amo, Jung Hoseok. Você é o homem mais incrível que eu já conheci. Eu te amo.

— Ai, meu Deus… — Hoseok fez uma careta, cobrindo parte do rosto com a mão. — Eu disse mil vezes que não queria agir como o Jimin com o Jungkook… e olha só pra mim agora, me derretendo nos seus braços só porque você disse que me ama — revirou os olhos, claramente sem conseguir esconder o sorriso.

— Então você tá se derretendo mesmo? — Mingi provocou. — Jung Hoseok está apaixonado? O senhor está amando?

— Seu bobo… — Hoseok deu um soquinho nele. — Tá, eu admito. Tô apaixonado. Tô amando. Tô agindo como um idiota completamente perdido de amor. Satisfeito?

— Bastante — Mingi respondeu, sorrindo, enquanto envolvia a cintura dele e mordiscava de leve seu queixo. — E quem é esse cara sortudo?

Hoseok ergueu o queixo, fingindo pensar.

— O nome dele é Song Mingi. Alto, inteligente, forte, gostoso… e beija bem. Já ouviu falar?

— Conheço — Mingi respondeu, aproximando o rosto do dele. — Então quer dizer que ele beija bem?

— Beija… — Hoseok sussurrou, já envolvido pela proximidade.

Mingi diminuiu a distância entre eles devagar, até que seus lábios finalmente se encontraram em um beijo calmo, sem pressa, como se aquele momento fosse só deles. Quando o ar começou a faltar, se afastaram apenas o suficiente, ainda roçando os lábios em selinhos suaves.

— Mingi… tá muito bom, mas… — Hoseok respirou fundo, tentando se recompor — a gente precisa ir. Temos que pegar aquele maldito.

— Sim, meu amor — Mingi respondeu, roubando mais alguns selinhos. — Depois que resolvermos isso, eu vou te amar com calma… e sem interrupções. Agora vamos focar. Ele nem imagina que estamos aqui. Vamos usar isso a nosso favor.

Hoseok assentiu, ainda com um leve sorriso, antes de finalmente se afastar.