Hybrid: Um demônio em Beacon Hills
35 De volta à rotina
Notas iniciais
Àquela manhã minha vida pareceu voltar ao normal. Tomei café da manhã junto com papai e tio Dean, que apesar de muitas vezes fazer coisas maravilhosas, quase tinha colocado fogo na casa. Eles fizeram questão de me deixar na porta da escola e, bem, lá estava eu novamente em frente à Beacon Hills High School, onde tudo tinha começado.
Estava extremamente feliz por ter reencontrado meus amigos em um momento menos tenso, onde finalmente pudemos conversar sobre o que tinha acontecido. Apesar disso, todos sentiam muita falta de Leon, que horas depois teve o corpo levado pelo Cão do Inferno até Nemeton.
O assunto estava ótimo, porém assim que o sinal bateu tivemos que entrar. A primeira aula era economia com nada mais nada menos que o treinador Finstock que parecia mais surtado ainda pelos corredores do que da última vez em que o vira há semanas atrás, no dia do jogo.
— Winchester! – exclamou praticamente correndo até mim quando me viu e já foi pegando em minhas mãos. Parecia tão emocionado que pensei que fosse se ajoelhar. – Winchester! Winchesterzinha! Que bom que você voltou! Soube que esteve cuidando de sua tia Gertrudes. Como ela está?
— Tia Gert... Ah, sim! Tia Gertrudes! – menti olhando para Liam, Talita e Mason, reparando que tinham inventado uma história para enrolar o professor. – Minha tia está melhor, treinador.
— Ah! Que bom! Fico tão contente! O que ela teve mesmo?
— Candidíase. – comentou Liam que foi puxado por Mason e teve a boca tapada.
— Candidíase? – perguntou o treinador confuso olhando o quarteto.
— É, Candidíase, treinador. Foi um caso bem grave, ela ficou dias de cama e só tinha eu pra cuidar. – menti na cara dura porque não consegui pensar em algo melhor.
— Pobre tia Gertrudes... – disse Finstock caindo como um patinho. – Mas estou feliz que tenha voltado, Winchester, porque temos um jogo mês que vem. Vai Beacon Hills! – exclamou o mesmo erguendo o braço e depois entrando na sala, mudando totalmente o humor para com os alunos.
— Candidíase, Liam? Sério? – perguntou Talita, me fazendo rir.
— Foi a primeira coisa que me veio na cabeça. – disse o lobo dando de ombros.
— Pelo menos ele acreditou. – falei soltando um suspiro. – Vamos pra aula.
O resto do dia correu normalmente e nem pareceu ser Beacon Hills. Não havia weredemons nem nada, pelo menos até a hora da saída. O professor de francês tinha demorado para liberar a turma e por isso estava um pouco atrasada para o treino de lacrosse. Se Finstock iria querer me matar? Aquilo era óbvio. Por isso saí correndo, porém acabei esbarrando em alguém no caminho, derrubando todos os seus livros.
— Me desculpa. – disse me abaixando para pegar os livros no chão, porém quando levantei dei de cara com a professora de Biologia, Aisha Johnson, a weredemon.
— Obrigada, Winchester. – falou pegando o livro com toda a calma. – Não sabia que já tinha voltado.
— Pois é, eu tive alguns problemas, mas já estão resolvidos. – falei olhando a mulher de cima abaixo reparando que ainda usava aquele colar de pedra azulada.
— Que bom, fico feliz por isso. – disse cínica como sempre. – Te vejo na aula amanhã.
— Até. – disse semicerrando os olhos e a vendo se afastar como se nada tivesse acontecido.
— Emily! – gritou Liam correndo e já pegando em minha mão. – Onde você tava? Anda, o Finstock tá surtando porque você ainda não apareceu.
— Ah, desculpa, a professora de francês ficou enrolando. – disse para o lobo.
— Anda, vamos! – disse ele me puxando e então saímos correndo em direção ao campo de lacrosse.
Durante o treino fizemos uma homenagem linda para Leon, criando um pequeno memorial nas árvores que ficavam próximas ao campo. Colocamos flores, velas e até uma foto do rapaz de sorriso mais fácil que conheci. Meus colegas oraram pela alma do amigo, nesse momento ficando um pouco afastada por não gostar muito daquelas coisas. Leon para sempre seria lembrado como um grande amigo.
Depois do treino Liam me deu uma carona até a clínica veterinária, onde tinha combinado de encontrar o Dr. Deaton para conversar sobre alguns assuntos. Entrei pela porta da frente escutando o sininho tocar e Talita logo apareceu meio nervosa pensando ser alguém estranho, mas por sorte era somente eu.
— Emily, vem, entra. – disse me puxando para dentro do consultório, onde Derek e Deaton conversavam.
— Olha só que tá aqui. – falou Derek vindo em minha direção, me dando um abraço apertado e selando os lábios nos meus. – Tudo bem?
— Uhum. O que tá fazendo aqui? – perguntei fazendo um leve carinho no rosto do lobo.
— O mesmo que você. – disse Derek.
— Emily, que bom que chegou. – disse Deaton tirando a cara dos livros. – Derek veio ter mais informações sobre o metamorfo, mas ainda não encontramos muita coisa.
— É, aparentemente foi uma criação do governo que não deu muito certo e por isso o aprisionaram em um tipo de caixão mágico. – disse o Hale de braços cruzados. – Estamos procurando quem e como fez isso.
— Bem, pelo menos agora sabemos algumas coisas, certo? – comentei olhando as páginas amarelas dos livros antigos que estavam sobre a mesa.
— Tem razão, mas precisamos de muito mais. – disse Deaton tirando os óculos de leitura e me olhando. – Então, querida, sobre o que quer conversar?
— Sobre... – comecei a mexer em minha mochila e tirei uma caixa, onde a faca de dentro. – Sobre isso...
— Isso é... – Deaton coçou a careca e então pegou a faca a analisando.
— A Faca dos Curdos. – disse prontamente. – Minha mãe a trouxe do Inferno há muitos anos e minha família tem a usado desde então para matar demônios.
— Incrível. – disse Deaton dando uma última olhada na lâmina e depois me devolvendo. – Eu já tinha ouvido falar, mas nunca achei que veria uma coisa assim com meus próprios olhos. Um objeto feito no Inferno, de extremíssima raridade.
— Então, Dr. Deaton, sempre que eu fico perto dessa faca, fico mudada. – disse guardando o objeto dentro da caixa novamente. – Eu fico com raiva, perco a razão e só tenho vontade de matar. Além disso, meus olhos ficam escuros como os de um demônio. Eu... já fiz besteira por causa disso e não quero... tenho medo... – falei com lágrimas nos olhos, chegando a chorar lembrando de Livy.
— Emily... – disse Derek pondo a mão sobre meu ombro.
— Tudo bem, Emily. – disse o Dr. Deaton. – Vamos pesquisar, vou fazer alguns testes e vai dar tudo certo, ok? Só preciso que se acalme.
— Obrigada. – falei secando as lágrimas e então olhei para Derek que parecia preocupado. Sabia que os próximos dias seriam de muito trabalho.
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