Hurricane

4 You can trust me


Notas iniciais
Oieeeee gente linda!! Eu ia escrever Beating heart, mas tava com esse capítulo de hurricane na cabeça e precisava colocar logo no papel, senão eu ia ficar louca, haha. Espero que gostem do capítulo. ♥

Santana não conseguia acreditar que Quinn Fabray estava lhe abraçando e chorando ao vê-la acordada. A latina nunca imaginou que encontraria a loira ou qualquer um do colégio no hospital naquele momento e podia sentir seu coração disparando de felicidade ao ver o quão preocupada o amor da sua vida estava com ela.

– Oh Santana, eu fico tão feliz em te ver de olhos abertos. – Quinn se afastava sorrindo feito boba colocando as mãos sobre seu peito, começando a levantar a cama, deixando Santana sentada. – Seus pais vão ficar tão felizes... Oh meu Deus, seus pais. Preciso avisá-los. Prometi que os avisaria se caso você acordasse. – Quinn falava sem parar, empolgada fazendo Santana ficar tonta com tudo o que estava acontecendo. A latina ficava em silêncio apenas observando Quinn andando de um lado para o outro chamando uma enfermeira que aparecia rapidamente no quarto. – Eu já volto! – Quinn sorria depositando um beijo na bochecha de Santana e saindo rapidamente do quarto deixando a latina acompanhada da enfermeira.

– Como está se sentindo, senhorita Lopez? – A enfermeira perguntava sorrindo e Santana se virava para olhá-la.

– Bem... Com um pouco de dor pelo meu quadril, mas bem... Eu acho. – A latina respondia suavemente. – Se importa se me der um copo com água, por favor? – Santana pedia educada.

– Claro. – A enfermeira se aproximava do criado mudo ao seu lado e Santana pela primeira vez percebia o quão cheio de flores e balão seu quarto estava. A latina não sabia de onde tinha vindo isso tudo, mas tinha certeza que sua tia Eva provavelmente deve ter lhe mandado de Nova York, já que ninguém mais além de sua tia faria algo tão extravagante. – Aqui. – A mulher lhe entregava sua água e Santana bebia rapidamente dando um grande gole. – Eu vou chamar o médico e já voltamos. – A enfermeira sorriu saindo do quarto deixando Santana sozinha.

A latina terminava de beber sua água, segurando o copo em sua mão quando começava a se lembrar do que tinha lhe acontecido. A lembrança do carro chocando contra seu corpo a fazia sentir seus olhos encherem de lágrimas não só pela dor que sentiu no momento, mas por saber que quase morreu. Talvez se ela tivesse morrido todo seu sofrido teria acabado certo? Ela não seria mais a perdedora do colégio e o bullying acabaria. Suas lembranças do passado iriam embora e ela poderia viver feliz onde quer que esteja. Ela não sofreria mais por um amor não correspondido e viveria feliz por não precisar ver Quinn e Puck todos os dias namorando pelos corredores do colégio. E foi exatamente por todos esses motivos que Santana se recusou a acordar, mas seu cérebro falou mais alto que o seu coração a trazendo de volta para sua mãe.

Santana se lembrava de ouvir a voz de Maribel desesperada pedindo que ela abrisse olhos. A latina não se lembrava de exatamente cada palavra, mas o tom de voz emotivo de sua mãe era nítido em seu subconsciente. A latina olhava para suas mãos encontrando os machucados do acidente e no mesmo instante começava a chorar frustrada. Como posso ser tão inútil? Santana pensava e logo a porta se abriu rapidamente e sua mãe corria em sua direção.

– Oh mi bebé. – Maribel abraçava Santana com força, passando a mão pelos seus cabelos. – Mijá... Você acordou. – A mãe de Santana chorava de felicidade.

– Mama. – Santana apertava seus braços em volta de sua mãe, escondendo seu rosto no pescoço da mesma chorando.

– Shh meu amor, eu estou aqui, Santana. – Maribel sussurrava no ouvido da filha. – Eu te amo tanto, mijá.

– Phew... – Eva falava atrás de Maribel fazendo Santana levantar a cabeça surpresa. – Achei que você ia hibernar o inverno inteiro, little bear. – A tia de Santana brincava fazendo os olhos da garota brilharem ao ver quem estava a sua frente.

– Tia Eva? – Santana tirava seus braços em volta de sua mãe que se afastava rindo ao ver a animação da filha. – Tia Eva! – A latina praticamente gritou de felicidade recebendo sua tia em seus braços e lhe apertando com força. – Que saudades, tia. Que saudades! – Santana chorava e ria ao mesmo tempo sentindo seu coração pulando empolgado.

– Eu também estava com saudades, pequeña. – Eva sorria enquanto abraçava a sobrinha. – Fico tão feliz em ver que você finalmente acordou. Tinha certeza que você não ia continuar hibernando como um ursinho que sempre foi. – Eva saia do abraço de sua sobrinha, passando a ponta do seu dedo sobre seu nariz. – E também estava morrendo de saudades.

– Fico tão feliz em te ver aqui, tia! – Santana se mexia na cama como uma criança de cinco anos pronta para ganhar um doce.

– Você teria me visto antes se tivesse acordado. – Eva brincou novamente piscando para sobrinha. – Aliás, você teria visto todos que vieram te visitar. – Eva comentava novamente fazendo Santana franzir o cenho confusa.

– Todos? – A latina ria nervosa. – Tia, não tenho dúvidas de que papi, abuela e abuelo estiverem aqui, então não tem o porque eu ficar tão surpresa. – Santana balançava a cabeça sem entender o que sua tia estava falando.

– Muita gente veio te visitar, Tana. – Agora era Quinn quem falava suavemente fazendo Santana se lembrar de que a mesma ainda continuava ali. – E você também recebeu muitos cartões de melhoras de alguns colegas. – A loira se aproximou do criado mudo, pegando os cartões que estavam ao lado das flores de Tina e do unicórnio de pelúcia de Brittany. – Olha, Tana. – Quinn falava adorável. – São vários. – Fabray entregava os cartões na mão da latina que os encaravam, olhando dos cartões para sua tia e sua mãe, com os olhos novamente cheios de lágrimas sem acreditar no que estava ouvindo.

– É verdade, mijá. – Maribel agora sorria. – Quinn nos trouxe esses cartões de pessoas do seu colégio lhe desejando melhoras e mais outros vieram te visitar. Eles são do glee clube, Rachel Berry, Mercedes Jones, Tina Cohen-Chang e Kurt Hummel. – Era nítido ver o quão feliz Maribel estava ao dar a noticia para sua filha, mostrando que a mesma não estava sozinha como sempre imaginou. – Eles lhe trouxeram aquelas flores e alguns balões. Disseram que se preocupam com você e que adorariam se aproximar de você, mi amor.

– Viu? – Quinn comentava. – Eu te disse que você era alguém, Tana. – A loira falava suavemente. – E você se lembra de Brittany, certo? Ela te trouxe esse unicórnio fofo. Disse que unicórnios sempre a deixam feliz e ela imaginou que talvez pudesse te deixar feliz também.

Santana não estava acreditando no que ouvia. Claro que uma parte dela se sentia feliz por saber que pessoas se importavam, mas ao ver os cartões, outra parte da latina – a maior e insegura –, via tudo isso como ato de pessoas falsas. Por que essas pessoas que se dizem se importar comigo, nunca se aproximaram ou me ajudaram quando fui jogada contra um armário? Por que essas pessoas nunca me defenderam quando fui acertada por slushies que quase me cegavam? Por que essas pessoas nunca demonstraram se importar enquanto sofria bullying dos jogadores e das líderes de torcida? Isso tudo é besteira. Ninguém se importa com uma perdedora e nunca vão se importar. Santana olhava fixamente para os cartões em sua mão enquanto pensava. Todos me veem como uma perdedora, Zé ninguém. Ninguém se importa comigo realmente. Isso é tudo interesse. Claro, pessoas só se aproximam dela por interesse. Os jogadores de futebol puxaram assunto com ela quando descobriram o quão inteligente era e queriam copiar sempre suas provas e exercícios. As líderes de torcida não eram diferentes, e Quinn... Santana tirava sua atenção de seus cartões olhando para Fabray que sorria simpática. Quinn só se aproximou por interesse. Porque queria ajuda em espanhol. Se ela tivesse qualquer outra intenção, já teria se aproximado antes. Ela só está aqui por pena, porque estava comigo no acidente. Santana pensava furiosa enquanto as lágrimas de seus olhos caiam sobre sua bochecha.

– Por que você está aqui, Quinn? – Santana falava, fazendo sua mãe e tia olharem confusa para ela.

– Como assim? – Quinn sorria suavemente, colocando a mão sobre o braço de Santana. – Tana, eu estou aqui porque me importo com você. – Fabray respondia e Santana podia ver nos olhos da mesma o quão sincera ela estava sendo. – Você não sabe, mas é uma garota especial, Tana, e a partir de agora vou fazer o possível para te mostrar isso. Você vai ter eu, Brittany e creio que terá mais gente ao seu lado e. –

– Não. – Santana balançava a cabeça jogando os cartões no chão.

– Mijá? – Maribel repreendia Santana.

– Ninguém se importa. Esses cartões. Essas flores, os balões. Ninguém se importa. – Santana começava a chorar olhando para suas mãos.

– Hey, hey... – Eva agora se aproximava da sobrinha, colocando a mão no queixo da mesma, fazendo-a olhá-la. – Você acha mesmo que essas pessoas te mandariam tudo isso se não se importassem? Eu sei o quanto difícil é confiar nas pessoas, Santana, mas você precisa entender que nem todo mundo é igual. Você precisa dar uma chance para que pessoas se aproximem de você ou então você vai viver sozinha, meu amor. – Eva falava carinhosa.

– E-eu gosto assim. – Santana chorava. – As pessoas me tratam como se eu fosse uma perdedora. Uma ninguém, tia. Por que eu tenho que deixá-las se aproximar? Pra depois elas me machucarem de novo? – A latina começava a soluçar e Quinn podia sentir a dor no tom de voz da mesma, tentando entender do porque a machucariam de novo. – Esses cartões, flores e balões são todos falsos. Ninguém se importa, porque se importassem, não teriam vindo até mim agora. Eles teriam se aproximado antes enquanto eu estava sendo jogada contra meu armário e me machucando, ou quando me jogavam slushies a ponto de estragar meus óculos ou minhas únicas roupas. Eles teriam se aproximado no momento em que me faziam sofrer por dizer coisas ruins... – Santana soluçava e agora não só ela chorava, mas Quinn abaixava sua cabeça se sentindo mal por sentir que as palavras da latina também serviam para ela. – Ninguém se importa e nunca vão se importar. – O quarto ficou em silêncio por alguns segundos e antes que Eva ou Maribel pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, Quinn soltava um soluço, fazendo todas as olharem.

– Eu me importo com você. – Quinn sussurrava e Santana a olhava lentamente. – Me desculpa, Santana por não ter me aproximado antes. Me desculpa por não ter impedido tudo o que você acabou de falar. Me desculpa, Tana, mas eu realmente me importo com você e é exatamente por isso que eu estou aqui. – A loira falava firme pegando as Lopezes de surpresa. – Você não é uma perdedora. Você é especial, inteligente, linda e... Eu me preocupo, Tana. – Quinn passava a mão sobre suas bochechas encontrando o olhar de Santana que ainda era confuso.

Maribel e Eva estavam surpresas com o que tinham acabado de ouvir, mas ao mesmo tempo o coração de ambas batia forte de felicidade por Santana. Quinn finalmente estava ao lado da garota e as duas sempre torciam para que Fabray visse o quão especial Santana era para poder se aproximar e hoje finalmente isso estava acontecendo. Quinn estava ali, dizendo que se importava. Isso é o suficiente para Santana deixá-la entrar em sua vida, certo? Isso precisa ser o suficiente e ambas torciam para que a latina naquele momento visse o quão sincera Quinn estava sendo.

– Eu sei que esses cartões são de pessoas que se importam. As pessoas que vieram te visitar vieram porque se importam, Santana, e posso falar com certeza de que eu e Brittany nos importamos tanto quanto eles ou talvez até mais. Se você visse o quão foi difícil te ver nessa cama sabendo que era você quem não queria acordar. – Quinn voltava a falar. – Foi difícil te ver dessa forma, Tana, e mesmo que você não acredite agora, eu farei o que for preciso pra você ver o quanto realmente me importo com você, só... – A loira respirava fundo. – Só não me afasta, está bem? Eu sei que mal nos conhecemos e é exatamente por isso que eu quero que você veja o quão sincera estou sendo e o quão eu e Brittany realmente queremos nos aproximar de você. – A loira terminava de falar, respirando fundo sentindo seu coração acelerada em seu peito com medo de que Santana não fosse acreditar nela.

Santana podia sentir o quão sincera Quinn estava sendo, ela realmente queria deixar que as duas loiras se aproximassem, mas confiar em pessoas fora da sua família ultimamente era difícil demais para a latina e ela não sabia o que fazer. Santana apenas sentia seu coração acelerando. Tudo o que Quinn lhe disse era o que ela sempre quis ouvir da líder de torcida para que as duas pudessem um dia finalmente ficarem juntas e o coração da latina gritava para que ela deixasse Quinn se aproximar.

– Sabe... – Quinn voltava a falar, segurando na mão de Santana. – Eu, Brittany e até mesmo Puck nos preocupamos com você. – A loira sorriu, mas uh... Movimento errado Quinn. Ao mencionar o nome de Puck, no mesmo instante Santana sentiu seu estômago revirando como se ela fosse vomitar. A lembrança de Puck e Quinn se beijando no corredor fazia sua cabeça girar, seu estômago revirar sem parar, e sua respiração parava. – Você sabe, Puck se preocupou bastante com você também. – Quinn sorria e Maribel e Eva percebiam o quão branca Santana ficava e se aproximaram da garota.

– Mija?

– Hey pumpkin... – Eva chamava por sua sobrinha que continuava paralisada.

Santana tinha esquecido completamente de Puck enquanto Quinn lhe falava todas aquelas palavras. Era como se Puck nunca tivesse existido, mas no momento em que Quinn citou o nome de seu namorado, Santana se lembrava do porque nunca teria chance alguma com a loira e seu coração começava a apertar lhe deixando sufocada.

Quinn olhava para Santana sem entender o que estava acontecendo e começava a se desesperar por dentro sem saber o que fazer, com medo de que algo ruim estivesse acontecendo.

– Quinn? – Eva chamava atenção de Quinn fazendo-a olhá-la. – Querida, acho que Santana ainda está um pouco cansada e precisa descansar. É melhor você ir para sua casa, tomar um banho e depois mais tarde quem sabe vocês duas possam voltar a conversar, huh? – Eva falava suavemente sem soar como uma expulsão, mas sabia que sua sobrinha precisava ficar sozinha naquele momento.

– Mas... – Quinn olhava chorosa para Eva, com seus grandes olhos de cachorrinho. – E-eu... Tana? – Quinn se virava para Santana que agora estava com o rosto escondido no pescoço de sua mãe voltando a chorar. – Tana, o q-que eu fiz de errado? – A loira perguntava preocupada. – Tana, me desculpa. Me desculpa. – Quinn começava a chorar sem saber do porque Santana tinha voltado a ficar daquela forma e ao olhar para Eva, percebeu que a tia da latina estava realmente falando sério. Ela realmente queria que Quinn fosse embora.

– Quinn, ela vai ficar bem. – Eva se aproximava da líder de torcida, passando seu braço sobre a cintura da garota. – Ela só está em choque, é só isso. Você não fez nada de errado, querida. Você pode voltar mais tarde, está bem? – Eva levava Quinn até a porta.

Quinn não queria ir embora. Mesmo sabendo que esse era um momento em família, Quinn ainda queria ficar ao lado da latina e não estava gostando nada da ideia de que teria que voltar para casa e ficar sozinha. Seus pais como sempre não estariam lá e ela apenas teria sua irmã para conversar. Não que Frances fosse uma péssima companhia, mas provavelmente sua irmã estaria com o namorado e Quinn teria que ficar sozinha preocupada com Santana sem saber o que fazer.

– Tudo bem. – Quinn passava a mão sobre seu rosto. – Só diz pra ela que seja lá o que eu tenha feito ou dito, que eu sinto muito, não era minha intenção, eu só queria que ela soubesse que não vou deixá-la sozinha mais. Agora ela vai ter sempre eu, Brittany e até mesmo Puck. – Eva respirou fundo com o nome do namorado de Quinn, mas apenas sorriu simpática assentindo.

– Eu direi. Descansa. Você e Brittany podem voltar quando quiserem. – Eva sorriu e Quinn hesitou por alguns segundos para ir embora, mas ao perceber que Santana ainda estava nos braços da mãe, sentiu seu peito apertando por sequer não ter um “tchau” da latina.

– Tchau, Tana. – Quinn sussurrou saindo do quarto, deixando as três latinas sozinhas.

– Shh, mijá. – Maribel tentava confortar a filha.

– É exatamente por isso que meu corpo se recusava a acordar. – Santana agora saia do abraço de sua mãe, chorando falando frustrada. – Ela nunca vai poder ficar comigo, mama. Ela tem o Puck, e os dois vão sempre ser o casal popular do colégio. – A latina passava as mãos furiosas por suas bochechas. – Sabe por que sai correndo daquela forma? Porque eu estava no banheiro trancada após ver ela e Puck trocando carinhos no corredor. Ela entrou depois de algum tempo no banheiro e eu podia ouvir que Brittany estava com ela e as duas conversavam sobre sexo. – Santana soluçava furiosa e aquele momento fazia Eva e Maribel desejar que estivessem no lugar da garota. – Brittany perguntou se Quinn e Puck já tinham feito e antes dela responder eu sai correndo, porque eu não queria ouvir, mama. Eu não queria ouvir, porque eu sabia que não aguentaria se ouvisse a verdade. – Santana deitava sua cabeça no travesseiro e era a primeira vez que sua tia e sua mãe a viam daquela forma. – Ela nunca vai me ver da mesma forma que a vejo. – Santana agora começava a sussurrar mais para si mesma do que para as duas no quarto. – Isso dói, mama. Isso dói muito. – A latina escondia seu rosto no travesseiro e antes que pudesse dizer qualquer coisa, Eva e Maribel estavam uma de cada lado lhe abraçando forte, tentando confortar a garota que chorava tão machucada.

Xxxx

– Papi, para! – Depois da crise de choro de Santana, o médico pode examiná-la por alguns minutos e logo seu pai e seus avós chegaram lhe trazendo um delicioso copo de chocolate quente e agora Alejandro enchia sua filha de beijos a fazendo rir pela primeira vez desde quando acordou.

– Não. Eu achei que ia te perder, mijá. – Alejandro depositava um beijo na testa de Santana. – Fico muito feliz em saber que você acordou.

– É um alivio te ver de olhos abertos. – Carlos, o avô de Santana comentava sorrindo.

– É ótimo ver todos vocês. – Santana respondia, deitando sua cabeça no peito de seu pai que se sentava ao seu lado. – Fiquei tão feliz em ver a tia Eva. – A latina sorria olhando para sua tia que estava logo a sua frente.

– Achei que encontraria aquela garota aqui. – Carlos comentava fazendo Santana olhar para suas mãos. – Ela ficou com você o tempo todo, princesa.

– Quinn precisou ir para casa, papa. – Eva respondia. – A garota é uma criança, não pode ficar aqui o tempo todo. – Eva olhou para Santana que parecia perdida em seus próprios pensamentos ao mencionarem o nome da líder de torcida.

Enquanto Santana recebia suas visitas, Quinn já estava em sua casa tomada banho e deitada em sua cama usando seu pijama, pensativa. Ela não sabia o que tinha feito de errado por Santana ter tido aquela crise de choro, mas foi tão dolorido ver a garota daquela forma que Quinn não conseguia tirar a imagem da latina chorando tão machucada. Quinn queria tomar alguma atitude, mas não sabia o que fazer, até porque, ela não tinha sequer entendido o que tinha acontecido e se perguntava se tudo aquilo foi culpa dela. Talvez tenha sido certo? Santana estava aparentemente bem e de repente a garota chorava desesperada por algo que Quinn tinha dito, mas o único problema era que Fabray não sabia o que tinha causado aquilo na latina. Era tão frustrante ficar a cegas que Quinn grunhia irritada por não poder estar ao lado de Santana naquele momento para ajudá-la no que fosse.

Seu celular a tirou de seu transe no momento em que o mesmo vibrou ao seu lado no travesseiro. Ela fazia ideia de quem era e tentou ignorar, mas logo outra mensagem chegou e Quinn pegou seu celular para lê-las.

Puck: Hey baby, já está em casa? Tentei te ligar, mas seu celular parecia estar fora de área. Me avisa quando estiver disponível.

Puck: Opa... te amo, há há.

Quinn revirou os olhos ao ler as mensagens sabendo bem o que Puck queria dizer com aquilo.

Quinn: Hey Puck, já estou em casa. Desculpa, meu celular descarregou. Passei a tarde toda no hospital com Santana e estou cansada. Amanhã nos falamos. Xx.

Quinn respondeu rapidamente, torcendo para que seu namorado a deixasse descansar essa noite. Depois que Quinn recusou ter sua primeira vez, Puck parecia não lhe dar sossego. Ao saber que seus pais raramente ficavam em casa, o garoto fazia o possível para tentar passar a noite na cama da garota.

Puck: Oh, você sabe que posso te fazer uma deliciosa massagem.

A loira revirava os olhos novamente e naquele momento, tudo o que ela queria era saber o que tinha acontecido com Santana naquela hora. Ela sequer conseguia pensar em Puck. Seu namorado agora era o último de seus problemas. Sua cabeça apenas girava em uma única latina e Quinn não sossegaria enquanto não fizesse algo.

Antes de responder, Quinn pensou que talvez a companhia de Puck fosse lhe fazer bem. Fosse lhe fazer descansar e esquecer por alguns minutos o quão preocupada estava por tudo que tinha acontecido com Santana, e que amanhã ela tomaria uma providência. Claro que Quinn evitaria o sexo, até porque, ela não estava afim de sequer trocar beijos com Puck, mas ela precisava de alguém e Puck era sua única companhia no momento.

Quinn: SÓ massagem. Você tem dez minutos para chegar aqui. ;) x

A loira respondeu, colocando seu celular embaixo de seu travesseiro e fechando seus olhos esperando que seu namorado chegasse.

Xxxx

Santana estava sentada em sua cama de hospital, se sentindo entediada por não ter o que fazer. Ela tinha apenas uma televisão pequena no canto do quarto no qual assistia apenas desenhos e não via a hora de ir embora. Dr. Blanchard tinha dito que ela ficaria no hospital por mais essa noite e se tudo corresse bem, eles a mandariam para casa no dia seguinte. Seus pais tinham ido indo tomar banho e Eva era quem estava lhe fazendo companhia... Digo, não naquele momento, até porque, a tia da garota estava louca por um café e saiu por alguns segundos atrás de um delicioso copo de café expresso. Ao voltar Santana percebeu que sua tia carregava uma bolsa em uma de suas mãos.

– Hey pumpkin. – Eva brincava, dando um gole em seu café e colocando-o sobre o criado mudo. – Eu tenho uma surpresa pra você. – Eva puxou a mesa no qual Santana usou para comer, colocando no colo da garota.

– O que é? – Santana perguntava confusa ajeitando seus óculos.

– Algo que você adora. – Eva sorria, começando a tirar um enorme caderno de desenho novo de sua bolsa, colocando em cima da mesa em frente a latina. – Eu comprei esse caderno de desenho, porque sei o quanto você adora desenhar. Você, Santana Lopez, ainda vai ser uma grande artista. – Eva depositava um beijo na bochecha da garota que sorria feito boba. Ela nunca teve um caderno daquele tamanho. Um caderno tão profissional, sempre desenhava em qualquer lugar e não podia conter a felicidade em ver o que estava ganhando.

– Tia... – Santana pegava o caderno começando a folhear algumas folhas em branco.

– E tem mais. – Eva piscava para sua sobrinha, colocando a mão dentro da bolsa e tirando lápis de cores e preto de desenho profissional, entregando para Santana que agora arregalava os olhos.

– Ah meu Deus, tia Eva! – Santana falava animada. – Eu sempre quis ter uma coleção de lápis como esses. – Os olhos de Santana brilhavam ao ver o que estava em suas mãos. – Eles são sempre tão caros, nunca consegui comprar algo assim, com tantas cores... Ah meu Deus! Tem até violeta! – Santana se mexia na cama como uma criança fazendo sua tia Eva rir.

– Fico feliz que tenha gostado, pumpkin. – Eva colocava sua bolsa no chão se sentando na cama ao lado da latina. – Agora você vai poder pintar e desenhar como uma profissional.

– Obrigada tia, mas você realmente não precisava ter me comprado tudo isso. Deve ter custado muito caro e. –

– Hey... Desde quando Eva Gabriella Lopez se preocupa com preços quando é você que está envolvida? – Eva perguntava fazendo Santana sorrir envergonhada. — Você merece tudo isso e muito mais.

– Obrigada, tia. De verdade. – Santana olhava carinhosa para sua tia.

– E também, seu aniversário está chegando e esse é só uma simples lembrança do presente que ainda está por vir. – Eva dava de ombros e no mesmo instante Santana arregalou os olhos.

– Não, não, tia Eva. Não precisa me comprar mais nada, só esse caderno e esses lápis são o suficiente.

– Shh... Me deixa mimar a única sobrinha que tenho. – Eva gesticulava fazendo Santana respirar fundo, sabendo que não tinha como discutir com sua tia.

Enquanto Santana aproveitava o presente que tinha acabado de ganhar, uma batida na porta à fez dispensar olhando na direção da mesma e logo uma garota loira colocava a cabeça para dentro do quarto sorrindo ao ver que Santana estava acordada.

– Sannie! – Brittany entrava no quarto indo em direção a cama da latina e lhe abraçando deixando a mesma sem reação. – Você acordou! — A dançarina sorria apertando a latina em seus braços, se afastando para encontrar o olhar da mesma. – Fico muito feliz de ter ver acordada. Você me assustou, Sannie. Achei que algo ruim ia acontecer. – Santana encontrava os olhos azuis de Brittany percebendo o quão sincera e preocupada a garota estava e era impossível não sorrir com o carinho da líder de torcida.

– Obrigada Brittany, mas eu estou bem. – Santana respondia.

– Fico feliz. – A loira sorria se sentando no lugar onde Eva estava. – Gostou do meu presente? Unicórnios são os melhores dos melhores e sempre me deixam feliz quando estou triste ou doente e pensei que talvez eles te fizessem bem também. – Brittany comentava fazendo Santana sorrir, percebendo o quão difícil era se fechar para essa garota.

– Mmm... Sim, ele me ajudou muito. Obrigada, Brittany. – Santana respondia novamente e Eva aparecia saindo do banheiro, após tomar banho, amarrando seu cabelo.

– Britt! – Eva se aproximava da dançarina depositando um beijo em sua bochecha. – É ótimo te ver aqui.

– É bom te ver também, tia Eva. – A garota sorria fazendo Santana franzir o cenho ao ouvi-la chamar sua tia de tia. – Vim ver como Sannie estava. Quinnie me contou que ela tinha acordado e fiquei tão feliz que precisava vim vê-la. – A garota comentava e no mesmo instante, Eva olhava para Santana. – Sannie, eu vim aqui porque eu queria te dizer que você não está sozinha. – Brittany sorria, segurando na mão da latina carinhosamente, fazendo Santana sorrir. – Eu vou cuidar de você e a partir de agora ninguém mais vai praticar bullying com você, porque não aceito isso. – A garota falava determinada. – Eu e Quinnie vamos estar aqui pra você. Então não seja mais um pequeno panda triste, porque eu vou estar aqui. – Brittany sorria tão sincera que Eva ria baixo ao ver o quão adorável aquela garota estava sendo com sua sobrinha. Já Santana apesar de continuar com raiva daqueles que diziam se importar, ela não conseguia sentir raiva da garota a sua frente e apenas assentiu.

– Obrigada, Brittany.

– Olha, esse é meu telefone. – Brittany tirava um pedaço de papel de sua bolsa, entregando para a latina. – Eu percebi que você não tem facebook e nem instagram, então decidi que vamos trocar números de telefone. Se você precisar de qualquer coisa, é só me ligar. E ah, — Santana pegava o papel percebendo que tinha dois números de celulares marcados no mesmo. – Esse outro aí embaixo é o telefone da Quinnie. – No mesmo instante a respiração de Santana parou. Ela tinha em mãos o telefone de Quinn Fabray. Não acredito! Santana pensava. – Você pode mandar mensagem ou ligar pra ela também se precisar de alguma coisa. Vamos estar sempre com você, Sannie. – Brittany sorria simpática e Santana se perguntava se Quinn estava concordando com tudo isso. Com o fato de que Brittany estava lhe dando seu número.

– Britt... – Santana sussurrava e Brittany podia perceber o olhar assustado da garota.

– Não precisa ter medo, Sannie bear. – Brittany ria baixo e Eva pela primeira vez sorria sem parar ao ver o quão fácil estava sendo o entrosamento de sua sobrinha com a outra líder de torcida que por sinal, parecia uma criança de tão ingênua. – Você pode nos mandar mensagem sem problemas. Quinnie vai adorar saber que você confia nela e eu também. Aliás, Quinnie ultimamente só fala de você. – Brittany falava sem perceber o efeito que isso tinha acabado de causar em Santana.

– De mim? Por que ela falaria de mim, Britt? – Santana perguntava confusa.

– Porque ela gosta de você. – Brittany falava como se isso fosse à coisa mais visível do mundo. A coisa mais boba do mundo, mas sem saber o efeito que causava no coração da latina. Santana olhou para sua tia de olhos arregalados e confusa se tudo isso era realmente verdade.

– C-como assim? – Santana perguntava.

– Ora, San, ela gosta de você assim como eu também gosto, bobinha. – Brittany ria e Santana queria se chutar por ter achado que Quinn Fabray realmente gostava dela daquela maneira. – Eu e Quinnie gostamos muito de você e queremos o seu bem. Agora trate de melhorar logo e voltar para casa e para o colégio, está bem? Não precisa ter medo, porque vamos cuidar de você. – A loira falava sorrindo e Santana assentia.

– É muito bom saber que agora Santana tem vocês. – Eva comentava.

– Ela vai sempre nos ter, tia Eva. – Brittany se aproximava de Santana depositando um beijo em sua testa. – Melhoras, Sannie. Eu preciso ir, meus pais não sabem que sai de casa essa hora. Não se esqueça de que agora você tem nosso número. – A líder de torcida se levantou ajeitando seu casaco, depositando um beijo na bochecha de Eva antes de sair do quarto deixando Santana encarando o papel a sua frente.

– Ahh! – Eva falava empolgada como uma adolescente se sentando ao lado de Santana. – Você agora tem o número dela, pumpkin. Pode ligar e mandar mensagens e. –

– E eu não tenho sequer um celular. – Santana largava o papel em cima da mesa, junto ao seu desenho fechando seus olhos para não chorar novamente. – Você se importa se tirar essas coisas daqui, tia? Eu quero dormir. – A latina falava sem abrir os olhos, respirando fundo tentando segurar suas lágrimas.

Sem dizer nada, Eva passou seus dedos suavemente sobre a testa de sua sobrinha e mesmo com os olhos fechados, sua tia ainda conseguia ver o quão machucada Santana estava. Eva depositou um beijo na testa da garota, tirando suavemente a mesa de cima da cama, empurrando as rodinhas para o lado, juntando os lápis na caixa e ao ver o número de telefone de Quinn, Eva sorriu guardando o mesmo na sua bolsa, porque sabia que em breve, Santana teria um jeito de mandar mensagens para Quinn e ela ajudaria no que fosse para finalmente aproximar as duas.

Notas finais
E aí o que acharam? ;) Espero que tenham gostado! ♥ Gente, qualquer notícia do andamento da história (e das outras), se to escrevendo e tal vou sempre estar colocando no meu twitter (link na bio), quem quiser é só seguir. Beijos xxxxx