Hurricane
5 It's all inside of my head
Notas iniciais
Santana finalmente entrava em seu quarto após receber alta do hospital. Seus pais tinham lhe buscado fazia uma hora e apenas seus avós e sua tia tinham aparecido para trazê-la para casa. A latina não ficou surpresa em ver que Quinn e Brittany não estariam lá, até porque, a mesma sabia que não podia esperar nada de ninguém, principalmente das duas líderes de torcidas. Aliás, ninguém que lhe enviou os cartões de melhoras apareceu para lhe visitar no hospital, a deixando ainda mais fechada por saber que nunca se pode acreditar que pessoas fora da sua família realmente se importavam.
Enquanto estava deitada em sua cama, Maribel preparava uma de suas tortas de maçã favorita, no intuito de tentar alegrar sua filha. Alejandro saiu com a mando de sua esposa para comprar algumas coisas que Santana gostava, e seus avós voltaram para casa alegando que voltariam no dia seguinte.
Apesar de saber que Quinn e Brittany não apareciam, Santana não podia deixar de se sentir decepcionada com as duas líderes de torcida. A latina não esperava que elas fossem aparecer, mas algo lá no fundo lhe dizia que talvez... Talvez Quinn fosse aparecer na porta do hospital, lhe abraçando e dizer que agora tudo ficaria bem. Santana sabia que nada ficaria bem, e que sua vida escolar continuaria a mesma, mas o modo como Quinn falou aquelas palavras no dia anterior de sua visita, fazia Santana por um segundo acreditar que realmente tudo ficaria bem.
Talvez as coisas fossem melhorar certo? Talvez Quinn realmente estivesse sendo sincera, e que tudo seria diferente. Santana encarava as estrelas grudadas em seu teto, com medo de se forçar a acreditar em tudo aquilo. E se nada melhorasse? A latina não podia se iludir com algo que não fosse acontecer, para depois continuar sofrendo mais do que já sofria. Santana precisava confiar. Sim, ela precisava confiar antes de sequer pensar em acreditar nas pessoas que se diziam preocupar com ela.
Não posso me prender em algo que não é real. Santana pensava. Eles não vão me deixar em paz. A latina fechava seus olhos com força sentindo raiva de todos aqueles que praticavam bullying com ela. Eu só queria que Quinn estivesse sendo sincera. Que finalmente estivesse querendo me conhecer. Que ela visse o quanto eu realmente a amo, e que Puck não a merece. Ela é boa demais para ele. Santana apertava seus olhos, começando a se encolher feito uma bola em sua cama, se segurando para não chorar novamente. Eu só queria que as coisas fossem diferentes. A latina deixou seu primeiro soluço de choro escapar, escondendo seu rosto contra seu travesseiro como faz todas as noites em que chora sozinha.
Xxxx
Quinn estava sentada no sofá de sua sala, enquanto sua cabeça girava em torno de Santana. Depois de tê-la visitado da última vez, a loira não conseguia parar de pensar do motivo que fez a latina chorar. Quinn apenas estava sendo sincera dizendo que ela, Brittany e Puck estariam do lado de Santana e a protegeria. Fabray não conseguia entender em qual momento de suas palavras magoaram Santana ou o que tinha feito de tão errado a ponto de Eva ter lhe pedido para deixar a latina sozinha.
– Você está pensando alto demais. – Uma voz tirava Quinn de seu transe, fazendo-a olhar para quem se aproximava. – Pensando em que ou em quem, little sis? – Frances perguntava ao se sentar ao lado de Quinn.
– Pensando em Santana. – Quinn falava suavemente, se ajeitando no sofá, colocando suas pernas por cima das de sua irmã.
– Santana? – Frances perguntava franzindo o cenho. – Oh... Aquela garota que você comentou que era sozinha e blá, blá, blá?
– Mhm... Ela saiu do hospital hoje. – Quinn entortava sua boca, olhando para sua irmã. – Queria ir visitá-la, mas não sei se é uma boa ideia.
– E por que não? Você não para de falar dessa garota desde o dia em que começaram com as aulas de espanhol. – Frances arqueava sua sobrancelha.
– Mmm... E-eu não sei se ela quer me ver, Fran. – Quinn dava de ombros. – E também não faço ideia onde ela mora.
– É claro que ela vai querer te ver, Quinn. – Frances batia levemente na coxa de sua irmã, percebendo o quão preocupada a mesma estava com Santana. – E talvez papai saiba onde ela mora? Afinal ele conhece todo mundo da cidade, e tenho certeza que ele deve conhecer a família dela. Como é o sobrenome deles?
– Mmm... Lopez.
– Certo. – Frances tirou os pés de Quinn de seu colo, se levantando. – Vá colocar uma roupa mais quente que vou falar com o papai. – A Irmã de Quinn sorriu, e sem precisar dizer duas vezes, a loira se levantou passando correndo para seu quarto.
Quinn queria arrumar uma maneira de proteger Santana, mostrando para toda a escola que a latina agora era sua amiga e ninguém podia machucá-la. Quinn queria que Santana se sentisse protegida e que pudesse realmente confiar nela, mas a loira não estava com a cabeça muito boa para pensar em algo naquele momento e precisava agir rápido, já que amanhã Santana voltaria para o colégio.
A loira terminava de se vestir, calçando sua bota, pegando seu casaco e ao ver sua blusa do uniforme das cheerios, Quinn teve uma ideia. Pelo menos isso pode ser um começo. A loira pensou, pegando sua blusa e a colocando dentro de sua bolsa, antes de descer as escadas.
– Quinnie! – Frances aparecia do escritório de seu pai, sorrindo com um pedaço de papel em mãos. – Aqui. Esse é o endereço de Santana. – Quinn abriu um grande sorriso, pegando o papel da mão de sua irmã. – Mas Quinnie, papai não gosto em saber do meu interesse nos Lopezes. – Frannie falava preocupada, fazendo Quinn tirar seus olhos do endereço de Santana, e olhar confusa para sua irmã.
– E por que não?
– Aparentemente papai não gosta dos Lopezes. – Frances dava de ombros. – Mas não me pergunte o porquê. Não faço a menor à ideia.
– Será que papai os conhece? – Quinn perguntava confusa.
– Bom, pelo modo como ele me olhou, não acho que seja isso. – Frances respira fundo, sabendo exatamente as razões de seu pai. – Olha, o endereço está aqui. Aproveite e vá visitá-la, está bem?
– Mas Frannie... – Quinn tentava perguntar novamente, mas sua irmã a interrompeu.
– Não se preocupe. Tome cuidado, está bem? – Frances sorriu depositando um beijo na testa da irmã. – Vá antes que fique tarde e papai resolva não te deixar ir. – Sem dizer nada, Quinn assentiu, depositando um beijo na bochecha de sua irmã, saindo às pressas de sua casa.
Xxxx
– Mijá? – Maribel batia suavemente na porta de sua filha. – Mi amor, sua torta está pronta. – Maribel abria a porta, encontrando Santana com seu caderno novo de desenho no colo, usando seus lápis enquanto desenhava. – Hey princesa. – A mãe da latina sorria se aproximando da cama.
– Oh hey mama... Desculpe, não te ouvi bater. – Santana ajeitava seus óculos, olhando para sua mãe.
– Tudo bem, mi amor. Sua torta já está pronta. Melhor irmos logo antes que sua tia coma tudo. – Maribel sorria, olhando pela primeira vez o desenho de sua filha, ficando encantada com o que via. – Mijá... – Maribel podia ver que Santana desenhava uma pessoa. Uma garota, e ao olhar atentamente, conseguia reconhecer aquela garota naqueles traços pretos, com fundos coloridos. – Essa é a Quinn? – A mãe de Santana perguntava orgulhosa da filha.
– Mmm... – A garota começava a balançar sua perna ansiosa. – S-sim, mama. – Santana abaixava sua cabeça, sem saber o que fazer com seu desenho.
– Mijá, isso... – Maribel sorria sem palavras da obra de arte de Santana. – Céus, mijá. Este desenho está... Perfeito. Você é uma artista, princesa. – Maribel passava seus dedos delicadamente por cima dos traços do rosto de Quinn. – Wow!
– Isso não é nada, mama. É só um desenho bo. –
– Não se atreva a dizer que isso é um desenho bobo, Santana. – Maribel arqueava sua sobrancelha. – Isso, mi amor, é uma obra de arte. Estou tão orgulhosa de você, Santana. Você é muito talentosa, mijá. – Santana podia sentir suas bochechas esquentarem com o elogio que recebia de sua mãe. A latina nunca foi boa com elogios e nunca sabia o que fazer ou o que dizer quando os recebiam.
– Mm... Obrigada, mama. – Santana respirava fundo, fazendo o possível para não olhar nos olhos de sua mãe. – V-você disse que... Mm... A torta estava pronta? Acho melhor irmos comê-la. – A latina rapidamente fechou seu caderno, juntando seus lápis em seu grande estojo, se levantando e os colocando dentro de seu guarda-roupa. – Vamos? – A garota se aproximou da porta, chamando por sua mãe.
– Tia Eva! — Santana chamava por sua tia, passando pela sala, até chegar à cozinha. – Pare de comer toda a minha torta.
– Não estou comendo. – Eva gritava da cozinha, com um pedaço de torta na boca.
– Mhm... To vendo. – Santana entrava na cozinha, rindo baixo ao encontrar sua tia devorando um pedaço enorme de torta.
– Não sei como você se manter em forma comendo desse jeito, Eva. – Maribel brincava ao se aproximar da mesa, pegando um prato para Santana.
– Isso se chama Lopez genes, Bel. – Eva lambia sua colher, soltando um gemido baixo. – Céus, essa torta é uma delicia.
– Ewww tia... – Santana pegava o prato com torta de sua mãe, fazendo careta para sua tia. – Não precisa fazer esse som enquanto come. Ew.
– Mm? Qual som? Não fiz nada. – Eva olhava confusa para Maribel que começava a rir.
– Tia, você tá gemendo enquanto come... Ew. – Santana franzia o cenho, começando a rir.
– Eu não... – Eva fazia um bico suave e antes que pudesse responder a campainha tocou fazendo as três Lopezes olharem uma para a outra. – Eu atendo. – Eva rapidamente se levantou da cadeira, sumindo da cozinha.
– Mama, essa torta está realmente uma delícia. – Santana falava pelo canto de seus lábios, enquanto mastigava.
– Santana. – Eva aparecia de volta, sorrindo para sua sobrinha que a olhava. – Você tem visitas.
– Visitar? Eu não... – Antes que Santana pudesse questionar, Eva deu um passo para frente, deixando que Quinn aparecesse ao seu lado. – Quinn? – Santana sussurrou. O coração da latina começava a pular freneticamente em seu peito, sem acreditar no que estava vendo. Quinn Fabray estava em sua casa. Wow.
– Oi Tana. – Quinn sorria suavemente, se aproximando da latina. – Como vai, senhora Lopez? – A loira cumprimentava Maribel.
– Estou bem, obrigada. E você? – Maribel perguntava.
– Bem também. – Quinn se virava agora para Santana que continuava em choque. – Como você está, Tana?
– B-bem. – A latina respondia olhando para Quinn. – O que você está fazendo aqui? – Santana perguntava confusa.
– Mmm... Eu e Eva estávamos de saída. Fique a vontade meninas. Quinn, aceita um pedaço de torta de maça? – Maribel cortava um pedaço para Quinn, colocando em um prato, antes de se levantar, dando privacidade para as duas garotas.
– Obrigada, senhora Lopez. – Quinn sorria educada, colocando sua bolsa pendurada na cadeira em que se sentou. – Desculpa ter aparecido sem avisar, mas eu precisava te ver. – A loira falava suavemente, percebendo o quão surpresa Santana estava.
– Como você? Quinn, como você descobriu onde moro? – Santana perguntava.
– Mmm... Meu pai. Ele conhece todo mundo na cidade e me passou seu endereço. – Quinn olhava sem jeito para o seu pedaço de torta. – Mas se você quiser, posso ir embora, Tana. – A loira entortava sua boca, ajeitando seu casaco.
Santana ficou olhando-a por alguns segundos sem saber o que fazer. Ela estava surpresa por Quinn estar ali e imaginou que talvez isso fosse um sonho. Santana nunca imaginou que Quinn Fabray um dia estaria em sua casa. A latina não tinha uma casa grande como a de Quinn. Sua casa era simples, não tinha dois andares e apenas dois quartos. Eles não tinham um porão ou mais de dois banheiros. Sua era a três quarteirões antes de Lima Heights. Claro que não era um bairro ruim e sua casa era organizada e ajeitada de um jeito delicado. Os vizinhos eram ótimos e até tinham ótimas casas em sua rua, mas não era um lugar onde Santana esperava ver Quinn Fabray. Filha de Russell Fabray, o cara considerado o Donald Trump de Ohio.
Sem ter uma resposta de Santana, Quinn começou a se levantar, pegando sua bolsa, colocando em seu ombro.
– E-eu não devia ter vindo. Me desculpe, Tana. – Quinn falava envergonhada, tirando Santana de seu transe.
– Não, Quinn. – Santana fechava seus olhos, balançando a cabeça – Espera. Você não precisa ir. Só fiquei surpresa em te ver. Desculpa. – A latina abriu seus olhos, encontrando os de Quinn.
– Você tem certeza, Tana? – A loira perguntava novamente, sentindo seu peito pulando com medo de que Santana fosse lhe mandar embora.
– Mhm. – Santana sorria, tentando não entrar em pânico. – Claro. — Quinn não pensou duas vezes em voltar a se sentar ao lado da latina. – Mm... Desculpa a pergunta, Quinn, mas o que você está fazendo aqui? – Santana perguntava colocando um pedaço de sua torta na boca.
– E-eu fiquei preocupada. – Quinn falava suavemente, sem tirar os olhos da latina. – Depois que te visitei no hospital e você ter aquela crise de choro, me senti mal por não ter ficado com você, Tana.
– Não precisa se sentir mal, Quinn. Eu estou bem. – Santana sorria, respirando fundo, tentando se acalmar.
– Agora. – Quinn arqueava sua sobrancelha. – Olha, Santana, fui realmente sincera quando disse que eu e Brittany estaremos do seu lado a partir de agora. Não quero ninguém te machucando, está bem? – A loira pousava sua mão sobre a da latina, e no mesmo instante, Santana já não sabia como respirar.
– M-mas isso é impossível. – Santana sussurrava. – Até porque, vocês não podem ficar comigo o dia todo. Nós temos aulas separadas e vocês tem o treino das líderes de torcida, e não quero atrapalhar ninguém. Aliás, eu sei me virar sozinha, Quinn. – A latina desviava seu olhar de Quinn, se concentrando em sua respiração e tentando não se iludir, até porque, ela sabia que isso tudo que Quinn sugeria era realmente impossível de acontecer.
– E é exatamente por isso, que eu te trouxe isso. – Quinn virava-se para sua bolsa, tirando sua blusa das cheerios. – Minha blusa do uniforme. – A loira sorria e Santana agora estava mais confusa do que nunca. – Já que não vamos estar juntas o dia todo, pensei que seria bom se você usasse a minha jaqueta. – A loira colocava sua blusa em cima da mesa. – Eles vão saber que estamos todas juntas, San, e ninguém vai mexer com você.
– Quem garante que isso vai funcionar? – Santana perguntava, não conseguindo confiar na proposta de Quinn.
– Eu garanto. – Quinn falava firme. – Isso vai funcionar até as pessoas verem que somos amigas, e aí te deixarão em paz. Ninguém mexe com uma garota nesse uniforme, Santana.
– Quando essa garota é você, ou Brittany ou Kitty. Todos sabem que não sou uma líder de torcida, Quinn.
– Não, você não é, mas usando minha blusa, vai te proteger pelo menos agora, San. – Quinn falava carinhosa. – Por favor, Santana. – Fabray mordia o canto de seus lábios.
Santana podia ver o quão sincera e preocupada Quinn estava naquele momento e se perguntava se isso tudo realmente daria certo ou se valeria a pena. A latina sabia que essa ideia não ia lhe garantia segurança alguma, mas ver o amor da sua vida tão preocupada daquela forma fazia seu coração apertar, sendo impossível recusar aquela ideia.
– Não sei se isso vai realmente dar certo, mas tudo bem. Posso tentar. – Santana sorria e no mesmo instante, Quinn encolhia seus ombros, se aproximando da latina, lhe abraçando com força.
– Obrigada, obrigada, Tana. Não quero que nada aconteça com você. – Quinn depositava um beijo na bochecha da latina a deixando paralisada e pronta para sofrer um ataque do coração. – Vai dar tudo certo. Prometo que ninguém vai te perturbar mais.
– Mmm... E-eu espero que não. – Santana sussurrava contra o cabelo de Quinn, respirando fundo, sentindo o perfume delicioso da garota.
Xxxx
Quinn ficou alguns minutos com Santana antes de ir embora. A loira demonstrava estar empolgada pela latina ter aceitado sua ideia e a fez prometer que usaria sua jaqueta no dia seguinte. Santana não sabia como reagir ao lado da loira, mas não podia negar que seu peito pulava de felicidade ao ver Quinn tão preocupada com ela daquela forma. Era como se seus sonhos estivessem se realizando devagar. A cada segundo enquanto ouvia as palavras carinhosas e sinceras de Quinn.
A latina sorria uma vez ou outra apaixonada enquanto ouvia as palavras de Quinn. Talvez as coisas realmente fossem dar certo, e ao verem que Santana se tornou amiga de uma líder de torcida, as coisas poderiam mudar.
Logo quando Quinn foi embora, Santana lhe acompanhou até a porta, recebendo um beijo demorado na bochecha que a fez sorrir feito boba. Ela nunca imaginou que um dia isso aconteceria. Já tinha perdido as esperanças de que Quinn se aproximaria dela. Estar vivendo aquele momento era algo que, pela primeira vez a fazia se sentir feliz depois de tanto sofrimento.
Santana não era boa em confiar em pessoas fora de sua família. Não depois de tudo que lhe aconteceu no seu antigo colégio, mas as palavras de Quinn fizeram seu coração pular tão forte, que a mesma resolveu dar uma chance e acreditar que amanhã, quando ela entrasse pelas portas do William McKinley High School, as coisas seriam diferentes.
Xxxx
– Santana! – Eva gritava sua sobrinha da cozinha pela terceira vez naquela manhã. – Nós vamos nos atrasar.
– Argh! – A latina saia de seu quarto, colocando seus óculos, enquanto carregava a jaqueta de Quinn em um de seus braços. – Você acha mesmo que isso vai resolver? – Santana mostrava a jaqueta para sua tia.
– Claro que vai. – Eva dava um último gole em seu café.
– Eu estou com medo. – Santana agora abaixava sua cabeça olhando para a jaqueta. Sua tia podia ver que o quão assustada a latina estava.
– Hey, pumpkin, vai ficar tudo bem. Se Quinn tem tanta certeza de que isso vai te ajudar, então por que não tentarmos? Prometo que vou estar a sua disposição, e se alguma coisa acontecer você pode me ligar. – Eva falava carinhosa, pegando a jaqueta da mão de sua sobrinha, ajudando-a se vestir. – Sei que você ainda não tem um celular, mas pode me ligar de onde quiser. Telefone público. Celular de alguém. Estou aqui por você. – Eva fechava a jaqueta de Santana. – Vai ficar tudo bem... E wow, no meu tempo as jaquetas de líderes de torcidas não eram assim tão quentes. – A tia de Santana brincava passando a mão pela jaqueta, fazendo sua sobrinha rir.
– Obrigada, tia.
– Qualquer coisa por você. – Eva depositava um beijo na testa de Santana. – Agora vamos. – Santana colocou sua mochila em um de seus ombros, respirando fundo, começando a seguir sua tia até o carro que as esperavam do lado de fora.
– Wow, tia... – Santana arregalava os olhos surpresa ao ver um Audi sedan preto estacionado em frente a sua casa. – De onde você roubou esse carro? – A garota brincava, fazendo sua tia rir ao acionar o alarme para que ambas pudessem entrar.
– Você achou mesmo que Eva Lopez ficaria em Lima sem um carro? – Eva fechava sua porta, esperando que sua sobrinha fizesse o mesmo.
– Você comprou um carro só pra poder ficar em Lima? – Santana perguntava em choque. Ela sabia que sua tia era bem sucedida, mas nunca imaginou que ela faria algo desse porte.
– Claro que não, bobinha. Esse carro é alugado. Enquanto eu estiver em Lima, ele será meu. Depois eu devolvo. – Eva dava de ombros, prestando atenção na estrada, enquanto dirigia. – Mas mudando de assunto. O que vamos fazer para o seu aniversário? E não adianta dizer que você não quer nada, porque nós vamos sim fazer alguma coisa.
– Tia, eu não quero nada. De verdade. – Santana respirava fundo, encostando sua cabeça no banco do carro. Ela já estava cansada em falar sobre o seu aniversário. A latina já estava acostumada em ter apenas um bolo preparado por sua mãe, e não queria nada, além disso. Até porque, se houvesse uma festa, Santana não teria quem convidar. – Só o bolo que a mami faz já está ótimo. – A latina forçava um meio sorriso, fazendo sua tia arquear sua sobrancelha.
– Mas princesa, e se fizéssemos um jantar? Podíamos convidar Quinn e a Brittany, e . –
– Não tia. – Santana a interrompia. – E-eu não quero que elas saibam do meu aniversário.
– E por que não?
– Porque não quero, está bem? – Agora a voz de Santana não era suave e sim agitada. Como se a mesma estivesse nervosa e com medo de que alguém descobrisse seu aniversário, deixando sua tia confusa. – Vamos, por favor, parar de falar disso? Eu agradeço o que você está tentando fazer, tia, mas realmente não quero nenhuma festa de aniversário. Só o fato de ter vocês, minha família junto comigo já é o suficiente. Mama vai fazer um bolo delicioso, como sempre fez, vamos cantar parabéns e só.
– Eu só não entendo do porque você querer esconder, Santana. Tenho certeza que elas ficariam muito felizes em estar junto com você.
– Não, elas não estariam, porque sequer são minhas amigas. – Santana revirava os olhos, tentando não se irritar com sua tia. Falar sobre o seu aniversário, sempre foi algo delicado para a latina, e ela não estava gostado da insistência de Eva. – Tia, por favor. – A latina praticamente implorava para que sua tia mudasse de assunto.
– Está bem. Não falamos mais disso. Faremos o seu aniversário do jeito que você quiser. – Eva tirava uma das mãos do volante como se estivesse se rendendo. – Não está mais aqui quem falou.
– Obrigada.
Sem dizer nada, Eva decidiu respeitar a vontade sua sobrinha, mesmo sem entender do porque a mesma estava sendo tão reservada com seu aniversário. Era uma data para se comemorar, ainda mais agora, que Santana finalmente começava a se aproximar de pessoas fora da família. Seria uma ótima oportunidade para fazer essa amizade crescer ainda mais e ajudar Santana se aproximar de Quinn. Até porque, Quinn não se apaixonaria por Santana se ambas não começassem sequer uma amizade.
O restante do caminho foi silencioso. Eva podia sentir o quão tensa sua sobrinha estava e decidiu respeitá-la deixando o assunto de lado. Santana apenas olhava para o lado de fora. As ruas cobertas de neve, pensando ainda se a ideia de Quinn iria mesmo ajudá-la.
Logo Eva estacionava seu carro em frente ao colégio, virando-se para sua sobrinha.
– Boa sorte, está bem? Vai ficar tudo bem. – Eva sorria.
– Obrigada, tia Eva. – Santana se aproximava depositando um beijo na bochecha da tia, pegando suas coisas e saindo do carro.
Eva observava enquanto sua sobrinha abraçava seus livros, ajeitando sua toca, antes de entrar para o colégio. A médica esperava de coração que hoje o dia de Santana fosse diferente. Que a mesma pudesse ter um dia tranquilo, sem ninguém lhe causando mal algum. Eva esperava – e confiava -, que o plano de Quinn desse certo.
Santana respirava fundo enquanto caminhava rapidamente para dentro da escola, saindo do frio congelado do lado de fora. Apesar de estar com roupas quentes, o frio de Lima não era nada agradável e Santana odiava o frio.
A latina abraçava seus livros, se encolhendo contra os mesmo. Santana respirou fundo, passando pela porta do colégio, sem saber para onde olhar. A garota no mesmo instante podia sentir olhos curiosos em cima dela. Talvez alguns se perguntavam do porque ela estar viva. Afinal, ela era uma perdedora e não faria diferença alguma com vida ou sem. Ou talvez, olhavam se perguntando do porque ela estava com a blusa das cheerios, sendo que todos sabiam que Santana Lopez estava longe, muito longe de ser uma líder de torcida.
Seu estômago revirava. Seu coração acelerava preocupada com o que poderia lhe acontecer, mas fazia o possível para não deixar que nada disso transparecesse em seu rosto. Santana continuava andando até seu armário, mordendo o canto de seus lábios se perguntando sem parar se deveria ou não tirar a jaqueta. Ela nunca foi o centro das atenções e estava odiando todos os olhares que recebia.
Respira. Respira. Santana pensava, desejando que Quinn ou Brittany aparecessem a sua frente para lhe ajudar. Tirou ou não? A latina abaixava a cabeça se aproximando de seu armário. Argh! Talvez a tire agora e a coloque antes de ir embora. Afinal meu sweater embaixo da jaqueta é o suficiente para me manter aquecida dentro do colégio.
Santana abria seu armário, colocando seus livros dentro do mesmo, decidida que tiraria sua jaqueta. Assim ninguém a olharia e ela não seria o centro das atenções.
Enquanto guardava seu livro de história, Santana podia sentir que alguém estava logo atrás dela. A latina não sabia se deveria se virar ou não, mas aquilo estava começando a lhe incomodar. A garota respirou fundo, fechando seus olhos por alguns segundos, se virando para ver se realmente alguém estava atrás dela, e para sua surpresa, não só uma pessoa a encarava, como mais três líderes de torcida estavam de sobrancelhas arqueadas, lhe olhando com um olhar de desprezo gigantesco que a fazia se sentir mal.
– O que você está fazendo? – Kitty perguntava irritada.
– Mmm... Guardando meus livros? – Santana respondia confusa, sem entender a pergunta de Kitty.
– Você é idiota ou o que? – Kitty se aproximava da latina. – O que você está fazendo usando essa jaqueta? – A loira líder de torcida, segurava na jaqueta de Santana furiosa. – Essa jaqueta é da Quinn. Você roubou.
– O que? – Santana arregalava seus olhos. – N-não, eu não roubei. Foi Quinn quem me emprestou. – A latina falava na defensiva, demonstrando não ter medo de Kitty e de suas amigas, que começavam a rir.
– Te emprestou? – Kitty revirava os olhos. – Que desculpa mais esfarrapada, garota. Quinn jamais emprestaria sua jaqueta das cheerios, para uma perdedora como você.
– Mas ela realmente me emprestou. – Santana respirava fundo, sentindo seu peito doer pelo modo como Kitty a chamava, e podia perceber que alguns alunos as olhavam enquanto passavam por elas.
– Pelo o que sei. – Agora era uma garota de cabelos pretos atrás de Kitty que se colocava ao lado da líder de torcida. – Quinn não se mistura com perdedoras. Por que raios ela emprestaria essa jaqueta para essa garota? – A morena falava com Kitty, virando-se para a latina.
Santana queria dizer algo. Ela queria se defender, mas o modo como às garotas falavam com ela, machucava. O modo como às garotas se referiam a Quinn, machucavam. Ela sabia que Quinn jamais se aproximaria dela sem algum interesse e essas garotas a sua frente apenas lhe provavam isso.
Sem dizer nada, Santana abria o zíper de sua jaqueta, sentindo seus olhos arder com as lágrimas que insistiam em aparecer. Seu peito doía com a ideia de Quinn ter mentido para ela. Talvez isso tudo tenha sido um plano, certo? Quinn sabia que essas garotas viriam em cima de Santana, e apenas as ajudou lhe fazendo usar sua jaqueta. O peito da latina doía por saber que o amor da sua vida estava lhe machucando daquela forma. A usando daquela forma.
– Toma. – Santana jogava a jaqueta contra o peito de Kitty. – Eu não preciso disso. – A latina se virou furiosa para seu armário, o fechando com força, e sem deixar que Kitty respondesse, saiu rapidamente pelo corredor, ajeitando sua mochila em seu ombro, sentindo seus olhos queimarem de raiva e seu peito ardendo de dor. – Eu sou uma idiota! – Santana empurrava a porta do banheiro, sentindo as lágrimas caírem por sua bochecha.
Ela estava tão cansada. Cansada de chorar todos os dias por querer viver em paz. Cansada de chorar por um amor que nunca será correspondido. Cansada de chorar por nunca ser notada pelo o que realmente é. Por não ser notada por suas qualidades. Santana estava cansada de tudo aquilo e desejava não ter acordado de seu acidente.
Quinn jamais seria sua amiga ou sequer sua namorada. Claro, quem ia querer se aproximar de uma perdedora? Quinn Fabray, uma líder de torcida, a garota mais popular do colégio, a garota mais rica da cidade, jamais... Jamais se aproximaria de Santana por querer realmente conhecê-la. Jamais se aproximaria por ter interesses sinceros.
O peito de Santana doía, sentindo como se seu amor de todo esse tempo, foi perda de tempo. Quinn estava lhe usando como todos os outros. Como todos os jogadores de futebol nas aulas de inglês, Fabray a usava nas aulas de espanhol.
“Nem todas as pessoas são iguais.” A voz de sua tia ecoava em sua cabeça, lhe fazendo fechar os olhos.
– Todos são iguais. Todos! – Santana apoiava suas mãos na pia do banheiro, se olhando no espelho. – Eu odeio essa escola. Eu odeio essa minha vida! – A latina levava uma de suas mãos para seus olhos, deixando que seus soluços saíssem como um desabafo.
Xxxx
Após chorar por alguns minutos no banheiro, Santana lavou seu rosto, decidida que voltaria para suas aulas. A latina ajeitou seu cabelo e seus óculos, pegando sua mochila do chão, se olhando por pela última vez no espelho antes de sair para sua aula de espanhol.
– Santana? – Uma voz na qual a latina conhecia bem, a chamava enquanto a mesma andava pelos corredores vazios para sua classe. – Tana? – Quinn se aproximou sorrindo, se colocando ao lado da latina.
– O que você quer, Quinn? – Santana parava de andar, se virando para encarar a loira.
– Não te vi hoje cedo. – Quinn falava carinhosa. – Está tudo bem? – A líder de torcida olhava nos olhos de Santana, percebendo o quão vermelhos estavam descendo seu olhar para o sweater fino que a mesma usava, começando a se preocupar.
– Sim. Está tudo ótimo. – Santana respondia friamente, sentindo seu peito voltando a apertar por estar tratando Quinn daquela forma.
– Aconteceu alguma coisa, Tana? – Quinn pousava sua mão sobre o braço da latina, acariciando com a ponta de seus dedos. – Achei que você viria com a minha jaqueta? San, você disse que tentaria e achei que. –
– Pergunta para sua amiga Kitty onde está sua jaqueta. – Santana falava irritada, percebendo o olhar confuso de Quinn. – Sabe Quinn, no começo, quando você me pediu ajuda com espanhol, eu sabia que nosso relacionamento não passaria daquilo, mas depois que você foi me visitar no hospital, achei que talvez quisesse realmente ser minha amiga e estava preocupada comigo, mas claro que isso nunca aconteceria. – A latina sorria ironicamente e Quinn franzia o cenho, abrindo a boca para dizer algo, mas Santana continuava falando. – Mas claro que Quinn Fabray, a líder de torcida mais popular do colégio, jamais ia ter algum interesse em ser minha amiga.
– Tana...
– Quinn Fabray jamais seria amiga ou se preocuparia com uma perdedora como eu, certo? – Santana falava sem tirar os olhos de Quinn, e era nítido para a loira ver o quão machucada a latina estava. – Ainda usou Brittany para me fazer acreditar que disso tudo, que de todo esse fingimento, sairia uma amizade, mas quer saber, Quinn. Você é como todos os outros que se aproximaram de mim. Você só quis ajuda em espanhol e nada mais. Eu entendo. Eu sou uma estranha, certo? Uma ninguém. – Santana ficava em silêncio por alguns segundos e Quinn sentia seu coração apertando por ver a latina daquela forma. Ela nunca quis machucar Santana e não sabia do porque a mesma estar falando todas essas coisas. – Eu odeio a minha vida. Eu odeio esse colégio. Suas amigas líderes de torcida fizeram questão de tirarem a jaqueta de mim. Eu sabia que essa ideia não daria certo, mas mesmo assim você me convenceu que tudo ficaria bem e resolvi te dar uma chance, mas como sempre, fui uma idiota em confiar em alguém. Fui uma idiota por achar que você era diferente.
– Tana, não fala assim. – Quinn falava suavemente, com sua voz tremula, segurando para não chorar.
– Me deixa em paz, Quinn. Você e sua amiga. Me deixem em paz. – Santana balançou sua cabeça, começando a se afastar da loira.
– Tana... – Quinn sussurrou, sentindo a lágrima escorrendo por sua bochecha, brava por ter deixado as líderes de torcida machucar Santana. Brava por não ter conseguido a confiança da latina. Seu peito doía ao ver Santana tão vulnerável e machucada.
Santana se batia em pensamento por ter afastado Quinn, ela não sabia se estava fazendo a coisa certa, mas seu coração gritava lhe dizendo o quanto isso era necessário. Era uma maneira de se manter a salvo. Assim ela não se machucaria novamente e não sofreria ao ver o quanto Quinn estava lhe usando.
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