Hurricane
24 Maybe she will say yes.
Notas iniciais
— Lucy? – A voz de Judy soava da sala de estar assim que Quinn colocou os pés dentro de casa.
— Sim? – A garota respondia, indo em direção a mãe.
— Onde você estava que demorou a chegar?
— Mãe, a senhora sabe que tenho treino depois da aula. – Quinn revirava os olhos. A garota estava ansiosa para se trocar e correr para a casa de Santana. O ciúmes que sentia de sua latina com Ashley a fazia querer estar próxima de Santana a todo segundo. Talvez fosse medo de perde-la.
— Oh, é verdade. Seu pai e eu vamos jantar com os Carson essa noite. Deixei um assado no forno para você e sua irmã... Mas acredito que Francesca não dormirá em casa novamente. – Judy falava visivelmente aborrecida.
— Mmm... Não sei se vou jantar em casa. Vou estudar com uma amiga.
— Qual amiga? – Judy franzia o cenho. – Você está ficando igual sua irmã, Lucy. Mal está jantando conosco e você sabe o quanto seu pai prioriza nossas noites em família.
— Mãe... – Quinn respirava fundo, tentando manter a paciência com sua mãe. – Você e papai também mal andam jantando em casa ultimamente e tenho certeza que Russel sequer nota que as filhas estão ausentes.
— Mas...
— Olha, — Quinn queria ver Santana e não estava com paciência para os repertórios de sua mãe. – Preciso ir, está bem? Divirta-se com o papai. – E logo a líder de torcida subiu correndo para seu quarto podendo ouvir sua mãe reclamando atrás de si.
O ciúme que sentiu naquela manhã era tanto que Quinn sequer conseguia se concentrar em seu treino. Era difícil não se preocupar com o fato de que Ashley e Santana estavam passando a tarde juntas. Por mais que ainda não rotulasse o que tinha com a latina, Quinn não se sentia bem em saber que Ashley estava sendo a aluna particular de Santana.
Fabray ainda tinha grandes dificuldades em decifrar o seu relacionamento com Santana. Mesmo depois de um mês e meio com a latina, Quinn ainda não sabia se aquilo era considerado namoro. Claro que Quinn gostava de Santana e tinha um carinho enorme por ela, mas será que Fabray estava mesmo se apaixonando pela latina? Será que Santana conseguiu tomar conta de seu coração? Desde o começo Quinn dizia que estaria aberta para que isso acontecesse. Aberta para deixar as coisas acontecerem e para que Santana entrasse, mas será que Lopez finalmente era a garota por quem Quinn estava apaixonada?
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— Mamí! – Santana entrava em casa, chamando por sua mãe.
— O que foi, mijá?
— Hoje Quinn vem jantar aqui.
— Mm? E qual a novidade, Tata? – Maribel sorria. – Ela vem jantar aqui quase todas as noites. E hoje sendo meu dia de folga farei...
— Massa. – Santana sorria, e sua mãe assentia.
— Sim, mi amor... Farei massa.
— Ótimo! Vou tomar banho antes que ela chegue. – Santana depositou um beijo na bochecha da mãe antes de sair as pressas para seu quarto.
Depois do ciúme de Quinn, Santana estava decidida em oficializar aquilo que tinham. A latina não se importava em esconder o relacionamento delas. Ela sabia que Quinn não estava pronta ainda para contar aos seus pais ou qualquer outra pessoa, e, Santana estava disposta em manter isso em segredo.
A latina era apaixonada por Quinn e cada dia em que passavam juntas se apaixonava ainda mais. O amor em seu peito apenas crescia e seus desenhos eram todos dedicados a líder de torcida.
Santana faria algo romântico. Talvez cantaria uma música e pediria Quinn em namoro em seguida. Bom, Santana não sabia exatamente como faria isso, mas tinha certeza de que essa noite, Quinn seria oficialmente sua namorada.
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— Se acalma, Santana... Vai dar tudo certo. Quinn vai dizer sim, e vocês vão finalmente namorar. Finalmente você vai estar com a garota dos seus sonhos. A garota certa pra você. – Santana falava nervosa consigo mesma, andando de um lado para o outro em seu quarto.
A latina usava uma de suas leggins preta, uma regata branca, com um blusão de tricô por cima. Seu cabelo solto caía sobre seus ombros e seu óculos quase escondida a simples maquiagem que tinha passado.
Suas mãos suavam frias e Santana sentia como se fosse ter um ataque do coração a qualquer momento, e enquanto repetia o mantra em sua cabeça, Santana sequer ouviu a campainha tocar e foi surpreendida com a porta de seu quarto se abrindo e Fabray sorrindo entrando em seu quarto.
— Hey... – A voz suave da loira fazia o coração de Santana disparar.
Sem dizer nada, Santana deu poucos passos até Quinn, depositando um selinho demorado, carinhoso e apaixonado contra os lábios da mesma.
— Hey... – A latina sussurrava, olhando nos olhos de Quinn.
— Ah... Whoa... – Fabray sabia que os pais de Santana sabiam que alguma coisa acontecia entre elas. Aliás, Quinn tinha certeza de que Santana contava aos pais tudo que acontecia e na casa dos Lopez era o único lugar onde Fabray se sentia a vontade e confortável para ter mais intimidade com sua latina. – Gostei disso – Os braços de Quinn passavam em volta do pescoço de Santana, e novamente seus lábios iam de encontro ao da latina, fechando seus olhos suavemente, iniciando um beijo carinhoso entre elas.
Santana pousava suas mãos contra cintura de Quinn, fechando seus olhos, deixando se levar por aquele beijo apaixonado. Um sorriso aparecia em seus lábios e com suaves selinhos, Quinn finalizava o beijo, encostando sua testa a da latina.
— Tenho vontade de fazer isso o tempo todo. – Quinn suspirava, depositando outro selinho nos lábios da latina. – Você é tão linda, Tana. – Fabray sussurrava, levando uma de suas mãos para o rosto de Santana, colocando o cabelo da mesma atrás da orelha. – Seus óculos te deixam ainda mais linda.
— Q. – Santana sentia suas bochechas esquentarem de vergonha, desviando seu olhar, fazendo Quinn sorrir, depositando beijos por todo seu rosto. – Quinn...
— Linda. Linda. Linda. – Fabray repetia, começando a rir, enquanto Santana franzia o nariz, fechando seus olhos.
— Você é a linda aqui, Q. – Santana falava carinhosa, e Quinn parava de beijá-la a olhando sorrindo.
— Você me faz tão bem, Tana. A melhor parte do meu dia é sempre quando estou ao seu lado. Ninguém me faz sorrir dessa maneira. Ninguém me deixa tão ansiosa como você. – Quinn sussurrava, acariciando a bochecha da latina com seu polegar, e Santana podia sentir suas borboletas enlouquecidas. – Tana... – Quinn sentia seu coração acelerando. Aquilo que ela sentia naquele momento olhando nos olhos da latina era inexplicável; algo novo no qual nunca tinha sentindo antes. As borboletas em sua barriga batiam asas rapidamente a fazendo suspirar a cada segundo. Seu coração estava disparado por apenas estar segurando Santana em seus braços. Talvez... Talvez, Quinn Fabray está realmente apaixonada por Santana Lopez.
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— Como sempre, sua comida estava uma delícia, sra. Lopez. – Quinn terminava sua sobremesa, enquanto todos faziam o mesmo.
— Oh, Quinn, já pedi que me chame de Maribel. – A mãe de Santana a corrigia novamente, sorrindo. – E obrigada, querida. Adoro fazer tudo isso.
— Não é atoa que o restaurante onde trabalha é o meu favorito.
— A minha esposa é a minha favorita. – Alejandro brincava, fazendo as garotas rirem.
— Oh, fico aliviada em saber disso, mi amor. – Mairibel revirava os olhos, depositando um beijo na bochecha de seu marido.
— Bom, nós já terminamos. Se importa se formos para... –
— Tata... – Maribel interrompia Santana. – Nós sabemos, vá logo que seu pai me ajuda a tirar a mesa.
— Gracias, mamí. – Santana sorria, se levantando de sua cadeira e segurando na mão de Quinn saindo rapidamente para seu quarto.
— Santana estava nervosa ou era impressão minha? – Alejandro perguntava, se servindo mais do delicioso bolo de chocolate.
— Ela está nervosa mesmo... Não sei o que aconteceu, mas conhecendo minha bebê, acredito que esse nervosismo é novo e aparenta ser por algo bom. E Alejandro... – Maribel dava um tapa na mão do marido, que levava um pedaço de bolo até a boca. – Chega de comer, esse já é seu terceiro pedaço.
— Mulher, estou em fase de crescimento... – Alejandro brincava, se levantando de sua cadeira com seu bolo longe de Maribel que começava a rir.
— Alejandro...
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Santana sentia sua mão soando fria. A mesma contava até dez em pensamento tentando se concentrar naquilo que faria em seguida. Quinn estava sentada confortável na cama ao seu lado, enquanto o único som que se ouvia no quarto era do seriado “Friends” que passava na televisão. Sabendo o quanto precisava ter coragem, Santana respirou fundo, cruzando as pernas no estilo borboleta e se virando para Quinn.
— Quinn... – Sua voz suave, tirava atenção de Quinn da televisão a fazendo olhá-la. – E-eu... Mmm... Tem uma coisa que gostaria de conversar com você.
— O que foi, Tana? – Quinn podia perceber o modo preocupado como Santana lhe olhava e por um instante, sentia seu estômago revirar com milhões de coisas passando por sua cabeça.
Santana brincava com um de seus anéis, sentindo seu estômago revirar. Ela não sabia ao certo como fazer isso, por mais que já tivesse tudo “programado” em sua cabeça, Santana não sabia pode onde começar.
— Tana... – Ao vê-la tão nervosa, Quinn levou uma de suas mãos por cima da de Santana, acariciando suavemente, tentando lhe acalmar. – O que foi? Você sabe que pode falar comigo sobre o que for.
— Eu sei... – Santana nunca se sentiu nervosa daquela forma e ao encontrar os olhos de Quinn, respirou fundo e sem perceber as palavras começavam a saltar de sua boca. – Quinn... E-eu não sei exatamente como te dizer isso, mas... É... Nós já estamos assim a dias... Digo, nos encontrando, nos beijando. Sei que não rotulamos o que está acontecendo entre a gente e que você não está pronta para contar aos seus pais ou qualquer um do colégio, e sei também que você ainda não se definiu, mas... – Santana respirava fundo. – E-eu realmente gosto de você, Q. Você sabe que o que sinto por você vai muito além de uma simples amizade... Céus, Q, você sabe que sou apaixonada por você e mesmo entendendo o seu lado, porque acredite, eu entendo. Quero oficializar o que temos? – Santana encolhia seus ombros sentindo seu coração disparar, nervosa. – E-eu... Quinn, você... – A latina mordia o canto de seus lábios, tendo dificuldade em dizer suas últimas palavras. – Mmmm... Você quer namorar comigo? – Santana finalmente deixava suas palavras mais difíceis saírem, e ao ver a cara de surpresa de Quinn, a mesma rapidamente continuou. – Podemos continuar em segredo, não me importo. Já disse que te esperaria e te daria o tempo que fosse preciso, e, tudo bem se você não quiser namorar comigo, talvez você ainda nem goste de mim como eu gosto de você e vou entender se não quiser. Dizem que eu não valho a pena, talvez isso seja verdade e... –
Enquanto Santana disparava a falar, Quinn ficava paralisada. Desde quando a latina começou com aquela conversa, Fabray sabia exatamente onde tudo aquilo daria. A mesma sentia seu estômago revirar, seu coração disparava e o medo de todos descobrirem por alguma razão lhe fazia querer vomitar. Claro que Quinn não tinha vergonha de Santana e sua reputação era o que menos lhe importava, mas o medo de seus pais era o que lhe atormentava. Sabe Deus o que Russel faria se descobrisse que uma de suas filhas estava apaixonada por uma garota. Céus, uma garota. Algo que ia contra todas as crenças de sua família. Sua irmã claramente a protegeria, mas sua mãe? Não, Judy jamais ficaria contra o marido, mas talvez, escondido e apenas Frannie sabendo, as coisas poderiam ser mais facéis, certo? Frannie a ajudaria esconder até o momento em que Quinn finalmente fosse para faculdade e não precisaria mais sequer dar satisfação aos seus pais. Ela e a Santana poderia viver em Nova York longe de Lima, a cidade onde todos te julgam, — exceto a família dos Lopez e os Pierces que são as famílias mais mente aberta daquele lugar. Quinn não sabia até onde Santana a esperaria, mas talvez aguentasse mais alguns meses? Será que Quinn estava realmente disposta a esconder por tanto tempo? Quinn pensava nos pós nos contras em milésimos de segundos. Ela queria chorar por não ser tão decidida como Santana naquele momento. É claro que Quinn estava gostando de Santana, e claro que Santana era uma ótima pessoa e a tratava melhor do que Puck um dia a tratou. A latina era a namorada perfeita, a garota perfeita que sem dúvidas Fabray não encontraria em lugar algum. Santana era carinhosa, amorosa, apaixonada e a tratava como uma princesa. Quinn não podia magoá-la. Ela prometeu que não a magoaria. Talvez Quinn precisasse pensar melhor em sua decisão antes de responde-la naquele momento. Ela precisava pensar no que faria com seus pais e conversar com Frannie antes de dizer a resposta que tanto queria.
— Santana... – Quinn interrompia a latina que continuava falando e agora andava em frente a cama de um lado para o outro.
Ao ouvir o tom de voz de Quinn, Santana parou, sentindo seus olhos encher de lágrimas e se segurando para não deixá-las cair. A latina podia notar que aquele tom não era de uma pessoa que diria “sim”, mas sim de uma pessoa que lhe negaria seu pedido.
— Tana... –
— Quinn, tudo bem... – Santana se adiantava se sentindo a garota mais estúpida do mundo por ter achado que uma garota como Quinn Fabray iria ser sua namorada. Claro que isso não aconteceria. Quinn obviamente não se apaixonou por ela, e Santana estava novamente se iludindo por algo que nunca aconteceria.
— Não, San... Não é isso. – Quinn rapidamente se levantou ficando de frente para latina e segurando em sua mão. – San... Olha pra mim. – Fabray falava carinhosa, levando uma de suas mãos para o queixo da latina a fazendo olhá-la. – Você precisa parar de achar que não vale a pena, porque você vale muito a pena, acredite. Você é maravilhosa, Tana. É carinhosa, amorosa e me trata como uma princesa.
— Você é uma princesa... – Santana sussurrava baixo, mas o suficiente para que Quinn ouvisse, sorrindo.
— E você também é uma princesa... Uma muito adorável que se eu pudesse levaria embora comigo nesse exato momento. – Quinn franzia o nariz, acariciando o rosto de Santana que se sentia envergonhada pelo pedido que fez há minutos atrás. – Olha, o que sinto por você cresce a cada dia. Sei que é chato dizer isso, porque eu já deveria saber o que esse sentimento todo significa, mas ainda estou conhecendo e tentando entender o que é tudo isso. Não estou dizendo que “não quero” namorar você, mas estou dizendo para esperar? – Fabray arqueava suas sobrancelhas e Santana assentia, passando uma de suas mãos por sua bochecha com a lágrima que escorria. – San, não chora... Não... Estou pedindo para você me esperar. Esperar eu decidi se. –
— Se é realmente isso que você quer. – Santana a interrompia. – Tudo bem, Quinn. Você não precisa namorar comigo se não quiser. – Santana se afastava, andando para o outro lado da cama. – Só achei que estávamos na mesma página e que você talvez estivesse gostando de mim da mesma forma que gosto de você. Não posso te forçar a se apaixonar por mim, assim como não posso te forçar a namorar comigo, a me levar a sério...
— Santana, não fala assim. Sempre te levei a sério. – Quinn se aproximava novamente da latina, pousando suas duas mãos no rosto da mesma. – Olha, sei que essa não era a resposta que você queria ouvir, mas me dê um tempo, okay? É claro que quero ficar com você, Tana, mas não quero te magoar. Como você mesma disse, está disposta em manter isso em segredo e quero colocar minha cabeça no lugar, porque se meus pais descobrirem, não sei do que eles são capazes. Não quero que por minha causa meus pais te machuquem, ou que eu te machuque por causa deles. Gosto de você, Tana, e gosto muito, mas só me da essa noite, okay? Essa noite e me faça essa mesma pergunta amanhã no colégio. – Quinn sorria, depositando um selinho carinhoso contra os lábios de Santana.
Assentindo, Santana passou seus braços em volta da cintura de Quinn, lhe abraçando e deitando sua cabeça contra o ombro da mesma. A latina se sentia uma idiota, mesmo com as palavras de Quinn, Santana ainda se sentia uma idiota. Ela não sabia se teria coragem de perguntar aquilo novamente. Ela não sabia se seria corajosa o suficiente para confiar em Quinn naquele momento. E se a resposta do dia seguinte fosse não? E se nessa noite, Quinn pensasse o quanto sua vida seria menos complicada com um relacionamento em que não precisasse manter segredo e descartasse Santana no dia seguinte? Céus, a cabeça da latina estava a mil por hora e ela realmente não sabia se estava pronta para outra rejeição de Quinn.
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