Hurricane
25 Let me fix it.
Notas iniciais
Após passar a noite inteira chorando, Santana tinha finalmente caído no sono e quando imaginou que conseguiria dormir, seu relógio despertou em seguida a obrigando se levantar para mais um dia de aula. Porém, não era dessa maneira que Santana via o seu dia.
Aquele seria o primeiro dia em que veria Quinn após a “rejeição” da loira, sim, era exatamente dessa forma como Santana enxergava o “não” – ou “talvez”, dado por Fabray. A latina não entendia o porque tudo aquilo estava acontecendo. Faz dias em que Quinn demonstrava estar gostando de Santana. Dias em que as duas sempre estavam bem e Santana podia sentir o quanto seu amor pela loira crescia. Quinn deu todos os motivos para que Santana acreditasse de que a mesma estava na mesma página que a latina, então, por que raios Quinn a rejeitou? Estava difícil para Santana entender e não sabia se aguentaria ver Fabray naquela manhã. Ela não podia negar que estava chateada. Claro que Santana podia se esforçar e entender os motivos de Quinn, mas por que então Fabray sempre demonstrou que estava pronta? Será que ela realmente estava apenas usando Santana? Usando para esquecer Noah? Quinn estava magoada e se sentindo péssima por ter sido traída, talvez, toda a atenção que recebia de Santana foi apenas um estepe. Talvez Quinn estava vulnerável e encontrou sua cura com a latina. Por mais que Santana quisesse acreditar o contrário, sua cabeça e sua desconfiança gritavam desesperados lhe deixando ainda pior. Ela faria qualquer coisa para proteger Quinn. Santana manteria o relacionamento em segredo o quanto fosse preciso e deixou isso claro por tantas vezes, mas mesmo assim Fabray ainda a fez esperar. Será que as coisas mudariam entre elas? Esse era um dos maiores medos de Santana, e dessa vez o medo era de isso acontecer por culpa sua e de seu medo de se machucar.
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— Hey, Santana? – A voz de Ashley tirava a latina do seu desenho a fazendo fechar seu caderno rapidamente.
— Hey, Ashley... Como vai? – Santana começava a guardar todo seu material de artes, enquanto Ashley sentava ao seu lado na cafeteria.
— Bem, e você? Por que está escondida aqui? – Ashley sorria, e Santana encolhia seus ombros.
— Estou bem, só estava desenhando, nada demais.
— Achei que te encontraria com a Quinn antes da aula.
— Mm? Oh, não, não vi a Quinn quando cheguei. Vim direto pra cá esperar pelo o sinal. Está muito frio lá fora. – Santana se esforçava para disfarçar o fato de que estava evitando encontrar com Quinn. Ela ainda não sabia o que dizer o que fazer perto da loira e preferia evitá-la.
— Nem me fale, não vejo a hora do verão chegar. Enfim... Vou indo para minha sala, só vim saber se estava tudo bem. Você estava muito sozinha. – Ashley semicerrava os olhos, fazendo Santana sorrir.
— Não precisa se preocupar, está tudo bem.
— Ok... Vou indo então. Beijos, San, nos vemos depois.
— Até. – Santana seguia Ashley enquanto a mesma saia do refeitório e sem ao menos esperar, Quinn apareceu ao lado de Brittany, e para surpresa maior de Santana, as duas garotas não estavam sozinhas. O time das líderes de torcida, incluindo Kitty, estava logo atrás. A latina franzia o cenho e balançava a cabeça confusa. Sem esperar que a vissem, Santana rapidamente juntou suas coisas dentro da bolsa a jogando em seu ombro saindo rapidamente do refeitório.
— Brittany? – Quinn sussurrava contra o ouvido da amiga. – Você viu a Santana?
— Não, Quinnie. Não a vi desde quando chegamos.
— Oh... – Quinn assentiu e pela milésima vez olhava o celular, preocupada do porque ainda Santana não tinha lhe mandando mensagem. A loira não sabia se o que aconteceu na noite passada estava influenciando no sumiço repentino da latina, mas Quinn esperava que nada mudasse entre elas e que Santana estivesse apenas atrasada naquela manhã.
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O sinal tocava para sua segunda aula: espanhol, a aula no qual Santana não conseguiria fugir de Quinn. As duas se encontrariam e Santana não sabia como reagiria. A latina estava lhe evitando e sequer conseguia mandar mensagem para a loira. Sentindo suas mãos tremerem, Santana caminhava lentamente em direção a sua próxima aula quando foi fechada por dois jogadores de futebol segurando dois copos de slushies. A garota os olhou por alguns milésimos de segundos e antes que pudesse reagir ou correr, toda sua roupa, seu rosto, seu óculos e seu cabelo ficavam sujos e seu corpo tremia com o gelado que molhava toda sua blusa.
Os dois garotos passaram rindo, e Santana podia ouvir alguns outros alunos rindo da sua péssima situação. Respirando fundo, a latina arrancou seus óculos, furiosa, olhando para sua roupa e vendo o estrago que tinham feito – de novo. A garota sentia tanto ódio por aquilo que sua vontade era de gritar no meio do corredor. Seu rosto estava gelado e seus olhos ardiam de raiva e com as lágrimas que se formavam no mesmo. Seu coração acelerava e tudo que Santana queria fazer era sumir, desaparecer e não voltar para aquele colégio nunca mais.
— Santana? – A voz de Jake soava atrás dela, preocupado a fazendo se virar. – O que aconteceu?
— Não é óbvio? – A latina falava irritada.
— San, me deixa te ajudar, vamos arrum. –
— Não precisa, Jake. – Santana o interrompia. – Não precisa me ajudar, sempre me virei sozinha e não é agora que preciso da sua ajuda. – A garota rebatia o pegando de surpresa ao vê-la tão furiosa.
Antes que Jake pudesse dizer algo, Santana saiu correndo em direção ao banheiro e ao entrar no mesmo, começava a chorar, soluçando. Tudo estava dando errado. Aquela escola todos lhe odiavam. Quinn a rejeitou e voltou a ser amiga de Kitty. Aquele lugar sempre foi uma luta que Santana enfrentava todos os dias e ela estava cansada, chateada, perdida e machucada. Ela não conseguia confiar em ninguém que se dizia se preocupar com ela. Por que raios não se preocuparam com ela antes? Por que não se preocuparam naqueles dias em que levava banho de slushies todos os dias? Por que não estavam ao seu lado ao invés de deixá-la sozinha? Era difícil para Santana acreditar que todos eles se preocupavam agora. Que todos eles se importavam como diziam. Ela estava tão confusa e só queria que todos a deixassem em paz.
— Quinn? Quinn? – A voz cansada de Jake tirava atenção de Quinn de sua conversa com Brittany e Ashley a fazendo olhá-lo preocupado.
— O que foi, Jake? O que aconteceu?
— É a Santana...
— Santana? – Quinn perguntava confusa. – Está tudo bem? Ela veio a aula hoje?
— Ela veio, Q. Achei que vocês já tivessem se encontrado. – Ashley respondia, arqueando uma de suas sobrancelhas.
— Não, eu não a vi...
— Quinn, alguns garotos jogaram slushies nela agora a pouco no corredor. – Jake as contava as fazendo arregalar os olhos. – Ela saiu correndo, acho que deve ter ido para o banheiro se limpar.
Sem dizer mais nada, as três garotas saíram correndo na direção do banheiro e ao entrarem, encontraram Santana chorando enquanto lava seu óculos, e seu cabelo ainda sujo de slushies.
— Oh, Tana... – Quinn se aproximava, e no momento em que Santana as viu, seu estômago embrulhou, se batendo por não ter trancado a porta quando entrou.
— O que... Quem? – A latina perguntava confusa.
— Jake nos contou... Oh meu Deus, Santana, seu cabelo está todo sujo, você deve estar morrendo de frio. – Ashley se aproximava, tirando as folhas de papel para ajudá-la a limpar o cabelo, mas a latina simplesmente se afastou as deixando confusa.
— Tana, onde você estava? Fiquei te procurando a manhã toda. – Quinn falava carinhosa, mas Santana não a olhava.
— Sannie, você precisa urgente se limpar, ou então vai pegar um resfriado. – Brittany tentava se aproximar, mas Santana se afastava das três.
— N-não precisa me ajuda. Vocês podem voltar para a aula de vocês. Vou ficar bem. – Santana fechava a torneira, colocando sua blusa suja e colocando seus óculos, a única coisa realmente limpa naquele momento.
— Tana, nós estamos preocupadas, nos deixe te ajudar, está bem? Você pode tomar banho no vestiário e. –
— Não, Quinn. Vou para casa, não precisa se preocupar. – Santana respondia friamente, secando suas bochechas.
Ver a latina daquela forma fazia o coração de Quinn despedaçar. Ela podia notar a frieza na voz de Santana, mas tentava ignorar imaginando talvez que isso fosse algo da sua cabeça. Santana só estava daquela forma, porque tinha acabado de levar um banho de slushies e estava irritada.
— Tana...-
— Preciso ir. – Santana não deixou que dissessem mais nada, a mesma saiu rapidamente pela porta do banheiro, correndo pelos corredores, sem deixar que a seguissem.
— Whoa... Sannie estava muito chateada. – Brittany quebrava o silêncio entre elas, fazendo Quinn olhá-la.
— Ela não está bem. – Ashley dizia mais para si mesma, do que para suas amigas.
— Quinn, você deveria falar com ela. Ela estava chorando de soluçar. Parecia bem magoada. – Brittany falava com sua amiga, que agora era ela quem queria chorar sabendo exatamente o porque Santana poderia estar magoada como suas amigas diziam.
— E-eu... Vou tentar conversar com ela. Será que tudo bem se eu. –
— Não, Q, claro que não. Vai, nós te damos cobertura. – Ashley sorria para amiga e Quinn pela primeira vez, agradecia por Ashley.
— Obrigada, meninas. – A líder de torcida rapidamente saiu do banheiro atrás de Santana.
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Ainda chorando, Santana continuava correndo sem se preocupar com o vento gelado que estava contra seu rosto. A garota se sentou no primeiro banco a sua frente, um pouco a frente do colégio, tirando o celular da bolsa e discando para a pessoa que mais precisava naquele momento.
— Hey pumpkin... A senhorita não deveria estar em aula? – A voz de Eva ecoava do outro lado da linha e sem dizer nada, Santana apenas soluçava, chorando. – Santana? Santana? O que aconteceu? — Eva falava preocupada, pronta para correr para Lima naquele momento.
— Tia... E-eu não aguento mais esse lugar. Todo mundo aqui me odeia. – Santana soluçava, chorando em silêncio.
— Oh, mijá... O que aconteceu? Onde você está?
— Estou sentada do lado de fora do colégio... Toda suja de slushies. Isso acontece todo dia, tia. Todo dia e estou cansada. Não sei o que fiz para eles me tratarem assim e. – Santana falava tão rápido que sequer estava respirando. Ela estava magoada e tudo que queria era sumir de Lima, de Ohio e ir para bem longe daquele lugar.
— Hey, hey... Se acalme, pumpkin... Respira, está bem. Respira. — Eva falava preocupada, não querendo que sua sobrinha tivesse um ataque de pânico naquele momento. – Mas mijá, e a Quinn? Brittany? O clube do coral? Achei que você estava se dando bem com eles.
— Não. Não, tia... Não entendo do porque só agora eles resolveram todos demonstrar que se preocupam comigo. Por que não fizeram isso antes? Tinham vergonha de se aproximar? Estão fazendo isso por pena? – A garota soluçava, passando a mão furiosa por suas bochechas congeladas. – Por que eles não se aproximaram antes de eu me sentir assim, tia? Me senti como se eu não valesse a pena? É exatamente como Marley fez eu me senti. Todos eles se aproximam para depois apenas jogarem na minha cara o quanto sou um nada e... – Santana pausava, respirando fundo, sem conseguir sequer enxergar um palmo a sua frente já que seus olhos estavam cheios de lágrimas que não paravam de cair. – Quinn... E-eu achei que ela seria diferente, tia, mas ela simplesmente me rejeitou ontem a noite. Ela não me quis, tia... Ela não me quis... – Santana sussurrava a última frase, e Eva podia sentir seu coração despedaçando por sua sobrinha.
— Oh, mijá... Não diga isso. Você vale muito mais do que imagina. Santana, você é inteligente, é engraçada, é uma adorável filha, neta, sobrinha. Qualquer um que se aproximar de você será sortudo em tê-la como amiga, mi amor. Infelizmente algumas pessoas não valorizam nossa qualidade. Nos julgam sem ao menos nos conhecer. Existem pessoas que são ignorantes o suficiente para não reconhecer o que temos de melhor. Nos julgam pelo simples fato de nos vestirmos diferente, ou pelo modo como gostamos de amarrar nosso cabelo. – Eva falava carinhosa, e Santana ouvia com atenção cada palavra de sua tia. – É por isso que precisamos focar naquelas que nos amam, mijá... Você tem seus pais, sua abuela e seu abulo, tem a mim, tem o Jamie... Tem Rosie, que adora sua companhia. São nessas pessoas que você precisa focar, mijá. Sei que o que aconteceu com Marley a deixou com dificuldades para confiar nas pessoas, mas meu amor, se você não lhes der uma chance, nunca vai saber quais são as reais intenções deles. — Eva pausar e ainda podia ouvir os leves soluços da sobrinha. – O que aconteceu entre você e a Quinn?
— E-eu não sei, tia. Só me pergunto do por que eles resolveram se aproximar só agora? É difícil acreditar que querem realmente me conhecer. – Santana respirava fundo, tirando seus óculos. – E-eu... Depois de tudo que estávamos passando juntas... Você sabe, quase todas as noites na minha casa, nós duas juntas... Ela dava vários indícios de que sentia o mesmo por mim, mas depois de ontem a noite não sei mais se estamos na mesma página. A pedi em namoro, acreditando que depois de tanto tempo ela também estaria gostando de mim, mas ela não aceitou, tia... – Santana pausava, tentando ignorar as lágrimas que novamente caiam de seus olhos. – E-ela disse que precisava pensar... Precisava de um tempo... Pediu que eu a perguntasse novamente daqui há alguns dias, mas não sei se consigo, tia. Não se consigo, porque parece que nada está dando certo. Quinn parecia gostar de mim... Estoy tan cansado, tía. No se mas que hacer. – Santana sussurrava em espanhol e seu corpo começava a esfriar da adrenalina daquela manhã e a mesma começava a tremer de frio. – Achei que talvez ela me daria uma chance, tia Eva... Isso dói demais. Demais.
— Talvez, você a tenha pego de surpresa, mijá. Ela precisa de um tempo para pensar, mas isso não quer dizer que ela te rejeitou. Quinn vai dizer sim, e. –
— E-eu não sei... Isso me magoou, tia. É difícil, porque parece que vivi sozinha tudo o que passamos esses últimos dias.
— E vocês já conversaram depois disso?
— Não. Não nos vimos hoje na aula, e quando ela veio atrás de mim fui um pouco grossa e acabei a deixando para trás. É difícil olhá-la e fingir que está tudo bem, porque eu não estou bem, tia... Não estou. – Santana voltava a chorava, mas em silêncio. – Só queria que alguém fosse sincero comigo pelo menos uma vez. Uma vez, tia. Todo mundo que se aproxima parece estar com pena de mim. O clube do coral raramente se aproxima. Rachel, Tina, Mercedes e Kurt disseram que sabiam o que eu estava passando, mas sequer falam comigo todos os dias longe das aulas do glee clube. Jake disse que seria meu amigo, mas todas as vezes que olho pra ele vejo o quanto ele sente pena de mim. Não quero que sintam piedade de mim, tia Eva. Quero que as pessoas queiram se aproximar de mim por ter interesses em me conhecer realmente... E Quinn... Tenho tanto medo de ela me machucar. Odeio Marley por ter me feito passar por tudo aquilo, sequer consigo confiar na garota que eu amo, tia. Quero acreditar e esperar por ela. Realmente quero pedi-la em namoro novamente, mas e se ela me rejeitar novamente? E se ela disser que pensou e viu que eu não sou o suficiente? Estou tão cansada e com medo, tia. Queria que alguém realmente me amasse pelo o que sou. Estou tão cansada desse colégio, dessa cidade... Se eu pudesse começaria tudo de novo em outro lugar. Talvez em outro estado. – Os dentes de Santana começavam a bater de frio e suas mãos sem luvas congelavam. A garota precisava sair dali e ir para casa antes que morresse congelada.
— Não imagino o quanto deve estar sendo difícil para você, pumpkin, mas entendo o quanto você deve estar machucada com tudo isso. Você sabe que se seus pais pudessem te colocaria em outra escola, mudariam de estado por você, mas no momento eles não podem. Se eu pudesse estaria aí nesse exato momento cuidando de você, porém, estou sempre a sua disposição, mijá. O que Marley fez te deixou uma grande cicatriz, mas por mais que seja difícil para você se abrir, entenda que se você não deixá-los se aproximar, não os conhecerá de verdade e eles também não terão a oportunidade de saber quem realmente é Santana Maria Lopez... Talvez Jake esteja preocupado. É diferente, mijá. Preocupação e piedade são duas coisas diferentes e acredito que é isso que ele sinta: preocupação e não quer te ver sozinha. Dê uma chance para o rapaz e se ele te magoar, titia está bem aqui para acabar com ele. – Eva podia ouvir pela primeira vez uma pequena risada da sobrinha. — E ao clube do coral, faça sua parte e deixe que eles te conheçam, se realmente quiserem, vão se aproximar. Não fique esperando por ninguém. Apenas seja você mesma. Imagino o quanto deve estar se sentindo péssima com a história de Quinn, mas mijá, você já passou por tanta coisa e está na hora de se deixar receber algo bom, e acredito que o que Quinn tem para você é realmente algo que vai te deixar feliz. De o tempo que ela precisa e de um espaço a ela, deixe que ela sinta sua falta, pois tenho certeza que ela vai voltar, princesa. Confia em mim, titia conhece tudo sobre relacionamentos. — E novamente, Eva podia ouvir a risada de Santana. – Vai ficar tudo bem, pumpkin.
Santana sabia que sua tia tinha razão e por mais que o medo atrapalhasse, a latina ficaria com as palavras da tia e daria um passo de cada vez. Começaria com um de cada vez e se preocuparia em primeiro lugar com as pessoas que sempre a amou e depois com os outros.
— Você sempre sabe o que dizer, tia. Te amo, gracias. Vou fazer o possível para não deixar minha desconfiança estragar minha vida novamente. Vou dar um passo de cada vez. – Santana abraçava o próprio corpo, tentando manter-se aquecida.
— Eu também te amo, pumpkin, e vou estar ao seu lado em cada passo que você der. Agora, mi amor, a titia precisa ir, está bem? Tenho um paciente para atender em quinze minutos.
— Tudo bem, tia
— Nos falamos mais tarde, está bem? Te amo pumpkin.
— Também te amo, obrigada por tudo.
— Faço tudo por você. Beijos e fica bem.
- Beijos tia. – Santana desligou o celular e ao encará-lo por alguns segundos, sorriu suavemente, colocando a toca de sua blusa sobre sua cabeça, guardando o aparelho e se levantando em direção ao ponto de ônibus.
Santana não sabia, mas o tempo todo em que conversava com sua tia, Quinn após alcança-la, ao ver que a latina conversava ao telefone sobre ela, a líder de torcida se manteve escondida atrás das árvores, chorando enquanto ouvia tudo o que Santana dizia. Céus, Quinn nunca imaginou que a latina sofria tanto daquela forma. Ela não sabia quem era Marley e a odiava pelo simples fato de ter machucado Santana. A loira nunca quis machuca-la e achou que Santana tinha entendido todos os seus motivos da noite passada, mas ao ouvir as palavras e ver o quanto Santana estava machucada, Quinn não tinha dúvidas de que era exatamente aquilo que queria. Era por Santana que Quinn estava apaixonada e ao ver que tinha machucado a latina seu coração apertava, fazendo seu peito doer. Quinn tinha lhe prometido que não a magoaria e mesmo sendo sem perceber, a mesma ainda se sentia a pior pessoa do mundo por ter deixado aquilo acontecer. Sua vontade naquele momento era de ter Santana em seus braços e dizer tudo o que estava sentindo, de dizer que ambas estavam na mesma página e que a única coisa que Quinn queria naquele momento era se tornar namorada da garota incrível do colégio, a sua nerd. Fabray sabia que precisava corrigir aquele mal entendido e faria aquilo o quanto antes. Quinn faria Santana sorrir novamente e cuidaria dela como prometido.
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— Maria! – Rosie entrava na casa de Santana, fazendo a latina rir ao ouvi-la chegar.
— Estou na cozinha, Rosie.
— Oh, hey, Maria. – Rosie usava seu sotaque, se aproximando de Santana e lhe abraçando pela cintura.
— Você nunca vai parar de me chamar assim, não é? – Santana a abraçava, depositando um beijo na cabeça da garota.
— Um dia, talvez... – A pequena ria, se afastando. – E então, o que vamos fazer hoje a tarde? – Santana tomaria conta da garota naquela tarde enquanto a mãe da mesma trabalhava. Com a péssima manhã que teve, Santana ficava feliz em ter a companhia de Rosie já que a mesma sempre a animava.
— Pensei de fazermos pipocas e termos uma sessão de filmes, o que acha?
— Acho isso muito legal, Tana. Podemos assistir frozen e. –
— Whoa... Não, nada de frozen, você sabe que não gosto desse desenho.
— Aw, Tana, por que não? – Rosie fazia um bico adorável, tirando seu casaco.
— O que acha de assistirmos meu malvado favorito 1 e 2, depois...-
— Oh, podemos ver também o filme da Cinderela e depois você escolhe outro.
— Agradeço por me deixar escolher um. – Santana brincava, começando a preparar a pipoca. – Coloca o seu casaco no meu quarto, e pode pegar uma coberta se quiser. – A pequena assentiu, correndo para o quarto de Santana e trazendo um enorme edredom da cama da mesma e jogando no sofá. – E a Quinn? Faz tempo que não a vejo por aqui.
— Nós não estamos muito bem... – Apesar de Rosie ser uma criança, Santana não tinha problema algum em contar algumas coisas para a pequena.
— E por que não? – Rosie tirava um biscoito do pote, ajoelhando em cima da cadeira, sentando sobre suas pernas.
— Mmm... Eu a pedi em namoro na noite passada e. –
— Oh Tana, que legal! Agora vocês são namoradas? – Rosie falava animada, apoiando seus pequenos cotovelos na mesa.
— Não... Queria que fosse, mas não, não somos. Quinn meio que rejeitou meu pedido... Mas está tudo bem, acho que ela não gosta de mim tanto assim. – Santana dava de ombros, e a carinha de Rosie mudava de feliz para triste, fazendo um bico suave.
— Que pena, Tana, mas não fica triste, você tem a mim. – Rosie falava adorável, fazendo Santana sorrir em sua direção.
— Exatamente, tenho você, e acredite você é a coisa mais fofa da minha vida. – A latina se aproxima da pequena, segurando no rosto da mesma e dando um beijo na bochecha de Rosie lhe apertando a fazendo rir.
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— Você tem certeza, Lucy? – Fannie perguntava, enquanto Quinn saia do banheiro enrolada na toalha. – Vou sempre estar aqui pra você, não vou deixar que papai e mamãe descubram nada, até porque, sou ótima em esconder coisas deles. – Frannie sorria, fazendo Quinn rir.
— Oh, sei disso... Mas Frann, tenho certeza do que quero. Essa noite vou consertar a burrada que fiz da noite passada, mas preciso realmente que você me ajude. Muita coisa vai mudar na minha vida, Frann. Nunca precisei namorar escondido antes e isso vai ser tão difícil, mas vou precisar da sua ajuda. Vou precisar do seu apoio.
— Não importa o que aconteça, vou estar sempre do seu lado. Quero que você seja feliz, Quinn, porém, entenda que muita coisa vai mudar. Vocês vão precisar ser discretas no colégio e. –
— Você acha que papai vai desconfiar de alguma coisa? Pensei talvez em apresenta-los para Santana. Afinal eles sabem que ela agora é uma das minhas amigas e eles a conhecendo será mais fácil para talvez no futuro eles aceitarem o fato de que estamos namorando.
— Talvez, mas vamos com calma, está bem? Vamos dar um passo de cada vez. Primeiro, apenas tenha certeza da sua decisão e pense que vocês só vão poder se beijar e se abraçar quando estiveram entre quatro paredes a sós... Sequer na minha frente, por favor, porque não sou obrigada a ver isso. – Frannie brincava, fazendo Quinn rir.
— É exatamente isso que quero, Fann. Demorou um pouco para eu perceber isso, mas depois de tudo que passamos esses últimos dias, Santana realmente está me conquistando e não posso negar que estou me apaixonando por ela. Não sei porque não aceitei o pedido dela logo de uma vez, isso causaria menos sofrimento a ela e nós estaríamos bem.
— Quinn, você fez o que achava certo, não imaginou que machucaria Santana dessa forma. Fica tranquila que tenho certeza que a resposta que você ganhará hoje será positiva e torço muito por vocês. Ao contrário dos nossos pais, quero te ver feliz com quem for. Não importa se é com Puck ou Santana, se é com um garoto ou uma garota, o que importa é o que você sente, é a sua felicidade. Vou fazer o que estiver no meu alcance para te ajudar e te encobrir no que for preciso. É para isso que serve as irmãs mais velhas, huh? – Frannie franzia seu nariz, fazendo Quinn sorrir assentindo.
— Obrigada, Frances, obrigada, obrigada! – Quinn que já usava uma lingerie uma camisa cumprida, abraçava sua irmã com força.
Após conversar com Frances, Quinn percebia que não queria perder mais tempo longe de Santana. O arrependimento por não ter dito “sim” na noite passada a fez perder a fome de seu lanche da tarde e agora tudo o que ela queria era consertar toda a burrada que tinha feito e finalmente ser namorada de Santana Lopez. Era difícil negar que estava apaixonada pela latina e mesmo sabendo que não seria fácil, assim como Santana, Quinn estava disposta a enfrentar tudo o que viesse, porque estar com Santana era a única coisa que importava naquele momento.
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