Hurricane

10 Just trying to forget it


Notas iniciais
Oieee gente!! Voltar de férias não é fácil, até porque faz eu demorar dias para atualizar, né? Desculpa pela demora, mas também tenho outras fanfics para atualizar, e faço o possível para atualizar uma a cada fim de semana. Sou meio louca, e se não seguir uma sequência de atualização, fico sobrecarregada, haha. Bom, capítulo novooo, espero que gostem! xxxx

Santana me beijou. Era o que passava repetitivamente na cabeça de Quinn.

Após chegar em casa, Quinn ainda estava em choque com o que tinha acontecido naquela noite. A garota não conseguia acreditar que Santana tinha lhe beijado ou muito menos conseguia se acalmar por estar tão preocupada com o ataque da latina.

Quinn foi para o seu quarto sem falar com seus pais ou com sua irmã. Sua cabeça girava sem parar e por alguma razão se sentia diferente. Quinn não conseguia acreditar que uma garota tinha lhe beijado e ficou completamente em choque no momento em que sentiu os lábios macios da latina sobre os dela. Quinn sentia seu estômago embrulhar em imaginar o que tudo aquilo significava para Santana. O medo falava mais alto e a líder de torcida não sabia o que exatamente pensar.

Enquanto estava deitada olhando para o teto de seu quarto, Quinn sentia seus olhos encherem de lágrimas por pensar em Santana. A garota sentia seu peito doendo por imaginar que talvez a latina tivesse algum sentimento por ela. Isso seria completamente errado. Elas são duas garotas, certo? Mas o que Quinn não entendia, era do porque aquilo soava tão certo. Mais certo do que todas as vezes que já beijou Puckerman ou qualquer outro garoto, e era aquilo que lhe assustava.

Quinn sabia que não tinha sentimento pela latina daquela forma e se perguntava se sua cabeça estava mesmo certa. Se Santana gostava dela, isso deixaria tudo mais complicado. A líder de torcida sentia medo por muitas razões. Ela temia que isso lhe afastasse de Santana. Até porque, depois do ataque que a mesma teve em seguida, só mostra o quanto se apavorou por ter lhe beijado. Quinn não sabia o que fazer ou como reagir, mas tinha certeza de que o que estava sentindo naquele momento era seu coração leve. O beijo pode ter sido simples, algo não correspondido, mas Quinn nunca se sentiu tão... Viva naqueles poucos segundos.

Não só o beijo lhe tirava o sono, como também o ataque de pânico que Santana teve após beijá-la. Quinn não conseguia tirar da cabeça a imagem de Santana se contraindo e chorando sem ar nos braços de Alejandro. Era doloroso ver aquela cena, e Quinn sentia seu peito apertar por não saber como ajuda-la. A garota não conseguia esquecer as palavras de Maribel indicando que aquele ataque não era a primeira vez, e Quinn se perguntava quando e como Santana desenvolveu aquele problema. Até porque, ninguém nasce com isso, sem dúvidas isso foi à causa de um trauma muito grande que deixou a latina daquele jeito. Quinn queria ajuda-la. Queria mais do que nunca estar ao lado de Santana e aprender a lidar com ela e cuidar da mesma para evitar todos os ataques possíveis.

Se Santana realmente tiver algum sentimento por Quinn, a mesma sem dúvidas não se afastaria por isso. Algo dentro dela a fazia querer estar ainda mais perto da latina. Quinn sentia o quanto Santana era fechada e queria mostrar para ela que não precisava ter medo. Que Quinn estava sendo sincera e que estava interessada em ser sua amiga, mas outra coisa que lhe surpreendia, era o seu coração acelerado todas as vezes que temia por Santana se afastar. Era como se Quinn precisasse de Santana em sua vida, e depois do beijo daquela noite, tudo parecia se intensificar.

Isso é apenas porque você tem um grande carinho e afeto por ela, Quinn. A loira pensava, respirando fundo, tentando ignorar – e entender – o efeito que o beijo de Santana lhe causou.

Xxxx

O relógio naquela manhã marcava dez horas quando Santana começava a se mexer na cama, virando-se para o lado quando sentiu que não estava sozinha. A latina sentia outra pessoa deitada ao seu lado e sentia também os olhos dessa pessoa em cima dela. Santana estava com medo de abrir os olhos e antes que pudesse ter um ataque de pânico, a pessoa ao seu lado resolveu acalmá-la.

– Está tudo bem, mijá. – Maribel falava suavemente, pousando sua mão sobre o rosto de Santana. – Sou só eu. – A mãe da garota falava carinhosa, abrindo um sorriso suave.

Santana sentia seu peito relaxar e ao abrir os olhos, se sentia idiota por sua mente ter imaginado que aquela pessoa ao seu lado era Quinn.

– Mama... – Santana sorria, passando a mão sobre seus olhos. – Bom dia.

– Bom dia, mi amor. Como você está? – Maribel passava a mão sobre o cabelo da garota, lhe fazendo carinho.

– Bem. – Santana respondia automática. – Mmm, tirando o fato de que estraguei a noite do meu aniversário, estou bem.

– Mijá, você não estragou sua noite.

– Talvez, mas sem dúvidas Quinn e Brittany nunca mais vão querer falar comigo. Ainda mais depois de terem visto o quão doente eu sou. – Santana falava suavemente, fazendo Maribel franzir o cenho.

– Doente? Santana, ataque de pânico não lhe faz uma pessoa doente. Tenho certeza que elas não vão se afastar de você. – Maribel falava suavemente, mas Santana sabia que Quinn nunca mais iria falar com ela. Não depois te tê-la beijado daquela forma. Aquilo sem dúvidas foi a coisa mais idiota que Santana já fez.

Seu peito começava a apertar e antes que seu ataque de pânico começasse, Santana fechava seus olhos respirando fundo, enquanto sua cabeça girava e gritava lhe dizendo o quão estúpida e burra ela foi. Santana tinha perdido todas suas mínimas chances de ser amiga de Quinn e Brittany depois da noite passada.

– Você quer me contar agora o que aconteceu? – Maribel apoiava seu cotovelo contra o travesseiro, apoiando sua cabeça sobre sua mão, para ver melhor o rosto de Santana. – E não adianta mentir, Santana. Nós todos sabemos que seu ataque de pânico não acontece por acaso. – A mãe da garota continuava e Santana sabia que não conseguiria esconder isso de sua mãe.

– E-eu... – Santana respirava fundo. – Mami, eu... Agi por impulso.

– O que houve, mijá?

– Mami..eubeijeiaQuinn. – Santana falou rapidamente, sentindo seu estômago embrulhar ao dizer isso em voz alta.

– Você o que? – Maribel arregalava seus olhos, olhando surpresa para sua filha.

– Beijei a Quinn? – Santana falava timidamente, encontrando o olhar surpreso e confuso de sua mãe. – Depois que viemos para o quarto, ela e Brittany pediram que eu cantasse e depois que cantei, a tia Eva apareceu chamando a Brittany nos deixando sozinhas. – Santana começava a contar rapidamente. – E aí eu agradeci por terem vindo e começamos a conversar, ela se aproximou e quando dei por mim, agi sem pensar lhe dando um beijo. – Santana fazia careta, pousando suas mãos sobre seu rosto, se segurando para não chorar. – Foi a coisa mais idiota que já fiz. Estou com tanta raiva, mama. Como eu pude fazer isso? Óbvio que ela não correspondeu e ficou em choque. Foi quando entrei em pânico, porque a ficha tinha caído.

– Mijá... – Maribel sussurrava, sentindo seu peito apertar com a voz triste de Santana.

– Sem dúvidas perdi todas as minhas chances de me aproximar dela. Quinn provavelmente deve estar assustada, me odiando e nunca mais vai querer me ver. Quero dizer, ela é hétero, jamais gostaria de mim ou seria amiga de uma garota lésbica, certo? – Santana sentia seus olhos encherem de lágrimas e começava a se sentar na cama. – Isso sempre acontece. Quando descobrem que sou lésbica, as pessoas se afastam. E-eu nunca devia ter criado esperanças com Quinn ou Brittany.

– Santana... –

– Mas tudo bem. Já estou acostumada, não é? – Santana sentia seu peito doer ainda mais, enquanto uma lágrima escorria sobre sua bochecha.

– Presta atenção, porque só vou dizer isso uma vez. – Maribel começava a se levantar, se sentando de frente para Santana. – Aquelas pessoas não se afastaram de você, porque descobriram que era lésbica. Elas se afastaram porque aquela garota te tratou como lixo e fez da sua vida um inferno. Você é a garota mais dócil, inteligente e linda tanto por dentro como por fora. É impossível não se apaixonar por você, mijá. Mesmo paixão de amizade ou de amor, se você deixa-las se aproximar tenho certeza que vão ver quem você realmente é, e vão te amar assim. – Maribel falava carinhosa e Santana chorava em silêncio olhando atenta para sua mãe. – Se Quinn for a garota esperta que imagino que seja, ela não vai se afastar de você por isso, Santana. Ela pode estar assustada sim, porque você a pegou de surpresa, mas talvez, isso estava destinado a acontecer, princesa, e de alguma forma Quinn precisava ver que para você ela não é apenas uma líder de torcida popular. Que ela não é uma simples amiga. Isso que aconteceu ontem pode tê-la feito abrir os olhos. Tenho certeza que Quinn já sabe o quão especial você é e não vai se afastar. Muito menos Brittany. – Maribel passava suas mãos pelas bochechas de Santana, secando as lágrimas da filha que ficava em silêncio.

Santana queria pensar daquela forma. Ela queria acreditar que sua mãe estava certa. Talvez Quinn estivesse assustada agora, mas não significaria que a mesma se afastaria dela. Talvez Quinn ainda esteja interessada em sua amizade e Santana poderia aproveitar cada momento para fazer Quinn se apaixonar por ela. Mas apesar de querer ser positiva, seu medo em confiar nas pessoas falava mais alto. Seu coração queria tomar o lado de sua mãe, mas sua cabeça apenas lhe dizia que Quinn a odiava e que agora as duas nunca mais se falariam novamente. Seu medo era tanto que Santana estava com medo de dizer algo naquele momento e apenas assentiu, abraçando forte sua mãe, porque era exatamente daquilo que ela precisava.

Após tomar um banho e se trocar, Santana não sabia o que faria durante seu dia. Talvez passasse o dia desenhando, a mesma não estava animada para sair e preferia se esconder como sempre faz nos fins de semana.

Sua mãe tinha lhe preparado um delicioso café da manhã com panquecas de chocolate com morango, suas preferidas. Um delicioso copo de suco de laranja e ovos mexidos. Apesar da grande mistura, era o café da manhã prefiro da latina e naquele momento, a mesma comia sentada no sofá, usando uma calça de moletom preta, com uma blusinha bege de manga cumprida e meias brancas. Ela estava adorando usar suas roupas novas e aquela calça, se tornou uma de suas preferidas depois daquela manhã.

Quando terminou de comer, ajeitou sua cozinha, deixando tudo arrumado, pegando seu material de desenho e voltou para sala se sentando no sofá enquanto “Malévola” passava em sua televisão. A imagem de malévola quando criança foi a primeira coisa que desenhou naquela manhã. Ela tentava manter sua mente ocupada e para sua surpresa estava conseguindo. Seu celular estava no sofá ao seu lado, mesmo sabendo que provavelmente ninguém falaria com ela. Até porque, somente sua família e Quinn tinha seu número. Seus pais estavam ocupados, sua tia Eva estava ocupada com uma conferência online para Nova York e Quinn... Bom, Santana sabia que a líder de torcida não falaria com ela, e não tinha esperança alguma de receber qualquer mensagem ou ligação da mesma. Seu dia sem dúvidas seria somente ela e seus desenhos, como todos os fins de semana.

Xxxx

– Quinn, querida, qual o problema? – Judy lhe perguntava, enquanto passava pelo shopping com Quinn e Frances. – Você anda muito desligada.

– Mm? – Quinn saia de seu transe, olhando para sua mãe. – Nada. Só não estou me sentindo muito bem. – Desde a hora em que saiu de casa naquela manhã, Quinn não conseguia parar de se preocupar com Santana e todo o evento da noite passada. Sua cabeça parecia fazer questão de lembrar o beijo e do ataque de pânico da latina. Seu coração apertava confuso e tudo era tão novo e assustador, que Quinn apenas focava em como conversaria com Santana novamente. Ela teria que mostrar que não se afastaria e fazer o possível para que a amizade não fosse acabar por causa daquilo. Talvez Santana tenha lhe beijado por impulso. Tudo era tão... Romântico. A música que a latina cantou o momento em que estavam. Claro, Santana agiu por impulso confundindo tudo a sua volta. Pelo menos era isso que Quinn se forçava a pensar. Ela estava com tanto medo de Santana se afastar que pensava em mil saídas para aquele beijo. Afinal, ela não conseguia acreditar que talvez Santana sentisse algo por ela. Um beijo como aquele raramente significa algo, certo?

– Talvez devêssemos ir para casa? – Judy pousava sua mão delicadamente sobre a testa de Quinn, medindo sua temperatura.

– Não. Está tudo bem, mãe. Nós podemos continuar nossas compras. – Quinn sorriu suavemente e podia sentir o olhar desconfiado de Frances em cima dela. Sua irmã sabia onde Quinn tinha ido à noite passada e estava curiosa para saber o que tinha acontecido e porque sua irmã estava tão estranha naquela manhã.

– Quinn? – Uma voz suave chamava atenção das Fabrays as fazendo se virar para trás.

– Kitty? – Quinn perguntava.

– Hey Quinn. Como você está? – Kitty se aproximava dando um abraço em sua amiga.

– Mmm... Estou bem, e você? – Quinn respondia, correspondendo o abraço da garota.

– Estou bem. Oh, como vai senhora Fabray? – Kitty saia do abraço de Quinn, abraçando Judy e em seguida Frances.

– Kitty, é um prazer vê-la. Faz tempo que não há vejo. – Judy falava sorrindo. – Você costumava estar sempre em casa estudando com Quinn.

– Bom, senhora Fabray, não vou mentir. – Kitty falava suavemente, olhando para Quinn. – Sinto falta da minha amizade com Quinn, e ainda mais dos seus deliciosos bolos de baunilha. – Kitty falava educada, fazendo Judy rir, deixando Quinn ainda mais surpresa.

Quinn e Kitty costumavam sim serem melhores amigas. Ambas se conheciam desde pequenas e Kitty sempre passava a noite na casa de Quinn onde tinham suas festas do pijama. Depois que se tornaram líderes de torcida, a amizade parecia ter ficado abalada. Claro que Brittany não ficava fora. Ela era a primeira melhor amiga de Quinn, e talvez isso tenha sido o motivo para Kitty ter se afastado. Brittany sempre estava entre elas e era nítido ver o quanto Kitty era possessiva quando o assunto era Fabray. Ela nunca gostou de dividir e conforme ia crescendo o ciúmes a fez se afastar tento uma grande raiva de Brittany.

Quinn nunca entender o porque sua amizade com Kitty acabou, mas sabia que tinha algo a ver com Brittany. Quinn nunca se importou, até porque, Kitty se virou contra ela muitas vezes durante os treinos das cheerios e Fabray por um lado, se sentia aliviada por não ser mais amiga de Wilde e apenas tendo a única pessoa que sempre foi verdadeira e sincera com ela. Tendo a amizade de Brittany sempre foi tudo o que Quinn sempre precisou, e para ser sincera, ela nunca trocaria Brittany por ninguém.

– Fique a vontade em aparecer quando quiser. – Judy falava sorridente. – Farei questão de preparar um delicioso lanche da tarde para vocês.

– Obrigada, senhora Fabray. Eu iria adorar. – Kitty respondia, olhando para Quinn. – Eu sinto falta da minha melhor amiga. – A garota falava suavemente, fazendo Quinn arquear suas sobrancelhas. – Será que podemos fazer alguma coisa hoje à noite? – Kitty perguntava, deixando Quinn ainda mais surpresa.

– O que? – Quinn perguntava.

– Queria saber se podemos fazer algo hoje à noite. Sei que não estou sendo uma boa amiga e gostaria de poder matar saudades? — Kitty perguntava. – Podemos assistir filme, tomar sorvete... Essas coisas que costumávamos fazer quando éramos próximas. Eu realmente sinto sua falta, Quinnie. – Quinn olhava para Kitty sem saber o que dizer. Ela não sabia se aquilo era apenas uma cena por estarem perto de Judy, ou se Kitty realmente estava sendo sincera.

– Kitty, eu... – Quinn falava calmamente, e pode sentir os olhos de sua mãe em cima dela. Era como se Judy estivesse lhe pressionando para aceitar o convite, mas Quinn realmente não queria Kitty se tornando sua amiga novamente. As coisas eram diferentes agora e apesar de sentir saudades do tempo em que eram crianças, Kitty se tornou uma bitch no qual Quinn não suportava. – Talvez outro dia? Tenho muita coisa para fazer hoje. – Fabray respondia sincera.

– Claro. Claro, Quinn, eu entendo. – Kitty falava desanimada. – Talvez outro dia?

– Mhm, outro dia.

– Ótimo. Bom, eu preciso ir. Minha mãe deve estar me esperando em algum lugar por aqui. – Kitty sorria, se aproximando de Judy. – Foi um prazer revê-la senhora Fabray.

– Oh querida, igualmente. – Judy a abraçava, e assim que a soltou, Kitty se despediu de Frances e Quinn, se afastando para encontrar sua mãe. – Lucy, não acredito que você dispensou sua melhor amiga. – Judy falava confusa, percebendo que Quinn revirava os olhos.

– Mãe, não sei se você percebeu, mas Quinn e Kitty não são mais amigas a um bom tempo. – Frances respondia, tomando o lado de sua irmã.

– Nós tivemos um desentendimento e hoje não somos mais como antes. Não confio nela e prefiro manter distancia. Aguentar Kitty nos treinos das cheerios já é o suficiente. – Quinn entrelaçava seus braços aos de Frances, olhando para sua mãe.

– Mas vocês poderiam tentar se reconciliarem. Tenho certeza que ela iria adorar.

– Ela adorando ou não, eu não quero, mãe. – Quinn respondia. – Por favor, podemos esquecer que encontramos a Kitty? Vamos terminar logo essas compras, porque estou precisando dos meus livros. – Quinn puxava sua irmã, e sua mãe ainda continuava confusa as seguindo.

A verdade era que Quinn não confiava em Kitty, e quanto mais a mante-se longe, melhor e mais seguro seria. Ainda mais agora que Quinn estava se aproximando de Santana. Kitty sem dúvidas causaria problemas e só faria Santana se afastar mais.

Xxxx

Santana estava cansada de ficar dentro de casa naquela tarde. Seus desenhos já não a prendiam mais e ficar sozinha não era mais uma opção já que toda vez que se lembrava do beijo que deu em Quinn, seu peito começava a doer e a mesma precisava se concentrar em sua respiração para não entrar em pânico.

A latina se sentia uma completa idiota por tudo o que tinha feito. Ela queria se esconder de Quinn e nunca mais vê-la. Em sua cabeça, Fabray a odiava e seus dias no colégio continuariam um inferno. Santana até mesmo cogitou em mudar de escola novamente, mas isso provavelmente não seria uma boa ideia. Ela não podia ficar fugindo sempre que algo acontecesse. Até porque, Santana sabia que seria ignorada, então não precisava se preocupar com o que aconteceria.

O único problema, era que imaginar sendo ignorar pelo amor da sua vida, machucava. Aquilo doía tanto que seus olhos enchiam de lágrimas. Santana estava cansada de chorar por Quinn todas as noites e sem dúvidas aquela noite não teria sido a última ou a primeira.

A latina se sentia pequena perto de tudo o que sentia. Era como se seu peito fosse explodir e um buraco fosse se abrir no chão a puxando para baixo. Ela sempre passou meses e meses observando Quinn de longe se imaginando no lugar de Puck. Santana sempre observava Quinn na esperança de que um dia a líder de torcida fosse nota-la, e quando isso finalmente acontece, Santana estraga tudo agindo por impulso sendo burra estragando qualquer chance de ter Quinn. Isso era tão difícil que enquanto estava sentada no sofá, as lágrimas caíam sobre suas bochechas sem que ela mesma percebesse que estava chorando.

Santana passou suas mãos sobre suas bochechas, se levantando e indo para seu quarto. Ela não ficaria sozinha ou então se sentiria pior. A garota colocou sua bota nova, jogando um casaco preto por cima de sua blusa, prendendo seu cabelo em um rabo de cavalo e pegando seu celular, avisando seus pais que estava saindo para caminhar.

Ela não sabia exatamente para onde ia, mas qualquer lugar seria melhor do que ficar dentro de casa pensando na chance que tinha estragado com Quinn.

Santana saiu, trancando a porta de sua casa e colocando suas chaves e seu celular dentro do bolso da blusa, até porque, ela morava em Lima Heights e não era seguro andar por aí com seus pertences em mãos. A sorte era que sua casa ficava no começo – e melhor parte – de Lima Heights, e era possível dizer que era o “bairro” mais organizado e familiar. Crianças corriam pelas ruas, brincando e rindo, enquanto suas mães se sentavam em frente suas casas os observando.

Era uma vizinhança alegre e praticamente todos ali se conheciam. Santana caminhava sorrindo e acenando para alguns de seus vizinhos, até finalmente, virar para outra rua, na qual dava volta no quarteirão de sua casa. Ela não sabia bem para onde estava indo, mas tudo parecia se acalmar, conforme se distraída com as crianças que passavam por ela.

– Santana! – Uma das crianças a cumprimentava, abraçando suas pernas.

– Oh, hey, Rosie. – Santana cumprimentava a garotinha latina de sete anos que costumava cuidar algumas noites.

– Adivinha? – Rosie perguntava empolgada, se afastando.

– Não sei, o que houve?

– Meu dentinho caiu, Tana. Olha... – Rosie sorria, mostrando o dente que faltava em sua boca.

– Wow... Você já está se tornando uma mocinha, Rosie.

– Eu sei. Mama me falou a mesma coisa. E a fada do dente me deixou um dólar embaixo do meu travesseiro, Tana! – Rosie pulava, fazendo Santana rir.

– Sério? – Santana perguntava surpresa, brincando com Rosie. – A fada do dente costumava me visitar quando eu era criança.

– O que você fez com seu primeiro dólar da fada do dente, Tana? – Rosie perguntava interessada, e Santana parava um segundo para pensar.

– Mmm... Oh, quando eu era pequena, costumava ter um cofre em formato de panda e guardava todos os dólares e centavos que encontrava. Quando a fada do dente deu meu primeiro dólar coloquei dentro do meu cofre, porque queria comprar lápis e cadernos para desenhar. – Santana falava sorrindo e Rosie sorria adorável.

– Será que devo guardar meu dinheiro, Tana? – A garotinha perguntava.

– Bom, depende. Para que você guardaria? – Santana perguntava, e agora era Rosie quem ficava em silêncio, olhando fixamente para Santana.

– Ah! Já sei. Quero comprar uma bicicleta, Tana. – Rosie respondia. – Todos meus amigos têm, menos eu, e mama disse que não está podendo me comprar uma agora. Talvez se eu juntar dinheiro consiga comprar, certo? – A garotinha falava animada e Santana sorria, podendo se ver em Rosie naquela idade quando juntava dinheiro para ajudar seus pais. Cada dólar que ganhava, Santana guardava em seu cofre para poder comprar seus lápis e cadernos para seus talentosos desenhos.

– É uma ótima ideia, Rosie. Se você guardar cada dólar e centavo que ganhar, vai conseguia comprar sua bicicleta. – Santana sorria.

– Isso! Assim posso ajudar a mama.

– Exatamente. – Santana passava a mão pelo cabelo cacheado de Rosie. – Olha, preciso ir agora, está bem? Nos vemos depois. – Santana se abaixava, depositando um beijo na bochecha de Rosie.

– Nos vemos depois. Não some, Tana, porque eu fico com saudades. – Rosie gesticulava com seu dedinho, fazendo a latina rir.

– Pode deixar. Prometo que venho te visitar com mais frequência, e talvez, sua mãe a deixe passar a noite na minha casa? Podemos ver todos os filmes da Disney e comer muita pipoca. – Santana brincava, e os olhos de Rosie brilhavam.

– Sim! Eu ia adorar. Será que tia Maribel poderia fazer aquela torta deliciosa de morango? – Rosie perguntava, e era nítido ver o quanto a pequena ainda tinha seu sotaque enquanto falava inglês. Ela e sua mãe vieram para Lima, Ohio, quando Rosie já tinha cinco anos e falava fluentemente espanhol. Foi difícil para a pequena aprender inglês, e até hoje ainda se confunde. Foi apenas começar a estudar que a garotinha disparou com seu inglês, mas sem deixar seu sotaque para trás.

– Claro, que si. – Santana respondia em espanhol. — Le preguntaré a mi mamá para hacer su pastel de fresa preferido.

– Gracias, gracias, Tana! – Rosie pulava, sorrindo sem parar.

– Nos vemos depois, Rosie. – Santana acenava se afastando da garotinha.

– Até mais, Tana. – Rosie corria para dentro de sua casa.

Santana tinha um grande carinho pelas crianças de sua rua, e adorava o fato de que ela e sua família se davam bem com seus vizinhos. Santana já foi babá de algumas daquelas crianças, inclusive de Rosie, criando um carinho especial por aquela garotinha. Rosie tinha o dom de alegrar seu dia e Santana criou o hábito em tê-la como sua amiga e sempre passarem a tarde juntas vendo filmes. Acredite ou não, mas Rosie era muito madura e inteligente, surpreendendo Santana a cada dia.

Sem perceber, Santana se aproximava da casa de seus avós e sorria. A rua em que seus avós moravam era ainda melhor, era uma casa aconchegante na qual Santana sempre adorou.

A latina sabia que se sentiria melhor ficando com sua abuela, e não hesitou, sabendo que seria ali onde passaria o restante de sua tarde até seus pais chegarem. Ela precisava de algo para se distrair e nada melhor do que ter a companhia de sua abuela.

Xxxx

Assim que voltou para casa, Judy foi direto tomar banho e se lavar da rua para preparar um delicioso lanche da tarde, enquanto Quinn desaparecia para seu quarto. A garota queria conversar com Santana, mas não sabia como ou se deveria ou não enviar uma mensagem. A líder de torcida estava tão perdida que não sabia o que fazer.

Aquele beijo sem dúvidas a deixou... Pensativa, e por mais que quisesse pensar positivo, sabia que beijar garotas não era certo, e mesmo sentindo algo novo e certo daquele simples beijo, Quinn colocava em sua cabeça que tudo aquilo foi Santana agindo por impulso e que as duas ficariam bem, até porque, na cabeça de Fabray tudo não passou de um mal entendido.

– Quinn? – A porta de seu quarto se abriu lentamente.

– Mmm? – A garota saia de seu transe, encontrando Frances entrando em seu quarto e se sentando em sua cama.

– O que aconteceu? – Frances perguntava confusa. – Você está totalmente aérea desde quando acordou. Enquanto estávamos no shopping, você mal prestava atenção no que a mamãe falava. O que houve? Aconteceu alguma coisa? – Frances perguntava, fazendo Quinn desviar seu olhar para suas mãos, ficando em silêncio. – Hey, sis. Você sabe que pode conversar comigo sobre o que for.

– Eu sei... – Quinn sussurrava. – É só que... – A líder de torcida sabia que podia conversar sobre qualquer coisa com sua irmã, mas naquele momento, não fazia ideia por onde começar.

– Aconteceu alguma coisa no aniversário da Santana? – Frances perguntava suavemente.

– Mhm... – Quinn respondia.

– E o que foi? Você parece confusa e distraída, Quinn.

– Santana me beijou. – Quinn falou rapidamente, fazendo Frances arregalar os olhos.

– O que?

– Santana me beijou, Frannie, e... Eu não sei o que fazer. – Quinn falava desesperada, soltando um suspiro.

– Wow... Calma. – Frances sorria. – Santana te beijou? Você a beijou de volta? – Frannie perguntava, e Quinn apenas balançava a cabeça dizendo que não. – Ok... Não estou entendendo.

– Frances... Santana me beijou. Sabe o quanto isso pode atrapalhar nossa amizade? Se é que temos alguma. – Quinn falava frustrada, fechando seus olhos. – Isso só piora todas as minhas chances de me aproximar dela, e. –

– Espera. – Frannie a interrompia. – Por que raios isso atrapalharia no relacionamento de vocês? Por um acaso, você sente algo por ela?

– O que? – Quinn perguntava assustada. – Não. Frannie. Não. E-eu não sinto nada por ela.

– Então...

– O fato é que, você não a conhece. Parece que todo o obstáculo que aparece, ela faz questão de me afastar. Sinto como se ela fosse correr de mim agora todas as vezes que eu tentar me aproximar. E também... – Quinn pausava, olhando para suas mãos, e brincando com seus dedos. – E se... Frannie, e se ela sente algo por mim? Algo além de uma simples amizade? Eu não sinto a mesma coisa. Isso a machucaria, e quando ela descobrir que não sinto a mesma coisa, Santana vai se afastar e... –

– Quinn, se acalme. – Frances, falava suavemente, percebendo o quanto aquilo perturbava sua irmã. – Primeiro que você está colocando problemas onde talvez não tenha. Se você acha que o beijo vá prejudicar a amizade de vocês, é melhor conversarem. Você pelo visto precisa entender do porque ela te beijou, e acho que Santana merece saber a forma como você a vê. Mesmo ela dizendo que gosta de você dessa forma ou não, se você não está interessada, é bom dizer isso a ela, para que não haja nenhum mal entendido daqui para frente. – Quinn olhava atenta para sua irmã, e sabia que a mesma tinha razão. Ela sequer tinha conversado com Santana e já estava surtando daquela forma.

– Você tem razão. Nós precisamos conversar. – Quinn comentava. – Não quero que ela pense que quero algo mais. Quero dizer, isso jamais aconteceria, somos duas garotas e eu acho que... –

– Quinn! – Frances a interrompia novamente, franzindo o cenho. – Wow... Então o problema disso tudo é isso? O fato de vocês serem duas garotas? – Frances perguntava e Quinn a olhava confusa.

– Bom, sim Frannie. Você sabe o quanto é errado duas garotas se relacionarem. Nossos pais sempre nos disseram que isso é errado. Não fomos criados para isso e. –

– Meu Deus. – Frannie revirava os olhos, se aproximando de sua irmã e olhando intensamente nos olhos da mesma. – Lucy, presta bem atenção no que vou te dizer, está bem? – A irmã de Quinn perguntava, e a garota assentia, sem tirar os olhos da irmã. – Não importa o que nossos pais nos disseram. Não fomos criadas para namorarmos com garotos. Fomos criadas para namorarmos quem amamos. Não importa quem são. Claro que nossos pais são completamente estúpidos, e tem a cabeça pequena, porque querem apenas causarem uma boa impressão da família, mas nós? Eu e você? Nós não somos como eles, Lucy Q. Somos espertas. Temos a cabeça no lugar. O coração não escolhe o sexo, Quinn. Ele escolhe a pessoa em si. Não deixe nossos pais te influenciarem. Eu sei que você é nova e precisa deles, mas não os deixe te influenciar dessa forma, sissy. Você tem a mim, e tenho certeza que a vovó te diria o mesmo. – Frannie falava carinhosa, e Quinn sentia seus olhos encherem de lágrimas.

Seus pais sempre foram muito rígidos e seguiam regras e crenças na qual faziam questão de passar isso para suas filhas mostrando o certo e o errado. Mostrando o que tinha de hipocrisia no mundo. Mas Frannie sabia que não era daquela forma. Sua própria avó, mãe de Russel, sempre teve uma cabeça na qual deixava suas netas serem livres, pensando e fazendo o que quisessem. Sabia o quanto seu filho e Judy exageravam, e muitas vezes “consertava” as netas mostrando que nem tudo era errado, e sim, Russel e Judy querendo ser a família perfeita. A família que não tem erros e segue suas crenças ao pé da linha.

Quinn sabia o quanto podia enlouquecer com seus pais, mas junto com sua irmã tinha a cabeça no lugar, mas nem sempre conseguia se livrar das lições de seus pais.

– Se no futuro, for uma garota que te fizer feliz... – Frances continuava, passando seu polegar sobre o rosto de Quinn. – Seja feliz, Lucy Q. Você nunca vai estar sozinha, porque nunca vou te abandonar. Você vai sempre poder contar comigo. – Frannie sorria carinhosa, depositando um beijo contra a testa de sua irmã.

Quinn sentia seu coração apertando. Por alguma razão, ela sentia como se sua irmã estivesse certa, mas estava difícil aceitar esse tipo de coisa com tanta facilidade. Era um assunto delicado no qual ela nunca teve abertura para conversar com seus pais diretamente. Tudo o que ambos lhe ensinavam era que ser gay era errado. Quinn não sabia do porque sua irmã estava lhe falando aquilo, mas não podia negar que a deixou mais calma. Talvez ouvindo essas palavras de sua avó também a ajudaria lidar melhor com a situação com Santana.

Apesar de querer levar tudo isso tranquilamente, Quinn sabia que não tinha interesses em Santana daquela forma, mas se preocupava com o que faria caso a latina se declarasse. A líder de torcida tinha medo da reação de Santana quando descobrisse que Quinn não sentia o mesmo, e que tudo era apenas amizade.

Ugh! Isso é tão confuso. Quinn pensava, respirando fundo, e sem dizer nada, apenas se ajeitou na cama, deitando sua cabeça no colo de sua irmã.

Ela sequer sabia do porque estava pensando tanto sobre aquilo. Afinal, ela não tinha conversado com Santana, e não sabia do porque a latinha tinha lhe beijado. Talvez tenha acontecido pelo calor da emoção. Pelo o momento em que estavam e não significou nada.

Claro, aquilo não significou nada. Santana agiu sem pensar pelo calor da emoção e foi por isso que ela teve seu ataque de pânico. Quinn pensou, fechando seus olhos, tentando esfriar sua cabeça pela primeira vez naquele dia.

– E posso dizer mais uma coisa? – Frances perguntava, enquanto passava seus dedos pelos cabelos de sua irmã caçula. – Fico muito, mas muito feliz que você tenha se afastado da Kitty. Ela sempre me pareceu muito controladora. Mimada. Enjoada, e os ciúmes dela por causa da Brittany eram ridículos. Nunca entendi do porque ela ser tão possessiva com você. – Frannie comentava. – Até quando eu, que sou sua irmã, tentava brincar com você, ela te tirava de mim.

– Ela era mesmo um pouco controladora. – Quinn sussurrava, ainda de olhos fechados.

– Um pouco? Lucy Q, ela era a garotinha mais controladora que já conheci. – Frances revirava os olhos, e Quinn ria baixo. – Fico feliz por você ter Brittany. Ela é inocente e tem um coração muito puro. Ela sem dúvidas é a melhor garota para se ter como melhor amiga. E, posso não conhecer a Santana, mas pelo o que você me fala, também tenho certeza que vocês seriam ótimas amigas. – Frannie sussurrava, e Quinn abria um sorriso suave.

– Obrigada, Frances. – Quinn falava carinhosa. – Obrigada por cuidar de mim. Eu estava tão desesperada e confusa. Estava com medo de perder a chance que tinha de me tornar amiga da Santana. Ela é uma garota muito especial, Fran. Ela é tão linda, tanto por dentro como por fora e realmente quero me aproximar dela. É muito dolorido ver a forma como a tratam, sabe? Como se ela fosse uma ninguém. Mas eu sei que um dia, Santana Lopez irá mudar o mundo. – Frannie sorria ao ver o modo como sua irmã falava da latina. – Ela parece ter alguns traumas do passado talvez, mas ela é especial. Quero descobrir tudo sobre ela para poder ajuda-la. Quero mostrar que vou ficar do seu lado e que nossa amizade pode ser real. – Quinn falava suavemente, fazendo Frances revirar os olhos.

– Oh, Lucy... Tenho certeza que ela também vá te fazer abrir os olhos. – Frances soltava uma risada baixa, depositando um beijo contra a bochecha de sua irmã.

Xxxx

Enquanto ajuda sua abuela preparar o jantar, Santana cantava animada, cortando as cenouras que colocaria na carne assada que preparava.

(...) Camino en un desierto cuando tú te vas

No sé si es un espejusmo, te siento tan real, baby

Quiero volverte a ver

Para calmar mi sed

Un dia sin tí es como un año sin ver llover.

Si escapas otra vez

No sobreviviré

Un dia sin tí es como un año sin ver llover.

A latina cantava uma versão espanhol da música de Selena Gomez. Raramente Santana cantava em espanhol, mas por alguma razão, aquela música era a que surgia em sua cabeça enquanto ajudava sua abuela, que sorria ao ouvir a voz linda de sua neta.

Cantando estrelas

Oigo en mi mente tu voz

Oyes tú la mía?

Mi corázon esta sufriendo la soledad

Soy un desorden

Camino en hojas secas si no estás aqui, en mi vida

Regresa, que un diluvio lloraré por ti, oh baby.

– Wow, mijá. – Carlos aparecia na cozinha, fazendo Santana olhá-lo, parando de cantar. – Você sabe que tem uma ótima voz, não sabe? – Carlos perguntava, fazendo sua neta rir.

– Mm... Não, mas gracias, abuelo. – Santana jogava as cenouras picadas dentro da panela.

– Você deveria entrar para o grupo do coral no seu colégio. – Carlos comentava. – Sei que provavelmente deve existir um, certo? No meu tempo existia.

– A muitos, e muitos anos atrás. – Alma brincava, fazendo Santana rir.

– Si, si abuelito, existe um.

– E posso saber do porque a senhorita ainda não entrou? – Alma se virava, sua atenção toda para Santana.

– Bom, porque não sei se seria uma boa ideia? – Santana franzia o nariz.

– Pequeña, em minha opinião você deveria tentar. Seria uma ótima forma para você se aproximar e conhecer novas pessoas. – Carlos falava carinhoso.

– Seu abuelo tem razão. Você deveria tentar. Tenho certeza que você vai ser aceita e vai se aproximar de muitas pessoas. – Alma falava carinhosa, e Santana sorria suavemente.

– Bom, uma das garotas que foram me visitar no hospital, me convidou para conhecer o clube do coral. – Santana falava suavemente. – Parece que é um grupo de amigos, e uma das garotas, Rachel Berry, disse que se eu quisesse conhecer não teria problema algum em participar da aula algum dia e se eu gostasse, poderia fazer um teste para entrar para o glee clube.

– Isso é ótimo! – Carlos falava animado.

– E você já participou de alguma aula? – Alma perguntava.

– Não. Ainda não.

– Você deveria tentar. – Carlos incentivava sua neta.

– Prometo que vou pensar sobre isso, está bem? – Santana sorria para seu abuelo. – Talvez na segunda-feira eu converse com a Rachel. Acho que não teria mal algum em assistir uma aula? – Santana encolhia seus ombros e seus avós sorriam animados.

– Isso! Vai ser ótimo para você, pequeña. – Carlos levantava seus dois polegares com sinal de positivo.

– Prometo que pensarei sobre isso. – Santana repetia e seu abuelo saia animado da cozinha, deixando-a sozinha com sua abuela.

– Agora que estamos sozinhas... – Alma falava suavemente, se aproximando de Santana. – Vai me contar do porque a senhorita está com essa cara?

– Que cara? – Santana perguntava confusa.

– Essa cara de quem foi abandonada... – Alma gesticulava, apontando para o rosto da neta, e a mesma agora olhava para o restante da cenoura que sobrou no prato. – Vamos, não tente me enganar. O que houve? – Santana sabia que sua abuela não a deixaria em paz enquanto não descobrisse o que estava acontecendo.

– Abuela, eu fiz uma grande burrada na noite passada. – Santana respirava fundo, se virando para encontrar o olhar curioso de sua abuela. – E-eu beijei a Quinn.

– Você o que? – Alma perguntava surpresa.

– Aconteceu de repente, abuela. Nós estávamos conversando a sós, quando a tia Eva levou Brittany do meu quarto. E aí ela estava ali, na minha frente. Falando coisas carinhosas e eu a beijei.

– Oh então presumo que tenha sido por causa disso que você teve seu ataque de pânico.

– Foi. – Santana sussurrava. – No momento em que a beijei tudo pareceu desligar por alguns segundos, abuela, e foi muito bom. – A latina sorria suavemente. – Os lábios dela eram tão macios e por aquele segundo, tudo parecia tão certo, mas quando minha cabeça ligou. Percebi o que estava fazendo e o quanto Quinn parecia em choque na minha frente. Tudo começou a me apavorar, porque eu sei que agora minhas chances de me aproximar dela acabou, abuela. Quinn é e sempre vai ser hetero. Na minha cabeça planejava em fazê-la se apaixonar por mim, mesmo sabendo que tinha grandes chances disso nunca acontecer, sabe? – Santana falava suavemente, sentindo seu peito apertando ao se lembrar da noite passada. – Mas agora abuela, ela nunca mais vai querer falar comigo. Eu a afastei, e tenho certeza que ela está me odiando agora. Fui tão burra. Como eu pude fazer isso? Quando percebi o que tinha feito, entrei em pânico, porque eu sabia que naquele momento, tinha perdido todas as minhas chances de tê-la pra mim, abuela. – A latina passava a mão no rosto, ao perceber que uma lágrima escorria por sua bochecha.

– Mijá... – Alma falava carinhosa, e Santana encolhia seus ombros, começando a chorar em silêncio.

– Eu a perdi, abuela. Ela nunca mais vai querer me ver ou ser minha amiga. Não sei nem como vou encará-la daqui pra frente. – Santana respirava fundo. – Ainda corro um grande risco de ela resolver espalhar para todo o colégio sobre o que aconteceu e aí. –

– Não. – Alma a interrompia. – Santana, nada do que aconteceu no passado, vai acontecer novamente. Pelo o que conheci de Quinn, ela me pareceu uma garota central, e creio que ela não contaria isso para te prejudicar. – Alma falava carinhosa, percebendo o quanto sua neta sofria. – Mijá, você sequer sabe como Quinn está se sentindo nesse momento. Talvez tudo isso seja coisa da sua cabeça. Você precisa falar com ela e explicar tudo o que aconteceu. Talvez seja a hora de ela descobrir o que você sente.

– Não, abuela. E-ela não pode saber disso agora. – Santana falava assustada.

– Santana...

– Não. Se Quinn descobrir o quanto sou apaixonada por ela, corre o risco de ela se afastar e não quero perde-la, abuela.

– Sei que não, mas ela precisa de uma explicação. – Alma comentava, e Santana revirava os olhos. Ela sabia que precisava conversar com Quinn, mas todos esqueciam o quão teimosa a mesma era.

Santana não tinha cabeç, ou cara para encontrar Quinn. Ela não sabia o que dizer e estava com medo.

– Podemos, por favor, esquecer esse assunto? – Santana passava suas mãos furiosas sobre seu rosto, começando a limpar a mesa.

– Santana

– Abuela, por favor? – Santana engolia seu choro, pedindo suavemente para sua abuela.

– Claro, mi amor. Vamos preparar o jantar, porque seu pai e sua tia devem estar chegando. – Alma falava calmamente, mas seus olhos preocupados temiam pela felicidade de Santana, que desde quando acordou, estava fazendo o possível para esquecer a noite passada. Tudo lhe machucava. Cada detalhe da noite do seu aniversário lhe machucava e ela queria esquecer.

Santana não sabia o que os próximos dias lhe trariam, mas naquele momento, ela apenas queria que sua mente não pensasse em Quinn pelo menos por uma vez. Que seu coração parasse de doer, porque lá dentro, ela sabia que tinha perdido a líder de torcida e que teria que se conformar com isso. Mesmo que fosse difícil e que sua mãe e sua abuela tivesse razão, Santana estava com medo de tantas coisas, que sequer conseguia ser positiva sobre isso. Ela já tinha perdido tanto em sua vida, que não sabia mais o que era ser positiva. Talvez ela falaria com Quinn, mas até perder o medo, Santana faria o que sempre fez de melhor. Ser invisível.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim!!! Confesso que estou MEGA empolgada com as coisas que vão acontecer nessa história. Como eu já avisei nas notas da história, são muitos dramas, e eu sou apaixonada por dramas. Espero que todos tenham a mesma paixão que eu, e sejam pacientes para ver coisas boas acontecendo, porque gente... Minha mente parece que vai explodir quando começo a pensar sobre hurricane, hahaha.Me empolgo!! Obrigada a todos que acompanham e obrigada leitora HeyaForever pela recomendação! :) Me desculpem pelos meus erros gramáticas, ortográficos e etc. Não sou escritora profissional, mas juro que faço o possível para tudo sair perfeito seguindo o meu conhecimento. Review? xxxxxxxx