Hurricane

11 Do you like me?


Notas iniciais
Oieeeeeee, capítulo novo de hurricane!! Espero que gostem, meus amores. xxx

Tudo o que ela sentia era dor. Suas costas doíam por ter sida jogada fortemente contra os armários, sua cabeça parecia ter sido atingida por um enorme pedaço de tijolo por ter batido com tanta violência contra o metal dos armários. Suas pernas estavam fracas e doloridas pela forma que caiu no chão. Seu rosto estava coberto de slushies vermelhas e azuis. Seus olhos ardiam com o gelado do slushie misturado com as lágrimas que caiam intensamente sobre suas bochechas. Seu choro saia dolorido. A dor da humilhação. Do bullying que estava sofrendo por dias. A dor de ser zombada pelo fato de apenas querer ser uma garota normal. Essa era a dor que Santana Lopez sentia naquele exato momento. E não era só aquilo que a fazia chorar com tanta intensidade.

Enquanto estava sentada no chão, seus livros estavam jogados a sua volta, sujos de slushie. Seus desenhos foram rasgados de seu caderno, sendo picados em milhões de pedaços e jogados ao chão. Ela podia ver nos olhos de todos, o quanto tinham se divertido com aquilo. Alguns riam sem parar, outros ficavam apenas em silêncio com medo de se aproximarem e ajuda-la. Os jogadores de futebol e algumas das líderes de torcida que provocaram o incidente a frente, riam enquanto a chamavam de perdedora e lésbica. Ela podia jurar que ouviu alguém lhe dizendo para que voltasse do buraco onde saiu.

Seu coração apertava e Santana queria sair correndo dali, mas sequer conseguia levantar. Era como se estivesse presa no chão, com todos caçoando de sua cara. Eles não sabiam o quanto aquilo lhe machucava. O quanto aquilo a fazia querer desaparecer da vida de todo mundo. Eles não sabiam o quão frágil ela era. Suas lágrimas e sua dor parecia não ter fim, e quando achou que seria impossível sentir algo pior, foi naquele momento em que Santana pela primeira vez viu a garota que fez da sua vida um inferno. Marley Rose. Ela estava com os braços cruzados a olhando com uma expressão fria. Marley não parecia sentir pena alguma a ponto de ajuda-la ou pedir que aqueles alunos idiotas calassem a boca.

Ao ver Marley, sua respiração começava a falhar e ela sabia o que estava por vir. Seu ataque de pânico não lhe deu tempo para reagir, seus pulmões rapidamente se fecharam e tudo lhe sufocava. A dor por todo seu corpo, seu coração, as palavras pelo qual a xingavam. Tudo a fazia querer morrer e talvez seu ataque de pânico tenha começado para lhe ajudar. Por que ela não me ajuda? Marley sabe do meu ataque de pânico, por que ela não me ajuda? A latina pensava magoada ao ver que Marley sequer saia do seu lugar.

Ela sentia como se seu coração estivesse sendo esmagado por um trator. Seu peito doía como se algo de dentro dela estivesse sendo arrancado. Sua cabeça parecia que estava a pontos de explodir com a dor pesada que sentia. Sua respiração não saia sequer quando inspirava. Tudo estava destruído. Emocionalmente e fisicamente. Ela queria que alguém lhe salvasse. Santana queria que qualquer um aparecesse e a tirasse dali. Ela pensava em Quinn. Por que Quinn não estava ali para ajuda-la e só Marley era a única que presenciava tudo isso? Quinn jurou que ficaria ao seu lado e que tomaria conta de Santana, por que raios ela não estava ali? O colégio inteiro está aqui.

Eu não posso respirar. Preciso levantar. Preciso ir embora. Santana pensava, levando sua mão para o seu peito desesperada por não conseguir respirar. As lágrimas continuavam caindo como se não tivessem fim. Ela tentava se mexer no intuito de se apoiar para levantar, mas suas costas a machucava. Eu quero a minha mami. Ela pensava como uma criança, mas sequer se importava com isso. Santana precisava de Maribel. De Alejandro, ela sempre se sentia a salvo com seus pais, e sabia que se ninguém a socorresse naquele momento, ela desmaiaria.

– Santana? – Uma voz ecoava no fundo do corredor a sua direita. – Santana? – A voz estava distante, e a garota tentava se levantar para ir de encontro a pessoa que lhe chamava, mas parecia impossível se mexer. – SANTANA! – Conforme a voz ia se aproximando, a latina podia reconhecê-la. – Santana! Santana! Oh céus. Santana? – A voz gritava desesperada por seu nome e a latina reconheceu. Era sua mãe. Maribel a chamava enquanto parecia correr de encontro à filha. – SANTANA!

E com o último grito desesperado de sua mãe, Santana abriu seus olhos, se sentando brutalmente em sua cama. Sua mãe e seu pai estavam ao seu lado, nitidamente preocupados e assustados. Santana tinha suor por toda sua testa e seu corpo e podia notar que apesar de ter tido um terrível pesadelo, seu ataque de pânico era real.

A latina levou as mãos sobre seu peito na tentativa de respirar e logo sua mãe se sentou por trás dela, lhe fazendo encostar a cabeça contra ombro, passando a mão na testa de Santana e tirando a blusa da filha, deixando-a apenas com seu top esportivo.

– Mijá, oh céus, respira, mi amor. – Maribel passava a mão sobre a testa da filha, enquanto Alejandro ia as pressas buscar um copo com água.

– Mama, e-eles... – Santana falava enquanto respirava fundo e continuava chorando exatamente como em seu sonho. – E-eles r-rasgaram m-meus desenhos. – A latina falava como uma voz frágil e Maribel depositava um beijo contra a cabeça da mesma, sentindo uma lágrima escorrer por sua bochecha.

– Sh, mi princesa. – Maribel falava carinhosa, tentando acalmar sua filha. – Foi só um sonho. Não vou deixar que ninguém mais rasgue seus desenhos. – Maribel chorava em silêncio.

– E-ela... Mama, f-foi ela. – Santana chorava, se encolhendo contra sua mãe.

– Ela não vai mais te fazer mal, mijá. Por favor, tenta se concentrar em sua respiração.

– Santana. – A voz grossa de Alejandro ecoava no quarto e o mesmo se sentava na cama, ao lado da filha. – Olha pra mim. – O pai da garota, falava firme e Santana agora o olhava. – Toma um gole dessa água, e você vai se acalmar. Precisa se concentrar em sua respiração. Foi só um sonho, princesa, ninguém vai se aproximar de você. Não vamos deixar que isso aconteça. – Alejandro lhe entregou o copo, e Santana o segurou com suas duas mãos tomando um pequeno gole da água. – Sei que você não gosta de tomar seu remédio, mas se não se concentrar na sua respiração, você vai precisar toma-lo. – Alejandro falava carinhoso e Santana apenas assentiu, fechando seus olhos, deitando sua cabeça novamente no peito de sua mãe e tentando se concentrar em sua respiração ao parar de chorar.

Após alguns minutos, Santana já estava mais calma e já tinha parado de chorar. Sua respiração não tinha voltado 100% ao normal, mas estava boa o suficiente para que ela pudesse sentir seu corpo relaxando.

– E então, você quer nos contar o que aconteceu? – Alejandro perguntava, segurando na mão de sua filha, mas Santana apenas balançou a cabeça dizendo que não.

– Mijá, nós sabemos que esse não é o seu primeiro pesadelo. Você sofreu com eles por meses depois que todo o incidente aconteceu. Achei que essa fase tinha acabado. – Maribel ainda tinha Santana deitada contra seu peito e assim como sua filha, já tinha parado de chorar. – Esse foi como os outros? – A mãe de Santana perguntava suavemente.

– Não. – A latina respondia com a voz fraca. – E-eles estavam todos rindo, mama. M-meus desenhos estavam todos rasgados jogados pelo chão, e ninguém apareceu para me socorrer, mama. – Santana voltava a chorar, mas respirou fundo. – Eu estava coberta de slushies e me jogaram contra os armários como sempre faziam, e... Ela estava lá. Marley estava olhando pra mim, mas ela não me ajudava. – A latina pausava, fechando seus olhos e sua mãe a abraçava com força.

– Sh, mi amor, tudo bem. Não precisa nos contar se não quiser. – Maribel olhava para Alejandro e ambos podiam ver um nos olhos do outro o quanto não confiavam em deixar Santana sozinha. Alguns anos atrás, Maribel e Alejandro sempre a levavam para dormir em sua cama quando a mesma chorava e acordava gritando de seus pesadelos. Eles não se importavam se ela já era uma adolescente, Santana continuava a bebê deles, e ambos fariam o que fosse necessário para cuidar dela. – O que acha de voltarmos aos velhos tempos e a senhorita ir dormir conosco? – Santana olhou para sua mãe e em seguida para seu pai. Ela não tinha certeza se realmente queria ir dormir com eles, até porque, ela não tinha mais idade para isso, mas ao pensar em seu pesadelo, seu coração disparava novamente e ela sabia que só conseguiria dormir tranquila junto de seus pais. Talvez se sua tia estivesse aqui ao invés de ter escolhido em passar a noite com Jamie, Santana poderia ter dormido com ela e sem dúvidas também teria se sentindo segura.

Sem dizer nada, Santana apenas assentiu e com ajuda de seus pais, se levantou da cama, pegando a blusa de seu pijama e a vestindo enquanto saia do quarto e sua mãe levava seu travesseiro.

Xxxx

Na manhã seguinte, Santana abria seus olhos suavemente, abrindo seus braços para se espreguiçar, percebendo que estava sozinha na cama de seus pais. A garota podia sentir o quanto estava relaxada e o quanto tinha dormido bem após ter mudado de quarto. Era difícil dormir com seus pais não sendo mais uma criança, mas o efeito continuava o mesmo.

A latina se levantou, prendendo seu cabelo em um rabo de cavalo, saindo do quarto de seus pais e podendo ouvi-los conversando da cozinha.

– Bom dia. – Santana falava sonolenta se aproximando de seu pai que estava sentado em uma das cadeiras e se sentou em uma de suas pernas, deitando a cabeça no ombro do mesmo e passando seus braços em volta de seu pescoço.

– Oh, bom dia, princesa. – Alejandro sorria, depositando um beijo na testa da filha. – Dormiu bem?

– Mhm. – Santana murmurava, fechando seus olhos. Já que dormiu com seus pais, nada mais justo do que matar saudades do seu tempo de criança naquela manhã.

– Bom, mi amor, preparei um delicioso café da manhã para você e seu pai. – Maribel falava carinhosa, colocando as panquecas em cima da mesma. – O suco está na geladeira e, por favor, não se esqueçam de colocar o lixo para fora antes de saírem.

– Mama... – Santana levantava sua cabeça, olhando para sua mãe. – Você já está indo trabalhar?

– Estou.

– Mas, está cedo e você sempre entra no restaurante às nove horas. – Santana fazia um bico adorável e Maribel se aproximou depositando um beijo demorado em sua bochecha e outro selinho em Alejandro.

– Eu sei, mijá, mas hoje temos uma reunião sobre os novos pratos dessa semana e preciso estar lá. Se precisar de alguma coisa é só me ligar, está bem? – Maribel colocava seu casaco, pegando as chaves de seu carro e sua bolsa. – Beijos meus amores, amo vocês.

– Te amo! – Alejandro e Santana respondiam juntos e podiam ouvir a porta da frente se fechando.

– Toma o seu café e depois se arrume, porque vou te deixar no colégio. – Alejandro depositava um beijo na bochecha da filha, antes da mesma se levantar, se sentando na cadeira ao lado.

– Onde está tia Eva? Achei que ela estaria aqui de manhã. – Santana perguntava, enquanto colocava mel em sua panqueca.

– Pelo o que sei, ela e Jamie saíram para jantar na noite passada.

– Será que eles foram relembrar os velhos tempos? – Santana brincava, fazendo seu pai rir.

– Sinceramente, mijá, não sei. E é difícil dizer se quero realmente que isso aconteça ou não. – Alejandro dava um gole em seu café.

– Por que?

– Como tinha dito antes, sua tia sofreu muito quando foi para a faculdade, e Jamie também. Nunca soube que eles se amavam com tanta intensidade e sempre achei que acabaria em poucos dias, mas quando vi meu melhor amigo sofrendo e minha irmã caçula me ligando aos prantos por causa da separação, percebi quanto se gostavam, mas ambos sofreram demais e não sei se estão prontos para enfrentarem outra decepção. – Alejandro falava suavemente e Santana o olhava enquanto comia sua panqueca. – Eva continua a mesma. Ela não largaria sua profissão em Nova York para voltar e morar em Lima. Jamie provavelmente também não sairia daqui. Ambos continuam orgulhosos, não sei se dariam certo dessa vez.

– Talvez por estarem mais amadurecidos saibam o que fazer dessa vez, papi. – Santana respondia. – Eles sabem onde estão se metendo, talvez eles possam ter uma visão do futuro que nós não temos para eles. – A latina dava de ombros, e Alejandro ficava em silêncio por alguns segundos.

– É, você tem razão, mas mesmo assim não consigo deixar de me preocupar.

– Claro, porque esse é você, papai. Sempre se preocupando com aqueles que ama. – Santana sorria e Alejandro podia sentir seu coração disparar com o carinho da filha.

Xxxx

– Bom dia. – Quinn entrava na cozinha de sua casa, após tomar seu banho naquela manhã e vestir seu uniforme das Cheerios. Seu pai estava sentado na ponta da mesa, enquanto sua mãe terminava de servi-los e sua irmã estava sentada tomando sua xícara de café.

– Bom dia, Lucy. – Russel respondia, sem tirar os olhos de seu jornal.

– Bom dia, querida. Sente-se, preparei um pouco de bacon para você. – Judy falava sorrindo e ao ouvir a palavra bacon, Quinn rapidamente se sentou ao lado de sua irmã.

Desde o momento em que acordou, tudo o que passava na cabeça de Quinn era como a líder de torcida se aproximaria de Santana sem assustá-la.

Desde o incidente no aniversário da latina, ambas não tinha tido a oportunidade de conversarem, e Quinn não conseguia parar de pensar no beijo. Apesar de ter sido algo simples e rápido que lhe pegou completamente de surpresa, sempre que pensava naquilo, podia sentir seu coração reagindo de uma forma diferente. Como se o mesmo quisesse lhe dizer algo no qual ela não conseguia ver. Mas a cima de tudo, Quinn sentia medo de perder Santana. De perder a chance de se aproximar da latina, e com ajuda de sua irmã e Brittany conseguiu se tranquilizar e pensar que quando encontrasse Santana essa manhã no colégio, conversaria com a mesma e tudo ficaria bem. Claro, Quinn colocou em sua cabeça que tudo vai ficar bem.

O silêncio naquela manhã era tedioso. Quinn e Frances odiavam o fato de Russel e Judy nunca agirem como pais normais e demonstrar um pouco de interesse e carinho que fosse por suas filhas. Ambos tomavam seu café em silêncio. Russel com o nariz colado em seu jornal, enquanto Judy apenas ficava em silêncio. Ela sem dúvidas era a dona de casa e esposa perfeita para Russel Fabray, ao contrário de suas filhas que não tinha sequer qualquer personalidade de seus pais.

Frances revirou os olhos, largando sua xícara de café e olhando para sua irmã, que assim como ela, estava entediada logo pela manhã.

– Vamos, Lucy. – Frances limpava sua boca com o guardanapo, se levantando, fazendo Russel tirar sua atenção do jornal e olhá-las.

– Para onde vão? – Russel perguntava.

– Colégio? – Frances rebatia. – Nós temos aula todos os dias de manhã, caso o senhor ainda não tenha percebido.

– Francesca! – Judy repreendia a filha, e Quinn ficava em silêncio ao lado da irmã, sem saber o que fazer.

– Me desculpe, está bem? É que todas as manhãs é a mesma coisa. Eu e Quinn descemos juntas para tomarmos um café em família, e isso sequer é um café em família. – Frances continuava respondendo. – O senhor fica com a cara enfiada nesse jornal e a mamãe apenas nos ignora como se não estivéssemos aqui. Eu e Quinn temos medo de conversar, porque parece que a qualquer momento o papai vai gritar conosco. Compensa muito mais tomarmos café no caminho para o colégio, onde nossos amigos sem dúvidas nos daria uma manhã mais animada do que a nossa própria família. Se é que isso é realmente uma família. – Frances era a única quem tinha coragem de ser aberta com seus pais, não era atoa que a mesma sempre passava por cima deles e defendia sua irmã.

Sem esperar uma resposta de seus pais, Frances segurou na mão de sua irmã e ambas pegaram suas coisas, saindo de casa direto para o carro de Frannie.

– Wow... – Quinn falava assim que fechava a porta do carro. – Finalmente. Achei que eles nunca perceberiam o quão ridículo são nossas manhãs em “família”.

– Lucy, o modo como eles agem em “família” é irritante. – Frances dava partida em seu carro, começando a fazer seu caminho para fora da garagem. – Papai sempre age como um pai perfeito quando estamos fora de casa, ou quando temos visitas. Isso é ridículo, não vejo a hora de o ano acabar para ir morar em Nova York.

– Eu vou sentir sua falta. – Quinn falava suavemente, olhando para seus dedos. – Vai ser difícil não ter você por perto. – A líder de torcida sempre foi apegada a irmã, e imaginar a mesma saindo de casa a deixava assustada e triste ao mesmo tempo.

– Hey, prometo que farei o possível para te visitar, aliás, não estarei longe daqui, Lucy. Você vai poder me visitar sempre que quiser. – Frances falava carinhosa, segurando na mão de sua irmã que apenas assentiu. Quinn odiava falar sobre esse assunto. A mudança de sua irmã era real demais quando conversavam sobre isso. – Você está preparada para encontrar Santana? – Frances mudava de assunto.

– Acho que sim. Tenho tanta coisa a dizer, Frann, mas é difícil não sentir medo de ela fugir, sabe? – Quinn falava suavemente e Frances podia notar a mudança no tom de voz da irmã.

– Lucy Quinn, ela não vai fugir de você. Tenho certeza que Santana vai te ouvir e depois que disser tudo o que precisa vocês vão ficar bem. – Frances sorriu suavemente e mesmo se forçando a acreditar nisso, Quinn apenas assentiu, esperando de coração que sua irmã estivesse certa. A líder de torcida não via a hora de finalmente poder ver Santana.

Xxxx

– Mijá, você está bem? – Alejandro perguntava, enquanto levava Santana para o colégio.

– Mm? – A garota tirava sua atenção do zíper de sua bolsa, olhando distraída para seu pai.

– Perguntei se você está bem.

– Ah, sim, papi. E-eu estou bem. Só um pouco nervosa. – Santana abria um meio sorriso, olhando agora para as árvores e casas que passavam por fora da janela.

A verdade é que desde que saíram de casa naquela manhã, Santana se lembrava de que teria grandes chances em encontrar Quinn, e ela não fazia ideia de como enfrentaria a líder de torcida. A latina pensou em várias desculpas para o beijo, mas nada parecia ser convincente. Como explicar um impulso como aquele? Santana não podia sequer usar álcool como desculpa, porque ela não bebe e Quinn viu que naquela noite nenhuma delas ingeriu álcool. Tudo era tão frustrante que Santana pensou em até fazer o que sempre fez de melhor. Se esconder. Fugir. Mas do que adiantaria fugir no colégio se fora dali, Quinn tinha livre acesso para procurar Santana?

Tantas coisas passavam pela cabeça da latina, que sequer notou que seu pai estava estacionado a mais de um minuto em frente seu colégio apenas a observando cuidadosamente.

– Princesa? – Alejandro falava suavemente, fazendo Santana olhá-lo. – Nós chegamos. – A latina voltou a olhar para a janela, encontrando alguns alunos no gramado a espera do primeiro sinal.

– Oh, não vi que já estávamos aqui. – Santana respondia, colocando sua bolsa que tinha ganhado dos seus avós no ombro. – Gracias pela carona, papi. Nos vemos mais tarde. – A latina se aproximou depositando um beijo na bochecha de seu pai, mas antes de sair do carro, o mesmo segurou carinhosamente seu pulso a fazendo olhá-lo. – Pai, prometo que estou bem.

– Você sabe que se precisa conversar, vou estar bem aqui.

– Eu sei. Te amo. – Santana sorriu e Alejandro a deixou ir.

Enquanto caminhava até a entrada do colégio, Santana ajeitava seus óculos, fechando sua blusa de frio e ignorando os olhares de desprezo que sempre recebia todas as vezes que passava por alguma líder de torcida ou um jogador de futebol.

Seu estômago revirava a cada curva que fazia pelos corredores, ou a cada escada que descia com medo de trombar com Quinn. Ela ainda não estava preparada para enfrenta-la. Sem contar que fugir da líder de torcida seria difícil, até porque, naquele dia, ambas tinham duas aulas juntas. Mesmo sabendo que Quinn não a questionaria na aula, Santana tinha certeza de que quando o sinal tocasse a líder de torcida não a deixaria ir.

Santana estava em seu armário pegando um de seus livros, quando sentiu alguém lhe cutucando suavemente em um de seus ombros. A latina fechou seus olhos, sentindo suas mãos tremerem. Ela não estava preparada para ver Quinn naquele momento, e antes de se virar, repetia o mantra em sua cabeça. Não seja a Quinn. Não seja a Quinn.

– Oh, Hey Rach. – Santana respirava fundo, ao ver que Rachel era quem lhe cutucou.

– Olá Santana, como vai? – A morena sorria simpática.

– Bem, obrigada, e você?

– Estou bem, obrigada. Sei que devo estar lhe perturbando com a ideia de você se juntar ao glee clube, mas estava pensando se talvez você não queira participar de uma de nossas reuniões hoje depois da aula. – Rachel falava rapidamente, fazendo Santana se perder por alguns segundos. – Você realmente não precisa cantar ou fazer sua audição hoje, mas seria bom se pudesse aparecer. Eu e Mercedes falamos de você para o sr Schue e não só ele, mas todos os membros do glee ficaram empolgados em recebe-la e. –

– Rachel! – Santana a interrompia. – Tudo bem, depois da aula apareço na sala do coral. – A latina sorria e foi surpreendida com os braços de Rachel lhe abraçando.

– Eles vão ficar tão animados! – Rachel falava animada, fazendo Santana rir.

– Imagino. – A latina respondia, e agora Rachel se afastava.

– Então nos vemos depois.

– Claro, nos vemos depois. – Santana sorriu e esperava Rachel se despedir para voltar sua atenção ao seu armário.

Enquanto de longe, Quinn estava encostada em uma das pilastras próximo a escada observando Santana. Ver Rachel abraça-la lhe causou uma sensação diferente e estranha. A líder de torcida sabia que Santana não tinha amigos além dela e Brittany, e ver a intimidade de Rachel com Santana tão repentina não lhe agradava tanto como ela imaginava, afinal, Quinn deveria ficar feliz em ver a latina se dando bem com outras pessoas, certo? Santana precisa de amigos, e Quinn não tem o porque sentir esse sentimento... Estranho.

Quinn estava ansiosa para finalmente conseguir conversar com Santana, e antes que pudesse pensar duas vezes, a líder de torcida começava a se aproximar suavemente, enquanto a latina guardava seu último livro. Fabray sentia seu estômago revirar a cada passo que dava. Suas mãos estavam tremendo, e Quinn ficava com medo de Santana escapar.

Assim que se aproximou, Quinn respirou tudo ficando parada ao lado da latina em silêncio. Ela não sabia o que dizer, mas sabia que precisava fazer algo.

Santana podia sentir que alguém estava ao seu lado, seu coração disparava como se fosse pular de seu peito a qualquer momento. Sua respiração estava presa e a latina paralisou podendo ver Quinn pelo canto de seus olhos. Santana queria correr dali, mas suas pernas pareciam estar presas não a deixando sair do lugar. Seu estômago revirava e antes que pudesse tomar alguma atitude, a voz de Quinn quebrava o silêncio.

– Hey. – A voz suave de Quinn, fazia o coração da latina disparar.

– Hey. – Santana abaixava sua cabeça, olhando para sua bolsa e em seguida fechando seu armário.

– Será que... – Quinn falava suavemente, e enquanto pausava, Santana continuava sem olhá-la, apenas se concentrando em sua respiração. – Será que podemos conversar? – Ao ver que Santana continuava paralisada, Quinn sentia seu peito apertando com medo de que a latina fosse lhe dar um fora.

– A-acho melhor não. – Santana respondia e Quinn ficava tensa até a latina virar para olhá-la pela primeira vez. – Digo, não agora. E-eu realmente preciso ir para a aula, e... Mmm... Talvez depois. – Santana respondeu, e mesmo que quisesse fugir, sabia que precisava enfrentar Quinn mais cedo ou mais tarde, mas naquele momento, Santana não estava preparada. – E-eu preciso ir. – A latina falava sussurrando e Quinn a olhou por alguns segundos antes de assentir.

– Claro. Depois nos falamos. – Quinn sorriu suavemente e antes que pudesse pensar em dizer algo, Santana já se afastava rapidamente, deixando a líder de torcida sozinha com seus pensamentos e medos.

Durante todo o período de aula, Santana que sempre tinha toda sua atenção focada nas matérias, mal conseguia entender o que seus professores falavam. Sua cabeça girava em torno de Quinn.

Óbvio que Santana sabia do que o assunto se tratava, mas cada minuto que passava se sentia ainda mais nervosa. Em sua cabeça, Quinn diria que nunca mais iria querer vê-la, ou falar com ela. Claro, até porque, Santana ultrapassou todos os limites naquela noite e fez algo que sem dúvidas Quinn jamais a perdoaria. Todos sabem o quanto Quinn Fabray é hétero e jamais sequer olharia para Santana de outra forma.

A latina sabia que perderia Quinn, e aquilo a fazia querer chorar. Seus olhos insistiam o tempo todo em encherem de lágrimas, mas Santana rapidamente passava suas mãos sobre os mesmo os secando antes que as lágrimas começassem a escorrer por sua bochecha. Era difícil se conter, já que seu coração parecia apertar em seu peito todas as vezes que imaginava a voz de Quinn lhe dizendo que qualquer tipo de amizade entre elas estava acabando, e por mais que tentasse se conformar com isso, pensar em não ter mais a líder de torcida por perto a fazia querer desparecer.

Assim que o último sinal tocou, indicando que as aulas tinham acabado, Santana juntou seus pertencem e enquanto ia até seu armário, encontrou Rachel e Mercedes a esperando, e a latina tinha se esquecido de que tinha dito a Rachel que participaria de uma reunião do coral.

– Hey garota. – Mercedes sorria a cumprimentando.

– Hey, meninas. – A latina sorria suavemente, abrindo seu armário, começando guardar suas coisas.

– Você vai para a reunião do coral, certo? – Rachel perguntava animada, e apesar de querer conversar logo com Quinn, Santana precisava de algo que lhe acalmasse. Talvez música lhe ajudasse naquele momento.

– Claro, só vou guardar meus livros e podemos ir. – Santana respondia, e podia ver a animação das garotas ao seu lado.

Não demorou para que Santana terminasse de guardar suas coisas, ajeitando sua bolsa em seu ombro e se virando para Mercedes e Rachel que esperava paciente ao seu lado.

– Pronto – Santana sorria, e logo Rachel e Mercedes se colocavam uma de cada lado, entrelaçando seus braços ao da latina, a levando para a sala do coral.

– Onde elas estão levando a Santana? – Brittany aparecia por trás de Quinn, fazendo a líder de torcida pular de susto.

– Céus, Brittany! – Quinn pousava a mão sobre seu peito, respirando fundo. – E-eu não sei para onde estão levando-a.

– Ops, desculpa, Quinnie-Pooh. – Brittany falava carinhosa, depositando um beijo contra a bochecha de sua amiga. – E bom, por ser a Rachel talvez ela estejam indo para a sala do coral? – Brittany fazia uma careta adorável, mas que fazia muito sentindo ao que falava. Claro, a única paixão de Rachel era o glee clube e talvez essa amizade repentina da morena com a latina seja somente por isso.

– Talvez... – Quinn dava de ombros.

– E vocês já conversaram? – Brittany perguntava e Quinn apenas balançou a cabeça dizendo que não. – Quinnie... – Brittany se aproximou, colocando uma mecha do cabelo de Quinn para trás da orelha.

– Sei que não somos amigas de longa data, mas ela é especial, B. Santana é especial, e não quero deixa-la ir. Talvez tudo o que aconteceu tenha sido só um mal entendido.

– Talvez... Ou talvez ela fez de propósito. – Brittany arqueava suas sobrancelhas e o estômago de Quinn revirava com a ideia. Aliás, Quinn sentia uma péssima sensação ao imaginar que talvez Santana pudesse sentir algo por ela, mas não pelo fato por serem duas garotas, mas porque Quinn tinha medo de machucar a latina por não corresponder.

– N-não, Brittany, sem dúvidas foi um mal entendido. – Quinn balançava sua cabeça.

– Claro, Quinnie-Pooh. O que acha de irmos para casa?

– E-eu não posso. Combinei que encontraria Santana depois da aula.

– Você quer que eu espere com você?

– Não, tudo bem, B. Sua mãe deve estar te esperando. – Quinn sorria e Brittany apenas assentiu.

– Está bem, mas se precisar é só me ligar. – Brittany sorriu, depositando um beijo demorado na bochecha de Quinn. – Te amo, Quinnie-Pooh.

– Eu também te amo, Britt-Britt. – Quinn sorria carinhosa ao ver sua melhor amiga desaparecer pelos corredores do colégio a deixando sozinha.

Na sala do coral, assim que Santana passou pela porta, todos que estavam sentados ali se levantaram para cumprimenta-la. Além de conhecer Kurt, Rachel, Mercedes e Tina, a latina também descobriu o nome de mais alguns que tinham aulas com ela.

Um garoto enorme, provavelmente o maior entre eles, que se chamava Finn Hudson. Aparentemente o garoto era o namorado de Rachel. Tinha também Artie. Um garoto cadeirante que sonha em ser um grande diretor algum dia. Santana também conheceu Mike Chang, namorado de Tina. Ótimo dançarino, porém não tinha voz alguma para cantar.

Santana também se surpreendeu em ver que três líderes de torcida também estavam por ali. Três no qual Santana nunca tinha visto antes andando com Quinn ou Kitty pelos corredores, e ao conhecê-los a latina imaginou o porque. Os três eram divertidos e não tinha nada em comum com a trupe nariz empinados das líderes de torcida – tirando Quinn e Brittany, claro. Santana também conheceu mais dois garotos, Ryder e Jake Puckerman, meio-irmão de Puck.

Todos pareciam se importar e ter interesse na latina, algo que era raro vindo dos estudantes de seu colégio. Santana sempre se sentia invisível, porque ninguém sequer trocava uma palavra com ela e agora, de repente, esse clube do coral parecia se interessar por ela.

Sr. Schue fez questão de dizer o quão feliz estava em ter sua melhor aluna de espanhol participando do glee clube.

Enquanto Sr. Schue desenvolvia o tema daquela semana, Santana se sentava no fundo da sala, nas últimas cadeiras apenas observando. Ela podia notar o quanto todos eles agiam como grandes amigos, como uma grande família sempre apoiando uns aos outros. Rachel parecia um pouco diva demais, mas mesmo com tanta implicância dos outros membros, era nítido ver o quanto ainda se importavam com a morena, e enquanto via tudo isso, podia se sentir pela primeira vez confortável ao participar de algum grupo do colégio. Por finalmente a notarem e se importarem com ela de verdade.

Santana se sentia como se pudesse agir 100% sendo ela mesma que ninguém ali a julgaria, até porque, todos pareciam ser totalmente abertos por quem realmente eram. Talvez, estando em um grupo como este, Santana não teria mais medo a respeito de sua sexualidade, mas depois de tudo o que lhe aconteceu, a latina ainda era insegura em deixar que soubessem que ela gostava de garotas. Isso sem dúvidas era algo no qual Santana não estava pronta para contar a ninguém.

Enquanto a aula passava, Santana sorria todas as vezes que alguém cantava e dançava na frente da pequena turma. E como tinha imaginado estar naquele lugar fazia sua mente se esquecer da situação que lhe esperava por trás daquela porta. A fazia se esquecer de que Quinn ainda estava lhe esperando sentada no lado de fora lendo um de seus livros. Ouvir Mercedes cantar, fazia seu peito se acalmar, e ao ver Mike e Jake dançar, a fazia sentir como se tudo ficaria bem. Pela primeira vez, Santana Lopez não pensava em nada negativo, mas deixava que sua cabeça e seu coração aproveitasse cada momento naquela sala. Música era uma de suas paixões e estar ali foi uma das melhores escolhas que tinha feito desde que entrou naquele colégio.

As horas pareciam estar congeladas. Quinn estava sentada em um dos bancos no corredor próximo a sala do coral lendo um de seus livros, enquanto esperava por Santana. Ela sabia que provavelmente não estava sendo fácil para latina, e temia que durante a conversa, tudo fosse pelo caminho errado e Santana corresse o risco de ter outro ataque de pânico. Aquilo foi assustador e apesar de nunca ter visto alguém daquela forma antes, Quinn faria o que fosse preciso para socorrer a latina.

Xxxx

Exatamente uma hora tinha se passado quando a porta da sala se abriu e os membros do coral começavam a sair. Quinn rapidamente guardou o livro em sua bolsa, se levantando, respirando fundo. Era agora ou nunca.

Santana saia da sala, acompanhada de Jake, fazendo Quinn franzia a sobrancelha. Ela não sabia que o irmão de Puck estava no coral.

– Sério, Santana, na próxima, vamos cantar juntos. – Jake brincava, fazendo Santana sorrir timidamente.

– Mmm, talvez. – Santana respondia suavemente. – Todos vocês cantam muito bem, não acho que eu seja tão boa quanto vocês.

– Bom, nós só vamos descobrir no dia em que te ouvirmos cantar. – Jake falava carinhoso, e Quinn arqueava sua sobrancelha.

– E-eu não sei, Jake. – A latina olhava para seus pés. – Prometo que pensarei sobre isso.

– Isso! – Jake falava animado, e foi então que Quinn resolveu mostrar que os dois não estavam sozinhos.

– Hey Tana. – Quinn se aproximava, falando suavemente. – Jake.

– Oh, hey Quinn, como você está? – O irmão de Puck perguntava, fazendo Quinn sorrir. Apesar de não estar gostando do modo como Jake olhava para Santana, Quinn não podia negar que ele era um bom garoto e os dois sempre se deram bem.

– Estou bem, obrigada, e você? – Quinn perguntava educada, e podia notar que Santana ficava tensa.

– Bem. Bom, preciso ir, nos vemos amanhã, Santana. – Jake se despediu da latina e em seguida de Quinn, deixando-as a sós.

Nenhuma das duas falava nada, Santana segurava a alça de sua bolsa com suas duas mãos, enquanto olhava para todos os lugares menos para Quinn. Já a líder de torcida queria logo que esse clima pesado entre elas acabasse e que tudo voltasse ao normal.

– Então... – Quinn falava suavemente. – Será que podemos conversar? Por favor, Tana. – A líder de torcida falava carinhosa, e Santana a olhava lentamente, assentindo.

– Mas não aqui. – Santana comentava. – Podemos ir para outro lugar?

– Claro, o que acha de irmos talvez para...

– Um lugar calmo, está bem? – Santana a interrompia. – E-eu conheço um lugar. – A latina falava suavemente e Quinn apenas assentiu. Quanto mais confortável for, sem dúvidas melhor seria para as duas conversarem.

Xxxx

Depois de dirigir por alguns minutos, Quinn e Santana estavam sentadas em um lindo gramado verde, de um parque isolado há vinte minutos fora de Lima. O caminho todo foi silencioso, com apenas o rádio do carro de Quinn tocando sua playlist favorita. Santana olhava para a paisagem do lado de fora, apenas falava para indicar o caminho do parque.

Ambas estavam sentadas e observando o pequeno sol que se escondia atrás de algumas nuvens. Apesar do frio, não tinha nevado naquela semana e era possível ver o quão lindo era aquele lugar.

Quinn brincava com um de seus anéis, quando finalmente decidiu falar, quebrando o silêncio entre elas.

– Tana... – Quinn sussurrava, fazendo Santana olhá-la. – Tem tantas coisas passando por minha cabeça nesse momento. – A líder de torcida comentava, e agora Santana também olhava para suas mãos. – Eu realmente queria poder entender tudo o que aconteceu, mas não consigo e não -.

– Eu sei... – Santana sussurrava, interrompendo-a.

– E-eu... Santana, eu...

– Eu não sei o que aconteceu. – Santana a interrompia novamente, fazendo-a parar de falar e olhar para a latina. – Me desculpa Quinn. Não tenho justificativa para o que fiz e entendo se você não quiser mais falar comigo. Afinal, agi como uma idiota, e... E, eu... Quinn, me desculpe.

– Tana, eu não me afastaria de você por causa disso. – Quinn pousava sua mão sobre a de Santana. Era difícil ver a latina tão vulnerável daquela forma. – Só não entendo porque isso está nos atrapalhando...

– E-eu... – Santana podia sentir seu coração disparar. O único modo de explicar o que aconteceu, era se Santana se declarasse, mas claro que isso não poderia acontecer. Quinn provavelmente se assustaria, e não ter o que dizer naquele momento a matava por dentro. A deixava ainda mais insegura.

– Olha, eu não sei o que causou aquele beijo, mas não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós, Tana. Fui sincera quando disse que queria ser sua amiga, está bem? Isso não me afastaria de você. Talvez você tenha agido por impulso, certo? – Quinn falava suavemente, e agora Santana voltava a olhá-la confusa. – Digo, pelo momento em que estávamos. A música que você cantou para nós, as coisas que lhe disse. Você se envolveu no momento e agiu sem pensar. Eu entendo, está bem? – A líder de torcida não sabia o que dizer, até porque, ela imaginou que Santana diria algo para facilitar a conversa, mas a mesma apenas ficava em silêncio sem saber o que dizer. Isso causava ainda mais confusão na cabeça de Quinn e a mesma decidiu partir para o caminho em que ela acreditava. O caminho que Fabray se forçava a acreditar era difícil aceitar que talvez... Talvez existisse uma chance de Santana ter sentimentos por ela no qual não estavam sendo correspondidos.

Mas Santana não imaginou que Quinn pudesse pensar daquela forma. Céus, como ela pode ser tão cega? O beijo, o momento em que estavam dizia tanto, e Santana imaginou que talvez Quinn estivesse visto e sentindo o que a latina sentiu e viu naquele momento. Foi por isso que Santana a beijou. Porque viu e sentiu o quanto desejava os lábios da líder de torcida. O quanto amava Quinn. E vê-la falando daquela forma, como se Santana fosse uma louca cometendo um erro idiota, fazia seu coração despedaçar. Claro, Santana sempre esperou coisas das pessoas que nunca teria.

– O que? – Santana perguntava, franzindo sua testa.

– Foi isso não foi? – Quinn repetia. – Você me beijou por engano? San, eu entendo, está bem? – Quinn falava carinhosa. – O momento te deixou confusa e foi tudo um erro, foi por isso que você teve seu ataque de pânico, não foi? Porque percebeu o engano que tinha cometido e achou que isso me afastaria de você, mas Tana, isso não vai me levar para lugar algum. Continuarei exatamente aqui. – Quinn tinha certeza que pensar por esse lado podia deixar Santana chateada, até porque, enquanto conversava com Frances, sua irmã mais velha lhe avisou várias vezes para que Quinn deixasse Santana se explicar primeiro e não pular para nenhuma conclusão precipitada ou então machucaria a latina, mas céus, Quinn estava perdida. Ela precisa se livra desse clima ruim entre ela e Santana, e precisa achar uma solução rápida para isso. Imaginou que Santana ajudaria, mas tudo ficava ainda mais difícil.

Santana podia sentir como se fosse explodir a qualquer momento. Como ela pode ser tão burra? Claro que o beijo, para Quinn não significou nada. Foi tudo apenas um engano. Como pôde ser tão burra em achar que Quinn Fabray abria seus olhos com um simples beijo como aquele? Santana se sentia idiota por pensar que o beijo as deixariam mais próximas, dando abertura para Santana abrir os olhos de Quinn.

A latina sentia seu estômago revirar, e seus olhos começavam a se encher de lágrimas. Ela achou que talvez Quinn deixaria de falar com ela por ter percebido que Santana gostava dela. Aquele beijo pôde ter sido algo simples e rápido, mas a música... A forma como se olhavam, aquele pacote de tudo que aconteceu, sem dúvidas teria feito qualquer um perceber o quanto Santana estava apaixonada por Quinn, mas pelo visto, isso não foi o suficiente para Fabray.

– Santana... – Quinn falava suavemente, pedindo que, por favor, a latina falasse alguma coisa.

– E-eu... – Santana se levantava rapidamente, com seus olhos cheios de lágrimas. – Não sei onde estava com a cabeça em pedir que viéssemos para cá. – A latina passava a mão furiosa pelos seus olhos, se sentindo envergonhada. Se sentindo uma idiota. – E-eu quero ir para casa. – E assim Santana deu as costas para Quinn, começando a andar rapidamente, passando pelo carro de Fabray, continuando a andar. Ela já estava acostumada em pegar ônibus para chegar até lá, e não seria nada diferente ao voltar para casa, mas antes que pudesse continuar andando, a mão de Quinn segurou firmemente em seu pulso, a fazendo se virar.

– Não! – Quinn falava firme. – Eu não vou te deixar ir embora desta vez. – A líder de torcida sentia seu coração disparando e seu peito acelerava com sua respiração. – Santana, conversa comigo, por favor. Me diz o que está acontecendo. – Mas Santana continuava em silêncio, com seus olhos em direção ao chão. Ela não podia contar do porque tinha beijado Quinn aquilo seria agir novamente por impulso, e Santana ainda não tinha certeza se podia confiar na líder de torcida. Claro que seu coração lhe dizia ao contrário.

Apesar de ainda carregar lembranças que a machucava, seu coração lhe dizia para que Santana colocasse tudo para fora. Que contasse o quanto era apaixonada por Quinn, mas sua cabeça gritava para que ela se calasse ou então correria um grande risco de se machucar ainda mais.

Ao ver que Santana sequer olhava em sua direção, Quinn se aproximou suavemente, colocando sua mão sobre o queixo da latina e levantando seu rosto, para que a mesma pudesse finalmente encontrar seus olhos.

– Santana, — Quinn respirava fundo. A pergunta que ela estava prestes a fazer, era a última coisa que ela queria naquele momento. Ela esperava que talvez Santana fosse lhe dizer por conta própria, mas perguntar o que vinha em seguida tinha chances de fazê-la correr novamente. – Você... Mmm, Santana, aquele beijo... O que ele realmente significou? – A loira se matinha firme sem desviar seu olhar dos olhos da latina, enquanto a mesma parecia ter parado de respirar. – Porque é nítido ver que aquele beijo é o motivo por ter esse clima pesado entre nós. San, eu realmente me importo com você. Nada do que me disser vai me afastar de você. – Quinn se aproximava ainda mais, apontando para si mesma. – Eu prometo, Santana.

A latina podia ver a sinceridade nos olhos de Quinn, e naquele momento as lágrimas que ela tanto evitava, começava a cair sem que pudesse se controlar. Talvez ela não fosse uma completa idiota. Talvez Quinn saiba do que aquele beijo realmente significou e esteja querendo ouvir da boca de Santana, mas era tão difícil.

Santana queria gritar “eu te amo” para que todos pudessem ouvir, para que Quinn pudesse ouvir, mas sua garganta parecia ter se fechado, seu coração parou e sua respiração ficou entalada. Ela continuava com seus olhos fixados aos de Quinn, mas nenhuma palavra saia de sua boca.

– Você... – Quinn começava a falar novamente, ao ver que a latina continuava em silêncio. – Você go-gosta... Eu quero dizer, você gosta de mim? – No momento em que a líder de torcida deu ênfase em sua pergunta, Santana arregalou seus olhos e tudo a sua volta começava a girar.

Ela sentia como se fosse desmaiar a qualquer momento. Suas pernas ficavam fracas, sua cabeça girava, seu coração disparava e seu estômago embrulhava. A intensidade daquela pergunta fazia Santana se sentir ainda mais vulnerável, confusa e assustar. Ela não sabia o que dizer. Se dissesse que sim, talvez fosse o fim de sua aproximação com Quinn. Talvez, se disser que sim, Quinn pode usar isso contra ela no colégio. Não, Santana, Quinn não faria isso. A latina pensava, mas estava difícil reagir naquele momento. Se ela disser que não, seria mais fácil, até porque, só por estar perto de Quinn já seria o suficiente.

A líder de torcida esperava por mais resposta, mas não aguentava mais o silêncio da latina. Ela queria ouvir alguma resposta. Quinn precisava de alguma resposta e aquele silêncio estava lhe matando. Por alguma razão, o medo de perder Santana a incomodava. Quinn não queria deixar Santana ir, e talvez ela ainda não estivesse preparada para ouvir a resposta para sua pergunta, mas ela precisava saber se Santana realmente sentia algo por ela ou se aquele beijo foi só um engano. Mas o que Quinn ainda não entendia, era o porquê tudo isso parecia ter tanta importância para ela. Do porque ela sentia medo todas as vezes que pensava em Santana dizendo que tudo foi um engano. Do porque aquele beijo ser um engano a lhe decepcionaria tanto. Ela não devia se sentir assim. Quinn não podia se sentir daquela forma.

– Santana! – Quinn falava impaciente, e pela primeira vez, sentia seus olhos encherem de lágrimas. – Por favor, fala alguma coisa. E-eu preciso saber, está bem? Você gosta de mim? Foi por isso que me beijou? – A líder de torcida se aproximava, e agora ambas estava a centímetros de distância uma da outra e ao ver o quanto Quinn estava magoada com seu silêncio, Santana olhou intensamente nos olhos da mesma, pressionando seus lábios um sobre o outro, assentindo suavemente, fechando seus olhos rapidamente e se virando, ficando de costas para Quinn.

Santana sabia que não deveria ter feito isso. Ela não podia ter deixado suas paredes caírem por Quinn, mas a intensidade do olhar de Quinn não a deixava pensar. Era como se seus olhos a hipnotizasse, fazendo Santana falar ou fazer o que Quinn mandasse. Seu peito estava apertado, e a mesma continuava de olhos fechados esperando as próximas palavras de Quinn e se concentrando o máximo para não deixar seu ataque de pânico lhe interromper.

Quinn não sabia exatamente o que dizer. Descobrir que Santana realmente gosta dela era algo novo. Seus olhos estavam fixos na latina virada de costas e seu coração saltava em seu peito. Apesar de não saber o que fazer, era difícil ignorar o sentimento bom que aparecia lentamente. Saber que aquela garota incrível que é Santana Lopez gostava dela. Talvez fosse por isso que Santana sempre a tratou com muito respeito. É por isso que Santana sempre a tratou de uma forma totalmente diferente de Puck, mas como um banho de água fria, Quinn saiu de seu transe, respirando fundo na esperança de encontrar a palavra certa para dizer a Santana, quando viu o corpo da latina tremendo, foi então que Quinn percebeu que Santana estava chorando e soluçando em silêncio. Sentindo seu coração despedaçar pela latina, Quinn rapidamente passou seu braço em volta da cintura de Santana, lhe abraçando com força, deitando sua cabeça no ombro da mesma.

– Sh, Santana... – Quinn falava carinhosa, sussurrando contra a orelha da latina. – Eu não vou há lugar algum, Tana. – A loira sussurrava e Santana se encolhia contra o abraço de Quinn. – Eu prometo que nada disso vai me fazer afastar de você, está bem? – Quinn depositou um beijo contra a cabeça de Santana e mesmo sabendo que ainda tinham muito que conversar, esperava que aquelas palavras pudessem acalmá-la naquele momento.

Notas finais
E então, o que achara? Espero que tenham gostado!!! Quero agradecer as leitores super cute que estão recomendando essa história. Muito obrigada, fico muito feliz!!!! Qualquer dúvida ou curiosidade estou no ask.fm ou twitter, ambos os links no profile. Vocês são lindos(as)!!!!!!!!! Obrigada por sempre comentarem. E ah, antes que eu me esqueça, Feliz Páscoa, bunnies!!!! xxxxxx Review?