Hurricane

16 It's too good to be true.


Notas iniciais
Oieeee, gente linda! Nova capítulo espero que gostem, porque as coisas estão começando a se desenterrar, hahahahaha. Enjoy it! xxx

Em frente ao seu armário como todas as manhãs, Santana recolhia seu livro de biologia, enquanto tirava de sua bolsa seu livro de química os trocando, para sua próxima aula. Diferente dos outros dias era seu segundo período e ninguém tinha se aproximado para lhe jogar slushies ou lhe empurrar contra seus armários. Um sorriso suave aparecia em seus lábios quando se lembrava da noite passada em que ficou horas conversando com Quinn por mensagem. Já tinha se passado dois dias desde a tarde em que Fabray passou em sua casa e desde então, as duas se aproximaram ainda mais. Não passaram um dia sequer sem se falarem por mensagens ou telefonema.

Era difícil controlar o sorriso e a alegria que pulava em seu peito ao se lembrava de Quinn e das palavras fofas que recebia da mesma em seu celular. Mesmo não estando namorando ou sequer tendo algo, Santana se sentia protegia e aprendia a cada dia a confiar em Quinn.

Apesar de estar encantada e feliz com a aproximação de Quinn, Santana também se surpreendia com a aproximação de Brittany, e alguns dos garotos do coral. Rachel, Mercedes e Jake eram o que mais falavam com ela, e quando eles não estavam por perto, Quinn ou Brittany estavam em uma aula ou andando junto pelo corredor. Talvez a estivessem protegendo, mas seja o que for, Santana não podia negar que estava gostando das amizades que fazia. De todos, Jake era o que mais se preocupava –além de Quinn, claro. E agia como um irmão protetor que a levava para suas aulas com escolta. Aquilo era diferente, mas um diferente bom, no qual fazia Santana se sentir especial como se alguém estivesse novamente a notando. Como se Santana não fosse mais invisível e todos pudessem vê-la.

Sua semana sem dúvidas tinha começado muito bem. Sua aproximação de Quinn. Seus novos amigos e o mais importante, não tinha sido vitima de nenhum jogador de futebol e nem das líderes de torcida, mas Santana não podia comemorar agora, afinal, ela ainda estava em seu segundo período e muita coisa podia acontecer.

– Oh, hey Samantha, certo? – Uma voz enjoada soava por trás de Santana a fazendo fechar seu armário lentamente e se virar encontrando Kitty com mais duas de suas amigas líderes de torcida.

– É Santana... – A latina a corrigia, ajeitando seus óculos e jogando a bolsa em um de seus ombros.

– Oh, certo... Santana. – Kitty revirava os olhos, e suas duas amigas encaravam Santana.

– O que você quer?

– Mmm... Não sei se você sabe, mas está rolando boatos de que você e Quinn estão bem próximas. – Kitty comentava, e Santana podia sentir o tom de desgosto na voz da mesma. – Nosso amigo Jew-Fro nos contou que ela está te ajudando financeiramente, é isso? – A garota franzia o cenho, olhando confusa para suas amigas e de volta para Santana. – Awww Santana, é tão pobre que precisa da ajuda da capitã das líderes de torcida. – Kitty e as garotas faziam um bico suave, e Santana desviava seu olhar, sabendo exatamente o que elas estavam fazendo. – Não sabia que sua família era tão pobre a ponto de precisar da ajuda dos Fabray.

– E-eu não preciso da ajuda de ninguém. – Santana respondia.

– É claro que precisa, afinal, você e sua família são de Lima Heights, a parte mais pobre da cidade... Mas olha Santana é muito feio abusar da bondade das pessoas. – Kitty dava um passo a frente, se aproximando de Santana e olhando nos olhos da mesma, lhe intimidando. – Principalmente de uma capitã no qual sua popularidade nos faz popular. Então eu sugiro que você pare de usar a Quinn e a deixe em paz. Ela não se mistura com pessoas como você. – A líder de torcida a olhava com tanta raiva e ódio que suas palavras de alguma forma atingiam Santana, a fazendo se sentir desconfortável e insegura. – Ela não quer nada com você. Ela sequer gosta de você. Toda a atenção que ela está te dando, provavelmente deve ser por pena e quando você menos esperar, ela vai estar voltando para o nosso lado, que é o onde ela não deveria ter sido. – Kitty sorria suavemente, e sem pensar duas vezes, Santana a olhou, encarando de volta.

– Para vocês ou para você? – A latina perguntava com a voz firme e Kitty semicerrava os olhos, se aproximando ainda mais.

– Eu sugiro que você a deixe em paz, Quinn Fabray não tem interesse algum em pessoas como você. Aliás, você não teria nenhuma chance em ser amiga dela como nós temos. – Kitty empurrava um dos ombros de Santana, fazendo-a encostar em seu armário e agora seus olhos estavam diretos aos da latina. – Não se esqueça, você não passa de uma garotinha indefesa querendo tirar proveito de Quinn. Ela pode estar te ajudando agora, mas nós sabemos em que lado ela pertence e esse lado não é o seu. – Kitty se afastou sorrindo, e sem dizer nada, saiu pelo corredor com suas amigas a seguindo, deixando uma calada e machucada Santana para trás.

Seu coração estava acelerado e seu peito doía. Apesar de se sentir próxima de Quinn e estar feliz por tudo que estava acontecendo, as palavras de Kitty entravam em sua cabeça como um balde de água fria a fazendo acordar de seu conto de fadas. Entrava como uma faca em seu peito fazendo doer com sua insegurança tomando todo seu humor e mente. Suas mãos soavam frias e seus olhos enchiam de lágrimas.

Claro, Kitty tinha razão, Quinn e Santana jamais dariam certo. Elas são de mundos diferentes e é claro que Quinn Fabray, a garota mais popular e rica da cidade não se interessaria por alguém como Santana, a garota mais simples e invisível de sua escola. Talvez Quinn só esteja querendo se aproximar por sentir pena da latina. Ou talvez tudo isso fosse só mais um jogo como os de Marley que apenas era uma isca na qual Santana morderia e acabaria novamente nos seus piores dias. Pelo menos foi esse os efeitos que as palavras de Kitty estava causando em Santana.

Passando a mão furiosa em sua bochecha, Santana secava suas lágrimas e saia andando rapidamente no corredor até seu lugar de refúgio onde poderia fugir de todos e tudo. Ela andava tão rápido, que sequer sentia os empurrões que recebia por onde passava, mas não demorou para que finalmente chegasse em seu destino. A biblioteca.

A mesma entrou rapidamente, indo para o seu lugar de sempre. Na sessão de livros de romance, no fundo da biblioteca onde ninguém entrava, Santana jogou sua bolsa no chão, se sentando no carpete e abraçando seus joelhos enquanto deixava a dor das palavras de Kitty saírem. A mesma tirou seus óculos e chorava em silêncio imaginando a possibilidade de tudo o que estava vivendo com Quinn não passar de apenas um jogo e que em breve, a mesma voltaria a lhe ignorar e estaria novamente com Puck ou qualquer outro jogador de futebol. Claro, outro fator no qual a deixava insegura. Quinn nunca se declarou gay ou bissexual, ela poderia ter o garoto que quisesse. Como Santana poderia competir com isso? Com um garoto popular do time de futebol? Um garoto da mesma classe social que a família de Quinn? Como Santana poderia competir com tudo isso? Afinal, por que Quinn se interessaria por uma garota como Santana Lopez?

Kitty tem razão, Quinn jamais se interessaria por mim de verdade. Santana pensava, passando as mãos, furiosa, por suas bochechas.

Era difícil confiar nas pessoas a sua volta. Era difícil deixá-las entrar, porque Santana sabia que podia se machucar a qualquer momento. Era difícil acreditar que Quinn Fabray estava realmente se interessando por ela. Santana estava tão perdida nas coisas boas que estava lhe acontecendo que todo seu medo e insegurança tinham desaparecido. Parecia que estava dentro de seu próprio conto de fadas no qual dormia e acordava com um sorriso feliz e apaixonado no rosto. Mas claro que Kitty e suas amigas tinham que estourar sua bolha, não é? Agora tudo tinha voltado e Santana se sentia como um lixo. Hoje seria o dia em que finalmente tinha tomado coragem para fazer seu teste para o clube do coral, mas naquele momento, Santana se sentia péssima, e sequer tinha cabeça para pensar naquilo. Sentia como se estivesse sendo usada e que talvez tivessem razão, ela nunca teria seu final feliz.

Xxxx

Quinn: Tana, onde você está?

Quinn: San? :( já te procurei por todo lugar, aconteceu alguma coisa? Me responde, por favor. X

Quinn: Tana? :(

Quinn: Estou preocupada, me responde, por favor, Tana. x

Quinn: Eu e Brittany estamos indo para o auditório fazer o teste para o coral. Nós combinamos que íamos todas juntas, onde você está? Não farei isso se você não estiver aqui.

Algumas horas tinham se passado e essas eram as mensagens que Santana tinha recebido em seu celular. Quinn a procurava por horas e não fazia ideia do que tinha acontecido. A líder de torcida procurou Santana em todos os lugares imaginando que talvez, a latina estivesse se escondendo de algo, mas não a encontrava. Fabray já estava preocupada e perguntou até mesmo para Rachel Berry se a mesma tinha visto Santana, mas aparentemente ninguém a viu.

É claro que Quinn sabia que algo tinha acontecido. Santana apenas se escondida quando alguém a fazia algo e Fabray começava a ficar furiosa. Se alguém tiver jogador slushie, ou machucado Santana, Quinn sem dúvidas faria da vida dessa pessoa um inferno, mas aparentemente nem mesmo seus amigos ou as garotas de seu time tinham visto a latina.

Ela, Brittany e Santana fariam seus testes para o clube do coral naquela tarde e Quinn se recusava a entrar no glee sem a latina. Quando o sinal bateu, as duas líderes de torcida andaram de mãos dadas até o auditório, e Quinn a cada dois segundos olhava para seu celular na esperança de receber uma resposta que fosse de Santana.

– Estou tão empolgada. Você já escolheu a música que vai cantar, Quinnie? – Brittany perguntava, assim que entravam no auditório encontrando o clube do coral sentados, conversando.

– Mmm? Oh, sim, já escolhi, e você? – Quinn sorria, colocando o celular no bolso de seu jeans e olhando para sua amiga.

– Já. Quinnie... – Brittany acariciava a mão da amiga sentindo o quão preocupada a mesma estava. – Não se preocupe, Santana vai aparecer. Daqui a pouco ela deve estar chegando. – A loira sorria para sua amiga e depositava um beijo em sua bochecha tentando lhe acalmar.

Mesmo sentindo seu peito apertar, Quinn se apegava nas palavras de Brittany e assentia se forçando a acreditar que Santana também apareceria para finalmente fazerem seus testes como tinham combinado.

– Oh, vejo que temos novos membros. – Sr. Schue sorria, avistando as duas que se aproximavam.

– Quinn, Brittany... É uma honra termos vocês no nosso coral. – Rachel se levantava, sorrindo para as duas. – Temos mais dois garotos do time de futebol que também resolveram se juntar a nós. – A morena mostrava dois garotos com a jaqueta do uniforme sentados na fileira a frente nas poltronas, que acenavam simpáticos para as duas líderes de torcida.

– Legal! E quando podemos começar? – Brittany perguntava animada.

– Em alguns minutos, Finn e Jake estão apenas terminando de arrumar o som e a banda e aí vamos começar. – Mercedes era quem se levantava para cumprimentar as duas loiras à frente.

– E vão ser apenas vocês? – Sr. Schue perguntava e antes que pudesse responder, a porta do auditório se abriu fazendo Quinn olhar no mesmo instante, e por um momento, a respiração que prendia, saia como um suspiro de alivio ao ver Santana se aproximando do grupo, com sua bolsa em seu ombro. – Oh, Santana, então você vai finalmente se juntar a nós? – O professor perguntava e sem olhar para Quinn ou Brittany, a latina apenas olhou para Sr. Schue.

– S-sim, sr. Schue. – A voz de Santana era rouca, baixa e fraca, fazendo Quinn se preocupar ainda mais.

– Ótimo! Por favor, fiquem a vontade. – O professor apontava para as poltronas e se afastava para sua mesa.

Brittany se aproximou de Santana depositando um beijo em sua bochecha, antes de se afastar para que sua amiga e a latina pudessem conversar. Quinn continuava parada no mesmo lugar, sem tirar os olhos daquela que parecia ser uma pessoa diferente de horas atrás quando se encontraram pela manhã.

Santana estava calada, distante e sequer olhava na direção de Quinn. A loira podia perceber os olhos vermelhos e inchados da mesma e tinha certeza que Santana estava chorando.

– Tana? – Quinn falava suavemente se aproximando. – O que aconteceu? Onde você estava?

– Não aconteceu nada, Quinn. – Santana sussurrava, olhando para o chão. – E-eu não estava me sentindo bem.

– O que houve? Você está doente? – Quinn levou uma de suas mãos para a testa da latina, mas para sua surpresa, Santana se afastou evitando o contato, deixando Fabray confusa.

– N-não. É melhor nos sentarmos ou... –

– Santana! – A voz de Jake a interrompia, fazendo-a pela primeira vez tirar sua atenção do chão e olhar na direção do garoto que em fração de segundos, lhe abraçava, levantando-a do chão, fazendo-a rir.

– Jake! – Santana ria, abraçando o mesmo. – Me coloca no chão!

– É ótimo te ver aqui, San! Eu sabia que você ia aceitar minha proposta e entraria para o clube do coral. – Jake falava empolgado, colocando Santana no chão e se afastando. Ele literalmente agia como um irmão mais novo e protetor.

– Não foi fácil, porque odeio me apresentar em público, mas depois de muito pensar, resolvi aceitar. – A laitna brincava, empurrando suavemente o ombro do amigo.

– Não vejo a hora de te ouvir cantar. Tenho certeza que sua voz é incrível.

– Oh... Demais. – Santana revirava os olhos, rindo, sem perceber o olhar confuso e machucado de Quinn que continuava ali ao seu lado, lhe olhando sem entender o porque Santana estava lhe tratando com tanta frieza, mas com Jake estava normal.

Alguns dos outros garotos também cumprimentaram a latina e as duas novas líderes de torcida, antes de Sr. Schue pedir que todos se sentassem para que começassem mais uma aula e testes para o clube do coral.

Rachel, Mercedes, Kurt e Tina se apresentaram como um quarteto, enquanto Mike e Jake dançavam com eles. Durante toda a apresentação, Quinn não conseguia tirar os olhos da latina e mil perguntas passavam por sua cabeça. Ela não entendia o que estava acontecendo e se sentia péssima por sequer não poder ajudar Santana. Ela não sabia o porque a latina estava lhe tratando daquela forma, e mesmo com Brittany ao seu lado tentando lhe distrair, era difícil tirar sua atenção da latina que estava bem ao seu lado.

– Brittany S. Pierce. – Sr. Schue a chamava e logo a dançarina estava no palco.

– Oi, meu nome é Brittany S. Pierce, por favor, não me confundem com Britney Spears, porque não temos nada em comum e sou completamente diferente. – A loira revirava os olhos, fazendo alguns dos membros do coral se olharem confusos. – Adoro cantar, mas também adoro dançar, então cantarei Emily Osment, Let’s be Friends.

Em segundos a banda começou a tocar e Brittany começava a cantar e dar seus primeiros passos no palco a frente de todos que lhe assistiam. Mike ficava encantando em descobrir que ganharia uma parceira de dança e as garotas – tirando Rachel Berry, adoravam ver o quão animada e divertida era a líder de torcida.

Algumas vezes, Quinn ainda tentava falar com Santana, mas a latina parecia estar em outro mundo. Sua cabeça girava sem parar e seu coração a fazia querer ir para casa e chorar em seu quarto como todas as noites. Ela se sentia uma idiota e tinha vergonha por imaginar que teria alguma chance com Quinn. Ela se sentia uma garotinha ingênua que acreditava em papai noel e era enganada todos os anos por seus pais. Sua crise de pânico forçava a aparecer, mas após tomar seu remédio, resistindo ao sono, Santana tinha resolvido não desistir de talvez, a única coisa que lhe traria confiança naquele colégio. O glee clube poderia ser um ótimo escape para tudo que acontecia ao seu redor, até porque, diferente de Quinn, Jake era a segunda pessoa ali dentro que também lhe passava confiança e Santana sabia que essa seria uma ótima oportunidade.

– Quinn Fabray. – A voz de Sr. Schue a tirava de seu transe fazendo-a perceber que Brittany já estava ao seu lado e que todos a olhavam.

Sem dizer nada, Quinn se levantou, olhando Santana pela última vez, antes de fazer seu caminho até o palco a frente. A loira se aproximou dos músicos lhes dizendo qual música cantaria e logo se posicionou na frente do palco, com o microfone a sua altura. Fechando os olhos por alguns segundos, a líder de torcida avistou a latina em seu lugar que sequer a olhava e sentiu um aperto em seu peito, segurando no microfone.

– Meu nome é Quinn Fabray e eu vou cantar Taylor Swift, I Almost Do. – E assim deu sinal para que os músicos pudessem começar.

I bet this time of night you're still up

I bet you're tired from a long, hard week

I bet you're sitting in your chair by the window

Looking out at the city

And I bet sometimes you wonder about me

A voz de Quinn era suave e no momento em que abriu sua boca, foi o suficiente para fazer Santana finalmente olhá-la. A latina nunca tinha ouvido a voz da loira e aquilo fazia seu coração acelerar, e, seu corpo começava a relaxar lentamente a cada frase que saia da melodia da voz de Quinn.

And I just want to tell you

It takes everything in me not to call you

And I wish I could run to you

And I hope you know that

Everytime I don't

I almost do, I almost do

I bet you think I either moved on or hate you

'Cause each time you reach out there's no reply

I bet it never, ever occurred to you

That I can't say hello to you

And risk another goodbye

Santana não sabia ao certo se aquela música era para ela, mas a coincidência com o momento, a fazia querer correr dali e se esconder novamente de Quinn e de todos. Era difícil desviar seu olhar de Fabray e seu coração parecia se apertar ainda mais.

And I just want to tell you

It takes everything in me not to call you

And I wish I could run to you

And I hope you know that

Everytime I don't

I almost do, I almost do

Quinn cantava com tanta intensidade que ao fechar seus olhos se esquecia de que estava na frente de um grupo e não trancada em seu quarto, sozinha, cantando apenas para si mesma. O medo e a insegurança em cantar na frente de tanta gente tinham desaparecido e a mesma se entregava apenas para aquele momento.

We made quite a mess, babe

It's probably better off this way

And I confess, babe

That in my dreams you're touching my face

And asking me if I want to try again with you

And I almost do

Assim que seus olhos se abriram, Quinn finalmente encontrava o olhar de Santana que a olhava atentamente. A loira a olhava com tanta intensidade que por um momento achou que se perderia na letra em que cantava. Quinn queria estar perto de Santana e finalmente poder ler o que aqueles olhos diziam. Poder entender o que estava acontecendo, mas toda aquela situação a deixava frustrada e magoada por não saber o porque Santana estava tão distante. Quinn imaginou talvez que algo tivesse acontecido, mas ela precisava que Santana lhe dissesse, ou então elas nunca resolveriam seja lá o que fosse.

(...)Looking out at the city

And I hope sometimes you wonder about me.

Quinn terminava a música e assim como os outros participantes, foi aplaudida por todos os membros e sr. Schue lhe dizendo o quão boa foi. Saiu do palco sorrindo, apenas imaginando que talvez conseguiria uma palavra que fosse de Santana, mas no momento em que se sentou ao seu lado, o professor chamou a latina a fazendo se levantar.

– Vai, Santana! – Jake, Tina e Mike falavam animados, fazendo a latina rir, tímida, se aproximando da banda antes de se posicionar próxima a microfone.

– Meu nome é Santana Lopez e vou cantar Jessie J, Who you are. – A latina falava suavemente, e respirava fundo, dando sinal para que a banda pudesse começar.

I stare at my reflection in the mirror

Why am I doing this to myself

Losing my mind on a tiny error

I nearly left the real me on the shelf

No, no, no, no

Claro que sua música inicial não era essa, mas depois do que aconteceu naquela manhã. Depois de todas as palavras de Kitty, Santana sabia que mais uma vez teria que se levantar sozinha e como todos os dias, enfrentar um de cada vez e não deixar se afundar novamente por tudo o que sofria. Não se deixar afundar e continuar feliz por ser quem sempre foi. Por não se preocupar com o que os outros pensavam dela e continuar vivendo sua vida. Talvez Quinn estivesse lhe usando para se promover, certo? “A popular líder de torcida, Quinn Fabray, ajuda mais uma necessitada.” Talvez seja exatamente isso que Quinn esteja querendo e agora Santana se sentia usada e as palavras de Kitty martelavam em sua mente sem parar. Sua insegurança sempre foi sua pior e maior inimiga, e naquele momento, isto estava lhe consumindo como nunca antes.

Don't lose who you are, in the blur of the stars

Seeing is deceiving, dreaming is believing

It's okay not to be okay

Sometimes it's hard

To follow your heart

But tears don't mean you're losing

Everybody's bruising

Just be true to who you are

Who you are, who you are, who you are

Who you are, who you are, who you are

No no no no no no no

Who you are, who you are, who you are

Who you are, who you are, who you are

A voz da latina surpreendia a todos, os deixando boquiabertos. Ninguém nunca imaginou que uma garota tão tímida poderia cantar com tanta potencia e profissionalismo como naquele momento. Até mesmo Rachel Berry estava impressionada e um sorriso aparecia em seus lábios por finalmente ter encontrando alguém a sua altura – além de Mercedes, é claro.

Mas diferente dos outros, nenhum deles conseguia prestar atenção em Santana como Quinn. A mesma podia ver o quanto de si Santana estava colocando naquela música. Não só isso, mas também podia sentir a dor da mesma em sua voz naquele momento.

Brushing my hair, do I look perfect?

I forgot what to do to fit the mold

The more I try, the less it's working

Cause everything inside me screams:

No, no, no, no, no, no, no

Os olhos de Santana se enchiam de lágrimas por baixo dos óculos e enquanto olhava para os membros do glee, sequer consiga se concentrar no que via. Tudo o que tinha em mente era sua música e deixar tudo aquilo que sentia fluir conforme cantava. Seus olhos enchiam de lágrimas e seu peito continuava apertando com a dor de perder Quinn. Com a dor de imaginar que Kitty podia estar certa. Santana queria que sua mãe estivesse naquele auditório e que lhe desce todo o apoio que ela precisava.

(...)No, no, no, no, no...

Don't lose who you are, in the blur of the stars

Seeing is deceiving, dreaming is believing

It's okay not to be okay

Sometimes it's hard to follow your heart

But tears don't mean you're losing

Everybody's bruising

Just be true to who you are

Yeah, yeah...

Com seus olhos fechados e uma lágrima escorrendo por sua bochecha, Santana finalizava a música e diferente dos outros, foi aplaudida de pé, porém podia ouvir o entusiasmo nos aplausos animados que recebia.

Passou a mão no rosto, sorrindo para seus colegas antes de voltar, e ao invés de se sentar ao lado de Quinn e Brittany, se sentou na primeira fileira, praticamente na última poltrona, não só longe das líderes de torcida, como também dos outros membros do clube do coral.

Não demorou para que Sr. Schue encerrasse a aula daquele dia, dizendo que todos os participantes novos tinham se tornado membros. Parabenizou a todos e logo os liberou deixando que fossem embora.

– Santana! – Jake e Mike se aproximaram da latina enquanto a mesma saia do auditório.

– Oh, hey meninos.

– Você canta muito, cara. – Jake comentava.

– Garota! – Mercedes se aproximava da latina, que sem perceber, tinha Quinn logo ao seu lado, junto com Brittany. – Vocês três foram ótimas.

– Obrigada, Mercedes. – A voz de Quinn, fazia Santana olhá-la rapidamente, antes de voltar sua atenção para Jake.

– Brittany, nós precisamos dançar juntos. – Mike falava empolgado.

– Claro. Adoro dançar, é uma das minhas coisas favoritas. – Brittany respondia.

– Vocês foram ótimos. Bem vindos ao clube. – Rachel e Kurt se posicionavam ao lado do restante.

– Obrigada. – As três respondiam juntas.

– Nos vemos amanhã? – Santana falava suavemente, sentindo uma grande vontade de finalmente chegar em sua casa.

– Claro, San! Amanhã. – Jake respondia, se aproximando e depositando um beijo em sua bochecha.

– Ok, mmm... Até mais, gente. – A latina acenava, e começava a se afastar, andando as pressas pelo corredor.

Ao ver Santana se despedindo daquela forma, fazia o estômago de Quinn revirar. Ela estava tão confusa que começava a ficar com raiva daquela situação. Era péssimo ser tratada daquela forma, ainda mais sem saber o que tinha acontecido.

Quinn revirou os olhos, se despedindo rapidamente de Brittany e dos outros, e saiu correndo atrás de Santana, encontrando-a saindo do colégio e correu segurando no pulso da mesma e a parando.

– Santana! – Quinn respirava fundo, tentando recuperar seu folego.

– Quinn? O que você quer? – Santana falava baixo, soltando seu pulso da mão de Quinn.

– O que eu quero? – Quinn perguntava, machucada. – O que houve? Você sumiu a manhã inteira, não respondeu nenhuma das minhas mensagens e quando finalmente resolve aparecer me trata dessa forma. – A loira pretendia soar irritada e nervosa, mas sua voz saia suave e demonstrava o quanto estava machucada e confusa, fazendo Santana finalmente olhar em seus olhos e no mesmo instante, o estômago da latina revirou ao ver o que estava causando em Quinn.

– N-não aconteceu nada. – Santana sussurrava.

– Santana, não menti pra mim, por favor. – Quinn falava suave, se aproximando. – Me fala o que aconteceu. – Santana não sabia se devia ou não contar para Quinn, até porque, ela estava com medo de ouvir talvez que Kitty estava certa e sentia como se fosse desmaiar. Suas mãos suavam frias e seus olhos desviavam novamente dos de Quinn. – Tana, olha pra mim... – A loira se aproximava um pouco mais, colocando seu dedo no queixo de Santana e levantando o rosto da mesma, fazendo seus olhos se encontrarem. – Você sabe que pode confiar em mim. Te provo isso praticamente todos os dias. Não faz assim, Tana... – A voz de Quinn era suave e preocupada, com medo de perder Santana por algo idiota. Por medo de terem feito ou falado algo que fizesse a latina se afastar dela. Por mais confusa que estivesse com seus sentimentos por Santana, Quinn não queria mais ficar longe dela. Não queria perdê-la.

– Quinn... – Santana sussurrava, tentando se afastar, mas Quinn encostou a testa na sua, fazendo-a prender a respiração com o gesto.

– Tana, seja lá o que tenha acontecido, não me trata assim. É horrível te ver dessa forma, sabendo que aconteceu algo e não poder te ajudar. – Quinn sussurrava, e sua mão deslizava para a blusa da latina, passando a ponta dos seus dedos pelo zíper de sua jaqueta. – Te machucaram? Alguém te falou alguma coisa? Eu fiz alguma coisa? – A loira perguntava frustrada sem saber o que tinha acontecido.

– Não, não foi você. – Santana respondia, sabendo o quanto Quinn parecia estar aflita com toda essa situação. – Não foi nada, ok? – A latina pousava uma de suas mãos sobre a de Quinn, acariciando.

– Não, Santana, e-eu sei que aconteceu alguma coisa, e se você for continuar me tratando dessa forma, prefiro que me fale de uma vez. Podemos resolver juntas, Santana. Juntas. Eu prometo que vou estar do seu lado. – Quinn soava tão frustrada que faltou pouco para bater o pé.

Incomodada e se sentindo péssima por ver Quinn daquela forma, Santana respirou fundo, fechando seus olhos, sentindo-os encherem de lágrimas. Sabia que não podia deixá-la daquela forma se estava realmente lhe machucando. Se sentindo a pior pessoa do mundo, Santana depositou um beijo na testa de Quinn, entrelaçando seus dedos ao da mesma.

– F-foi... Mmm... – Santana mordia o canto de seus lábios.

– Está tudo bem.

– Foi a Kitty. – Santana agora se afastava, soltando a mão de Quinn.

– O que ela fez? – A loira arqueava sua sobrancelha, sentindo seu corpo esquentar ao ouvir o nome de Kitty.

– Mmmm... – Santana olhava para seus pés, em direção ao colégio. Qualquer lugar, menos para Quinn.

– Santana, está tudo bem, me conte o que aconteceu. – A voz de Quinn ficava mais suave, e a mesma se aproximava novamente.

– E-ela... Mmm, Kitty... Ela me disse que você... – Santana mordia o canto de sua bochecha, olhando para seus pés, ajeitando seus óculos. – Kitty disse que você não está realmente interessada em ser minha amiga. Que tudo o que você está fazendo é porque tem pena de mim e só quer me ajudar. Afinal Quinn Fabray jamais teria interesse por alguém como eu. Simples e... Bom, pobre. Você é da classe média alta, Quinn. Eu vim de Lima Heights, nossos mundos nunca seriam iguais e provavelmente nunca daria certo. – Os olhos de Santana começavam a se encher de lágrimas novamente, e Quinn sentia seu estômago revirar de raiva e tristeza ao ver a garota a sua frente tão vulnerável e insegura. – Disse que em breve, você perderia o interesse em mim e voltaria para ela. E talvez ela tenha razão, Quinn. – A latina segurava firme na alça de sua bolsa, nervosa e chorando por imaginar talvez que Kitty tinha razão. — Nós somos diferentes. Você pode ter o cara que quiser, e sei que muitos dos jogadores de futebol morreriam para estar com você, e todos eles são como você. Tem uma ótima vida, são da mesma classe que você, e talvez ela tenha razão e. –

– Santana, para! – Quinn praticamente gritava, fazendo a latina pular de susto. – Isso... Isso é ridículo... E-eu jamais... – Quinn começava a gaguejar de raiva. – Ugh! Eu jamais te trocaria. Céus, Santana... Isso é ridículo. Nunca me importei pelo o fato de sermos de classes diferentes. Isso nunca me importou, Tana. Céus, eu nunca me importei sobre isso com ninguém. Eu posso ter pais ricos, mas isso nunca me fez uma garota esnobe ou orgulhosa que se acha a cima dos outros. Pelo contrário, ter pais como os meus, me fez crescer sabendo que não importa raça, ou classe social, somos todos iguais. Somos seres humanos e não devemos tratar ninguém diferente. Não sei de onde Kitty tirou tudo isso, mas eu não estou interessada em você por sentir pena. Não, Santana, eu estou interessada em você, porque te acho incrível, inteligente, adorável, linda, e a cima de tudo, é diferente de todos que já conheci. Você é diferente e é especial. Foram essas coisas que me atraíram em você. O modo como me trata... Santana, ninguém nunca me tratou dessa forma, nem mesmo Puck. E-eu estou interessada, porque gosto muito de você, Tana. – A líder de torcida falava suavemente, se aproximando de Santana, e passando as mãos sobre suas bochechas secando suas lágrimas. – Prometi que não te faria sofrer e que você pode confiar em mim, falo sério quando digo que não tenho intenção alguma em te machucar ou te usar. Tudo o que Kitty te disse, foi só para te provocar, está bem? Ela só está querendo te machucar, San, porque provavelmente deve estar com ciúmes por termos nos aproximado. Kitty é invejosa e acha que todos precisam estar em volta dela. – Quinn sorria suavemente, sentindo seu coração apertar. – Eu gosto de você, Santana. Quero estar com você. Não importa o que Kitty ou qualquer outra pessoa diga, conversa comigo antes de pular em qualquer conclusão, está bem? As pessoas são maldosas.

– Mas e o que vão pensar de você quando te verem comigo, Q?

– Santana, você ouviu o que eu acabei de dizer? – Quinn ria suavemente, passando seu polegar na bochecha da mesma e olhando em seus olhos. – Não me importo com os outros. A vida é minha, ando com quem eu quiser e falo com quem eu quiser. Eu quero estar ao seu lado e não me envergonho de mostrar que você e eu estamos nos aproximando. – A loira depositava um beijo no canto dos lábios de Santana, a pegando de surpresa, deixando-a paralisada.

– Quinn... – Santana sussurrava, olhando para os lados, com medo de que alguém as visse. Apesar de querer estar com Quinn, Santana temia que isso prejudicasse a líder de torcida.

– Você é tão adorável, Tana. – Quinn sorria, se afastando, passando seus braços em volta da latina, abraçando-a. – Prometo que Kitty não vai mais se aproximar de você.

– Quinn... – Santana suspirava, sentido o perfume de flores da mesma, passando seus braços em volta da cintura de Quinn. – Não faça nada com a Kitty, está bem? Ou então as coisas podem piorar.

– Piorar? – Quinn franzia o cenho, e quando encontrou os olhos de Santana, entendia o porque da preocupação. – Santana, ela não vai se aproximar de você novamente. Não se preocupe nada vai piorar. Prometo. – A loira sorria novamente, depositando outro beijo na bochecha da latina.

Apesar de não querer que Quinn agisse em relação a Kitty, Santana sabia que não podia impedi-la. Um sentimento de culpa começava a aparecer, mas logo, tudo substituía com calma e tranquilidade quando Santana viu o sorriso que tanta adorava de Quinn. Mesmo insegura, a latina sabia que se não desse chance para Fabray, nunca conseguiria dormir tranquila a noite. Ela precisava se segurar nas promessas e esquecer que um dia, foram “promessas” que a magoaram tanto.

– Tenho treino das cheerios agora... – Quinn falava suavemente, se afastando. – Nos falamos mais tarde? – A loira sorria.

– Claro, nos falamos mais tarde. – Santana sorriu suavemente, e sendo surpreendida novamente, recebeu um selinho rápido nos lábios a fazendo arregalar os olhos.

– Até mais, Tana! – Quinn ria suavemente, ao ver a reação da latina.

– A-até mais, Q-quinn. – Santana gaguejava e assim que Quinn se afastou, ficou parada por alguns segundos, levando uma de suas mãos para seus lábios, sem acreditar que Quinn Fabray tinha lhe dando um beijo.

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Quinn estava furiosa. Ela já tinha avisado para Kitty e as outras garotas ficarem longe de Santana, mas óbvio que nenhuma delas ouviria. Fabray estava com tanta raiva que quando deu por si, estava no campo de futebol, jogando sua bolsa no chão e indo direto até Kitty.

– Kitty! – Quinn chamava, fazendo a garota olhá-la.

– Oh, hey Quinnie. – Kitty sorria, mas logo seu sorriso desapareceu assim que viu os olhos furiosos de Quinn se aproximando.

– Eu te avisei para ficar longe da Santana. – Quinn parava a poucos centímetros de Kitty.

– Ah, é isso... – Kitty revirava os olhos. – Quinn, nós todas sabemos que você só está brincando com aquela pobre garota. Você não pertence ao mundo dela. Seu mundo é aqui. Com as líderes de torcida, sendo popular e andando com pessoas da sua classe. Não uma latina que veio de sabe Deus onde, e vive em Lima Heights... Ew, Quinn. – Kitty fazia careta de nojo, e Quinn podia sentir a raiva subindo pelo seu corpo.

– Isso é racismo, Kitty! – Fabray alterava sua voz e Brittany se aproximava junto com dois garotos do time. – Ela pode ser latina, mas nasceu no nosso país. No mesmo país que você se orgulha tanto. Santana não é um tipo de animal que você pega para criar e depois abandona quando se cansa dele. Santana é uma pessoa, Kitty. Uma pessoa como eu, você... Como todos nós e eu exijo que você a respeite. Minha classe social não interfere nas minhas amizades. Santana poderia viver na rua que isso não me impediria de me aproximar dela.

– Por favor, Quinn... – Kitty começava a falar novamente, mas um impacto em sua bochecha a fez se calar.

– Escuta bem, Kitty, porque eu não vou falar de novo... – Quinn se aproximava de Kitty, ficando frente a frente com a mesma e seus olhos queimavam de ódio olhando para a garota. – Se você ou qualquer uma das suas amigas chegarem perto da Santana novamente, eu juro que faço questão de acabar com vocês. Acredite, todo o esforço que você fez para ter sua tão sonhada popularidade, vai por água a baixo, junto com o seu orgulho nojento. Eu sugiro que você a deixe em paz. Nós... – Quinn apontava entre elas. – Nós não somos amigas, sua oportunidade em ser minha amiga acabou. Somos colegas de time e nada mais. Meu assunto com você a partir de hoje será apenas sobre as cheerios e nada mais. Não temos nenhum tipo de intimidade e minhas amizades, escolho eu. Acredite, Santana é muito melhor do que você. – Quinn olhou por mais alguns segundos nos olhos de Kitty, antes de finalmente se afastar deixando a mesma parada com a mão na bochecha, sem saber o que dizer ou o que fazer. A reação de Quinn apenas aumentou seu ódio por Santana e sem dúvidas, Kitty não deixaria isso passar.

– Quinnie, você está bem? – Brittany andava rapidamente ao lado da amiga, passando a mão sobre seu cabelo.

– S-sim, estou... Eu acho. – Quinn respirava fundo, tentando se acalmar, sorrindo suavemente para Brittany. – Obrigada.

– Hey, Quinn... – Ashley, uma das líderes de torcida se aproximava de Quinn, fazendo-a revirar os olhos.

– O que você quer? Não deveria estar com Puckerman? – A loira falava irritada.

– Mmmm... Na verdade, não. Eu e Puck não temos nada, Quinn, e não sei como posso me redimir com você por ter feito o que fiz. – Ashley falava suavemente, envergonhada. – Bom, sei que provavelmente nós nunca vamos ser como antes, mas quero que saiba que Kitty é e sempre vai ser uma vaca... – A morena falava, surpreendendo Quinn, até porque, Kitty e Ashley sempre foram próximas. – Por alguma razão, ela acha que você é propriedade dela e das cheerios, e vê sua amizade com a Santana uma ameaça para nosso time. – A morena balançava a cabeça. – Olha, acredite, não faço parte de nenhum desses planos idiotas da Kitty, já me queimei demais com você por culpa da Puck, e acredite, Quinn, quero ficar longe de encrencas e um dia quem sabe, voltarmos com a nossa amizade. – Ashley sorria suavemente, e Quinn apenas a olhava. – Enfim, só queria te avisar que Kitty age impulsivamente e feita uma louca quando o assunto é você. – Ashley sorria, e antes de se afastar, Quinn a segurou.

– Mmm... Obrigada, Ashley. – A capitã das cheerios sorria sincera, e Ashley apenas assentiu antes de voltar para sua posição.

– Whoa... Isso foi... Surpreendente. – Brittany comentava.

– Sim... Mas pelo menos sabemos que Kitty é uma psicopata. Não entendo essa obsessão dela achar que sou propriedade das cheerios. – Quinn falava frustrada, começando seu alongamento.

– Mmm, Quinnie você nunca achou estranho a forma como Kitty sempre foi obcecada por você? – Brittany comentava, fazendo Quinn franzia o cenho. – Quinnie, será que Kitty não é apaixonada por você? – Quinn arregalava os olhos.

– O que? – A loira quase engasgava. Imaginar Kitty apaixonada por ela era uma sensação diferente. Um diferente ruim, no qual não se comparava sequer com o que Quinn sentiu no momento em que descobriu sobre os sentimentos de Santana.

– Quinnie, pensa... Kitty desde pequena gostava de dormir ao seu lado e odiava quando eu estava por perto. Quando íamos brincar, ela sempre queria me deixar de fora. O ciúmes dela foi sempre evidente, e agora... Bom, agora que você está solteira, de repente ela vê isso com uma oportunidade de se aproximar de você e te namorar, talvez? Não sei, mas ela não está gostando nada de perder para Santana. – Brittany ria suavemente, fazendo Quinn olhar assustada na direção de Kitty.

Um sentimento de pavor começava a surgir no peito de Quinn e imaginar Kitty apaixonada por ela a fazia querer correr. Claro que quando eram pequenas, Fabray amava Kitty, mas apenas como uma amiga ou irmã. Nunca imaginou as duas nessa situação. Céus, se Brittany realmente estiver certa, as coisas estariam longe de se acalmar e sua maior preocupação era Santana. Com sentimentos de Kitty, Quinn podia lidar muito bem, deixando claro que não queria nada com a mesma, mas tinha medo do que Wilde poderia fazer com a latina que ela tanto gostava e se preocupava.

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– Mijá! – Maribel sorria, ao ver sua filha entrando em sua cozinha no restaurante.

– Heeeya, Santanita... – Owen, cumprimentava a garota, empolgado, dando um beijo em sua testa.

– Hey, Owen... Mama... – A latina se aproximava da mesa no canto da cozinha, colocando sua bolsa e prendendo seu cabelo, antes de ir se sentar no seu lugar favorito. O balcão onde separava o freezer da cozinha. – Onde está April? – Santana perguntava ao se sentar no seu lugar.

– Oh, deve estar chegando, ela precisou sair. – Joshua, o famoso rapaz da chapa, comentava, sorrindo para Santana.

– Você está com fome? Já comeu? – Maribel perguntava, preocupada.

– Mmm, estou com fome, mama. Não comi ainda. – Santana dava de ombros.

– Oh, farei algo delicioso para você comer. – Owen respondia, enquanto mexia um de seus famosos molhos.

– Gracias, Owen... Oh, mama, adivinha? – Santana falava empolgada, se mexendo no balcão.

– O que, mi amor?

– Entrei para o clube do coral. – Santana comentava, e todos na cozinha a olharam, começando a parabeniza-la.

– Oh, céus, mijá, parabéns! – Maribel se aproximava da garota, passando seus braços em volta da mesma e depositando um beijo em sua bochecha. – Estou muito feliz em saber disso.

– Parabéns, Santana! – Joshua falava próximo a chapa. – Acho justo que você cante algo nesse momento para comemorar.

– O que? N-não... Joshua, não. – Santana balançava a cabeça fazendo os cozinheiros rirem.

– Não que? – Annie, a garçonete, entrava sorrindo ao ver a latina sentada em seu famoso lugar.

– Santana disse que entrou para o clube do coral e estamos tentado fazê-la cantar. – Owen comentava.

– Oh, jura? Whoa, Santana isso é ótimo. – Annie falava animada.

– Gracias, Annie... Mas não vou cantar aqui, se vocês quiserem me ouvir cantar, vão precisar ir aos eventos do colégio. – A latina dava de ombros.

– Oh, nós iremos. – Owen respondia, preparando uma panqueca recheada de palmito e cream cheese para Santana. – Aqui está, uma deliciosa panqueca. Pode comer a vontade que fiz mais.

– Mmmmm... Gracias, Owen, estou faminta. – Santana sorria, colocando o prato em seu colo, e começando a comer.

– Sabe do seu pai, mijá?

– Mmm... – Santana mastigava, engolindo seu pedaço antes de falar. – Ele já está na academia, mama. Oh, e James está indo para Nova York! – A latina falava empolgada, sorrindo maliciosa. – Algo me diz que está indo encontrar tia Eva.

– Será? – Maribel perguntava surpresa. – Bom, só espero que nenhum dos dois se machuque dessa vez.

– Tomara que não, porque tia Eva e James forma um casal muito fofo. – Santana sorria, voltando a comer sua deliciosa panqueca.

– Oh, hey Santana... – Carly, entrava na cozinha, sorrindo simpática para a garota.

– Oi, Carly! – A latina acenava, falando de boca cheia, fazendo Carly rir.

– O restaurante vai abrir em alguns minutos, já está tudo pronto? – Carly perguntava para sua Chef.

– Sim, já estamos prontos. April já está voltando. – Maribel respondia.

– Ótimo! Vou conversar com os garçons e volto para avisar quando o restaurante abrir. – Carly sorria, saindo da cozinha junto de Annie.

– Essa noite vai ser ótima! – Owen comentava, dançando fazendo Santana rir.

– Vai ser bem animada! – A garota balançava seus ombros e se sentia mais relaxada por estar junto com sua mãe.

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Quinn: Ugh! Estou entediada.

Santana: Aw Q, não fique. Tenho certeza que deve ter um ótimo livro para ler. :)

Quinn: Tenho, mas prefiro matar meu tédio com você. :)

Santana sorria, sem tirar os olhos de seu celular, após terminar seus deveres e ainda estar no restaurante com sua mãe. O relógio marcava oito horas da noite e a mesma não pretendia passar horas ali e espera-la. Santana ainda queria ir para casa, tomar um delicioso banho quente e ter a companhia de seu pai.

Santana: E está adiantando?

Quinn: Mmm... Estou com um sorriso no rosto e me sentindo melhor, o que você acha?

– Alguém aí está perdida no país das maravilhas. – A voz de April fazia Santana levantar a cabeça, com o sorriso ainda no rosto.

– Não estou no país das maravilhas... – Santana mostrava a língua para a cozinheira, voltando a atenção para seu celular.

Santana: Fico feliz em saber disso.

Papi: Mijá, já está vindo ou quer que te busque? Trouxe um filme para assistirmos juntos enquanto comemos pipoca.

Santana sorria ainda mais ao ver a mensagem de seu pai. Sem dúvidas ela estava disposta para uma sessão de filme com seu pai. Ela adorava sempre passar tempo com Alejandro.

Quinn: Ultimamente meus sorrisos são todos por sua causa, Tana. :)

As borboletas na barriga da latina pareciam ter acordado todas juntas. As asas batiam rapidamente a fazendo respirar fundo, se segurando para não pular de felicidade.

Santana: Não, papi, já estou indo embora. Não precisa vir me buscar, chego em casa em alguns minutos e vamos assistir nosso filme.

Santana: É bom saber que te faço sorrir, sinal de que te faz feliz, talvez?

A latina mandava suas duas mensagens, respondendo seu pai e Quinn, enquanto juntava a bagunça que tinha feito na mesa em que estudava. Sem dúvidas ela precisaria correr para casa, ou então, perderia o próximo ônibus para Lima Heights.

Beep, beep.

Quinn: Não tenha dúvidas.

Santana fechava seus olhos por alguns segundos, respirando fundo, antes de vestir novamente seu casaco e colocar a bolsa em seu ombro.

Santana: Você é incrível, Q. x ps: Estou indo para casa, nos falamos daqui há alguns minutos.

Enviando...

– Mami, — Santana se aproximava de sua mãe, com o celular ainda na mão.

– Oh, o que foi, mijá? Já está indo? – Maribel perguntava, ao ver a bolsa da filha no ombro.

– Mhm, já... Papi acabou de me mandar uma mensagem dizendo que hoje vamos assistir filme. – Santana sorria, olhando para o seu celular que apitava novamente.

Quinn: Você é incrível, Tana. x Oh, ok, vai com cuidado, está bem? Até depois. :)

– Esse sorriso sem dúvidas não é pelo seu pai. – Maribel brincava, ao ver o sorriso apaixonado da filha.

– Mmm? Oh, é... N-não, mami... – Santana bloqueava o celular, colocando-o rapidamente em sua bolsa. – Mmm... Já estou indo. Nos vemos mais tarde, mami. – A latina se aproximou de sua mãe, depositando um beijo demorado em sua bochecha. – Te amo.

– Te amo, mijá, vá com cuidado. – Maribel sorria, passando a mão suavemente sobre o rosto da filha, antes de deixá-la ir.

Santana se despediu dos colegas de trabalho –e amigos, de sua mãe, antes de sair pela porta da cozinha, percebendo que o restaurante começava a encher como toda a noite. O mesmo não tinha uma saída para funcionários, até porque, todos sempre chegavam mais cedo e entravam pela porta da frente para preparem o local.

A latina passou por alguns garçons se despedindo e do barman no canto do restaurante. Santana estava tendo um ótimo dia. Um dia diferente de todos aqueles que costumava ter antes de finalmente ter Quinn em sua vida. Seu coração estava acelerado e a mesma se sentia ansiosa para vê-la novamente no dia seguinte. Ou até mesmo, continuar trocando mensagens quando finalmente chegasse em casa. O sorriso estampado em seu rosto tinha sumido, mas o brilho da felicidade que sentia ainda estava lá. Tudo parecia começar a se encaixar e Santana sentia como se estivesse literalmente no país das maravilhas.

– Santana? – Pelo menos, era onde ela achou que estivesse.

Aquela voz. Oh, não, não, não... Santana paralisava exatamente onde estava. Seus pés pareciam ter grudado no chão, e seu coração parou de bater. Seus olhos estavam arregalados e sua mão começava a suar fria de apavoro. Aquela voz suave atrás dela, era uma das vozes no qual Santana rezou todas as noites para nunca mais escutá-la.

Sua respiração começava a falhar e seus olhos enchiam de lágrimas. Uma onda de desespero invadir todo seu corpo e o mesmo começava a tremer. Ela já não sentia mais suas pernas e sem acreditar no que estava acontecendo, para ter certeza, Santana virou seu rosto lentamente na direção daquela voz e foi então que a latina tinha literalmente visto um fantasma.

Um fantasma no qual sempre lhe fez mal. Um fantasma que lhe causou tanta dor e agora estava ali, na sua frente a olhando com... Um brilho irritante nos olhos, como se estivesse esperando algo de bom de Santana. Como se estivesse esperando um abraço. Ver aquele rosto de perto após tantos anos fazia Santana querer gritar, chorar. Sua respiração estava presa em sua garganta a fazendo perceber que seu ataque de pânico estava ali, mas antes que pudesse dizer ou ter qualquer reação, suas pernas moles pareciam ter desistido e em menos de um segundo tudo ficou escuro.

Notas finais
E então, gostaram? O nome das músicas que as meninas cantaram estão na história, eu ia colocar aqui, mas como já estão lá.... Enfim, espero que tenham gostam. Review, please? Obrigada, meus amores pelo apoio. xxx