Hurricane
17 Don't call this a nightmare, not yet.
Notas iniciais
– Santana? – Tudo o que ela podia ouvir era uma voz conhecida lhe chamando como se estivesse sonhando. Talvez Santana realmente estivesse sonhando, afinal, ela acabou de encontrar a pessoa que jurou que a deixaria em paz.
Seu coração estava lento e sua respiração parecia se aquietar. Seus ombros relaxavam e o lugar onde sua mente estava fugia de toda preocupação e medo. Podia sentir seu corpo leve e tinha a sensação de que no lugar onde estava nada lhe aconteceria.
- Santana?
A latina ouvia a mesma voz, mas dessa vez parecia se aproximar. Ela ainda não conseguia reconhecer, mas enquanto a voz se aproximava, seu humor começava a mudar.
A paz que sentia há segundos atrás desaparecia e sentia algo gelado tocando sua testa. Seu coração começava a acelerar novamente desesperado e enquanto seus olhos lutavam para se abrir, sua consciência lutava para deixá-la inconsciente. Seu corpo não queria responder a tudo aquilo e Santana sentia aflição por estar se afastando da paz que estava.
– Santana!
A voz ecoava em seu ouvido e no momento em que ouviu seu nome seu olhos se abriram rapidamente fazendo-a ter problema para respirar e suas mãos soavam frias. Tudo que sentia enquanto estava inconsciente foi apenas uma enorme ilusão que sua própria mente criou. As lembranças do que lhe aconteceu surgia em frações de segundos e no momento em que avistou sua mãe ajoelhada ao seu lado, as lágrimas começavam a escorrer desesperadas por suas bochechas, seu peito forçava a respiração e Santana passava um de seus braços em volta do pescoço de Maribel, lhe abraçando com força, escondendo seu rosto no pescoço da mãe, que, podia sentir o corpo da adolescente em seus braços tremendo.
– Mama... – Santana sussurrava.
– Mi amor, se acalma. Santana, se acalma. – Maribel falava próximo ao ouvido da filha, segurando a mesma em seu colo, desesperada por ver Santana tão vulnerável de uma forma que não via há meses. – Por favor... – Maribel, abraçava Santana, começando a balançar seu corpo para frente e para trás, enquanto estava ajoelhada no chão e Santana praticamente em seu colo.
– Maribel... – Carly falava ao lado da mesma. – Você precisa levá-la para o hospital.
– Não! – A voz de Santana era firme e Maribel apenas olhou para sua amiga, balançando a cabeça negativamente.
– E-eu só preciso levá-la para casa. – Maribel falava suavemente, acariciando as costas da filha. – Santana precisa do remédio dela.
– Maribel, — Agora era Owen quem estava ao lado de sua Chef. – Alejandro já está a caminho. – O rapaz sorria amigavelmente e Maribel apenas assentiu, voltando sua atenção para Santana e ignorando os olhares que recebia dos clientes ainda no restaurante.
– Santana? – Maribel sussurrava no ouvido da filha, enquanto lhe abraçava e passava a mão pelo cabelo da mesma. – Mi amor, se acalma, por favor. – Maribel fechava seus olhos, sentindo o corpo de Santana tremer em seus braços. Como mãe, Maribel sempre sofreu com a filha, mas nunca imaginou que ver Marley novamente causaria tanto impacto em Santana.
Assim que Santana desmaiou, Marley tentou ajudá-la, mas a pedidos de Maribel, a mesma com sua família foram embora, e era nítido ver que Marley saia aflita e preocupada com Santana.
– Mijá... – Maribel sussurrava novamente, ainda de olhos fechados, começando a cantar no ouvido da filha uma das músicas em espanhol que cantava para Santana, quando a mesma ainda era pequena.
A la nanita nana nanita ella, nanita ella
Mi niña tiene sueño bendito sea, bendito sea
Sua voz soava baixa e serena, mas ainda era possível ouvir os soluços e a dificuldade de Santana para respirar. Maribel afastou a cabeça da filha de seu pescoço, fazendo-a deitar em seu peito, enquanto continuava se balançando, e cantando para sua pequena.
A la nanita nana nanita ella, nanita ella
Mi niña tiene sueño bendito sea, bendito sea
Nenhum dos funcionários pareciam se preocupar com os clientes ainda no restaurante, todos estavam preocupados com Santana e alguns se sentiam inúteis por não consegui ajudá-la. Ver mãe e filha daquela forma fazia o coração de todos os funcionários e amigos se apertarem. Ninguém entendia o real motivo por Santana ter desmaiado ou por estar tão assustada daquela forma, até porque, somente a família Lopez entendia o quanto a presença – ou simplesmente a lembrança –, de Marley prejudicava Santana.
– Está tudo bem, meu amor. Está tudo bem. – Maribel sussurrava e conforme continuava cantando, podia sentir o corpo de Santana se acalmando em seus braços.
Dizer que Santana estava apenas assustada, sem dúvidas seria um equivoco, até porque, a garota estava em choque. Encontrar a pessoa que foi a causa de todos os seus traumas e bullying em sua antiga escola a fazia querer continuar inconsciente. Após ter mudado de colégio, tinha em sua cabeça de que jamais encontraria Marley novamente. A garota era da cidade vizinha e não teve um dia sequer em que as duas trombaram na rua ou no centro de Lima após a mudança de Santana.
Mas agora Marley estava ali. Ela estava no restaurante em que sua mãe trabalhava e com o coração disparado, Santana imaginava que sua vida viraria novamente de cabeça para baixo. Todos em sua nova escola descobririam o que lhe aconteceu e Quinn nunca mais falaria com ela ao descobrir que sempre foi uma fracassada e loser. Santana perderia suas novas recentes amizades no glee clube e todos zombariam dela novamente. Todos veriam que ela sempre foi uma garota tola que deixou ser manipulada pela garota que um dia chegou a amar.
– Eu sei que você está me ouvindo, mijá... – Santana estava de olhos fechados, chorando enquanto ouvia a voz suave de sua mãe cantando sua favorita música de ninar. Seu coração continuava disparado e o medo era inevitável. Ela perderia tudo. Santana novamente ficaria sozinha e perderia o amor da sua vida. Seus braços estavam em volta do pescoço de sua mãe a segurando com força, com medo de soltá-la. Santana não queria que Maribel se afastasse, porque era com a mãe que se sentia protegida. A garota estava tão hipnotizada e concentrada na voz da mãe, que ao ouvir a voz de Alejandro seus olhos abriram rapidamente, encontrando seu pai ao seu lado. A latina soltou seus braços do pescoço da mãe e em fração de segundos estava abraçada e sendo segurada por seu pai. Outro com quem ela se sentia segura.
– Papi... – Santana sussurrava com a voz fraca e rouca.
– Shhh... mi princesa está tudo bem, não aconteceu nada. – Alejandro depositava um beijo contra a cabeça da filha, que voltava a chorar.
– E-ela... Tudo de novo, papi. – Santana soluçava, escondendo o rosto no pescoço do pai.
– Não, mijá. Nada vai acontecer, está bem? Marley não vai se aproximar novamente de você. Nós estamos aqui. Eu sei que você está assustada, mas tudo aquilo ficou no passado e não vai mais voltar. Eu prometo, mijá. – Alejandro falava carinhoso, olhando em direção a sua esposa que chorava em silêncio.
– É melhor vocês levá-la para casa. – Carly sorria, ajudando Maribel a se levantar, enquanto todos também faziam o mesmo. – Vá para casa e cuide de Santana, Bel. Tenho certeza que Owen dará conta do resto da noite. – Carly falava amigável, recebendo um abraço aperto da amiga Chef.
– Gracias. Gracias, Carly. – Maribel sussurrava.
– Vamos, mijá. Eu e sua mãe vamos te levar para casa. – Alejandro tinha Santana com seus braços em volta de sua cintura, lhe abraçando com força com medo de soltá-lo. A garota estava com a cabeça deitada no peito do pai e os dois saíam do restaurante direto para o carro.
– Bel, se precisar de qualquer coisa é só avisar. – Owen comentava, e Maribel assentia antes de sair da cozinha com seus pertences e seguir sua família até o carro.
– Mijá, você precisa me soltar. – Alejandro falava suavemente, ao colocar Santana no banco de trás e perceber que a mesma o segurava firme.
– Mi amor, vá com ela no banco de trás que eu levo o carro. – Maribel sorria suavemente e Alejandro apenas assentiu.
Era difícil para Alejandro e Maribel ver Santana daquele jeito. Eles tinham esperanças de que a garota nunca mais fosse ter essas reações. Esperanças de que Santana estivesse finalmente conseguindo superar todo seu passado, mas ver a reação da filha por simplesmente encontrar Marley fazia com que os pais da garota temessem que Santana voltasse a adoecer.
Xxxx
Ao chegarem em casa, Maribel ajudou Alejandro carregar Santana para dentro, já que a mesma estava dormindo no colo do pai. O mesmo a colocou em sua cama e Maribel trocou sua roupa, colocando o pijama em Santana e a cobrindo. Ambos tinham decidido que Maribel dormiria com a filha naquela noite caso algo acontecesse. Alejandro acordou Santana por alguns segundos lhe dando seu remédio e logo a mesma voltou a dormir. O susto que passou naquela noite foi exaustivo e todas suas emoções a derrubaram após chorar em silêncio no caminho para casa.
Maribel tomou banho rapidamente, vestindo seu pijama e indo direto se deitar com a filha. Alejandro estava sentado na beira da cama as observando, enquanto Maribel tinha seu braço em volta da cintura da filha a abraçando.
– Ela não vai passar por tudo aquilo de novo. – Alejandro sussurrava, olhando para Santana que dormindo parecia estar bem.
– Aquela restrição que colocamos contra Marley e a família dela deveria ser respeitada. Não quero aquela garota perto de Santana novamente, Alejandro. – Maribel comentava, passando seus dedos pelos cabelos da filha.
– Tivemos uma luta muito grande para proteger Santana daquela garota. Tenho certeza que ainda existe aquele vídeo que fizeram na internet. – Alejandro respirava fundo, passando a mão por sua nuca. – Os alunos foram obrigados a remover o vídeo das redes sociais, mas temo que alguém ainda tenha aquele vídeo em algum lugar.
– Deus ajude que não. – Maribel virava sua atenção para seu marido. – Até hoje não consigo entender qual o motivo que os levaram a fazer tamanha maldade com nossa pequeña, mi amor. Marley foi à primeira garota por quem Santana se apaixonou e achei que era reciproco, mas fomos tolos em acreditar que Marley realmente tinha algum interesse em Santana. – Maribel respirava fundo. – A odiaram por ela ser quem sempre foi e olha a sequela que causaram na nossa filha. – Seus olhos enchiam de lágrimas e Maribel se aproximava depositando um beijo na cabeça de Santana.
– Percebi que algo estava errado na noite em que Santana apareceu desesperada em nosso quarto com sua crise respiratória. Ela nunca teve problemas como aqueles, Bel, e aquilo sem dúvidas era choro de alguém que estava em choque. Sofrendo. — Alejandro falava suavemente. – Eles a maltrataram por muito tempo, Bel, e não entendo como Santana pode se manter calada todo aquele tempo. Se não fosse pelo vídeo, sabe Deus o que teria acontecido com Santana se não tivéssemos descoberto tudo. – Alejandro sentia seu coração apertar com as lembranças que apareciam em sua mente.
– Ela sofreu por tanto tempo, mi amor. – Maribel chorava suavemente, abraçando forte Santana. – Demorou tanto para voltar a ser nossa menininha... Não gosto de imaginar o que teria acontecido se não tivéssemos descoberto tudo a tempo. – Maribel trazia o corpo de Santana para perto do seu, fazendo a garota se encolher contra seu corpo.
– Vamos manter os olhos abertos. Acredito que Santana não ficará sozinha dessa vez. – Alejandro falava. – No momento em que conheci Quinn e Brittany, percebi que elas são diferentes dos supostos amigos que Santana tinha no outro colégio, Bel, e ouvir ela contar sobre o grupo do coral me acalma. Sinto que ela vai poder confiar neles, principalmente naquele garoto Jake... Eu conheço a família dele e sei que são ótimas pessoas. Santana apenas precisa aprender a confiar em que se aproxima e vamos vigiá-la. – Alejandro sorria, fazendo sua esposa se acalmar.
– Espero que minhas preces sejam ouvidas. Peço todas as noites que Santana tenha pessoas em que possa confiar e que volte a ser a garota que sempre foi. Que Quinn veja o quanto nossa mijá é especial e dê uma chance a ela. – Maribel sorria, falando carinhosa.
– Ela vai ficar bem, mi amor. Nós vamos manter os olhos abertos e vamos protegê-la. – Alejandro se aproximou de suas duas latinas, depositando um beijo na cabeça de ambas. – Vou deitar e se precisar de alguma coisa, é só me chamar. Te amo, mi amor. – Alejandro depositava um selinho nos lábios de Maribel.
– Também te amo, boa noite. – Maribel sorria e logo Alejandro saia do quarto a deixando sozinha com Santana.
Após ver o desespero da filha naquela noite, Maribel continuaria mantendo seus olhos abertos e prestando atenção em cada diferença no comportamento de Santana. Ela se sentia culpada por tudo que aconteceu com a filha, por não ter sido o suficiente para protegê-la, mas naquele momento, Maribel não deixaria que nada acontecesse com sua filha e faria o que fosse preciso. Tinha esperanças de que seu marido tivesse razão e que Quinn e Brittany realmente fossem boas pessoas.
Xxxx
Graças ao seu remédio, Santana pode dormir feito um bebê. Seu corpo estava relaxado e seu coração já não estava acelerado. Sua cabeça não doía e nem girava a mil por hora. Ela se sentia calma e no momento em que seus olhos se abriram na manhã seguinte, ainda sonolenta, soltou um suspiro forte percebendo onde estava e com quem estava.
Nos braços de seus pais, Santana sempre se sentia segura. A mesma se encolheu ainda mais contra o corpo da mãe, escondendo seu rosto no pescoço de Maribel. A noite passada parecia não ter existido e Santana se sentia bem. Pelo menos, foi assim por apenas um minuto.
– Santana? – A voz de Marley ecoava em sua cabeça, fazendo-a arregalar os olhos, sentido como se aquela voz estivesse em seu quarto. A latina se afastou de sua mãe, como se tivesse levado um choque, rastejando pela cama, com suas mãos tremendo e no momento em que caiu no chão, levou um enorme susto, colocando as mãos rapidamente em seus ouvidos, começando a chorar.
– Não. Não! – Santana sussurrava e antes que pudesse ter seu ataque de pânico, par de braços lhe abraçava forte, fazendo-a deitar a cabeça no peito de Maribel, que acordou assim que sua filha lhe empurrou.
– Shhh, mi amor, está tudo bem. Presta atenção na minha voz, está bem? – Maribel abraçava Santana, encostando sua testa contra a cabeça da mesma. – Sou eu, mijá, é a mamãe e está tudo bem. Você está em casa, está a salvo e não vou deixar que ninguém se aproxime de você novamente. – Maribel falava suavemente, pousando uma de suas mãos contra o peito de Santana, fazendo-a olhar em seus olhos. – Olha pra mim, Santana, olha pra mim... Presta atenção na minha respiração e na minha voz. – A garota olhava para sua mãe e seus lábios formava um bico suave, chorando em silêncio. – É a mami, mijá. Sou eu... – Maribel fixava seu olhar ao de Santana, pegando uma das mãos da mesma e colocando em seu peito. – Sente minha respiração e tente me seguir, está bem? – Santana assentia suavemente e tentava se concentrar no ritmo de sua respiração.
Sua cabeça começava a doer novamente e após alguns segundos, sua respiração estava normal e Santana apenas deitava sua cabeça no peito da mãe, segurando firme na mesma com seu coração novamente acelerado.
Era difícil descrever o que Santana sentia naquele momento. Medo. Desespero. Angústia. Tristeza. Tudo se misturava em uma coisa só, fazendo a latina querer apenas se afastar do mundo como quis da outra vez. Ela nunca entendeu porque lhe odiavam tanto. Depois de tudo o que Marley lhe fez, sua recuperação foi difícil a fazendo se aceitar realmente como era. A fazendo ver que não existia motivos para odiá-la. Que a maltratavam por diversão e que Santana era perfeita. Ela nunca entendeu como alguém podia maltratar por diversão, mas após entender o significado do bullying, Santana sabia que tudo o que sofreu e sofria era exatamente isso. Tinham prazer em machucá-la e sequer se importavam do quanto aquilo tudo lhe afetava. As pessoas eram maldosas e era por isso que não confiava em ninguém. O medo de confiar, e, se machucar era imenso. O medo de voltar novamente para o fundo do poço a fazia querer chorar e gritar sem entender do porque faziam tudo aquilo.
Sem entender o porque Marley lhe fez tanto mal, por simplesmente ter o prazer daquilo. Santana imaginou que depois de ter em mãos a ordem de restrição para Marley e todos aqueles que a prejudicaram, achou que talvez ficaria livre de vê-la ou sequer ouvir sua voz, mas depois daquela noite, Santana não tinha tanta certeza se uma simples ordem de restrição seria o suficiente. E se Marley a machucasse novamente? E se a fizessem mal como da última vez? Eram tantas dúvidas e medos que como no passado, Santana sequer sentia vontade de sair do quarto. Sequer sentia vontade de simplesmente abrir os olhos todas as manhãs. Ela nunca vai entender do porque a fazem mal por uma simples diversão.
– Ela voltou, mama. – Santana sussurrava, após alguns minutos em silêncio com sua mãe. – Ela voltou e vai me machucar de novo. Eu sei que vai.
– Não, mijá. Ela não vai te machucar novamente. – Maribel falava no intuito de acalmar a filha. – Marley Rose e aqueles amigos dela não podem sequer falar com você ou de você, mijá. Se um deles se aproximar ou fizer algo pagarão caro por isso. Eu, seu pai e seus avós vamos estar de olhos abertos e estaremos aqui para te proteger. Estaremos ao seu lado, mijá, e nada vai acontecer. – Maribel abraçava Santana com força. – Me prometa que se qualquer coisa acontecer, você falará comigo e com seu pai, Santana. Não quero que você se feche novamente, porque nós quase a perdemos da outra vez, mijá, e não sei o que será de nós se não termos você em nossas vidas, mi bebé. – Maribel falava emocionada, sentindo as lágrimas escorrerem em sua bochecha. – Me prometa, Santana! – Maribel falava firme e Santana fechava seus olhos, sentindo seu coração apertar.
– Si, mama. Eu prometo. – A garota sussurrava. – Será que posso ficar em casa hoje? E-eu não quero ir para o colégio. Não quero sair daqui, mama, por favor. – Santana praticamente implorava, com medo de sair de sua casa e encontrar novamente com Marley.
– Claro, mi amor. Vou ligar para o restaurante e avisar que ficarei com você. – Maribel depositava um beijo na cabeça da filha, começando a se levantar, trazendo o corpo da mesma junto com o dela. – O que acha de tomar um banho, enquanto preparo o café da manhã?
– Não estou com fome, mama. – Santana sussurrava com a voz fraca, se sentando em sua cama.
– Você precisa comer, está bem? Posso pelo menos lhe fazer um delicioso chocolate quente? – Maribel passava a mão no cabelo da filha, prendendo em um coque, para que a mesma não molhasse o cabelo durante o banho.
– Ok. – Santana respondia, levantando seus olhos na direção do rosto da mãe.
– Ótimo. Tome um delicioso banho quente e volto já. – Maribel depositou um beijo na bochecha da filha, antes de deixá-la sozinha.
A verdade era que Maribel tinha medo em deixar Santana sozinha. Medo de que sua filha fizesse o pior. Medo de que a depressão em que estava voltasse a fazendo cometer um erro. Maribel nunca vai se esquecer do quão apavorada ficou quando Santana ficou desaparecida por horas após o lançamento do vídeo que tanto lhe prejudicou.
Assim que sua mãe lhe deixou sozinha, Santana continuou sentada em sua cama sem reação. Suas mãos estavam sobre suas coxas e seus olhos fixos no chão. Quem a olhasse imaginaria que a mesma estaria viajando em sua própria mente, mas a verdade era que Santana estava desligada. Ela não reagia e ver Marley lhe trouxe o pior sentimento e medo que imaginou nunca mais ter. O medo de Marley estragar sua chance com Quinn. Fazer novamente sua vida um inferno, fazia Santana querer chorar, mas antes que isso pudesse acontecer, um toque de seu celular a fez ligar novamente, encontrando seu aparelho em seu criado mudo ligado. A mesma se aproximou lentamente e ao ver o nome de Quinn aparecendo em sua tela, Santana começava a chorar com a simples mensagem que recebia.
Quinn: Bom dia, Tana banana hahaha espero que você tenha uma ótima manhã e não vejo a hora de nos vermos no colégio hoje. Senti sua falta ontem à noite, porque alguém prometeu que conversaríamos novamente, mas esse “alguém” não apareceu, hm! Haha Bom, preciso me arrumar, porque estou atrasada. Nos vemos mais tarde, Tana, gosto muito de você. X
– Por favor, não me deixa. – Santana soluçava, abraçando seu celular após ler a mensagem de Quinn. – Por favor, não seja como ela, não seja como ela. Não me deixa. – A latina dobrava seus joelhos, deitando sua cabeça contra os mesmos, balançando seu corpo para frente e para trás. O medo que apertava seu coração fazia doer tanto que o choro era inevitável. Quinn era a única coisa boa que lhe aconteceu depois de tanto tempo sofrendo e Santana tinha a certeza de que Quinn Fabray era o amor da sua vida. Imaginar perdendo-a fazia Santana se desesperar ainda mais.
Santana passou as mãos por suas bochechas, secando suas lágrimas e desbloqueando seu celular. Ela não sabia de onde tal coragem estava vindo, mas algo a fez literalmente acordar a fazendo tomar uma leve atitude naquele momento.
Santana: Bom dia, Q. Me desculpe por ontem a noite, aconteceram algumas coisas e não pude responder mais. Hoje não vou estar no colégio, então acho que não nos veremos. Talvez outro dia? E também senti sua falta. Beijos S.
Enviando...
A latina respirou fundo, colocando seu celular novamente em seu criado mudo e se levantou para finalmente tomar seu banho. Ela não sabia como controlar seu medo, mas faria o possível para não deixar isso atrapalhar sua chance com Quinn. Marley já tinha estragado muito sua vida e Santana não deixaria que também estragasse sua chance com Quinn. Uma coragem desconhecida agia como uma bomba explodindo em seu peito e apesar do desespero, a latina tinha prometido a Quinn que confiaria nela e faria isso acontecer. Ela sabia que não poderia esconder para sempre sobre as coisas que lhe aconteceram no passado. Se ela realmente queria um futuro com a líder de torcida, Santana também precisava ser sincera.
Xxxx
– Ela não vai à escola hoje? – Quinn falava consigo mesma, olhando a mensagem em seu celular.
– Lucy! – A voz de seu pai a fazia olhá-lo, já que a família Fabray estava sentada ao redor da mesa tomando café da manhã. – Será que terei que confiscar seu celular? O que é mais importante do que sua família? – Russel perguntava autoritário e Quinn se segurava para não revirar os olhos.
– Nada, papai. Uma amiga estava me dizendo que não irá para o colégio hoje. – Quinn respondia, colocando o celular na mesa.
– E qual o problema nisso? – Russel voltava sua atenção para o prato a sua frente. – Isso afeta você de alguma forma?
– Mmm... Não, senhor. – Quinn respondia, olhando para sua irmã, que revirava os olhos.
– Então volte sua atenção para seu café da manhã, porque estamos na mesa e em família. Você sabe sobre as regras.
– Sim, senhor. – Quinn respirava fundo, voltando a comer seus deliciosos ovos com bacon.
Ela odiava seu pai por ser tão hipócrita. O mesmo nunca dava atenção para a família no café da manhã por sempre estar com o nariz enfiado nas folhas de jornais. Eles quase não conversavam entre eles naquele horário e Quinn não conseguia entender a implicância de Russel com esse tipo de coisa.
Quinn estava preocupada. Ela queria responder Santana e saber o que tinha acontecido. Quinn precisava saber se Santana estava bem e ficava agoniada em descobrir que a mesma não iria para o colégio. Quando disse que tinha sentindo saudades de Santana, Quinn estava sendo sincera. Ela não sabia ao certo o que sentia, mas tinha certeza de que era algo que crescia a cada dia em que passavam juntas. Algo que fazia seu coração disparar quando estavam próximas e apertar quando estavam longe. Fabray realmente estava com saudades de Santana e queria vê-la. Talvez, Quinn pudesse visitá-la naquela tarde após seu treino. Isso! Quinn pensava. Depois treino, ela sairia para visitar Santana.
Xxxx
– Mama? – Santana saia do banho, usando seu pijama marrom de laços pretos, com sua pantufa branca, se sentando no sofá.
– Si, mi amor? – Maribel respondia da cozinha, levando uma xícara de chocolate quente para sua filha e uma pílula de remédio.
– Quinn me mandou uma mensagem. – Santana comentava, dobrando seus joelhos em cima do sofá. – Gracias. – A garota pegava a xícara e fazia careta assim que via seu remédio.
– Oh, e o que ela disse? – Maribel sorriu, se sentando ao lado da filha. – Tome seu remédio, mijá.
– Ugh! Mama, eu não gosto desse remédio, ele vai me fazer dormir a tarde toda. – Santana fazia careta, mas sabia que era em vão discutir com seus pais, já que os mesmo sempre a fazia tomar seu remédio. – Quinn disse que ficou com saudades das nossas mensagens de todas as noites. – A latina sorria, tomando seu remédio, tomando um gole de seu chocolate.
– Aw mijá, isso é ótimo.
– Sim, mama. Eu a respondi, mas acho que ela deve estar na aula uma hora dessas, porque não me respondeu ainda. – Santana ligava a televisão, dando outro gole em seu chocolate.
– Provavelmente. – Maribel olhava suavemente para sua filha, que ainda estava com o coque e com alguns fios de cabeços molhados caídos sobre sua bochecha. Santana parecia tão frágil que a vontade de tê-la em seus braços era incontrolável. – Vou terminar de arrumar a cozinha. – Maribel comentava, depositando um beijo na testa da filha, antes de se levantar.
– Oh, ok mama. Acho que ficarei por aqui. – A latina arrumava seus óculos, sem tirar sua atenção do filme que passava.
A manhã de Santana foi sonolenta. Após terminar o filme que prendeu sua atenção, ajudou sua mãe ajeitar algumas partes da casa antes de se sentir sonolenta graças ao seu remédio. A garota sentia seu corpo fraco e seus olhos estavam quase se fechando sozinhos. Tinha intenção de fazer alguns desenhos, mas o remédio estava lhe derrubando. A latina estava se sentindo melhor e o fato de estar ao lado de sua mãe já lhe fazia se esquecer do desespero que passou na noite passada.
Sem conseguir lutar contra o sono, Santana se deitou novamente em sua cama, se colocando embaixo das cobertas e após colocar seus óculos no criado-mudo, caiu no sono pesado.
Xxxx
– Então sua puppy latina não apareceu hoje? – Kitty provocava irônica, ao lado de Quinn, enquanto estavam em seus armários. – Oh, pobre latina, deve ter pegado alguma doença, ou então, pelo lugar que mora, não me surpreenderia se por acaso tiver levado um tiro ou. –
– Cala a boca, Kitty! – Quinn fechava com força seu armário, fazendo Brittany e Ashley pularem de susto. – Não te interessa se ela veio ou não. A vida dela não é da sua conta e eu sugiro que você comesse a prestar atenção na sua vida e nas escolhas que faz, porque algumas não têm volta. – A líder de torcida arqueava sua sobrancelha, antes de dar as costas para Kitty, sendo seguida por Brittany.
– Não entendo porque Kitty continua implicando com Santana. – Quinn falava furiosa, andando pelos corredores.
– Kitty é invejosa, e está com inveja do seu relacionamento com a Sanny. – Brittany sorria, passando seus dedos pelos cabelos de Quinn.
– Não sei, talvez. – Quinn falava suave, sorrindo para sua melhor amiga. – Você vai fazer algo depois aula?
– Mmm, não sei ainda... Mike me convidou para sair. – Brittany sorria, fazendo Quinn olhá-la atenta.
– Para sair? Como assim? – Quinn perguntava, semicerrando os olhos.
– Não sei. Ontem depois que tivemos nosso pequeno encontro e ensaio para o glee clube, Mike me convidou para tomarmos chocolate quente depois da aula. – Brittany sorria, abraçando seus livros contra seu peito.
– Mmmm. – Quinn brincava, levando sua mão para o queixo de Brittany. – Será que alguém aqui tem um encontro essa tarde? – A líder de torcida sorria, depositando um beijo na bochecha da amiga.
– Talvez. Mas você sabe que também gosto de garotas... Não sei se quero me relacionar com Mike agora. – Brittany falava suavemente. – Tem uma garota que também está chamando minha atenção. – Brittany comentava tímida, e Quinn estava boquiaberta.
– Brittany S. Pierce. – Quinn falava surpresa. – Posso saber quem é essa garota?
– Eu adoraria te contar, Quinnie, mas primeiro quero ter certeza de que é ela. – Brittany sorria inocente, fazendo Quinn revirar os olhos.
– Ok. Ok... Mas sabe que terá que me contar em breve, não sabe? – Quinn semicerrava os olhos, e Brittany começava a rir.
– Eu sei, Quinnie bear, não se preocupe. Você é minha melhor amiga, bobinha, é claro que ficará sabendo de tudo. – Brittany depositava um beijo na bochecha da amiga. – E você? O que vai fazer depois da aula?
– Acho bom! – Quinn arqueava sua sobrancelha, tentando ficar seria, mas logo sorria novamente. – Mmmm, estava pensando em ir visitar Santana. Ela me mandou uma mensagem essa manhã dizendo que tinha acontecido algo com ela ontem à noite e fiquei preocupada.
– O que aconteceu?
– Não sei ainda, B. Mas vou descobrir assim que vê-la essa tarde. – Quinn sorria, e Brittany semicerrava os olhos, olhando nos olhos avelãs de sua amiga. – O que?
– Você está se apaixonando. – Brittany cantarolava, fazendo Quinn revirar os olhos. – Você está se apaixonando.
– Shhh... Não, eu não estou. – Quinn franzia o cenho, fazendo Brittany rir.
– Quinnie e Santana, sentadas em uma árvore b-e-i-j-a-n-d-o. – Brittany começava a cantar. – Primeiro vem amor, depois casamento e depois. –
– Brittany! – Quinn a interrompia, começando a rir. – Está bem, está bem... Talvez... – Quinn sussurrava. – Talvez, eu esteja me apaixonando e. –
– Eu sabia! Eu sabia! – Brittany pulava animada, abraçando Quinn com força a fazendo rir.
– Ela é diferente... Santana é especial, e nunca me imaginei gostando de uma garota antes de ela aparecer. – Quinn sorria, suavemente. – Ela abriu meus olhos e é nítido ver que ela realmente gosta de mim, B. Santana não quer tirar proveito de nada, ela apenas gosta de mim e isso é o suficiente para me fazer se encantar com cada pedacinho dela. – A loira respirava fundo, sentindo seu coração disparar. – Talvez eu esteja mesmo me apaixonando, mas isso tudo, porque ela é incrível e cada detalhe nela chama minha atenção. Ela é tão adorável, B.
– Awwwwww, Quinnie!
– Nunca me senti desse jeito perto de garoto nenhum. Ela é especial, sei que é.
– O dia em que ela te pedir em namoro, por favor, que eu seja a primeira a saber. – Brittany brincava, depositando um beijo na bochecha da amiga. – Agora vamos para aula senhorita apaixonada. Quanto mais rápido as horas passarem, mas rápido você verá o futuro amor da sua vida. – Brittany falava dramática, fazendo Quinn rir.
– Oh céus, B. Só você pra me fazer rir desse jeito depois de um encontro com Kitty. – Quinn deitava sua cabeça no ombro da amiga e as duas entravam para sua próxima aula.
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– Quinn? – Enquanto Quinn saia rapidamente do colégio em direção ao seu carro, uma voz na qual ela conhecia muito bem a chamava sem parar. – Quinn, espera! – A garota parou em frente ao seu carro, revirando os olhos e assim que se virou, encontrou Puck a sua frente, mordendo seu lábio inferior a olhando nervoso. – Hey.
– O que você quer, Noah? – Quinn perguntava impaciente.
– Quinn, Eu... E-eu quero me desculpar por tudo que aconteceu. – Puck falava suavemente e Quinn franzia o cenho, o olhando. – Olha, sei que não tenho como justificar nenhum dos meus erros, mas sempre gostei de você, Quinn. Meus sentimentos sempre foram sinceros e nunca quis te machucar, ok? E-eu devia ter te esperando e te respeitado, mas fui idiota em deixar minhas necessidades atrapalhar o que tínhamos. – Puck coçava a nuca, e Quinn continuava com seus olhos fixos aos dele. – Não estou aqui para pedir que você volte pra mim, porque não sou idiota, está bem? Sei que isso nunca aconteceria, mas antes de namorarmos e até mesmo quando namorávamos você era e sempre foi minha melhor amiga, Q. Era a única quem me colocava no lugar e me ajudava quando tinha problemas com minha mãe e minha irmã. – Puck respirava fundo. – Tudo bem se não quiser mais falar comigo, vou entender... E-eu... Eu só queria que pudéssemos voltar a ser amigos, só isso. – Puck respirava fundo, desviando seu olhar para seus pés, antes de olhar novamente para Quinn.
Dizer que estava magoada com Puck, era pouco. Quinn estava furiosa por tudo que tinha acontecido. Por Puck ter traído sua confiança e feito o que fez. Quinn estava magoada porque sempre achou que Puck a respeitava como namorada e amiga, mas depois da traição, ela não tinha tanta certeza assim.
– Não vou mentir, mas tudo o que você fez me magoou, Puck. Sempre achei que realmente fossemos amigos e que você me respeitava. Podia não me amar, mas que pelo menos tivesse respeito, porque como você mesmo disse éramos amigos. Me magoou, porque achei que durante todos os meses em que namoramos, você só estava comigo por interesse. Por querer me levar para cama. – Quinn falava suavemente e Puck abriu a boca para responder, mas a mesma o interrompeu. – Não quero saber se você gostava de mim ou não. Se seus sentimentos por mim eram verdadeiros ou não, porque nada disso me interessa mais. Se você queria tanto transar com Ashley, deveria ter terminado comigo primeiro, era o mínimo que você deveria fazer ao invés de agir como um cafajeste idiota. E você tem razão, éramos amigos e nossa amizade era muito importante pra mim, Puck. Você era um grande amigo e adorava quando conversávamos de coisas aleatórias ou sem noção. Você era sim um grande companheiro, mas a confiança só se tem uma vez, Puckerman, uma vez, e não sei se consigo ter isso com você novamente.
– Quinn...
– Olha, essa não é uma boa hora para conversarmos sobre isso, está bem? E-eu preciso de um tempo ainda, Puckerman. O que você fez me magoou bastante, porque realmente achei que fossemos amigos e que você me respeitava como namorada, mas a confiança foi embora. Talvez se dermos um tempo longe um do outro as coisas melhorem, porque minha cabeça precisa esfriar. Ashley também se desculpou, mas não sei ainda o que fazer. Vocês dois me fizeram de idiota e isso é frustrante, Puckerman. É humilhante. Então, me deixem sozinha por algum tempo, está bem? Depois conversamos novamente sobre isso. – Quinn falava suavemente, e Puck sabia que não adiantaria nada insistir ou pressioná-la naquele momento.
– Claro, Quinn. Tudo bem. Desculpa novamente por ter sido um idiota. – Puck respirava fundo e no momento em que olhou novamente nos olhos de Quinn, a líder de torcida podia ver o quanto o mesmo estava sendo sincero esse tempo todo. – Quando estiver pronta para me desculpas estarei aqui. Você merece ser feliz, Quinn, e não se esqueça que seu amigo aqui sente sua falta.
– Obrigada, Puck. Você também merece ser feliz. – Quinn sorria e Puck apenas assentiu, coçando sua cabeça antes de se afastar.
– Whoa... Isso foi uma surpresa. – Quinn falava sozinha, antes de se virar para entrar em seu carro. Ela já tinha tirado a roupa de seu uniforme e estava pronta para ir visitar Santana.
Xxxx
– Mijá? – Maribel passava seus dedos pela testa da filha, lhe acordando para poder comer novamente, já que a mesma não tinha acordado para poder almoçar. – Santana, você precisa acordar, mi amor. Já está dormindo por horas. – Maribel falava carinhosa, e Santana murmurava, passando a mão no rosto e lentamente abria seus olhos.
– Mama? – A garota falava sonolenta, lutando para manter os olhos abertos.
– Hey, bela adormecida, você precisa acordar ou então não vai conseguir dormir mais tarde. Fiz um delicioso lanche para você. Queijo branco, peperoni...
– Alface e tomate? – Santana murmurava de olhos fechados.
– Si, mi amor. Alface e tomate. Agora vamos, levante, vá até o banheiro e lave já esse rosto. Você precisa acordar, Santana. – Maribel balançava cuidadosamente os ombros da filha, que apenas resmungava. Era muito difícil acordá-la depois que tomava seu remédio e antes que uma delas pudesse dizer algo, a campainha tocou fazendo Maribel franzir o cenho. – Levanta, Santana! Vou ver quem está na porta. – Maribel depositou um beijo na cabeça da filha, saindo do quarto.
Assim que Maribel abriu a porta, um sorriso automático aparecia em seus lábios ao ver quem estava parada ali.
– Como vai, sra. Lopez? – Quinn falava educada, e Maribel dava espaço para que a mesma entrasse. – Obrigada.
– Estou bem, Quinn, e você? – Maribel fechava a porta, virando sua atenção para Quinn.
– Estou bem. Espero que não se importe, sra. Lopez, mas Santana não foi ao colégio hoje e imaginei que talvez seria uma boa ideia se eu viesse visitá-la. – Quinn falava suavemente, e Maribel continuava sorrindo.
– Oh, imagina, querida. Está tudo bem. Ela tomou seu remédio essa manhã e está um pouco sonolenta. Agora mesmo estava tentando acordá-la. – Maribel ria baixo, e Quinn fazia o mesmo, imaginando o quão adorável Santana devia estar naquela hora. –Me dê só um minuto que vou avisá-la que você está aqui. Por favor, fique a vontade. – Maribel apontava para seus sofás e Quinn assentia, sorrindo e se sentando.
O sorriso no rosto de Maribel era grande. Ela sempre teve esperanças de que Quinn fosse diferente e que fosse trazer alegria para sua filha, e vê-la ali, em sua sala por simplesmente estar preocupada com Santana, fazia seu coração acelerar de felicidade.
– Mijá, adivi. – Maribel abria a porta, mas encontrava a cama de Santana vazia. – Mijá? – A mãe da latina franzia o cenho e antes que pudesse dizer algo, ouviu barulho de água vindo do banheiro ao lado. – Santana? – Maribel batia na porta, recebendo um pequeno murmuro como resposta. – Mijá, Quinn está aqui e quer te ver.
– Já vou, mama! – Santana respondia.
De repente, após ouvir a voz de Quinn, Santana pareceu ter levado um choque embaixo das cobertas. Levantou, correndo para o banheiro indo tirar seu pijama e se arrumar para receber Quinn.
– Ok, mijá. Ela está esperando. – Maribel sorria, e se afastava da porta, voltando para sala. – Ela já está vindo, Quinn. Acabou de acordar.
– Tudo bem, sra. Lopez, obrigada. – Quinn sorria, brincando com o anel em um de seus dedos.
Não demorou para que a porta do banheiro se abrisse e Santana aparecesse na sala usando uma calça legging preta, com uma blusinha de manga cumprida florida escura, com sua bota UGG nos pés. Obvio que ela não receberia Quinn vestindo seu pijama, de cabelos bagunçados e com sua pantufa. Seu cabelo estava solto, e a mesma usava seus óculos, os ajeitando assim que encontrou Quinn sentada em um dos sofás.
– Quinn? – Santana falava suavemente, e a loira sorria, se levantando e abraçando-a com força.
– Tana! Você está bem? – Quinn perguntava preocupada, depositando um beijo na bochecha da latina e se afastando para vê-la melhor.
– Estou bem, Q. – Santana sorria. – Não precisa se preocupar, está tudo bem.
– Está brincando? É claro que me preocupo, Tana. Achei que você estava machucada. – Quinn fazia um bico suave, e Santana começava a rir.
– Não. Não estou machucada, estou bem. Olha... – Santana brincava, abrindo seus braços e girando, deixando que Quinn olhasse todo seu corpo. – Viu? Estou bem. – A latina ria baixo, ao ver as bochechas de Quinn vermelhas.
– C-claro. Sim, você está bem. – A loira sorria, desviando seu olhar para seus pés. – Mas... O que aconteceu, Tana? – Quinn perguntava suavemente e Santana respirava fundo, encontrando o olhar de sua mãe atrás da líder de torcida.
– Tudo bem se formos para meu quarto? – Santana perguntava suavemente e Quinn assentia. – Mama, vamos para o meu quarto.
– Está bem, mijá, levarei seu lanche até lá.
– Gracias, mama. – Santana sorria, virando sua atenção para Quinn, segurando em sua mão e a levando para seu quarto. – Não repara. Eu estava cochilando. – A latina sorria, ajeitando o edredom em sua cama.
– Tudo bem, Tana.
– Pode ficar a vontade, Q. – Santana apontava para sua cama e Quinn tirava suas botas e junto da latina, sentavam na cama. Santana apoiava suas costas na cabeceira, enquanto Quinn se sentava a sua frente, cruzando as pernas estilo borboletas.
– E então, Tana, me diz o que aconteceu? Ontem à noite, achei que tinha realmente acontecido algo, porque você disse que me mandaria mensagem assim que chegasse em casa e fiquei esperando até cair no sono. – Quinn sorria suavemente.
– Desculpa, Q. É que... – Santana mordia o canto de seus lábios, sem saber como exatamente explicar o incidente da noite passada, sem precisar entrar nos detalhes do passado. – Ontem à noite, quando estava saindo do restaurante tive uma crise de ataque de pânico e apaguei. Desmaiei no meio do salão. – Santana dava de ombros. – Demorei um pouco para voltar e quando isso aconteceu, meus pais me trouxeram direto para casa e precisei tomar meu remédio, aquele que me faz desmaiar de sono. – A latina sorria suavemente. – Odeio esse remédio, mas não tenho outro, então... – Santana encolhia seus ombros. – Não demorou para que eu dormisse quando cheguei em casa e só acordei essa manhã.
– Oh... – Quinn respondia, mas ela sabia que os ataques de pânico de Santana não aconteciam por acaso. Quinn sabia que algo tinha lhe causado tudo aquilo e por mais que estivesse preocupada, estava com medo de ser intrusa demais. – Seus ataques de pânicos me deixam preocupadas. – Quinn sorria suavemente, brincando com a ponta do travesseiro em seu colo.
– Eles só acontecem quando. –
– Quando você passa por alguma situação ruim. – Quinn a interrompia, falando suavemente. – Tana, o que aconteceu ontem à noite? – Mesmo com medo de ser intrusa demais, Quinn queria que Santana confiasse nela. Queira que a latina finalmente se abrisse. – Olha, eu sei que você deve ter muita coisa que guarda aí dentro, mas Tana, se queremos conhecer uma a outra e nos aproximar, quero que você veja que pode confiar em mim, está bem? Prometo que não vou trair sua confiança. – Santana não sabia se devia dizer algo, mas ao encontrar os olhos que tanta amava, podia ver sinceridade. Se ela queria confiar em Quinn, devia começar a demonstrar isso.
– É que... – Santana começava a falar suavemente, passando a mão por seu cabelo, colocando uma mecha para trás da orelha. – No meu antigo colégio, tinha uma garota que eu gostava... – Santana falava devagar e Quinn mostrava que toda sua atenção era da latina a sua frente. – E-ela e alguns amigos fizeram umas coisas muito ruins. Não é novidade pra mim sofrer bullying no nosso colégio, porque eu sofro com isso desde a minha quarta série, eu acho, mas conforme fui crescendo as coisas foram piorando. – Quinn assentia, sentindo seu coração apertar. – Bom, o nome dela era Marley e ela fingiu se interessar por mim. Ela e algumas de suas amigas demonstravam ter interesse em me conhecer e se aproximaram... – Santana sorria suavemente, mordendo sua bochecha, apesar de demonstrar estar calma, era a primeira vez que Santana comentava sobre isso e não estava sendo nada fácil. – Com a aproximação, acabei gostando dela e ela dizia que também gostava de mim, mas no final, tudo não passou de uma mentira e só queriam me fazer mal... Muito mal. – A latina desviava seu olhar, segurando as lágrimas que juntavam em seus olhos. – Foi por causa dela que meus ataques de pânico começaram e por causa dela tenho dificuldade para confiar em outras pessoas, porque elas realmente me fizeram acreditar que gostavam de mim, Q. Elas me fizeram acreditar que se importavam comigo e quando me abri para uma delas, fizeram da minha vida um inferno no qual até hoje tenho dúvidas se consegui sair. – A latina continuava olhando para suas mãos. – E-eu fiquei muito doente depois de tudo que aconteceu e foi muito difícil me recuperar. Tive ajudas de uma ótima terapeuta e esse remédio que me coloca para dormir. Depois de um tempo querendo apenas ficar trancada nesse quarto, consegui me recuperar com ajuda da minha família e minha mãe me matriculou no William McKinley, e então conheci você. – Santana sorria e podia ouvir a risada suave e baixa de Quinn. – A verdade é que precisou ter uma ordem de restrição contra todas as garotas que me fizeram mal. Meus pais processaram o colégio e achei que nunca mais viria nenhuma delas, principalmente Marley, mas ontem... No restaurante.
– Ela estava lá? – Quinn perguntava suavemente, estendendo sua mão e segurando na de Santana.
– Mhm. Ela estava. – A latina sentia seu corpo se arrepiar com os dedos macios de Quinn brincando com os seus. – E quando a vi, passei mal e acabei desmaiando. É muito difícil encontra-la, ou encontrar uma delas. Achei que nunca mais as veriam, mas ela estava lá e fiquei com muito medo. O que elas fizeram comigo, Q... – Santana passava sua mão rapidamente sobre sua bochecha, secando a lágrima que escorria. – Não desejo isso para ninguém e nunca imaginei que alguém poderia fazer isso com outra pessoa por simples diversão. Foi muita maldade. – A latina balançava sua cabeça, e antes que pudesse dizer algo, Quinn se aproximava, depositando um beijo demorado em sua bochecha, e entrelaçando os dedos aos dela.
– Não sei o que elas fizeram com você. Não sei de nada do que você passou, mas fico feliz e agradeço por estar começando a confiar em mim e me contar sobre isso. – Quinn falava carinhosa, pousando sua mão sobre a bochecha de Santana. – Entendo seu problema com confiança, mas não sou elas, Tana. Não sou nenhuma delas. Nem eu, nem Brittany e acredito que nem os garotos do coral. Todos somos sinceros com você e por mais que seja difícil acreditar, basta olhar ao seu redor... O clube do coral também não é nada popular. – Quinn ria baixo e Santana fazia o mesmo. – Eu e Brittany temos popularidade, porque somos líderes de torcida e nada mais. Nunca procuramos por isso, nunca demos importância para isso. Claro que já tivemos nosso momento em aproveitar da situação, mas é cansativo ser uma pessoa que você não é. E essa garota aqui na sua frente... – Quinn fazia Santana olhá-la. – Ela se chama Lucy, e antes de se tornar líder de torcida, era gordinha, usava óculos e tinha a pele manchada. Ninguém sequer olhava na direção dela e já teve muito de seus livros jogados no chão. – A loira falava suavemente, e Santana franzia o cenho, surpresa. – Sim, Tana. Eu também já fui rotulada como nerd, mas nunca fui uma nerd tão linda como você. Meu primeiro nome é Lucy e o segundo Quinn, depois de ter decidido mudar, optei por apenas ser chamada pelo meu segundo nome e esquecer de que Lucy um dia existiu. – Agora Santana podia jurar que suas bochechas ficavam vermelhas. – Você é especial, linda e inteligente, ninguém tem o direito de te machucar ou te maltratar. Vou estar ao seu lado e te proteger o quanto estiver ao meu alcance. Você precisa confiar em mim e não no que os outros falam. Te dou a minha palavra de que eu e Brittany temos interesses verdadeiros em nos aproximamos de você. Eu tenho ainda mais. – Quinn sussurrava a última parte, mordendo o canto de seus lábios, sem quebrar o contato com os olhos da latina. – Não vou deixar que nada te aconteça e já disse que não vou te machucar. Aquilo que Kitty te disse na manhã passada foi por inveja, porque ela sabe que você é minha prioridade agora. – Quinn não sabia de onde essas palavras saiam, mas tinha certeza que deixou que seu coração falasse sozinho pela primeira vez.
Enquanto olhavam uma nos olhos da outra, Santana sentia seu coração acelerando com as palavras de Quinn. Ela achou que contando tudo aquilo, Quinn fugiria lhe chamando de fraca e se afastaria por achá-la uma doente cheia de problemas, mas novamente Quinn a surpreendeu mostrando que não importa quais problemas ou o que Santana carregava em sua bagagem, porque a líder de torcida sempre vai estar ao seu lado e por mais que seja difícil acreditar, Santana ignorava seu cérebro gritando e apenas ouvia seu coração.
Um sorriso bobo apareceu em seus lábios e antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, aquilo que ela sempre sonhou acontecia. Os lábios de Quinn estavam pressionados contra os dela.
Santana arregalou seus olhos, mas seu susto durou apenas por alguns segundos já que em seguida seu corpo começava a relaxar e seus olhos se fechavam juntos aos de Quinn. O beijo não era nada comparado ao primeiro beijo em que Santana roubou de Quinn na noite do seu aniversário. Aquele beijo demonstrava tudo o que Quinn não conseguia dizer. Tudo aquilo que Santana não conseguia fazer.
O beijo tinha começado com um carinhoso selinho, mas assim que Santana percebeu o que estava acontecendo, levou uma de suas mãos para o rosto de Quinn, inclinando sua cabeça para o lado oposto da mesma e agora seus lábios se encaixavam perfeitamente, iniciando um beijo suave e que falava muita, mas muita coisa.
A língua de Quinn passava pelos lábios de Santana, pedindo permissão para entrar em sua boca e no mesmo instante, a latina abria sua boca, deixando que sua língua fosse de encontro a de Quinn. Uma massageava carinhosamente sobre a outra, em um movimento lento no qual nenhuma das duas parecia querer acelerar.
O coração de ambas parecia que saltariam por suas gargantas e Santana sentia como se seu mundo fosse explodir de felicidade. As borboletas em suas barrigas batiam asas freneticamente demonstrando o quão felizes estavam por tudo que acontecia. Nenhuma parecia se assustar com a reação de Quinn e continuava com o beijo carinhoso e apaixonado.
Quinn já estava de joelhos na cama, com uma de suas mãos apoiadas no colchão ao lado da perna de Santana, equilibrando seu corpo, enquanto sua outra mão acariciava a bochecha da latina. Ela não sabia o que tinha a levado a fazer isso, mas era algo que estava com vontade a muito tempo. Era algo que naquele momento, seu coração gritou para que ela finalmente avançasse. O beijo dizia tanto sobre a relação em que estavam.
Seus lábios se moviam em um ritmo gostoso e suave, que somente as fizeram se separar quando precisaram de ar para respirar.
Quinn encostou sua testa contra a de Santana, e podia sentir o polegar da mesma sobre sua bochecha. As duas abriam os olhos juntas encontrando uma o olhar da outra e no mesmo instante um sorriso aparecia nos lábios das duas.
Um sorriso que dizia o quanto a reação de Quinn foi uma das melhores coisas que já aconteceu na vida de Santana.
Antes que pudessem dizer qualquer coisa, uma batida na porta as faziam se separar rapidamente, começando a rir baixo.
– Mijá, posso entrar? – Maribel perguntava do outro lado da porta.
– Si, mami. – Santana mordia o canto de seus lábios, sem tirar os olhos de Quinn.
– Fiz lanches para vocês. – Maribel sorria, entrando com uma bandeja na mão, colocando a mesma em cima da cama, próximo as meninas. – Um delicioso suco fresco de laranja.
– Gracias, mami. – Santana sorria, olhando pela primeira vez sua mãe.
– Obrigada, sra. Lopez. – Quinn agradecia.
– Imagina. Fique a vontade, Quinn. – Maribel depositava um beijo na cabeça de Santana, antes de sair do quarto e fechar a porta.
Assim que as duas se encontraram sozinhas novamente, Santana queria que Quinn a beijasse de novo. Ela sentia falta dos lábios da líder de torcida sobre os seus, mas não sabia se deveria ou não tomar alguma atitude.
As duas encontraram o olhar uma da outra e era inevitável esconder o sorriso que aparecia em seus lábios. Quinn mordia o canto de seu lábio inferior e sua mão novamente entrelaçava na de Santana.
– Você... – Santana sussurrava, olhando para suas mãos. – Mmm, você quer passar a tarde aqui? – A latina perguntava, sentindo seu estômago revirar imaginando como seria seu final de dia ao lado de Quinn.
– Mhm... – Quinn assentia, acariciando a mão de Santana com seu polegar.
– Ok. – A latina respondia, carinhosa, olhando novamente para os olhos de Quinn.
– Ok. – A loira ria baixo e Santana por impulso, se aproximou depositando um selinho nos lábios de Quinn, a fazendo sorrir ainda mais.
Aquela reação sem dúvidas não lhe causou nenhum desespero ou ataque de pânico. Ela sabia que sua tarde seria diferente de todas que já passou sozinha.
Foi uma reação que enquanto se olhavam, naquele momento tirava toda a dúvida de Quinn. Ela estava sem dúvidas apaixonada por Santana Lopez.
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