Hurricane
7 It's hard to breathe.
Notas iniciais
Quinn estava em seu quarto fazendo seu dever do colégio, quando a porta se abriu, fazendo-a se virar suavemente.
– Lucy. – A voz de seu pai ecoava no quarto. – Hoje vamos sair para jantar. Esteja pronta às 8 horas, por favor. – Russel sorria suavemente.
– Claro. Estarei pronta. – Quinn respondeu e sem dizer nada, Russel fechou a porta, desaparecendo do quarto de sua filha.
Russel Fabray era conhecido na cidade como o empresário mais bem sucedido do estado. Conhecido por amigos e familiares como um ótimo pai e marido. Quinn não tinha o que reclamar. Russel realmente era uma boa pessoa. Ela e sua irmã Frances sempre tiveram tudo o que queria, mas, uma coisa Russel nunca conseguir dar a suas filhas. Carinho. Atenção. Um verdadeiro amor de pai. Isso, Frances e Quinn nunca tiveram e aprenderem a crescer dessa forma.
Quinn raramente via seu pai, já que o mesmo trabalhava dia e noite e quando chegava suas filhas já estavam dormindo. Frances foi a única a ter uma proximidade maior com Russel, já que por ser a primeira filha, foi a garotinha do papai até completar seus cincos anos.
Fora de casa, Russel era o pai carinhoso, brincalhão e orgulhoso de suas filhas, mas quando estavam dentro de casa. Russel era apenas mais um morador da residência dos Fabray. O mesmo apenas conversava com suas filhas na hora do jantar, onde perguntava sobre como estavam no colégio e vez ou outra perguntava sobre seus devidos namorados. Dificilmente mostrava algum interesse na vida social das filhas. O único interesse era que ambas fossem boas alunas para que no futuro, fossem ótimas empresárias para que pudessem trabalhar ao seu lado.
Vindo de uma família religiosa, Russel e Judy Fabray, sua esposa, iam todos os domingos pela manhã a igreja, onde mostravam ser fieis com suas crenças. Conforme cresciam, Quinn e Frances abriam os olhos ao ver que nem tudo era uma abominação do demônio. As duas garotas Fabray frequentavam festas do colégio e bebiam álcool sem o menor remorso. Claro que Frances muitas vezes exagerava, mas Quinn houve poucas às vezes em que realmente se embebedou.
A garota fazia questão de dentro de casa ser a filha perfeita. Ela sabia das consequências que teria caso desafiasse seu pai e junto de sua irmã uma ajuda encobertava a outra. Ambas sabiam exatamente o quão dolorido era quando Russel Fabray usava seu cinto para corrigi-las. Era dolorido e muitas vezes Frances tomava o lugar da irmã para não vê-la sofrer.
Já Judy Fabray é a típica esposa, mãe e dona de casa americana. Sempre orgulhosa das filhas, do marido e o acompanha para todos os lugares. Viagens, festas e muitas vezes reuniões importantes, como jantares. Como toda mãe, é dolorido ver o modo como Russel disciplina suas filhas. Quando uma delas está embaixo do cinto do pai, o coração de Judy se aperta com cada choro e lágrima que escorre pelas bochechas de suas duas bebês.
Após apanharem de Russel, Judy era quem lhes abraçavam até dormirem. A senhora Fabray tentava lhes acalmar, pedindo que se comportassem e que respeitassem o pai. Era nítido ver que mesmo consolando as próprias filhas, Judy ainda tomava o lado de seu marido que muitas vezes exagerava ao corrigir as meninas.
Conforme cresciam, Quinn e Frances aprenderam a lidar com seus pais e enquanto estavam aos olhos deles, demonstravam ser perfeitas.
Naquela noite, Quinn não estava animada para sair e jantar com sua família, até porque, a mesma ainda estava com raiva por tudo que tinha acontecido e queria matar Puck todas as vezes que se lembrava da história. Mas apesar disso, o que lhe trazia calma eram as palavras lindas de Santana.
Quinn nunca tinha ouvido ninguém falar aquelas coisas para ela com tanto amor, carinho e devoção. Santana colocou todo seu coração em suas palavras, mesmo sendo algo simples, fez Quinn se sentir especial. Algo que em todos esses anos de namoro com Puck, ela nunca sentiu. A loira estava com um sorriso estampado no rosto e se perguntava como alguém tão especial como a latina pode sofrer tanto. Como são capazes de maltratar uma pessoa tão linda por dentro e por fora. Quinn não se conformava com aquilo e estava determinada em ajudá-la. Em não deixá-la mais sozinha, até porque, Quinn sentia um carinho enorme por Santana todas as vezes que estavam próximas.
Da mesma forma que ela sente a necessidade de proteger Brittany, Quinn sente o mesmo – ou talvez o dobro, por Santana.
A latina em seus olhos ainda era um mistério. Quinn não sabia do porque ela querer sempre estar sozinha ou por ser tão fechada, mas estava determinada em conhecê-la melhor. Em realmente virar sua amiga. Santana era especial e Quinn podia sentir isso. Ela queria um jeito de falar com Santana que fosse fora do colégio e se perguntava muitas vezes como a mesma não tinha um celular. Um simples que fosse ou um facebook. Claro, se Santana tivesse uma conta, as duas poderiam conversar, mas Quinn já cansou de procurar e nunca conseguiu achá-la. Era como se Santana estivesse se escondendo literalmente. Sem instagram. Facebook. Twitter. Nada. Talvez ela não tenha nada por ser sozinha. Quinn pensava e seus olhos começavam a se encher de lágrimas. Era difícil se imaginar sendo sozinha e não conseguia sequer imaginar por tudo o que Santana passava.
Quinn estava determinada em mudar isso e junto com Brittany, faria a diferença na vida da latina.
O relógio indicava que estava na hora de Quinn começar a se arrumar. A loira sabia que demorava horas para ficar pronta e seu pai odiava atrasos. Quinn fechou seu laptop, indo direto para seu banheiro tomar seu banho.
Quinn tentava relaxar em sua banheira, ligando seu Ipod, ouvindo One Republic enquanto se esquecia de tudo que aconteceu naquela tarde.
Após sair do banho, Quinn foi para seu guarda-roupa escolher a roupa adequada para aquela noite. Fabray tinha um gosto delicado e moderno no qual incluía muitos vestidos. Com a noite fria, Fabray optou por um vestido amarelo claro, com uma meia calça grossa preta, um sapato da mesma cor e por cima, um casado preto do mesmo cumprimento de seu vestido.
A loira se enrolou em seu roupão, preparando primeiramente sua maquiagem simples. Corretivo. Base. Blush, delineador e rímel. Nada que a fizesse parecer vulgar, até porque, ela estava indo em um jantar em família. Com Russel Fabray. Quanto mais simples, melhor.
O relógio marcava quase oito horas quando terminava de calçar seu sapato. A loira pegou sua bolsa junto de seu celular, descendo as escadas para encontrar sua irmã que provavelmente já estaria esperando por seus pais.
– Wow... Você foi rápida. – Frances brincava com sua irmã.
– A gente aprende a ser rápida quando se é filha de Russel Fabray. – Quinn sorria e logo seus pais desciam as escadas, prontos para saírem.
– Vamos jantar só nós? – Frances perguntava.
– Sim. – Russel abria a porta para suas três mulheres passarem e as seguiam fechando a porta atrás de si. – Seremos só nós.
– E onde vamos jantar? – Frances continuava interessada.
– Em um dos melhores restaurante da cidade é claro. Waldorf. – Russel respondeu e suas filhas apenas assentiram.
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– Mami, eu estou com fome. – Santana estava sentada em um dos freezers na cozinha do restaurante, enquanto Maribel e seus companheiros de trabalham cozinhavam sem parar. A latina naquela tarde resolveu ir direto para o restaurante encontrar sua mãe, já que a mesma sabia que hoje seria uma daquelas noites na qual não veria Maribel.
Santana era conhecida por todos os funcionários e sabendo da situação de Maribel Lopez, o gerente do restaurante não se importava com a presença de Santana, contanto que a mesma não causasse nenhum problema.
– Uma macarronada deliciosa com molho de tomate seco. – Owen, um dos cozinheiros ajudantes de sua mãe, trazia um prato grande de comida para Santana. – Para minha latina favorita. – O rapaz brincou.
– Obrigada, Owen. – Santana sorriu, pegando o garfo ao seu lado, começando a comer sem hesitar. Ela realmente estava faminta. – Mmm... Está uma delícia.
– Maribel, Owen. – Carly, A gerente do restaurante entrava na cozinha. – O jantar da mesa 10. Onde está?
– Já estou levando. – Annie, uma garçonete loira de 26 anos, entrava logo atrás, pegando os pratos prontos e os levando para fora da cozinha.
– Não olha para mim desse jeito. – Maribel falava para Carly. – Todos os pedidos estão saindo na hora.
– O restaurante está lotado. – Damien, um garoto afro-americano, também garçom, entrava na cozinha, retirando mais pratos já prontos e os levando para dentro do restaurante.
– É, a gente meio que percebeu isso. – Owen respondia sarcástico, fazendo Santana rir.
– Mijá, você já fez seus deveres? – Maribel perguntava para Santana, enquanto dourava uma de suas famosas sobremesas.
– Mhm, fiz logo quando cheguei aqui. – Santana respondia concentrada em seu prato de macarrão.
– Ótimo.
– Hey San... – April, a ajudante de Owen, chamava por Santana. – O que acha de provar um dos meus ovos mexidos? – A mulher perguntava, fazendo a latina rir.
– Mas o que tem de especial nos seus ovos mexidos? – Santana arqueava sua sobrancelha, ajeitando seus óculos.
– Nada. – Owen respondia. – Provavelmente ela apenas acrescentou mais uma pitada de sal e agora acha que está arrasando. – O rapaz revirava os olhos fazendo Santana rir. Ela adorava vir no restaurante. Era ali realmente se importavam com ela.
– Me sinto ofendida. – April balançava a cabeça, voltando sua atenção para o que preparava.
– Awh! April, prometo que se você fizer eu vou comer. Não ligar para o Owen, ele só está com inveja. – Santana continuava rindo.
– Ele tem inveja de quem inventa pratos novos. – Leo. Um dos cozinheiros que pilotava o fogão comentava enquanto preparava uma lagosta.
– Tem medo de perder o posto de Chef. – Maribel entrava na brincadeira.
– Ok. Ok. Vamos parar de pegar no meu pé. Obrigado. – Owen levantava a colher que estava na mão, em sinal de redenção.
– Ele sabe que é verdade. – Leo fazia seu último comentário e todos continuavam rindo.
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– Senhor Fabray. – Carly recebia Russel e sua família enquanto os mesmo entravam no restaurante. – É sempre um prazer recebê-los.
– Obrigado. – Russel agradecia.
– Por favor. A mesa de vocês é por aqui. – Carly segurava os quatro menus, caminhando em direção a uma mesa no centro do restaurante, onde os acentos era um sofá macio.
Russel e Judy se sentaram um do lado do outro, enquanto suas filhas sentavam a sua frente. Carly lhes entregou os menus, pedindo licença enquanto se retirava.
– Mmm... Tudo aqui é sempre uma delícia. – Frances comentava. – É difícil escolher um prato só.
– Bom, trate de comer pouco. – Russel comentava.
– Acho que vou querer essa salada de palmito e salmon. – Quinn fechava o cardápio, olhando para sua irmã.
– Mmm... Eu vou querer esse macarrão de molho pesto. — Frances fazia o mesmo que sua irmã, olhando para seus pais.
– Vou acompanhar a Lucy. – Judy sorria para sua caçula.
– Certo. – Antes mesmo de Russel procurar por algum garçom, Damien aparecia na mesa, segurando seu notepad para anotar os pedidos.
– Boa noite. Meu nome é Damien e estarei os servindo essa noite. – O rapaz falava educado e logo Russel fazia o pedido de todos eles, incluindo o de si mesmo, seguindo de uma ótima garrafa de vinho e água para suas duas filhas.
– E então Frances, como anda o colégio? – Russel perguntava para sua filha mais velha, assim que Damien os deixou a sós.
– Está bem. Feliz por finalmente ser meu último ano. – Frances sorria empolgada. – Nem acredito que próximo ano estarei na faculdade.
– E em uma ótima faculdade. – Russel assentia. – Harvard foi uma ótima escolha, Frances.
– Obrigada, pai. – A garota respondia. Diferente de Quinn, Frannie tinha certeza de que seguiria os passos do pai. Desde pequena tinha paixão para os negócios e estava certa do que queria.
– Espero que você conheça um rapaz que cuide de você. – Russel sorria suavemente pelo canto dos lábios. – E você Lucy?
– Bom, minhas notas continuam boas. – Russel sorria. – Sou uma das melhores líderes de torcida do meu colégio. – A loira falava orgulhosa.
– Isso é ótimo, Lucy. – Judy sempre ficava animada quando sua filha comentava das líderes de torcida.
– E como está Noah? – Russel perguntava sério. O pai de Quinn nunca gostou do rapaz e nunca apoio o relacionamento da filha, porque sabia que Noah Puckerman nunca poderia dar um futuro bom para sua caçula. Afinal, o rapaz não tinha onde cair morto.
– Nós terminamos. – Quinn respirava fundo.
– Ótimo. – Russel apenas assentiu e Frances olhou para sua irmã, segurando sua mão por baixo da mesa. Ambas não davam a mínima para o que seus pais achavam dos garotos que namoravam, mesmo sabendo que Russel jamais tinha os aceitado por simplesmente serem de família classe baixa.
Russel contou sobre o seu dia no escritório e depois de alguns minutos, Damien voltou para a mesa trazendo seus devidos pedidos.
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– Mijá. – Maribel chamava sua filha que estava praticamente dormindo com a cabeça deitada na mesa.
– Mmm?
– Mi amor, você pode, por favor, pedir para Carly me trazer um vinho branco. Francês. É o que usamos no molho para carnes. Nosso estoque acabou e eu estou precisando.
– Mami, vocês não tem mais dentro do freezer? – Santana continuava de olhos fechados.
– Acabou. Peça para Carly que ela sabe onde está nossa outra remessa. – Maribel continuava concentrada em seu prato.
– Ugh! Está bem. – Santana abria seus olhos, se levantando da cadeira, ajeitando sua blusa, saindo lentamente da cozinha a procura de Carly.
Quando a mesma abriu a porta, percebeu o quanto restaurante estava lotado. Os garçons andavam de um lado para outro, saindo e entrando na cozinha. A música que soava pelas caixas de som era um jazz suave fazendo os clientes relaxarem enquanto jantavam. Santana logo avistou Carly próxima ao bar, indo direto até a mesma dando o recado que sua mãe lhe pediu.
Enquanto voltava, Santana olhava para seus sapatos se sentindo intimidada por não estar bem vestida para estar naquele lugar. Todos os clientes estavam arrumados. Como se estivessem prontos para irem a um baile ou uma grande festa. Santana apenas usava a mesma roupa do colégio e seu cabelo estava amarrado em um rabo de cavalo. Ela literamente não se encaixava naquele lugar e praticamente corria para chegar até a cozinha.
– Santana? – Uma voz que ela conhece muito bem, ecoava atrás dela, fazendo-a se virar suavemente, encontrando uma sorridente Quinn sentada em uma das mesas com sua família. – Hey! – A loira abria um sorriso tão lindo que Santana precisava se concentrar para não deixá-la falando sozinha.
– Mmm... Oi, Quinn. – Santana respondia sentindo o olhar do pai de Quinn em cima dela.
– O que você está fazendo aqui? – Quinn perguntava percebendo que a latina ainda usava a roupa de hoje cedo.
– Mmm... Minha mãe. Ela é a Chef do restaurante e vim vê-la.
– Sua mãe é a Chef? – Frances falava empolgada. – Wow... Ela cozinha muito bem. Esse restaurante é o meu favorito.
– Obrigada. – Santana agradecia timidamente.
– Pai, mãe, essa é Santana Lopez. – Quinn se colocava de pé ao lado da latina. – Tana, esses são meus pais. Judy e Russel Fabray. – Enquanto Quinn e Frances sorriam simpáticas. Judy e Russel olhavam Santana dos pés a cabeça. A latina conhecia aquele olhar. Era o mesmo olhar que estava cansada de receber em seu colégio. Os pais de Quinn a olhavam com desgosto.
– É um prazer conhecê-los Senhor e Sra. Fabray. – Santana queria estender a mão para ser educada, mas estava com medo de que nenhum dos dois fosse aceitar.
– Igualmente. – Judy respondeu vagamente.
Quinn conhecia aquele olhar de seus pais e respirava fundo por saber que até mesmo eles julgavam a latina. Aquilo era dolorido e por um segundo, ela desejava não ter feito Santana passar por isso.
– Mmm... Foi um prazer em vê-la, Quinn. E-eu preciso ir embora. – Santana sentia o olhar dos pais de Quinn queimando enquanto olhavam para ela.
– Seu pai vem te buscar? – Quinn perguntava.
– Não. E-eu vou sozinha mesmo.
– O que? – Quinn arregalou os olhos, assim como Frances que sabiam exatamente onde a garota morava. – Tana, você não pode ir sozinha uma hora dessas. Já está tarde e é perigoso.
– Não se preocupe. Eu vou ficar bem. Foi um prazer Sr e Sra. Fabray. Com licença. – Santana sorriu suavemente para Frannie antes de sair às pressas para dentro da cozinha.
– Wow... Ela vai embora sozinha? – Frances perguntava para sua irmã que se sentava preocupada.
– E por que toda essa surpresa? A garota deve estar acostumada. – Judy dava de ombros.
– Mas é perigoso. – Quinn sussurrava.
Sem dizer nada, Russel apenas arqueou sua sobrancelha com um olhar reprovador para suas filhas. Ele sabia exatamente onde os Lopezes moravam e pela vida que tinham, ele não estava nada surpreso em saber que a garota iria embora sozinha.
Santana entrou como um furacão na cozinha, indo se sentar onde estava. Ela não acreditava que tinha encontrado Quinn Fabray com sua família no restaurante. O modo como os pais de Quinn a olhavam, a fazia se sentir pequena. Como se Santana fosse realmente um nada e que sua presença ali os incomodavam.
A latina estava sentada novamente em sua cadeira e era como se a cozinha fosse um pequeno lugar que lhe sufocava. Claro, agora Russel impediria Quinn de sequer falar com Santana. A latina conhecia muito bem o olhar que recebeu dos pais de Quinn e era como se os dois a estivesse julgando e a esnobando por milhões de razões que nem ela sabia quais eram. Muitas pessoas a julgavam e ela sequer sabia o motivo. Talvez por usa óculos. Ou por ser inteligente. Talvez por ela ser pobre. Até porque, comparado com a vida financeira dos Fabray, os Lopezes, estavam longe de os alcançarem, e o modo como Senhor e Sra. Fabray a olharam, faziam a latina sentir seu estômago revirar por imaginar que o motivo que a julgavam era por simplesmente Santana Lopez ser latina.
Seus olhos começavam a se encher de lágrimas por pensar nessa possibilidade. Santana encostou suas costas contra a cadeira, fechando seus olhos, tentando se concentrar em sua respiração. Quinn nunca mais vai falar comigo. Ela nunca mais vai poder falar comigo. Santana pensava, enquanto sua perna começava a balança nervosa. Ela precisa se acalmar, até porque, não tinha motivos para ficar tão nervosa. A latina já tinha se conformado que ela e Quinn nunca dariam certo, e não devia ter criado esperanças com todas as conversas que tiveram nos últimos dias. Claro que os Fabray jamais deixariam sua filha andar com uma pessoa como Santana Lopez, e nesse momento, ela precisa se conformar com isso e tentar se acalmar.
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Enquanto terminavam de jantar, Quinn não conseguia parar de pensar em Santana. A preocupação com a latina mudou todo o seu humor. Ela não conseguia prestar atenção no que seus pais falavam e sequer sabia que sua irmã lhe dava cobertura. Frances podia ver nos olhos de sua irmã caçula que a mesma já não estava mais com eles e sim perdida em seus pensamentos.
Quinn não queria que Santana fosse embora sozinha e se perguntava se Maribel realmente teria coragem de deixá-la ir à uma hora tão tarde como aquela. A loira sentia urgência em querer estar com Santana naquele momento e não deixá-la ir, mas sabia que seria impossível, já que a mesma estava escondida para dentro da cozinha e sem dúvidas seus pais lhe repreenderiam.
Fabray notou o modo como seus pais olharam para a latina e pode sentir seu estômago doer ao ver como eles a julgaram. Ela é só uma adolescente normal que quer viver sua vida, por que raios todo mundo a julga daquela forma? Santana é dócil, inteligente, simpática e linda. Como podem odiá-la ou sequer achar que ela não é nada? Depois das palavras que ouvir da latina naquela tarde, Quinn não tinha dúvidas de que Santana era uma garota especial e que queria mais do que nunca se aproximar da mesma. Ela mostraria para quem quisesse o quanto Santana Lopez era uma garota especial. Até mesmo para seus pais se fosse preciso. Mas outra coisa que também assustava Quinn era que seus pais a fossem proibir de ver Santana.
Russel sempre fazia o possível para manter boa aparência em sua família e até mesmo nas amizades de suas filhas ele gostava de se meter. Ao contrário de Quinn, Frances o enfrentava e arrumava as amigas e amigos que quisessem. Claro que seu pai não aceitava metade deles, mas Frances sabia que logo iria embora de casa e não se importava com o que seu pai pensava a respeito com quem saia ou não. A garota obviamente mantinha sua postura de filha perfeita, mas nem todos conheciam o lado orgulho de Francesca Fabray, e isso era algo que Quinn admirava em sua irmã. Por saber que ainda ficaria um bom tempo morando com seus pais, Quinn muitas vezes não os enfrentavam como sua irmã gostaria, mas fazia o possível para que Judy e Russel aceitassem suas amizades. A garota nunca teve problemas sérios com seus amigos, mas isso porque ela sabia que Frances sempre estava por perto para ajudá-la e naquele momento, ela pedia que sua irmã estivesse junto com ela se Russel resolvesse implicar com Santana.
Quinn não sabia de onde todo esse interesse e carinho pela latina estava vindo, mas era incrível o modo como Santana a fazia se sentir bem. Depois das palavras carinhosas da latina naquela tarde, Quinn pode sentir um pequeno frio em sua barriga que ao se lembrar, um sorriso estampava seu rosto, como se o mesmo estivesse escondido nos cantos de seus lábios apenas a espera da lembrança. Fabray sentiu seu coração pela primeira vez batendo mais rápido que o normal e sabia que precisava conhecer a tão misteriosa Santana Lopez. Ela não deixaria à latina se afastar e tomaria conta dela.
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Na manhã seguinte, Santana não se lembrava de como tinha acordado em sua cama. Ela sabia que estava no restaurante e depois não se lembrava de mais nada. Provavelmente seu pai deve ter colocado-a no carro e a trago para casa quando foi buscar sua mãe. A garota estava exausta naquela noite e com todo seu pensamento lhe perturbando, Santana sentiu dores de cabeça que a fizeram cair no sono.
A mesma podia ouvir as vozes de sua mãe e sua tia na cozinha, enquanto se levantava da cama para se trocar e assim que se lembrou da noite passado, seu estômago revirava com a ideia de Quinn nunca mais falar com ela. Santana sabia que pelo o olhar dos pais de Quinn, a mesma provavelmente nunca mais olharia para ela. O modo como Russel Fabray a olhava com desgosto a fez querer vomitar com medo do que estava por vim.
Santana fechou seus olhos respirando fundo, controlando sua respiração para não ter nenhum ataque de pânico pela manhã. A mesma se levantou suavemente de sua cama, saindo de seu quarto indo direto para o banheiro logo ao lado e tomar seu banho na tentativa de relaxar.
Depois de alguns minutos se forçando a não pensar em Quinn, Santana saiu do banho se enrolando na toalha e voltando para seu quarto. Geralmente, ela prestaria atenção no que sua tia e sua mãe conversavam, mas Santana estava preocupada se veria ou não Quinn.
Santana escolheu uma calça legging preta, com uma blusinha branca de mangas cumpridas, vestindo por cima uma blusa de moletom bege e por cima, um grande sweater marrom escuro que tinha ganhado de sua tia Eva. O mesmo era cumprido o suficiente para chegar até sua bunda. Como em todos os dias de frio, Santana calçou sua bota preta. A latina adorava sua bota, mas ela sabia que precisava de outra, até porque, ela sonhava em ter uma de suas botas UGGs que esquentasse os seus pés. Ela era grata pelo presente de seus avós, mas seu dinheiro estava guardado para comprar não só o seu sonhado celular, como também sua nova bota.
Assim que terminou de se arrumar, Santana se colocou na frente do espelho se checando pela última vez. Seu cabelo estava solto com suas mechas onduladas caídas sobre seus ombros e a única coisa que faltava, eram seus óculos.
Santana pegou sua bolsa, ajeitando seus óculos em seu rosto, enquanto saia do quarto encontrando sua tia rindo sem parar com uma xícara de café na mão.
– Bom dia, little monster. – Eva franzia o nariz, controlando sua respiração.
– Bom dia, tia. Bom dia mami. – Santana não conseguia controlar o sorriso ao vê-las tão sorridentes.
– Oh, bom dia, mijá. Dormiu bem? – Maribel se aproximava da filha, depositando um beijo contra a cabeça da mesma.
– Mhm...
– Ótimo! Fiz panquecas e tem suco de laranja. – Maribel ajeitava tudo em cima da mesa, enquanto Santana se sentava em uma das cadeiras.
– E então, pumpkin... – Eva dava um gole em seu café. – Já decidiu qual bolo vai querer no seu aniversário?
– O mesmo de sempre. – Santana dava de ombros, sem olhar para sua tia. Ela odiava falar sobre o seu aniversário. Era sempre indiferente. Santana parou de se animar com seus aniversários quando percebia que os anos se passavam e ficavam apenas ela e sua família comemorando.
– Ok... Mas eu estava pensando. O que acha de fazermos algo diferente? – Eva perguntava sorrindo. – Podíamos tirar o dia para nos divertir. Fazer compras e almoçar fora e. –
– Não. – Santana falava suavemente. Ela sabia que seus pais não tinham condições para deixá-la fazer compras. – E-eu estou bem assim. Só o bolo está ótimo e podemos comê-lo depois do jantar que a mama fizer. – A latina deu um meio sorriso para sua tia, começando a comer.
– Acho uma ótima ideia vocês saírem para fazer compras. – Maribel comentava. Depois que virou Chef do restaurante, a mãe de Santana sabia que as condições em sua casa iriam melhorar e queria dar o melhor para sua filha. Afinal, era o aniversário de sua única bebê. Maribel queria que Santana aproveitasse.
– Mami, nós todos sabemos que isso não vai acontecer. – Santana respirava fundo.
– E por que não? – Eva perguntava.
– Porque não é como se mami e papi estivessem nadando no dinheiro igual a você a ponto de me deixarem ir ter um dia de compras, tia Eva. – Sem querer, Santana acabou sendo grossa com sua tia. Ela literalmente odiava falar do seu aniversário, por que raios sua tia não lhe deixava em paz? – Tia... – Santana sussurrava assim que percebeu o modo como falou com Eva.
– Está tudo bem, eu entendo. – Eva sabia o quanto era difícil para sua sobrinha e não conseguia sequer ficar magoada com a mesma. – Seus pais podem não ter todo esse dinheiro para te deixar fazer compras até cansar, mas como você disse, eu tenho e é o meu presente. – No mesmo instante, Santana olhou para sua tia e depois para sua mãe que sorriu assentindo.
– N-não, tia... Você não precisa gastar o seu dinheiro comigo, está bem? O kit de artes que você me deu no hospital foi o suficiente e eu amei. Você realmente não prec. –
– Santana! – Eva interrompia a sobrinha fazendo a pular de susto. – Olha eu sei que é difícil tudo isso, entendo o quanto você é compreensiva com seus pais e o quanto você zela por privá-los de gastar com você, mas pumpkin, você precisa entender que nós faríamos qualquer coisa por você. Santana, você é a única filha de Maribel e Alejandro. A única neta de Alma e Carlos e minha única sobrinha que eu amo tanto que chega a doer. – Eva falava carinhosa e Santana apenas a olhava sentindo seu coração acelerando. – Nós faríamos qualquer coisa para te ver feliz. Seu pai e sua mãe virariam esse mundo do avesso se isso trouxesse um sorriso em seu rosto. Seus avós fariam o impossível para te ver feliz e eu? Pumpkin, eu morreria por você. – Eva colocava sua mão sobre a de Santana e podia ver que os olhos de sua sobrinha se enchiam de lágrimas. – Você não é só minha sobrinha, mas é minha melhor amiga e acredite, nunca soube o que era amor de mãe até o dia em que te peguei nos braços pela primeira vez. – Santana sorria suavemente, passando a mão em seu rosto assim que uma lágrima escorreu por sua bochecha. – Eu te amo, mijá e quero te ver feliz. Sei que você está precisando de muitas coisas e como você disse, eu estou nadando no dinheiro e nada melhor do que gastar com a minha única sobrinha e filha que eu amo com todo meu coração. Pra mim você vai continuar sendo aquela monstrinha linda que me dava beijos babados todas as noites antes de dormir. – As três na cozinha riram baixo e Eva continuou. – Você é uma garota incrível. Inteligente, linda, divertida. É compreensiva. Cuida dos seus pais. É a garota mais forte que já conheci. Depois de tudo o que já passou mi amor, foi à prova de que não existe ninguém tão forte como você. Você merece tudo isso e muito mais. – Santana não sabia o que dizer. Sua tia sempre foi como uma segunda mãe para ela.
– Obrigada tia. – Santana sorria. – Eu também te amo muito.
– Então está tudo combinado? Um dia de compras e mimos antes do jantar de aniversário? – Eva tentava novamente, olhando para os olhos de sua sobrinha.
– Está bem, mas sem exagerar, tia, por favor. – Santana sorria, secando suas lágrimas.
– Prometo que vão ser só o que você realmente precisa.
– Está bem.
– Ah Dios Mio. – Maribel tirava um guardanapo da mesa, secando suas lágrimas. – Não esperava que essa manhã fosse desse jeito.
– Essa mocinha precisava ouvir algumas verdades. – Eva dava de ombros, piscando para sua sobrinha.
– Te amo, mijá. – Maribel se aproximou de sua filha, depositando um beijo em sua cabeça. – Agora vocês duas andem logo, ou Santana vai se atrasar para o colégio. — Sem dizer nada, Eva e Santana riram baixo, voltando a tomar café.
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Sendo praticamente a primeira a chegar ao colégio, Quinn tinha prometido para si mesma que tomaria conta de Santana e que estaria com ela a todo o momento se possível. Da última vez em que se atrasou, Kitty se aproximou da latina e Quinn não deixaria que isso acontecesse de novo. Enquanto esperava sentada no banco do lado de fora, Brittany se aproximava de sua melhor amiga.
– Hey Quinnie-Pooh. – Brittany sorria simpática, depositando um beijo na bochecha de Quinn.
– Hey B. – Era difícil conter o sorriso quando Brittany estava por perto e Quinn se sentia aliviada por sua melhor amiga estar ali. – Você chegou cedo.
– Pois é, Lorde T me acordou. Ele disse que você precisaria de mim. – O modo como Brittany falava de seu gato sempre fazia Quinn sorrir com a ingenuidade de sua amiga.
– Mmm... Ele tem razão. Eu preciso de você. – Quinn pousava sua mão sobre a de Brittany. – Mas não só hoje. Preciso de você todos os dias, Britt.
– Awh, Quinnie-Pooh! – Brittany depositava um beijo na bochecha de Quinn. – Eu vou estar sempre com você. – Enquanto ambas as amigas continuavam em seu mundinho, Santana saia do carro de sua tia Eva, ajeitando sua bolsa em seu ombro, respirando fundo por ter que enfrentar mais um dia esse pesadelo.
– Tana! – Quinn se levantou do banco, se aproximando de Santana junto com Brittany.
– Mmm... Hey. – A latina estava surpresa por encontrar Quinn e Brittany, mas se sentia aliviada por ver que Fabray ainda conversava com ela.
– Oi Sannie. – Brittany foi a primeira a surpreender Santana, depositando um beijo na bochecha da latina.
– Nós estávamos te esperando. – Quinn falava carinhosa. Novamente, Santana foi surpreendida quando Quinn segurou sua mão e logo Brittany segurava na outra mão de Quinn.
– Não se preocupe, Sannie, vamos primeiro para o seu armário. – Brittany sorria e agora as três entravam no colégio e o que Santana mais odiava, estava acontecendo.
Em cada lugar que passavam todos as olhavam sem entender do porque Quinn Fabray e Brittany S. Pierce estavam andando com a latina perdedora. Alguns garotos do time de futebol franziam os cenhos confusos, mas não tinham coragem de mexer com Quinn Fabray. As líderes de torcida tinham coragem o suficiente para rirem do quão patético tudo aquilo estava sendo. Elas cochichavam entre elas, fazendo Santana pela primeira vez abaixar a cabeça sentindo uma urgência de soltar a mão de Quinn e correr. Sua respiração começava a acelerar, e com medo de ter um ataque, Santana apenas torcia para que chegassem logo em seu armário e todos as deixariam em paz.
Santana podia ver o quão confiante as duas líderes de torcida andavam pelos corredores. Claro, Quinn era a capitã das líderes de torcida e ninguém entrava em seu caminho ou seria esmagado por seus próprios pés.
– Chegamos. – Brittany tirava Santana de seu transe, mostrando que estavam à frente de seu armário.
– Vocês não precisavam ter feito isso. – Santana sorria suavemente, abrindo seu armário.
– Relaxa, San, nós vamos estar do seu lado. – Quinn respondia suavemente, se encostando contra o armário ao lado da latina.
Enquanto Santana pegava seus livros, Quinn e Brittany pareciam seus guarda-costas, algo que a estava lhe incomodando. A mesma não estava gostando daquilo e uma voz em sua cabeça dizia que isso deixaria tudo pior e que Quinn e Brittany estavam apenas brincando com ela. Estava difícil entender do porque as duas garotas mais populares do colégio decidiram da noite para o dia serem amigas delas. As duas simplesmente se aproximaram e Santana ainda não entendia o porquê. Por outro lado, a latina estava feliz pela aproximação. Finalmente ela estava perto de Quinn. O amor da sua vida sabia quem ela era e Santana sentia seu coração acelerado todas as vezes que pensava dessa forma. Por mais que fosse difícil confiar nas pessoas, Santana se sentia segura com Quinn e a latina fazia um esforço para confiar na mesma e tentar entender do porque tudo acontecia.
– Mmm, Oi Santana. – Uma voz fazia Santana se virava no seu armário, encontrando Rachel Berry a sua frente, olhando de Brittany para Quinn. – Como você está?
– Oh, oi Rachel. Estou bem, e você? – Santana sorria guardando seu livro em sua bolsa e fechando seu armário. Por mais estranho que fosse a latina se sentia a vontade com Berry.
– Bem, obrigada. – Rachel sorria. – Mmm, vim te avisar que se você quiser conhecer o glee, nós vamos nos reunir hoje depois das aulas e você é muito bem vinda. – A baixinha continuava sorrindo, sem tirar os olhos de Santana.
– Ah, claro. Obrigada, Rachel. Não pensei ainda sobre isso, mas talvez eu apareça para conhecer. – Santana abriu um meio sorriso.
– Está bem. Nos vemos daqui a pouco. Temos a próxima aula juntas então... Eu te vejo lá. – Rachel acenou suavemente, se virando e indo em direção a sua primeira aula.
– Wow... Não sabia que você conversava com a Berry. – Brittany comentava fazendo careta.
– Aparentemente, ela e alguns amigos aparecerem para me visitar no hospital. – Santana dava de ombros e naquele momento, Quinn sentia uma estranha sensação em seu peito. Era algo desconfortável que a fazia sentir seu estômago revirar.
– Isso é bom. – Quinn respondia suavemente e Santana apenas sorriu.
Logo as três passaram por todos os armários e as duas líderes de torcida fizeram questão de deixar Santana na porta de sua sala. A latina não estava gostando de toda essa segurança, mas ao mesmo tempo, estava adorando o fato de passar mais tempo com Quinn.
Santana sabia que a ideia de Quinn não daria certo, até porque, hoje era um dia em que ambas não teriam muitas aulas juntas e seria impossível para elas estarem o tempo todo com a latina.
Naquela manhã, Santana estava tendo um começo de aula tranquilo. Rachel estava ao seu lado para lhe ajudar e a latina não se sentia tão sozinha. Era difícil muitas vezes se concentrar, já que Berry falava sem parar deixando Santana tonta, mas a latina não podia reclamar, era algo que a fazia se sentir bem e acompanhada.
A hora do intervalo chegou e Santana se viu sozinha saindo da sala. Rachel já não estava mais na mesma aula que ela e a latina não tinha ainda encontrado Quinn ou Brittany. Claro, ela tinha certeza que as líderes de torcida não conseguiriam se manter ao seu lado a todo momento e como sempre faz, pegou sua bolsa, saindo da sala e indo direto para o refeitório.
Santana andava tão distraída imaginando onde Quinn poderia estar. A mesma passou perto de Puck percebendo que o mesmo já não a olhava tão simpático como no começo. Noah tinha um olhar de raiva como se estivesse culpando Santana por algo que ela não fazia ideia do que. A latina começava a se sentir desconfortável e antes que percebesse, seu corpo trombou em alguém a fazendo olhar rapidamente para sua frente.
– Olha por onde anda, idiota. – Uma garota alta e grande a empurrava com força pelos ombros, fazendo-a dar alguns passos para trás. – Oh, eu te conheço... – A garota comentava. – Você é aquela latina nerd que se acha a melhor da classe nas aulas de inglês. – Santana sabia que alguma coisa viria com tudo isso e mantinha sua cabeça erguia enquanto a garota se aproximava novamente. – Eu já tentei colar de você uma vez, mas você nunca deixou.
– Bom, você deveria estudar mais ao invés de tentar colar da prova dos outros. – Sem saber de onde toda essa autodefesa estava vindo, Santana respondia sem pensar. Como todos os dias, a latina estava exausta de tudo isso, mas se arrependeu em abrir sua boca assim que viu o modo como a garota a olhava.
– O que foi que você disse? – A garota parecia furiosa e estava cara a cara com Santana. A latina podia ver que alguns alunos paravam para olhá-las e até mesmo Puck estava ali observando tudo o que acontecia. Antes que Santana pudesse respondê-la, seu corpo foi empurrado com força contra o armário, fazendo sua bolsa cair de seu ombro. – Você é mesmo muito idiota em achar que podia me responder e sair como se nada tivesse acontecido. – Santana tentou se levantar, mas as mãos da garota seguraram em seu sweater, a jogando para o outro lado nos armários, fazendo-a bater com a cabeça.
– Outch! – Santana gritou, colocando a mão em sua nuca e ao olhar para cima, a garota estava novamente a sua frente.
– Isso é para você aprender que ninguém mexe comigo ou então... –
– O que você está fazendo? – A voz de Quinn Fabray ecoava como um estrondo nos corredores fazendo todos a olharem. – Santana! – A líder de torcida correu para frente da latina, passando seus dedos carinhosamente sobre a testa da mesma, tirando seu cabelo do rosto.
– Sannie! – Brittany se colocava do outro lado de Santana, ajudando-a se levantar.
– Por que raios você fez isso? – Quinn se levantava furiosa se colocando cara a cara com a garota que empurrou Santana. – Eu te fiz uma pergunta, Lauren. – A líder de torcida estava com tanta raiva que seu corpo começava a esquentar.
– E-eu fiz porque ela mereceu. – Lauren respondia sem abaixar sua cabeça, encarando Quinn.
– Eu juro que se você chegar perto dela de novo, eu acabo com você. – Quinn gritou furiosa de uma forma na qual ninguém tinha a visto antes. – Fica longe dela, Lauren. Esse é o meu primeiro e último aviso. – Assim que Quinn se virou para ajudar Santana, a loira avistou Puck no canto dos armários, com uma expressão na qual ela nunca viu antes. Fabray estava furiosa por saber que Puck viu tudo aquilo e não fez nada para impedir. – Tana? – Quinn passou seu braço em volta da cintura da latina. – Vamos. A gente te ajuda.
– Shh, Sannie, vai ficar tudo bem. – Brittany passava sua mão no cabelo de Santana, enquanto ela e Quinn a levavam para o refeitório.
– Nós precisamos avisar o diretor. – Quinn comentava.
– Não. N-não. – Santana se sentava na cadeira, colocando a mão sobre sua nuca. – Isso pode piorar e é sempre assim. – A latina gemia de dor, fechando seus olhos.
– Santana, nós precisamos avisar para alguém. Lauren não pode sair impune. Ela te bateu sem razão alguma. – Quinn falava furiosa se sentando ao lado da latina.
– E-eu a enfrentei. Talvez seja por isso. Se tivesse mantido minha boca fechada, nada disso teria acontecido. – Santana respirava fundo. – E-eu quero ir para casa.
– Está tudo bem, San, vai ficar tudo bem. – Brittany olhava preocupada para Quinn e em seguida para Santana. – Quinnie, nós precisamos fazer alguma coisa. Não gosto de ver a Sannie assim. O que acha de nós três perdemos as últimas aulas e irmos para minha casa? – Brittany falava alegre na tentativa de animar Santana. – Nós podemos assistir filme, comer pipoca e sorvete. — Quinn não conseguia controlar o sorriso com a forma como Brittany falava. Talvez não fosse uma má ideia.
– O que você acha, Santana? Vai ser divertido. – Quinn deslizava seus dedos carinhosamente sobre as bochechas da latina e no momento em que seus olhos se encontraram, Fabray parecia ter congelado. Os olhos marrons de Santana mostravam o quão machucada a garota estava, mas ao mesmo tempo, mostrava o quão forte a latina era. Quinn sentia seu estômago revirar e Santana estava prestes a ter um ataque de pânico. – Vamos aproveitar que estão todos no intervalo e sair. Ninguém vai nos ver. – Quinn falava sussurrando e Santana apenas teve forças para assentir.
– Ótimo! Vamos. – Brittany segurou na mão da latina, se levantando e as três saíram rapidamente do refeitório para escaparem do colégio.
Xxxx
– Mãe? – Brittany abria a porta de sua casa, deixando que Quinn e Santana entrassem com ela. – Mãe?
– Oh, Brittany, meu amor o que vocês estão fazendo aqui? – Michelle Pierce, mãe de Brittany perguntava confusa ao ver sua filha em casa.
– Sannie não estava se sentindo bem e aí viemos para casa. – Brittany respondia e logo Michelle percebia a pessoa nova que estava entre elas. – Mãe, essa é a Santana. Sannie, essa é minha mãe.
– Como vai, Santana? É um prazer conhecê-la. – Sra. Pierce estendia sua mão e Santana podia ver que nos olhos da mãe de Brittany não tinha nenhum desgosto ou julgamento, era apenas carinho em estar conhecendo uma amiga de sua filha.
– É um prazer conhecê-la. Sra. Pierce. – Santana a cumprimentava timidamente.
– Como vai, minha querida Quinnie? – Michelle virava-se para Quinn, depositando um beijo na bochecha da garota.
– Eu estou bem. Sra. P. tudo bem se ficarmos por aqui hoje? Santana não está se sentindo bem e Brittany sugeriu que viéssemos para cá. – Quinn passava seu braço em volta da cintura da latina percebendo o quão tensa a mesma ficava com seus toques.
– Claro, querida. Imagina. Eu estava agora mesmo fazendo um delicioso bolo de chocolate. Fique a vontade que logo levo para vocês. – Sra. Pierce sorria tão carinhosa para as três que Santana começava a se sentir confortável.
– Vamos para o meu quarto. – Brittany segurou na mão de Quinn, puxando-as para subir as escadas em direção ao seu quarto.
Assim que chegaram, Brittany e Quinn começavam a tirar seus casacos os colocando em cima da poltrona no canto do quarto de Britt. Santana não sabia o que fazer e ficou em pé perto da cama observando o lindo quarto da líder de torcida. Era confortável e tudo com tons de cores delicados. Rosa bebê nas paredes. Detalhes amarelos e verdes. Era como estar no quarto de uma boneca adolescente.
– Sannie. – Brittany tirava Santana de seu transe, aparecendo com um enorme gato em seu colo. – San, esse é meu gato Lorde Tubbington. Lorde T essa é a Sannie. – Brittany sorria e Santana estava em choque ao ver o tamanho do gato que estava nos braços da garota.
– Wow... Ele é... Phew, Brittany, ele é muito bonito. – Santana comentava. – Hey Lorde Tubbington. – Santana passava seus dedos pela cabeça do gato que fechou seus olhos, deitando sua cabeça no braço de Brittany.
– Awh, ele gostou de você, Sannie. – Brittany depositava um beijo na cabeça do gato, colocando o de volta na sua caminha.
– Lorde T é muito esperto. – Quinn se sentava na cama, tirando seu tênis.
– Mhm, é por isso que nos damos tão bem. – Brittany se aproximava de seu armário, escolhendo uma roupa para se trocar.
– Exato, mas você é mais esperta do que ele, B. Não se esqueça. – Quinn sorria e Santana olhava para as duas amigas percebendo o quão carinhosa Quinn era com Brittany. – Você pode deixar seu casaco na poltrona e se sentar aqui, Tana. – Fabray batia na cama logo ao seu lado.
– Fique a vontade, San. Eu só vou me trocar e já volto. – Brittany foi para o banheiro, deixando Quinn e Santana sozinhas. A latina mordia o canto de seus lábios, começando a tirar seu casaco devagar e o colocando na poltrona. Em seguida se aproximou da cama se sentando ao lado de Quinn, enquanto ajeitava seus óculos.
– Não precisa ter vergonha, Santana. Pode tirar os sapatos e se sentar aqui. Brittany gosta quando nos sentimos a vontade. – Quinn colocava sua mão sobre o braço da latina.
Santana podia sentir sua pele queimando com os toques de Quinn. Era difícil se concentrar em respirar quando o amor da sua vida lhe tocava. A latina apenas assentiu, tirando sua bota e se sentando com as pernas em cima da cama ao lado de Quinn.
Logo Brittany voltou do banheiro usando uma calça de moletom cinza, com uma blusinha de alcinha preta. Seu cabelo continuava em seu perfeito rabo de cavalo e a mesma se aproximou de sua coleção de DVDs em uma prateleira em cima de sua televisão.
– E então, o que vamos assistir? – Brittany perguntava. – Tenho desenhos, dramas, comédia... O que vocês querem?
– O que vocês escolherem tá bom pra mim. – Santana sussurrava.
– Vamos assistir... – Brittany tirava alguns DVDs de sua prateleira. – O que acha de assistirmos Enrolados? – A garota virava empolgada fazendo Quinn rir.
– Ótima ideia, Britt. Eu adoro esse desenho. – Quinn se ajeitava na cama ao lado de Santana.
– Claro que adora. Você é a Rapunzel, Quinnie. Só falta agora achar o seu Flynn Ryder. – Brittany brincava e no mesmo instante, o estômago de Santana revirava ao se lembrar de que Quinn era hetero e que algum outro rapaz poderia namorá-la.
Logo que Brittany colocou o DVD, a mesma se sentou na cama ao lado de Santana, deixando a latina no meio. Não demorou para que Sra. Pierce entrasse no quarto segurando uma bandeja com pratos com pedaço de bolo e copos de suco. As três agradecerem educadas, começando a comer e logo a mãe de Brittany as deixou sozinhas.
Santana não podia mentir, ela não estava se sentindo confortável com aquela situação. Quando disse que queria ir para casa se referiu a sua casa e não a de Brittany. Por mais que ela reconhecesse que as duas loiras estavam querendo lhe ajudar, Santana não estava se sentindo bem. Sua cabeça começava a doer. Seu corpo estava dolorido e ela precisava da sua cama. Claro que estava adorando a companhia de Quinn, mas não sabia se isso realmente era o certo.
Brittany lhe fez um grande favor fazendo a se lembrar de que Quinn era hetero e que mesmo solteira as duas nunca teriam uma chance. Santana não sabia se realmente queria comer e depois de duas garfadas em seu bolo, decidiu deixá-lo apoiado em suas pernas, enquanto tentava se concentrar no filme.
– O que foi, San? – Brittany perguntava percebendo que Santana não comia. – Você não gostou?
– Não... Não é isso, Brittany. E-eu só não estou me sentindo bem. – Santana sorria suavemente para Brittany.
– O que você está sentindo? – Quinn perguntava preocupada.
– Nada demais. Vocês se importam se eu levar meu prato até a cozinha? – Santana perguntava sem graça.
– Imagina, San. Pode deixar aqui no meu criado, quando eu descer levo. – Brittany tirou o prato da mão da latina, colocando ao seu lado no criado-mudo. – Você vai beber seu suco? – Brittany perguntou e Santana apenas balançou a cabeça dizendo que não. – Tudo bem, Sannie. – A garota sorriu, colocando o copo de Santana ao lado do prato.
– Obrigada. – Santana respondia, respirando fundo, sem saber o que fazer ou em qual posição ficar. Ela estava com as pernas esticadas e os pés cruzados. Suas mãos agora estavam sobre seu colo e seus dedos entrelaçados. Ela olhava para o filme, mas não prestava atenção. Santana podia sentir o braço de Quinn apoiado sobre o dela e sua respiração estava falha. Era difícil ficar perto de Quinn e se controlar daquela forma.
Santana não devia ter concordado com tudo aquilo e deveria ter ligado para sua tia Eva ter ido buscá-la. Ugh! Se eu pelo menos tivesse um celular. Santana pensava e seu pé começava a mexer nervosa exatamente como sua perna faz. A latina começava a morder o canto de seus lábios tentando manter a calma. Ela nunca soube realmente como era ter amigos e naquele momento, estava difícil saber como agir. Ainda mais quando um de seus “amigos” era Quinn Fabray, o amor da sua vida.
– Relaxa. – A voz de Quinn ecoava próxima a sua orelha, fazendo-a prender a respiração. – Está tudo bem, Tana. – Fabray levou sua mão pousando sobre a da latina, trazendo para perto dela. Santana sentia a mão macia de Quinn segurando a sua, seus dedos entrelaçaram aos da latina se encaixando perfeitamente. Santana respirou fundo, começando a relaxar com o toque carinhoso de Quinn.
Se alguns meses atrás alguém contasse para Santana que ela estaria no quarto de Brittany S Pierce, segurando na mão de Quinn Fabray, ela nunca acreditaria e iria rir da cara da pessoa por tamanha imaginação. Mas hoje. Naquele momento, ela via tudo como um sonho. Um lindo sonho no qual não queria acordar. Quinn estava acariciando sua mão com o polegar e Santana já estava mais calma. Sua respiração tinha voltado ao normal e ela tentava prestar atenção no filme.
Alguns minutos se passaram e os créditos do desenho começavam a passar. Brittany se levantou, pegando os pratos de bolo e se retirando do quarto deixando as duas sozinhas. Santana não sabia o que fazer ou o que dizer. Não sabia se deveria ou não soltar a mão de Quinn e então continuou na mesma posição.
– Como você está? – Quinn sussurrava fazendo Santana sentir sua respiração quente contra sua orelha.
– B-bem... – Santana respondia. – E-eu estou bem. – A latina tinha uma grande urgência em se afastar, mas sabia que Quinn perceberia.
– Lauren não te machucou? – Quinn perguntava preocupada, colocando sua outra mão sobre o queixo de Santana, fazendo-a olhar para ela. – Huh? Ela te machucou, Tana?
Santana não sabia o que fazer. Ela estava a centímetro de distância do rosto de Quinn. O suficiente para sentir a respiração da loira contra seus lábios. Quinn a olhava com tanta intensidade que a latina começava a se sentir mal. Seu estômago revirava, seu coração acelerava e ela sabia o que estava por vim. O risco de sofrer de um ataque de pânico era maior do que ela podia controlar. Quinn não fazia ideia do efeito que causava em Santana. Respira, Santana. Respira. A latina pensava.
– Tana? – Quinn colocava uma mecha do cabelo de Santana para trás da orelha.
– E-eu... N-não. Ela não me m-machucou. – Santana respondia como se estivesse no modo automático. Mesmo sabendo que sua cabeça estava dolorida por ter sido jogado contra os armários.
– Que bom. Se ela tivesse te machucado, eu mesma teria acabado com ela. – Quinn sorria. Ah! O sorriso mais lindo que Santana já viu. O sorriso que fazia o coração da latina disparar em seu peito a ponto de querer sair por sua garganta a fora. A latina estava desesperada sem saber o que estava acontecendo. Os lábios de Quinn estavam logo a sua frente, Oh céus, ela podia sentir o perfume doce de Quinn. Santana podia sentir a respiração quente de Quinn contra seus lábios. Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus, por que você faz isso? Santana pensava desviando seu olhar para os lábios rosados de Quinn e imaginava como seria beijar esses lábios perfeitos. Sem dúvidas seria o melhor beijo que ela já ganho na vida.
Seu coração batia tão forte que Santana começava a sentir suas bochechas ardendo com medo de que Quinn estivesse ouvindo. Era difícil se controlar quando nem mesmo Quinn se afastava. Espera, será que ela está esperando que eu a beije? Santana perguntava para si mesma e agora sua cabeça começava a girar a mil. Ela começava a entrar em desespero com medo de tomar a decisão errada e estragar tudo. A latina podia sentir seu coração apertando, fazendo-a perder o ar. Era difícil respirar e o quarto de Brittany parecia lhe sufocar. Seus olhos começavam a se encher de lágrimas e uma batalha desesperadora despertava dentro dela fazendo-a ter seu ataque de pânico.
– Tana? – Quinn olhava preocupada percebendo o quanto Santana parecia assustada e tinha dificuldades para respirar. – Santana? – A loira pousou sua mão sobre a bochecha da latina, fazendo olhá-la. – Tana, se acalma. Shh... Está tudo bem. Olha pra mim. Respira fundo. Para dentro e para fora. – Quinn respirava na tentativa de controlar a latina, mas Santana se afastou dela, como se os toques de Quinn estivessem lhe queimando. – Tana? – A loira olhava confusa e preocupada sem entender o que estava acontecendo.
– E-eu p-preciso ir. – Santana se levantou da cama, calçando seus sapatos rapidamente pegando seu casaco enquanto Quinn a olhava sem entender. Tudo estava perfeito. A manhã delas longe do colégio estava sendo ótima. Quinn não entendia o que estava acontecendo ou o que tinha feito de errado para isso estar acontecendo.
– Santana, espera! – Quinn se levantou da cama, tentando segurar na mão de Santana, mas a mesma se afastou novamente.
– N-não. Eu p-preciso ir. – Santana pegou sua bolsa do chão, saindo rapidamente do quarto de Brittany, com Quinn seguindo-a logo atrás. A loira não sabia o que fazer e por mais que quisesse ajudar, não sabia o que estava acontecendo. Há minutos atrás Santana parecia bem e agora estava praticamente tendo um ataque na sua frente.
– Santana, me fala o que aconteceu. – Quinn perguntava confusa e assim que Santana se aproximou da porta, Brittany apareceu ao ouvir sua amiga gritando e olhava sem entender para as duas. – Tana, o que houve? – Fabray perguntava novamente e dessa vez, Santana via um olhar machucado em Quinn. Machucado? Não, ela não ficaria machucada. Ela sequer me conhece. Santana pensou abrindo a porta e saindo as pressas da casa de Brittany deixando as duas líderes de torcidas confusas para trás.
Santana sentia as lágrimas escorrendo por suas bochechas enquanto andava rápido se afastando da casa de Brittany. Ela não sabia exatamente onde estava, até porque, foram poucas às vezes em que veio para esse lado da cidade, mas procurava seguir as placas que indicavam direto para o ponto de ônibus mais próximo. Ela se odiava por ter saído correndo daquela forma e queria se bater por toda essa situação.
Ela vai me odiar. Ela vai me odiar. Como eu pude ser tão idiota. É claro que ela não queria me beijar. Quinn Fabray jamais iria querer algo comigo. Santana chorava em silêncio, andando furiosa pela rua. Ugh! Eu estraguei tudo. Estraguei tudo e agora ela não vai mais querer falar com uma garota tão insegura e idiota como eu. A latina usava as mangas de seu sweater para secar suas lágrimas. Deveria ter ido direto para casa. Agora ela vai ver o quanto sou medrosa e o quanto sou fraca. Céus, eu tive um ataque de pânico enquanto ela apenas me olhava. Como eu posso ser tão fraca e... Argh! Eu sou mesmo uma idiota em achar que Quinn Fabray ia ter algum interesse em mim. Santana atravessava a rua rapidamente, com sua vista embaçada com suas lágrimas e seu peito doendo. Logo avistou um ponto de ônibus, se sentando tentando controlar sua respiração. Eu quero minha casa. Santana soluçava, fechando seus olhos ao tentar respirar. Ela sabia que precisava de ajuda e precisava ligar para a única pessoa que lhe salvaria naquele momento.
A latina abriu seus olhos, olhando para todos os lados até avistar um telefone público dentro de uma loja de conveniência. Santana correu atravessando a rua novamente, tirando as moedas de dentro de sua bolsa e colocando dentro do telefone, discando o número que sempre ligava quando se sentia daquela forma.
– Alô?
– T-tia Eva... – Santana chorava em silêncio, tentando respirar para não chamar atenção das pessoas dentro da loja.
– Santana? Mijá, o que houve? – Eva podia perceber que sua sobrinha soluçava e perguntava preocupada.
– Tia, e-eu quero ir embora. – Santana não se importava se estava parecendo uma garotinha de dez anos, tudo em seu peito doía e ela precisava de alguém que lhe entendesse e que fosse lhe ajudar.
– Eu estou indo te buscar. Chego ao seu colégio em dez minutos. Se acalme, mi amor. – Eva sabia que sua sobrinha estava tendo um ataque de pânico e ficava ainda mais preocupada.
– N-não... Colégio. Não. – Santana respondia entre soluços. – E-eu estou... Tia, eu não sei onde eu estou. – A latina levava sua mão livre para seus olhos se sentindo frustrada com tudo que acontecia.
– Shhh, meu amor, está tudo bem. Santana presta atenção na minha voz. Respira fundo. Respira. Tenta se acalmar e me diga alguma referencia de onde você está. – Santana tentava respirar fundo, colocando sua cabeça para fora da loja e olhando a rua a procura de algo que lhe ajudasse.
– E-estou perto de uma loja... Uma loja de CDs chamada... – Santana colocou a cabeça para fora novamente. – Green Record. – A latina respirava fundo, olhando para as placas na rua. – O n-nome da avenida é Jackson... Avenida Jackson... – A latina soluçava.
– Ok meu amor, eu sei onde você está. Estou indo te buscar. Tenta se acalmar, está bem? Se concentra na sua respiração. Chego aí em dez minutos. Não estou longe. – Eva falava carinhosa, percebendo o quão desesperada sua sobrinha estava.
– Está bem. Vem rápido, tia. – Santana se despediu da sua tia, desligando o telefone e correndo novamente para o ponto a frente da loja para se sentar. Tudo em seu peito doía. O medo de perder Quinn a fazia se desesperar. Para alguns pode soar como exagero, mas para Santana, era dolorido. Primeiro que ela nunca imaginou que um dia teria a oportunidade de conversar com o amor da sua vida, e quando finalmente consegue, ela estraga tudo com seu medo e suas inseguranças. Ela não sabia se Quinn realmente queria beijá-la, tudo indicava que sim, mas Santana não podia realmente entender o momento em que estavam. E se eu a beijasse e não fosse o que ela queria? E se ela me rejeitasse? Eu não iria aguentar. E-eu agi com tanta infantilidade e insegurança... Céus, ela me odeia. Ela me odeia. Eu sou uma idiota. Quanto mais pensava nisso tudo, mas difícil estava sendo para se controlar.
Santana ficou com tanto medo de tomar a decisão errada que entrou em pânico, porque sabia que Quinn a veria de outra forma seja lá qual decisão tomasse.
Não demorou para que o carro de sua tia estacionasse na frente do ponto. Eva desceu rapidamente do carro e Santana se jogou nos braços da tia, chorando ainda mais enquanto soluçava. Eva não sabia o que tinha acontecido, mas podia sentir o corpo de sua sobrinha tremendo e sem dizer nada, colocou a garota dentro do carro e dirigia em silêncio segurando sua mão, enquanto Santana apenas olhava pela janela. Tudo o que ela queria desde o começo era estar em casa. Ela só queria ir para casa.
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