Hurricane
8 I don't know what trust means
Notas iniciais
Após o seu ataque de pânico naquela manhã, Santana estava deitada em sua cama com sua tia ao seu lado acariciando seu cabelo. A latina tinha contado tudo o que aconteceu na casa de Brittany e apenas parou de chorou depois que recebeu todo o conforto de Eva.
Era difícil para sua tia vê-la daquela forma. Eva sabia o quanto Santana sofria em seu colégio e por seu amor em segredo por Quinn, mas nunca imaginou que as coisas fossem tão complicadas. Eva sentia seu coração apertando por ver sua sobrinha daquela forma e queria poder ajudá-la. Queria poder fazer Santana feliz, mas não sabia como. Ela sabia o quanto Santana era fechada e o quanto era difícil para a latina confiar em alguém de fora da família, mas Eva queria que alguém, algum amigo realmente se interessasse por sua sobrinha e a ajudasse.
Talvez Quinn e Brittany fossem às amigas que Eva esperava que ajudassem Santana, mas tudo era muito recente e depois de tudo o que a garota passou, Eva sabia que precisava confiar nas pessoas certas antes de pedir ajuda.
Enquanto olhava sua sobrinha deitada em seus braços e tão vulnerável. A cabeça de Eva girava e girava sem parar. Mesmo pensando em fazer algo no qual não agradaria Santana, Eva imaginava que talvez convidando Quinn e Brittany para a aniversário de sua sobrinha seria um grande começo. Claro, Santana nunca saberá em quem confiar se nunca deixá-las entrar em sua vida. Eva sabia que precisava dar um pequeno empurrão para essas três, até porque, se dependesse de Santana, a mesma apenas afastaria as duas líderes de torcida ainda mais.
Não demorou para que Santana caísse no sono. A latina estava exausta após seu ataque de pânico e precisava esquecer tudo o que tinha acontecido. A garota ainda achava que Quinn começaria a odiá-la, e por apenas pensar nisso seus olhos começavam a se encher de lágrimas. Cansada mentalmente e fisicamente, finalmente dormiu ao lado de sua tia e descansava na tentativa de esquecer toda aquela manhã.
Eva percebeu que Santana estava dormindo e resolveu se levantar deixando-a sozinha. A tia da latina saia lentamente de seu lado, depositando um beijo em sua testa, saindo do quarto e fechando a porta. Eva não sabia se contava para Maribel, até porque, Santana confiou nela e sem dúvidas Eva sabia mais coisas da vida de sua sobrinha do que Maribel.
Ao se sentar no sofá, a campainha tocou e Eva se levantou para atender a porta. Quase ninguém visitava a família de seu irmão e a médica sabia que não estava com um pingo de paciência para vendedores, mas logo que abriu a porta sua surpresa foi ainda maior. Quinn Fabray estava parada no deck a frente da porta, sorrindo suavemente para tia de Santana.
– Mmm... Hey, Eva. – Quinn a cumprimentava.
– Oh, hey Quinn. Como vai? – Eva abria um pouco mais a porta, gesticulando para que Quinn entrasse.
– Obrigada. Estou bem. – Quinn respondia, enquanto Eva fechava a porta e a acompanhava até a sala.
– Com o que posso ajudá-la?
– Mmm... A Santana está? – Quinn falava suavemente. – É que hoje de manhã... Nós estávamos na casa de Brittany e ela não estava se sentindo muito bem e praticamente saiu correndo de lá. E-eu gostaria de saber se ela está bem. – Eva observava Quinn enquanto a mesma perguntava de sua sobrinha. Era possível ver nos olhos da líder de torcida que a mesma estava realmente preocupada com Santana, ou então, ela não viria até Lima Heights.
– Ela está bem. – Eva sorria se sentando no sofá e Quinn fazia o mesmo. – Está dormindo. Ela me pareceu um pouco cansada, mas está bem.
– Ah. – Quinn sorriu, se sentindo decepcionada por saber que Santana estava dormindo. – Fico feliz. Ela estava muito nervosa quando saiu da casa de Brittany. Fiquei preocupada.
– Entendo. Eu adoraria acordá-la para vocês conversarem, mas ela acabou de dormir e... -
– Não. – Quinn a interrompia. – Está tudo bem. Não precisa acordá-la, só quis mesmo saber se ela estava bem. – A loira sorriu se levantando. – E-eu já vou indo. Você... Mmm. Pode avisá-la que estive aqui? – Assim que Quinn se levantou, Eva começou a pensar em mil coisas ao mesmo tempo. Ela queria ajudar Santana e sabia que precisava dar o seu empurrãozinho.
– Quinn, espera. – Eva respirava fundo, sabendo que sua sobrinha ficaria com raiva, mas ela não podia ficar sentada vendo-a sofrer daquela forma. – Será que podemos conversar? – Quinn não sabia o que Eva queria, mas mesmo assim assentiu e se sentou no sofá novamente.
– Está tudo bem? – A loira perguntava apreensiva.
– Claro, é só que... – Eva sabia que não podia contar tudo para Quinn, mas precisava conversar com a garota. – Existe um motivo para Santana ser tão fechada e sozinha, mas o que quero que saiba é que se você e Brittany realmente estão dispostas e entrarem na vida da Santana, vão precisar ser muito paciente e mostrar a ela que isso é real. – Eva comentava e Quinn a olhava com atenção. – Santana precisa ver que vocês realmente estão aqui para ela. Minha sobrinha é muito insegura e dificilmente deixa pessoas de fora se aproximarem, mas sei que ela gosta de você e da Brittany, e espero que vocês não brinquem com ela, porque Santana já sofreu demais, Quinn, e ela não precisa de mais pessoas lhe fazendo sofrer. – Eva pausava, respirando fundo. – Então, se vocês realmente querem se aproximar dela, sejam pacientes e não deixe de mostrá-la o quanto vocês se importam. – Quinn não imaginava o motivo pelo qual Santana ser tão fechada, mas tinha a certeza de que realmente queria se aproximar da latina.
– Eu e Brittany estamos realmente interessadas em sermos amigas de Santana. – Quinn sorria, falando suavemente. – Ela é uma garota muito especial e jamais a machucaríamos. Brittany jamais machucaria uma mosca sequer, e eu... Bom, não tenho orgulho dos meus dias de HBIC quando minha popularidade de líder de torcida começou a crescer, mas acredite, sou outra pessoa agora. Também passei por alguns apertos com meu ex-namorado, Puck, e depois disso, tudo mudou. – Quinn olhava para Eva, demonstrando sinceridade em sua voz. – E-eu sei dar valor as pessoas e não me importo por elas serem diferentes. Crescer em uma casa igual a minha pode te deixar um pouco perturbar, porque não é fácil ser filha do meu pai, mas não sou como ele ou minha mãe. Sei dar valor para todos sem me importar com raça, opção sexual ou com a situação financeira. No fundo somos todos iguais. – Eva ficava em silêncio absolvendo todas as palavras de Quinn. Ela queria ver nos olhos da garota se a mesma realmente era confiável para se aproximar de sua sobrinha. – Santana é uma garota especial. Inteligente, bonita... – Quinn sorria consigo mesma. – E-eu quero mesmo me aproximar dela e quero que ela confie em mim, porque eu jamais a machucaria.
– Santana é muito insegura. Ela acha que pessoas não são confiáveis. – Eva comentava e Quinn podia sentir o tom de tristeza na voz da mesma. – Espero que você e sua amiga estejam sendo sinceras, Quinn. Santana realmente precisa de pessoas que se preocupem com ela e que cuidem dela. – A tia de Santana sorriu.
– Imagina. Eu gosto muito da Santana, e pretendo me aproximar dela. – Quinn respondia. – E você tem razão. Ela é bem fechada e quase não fala.
– Pois é. – Eva ria baixo. – Ela tem esse grande problema em ser calada demais. Às vezes é irritante.
– Mas vou tentar mudar isso – Quinn respondia respirando fundo, desviando seu olhar para sua mão. Ela não sabia do porque toda essa preocupação com Santana, mas era difícil ficar longe da latina. Quinn desejava muito que Santana tivesse um celular ou qualquer outra rede social na qual pudessem conversar fora do colégio. Era estranho, mas Quinn sentia como se estivesse com saudades da latina.
– Outra coisa... – Eva quebrava o silêncio. – Amanhã é o aniversário dela. – Eva ainda tinha dúvidas se deveria ou não estar fazendo isso, mas continuou. – E todo ano Maribel faz um bolo delicioso e um jantar para comemorar. Depois que Santana completou seus dez anos, suas festinhas começaram a ser somente seus pais, meus pais e eu. Não sei o motivo, mas os amiguinhos que ela tinha simplesmente sumiram. Ninguém mais aparecia e somos sempre só nós desde então. – Quinn fechava seus olhos se segurando para não chorar. Suas festas de aniversário sempre foram cheias de amiguinhos que lotavam sua casa e ela sequer conseguia imaginar como teria sido para uma criança comemorar seu aniversário daquela forma. Sozinha. – Santana não admiti, mas ela sente falta. Isso a machuca sabe? Não ter um amigo sequer para comemorar o aniversário. Ela acha que ninguém se importa e não faz questão de conhecer ninguém a ponto de convidá-los. Sei que ela ficaria feliz em ter você e Brittany aqui conosco amanhã à noite. – Quinn se virou surpresa, olhando para Eva.
– Você acha mesmo? – A garota perguntava.
– Claro. E tenho certeza que vai ser um ótimo passo para vocês se aproximarem. Não se preocupe, ela vai ficar muito feliz em tê-las aqui. – Quinn abriu um grande sorriso, sentindo seu coração acelerando. Claro que ela ia adorar comemorar o aniversário de Santana, e junto com Brittany, fariam algo especial.
– E-eu adoraria. – Quinn respondia. – E tenho certeza que Brittany também vai adorar. Obrigada, Eva.
– Imagina. Avisarei Maribel que teremos convidadas para o aniversário da Santana amanhã.
– Obrigada. – Quinn se levantou rapidamente, sorrindo de orelha a orelha de felicidade. – E-eu vou avisar Brittany. – Eva se sentia aliviada pelo o que tinha feito e sequer se preocupava mais com a reação de sua sobrinha.
– Claro, eu te acompanhou até a porta. – Eva se levantou, levando Quinn até a porta. – Então, até amanhã? – A tia de Santana confirmava pela última vez.
– Até amanhã. – Quinn abraçou Eva, pegando-a de surpresa, antes de soltá-la e correr para o seu carro.
A loira nunca se sentiu tão empolgada. Seu coração estava acelerado e pensava no que compraria para Santana. A latina merecia algo especial e que ao mesmo tempo mostrasse o quanto é importante para Quinn. Mesmo se conhecendo por pouco tempo, Quinn sentia um carinho enorme por Santana e queria mostrá-la que estava interessada em se aproximar. Fabray junto de Brittany faria do aniversário de Santana o melhor dia da latina.
Xxxx
Algumas horas tinham se passado e Santana começava a acordar. Ela não fazia ideia de quanto tempo tinha dormido ou que horas era, mas assim que se espreguiçou, sentia seu corpo relaxado, sua cabeça tranquila e se forçou a não pensar em Quinn ou então ela choraria novamente. A latina se virou para olhar seu relógio em cima de seu criado mudo onde marcava três horas da tarde. Santana arregalou seus olhos, não acreditando no tanto que tinha dormido. Geralmente era considerada a dorminhoca da casa, mas odiava quando dormia demais ao chegar do colégio.
Santana se levantou, prendendo seu cabelo em um coque bagunçado, se preparando para tomar seu banho antes de começar seus deveres de casa. A latina pegou seu roupão, tirando sua roupa e vestindo o mesmo.
– Tia? – Santana chamava por sua tia, enquanto saia de seu quarto e olhava pelo corredor. – Tia?
– Oh, hey pumpkin. – Eva colocava sua cabeça para fora do sofá, avistando sua sobrinha no fundo do corredor, próxima ao banheiro. – Achei que você nunca acordaria. Está com fome? – A médica perguntou e Santana apenas assentiu. – Ok. Tome seu banho que vou fazer algo para comermos. – Eva se levantou do sofá e Santana apenas sorriu, entrando em seu banheiro.
Alguns minutos se passaram e Santana já tinha saído do banho e se sentava em uma das cadeiras na cozinha, enquanto sua tia terminava de preparar seu lanche.
– Como você está? – Eva perguntava, colocando um prato a sua frente.
– Bem. Estou me sentindo melhor. Gracias, tia.
– Qualquer coisa por você, pumpkin. – Eva sorria. – Você vai fazer alguma coisa hoje?
– Estou pensando em fazer meu dever e depois ir até a academia treinar um pouco e ver se papi está precisando de ajuda. – Santana dava sua segunda mordida em seu lanche.
– Ótima ideia. Talvez eu te acompanhe. Faz um tempo que não vou naquela academia. – Eva franzia o cenho, arqueando sua sobrancelha. – Aposto que Jamie deve estar uma delicia... – A médica falava sedutora.
– Ew. Ew. Tia, não. – Santana fazia careta. – Não preciso ter essa imagem na minha cabeça.
– Não é culpa minha se o acho gostoso. – Eva dava de ombros, começando a rir.
– Eww. Jamie é realmente lindo, mas não tia... Não.
– Você só diz isso porque ele não faz seu tipo. – Eva brincava. – Seu tipo é uma garota loira, de olhos castanho-esverdeados, líder de torcida... – Eva começava a rir.
– Tenho bom gosto.
– E eu tenho um gosto delicioso e refinado. – Eva fazia um bico suave.
– E enjoado. – Santana continuava. – Sério tia, mami sempre fala que você é enjoada demais para arrumar namorados.
– Não. Não sou enjoada. Sou apenas seletiva. Gosto de homens como Jamie. Em forma e charmosos.
– Enjoada. – Santana brincava, começando a rir. – Mas não posso negar. Tem um ótimo gosto. Seu último namorado era lindo e muito sexy. Jamie não é diferente, e você é linda, sexy e tem um corpo de matar... Sem dúvidas ninguém resistiria. – A latina tomava seu suco, sem tirar os olhos de sua tia.
– Resumindo. Sou uma latina, médica e gostosa. – Eva piscava para Santana e logo se lembrou de contar que Quinn esteve lá. – Ah, falando em olhos castanho-esverdeados. Quinn esteve aqui enquanto você dormia.
– O que? – Santana arregalava os olhos surpresa. – O que ela queria?
– Queria saber se você estava bem. Disse que ficou preocupada. – Eva falava sem tirar os olhos de sua sobrinha.
– Ah. – Santana respirava fundo, olhando para seu lanche. – Achei que ela nunca mais ia querer falar comigo.
– Que bobeira, Santana. Por que raios ela nunca mais ia querer falar com você?
– Talvez por eu ter agido feito doida? – Santana dava de ombros.
– Santana, Quinn se preocupou com você e veio até aqui para saber como você estava. Acho que isso é prova o suficiente de que ela tem grandes interesses em ainda continuar te vendo. – Eva falava carinhosa e Santana a olhou por alguns segundos, percebendo que sua tia tinha razão. Quinn não viria até essa parte da cidade por acaso. Ela realmente se preocupada, e o coração de Santana começava a disparar de felicidade. Ela se preocupa. Santana pensou, e apenas assentiu para sua tia. Talvez Quinn não a odeie, certo? Quinn provavelmente deve ter lhe achado louca, mas ainda se preocupou.
Xxxx
– Hey Jamie. – Santana entrava no escritório da academia, encontrando seu amigo e treinador tomando café.
– E aí, kiddo.* – Jamie sorria, se aproximando da garota e depositando um beijo em sua bochecha. – Chego mais cedo hoje.
– Pois é, cheguei mais cedo do colégio, fiz meu dever e vim direto para cá. – Santana colocava sua bolsa no sofá, no canto do escritório de seu pai. – Meu pai está por aí?
– Tá sim. Ele está dando uma aula de muay thai.
– Certo. – Enquanto Santana olhava para Jamie, começava a reparar no porque sua tia se sentia tão atraída pelo rapaz. Jamie era um cara alto, com 1,80m de altura. Seu corpo era definido, dos ombros até os pés. Não era nada como aqueles estranhos músculos de academia, mas Jamie tinha um corpo como um modelo da Calvin Klein. Seu cabelo era preto, e apesar de estar quase alcançando seus quarenta anos, Jamie tinha alguns fios brancos, algo que o deixava realmente muito charmoso. Santana revirava os olhos, tentando bloquear qualquer imagem entre Jamie e sua tia.
– Mmm... hey Kiddo... – Jamie se apoiava contra a mesa olhando para Santana. – Seu pai comentou que sua tia Eva está na cidade, huh? – O rapaz perguntava e Santana arqueava suas sobrancelhas. Oh céus, adultos... Piores do que adolescentes. A latina pensava, sem tirar os olhos de seu professor.
– Ah sim. Mhm, ela está na cidade. Parece que mais tarde ela vai vir me buscar. – Santana sorria maliciosa, adorando bancar o cupido. – Tenho certeza que ela vai adorar te ver, Jamie.
– É mesmo? – Jamie perguntava surpreso, abrindo um enorme sorriso. – Também vou adorar vê-la. Eva sempre foi muito linda e. –
– Não. Eu não quero saber. – Santana o interrompia. – Não quero ouvir nada que me faça ter imagens de você com a minha tia, por favor. – Jamie começava a rir.
– Está bem, está bem. Não vou falar nada. – Jamie levantava suas mãos, se rendendo. – Bom, vai se trocar, porque vou estar te esperando no tatame para treinarmos. – O professor se afastou da mesa, saindo do escritório.
– Phew... Esse dois ainda vão me dar dor de cabeça. – Santana falava consigo mesma, antes de pegar sua bolsa e ir para o vestiário.
Não demorou para que Santana aparecesse no tatame com sua roupa de treino. Um shorts de lycra preto, com um top esportivo branco, por cima uma blusinha regata, com seu cabelo amarrada em um perfeito rabo de cavalo e suas luvas pretas. Jamie estava de costas e não a viu chegar. A latina se aproveitou da distração do rapaz e chutou sua coxa, acertando com força sua lateral direita.
– Hey! – Jamie se virava, encontrando uma latina gargalhando atrás dele. – Wow... Seus chutes estão cada vez mais fortes. – O rapaz falava orgulhoso.
– Sou ótima. – Santana dava de ombros. Apesar de ser uma garota insegura, na luta era o único lugar onde Santana tinha certeza de que realmente era boa. Era o único lugar onde sua autoestima se elevava.
Jamie se aproximou lhe dando instruções do que fariam para começar o treino naquela tarde. Santana se alongou com a ajuda do rapaz e depois de alguns minutos estava na frente de um saco de pancada, dando seus primeiros socos usando uma mão de cada vez. Muitos anos de treino lhe deram um ótimo desenvolvimento físico. Santana sabia o que estava fazendo e tinha bastante força em seus braços e pernas. Com o decorrer dos treinos e exercícios físicos, a latina desenvolveu também um ótimo corpo no qual ganha elogios quando algum aluno da academia a vê apenas de shorts e top. Não é como se ela se sentisse a vontade em andar vestida assim, mas no verão, é difícil se manter com uma blusa por cima do top.
Após treinar os braços, Santana agora estava de frente para Jamie que segurava uma grande luva na altura de sua cabeça, deixando que Santana chutasse com força nas luvas. O rapaz muitas vezes gritava pedindo que ela batesse com mais força, até porque, Jamie sempre achou que ao gritar deixava seus alunos com mais adrenalina.
– Wow... – Jamie abaixava seus braços, tirando suas luvas. – Você anda mais forte do que muitos garotos que treinam aqui, Santana.
– Obrigada. – A latina respondia, bebendo sua água.
– Você derrubaria fácil um garoto despreparado. – Jamie passava uma toalha sobre sua nuca.
– Mas ela sabe que não pode. – A voz de Alejandro ecoava atrás de Jamie, fazendo Santana sorrir.
– Eu sei. – Jamie revirava os olhos. – Só estou dizendo que ela está preparada o suficiente para participar de campeonatos.
– Ah, mas Jamie, você sabe que campeonatos não são minha praia. – Santana fazia careta. – Não estou a fim de ter meu rosto deformado por apanha demais. – A latina ria baixo.
– Mulheres. – O professor revirava os olhos novamente.
– Deixe minha filha em paz. – Alejandro brincava. — E Como foi sua aula hoje, mijá? – Alejandro perguntava para sua filha.
– Foi tranquilo. Mas... Na verdade, não fiquei até a última aula.
– E por que não?
– Porque uma garota... Uma grande garota me empurrou contra os armários e não estava me sentindo muito bem. – Santana sabia que podia conversar sobre isso com seus pais e com Jamie. O rapaz era um grande amigo da família e a conhecia desde quando a mesma era bebê. Sabia de todas as dificuldades que passava no colégio.
– E você se machucou? – Seu pai correu em sua direção, segurando em seus ombros e olhando nos seus olhos.
– Não. Estou bem, papi. Brittany e Quinn sugeriu que fossemos para a casa de Britt, e fiquei por lá um pouco antes de ir para casa. – Santana sorria suavemente, depositando um beijo na bochecha de seu pai. – Não se preocupe. Estou ótima. – Claro que Santana não contaria a parte em que surtou com Quinn, até porque, ela não queria que seus pais soubessem disso.
– Quando chegarmos em casa, conversaremos com sua mãe. – Alejandro depositou um beijo na testa da filha. – Vou dar mais algumas aulas, você vai esperar?
– Não, papi. Tia Eva vem me buscar.
– Está bem, então nos vemos mais tarde. Te amo, mijá.
– Também te amo, papi. – A latina sorriu, virando-se para Jamie assim que seu pai os deixou a sós. – E então?
– Corda. 500 pulos. – Jamie apontava para a corda atrás da latina, que revirava os olhos antes de começar seu próximo exercício.
Xxxx
Depois de quase três horas treinando, Santana estava deitada no tatame, de barriga pra cima, com um de seus braços sobre seus olhos. Cansada de todo o esforço que tinha feito. A latina precisava urgente de um banho quente e sua cama para descansar.
– Ew. Você está soada e provavelmente fedendo. – A voz de sua tia, fazia a latina tirar o braço de seus olhos, encontrando a mesma em pé ao seu lado.
– Claro que eu estou soada, mas não estou fedendo. – Santana revirava os olhos, se levantando.
– Tá sim. Vá tomar um banho, porque você não vai entrar assim no meu carro. – Eva franzia o nariz, fazendo Santana rir.
– Eu sempre tomo banho antes de ir, tia Eva. – A latina balançava a cabeça, pegando sua toalha, suas luvas e sua garrafinha de água.
– Eva? – Jamie aparecia atrás da tia de Santana, fazendo-a se virar. – Wow... Você continua linda. – O rapaz comentava e Santana revirava os olhos.
– Jamie! Oh, bom, obrigada. – Eva sorria, se aproximando do rapaz. – Você também continua muito bem. – A médica arqueava suas sobrancelhas.
– Valeu. – Os dois ficaram em silêncio e um olhava nos olhos do outros, sorrindo feitos dois adolescentes.
– Ugh! – Santana fazia careta de nojo, saindo de perto dos dois. – Céus... Melhor eu ir tomar banho. – A latina saia rapidamente deixando os dois a sós.
– Quando Alejandro me contou que você estava na cidade, confesso que não acreditei. – Jamie falava suavemente.
– Bom, faço qualquer coisa pela minha sobrinha. E não é como se eu sumisse daqui. – Eva brincava, rindo suavemente. – Estou todo ano no aniversário da Santana, e me esforço para visitá-los. Você quem sempre esteve muito ocupado para me visitar.
– Mmm... Me lembro de alguns anos atrás uma adolescente latina furiosa me dizendo antes de ir para Nova York que nunca mais ia querer me ver novamente. – Jamie falava carinhoso, olhando nos olhos de Eva.
– Bom, não foi culpa minha. Me declarei para você e pedi que viesse comigo, mas você preferiu Lima, então... – Eva desviava seu olhar de Jamie por alguns segundos. – Fiquei furiosa e nunca mais quis te ver novamente. – Os dois ficaram em silêncio e Jamie observava Eva carinhosamente.
Apesar de poucos saberem, os dois já se conheciam. Jamie sempre foi um dos melhores amigos de Alejandro, e Eva era apaixonada pelo rapaz. Nos seus seis últimos meses de colégio, os dois finalmente tiveram uma chance. Namoram escondidos com medo de que Alejandro fosse se aborrecer com o relacionamento, mas depois que Eva entrou para faculdade, Jamie estava completamente apaixonado e por saber que medicina e Nova York era o sonho de sua amada, não a impediu de ir, porém, Eva o convidou para que os dois pudessem morar juntos e estudarem juntos, mas Jamie sabia que seu lugar era em Lima. Sua família precisava dele, e não podia deixá-los. Eva ficou furiosa, com seu coração quebrado em milhões de pedaços e por sofrer tanto, Alejandro descobriu do relacionamento de seu melhor amigo com sua irmã e ao contrário do que ambos pensavam, o irmão mais velho de Eva deu total apoio, mas nunca escolhendo um lado.
Jamie decidiu que ficaria em Lima e Eva foi para Nova York onde se formou em uma das melhores faculdades de medicina, se tornando uma das melhores médicas do estado. Hoje depois de quinze anos, Eva não podia negar que sentia falta de Jamie e que queria vê-lo. Até porque, Ela nunca o esqueceu. Ele foi seu primeiro amor. O primeiro por quem realmente se apaixonou. Os outros que namorou durante o caminho não se comparavam ao Jamie, e ela pode dizer que amou um ou outro, mas amar como amou Jamie, isso nunca aconteceu.
– Será que... – Jamie respirava fundo. Era difícil negar que ele também continuava apaixonado. Eva foi a melhor garota que ele já conheceu e se arrependia todos os dias por nunca ter ido atrás da mesma. – Será que podemos nos encontrar? – O rapaz falava suavemente. – Sairmos para jantar? – Eva o olhou surpresa, sorrindo suavemente.
– Mmm... Jamie, por um acaso você está me convidando para um encontro?
– Talvez... – Jamie brincava. – E então, o que me diz?
– Claro. Eu adoraria.
– Ótimo! Amanhã à noite? – Jamie perguntava apreensivo.
– Amanhã a noite não vai dar. É aniversário da Santana. Você está convidado a propósito. – Eva sorria.
– Tudo bem, podemos ir depois. – Jamie sorria simpático.
– Você pode me ligar se quiser. – Eva abria sua bolsa, tirando um de seus cartões e entregando para Jamie. – Aqui. Meus telefones.
– Doutora Lopez. – Jamie lia o nome de Eva no cartão. – Fico feliz que tenha conseguido realizar seu sonho. – O rapaz falava sorrindo, olhando para Eva. – Nos vemos amanhã, então?
– Isso. Nos vemos amanhã. – Eva sorriu e antes que pudessem dizer qualquer coisa, Santana aparecia atrás de Jamie, jogando sua toalha por cima da cabeça do rapaz.
– Para de paquerar minha tia, Jamie. – Santana brincava, começando a rir.
– Santana! – Eva fechava os olhos, balançando a cabeça.
– O que?
– Tudo bem, eu preciso ir. Meus próximos alunos estão me esperando. – Jamie jogou a toalha de volta em Santana, se aproximando de Eva. – Nos vemos depois. – O rapaz depositou um beijo em sua testa, a deixando paralisada por alguns segundos.
– Okaaaay... Vocês dois estão agindo como dois adolescentes. Ew. – Santana cutucava sua tia na barriga a fazendo sair de seu transe. – Vamos embora, Eva.
– Ugh! Não posso nem aproveitar a vista. – Eva apontava para a bunda de Jamie que desaparecia para o escritório e Santana a puxou pela mão, para que fossem finalmente para casa.
Xxxx
Assim que chegou em casa depois do treino, Santana preparou o jantar com a ajuda de sua tia. Seu pai chegaria logo, mas ela não sabia que horas sua mãe estaria em casa naquela noite. Era difícil Maribel sair cedo do restaurante e Santana também não esperava que a mesma saísse cedo no dia do seu aniversário amanhã.
– Mmmm... Que cheiro gostoso. – Alejandro entrava na cozinha, depositando um beijo em sua filha.
– Tia Eva está fazendo quesadilla. – Santana respondia empolgada. Era uma de seus pratos favoritos.
– Mmm, não sei se esse jantar vai ser muito seguro. – Alejandro brincava, fazendo sua filha rir.
– Hey! Eu sou uma ótima cozinheira. Aprendi tudo com a mami. – Eva respondia seu irmão.
– Mhm, claro. Eu vou tomar um banho antes do jantar. – Alejandro sorriu, deixando as duas sozinhas.
– Ansiosa para o nosso dia amanhã, mijá? – Eva perguntava, ajeitando a mesa.
– Um pouco. – Santana ainda não tinha se acostumado com o fato de que amanhã iria fazer compras, e ainda se sentia desconfortável em falar sobre o assunto.
– Você já fez sua lista?
– Tia...
– Não, Santana. Eu prometi que compraríamos apenas o que você realmente precisasse, então quero uma lista. Depois do jantar vamos para o seu quarto e olharemos suas roupas, sapatos. Tudo o que você quise... digo, precisar. – Eva sorria. Ela sabia que não compraria só o que estaria na lista, até porque, Eva conhecia sua sobrinha e provavelmente a lista da mesma teria apenas dois itens.
– Está bem. – Santana respirava fundo e logo a porta da frente abriu, fazendo Santana sorrir ao ver quem tinha acabado de chegar. – Mami! – A latina se jogou nos braços de sua mãe, lhe abraçando com força. – Você chegou mais cedo.
– Como você está, mi amor? – Maribel, depositava um beijo na bochecha de sua filha, pousando suas duas mãos no rosto da mesma, lhe examinando. – Seu pai me ligou falando que uma garota brigou com você. Ela te machucou? – Maribel falava preocupada.
– Não mami, eu estou bem. – Santana revirava os olhos. – Sério, mami, eu estou bem e aquela garota não me machucou. Quinn e Brittany chegaram antes que ela pudesse fazer algo.
– Oh. – Maribel olhava confusa para Eva. – Então vocês três estão realmente se aproximando?
– Mmm, acho que sim. – Santana dava de ombros, deitando sua cabeça contra o peito de Maribel. – É tão bom quando a senhora chega para jantar, mami. Tia Eva fez quesadilla. – Maribel sorria, acariciando o cabelo de sua filha.
– É ótimo chegar em casa e te encontrar acordada. – Maribel depositava um beijo contra a cabeça de Santana. – E o cheiro está maravilhoso, Eva.
– Obrigada, Bel. Já está tudo pronto.
– Vou tomar banho. 2 minutos e já volto. – Maribel deu um tapa de leve na bunda de Santana, e enquanto ia para seu banheiro, Alejandro passava seus braços em volta da cintura de sua esposa e os dois voltavam juntos para o quarto.
– Dois minutos, Bel. Dois minutos! – Eva gritava fazendo Santana rir. A latina adorava o modo como seus pais ainda se amavam e eram amorosos um com o outro.
– Será que vamos ter que comer sozinhas? – Santana se sentava em uma das cadeiras, olhando para sua tia.
– Dou dois minutos para sua mãe aparecer aqui, ou então vamos comer sozinhas. – Eva abria uma garrafa de vinho, e ambas esperavam por Maribel e Alejandro.
Não demorou para que os pais de Santana saísse do quarto prontos para jantar. Maribel tinha um sorriso enorme no rosto e Santana franzia o nariz olhando para sua tia.
– Oh céus, aposto que Alejandro te fez companhia durante o banho. – Eva dava um gole em seu vinho.
– Talvez eu tenha feito. – Alejandro respondia, se sentando em uma das cadeiras.
– Ew. Papi... Eu amo o fato de vocês ainda serem loucos um pelo outro, mas por favor, não preciso de nenhuma imagem dessas na minha cabeça. – Santana fazia careta e seus pais começavam a rir.
– Nem eu. – Eva revirava os olhos. – Podemos comer?
– Claro.
Após todos se servirem, Maribel contava de seu dia e em seguida, Alejandro contou sobre o dele. Santana ria quando seu pai contava de algum aluno e Eva ainda não acreditava como seu irmão conseguia ter tanta paciência com garotos tão insuportáveis.
– Precisei resolver alguns problemas do hospital. – Agora era Eva quem contava sobre seu dia. – Um dos meus pacientes exigia uma consulta comigo. O filho da mãe fez um escândalo na porta do hospital. Mas o médico que está me substituindo conseguiu controlá-lo e resolveu o problema.
– E você pode ficar tanto tempo longe do hospital e dos seus pacientes, tia?
– Poder, eu não posso. – Eva ria baixo. – Mas pedi que um colega me substituísse. Ele estava me devendo algumas horas e trocamos.
– Oh... Bom, pelo menos você veio mais cedo para o meu aniversário. – Santana sorria, terminando de comer.
– Falando em aniversário. – Maribel comentava. – Graças a generosa Carly, consegui o dia de folga amanhã. Owen ficará no meu lugar e teremos o dia para comemorarmos juntas.
– Sério? – Santana perguntava surpresa. – Isso é ótimo, mama.
– Vou deixar algumas coisas preparadas agora a noite para amanhã e pela manhã termino tudo.
– Gracias. – Santana falava suavemente, olhando para as três pessoas a sua frente. – Gracias por se esforçarem dessa forma para o meu aniversário. Vocês sabem que não precisam fazer tudo isso, mas mesmo assim fazem e eu agradeço muito.
– Você é minha única princesa, então eu faço qualquer coisa. – Alejandro respondia.
– Gracias, papi.
– Ah, antes que eu me esqueça. – Eva virava-se para sua cunhada. – Convidei três pessoas para o jantar de amanhã. – A médica comentava e Santana semicerrava os olhos, imaginando quem seria o tal convidado.
– Oh... E quem seria? – Maribel perguntava curiosa.
– Jamie. – Santana respondia por sua tia. – Um deles é o Jamie.
– Como você sabe que é o Jamie? – Eva arqueava sua sobrancelha olhando para sua sobrinha.
– Só adivinhei.
– Vocês estão se vendo de novo? – Maribel perguntava.
– Não... Sim. Não sei. – Eva respondia confusa. – Talvez? Ele me convidou para sair e eu o convidei para o aniversário da Santana.
– Mami, vocês tinham que ver o modo como eles se olhavam... Ew. Pareciam dois adolescentes apaixonados. – Santana balançava a cabeça e Alejandro olhava sério para sua irmã.
– Você tem certeza disso, Eva? – Alejandro perguntava. – Não quero te ver se machucando novamente.
– Tenho. E também, seremos apenas dois amigos saindo para jantar, certo? – Eva dava de ombros.
– Só tome cuidado. Tenha certeza do que você está fazendo. – Alejandro sorriu suavemente.
– Espera. – Santana não sabia o que estava acontecendo e olhava confusa para seus pais e sua tia. – Como assim se machucar de novo? Não entendi.
– Bom mijá, sua tia e Jamie eram apaixonados um pelo outro. – Maribel falava suavemente e Santana arregalava os olhos.
– O que? Sério? Wow... Isso é uma surpresa. E por que vocês terminaram?
– Porque eu quis que ele fosse comigo para Nova York, mas ele preferiu ficar aqui. – Agora Eva quem resumia sua história.
– Oh, sinto muito, tia. Mas você ainda gosta dele? Depois de todos esses anos?
– Eu nunca me apaixonei por ninguém igual me apaixonei por ele.
– Pelo jeito que você o olhava hoje na academia, você gosta dele ainda, tia. – Santana sorria, fazendo os três sorrirem com ela.
– Talvez. – Eva dava de ombros.
– Cuidado, está bem? – Alejandro voltava a falar. – Você já sabe que ele não irá para Nova York, então não crie esperanças.
– Eu sei.
– Talvez ele não quisesse ir naquela época por ser novo demais. – Santana se intrometia no assunto. – Quem sabe agora que ele já está mais velho... –
– Não, mijá. – Alejandro interrompia sua filha. – Não dê esse tipo de esperanças para sua tia. Deixe que ela descubra tudo por si só. Talvez ele realmente tenha mudado, mas só quero que você vá devagar, Eva. Seja qual for sua intenção.
– Não se preocupe. Não vou tomar nenhuma decisão precipitada. Só sinto falta dele. – Eva olhava para seu prato, respirando fundo.
– Tudo bem. – Alejandro assentiu e agora todos terminavam de comer e Maribel junto de Alejandro limpavam a cozinha, enquanto Santana e Eva iam para o quarto da latina fazerem a lista de aniversário da garota.
– Ok, vamos começar olhando seu guarda-roupa. — Eva abria o guarda-roupa da sobrinha, enquanto a mesma segurava uma caneta com um bloco de anotações.
– Mmm... Blusa de frio? – Santana falava apreensiva o primeiro item de sua lista.
– Santana, eu vou falar pela última vez. Não precisa ter medo de me pedir nada. Vamos comprar tudo o que você realmente precisa. É meu presente de aniversário para você. – Eva falava firme e Santana a olhou por alguns segundos. – Confia em mim, pumpkin. Eu sou sua tia e eu te amo muito. Quero de coração te dar o melhor. – Eva depositou um beijo na bochecha da garota e Santana respirou fundo assentindo. – Então vamos começar novamente. Você estava dizendo...
– Blusa de frio. – Santana repetia.
– Ok, marque apena blusas que na loja escolhemos quais os tipos. O que mais?
– Mmm... Acho que calças e tops. – Santana anotava em seu bloco e Eva sorria ao ver que sua sobrinha ficava mais confortável.
– Sapatos? – Eva perguntava. – Sei muito bem que a senhorita está louca por uma bota UGG. Anote, porque vamos comprá-la. – Santana tirou seus olhos de seu bloco, em dúvida se deveria marcar ou não. – Santana! Marque. – Eva arqueava sua sobrancelha e Santana assentiu, marcando sua tão sonhada bota UGG e um all star novo.
– Meias. – A latina sorria marcando mais um item. – Mmm... Tia, posso... P-posso marcar também algumas roupas para os meus treinos? – Santana não sabia de onde a coragem de pedir algo estava vindo e no mesmo instante sentiu suas bochechas esquentarem de vergonha.
– Claro, pumpkin. Marque suas roupas de treino. – Eva sorria, olhando mais um pouco dentro do guarda-roupa de Santana antes de olhá-la. – Maquiagem?
– Tia, você sabe que eu não gosto de maquiagem. O máximo é um rimel. – Santana comentava.
– Bom, mas vamos comprar porque você está precisando. – Eva já estava em frente à penteadeira de Santana olhando as maquiagens da sobrinha.
– Tia, maquiagem não é algo que eu preciso, e... –
– E o que acha de alguns filmes? Sei que você adora filmes. – Eva interrompia sua sobrinha lhe ignorando.
– Talvez alguns lançamentos. – Santana respondia. – Mas, não quero filmes. – A latina realmente não queria que sua tia gastasse com tanta coisa, ela apenas queria o necessário. O que realmente precisava e Eva parecia querer comprar tudo para Santana.
– Certo. Agora vamos ver... Oh, pumpkin, eu estava quase me esquecendo. – Eva olhava para o violão de sua sobrinha, se lembrando do quanto à mesma é apaixonada por música. – Você precisa de alguma coisa para o seu violão? Talvez cordas novas? Algum livro em especial referente a isso? Anote aí, acho que você deve estar precisando. – Eva apontava para o bloco na mão da latina, mas Santana apenas balançou a cabeça dizendo que não. – Santana, pelo menos cordas novas. – A latina parecia ter voltado a seu estado desconfortável, porque mal conseguia escrever o que sua tia lhe dizia. – Talvez você queira também mais lápis novos. Tintas. Isso! Vamos comprar mais lápis de cores, gizes de cera, tintas. – Eva falava empolgada.
– Tia, e-eu não preciso dessas coisas, está bem? Você já me deu os melhores lápis que já vi e um caderno incrível. Não preciso de mais nada.
– Prometo que serão poucos. Só o básico. Por favor? – Eva fazia um bico adorável, fazendo Santana respirar fundo e começava a escrever no seu bloco.
– Pronto. Isso já é o suficiente. – Santana destacava a folha de seu bloco, entregando para sua tia.
– Mmm, roupas, sapatos... – Eva lia com atenção para ver se Santana realmente marcou tudo. – Botas, cordas novas, livros, lápis... Mmm... maquiagem? – Eva olhava para sua sobrinha. – Pumpkin, faltou a maquiagem.
– Tia, o que eu tenho já é o suficiente, e eu quase não uso.
– Vamos comprar alguns cremes. Para seu cabelo, corpo... Perfume. Oh, eu sei de um perfume maravilhoso que você vai adorar.
Santana podia perceber o quão empolgada sua tia estava, e por mais que tudo isso lhe incomodasse, a latina não queria entristecer Eva. Era como se sua tia estivesse usando um ótimo charme para lhe convencer a tudo isso. Está realmente muito difícil dizer não para tudo o que Eva falava.
– Vou ficar com isso. – Eva dobrava a lista de Santana. – Amanhã iremos cedo comprar seus presentes. – E com isso, Eva saiu do quarto, deixando uma confusa Santana para trás.
O relógio marcava quase onze horas da noite e Santana estava em sua cama olhando para o teto pensando em como seria seu dia amanhã. Claro que ela não esperava nada de diferente, até porque, todos os anos é a mesma coisa. Ela estava surpresa por saber que Jamie viria. Ele já tinha aparecido em outros aniversários, mas não era uma pessoa que aparecia todos os anos. Muitas vezes eles apenas se encontravam no dia seguinte, e aí Jamie lhe entregava um presente simples, mas que Santana sempre adorava, mas estava confusa em saber quem seriam as outras duas pessoas que sua tia convidou.
Esse ano seria como todos os outros, exceto que ela sem dúvidas ganharia muitos presentes graças sua tia Eva. Não que fosse algo que ela quisesse, mas apesar de realmente querer roupas novas, Santana não queria que exagerassem ou que comprassem coisas desnecessárias, mas conhecendo Eva, a garota sabia que exagero é uma palavra que cabe perfeitamente no dicionário de sua tia.
Santana sempre tentou imaginar como seria ter uma grande festa, mas era difícil já que ela nunca conseguiu imaginar quem estaria em sua festa. Claro que Quinn Fabray era a única que ela imaginava ao seu lado o tempo todo, mas os outros? Era difícil. Talvez se ela tivesse contado para Quinn e Brittany sobre o seu aniversário as coisas seriam diferentes amanhã, mas não, Santana não confiava 100% nas líderes de torcida e tinha quase certeza de que elas iriam recusar. Provavelmente por terem algo melhor para fazer. Ninguém viria até Lima Heights para um aniversário tão simples como o de Santana Lopez.
Pensar dessa forma era doloroso, mas Santana sabia que confiar nas pessoas sempre lhe trazia algo ruim. Até porque, quando a pessoa que você confia te traí, a dor é insuportável e Santana sabe muito bem o que é conviver com uma dor assim.
Por mais que fosse completamente apaixonada por Quinn e que estivesse feliz por ver a loira falando com ela, Santana não sabia ainda se isso era real. Se Quinn realmente estava interessada. Santana queria acreditar nela e deixá-la se aproximar, mas seu nível de confiança era baixo. A latina reconhece quando alguém é sincero, e não pode negar que viu muita sinceridade nos olhos de Quinn várias vezes, mas se Quinn Fabray e Brittany Pierce realmente querem se aproximar, Santana precisa ter a certeza de que elas não vão deixá-la e quebrar seu coração em mil pedaços.
Xxxx
– Feliz aniversário, pumpkin! – Eva entrava como um furacão no quarto de sua sobrinha pela manhã, pulando na cama e lhe agarrando, enchendo a de beijos.
– Tia... – Santana resmungava, escondendo seu rosto no travesseiro.
– Acorda, acorda, aniversariante! – Eva falava empolgada. – Feliz aniversário, minha monstrinha. – Santana começava a rir baixo contra seu travesseiro encontrando os olhos brilhantes de sua tia e um sorriso enorme.
– Obrigada, tia Eva. – Santana abraçou sua tia, e logo seus pais entravam no quarto.
– Feliz aniversário, mi amor! – Maribel deitava do outro lado de Santana, enquanto Alejandro passava por cima de sua irmã, fazendo Santana rir, depositando um beijo na cabeça da mesma.
– Parabéns, mijá. – Alejandro se sentava na beira da cama.
– Obrigada, papi, mami. – Santana passava a mão nos olhos, se sentando entre sua mãe e sua tia, encostando contra a cabeceira da cama.
– 17 anos, hein, mijá. Está velha. — Alejandro brincava.
– Sério, Ale? Velho está você que já tem uma filha de dezessete anos. – Eva empurrava seu irmão.
– Ok, crianças. Hora de abrirmos os presentes. – Maribel sorria, entregando uma caixa pequena de joia para sua filha. – Espero que goste, mijá.
– Mami... – Santana sorria, abrindo a caixa devagar e encontrando uma caixa de veludo vermelha. Assim que abriu, um lindo colar com pingente de coração estava dentro da mesma. – Mami... É lindo! – A latina olhava o coração cuidadosamente.
– Abre. – Maribel falava suavemente e Santana abriu o coração encontrando uma linda foto em que ela está no colo de seus pais, sorrindo quando tinha cinco anos.
– Eu adorei. – Santana se virou abraçando forte sua mãe, sentindo seus olhos encherem de lágrimas. – Obrigada, mami. Você coloca pra mim? – A latina perguntava e se afastou deixando que sua mãe colocasse seu novo colar. – Obrigada.
– Te amo, mijá.
– Minha vez! – Alejandro levantou uma caixa maior, colocando cuidadosamente no colo de sua filha.
Santana olhou sorridente para seu pai e começou a desembrulhar a caixa, sem ter qualquer ideia do que era. A latina arregalava seus olhos no momento em que viu o que tinha dentro da caixa.
– Meu Deus, papi! – Santana falava surpresa.
– Eu sei que você tinha dito que não queria que gastássemos com você, mas qual é, mijá, você é nossa única garotinha e faço questão de lhe dar o melhor. – Alejandro pousava sua mão sobre a perna de Santana. – Faz meses que reparei que seu aparelho DVD não estava muito bom e resolvi comprar esse aparelho blu-ray novo para você.
– Céus, papi. Obrigada. – Santana se ajoelhou na cama, abraçando forte seu pai.
– Minha vez! – Eva batia palmas e se virava para o criado mudo pegando uma caixa pequena e entregando para Santana. A caixa estava embrulhada com um papel colorido e pelo tamanho, a latina fazia ideia do que era. Seu coração começava a acelerar e ela encarava a caixa em sua mão. – Abre! – Santana olhou para sua tia e em seguida para seus pais que sorriam sem parar.
– Abre, mijá. – Alejandro a encorajava e Santana respirou fundo, começando a tirar o embrulho do presente. Uma caixa branca começava a aparece e Santana fechava seus olhos, tentando não chorar. Por mais que fosse algo que ela queria e estava juntando seu dinheiro para comprar, Santana não queria que sua tia exagerasse daquela forma.
Não demorou para que Santana finalmente pudesse ver o presente que sua tia tinha lhe dado. O coração da latina estava batendo tão forte que ela podia senti-lo em sua garganta. Sua mão começava a soar e fechou seus olhos por alguns segundos.
– Tia... – Santana sussurrava. – Um... I-iphone 6? – A latina abria seus olhos, e sua tia assentia rapidamente.
– O mais moderno e novo Iphone 6, pumpkin. – Eva falava empolgada. – Sua mãe comentou que você queria um celular novo e que estava guardando dinheiro para poder comprar, mas quero que você guarde seu dinheiro para outra coisa, porque você vai ganhar tudo o que sempre quis. Um celular novo e sua tão sonhada bota. Provavelmente muito mais e não, Santana Maria Lopez, não adianta dizer que não aceita isso, porque já te falamos milhões de vezes. Te amamos e te daríamos as estrelas se fosse possível. – Santana estava com seus olhos cheios de lágrimas e estava difícil negar o quão feliz estava por ter um celular novo. Um Iphone 6. Claro que ela compraria um celular, mas pensou em talvez um blackberry, mas nunca em um desses.
– Obrigada, tia. – Santana se virou abraçando sua tia com força. – Obrigada. Eu amo muito vocês. – A garota secava suas lágrimas, depositando um beijo em sua mãe e outro em seu pai. Santana abriu a caixa do seu celular, encontrando um aparelho da cor cinza e sorriu ao ver o quão lindo o mesmo era.
– E não é só isso. – Eva enfiava a mão no bolso de seu pijama, tirando um pedaço de papel e entregando para Santana que agora a olhava confusa. – Abre. – Sem hesitar Santana abriu o papel encontrando dois números de telefones marcados no mesmo e seus olhos se arregalaram.
– Como? Tia...
– Bom, no dia que Brittany foi ao hospital, ela deixou esse papelzinho com você, e se eu me lembro muito bem, é o número dela e da Quinn. – Eva arqueava suas sobrancelhas.
– Woohoo, mijá... Conseguiu o telefone da Quinn. – Alejandro brincava, fazendo sua irmã e sua esposa rirem.
– Mas... Será que... Será que ela não vai achar ruim? – Por mais que estivesse completamente feliz por ter um celular novo e o número de telefone de Quinn Fabray, Santana não podia deixar de se sentir insegura com tudo isso.
– Tenho certeza que ela não se importaria. Afinal, acho que Brittany não passaria o número de Quinn, sem a mesma estar ciente. – Maribel falava suavemente e Santana a olhou por alguns segundos antes de assentir.
– Está bem, e-eu vou salvar. – Santana sorriu.
– Nós vamos te dar alguns minutos, mijá, mas se arrume, porque depois que tomarmos café vamos para o shopping. – Maribel depositava um beijo na testa da filha, se levantando.
– Está bem, mama. Já estou indo tomar banho. – Santana recebeu mais um abraço de sua tia e outro de seu pai antes de a deixarem sozinha com seus presentes e o número de telefone de Quinn e Brittany.
Santana ficou encarando aquele pedaço de papel por alguns segundos sem saber o que fazer. Ela não sabia se adicionava as duas líderes de torcida ou não. A latina estava com medo de ser rejeitada e ficar sem nenhuma resposta. Ela fechou seus olhos por alguns segundos e sua cabeça girava com mil perguntas. Se Brittany e Quinn fossem ignorá-las, por que então passariam seus números para ela? Talvez elas estivessem esperando e se perguntando do porque Santana ainda não entrou em contato com nenhuma delas.
A latina pegou seu velho laptop configurando rapidamente seu celular e começou a mexer no mesmo, aprendendo o necessário, e finalmente adicionou os números das líderes de torcida. Santana pensou em mandar alguma mensagem, mas estava nervosa demais para falar com Quinn, mas pela primeira vez, tomou uma atitude sem pensar.
“Quinn? Hey é a Santana. Você deve estar se perguntando como consegui o seu número, mas foi a Brittany. Ela me passou o seu número e o dela enquanto eu estava no hospital e mmm... Eu só queria me desculpar por ontem. Não me senti muito bem e precisei vir embora. Me desculpe. X. S.”
Santana apertou para enviar e fechou seus olhos sem acreditar no que tinha feito. Ela sabia que precisava se desculpar com Quinn pela manhã anterior, e arrumou uma ótima desculpa para mandar sua primeira mensagem. A latina esperou por alguns segundos e começava a ficar nervosa se arrependendo pelo o que tinha feito. Se acalma, Santana. Ela deve estar dormindo ainda. Santana pensava, colocando seu celular cuidadosamente em seu criado mudo e indo se preparar para tomar seu banho.
A latina mal conseguiu se concentrar enquanto tomava banho e se lavou rapidamente, ansiosa para saber se tinha alguma resposta em seu celular. A mesma se secou, se enrolando em seu roupão e logo que entrou em seu quarto, se sentou em sua cama, pegando seu celular e para sua surpresa, uma mensagem de Quinn estava no seu blockscreen. Seu coração disparava, fazendo-a sorrir de orelha a orelha e deslizou seu dedo na tela, abrindo a mensagem.
Quinn: Santana? Tana! Feliz aniversário! Finalmente vamos poder nos falar fora do colégio. Você não faz ideia do quanto isso me deixa feliz. Já salvei seu número J Sobre ontem, não se preocupe, está tudo bem.
Santana arregalou seus olhos ao ver Quinn lhe desejando os parabéns. A garota não tinha contando para ninguém sobre o seu aniversário e estava surpresa com o que via.
Tana: Hm, sim. É ótimo conversar fora do colégio. Obrigada pelos parabéns, mas como você sabe que hoje é meu aniversário?
A latina perguntava curiosa e logo seu celular tocou em sua mão.
Quinn: Oh, sua tia... Ela me contou que hoje era o seu aniversário.
No mesmo instante, Santana começava a sentir raiva. Ela não queria que ninguém soubesse por um único motivo e sua tia fez questão de contar para Quinn. A latina respirou fundo.
Tana: Oh, ok... Quinn, nos falamos depois. X.
Santana colocou seu celular em cima de seu criado mudo, vestindo seu lingerie, em seguida uma calça jeans azul, rasgada no joelho, com uma blusinha branca de manga cumprida, calçando seu all star vermelho, deixando seu cabelo solto e saiu furiosa do quarto atrás de sua tia.
– Tia! – Santana aparecia na cozinha onde os três tomavam café. – Você contou para Quinn que hoje é o meu aniversário? – A latina respirava fundo e Eva se levantou.
– Não fica brava, pumpkin, mas sim. Falei. – Eva mordia o canto de seus lábios e antes que Santana pudesse dizer qualquer coisa, a mesma continuou. – E antes que você surte de raiva, entenda que fiz isso para o seu bem. Eu sei que é difícil confiar nas pessoas, Santana, mas é nítido ver nos olhos de Quinn e Brittany que elas estão preocupadas com você e querem se aproximar. Você nunca vai poder conhecê-las se não deixá-las entrarem na sua vida. – Santana olhava nos olhos de sua tia sem emoção alguma. – Você nunca vai saber se elas são confiáveis se não as conhecer 100%. Que mal tem elas saberem que hoje é o seu aniversário? É o seu dia, Santana. Elas vão adorar comemorar esse dia com você, e tenho certeza que você também sente falta de pessoas diferentes se importando. – Eva respirava fundo e Santana não podia negar que sua tia tinha razão. – Vamos conhecê-las, está bem? Se elas te machucaram, eu mesma faço questão de acabar com as duas. Mas dê uma chance. Só dê uma chance. Afinal, você é apaixonada pela Quinn e ela precisa conhecer a garota especial que você é. – Sem dizer nada, Santana desviou seu olhar de sua tia, olhando para seus pais que pareciam concordar com Eva. A latina passou a mão pelo seu cabelo irritada por saber que sua tia tinha total razão.
– E-eu vou terminar de me arrumar. – Santana voltou rapidamente para seu quarto, checando novamente seu celular com apenas uma mensagem de Quinn lhe desejando parabéns novamente. A latina pegou sua bolsa, seus óculos e seu casaco, colocando seu novo celular dentro de sua bolsa e saindo do quarto para tomar seu café. Ela sabia que não ficaria brava com sua tia por muito tempo e não queria nenhum clima ruim entre elas, até porque, hoje as três Lopezes passariam o dia inteiro juntas. – Tia... – A garota deixava suas coisas no sofá, e se aproximava da mesa para se sentar. – Me desculpe. Fiquei surpresa por Quinn saber que dia é hoje e não sabia como reagia.
– Está tudo bem. – Eva sorriu dando seu último gole em seu café. – Tome seu café, porque temos um dia de compras. – A médica sorriu e se levantou para se arrumar.
– Sua tia tem razão. – Alejandro se levantava, se aproximando de sua filha. – Dê uma chance para Quinn e Brittany, mijá. Você precisa aprender a confiar nas pessoas novamente e tenho certeza que ambas estão sendo sinceras. – O pai de Santana depositou um beijo em sua testa. – Feliz aniversário, hermosa, nos vemos mais tarde. Te amo.
– Gracias, papi. Também te amo. – Santana acenou enquanto seu pai ia trabalhar.
– Mami? – Santana falava suavemente com sua mãe que continuava tomando café. – Você acha mesmo que Quinn e Brittany realmente querem ser minhas amigas? – A latina perguntava apreensiva e Maribel sorriu.
– Mijá, não só elas como também aqueles quatro adoráveis que foram te visitar no hospital. – Maribel respondia fazendo Santana lembrar-se do glee clube. – Todos eles pareciam estar sendo bem sinceros, mi amor. E como sua tia disse, é difícil confiar nas pessoas, mas não se preocupe, estamos aqui e vamos te ajudar no que for. – Maribel estendeu sua mão segurando na de sua filha. – Vou terminar de me arrumar para finalmente começarmos nosso dia, está bem? Te amo, mi amor. – Maribel se levantou, depositando um beijo em sua filha.
– Te amo, mami. – Após sua mãe ter mencionado Rachel e os outros, Santana se lembrava da oferta que tinha recebido para conhecer o glee. Ela sabia que seus pais e sua tia estavam certos e precisa deixar as pessoas se aproximarem ou ela nunca teria amigos. Confiança não é algo presente em seu dicionário, mas talvez, conhecendo o glee a ajude se livrar do bullying que recebe todos os dias. Ela não pode se defender da maneira que gostaria, mas tendo amigos talvez a ajude. Seu aniversário estava cheio de surpresas e Santana não se dava bem com surpresas. A latina tomava seu suco e pela primeira vez em anos cogitava em realmente deixar as pessoas se aproximarem.
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