Hurricane
9 A night full of surprise
Notas iniciais
– Ah meu Deus! – Eva sorriu sem parar ao ver Santana saindo do provador usando um shorts preto de cetim, com uma camisa branca. A garota experimentava sua quinta roupa naquela última loja, após ter passado praticamente pelo shopping inteiro. Sua tia e sua mãe estavam carregando várias sacolas com roupas e sapatos, e Santana já estava cansada de tanto tirar e colocar roupa. – Nós precisamos levar essa. Você pode usá-la hoje à noite com aquela sapatinha preta que compramos. – Eva estava sentada ao lado de Maribel em um grande sofá, com as sacolas espalhadas ao seu lado e no chão.
– Tia, e-eu acho que já compramos demais. – Santana falava suavemente apontando para as sacolas. – Você comprou até coisas desnecessárias.
– Não senhorita. Compramos coisas necessárias. Sua tão sonhada bota. – Eva falava sorrindo. – Casacos, blusas, t-shirt, tops, calças jeans, calças leggins, shorts... Mmm... O que mais? Ah, perfume, cremes... Em minha opinião compramos tudo o que uma garota na sua idade precisa. – A médica arqueava sua sobrancelha.
– Tia, você comprou colar e brincos que provavelmente eu não irei usar. – Santana cruzava seus braços e Maribel quem respondia dessa vez.
– Claro que vai. Com essa roupa e o brinco que sua tia comprou você pode usar essa noite, mi amor.
– Mama... Pare de incentivar a tia Eva. – Santana brincava, fazendo Maribel rir.
– Vá se trocar, pumpkin. Nós vamos levar essa roupa também. – Eva gesticulava para que Santana voltasse para o provador.
– Podemos ir comer alguma coisa? Eu estou faminta e sequer paramos para almoçar. – Santana falava de dentro do provador. – Não acredito que passei horas no shopping.
– É seu aniversário, Santana. Você merece tudo o que ganhou. – Eva se levantava, tirando seu cartão da carteira e entregando para a vendedora. – Nós vamos levar essas peças também e a que está com ela no provador.
– Sim, senhora. – A garota sorria simpática e logo Santana saia do provador ajeitando seu tênis e entregando a roupa para a vendedora.
– São tantas sacolas... Isso é um exagero. – Santana comentava e Eva revirava os olhos pela milésima vez naquela manhã.
– Vou fingir que não ouvi você reclamando disso novamente, Santana. – A tia da garota se aproximava do caixa para assinar seu cartão.
– Mijá, sei que você está achando um exagero tudo isso, mas lembre-se do que sua tia falou essa manhã, huh? – Maribel falava carinhosa com sua filha, passando a mão sobre seu cabelo.
– Sim, mama. Prometo não reclamar mais. – Santana sussurrava e Maribel depositava um beijo em sua bochecha.
– Vamos? – Eva aparecia na frente delas com mais duas sacolas da roupa que acabou de comprar. – Podemos ir comer.
– Graças a Deus! – Santana murmurava, fazendo Maribel sorrir.
Apesar de estar reclamando do excesso de presentes, Santana não podia negar que nunca se sentiu tão mimada como naquele dia. Claro que seus pais sempre faziam o possível para lhe dar o melhor, e sempre foram muito carinhosos, mas Santana nunca recebeu tanto presente igual naquela manhã. A latina adorou tudo o que sua tia comprou e apesar de se sentir desconfortável, estava feliz por finalmente ter ganhado tudo que sempre quis. Agora Santana poderia usar seu dinheiro para outras coisas.
O dia foi tão animado e cansativo que Santana esqueceu de que Quinn sabia de seu aniversário. A latina não sabia o que esperar da líder de torcida e estava com medo do que poderia acontecer. Santana não sabia o que exatamente sua tia tinha conversado com Quinn, mas depois que descobriu que as duas líderes de torcida sabiam do seu aniversário, Santana suspeitou de que talvez... Talvez, as outras duas pessoas que sua tia convidou teriam sido elas e isso deixava Santana ainda mais nervosa.
Ela não queria manter esperanças de que Quinn e Brittany apareceriam em sua porta hoje à noite, mas era difícil enquanto seu coração gritava lhe dizendo que as duas estavam inclusas entre as três pessoas convidadas de sua tia Eva.
O lanche que Santana escolheu foi um dos seus sanduiches favoritos do subway. A garota aproveitou, já que fazia meses que não comia algo assim. A latina sempre se manteve em sua dieta de seus treinos e raramente saia para comer algo assim. Pelo menos era isso que ela pensava. Santana sabia que não tinha a mordomia de sair todos os fins de semana para comer um lanche como esse e sempre foi compreensiva e apesar de soar exagerado, a latina apenas economizava pensando em seus pais. Pensando que seu dinheiro poderia ajudá-los ao invés de gastar com tanta coisa desnecessária.
Enquanto lanchavam, Eva e Maribel conversavam sobre o jantar que fariam juntas essa noite. Maribel comentava que terminaria o bolo da filha, enquanto Eva dizia que prepararia o salmon que Santana tanta amava.
A latina sorriu com sua tia falando empolgada de Jamie, e se sentia feliz por vê-la daquela forma. Eva sempre foi sozinha e quando arrumava algum namorado raramente passava de três meses. Santana nunca soube o porquê até agora. Jamie. Ele era o culpado por tudo isso e a garota desejava que ele e sua tia pudessem se entender.
Santana dava a última mordida em seu lanche e ficava em silêncio rindo da sua mãe que provocava sua tia o tempo todo por causa de Jamie. Era como se ambas fossem jovens novamente e ficasse uma provocando a outra. A latina estava adorando sua tarde, mas ela estava tão cansada que desejava estar em sua cama.
– Podemos ir agora? – Santana perguntava, fazendo sua tia e sua mãe olharem para ela.
– Claro, mi amor. Ainda tenho que terminar o seu bolo. – Maribel respondia, começando a pegar as sacolas e sua bolsa.
– E eu preciso da minha cama. – Santana e Eva faziam o mesmo, se levantando.
Enquanto Santana andava logo atrás de sua mãe, a garota olhava para os lados, dando sua última olhada nas lojas que passavam, quando algo... Ou melhor, alguém chamou sua atenção. A latina franziu seu cenho, olhando confusa para a pessoa que andava a alguns centímetros de distância a sua frente. Santana não tinha certeza quem realmente era, mas a latina a conhecia perfeitamente para desconfiar de que aquela garota a sua frente era a pessoa que ela jurou que nunca mais sequer pensaria no nome dela.
Santana sentia seu estômago revirar todo o que tinha comido. Sua respiração começava a falhar e a mesma se colocou ainda mais atrás de sua mãe na tentativa de se esconder. Ela começava a ficar assustada e quando a garota a sua frente se virou, Santana arregalou seus olhos, sentindo seu coração parar. Suas pernas estavam moles e ela sentia como se fosse desmaiar a qualquer momento.
Aquela garota. A garota que Santana jurou que nunca mais a veria. Que nunca mais pensaria nela. A garota de um passado tão sofrido. Um passado que ela faz questão de esquecer estava logo a sua frente.
Santana começava a se desesperar atrás de sua mãe, com medo de que fossem vê-la. A garota estava acompanhada de outras amigas e a latina se segurava para não correr dali ou então ela chamaria atenção. Santana estendeu sua mão, segurando no braço de Maribel e puxando a mesma para dentro da primeira loja ao seu lado.
– Mijá o que houve? – Maribel perguntava confusa e Santana começava a hiperventilar, sem conseguir respirar.
– Santana! – Eva olhava assustada para sua sobrinha sem saber o que estava acontecendo.
– Mi amor, se acalme. – Maribel largava suas sacolas, se aproximando de Santana e pousando suas mãos no rosto da mesma, fazendo-a olhá-la. – Santana, olha pra mim. – Santana estava tendo um ataque de pânico e sua mãe sabia bem disso. Maribel tirou as sacolas da mão da filha, pedindo que alguma vendedora lhe trouxesse um copo com água, enquanto a mesma pousava a mão de Santana sobre seu peito. – Mijá, olha nos meus olhos e segue a minha respiração. – Maribel falava calmamente e Santana olhava nos olhos de sua mãe, mas estava difícil respirar. Seu maior medo estava naquele shopping e era como se todo seu sofrimento fosse voltar a qualquer momento.
– E-eu... Mama... – Santana sussurrava, começando a chorar.
– Santana, presta atenção na minha voz. – Maribel falava firme, sem tirar os olhos de sua filha. – Respira... Inspira. – A Chef de cozinha tentava acalmar sua filha, encostando sua testa ao da mesma. – Por favor, mijá, você precisa fazer isso por mim, está bem? – Maribel falava suavemente e Santana assentia fechando seus olhos tentando limpar sua mente e seguir a respiração da mãe.
Maribel não sabia o que estava acontecendo e ambas estavam preocupadas com Santana. Depois do trauma que sofreu em sua antiga escola, Santana começou a ter graves ataques de pânico no qual a fazia se desesperar e uma das vezes a mesma chegou até desmaiar. Maribel podia notar o quanto o peito de sua filha estava lento, e apesar de não saber o motivo para isso, focava em ajudá-la para que nada de ruim acontecesse.
– Respira, pumpkin. – Eva sussurrava ao lado de Santana, com um copo d’água em mãos. – A vendedora lhe trouxe água. Bebe um pouco. – Com muita dificuldade, Santana estendeu sua mão, pegando o copo de sua tia e dando um gole suave.
– Respira, mijá... Respira. – Maribel voltava a falar e agora, Santana começava a se acalmar lentamente, com seus olhos focados em sua mãe.
– Mama... E-eu quero ir para casa. – A voz de Santana era fraca, mas o suficiente para sua mãe ouvir.
– Nós vamos. Nós já estamos indo. – Maribel respondia e agora podia sentir a respiração de sua filha voltando ao normal.
– Por favor. – Santana falava chorando e Eva ajudou Maribel pegando as sacolas do chão, enquanto a mesma passava um de seus braços em volta de sua filha que deitava a cabeça contra o ombro de Maribel, e as três saiam rapidamente da loja, indo para o estacionamento do shopping onde o carro de Eva estava estacionado.
Enquanto voltavam para casa, Eva e Maribel se mantinham em silêncio sem saber o que tinha acontecido. Santana estava tão bem e de repente teve um ataque de pânico. Ambas tentavam imaginar o que tinha causado isso, mas era difícil já que não faziam ideia do que se passava na cabeça da garota.
Já Santana estava com sua cabeça deitada contra a janela do carro, pensando no que tinha acabado de acontecer. Seu coração estava disparado e era como se seus piores pesadelos e medos tivessem voltado para lhe assustado. A garota estava apavorada e suas pernas ainda estavam como gelatinas. Suas mãos suavam frias e ela fazia o possível para não ter outro ataque. Estava difícil se acalmar, já que uma simples imagem... Uma simples pessoa – que sequer a viu –, a fazia ter memórias na qual passou anos tentando apagar. Dores que demoraram anos para desaparecerem. Estava difícil voltar para a alegre e feliz Santana daquela manhã, após ter visto a pessoa que lhe causou tanta dor.
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Logo que chegaram em casa, Santana ajudou com suas sacolas, levando todas para seu quarto e as colocando no chão próximo a sua cama. Sua mãe e sua tia queriam saber o que tinha acontecido, mas assim que a olharam, sabiam que precisava deixá-la sozinha e que Santana contaria na hora certa.
Maribel e Eva foram para cozinha começar a preparar o jantar, enquanto Santana tirava seu celular da bolsa, na esperança de talvez tiver alguma mensagem de Quinn ou Brittany, mas não tinha nada. A latina tirou seus sapatos, se jogando em sua cama e deixando seu celular ao lado de seu travesseiro. No momento em que se lembrou do que tinha acontecido há alguns minutos atrás, começou a chorar em silêncio se perguntando do porque as coisas continuavam acontecendo com ela. Tudo sempre foi tão difícil e Santana apenas queria viver sua vida. Ela queria apenas recomeçar sem nenhuma lembrança aterrorizante de seu passado.
A garota estava exausta. Seu peito doía. Sua mente estava cansada. Seu corpo mal a obedecia e Santana fechava seus olhos tentando esquecer o que um dia tinha apagado de sua vida. Não se sabe quanto tempo à mesma chorou em silêncio, mas agora ela dormia se entregando ao seu cansaço se esquecendo de Quinn, Brittany. De seu aniversário e principalmente do incidente no shopping.
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– Hey pumpkin. – Eva falava suavemente, enquanto passava seus dedos pelos cabelos de Santana. – Está na hora de acordar, senhorita dorminhoca. Você precisa tomar banho. Daqui a pouco abuela e abuelo vão chegar. – Eva depositava um beijo na testa da sobrinha, ainda preocupada com o incidente daquela tarde.
– Mmm? – Santana murmurava, começando a abrir os olhos lentamente.
– Acorda, aniversariante. Você precisa se arrumar. Não se esqueça de que temos três convidados especiais para essa noite.
– Tia... – Santana passava as mãos pelos olhos, olhando para sua tia. – Quem são esses três convidados? São seus amigos e do Jamie? Porque eu não faço ideia de quem seja.
– Levanta. Toma banho, porque venho mais tarde para te ajudar a se arrumar e então, você vai descobrir quem são os convidados. – Eva sorria se levantando da cama e deixando que sua sobrinha pudesse levantar.
Santana se espreguiçava, tirando o lençol de cima de seu corpo e se levantando lentamente. Ela ainda estava sonolenta e sua cabeça parecia estar desligada. Santana não conseguia pensar em nada além de sua deliciosa e confortável cama. Ela não entendia do porque sua tia estava tão animada. Era só mais um aniversário como todos os outros e se ela pudesse, passaria o jantar usando seu pijama.
Com muito esforço, Santana foi até seu banheiro, tirando sua roupa e entrando embaixo do chuveiro quente que começava a relaxar ainda mais seu corpo. Apesar de não fazer ideia de quem eram os misteriosos convidados, Santana sabia que um dos três sem dúvidas era Jamie, mas os outros dois ainda era difícil de adivinhar. Ela não queria criar esperanças de que Brittany e Quinn apareceriam, até porque, elas sem dúvidas teriam algo melhor para fazer naquela noite do que ir a um jantar de aniversário. Não, não são elas. Provavelmente alguns amigos da minha tia. Santana pensava, enquanto tirava o shampoo de seu cabelo.
Seu banho não durou muito tempo e agora a latina terminava de se secar, se enrolando em sua toalha e indo direto para seu quarto. Ela podia ouvir a voz de seu pai e sua tia discutindo por algo insignificante e sua mãe rindo. Aquilo a fez sorrir suavemente. Ela adorava o modo como sua família era unida e brincalhona. Principalmente seu pai e sua tia que adorava provocar um ao outro.
Enquanto terminava de vestir seu conjunto novo de lingerie preto, a porta do seu quarto abriu a fazendo pular de susto.
– Está pronta? – Eva perguntava, fechando a porta novamente.
– Tia! Meu Deus. – Santana respirava fundo, passando a toalha em seu cabelo para secá-lo. – Você precisa bater antes de entrar. – A latina reclamava e sua tia apenas arqueou sua sobrancelha olhando sua sobrinha dos pés a cabeça, enquanto a mesma agora passava por ela apenas de calcinha e sutiã.
– Se você quer que a Quinn se apaixone por você, apareça assim na frente e psh... Ela vai se apaixonar. Amor à primeira vista. – Eva brincava e Santana sentia suas bochechas pegando fogo. – Com um corpo desses, você conquista quem quiser. – A médica assentia e sua sobrinha fazia o máximo para não olhá-la. Com treinos tão pesados, Santana desenvolveu um ótimo corpo. Barriga, braços e coxas definidas, que ficam sempre escondidos embaixo de suas roupas.
– Certo. O que você vai usar? – Eva perguntava, percebendo que Santana ficava desconfortável. – Aquele shorts preto de cetim e aquela camisa branca, certo? Vai ficar linda com aquela sapatilha que compramos.
– Tia, eu preferia talvez uma calça jeans? – Santana franzia o cenho.
– Não. Você usa calça jeans todos os dias, mijá. E apesar do tempo, você vai ficar dentro de casa e... –
– Posso escolher minha roupa? – Santana a interrompia. – Então que tal aquele shorts jeans, com aquela blusa preta de manga cumprida? Acho que é melhor, tia.
– San...- Eva protestava.
– Tia, por favor, é só um jantar... Dentro de casa. Ninguém além da nossa família vai me ver. E eu me sentiria mais confortável.
– Está bem. Se apresse, porque vou arrumar seu cabelo. – Eva se aproximou das sacolas ainda no chão, colocando-as em cima da cama da latina e tirando todas as roupas que compraram, e enquanto Santana se vestia, Eva ajeitava algumas roupas no guarda-roupa da garota.
Santana se sentou na cadeira em frente a sua penteadeira e Eva se posicionou atrás da mesma, começando a secar seu cabelo. A garota não gostava que mexessem em seu cabelo, mas abriu uma exceção para sua tia já que a mesma estava mais animada do que a própria aniversariante.
Alguns minutos se passaram e Santana estava pronta. Seu cabelo estava solto, com uma faixa cor de rosa bebê no mesmo, com um laço pequeno e simples. A cor do mesmo combinava com a estampa delicada de seu shorts. Sua maquiagem era simples, com apenas rímel destacando seus olhos e com muita insistência de sua tia, Santana colocou seu novo colar prata, com um pingente delicado de uma estrela.
A garota se olhou no espelho pela última vez e não podia negar que estava linda. Santana se sentia bonita naquela noite e sorriu suavemente para sua própria imagem. A latina passou um pouco de seu novo perfume e pegou seu celular antes de sair de seu quarto.
– Oh, feliz cumpleaños, mi amor. – Alma se levantava de sua cadeira, abraçando forte sua única neta.
– Gracias, abuela. – Santana sorria.
– Feliz aniversário, mi precioso. – Carlos, se aproximava de sua neta e Santana saia do abraço de sua abuela, para abraçá-lo.
– Gracias, abuelo. – A garota sorriu e assim que saiu do abraço de Carlos, foi surpreendida com uma caixa de presente na mão de sua avó.
– Esse presente é meu e de seu abuelo. – Alma falava carinhosa.
– Abuela, não precisava. – Santana falava suavemente, pegando a caixa de sua avó.
– Claro que precisava. – Carlos revirava os olhos.
Santana riu baixo, começando a abrir a caixa e assim que viu o conteúdo da mesma, abriu um enorme sorriso.
– Uma bolsa? – Santana perguntava surpresa.
– Uma bolsa nova. – Alma respondia. – Sei que a sua bolsa do colégio já está precisando se aposentar, então resolvemos comprar uma bolsa nova.
– Gracias! – Santana respondia animada. A bolsa apesar de simples era linda da cor marrom, larga o suficiente para caber seus cadernos e livros. – Eu realmente estava precisando. – A latina sorriu, depositando um beijo na bochecha de seus avós.
– Princesa, você está linda. – Alejandro falava carinhoso, se aproximando de Santana. – Gostei do... – Ele apontava para sua própria cabeça. – Esse negócio no cabelo... Te deixou linda. – O pai de Santana comentava, fazendo-a rir.
– Pai, isso se chama laço e não negócio. – Santana falava rindo. – Mas obrigada. Foi ideia da tia Eva.
– Está uma bonequinha. – Maribel aparecia da cozinha, levando os pratos para a mesa que tinham de jantar no canto da sala. A casa não era muito grande, mas depois que Santana nasceu os Lopezes comprou uma mesa maior para seu primeiro aniversário, usando-a apenas para a ocasião.
– Mmm, mama, o cheiro está ótimo. – Santana comentava.
– Claro que o cheiro está bom. Eu ajudei a cozinhar. – Eva comentava, trazendo as taças da cozinha.
– Sério, mami, vocês não precisavam estar usando toda essa louça nova. São suas favoritas e você as guarda desde quando casou. – Santana falava suavemente.
– Hoje é uma noite especial. É claro que usaria minha louça favorita para o jantar da minha garota favorita. – Maribel passava por Santana, passando o dedo no nariz da filha.
Enquanto Alma, Maribel e Eva, terminavam de arrumar a mesa, Alejandro e Carlos estavam sentados no sofá assistindo ao um jogo de futebol no qual Santana não fazia ideia qual era. A latina foi até seu quarto, deixando sua bolsa nova em cima de sua cama e assim que voltou para sala, a campainha tocou fazendo-a congelar em seu lugar.
O primeiro convidado tinha chegado. Ou talvez os três tivessem chegados juntos e aquilo fazia Santana sentir borboletas frenéticas em sua barriga. Fazia muito tempo que a latina não recebia pessoas de fora da família em sua casa no dia de seu aniversário e não podia negar que estava nervosa. Jamie era da família, então ele não a intimidava, mas os outros dois convidados misteriosos faziam suas mãos suarem frio.
– Mijá, atenda a porta. O convidado é seu. – Maribel tirava Santana de seu transe, que assentiu, se aproximando da porta.
A garota respirava fundo, sentindo seu coração acelerado. Que seja apenas o Jamie. Que seja apenas o Jamie. Santana repetia seu mantra em sua cabeça. Finalmente a latina abria a porta e se tranquilizou assim que viu Jamie parado a sua frente, segurando uma pequena caixa com um embrulho cor de rosa.
– Feliz aniversário, kiddo. – Jamie sorria, passando seus braços em volta de Santana e lhe abraçando.
– Gracias, Jamie. – A latina sorria, correspondendo o abraço.
– Te trouxe um presente. – O rapaz a soltava, lhe entregando a pequena caixa em sua mão.
– Valeu. – Santana deixava que seu treinador — e amigo — entrasse, fechando a porta trás de si.
Jamie entrou cumprimentando sua família, enquanto ela abria seu presente se deparando com uma linda pulseira de ouro com dois pingentes na mesma. Um com uma luxa de boxe delicado e a outra a letra “S” de seu nome. A garota sorriu com a delicadeza de Jamie e antes que fosse agradecê-lo novamente, sua tia Eva estava o abraçando carinhosamente e Santana preferiu não interromper.
– Você veio. – Eva falava suavemente saindo do abraço confortável de Jamie.
– Você me convidou e não podia deixar de aparecer no aniversário da minha quase afilhada. – Jamie brincava, fazendo Eva rir baixo. – E também... Eu passaria mais tempo com você, então... – O treinador continuava e agora Eva sorria timidamente, fazendo Santana revirar os olhos vendo a interação dos dois.
– Hey Jamie... – A latina os interrompia. – Adorei o presente. Obrigada.
– Fico feliz que tenha gostado. Achei sua cara.
– Tia, você me ajuda a colocar? – Santana mostrava a pulseira para sua tia que ainda parecia hipnotizada olhando pra Jamie. – Eva Gabriella! – Santana estrelava os dedos na frente de Eva, fazendo-a sair de seu transe. – Me ajuda a colocar a pulseira que Jamie me deu?
– Claro. – Eva respondia, pegando a pulseira da mão de Santana, enquanto a garota olhava sorrindo para sua tia e depois para Jamie que ia se sentar ao lado de Alejandro.
– Já está tudo pronto, só precisamos esperar as próximas convidadas. – Maribel aparecia da cozinha, segurando uma garrafa de vinho.
– Eu não faço ideia de quem são essas... – Santana começava a falar novamente, mas foi interrompida pela campainha que tocava pela segunda vez.
– Bom, você vai descobrir agora. – Eva sorria maliciosa. – Vá atender a porta.
Santana ficou paralisada como se o chão estivesse lhe segurando ali. A garota engolia em seco, enquanto mil coisas passavam por sua cabeça. Ela olhou para sua tia e em seguida para sua mãe que a incentivava em ir abrir a porta.
A garota respirou fundo, começando a se mover em direção à porta. Santana contou até dez assustada com quem estaria do lado de fora e assim que abriu a porta, seus olhos se arregalaram.
– Feliz aniversário! – Não. Não, isso é um sonho. Santana pensava rapidamente.
Quinn Fabray e Brittany S. Pierce estavam do lado de fora de sua casa. As duas se aproximaram lhe dando um abraço de cada vez e Santana parecia se mover no modo automático ao abraçá-las de volta.
– Feliz aniversário, San! – Brittany falava sorridente lhe entregando uma caixa grande decorada com uma fita vermelha.
– Brittany? – Santana falava suavemente.
– Oi Sannie. – Brittany lhe abraçava novamente e de longe, sua família olhava sorridente.
– Gracias... – Santana respondia ainda surpresa.
– Fiquei muito feliz por ter sido convidada para o seu aniversário. Adoro aniversários e bolos. – Brittany falava animada, fazendo Maribel e Eva rirem.
– Imagina, Britt. – Santana falava suavemente, saindo de seu transe. – Fico feliz que esteja aqui.
– Tia Eva! – Brittany sorria para Santana, antes de entrar na casa da mesma cumprimentando a família da latina.
– Feliz aniversário, Tana! – A voz de Quinn fazia Santana olhá-la.
– Gracias, Quinn. – Santana falava suavemente, sentindo seu coração pulando de seu peito por ver Quinn Fabray na sua casa. No dia do seu aniversário.
Quinn se aproximou de Santana, lhe dando um abraço carinhoso, fazendo a latina respirar fundo, fechando seus olhos ao sentir o perfume doce e gostoso da líder de torcida.
– Mmm... E-eu te trouxe um presente. – Quinn saia do abraço de Santana, lhe entregando uma caixa linda branca, com um laço verde no mesmo. – Espero que você goste.
– Quinn, não precisava ter me comprado nada. – Santana falava suavemente e Quinn encolhia seus ombros.
– É seu aniversário, Tana. Você merece. – Quinn depositava um beijo na bochecha da latina, fazendo suas borboletas bater asas.
– G-gracias. – Santana desviava seu olhar, para as caixas em sua mão. – Vem, vamos entrar. Fique a vontade. – A latina falava carinhosa e Quinn entrava indo cumprimentar a família de Santana.
Santana ficou na porta por alguns segundos, sem acreditar que isso estava acontecendo. Esse aniversário só podia ser um sonho e ela ainda estava dormindo naquela manhã. Tudo parecia uma fantasia. Ela nunca imaginou que Quinn Fabray um dia aparecia em sua casa no dia de seu aniversário. Tudo isso era tão surreal. Santana não sabia o que essa noite lhe traria, mas não podia negar que estava feliz.
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Na hora do jantar, todos conversavam entre eles e riam o tempo todo. Alejandro estava sentado na ponta da mesa, seguido de Maribel, Eva e Alma do seu lado esquerdo, enquanto do seu lado direito, estava Santana, Quinn, Brittany e Jamie. Carlos estava na outra ponta, de frente para Alejandro. Todos conversavam sobre assuntos aleatórios e Jamie junto com Alejandro contavam sobre a academia.
Santana estava ao lado de Quinn e mal conseguia prestar atenção no que falavam, já que toda hora trocavam olhares uma com a outra. A latina sorria algumas vezes e seu peito explodia. Muitas vezes Santana se perguntava se Quinn estaria sentindo o mesmo. As duas eram as únicas que comiam em silêncio, já que Brittany estava adorando Jamie e os dois agiam como melhores amigos, fazendo Eva adorá-la ainda mais.
– E vocês... – Carlos virava-se para as três adolescentes na mesa. – Como estão no colégio?
– Ótimas. – Brittany respondia animada. – Nossos treinos com a treinadora Sue está cada vez mais difícil, mas Quinnie está me ajudando com minhas matérias. – A loira respondia, fazendo todos sorrirem.
– Mas não se esqueça de que você é um gênio, Britt. Eu apenas lhe ajudo a se lembrar disso. – Quinn sorria.
– E você, preciosa? – Carlos perguntava para Santana.
– Mmm... O mesmo de sempre. – Santana dava de ombros e Quinn podia notar os olhares de Maribel e Alejandro sobre sua filha.
– Nenhuma novidade? – Apesar de amar seus avós e seus pais. Santana odiava quando perguntavam isso a ela.
– A única novidade que eu tenho é que quase apanhei de uma garota nova. – Santana falava sem tirar os olhos de seu prato e todos pareciam ficar tensos. – Nova, porque é uma garota que nunca me bateu antes... Então. – A latina dava de ombros e antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, Brittany era quem quebrava o silêncio.
– Mas... Ela não te bateu, Sannie, porque eu e Quinn chegamos para cuidar de você. –Brittany falava suavemente e Quinn podia notar o quão tensa Santana ainda estava e sem pensar, pousou sua mão sobre o joelho da mesma, tentando confortá-la, sem saber que aquilo deixava à latina ainda mais tensa.
– Só espero que um dia você possa revidar. – Carlos falava tomando um gole de seu vinho. – Não é justo ter tanta habilidade em defesa pessoal se não pode usá-lo.
– Você sabe lutar? – Brittany perguntava surpresa, fazendo-os rirem baixo. – Wow...
– Tana, você sabe lutar? De verdade? – Quinn perguntava suavemente ao seu lado e Santana respirava fundo.
– Mmm... O senhor sabe que não posso me defender. – Santana respondia rapidamente.
– E por que não? – Quinn perguntava confusa e Santana a olhou suavemente.
– E-eu não posso. Se eu fizer isso é capaz de me expulsarem do colégio. – Santana olhava para sua mãe e em seguida para Quinn encontrando o olhar confuso da mesma.
Santana não queria falar sobre esse assunto, porque sabia que dali teria perguntas na qual se ela respondesse, seu passado voltaria para assombrá-la. Ela não queria estragar sua noite e ficava tensa abaixando sua cabeça, continuando a comer.
– Santana é a melhor aluna que tenho. – Jamie quebrava o silêncio. – Mas eu mesmo a aconselho a não usar suas habilidades fora da academia. É perigoso e ela pode realmente machucar alguém despreparado. – O rapaz falava suavemente e Santana agradecia mentalmente por terem levado o assunto à outra direção.
– Deve ser divertido. – Brittany comentava. – Eu não sabia que Sannie gostava de lutar. Eu gosto de dançar e a Quinn gosta de cantar. – A dançarina falava, surpreendendo Santana.
– Cantar? – A latina perguntava.
– Isso era para ser segredo, Brittany. – Quinn brincava, fazendo todos rirem. – Mas sim, eu gosto de cantar. É algo que faço só pra mim.
– E pra mim. – Brittany falava.
– Santana também adora cantar. – Eva se intrometia e Santana a olhou com os olhos arregalados. – E sabe tocar violão como ninguém. – A latina respirava fundo, começando a se sentir nervosa novamente. Isso era para ser segredo.
– Sério? – Brittany e Quinn falavam juntas.
– Você precisa cantar junto com a Quinn. – Brittany comentava animada.
– Santana sabe fazer muitas coisas. – Alejandro falava orgulhoso, fazendo-a pela primeira vez relaxar com a voz de seu pai.
– Então eu estava certa. – Quinn falava suavemente, tirando sua mão da perna de Santana e a mesma a olhava. – Você é realmente especial. – A líder de torcida soava carinhosa, fazendo as bochechas da latina queimarem de vergonha.
O assunto agora girava em torno de Eva, e Santana se sentia aliviada por não terem continuado a falar dela.
Após terminarem de jantar, Maribel e Eva tiravam as louças da mesa para trazer o bolo. Brittany conversava com Jamie e Carlos, e Santana e Quinn estavam em um silêncio confortável, até a líder de torcida sussurrar.
– Você está linda. – Quinn falava próximo de Santana, fazendo a latina prender sua respiração. Um simples elogia de Quinn, fazia seu coração acelerar. – Está fofa. – A líder de torcida continuava, fazendo a latina sorrir timidamente.
– Obrigada. – Santana respondia e antes que pudesse dizer o mesmo de Quinn, sua mãe aparecia com o bolo em mãos, e as velas acesas colocando em cima da mesa a sua frente e todos começavam a cantar parabéns.
Santana sorria olhando para todos a sua volta e sabia o quão feliz era ao lado de sua família e o quão agradecida era por ter pais como Maribel e Alejandro. Pais, avós e tia que lhe dando tanto apoio e estão sempre do seu lado. A latina sabia o quão sortuda era e ao olhar para Quinn e Brittany, desejava que ambas também pudessem se tornar suas amigas. Desejava que Quinn finalmente a visse como uma garota especial e que tudo o que Santana sentisse fosse recíproco. Que Quinn pudesse amá-la da maneira que ela a ama.
A latina não percebia, mas seus olhos estavam fixados aos de Quinn e ambas olhavam intensamente uma para a outra. Santana não sabia o que aqueles olhos realmente lhe diziam, mas esperava que dali pudesse surgir o que ela sempre sonhou.
Santana olhou para Quinn pela última vez, fechando seus olhos. Ela tinha parado de acreditar em seus pedidos depois que se viu sozinha sem seus amiguinhos. Tudo o que pedia todos os anos nunca acontecia e então ela parou de acreditar. Mas naquela noite, depois de ver Quinn e Brittany em sua casa Santana sentia uma pequena... Leve esperança de que talvez seus desejos não fossem tão bobos. De que eles estivessem começando a se realizar. A latina abriu seus olhos e assoprou sua vela, com um único pedido gravado em seu peito. Que Quinn Fabray se apaixone por mim.
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– Mmmm, mama Lopez, esse bolo está uma delicia. – Brittany comentava, comendo seu segundo pedaço de bolo de chocolate com recheio de chocolate branco.
– Obrigada, querida. – Maribel sorria.
– Eu nunca comi um bolo tão gostoso. – Quinn comentava. – Minha mãe sempre encomendava nossos bolos de aniversário, mas nenhum era tão bom quanto esse.
– Oh Quinn, não diga isso. – Santana brincava. – Já não bastam os elogios que ela recebe no restaurante... Fazemos o possível para não aumentar o ego dela aqui em casa também. – A garota ria baixo, fazendo Alejandro assentir.
– Verdade, Quinn. – Alejandro falava. – Quanto menos elogiá-la dentro de casa melhor.
– Hey! – Maribel semicerrava os olhos, olhando para seu marido e sua filha, enquanto Quinn e Brittany riam.
– Ela se acha. – Eva comentava.
– Nunca mais cozinhou para nenhum de vocês. – Maribel apontava para todos eles com seu garfo.
– Não. Mama Lopez, eu adorei seu bolo, a senhora precisa fazer mais dessas coisas gostosas. – Brittany fazia um bico suave e Maribel inclinava sua cabeça para o lado.
– Aww, prometo que pra você, faço quantos bolos você quiser, querida. – Maribel respondia.
– Mama! E eu?
– Pra você não. Esse foi seu último bolo de aniversário, mijá. – Maribel arqueava sua sobrancelha e Quinn continuava rindo suavemente.
– Mama!
– Shh mijá. – Maribel gesticulava, fazendo Quinn olhar carinhosamente para mãe e filha. Adorando o modo como as duas interagiam. Aliás, adorando o modo como toda a família de Santana era carinhosa e se importava realmente com a vida da garota. Não eram como seus pais que pareciam todos os dias estarem no modo automático ao perguntar sobre seu dia. No fundo, Quinn sabia que ambos apenas perguntavam para ter certeza de que ela e Frances estavam sendo as filhas perfeitas.
Após terminarem de comer, Eva e Maribel tiraram a mesa e Alma se levantou para ajudá-las com a louça. Jamie, Carlos e Alejandro voltaram para frente da televisão no intuito de terminarem de ver o jogo que passava. Santana, Brittany e Quinn ficaram sentadas por alguns segundos e enquanto a latina não sabia o que fazer ou dizer para suas convidadas, Eva apareceu da cozinha sugerindo que Santana levasse suas amigas para seu quarto.
– Wow... Seu quarto é muito fofo, Sannie. – Brittany comentava ao olhar o quão aconchegante era o quarto de Santana.
– Obrigada, Britt. – A latina falava suavemente, se aproximando de sua cama e ajeitando seus presentes para o canto da mesma. – Mmmm... V-vocês podem sentar aqui. – Santana comentava e Brittany e Quinn se sentaram em sua cama de casal. A latina não sabia o que fazer e se sentou ao lado delas. Enquanto seu cérebro processava tudo que acontecia. Quinn foi quem quebrou o silêncio.
– Então você toca violão? – Quinn perguntava sorrindo, fazendo Santana olhá-la surpresa.
– Mm... Toco. – Santana respondia, se ajeitando em sua cama. – Meu abuelo quem me deu esse violão e me ensinou a tocar.
– Sério? – O sorriso de Quinn aumentava e Santana sentia seu peito acelerado.
– Você nunca fez aula de violão? – Brittany perguntava.
– Não. Nunca tive a chance de fazer, mas tudo que sei aprendi com meu abuelo. – Santana falava orgulhosa.
– Você precisa tocar. – Brittany falava empolgada.
– O que? – Santana perguntava confusa. Ela não estava pronta para tocar e muito menos cantar algo na frente de Quinn Fabray.
– Brittany tem razão. – Quinn falava suavemente. – Você pode tocar? Adoraria ouvi-la tocando alguma coisa. – A líder de torcida falava carinhosa, fazendo Santana respirar fundo, mordendo o canto de seus lábios.
– E-eu não sei... – Santana desviava seu olhar para suas mãos.
– Por favor... – Quinn sussurrava. A líder de torcida realmente queria ouvir Santana tocando.
Assim que Santana encontrou o olhar de Quinn, foi difícil negar tal pedido. A latina mordia o canto de sua bochecha e por alguns segundos, pensou em dar alguma desculpa como dizer que seu violão estava desafinado, mas os olhos castanho-esverdeados de Quinn eram tão intensos que Santana apenas assentiu, não confiando em sua própria voz.
– Oba! – Brittany batia palmas e agora junto com Quinn, as duas tiravam seus sapatos, encostando-se à cabeceira da cama de Santana, enquanto a mesma se levantava, pegando seu violão.
Santana nunca tinha tocado para ninguém além de sua família e naquele momento sentia como se fosse vomitar. Ela tentava controlar sua respiração, mas ficava difícil já que a sua frente estava Brittany S. Pierce e Quinn Fabray. Duas pessoas no qual ela nunca imaginou que estaria ali naquela noite. A latina sentia sua mão suando frio e contava até dez enquanto andavam até sua cama, se sentando no pé da mesma, ficando de frente para as duas líderes de torcida que a olhavam ansiosas.
– E-eu... Bom, é a primeira vez que eu toco para alguém fora da minha família então... Me avise se for muito ruim. – A latina sorria nervosa, ajeitando o violão em seu colo.
– Aposto que você é ótima. – Quinn falava carinhosa, fazendo novamente o coração de a latina disparar.
– Ok... E-eu não sei o que tocar. – Santana ria nervosa, fazendo Quinn sorrir ao ver o quão adorável a latina estava sendo.
– Respira fundo, San. – Brittany falava suavemente. – E toca a primeira música que vier na sua cabeça.
– Isso, Tana. Não precisa pensar. Só toca a música que vier na sua cabeça. – Naquele instante, Santana encontrou novamente os olhos de Quinn, sentindo seu peito acelerado. As borboletas em sua barriga começavam a bater asas sem parar e a latina precisava se concentrar em sua respiração.
Seus dedos começavam a dedilhar saindo à melodia de sua primeira nota. Ela não sabia o que tocava, mas Santana deixava que seu corpo a comandasse e para sua surpresa, quem a comandou foi seu coração.
A melodia era calma e as duas líderes de torcida não conseguiam tirar o sorriso do rosto. Já Santana não conseguia tirar seus olhos de Quinn. Seus dedos dedilhavam pelas cordas de seu violão, enquanto as meninas apenas a ouvia.
– Canta... – Quinn sussurrava. – Canta, Tana. – A loira pedia carinhosamente e Santana desviou seu olhar alguns segundos para Brittany e depois para suas mãos, antes de começar a cantar.
Untouchable like a distant diamond sky
I'm reaching out and I just can't tell you why
I'm caught up in you
I'm caught up in you
Untouchable, burning brighter than the sun
And when you're close I feel like coming undone
A voz de Santana começava a soar suavemente junto com a melodia que tocava. Seus olhos muitas vezes encontravam os de Quinn, e Santana apenas desviava para olhar as notas que mudavam.
In the middle of the night
When I'm in this dream
It's like a million little stars
Spelling out your name
You gotta come on, come on
Say that we'll be together
Come on, come on
Little taste of heaven
Santana encontrava novamente os olhos de Quinn, fazendo seu estômago revirar por não saber se controlar. A música era intensa e a latina colocava toda sua paixão na letra.
Já Quinn não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas no momento em que Santana começou a tocar as primeiras notas e seus olhos se encontraram, a líder de torcida sentiu um pequeno frio em sua barriga que a fazia perder a respiração. A voz de Santana por alguma razão mexia com ela fazendo seu coração acelerar um pouco. Fabray não sabia se aquela música estava sendo cantada diretamente para ela, mas com o olhar intenso de Santana, algumas vezes ela sentia como se fosse.
It's half full and I won't wait here all day
I know you're saying that you'd be here anyway
But you're untouchable burning brighter than the sun
And now that you're close I feel like coming undone
In the middle of the night
When I'm in this dream
It's like a million little stars
Spelling out your name
You gotta come on, come on
Say that we'll be together
Come on, come on
Quinn pela primeira vez desviava seu olhar de Santana, se sentindo tímida e boba por achar que a música estava sendo cantada para ela, mas era difícil com o olhar da latina tão intenso em sua direção.
Brittany que apenas sorriu durante toda a música, percebia o modo como Santana olhava para Quinn e não conseguia parar de sorrir ao ver o quanto a latina gostava de sua amiga e sequer tentava esconder isso durante a música.
(...) Like a million little stars
Spelling out your name
Spelling out your name, oh.
Agora Santana terminava sua música e ao perceber o que tinha acontecido, seu cérebro pareceu ligar novamente, a tirando do comando de seu coração e a deixando desesperada. Seus olhos se arregalaram e Santana continuava encarando seu violão, o colocando deitado em suas pernas e ajeitando seu óculos.
Ela não sabia o que dizer e esperava que Quinn não fugisse dela depois do que tinha acabado de acontecer. Sua respiração começava a se acelerar, e com medo de ter novamente um ataque de pânico, Santana fechou seus olhos por alguns segundos, começando a contar lentamente até dez.
Quinn não sabia o que dizer e ficava em silêncio apenas olhando para seus dedos. Ela podia sentir as pequenas borboletas em sua barriga, mas lutava para ignorá-las, já que aquilo era novo demais para ela, e Quinn não sabia se deveria ou não estar sentindo isso por Santana.
– Wow... – Brittany quebrava o silêncio, percebendo que Santana e Quinn desviavam o olhar uma da outra. – Você canta muito bem, Santana. – A dançarina comentava e Santana a olhou sorrindo suavemente.
– Obrigada, Britt.
– O que você achou, Quinnie? – Brittany cutucava o braço de sua amiga, que levantou sua cabeça, encontrando novamente o olhar de Santana.
– F-foi lindo. – Quinn sussurrava.
– Obrigada.
– Brittany? – Para surpresa das três, a voz de Eva ecoava dentro do quarto, fazendo-as olharem em direção a porta. – Brittany, querida, quero te mostrar uma coisa. – A tia de Santana chamava a dançarina, fazendo Santana franzia o cenho confusa.
– Tia, o que houve? – Santana perguntava, mas Brittany já estava na porta ao lado de Eva.
– Maribel quer mostrar uma coisa para Brittany. – Eva sorria, segurando na mão da dançarina e a tirando de dentro do quarto deixando apenas Quinn e Santana a sós.
Santana olhou para Quinn pelo canto de seus olhos, percebendo que a mesma brincava com um de seus ursos de pelúcia que estavam em cima da sua cama.
– Você... – Quinn sussurrava, quebrando o silêncio. – Mmm... Você canta e toca muito bem, Santana.
– Obrigada, Q. – Santana respondia, sem tirar os olhos de seu violão.
– Você gostou dos nossos presentes? – Quinn parecia de alguma forma procurar algum assunto para não deixar que ficasse um silêncio constrangedor, já que a mesma se sentia sem rumo. Sem o que dizer ou o que fazer depois de ter ouvido Santana cantar.
– Mhm, eu adorei. – E Santana realmente tinha amado os presentes. Brittany tinha lhe dado um lindo pijama de frio bege com desenhos adoráveis de laços marrons. Já Quinn lhe surpreendeu com uma linda jaqueta de couro, na qual Santana nunca imaginou que ganharia. – Com certeza eu vou usá-los... E muito. – A latina sorriu, levantando sua cabeça, encontrando o olhar de Quinn.
– Fico feliz que tenha gostado.
– Obrigada por terem vindo, Q. – Santana sussurrava. – E-eu nunca imaginei que você viria no meu aniversário. Imaginei que talvez tivesse algo mais importante para fazer e. –
– Santana! – Quinn a interrompia. – O seu aniversário é algo importante, e não trocaria esse convite por nada. – A loira falava firme, fazendo Santana prender sua respiração.
– Só achei que... De repente, não fosse algo do seu interesse e. –
– Tana... – Quinn franzia o cenho, começando a se aproximar de Santana, se sentando de frente para a mesma e pegando em sua mão. – Não fala assim. Não fala como se você não tivesse valor, porque você tem. – A loira falava suavemente e Santana apenas a olhava, sentindo sua mão esquentar com o toque de Quinn. – Talvez esteja sendo difícil para você acreditar, mas eu e Brittany realmente temos boas intenções e queremos nos aproximar de você, está bem? E vir no seu aniversário é uma prova disto. – Quinn sorriu e Santana podia sentir seu coração explodindo.
A latina tinha tantos problemas em confiar nas pessoas. Graças ao seu passado, estava difícil até mesmo confiar na pessoa que amava. Santana sabia que se quisesse Quinn na sua vida, precisava dar uma chance e que tentasse não se preocupar com o que pudesse acontecer. Talvez Quinn fosse diferente.
Sem dizer nada, Santana olhava fixamente nos olhos de Quinn, percebendo que a mesma a olhava da mesma forma do dia em que teve seu ataque na casa de Brittany. Era como se a líder de torcida esperava algo dela. Como se Quinn estivesse esperando alguma palavra de Santana. Um abraço ou talvez um beijo. Não, ela não quer me beijar. Quinn Fabray é hetero. Santana pensava olhando para os olhos de Quinn, desviando algumas vezes para os lábios rosados da mesma e se perguntando como seria beijá-la.
Santana prendia sua respiração e o olhar de Quinn estava cada vez mais intenso. A loira não sabia o que estava acontecendo naquele momento, mas era como se ela não quisesse deixar Santana ir. Fabray segurava na mão da latina e seu polegar começava a acariciá-la automaticamente, enquanto seus olhos se perdiam nos olhos castanho escuro de Santana. Quinn podia sentir um leve frio em sua barriga e por alguma razão, a música que a latina tinha acabado de cantar, tocava repetidamente em sua mente e se debatia na dúvida se aquela música era ou não para ela, mas mesmo se fosse, Quinn Fabray não poderia estar se sentindo daquela forma, certo?
Enquanto Quinn se debatia e Santana ficava confusa com a reação de Quinn. O olhar da loira lhe dizia tanto, mas ao mesmo tempo era um mistério para ela.
Seu coração disparava. As borboletas em sua barriga batiam asas sem parar, fazendo seu estômago revirar. Sua respiração estava falhada e Santana estava perdida completamente nos olhos de Quinn na intenção de achar alguma resposta nos olhos da loira, Santana não sabia mais o que fazer e aquilo parecia ficar pior a cada segundo. O seu ataque de pânico parecia querer sair a qualquer momento e sem pensar, agiu de uma forma na qual nunca tinha agido antes.
Em menos de um segundo, Quinn que estava criando uma guerra em seu pensamento, foi surpreendida pelos lábios de Santana que pressionavam contra os seus. A líder de torcida ficou congelada em seu lugar, arregalando seus olhos, tão surpresa, que sequer conseguia processar o que estava acontecendo. Sua mente pareceu desligar e seu coração acelerava assustado.
Seu cérebro não foi o suficiente para lhe impedir, mas seu coração foi rápido para lhe fazer agir. Seu corpo se inclinou para frente e sem processar o que acontecia seus lábios estava contra os lábios macios de Quinn e seus olhos estavam fechados enquanto por um momento, Santana sentia seu corpo todo relaxando e seu coração pulando de felicidade por finalmente estar beijando Quinn Fabray. Aquele milésimo segundo, foi o suficiente para lhe fazer sentir nas nuvens, mas assim que seu cérebro a fez acordar mostrando-lhe o que ela estava fazendo.
Santana percebeu que os lábios de Quinn estavam parados e seu corpo ficou tenso. Seu coração parou e assim que abriu seus olhos, encontrou Quinn a olhando confusa e assustada. Santana rapidamente se afastou, arregalando seus olhos, sentindo seu peito doendo com medo. Eu sou uma idiota. O que foi que eu fiz? Santana se levantava, derrubando seu violão no chão e colocando a mão sobre a sua boca. Ela estava tão envergonhada e assustada que sequer conseguia olhar para Quinn.
A latina podia sentir seu peito apertando e sua respiração começava a falhar rapidamente. Seus olhos se enchiam de lágrimas e tudo o que passava por sua cabeça era a burrada que tinha feito.
Quinn continuava sentada, sem qualquer reação. A garota não conseguia processar o que tinha acabado de acontecer e sentir como se fosse desmaiar. Ela levou uma de suas mãos para seus lábios, passando seus dedos suavemente sobre o mesmo e olhando na direção de Santana. A líder de torcida queria dizer alguma coisa, mas estava tão confusa que sequer sabia o que dizer.
– Me desculpe... – Santana falhava, enquanto tentava respirar. – Me desculpe, Quinn. – A latina colocava a mão em seu peito, fechando seus olhos. – Me perdoa, e-eu não tive a intenção. – Santana agora sussurrava com a voz falha, sentindo seu peito se fechado a impedir de respirar. Ótimo, ela estava tendo outro ataque de pânico e agora era na frente da Quinn.
Santana não sabia se Quinn estava olhando para ela ou não, mas sabia que não estava conseguindo impedir que tivesse outro ataque e sem esperar por uma resposta ou reação de Quinn, Santana abriu a porta de seu quarto chorando sem parar se desesperando, passando rapidamente pela sala a procura de sua mãe até a cozinha.
Maribel, Eva, Alma e Brittany estavam sentadas em volta da pequena mesa rindo, enquanto Brittany e Alma fazia um delicioso cookie em formato de borboleta. Maribel e Eva estavam atentas na receita, quando a voz falha de Santana chamou atenção de sua mãe.
– Mama... – Santana colocava a mão em seu peito, chorando sem parar.
Ao ver o estado de sua filha, Maribel se levantou rapidamente de sua cadeira se colocando na frente de Santana, tirando os óculos da mesma e passando a mão sobre os ombros da filha, jogando seus cabelos para trás.
– Mijá... O que houve? – Maribel perguntava preocupada e Santana começava a suar frio. A garota pousou suas mãos contra seu abdômen sentindo uma dor insuportável.
– Argh! Mama... – Santana gemia entre os dentes, pressionando seus olhos fechados, sentindo como se seu corpo fosse cair a qualquer momento. Sua cabeça começava a doer e era como se a mesma estivesse tendo seu ataque pela primeira vez, depois de anos sem tê-lo nessa intensidade.
– Alejandro! – Maribel gritou por seu marido, enquanto Brittany, Alma e Eva, estavam em pé próximas de Maribel. Brittany não entendia o que estava acontecendo e sentia medo por Santana. Eva e Alma queriam ajudar, mas sabiam que Maribel e Alejandro eram o os únicos que conseguiam acalmar Santana.
Não demorou para que Alejandro chegasse na cozinha junto de Jamie e Carlos, encontrando Santana se contorcendo nos braços de sua mãe, e seu pai sabia exatamente o que estava acontecendo.
Alejandro se aproximou de Santana, passando seus braços pela cintura da mesma, por trás da garota, lhe abraçando com força, enquanto a latina chorava em silêncio, soltando apenas um gemido entre seus dedos, apertando seus braços em volta de seu abdômen que não parava de doer.
– Mijá... – Alejandro sussurrava contra a orelha de Santana, que deitava a cabeça contra o ombro de seu pai. – Você precisa se concentrar, está bem? – Alejandro falava carinhoso, passando uma de suas mãos na testa da filha a sentindo suada. – Escucha mi voz, princesa. Usted necesita respirar. – Alejandro falava em espanhol e Santana tentava se concentrar na voz de seu pai.
– Papa... – Santana sussurrava, se encolhendo contra os braços de seu pai enquanto os outros olhavam preocupados. Maribel se segurava para não chorar, ao contrário de Alma que estava chorando assustada por sua neta. Eva estava abraçada com Jamie e Brittany também estava preocupada.
De longe, da porta da cozinha, Quinn estava com as duas mãos na boca, enquanto chorava em silêncio em ver Santana daquela forma. Ela nunca imaginou que a latina tivesse um problema desses e se perguntava se ela tinha sido a causa disso tudo. Seu coração apertava em ver Santana daquela forma e ficava com medo de algo acontecer.
– Respira, Santana. Você precisa respirar. – Alejandro sentia as unhas da filha cravando contra seu pulso, e Maribel agora se aproximava, pousando suas duas mãos no rosto da filha, fazendo-a abrir os olhos e olhá-la.
– Santana... Mi amor, respira. Olha pra mim. Respira, mijá. – Maribel sentia uma lágrima cair por sua bochecha e segurava uma das mãos de Santana, colocando-a em seu peito. – Eu sei que você consegue, mijá. Nós já passamos por isso algumas vezes. Você consegue. Segue a minha respiração e tenta se acalmar, por favor.
Algumas vezes? Quinn pensava. Então, Santana sempre teve ataques de pânico? O coração da loira apertava ainda mais ao imaginar a quanto tempo Santana passa por isso.
Após alguns minutos, Santana começava a se acalmar nos braços de seus pais e seu corpo ficava exausto de dor e tanto esforço que teve enquanto se encolhia. Sua respiração voltava ao normal e Eva lhe dava um de seus remédios, melhorando o calafrio que a mesma passava e acalmava seu corpo. Santana estaria dormindo daqui a dez minutos após ingerir seu cumprido.
Assim que Alejandro a soltou, o mesmo a levou no colo para seu quarto, a deitando em sua cama e Maribel ficou com Santana alguns segundos lhe ajudando a tirar os sapatos e o laço de seu cabelo.
– Mama Lopez? – Brittany batia na porta suavemente e assim que Santana ouviu a voz da mesma, seu coração disparava.
– Oh, Brittany... E Quinn. – Maribel sorriu suavemente, deixando-as entrar. – Me desculpe por isso.
– Imagina, senhora Lopez. – Quinn falava com a voz rouca assustada com o que via. Ela queria se certificar de que Santana ficaria bem quando fosse embora. – E-ela vai ficar bem? – A loira perguntava, se segurando para não chorar novamente.
– Vai. – Maribel se sentava na cama, passando a mão sobre o cabelo de Santana. – Fazia muito tempo que ela não tinha um ataque desses. Geralmente é sempre fraco, e apesar de ser difícil para ela se controlar, Santana é forte e conseguiu sem que precisássemos levá-la para o hospital. – Quinn e Brittany olhavam para Santana que parecia hipnotizada encarando sonolenta seu guarda-roupa. – Não se preocupem. O remédio que ela tomou é para deixá-la mais calma e amanhã ela vai estar melhor. – Quinn e Brittany assentiram, ficando em silêncio.
– Tana... – Quinn sussurrava, e Santana continuava olhando para seu guarda-roupa. – Tana, me desculpe. E-eu e Brittany estamos indo. Nos falamos depois, está bem? – Fabray sentia a lágrima escorrer por sua bochecha e Brittany se aproximou de Santana depositando um beijo na bochecha da mesma.
– Fica bem, Sannie. – Brittany sorria suavemente.
– Obrigada por nos receber, senhora Lopez. – Quinn segurava na mão de Brittany e agora as duas se despediam de Maribel antes de saírem do quarto e se despedirem dos outros.
– Meninas, Santana vai ficar bem. – Eva comentava, enquanto se despedia das duas garotas na porta.
– Ela sempre teve isso? – Quinn perguntava confusa.
– Faz um tempo. – Eva respondia, sem saber se podia ou não contar o real motivo dos ataques de Santana. – Alguns anos que ela desenvolveu o ataque de pânico, mas geralmente quando ataca são fracos a ponto de ela mesma conseguir se controlar. Hoje sinceramente não sei o que aconteceu. – Eva encolhia seus ombros e Quinn desviava seu olhar sentindo o peso da culpa sobre seu peito. – Mas ela vai ficar bem. Não se preocupem.
– Qualquer coisa, nos avise, tia Eva. – Brittany se aproximava, depositando um beijo na bochecha da mesma.
– Pode deixar. – A médica sorriu e as duas líderes de torcida se afastavam indo em direção ao carro de Brittany.
Quinn sentia seu peito doendo e sempre que a imagem de Santana aparecia em sua mente, seus olhos enchiam de lágrimas se sentindo culpada por tudo que tinha acontecido. Se ela tivesse reagido ao beijo, talvez Santana estivesse bem agora. Talvez elas estivessem bem agora. Ou se Quinn tivesse reagido antes do beijo acontecer, nada daquilo teria acontecido. Ugh! Como eu pude ser tão idiota? A loira pensava furiosa de si mesma, enquanto olhava para a janela do carro. Quinn estava tão confusa que sequer conseguia fazer seu peito parar de doer. Tudo o que ela se preocupava naquele momento era Santana e esperava que no dia seguinte, as duas pudessem conversar sem que nada estranho acontecesse. Até porque, Quinn não queria perder uma pessoa tão especial que tinha acabado de entrar na sua vida.
– Você acha que ela vai ficar bem? – Eva entrava no quarto de Santana, encontrando Maribel deitada ao lado da filha, observando a mesma dormindo.
– Vai sim. – Maribel respondia. – Aconteceu duas vezes hoje, Eva, e eu me pergunto quais foram as razões para causar um ataque tão forte em Santana. Ainda não esqueci o que aconteceu no shopping. Ela ainda vai ter que me contar o que viu. – Maribel falava preocupada e Eva agora se sentava de frente para sua cunhada.
– Eu acho que sei o que ela viu. – Eva olhava para sua sobrinha. – Ou melhor, quem ela viu, Bel.
– Quem? – Maribel perguntava arqueando sua sobrancelha. Só tinha uma pessoa que faria sua filha passar mal daquela forma e Maribel começava a desejar que ela estivesse enganada.
– Marley. – Eva a olhou séria. — Marley Rose.
Sem dizer nada, Maribel passou seu braço em volta da cintura da filha, depositando um beijo na bochecha da mesma e sussurrando contra seu ouvido.
– Eu prometo, mijá. Eu prometo que vou cuidar de você. Ninguém mas vai te machucar. – Maribel abraçou sua filha a protegendo, rezando para que tudo ficasse bem.
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