Hurricane
23 Is she jealous?
Notas iniciais
Um mês depois.
— Hey, Santana! – A voz de Ashley tirava Santana de seu transe a fazendo levantar a cabeça do livro em que lia.
— Oh, hey Ash... Como vai? – Santana sorria educada, ajeitando seus óculos, e tirando sua bolsa do lugar do banco ao seu lado, deixando que a morena se sentasse.
— Bem... – A morena sorria, ajeitando sua bolsa. – Será que você poderia me ajudar? – A garota perguntava apreensiva.
— Com o que?
— Preciso de umas aulas de espanhol e Quinn comentou que você é ótima nisso. Será que pode me ajudar a montar um essay? – Se há um mês atrás Ashley tivesse feito essa pergunta a Santana, a mesma provavelmente ficaria surpresa e desconfiaria da ex-líder de torcida, mas após Quinn e Brittany tê-la envolvido em seu grupo de amizade, Ashley agora já não era mais vista como a garota malvada e sim uma garota legal que estava ganhando uma segunda chance. Até mesmo tinha entrado no clube do coral, se aproximando de Rachel e Sam Evans, para a surpresa de Quinn.
Ashley mostrava o quanto estava arrependida por tudo que tinha feito e cada dia que passava se aproximava novamente de Quinn, conquistando a confiança da mesma.
— Mm... Claro, é para quando?
— Para quarta-feira.
— Oh, okay... Nós podemos começar depois da aula se quiser. Jamie suspendeu o meu treino hoje, então estarei livre.
— Ótimo! Então nos vemos depois da aula?
— Na biblioteca. Claro. – Santana sorria, sentindo o sol de começo de primavera que esquentava seu rosto.
Ficando sozinha novamente, Santana voltava a atenção para seu livro, quando o celular em seu colo vibrava, aparecendo a foto de Quinn que tirou em seu primeiro encontro com a mesma. Um sorriso automático apareceu em seus lábios antes de atender.
— Hey, baby girl. – Santana sentia as borboletas em sua barriga baterem asas e seu coração acelerava.
— Já disseram o quanto você fica linda quando está concentrada demais em um livro para notar as pessoas ao seu redor? — A voz de Quinn mostrava que a mesma sorria e Santana rapidamente percorria seu olhar por onde estava procurando por Fabray.
— Q... Onde você está? – Santana perguntava confusa.
— Me encontre em cinco minutos no nosso lugar, está bem? – Quinn desligava o celular sem sequer dar tempo para que Santana pudesse responder.
Juntando suas coisas rapidamente, Santana jogou sua bolsa em seu ombro, saindo em direção a biblioteca na sessão “morta”, onde ela e Quinn sempre se encontrava e, onde há duas semanas atrás, tinha se tornado o esconderijo delas. O lugar para onde iam sempre que queriam ficar sozinhas ou trocar carícias. Elas ainda não tinham rotulado o relacionamento em que estavam, mas sem dúvidas, o modo como estavam agindo parecia cada dia mais como se fossem um casal.
Trocavam mensagens o dia inteiro. Não conseguiam parar de olhar uma para outra. Quando estavam sozinhas trocavam carícias, aproveitando cada segundo. Beijos, abraços, carinhos, brincadeiras. Agiam como um novo casal que até mesmo para Maribel e Alejandro podiam ver o quanto as duas garotas estavam apaixonadas uma pela outra, até porque, Quinn não saia mais da casa de Santana, e ficava muitos noites para jantar, se sentindo em casa com o carinho dos pais de Santana.
Ao se aproximar do canto em que se encontrariam um sorriso aparecia em seus lábios ao ver Fabray encostada a prateleira lhe esperando. Quinn passou seus braços em volta do pescoço da latina, lhe dando um selinho demorado, seguindo de vários fazendo Santana rir.
— Oi, Tana. – Quinn sussurrava, depositando um beijo na bochecha de Santana, antes de puxá-la para se sentar no carpete.
— Como você está? Conseguiu terminar seus deveres de física? – A latina deixava a bolsa ao seu lado, entrelaçando seus dedos aos de Quinn.
— Estou bem, um pouco cansada. Fiquei até uma hora da manhã terminando aquela porcaria.
— Sinto muito, Q... Você deve estar com sono.
— Um pouco. – Quinn deitava sua cabeça no ombro de Santana. – E você? Sua tia Eva ligou ontem à noite?
— Ligou. As ligações dela sempre me fazem bem.
— Ela sabe de nós? – Quinn perguntava e mesmo não rotulando o que tinham aquilo de alguma forma incomodava Santana. Ela queria que as coisas acontecessem. Santana precisava que Quinn dissesse a ela o que estava acontecendo. Tudo estava muito confuso em sua cabeça e Santana sequer sabia como chamar “aquilo” que tinham.
— Mm... Sabe? – Santana falava confusa. – Minha tia sabe que agora somos amigas e também sabe de tudo que acontece. Ela é minha melhor amiga e sempre conto tudo a ela. – A latina sorria, brincando com os dedos de Quinn.
— Mas alguém sabe? – Fabray perguntava, e por um segundo, Santana – com toda sua desconfiança -, sentia o medo no tom de voz de Quinn.
— Mmm... Não? Só minha tia Eva. – Santana franzia o cenho. – Você contou para alguém?
— Não... – Quinn levantava sua cabeça, encontrando o olhar de Santana. – Não contei a ninguém.
— Nem mesmo a Brittany?
— Não... Sim. Sim, conto tudo para a Brittany. – Quinn sorria suavemente, e Santana assentia, desviando seu olhar, confusa. – Hey... O que houve?
— Nada. – Santana dizia rapidamente, ajeitando seus óculos.
— Tana, olha pra mim... – Quinn levava sua mão para o queixo da latina a fazendo olhá-la. — Claramente alguma coisa está te incomodando. Você sabe que pode conversar comigo.
— Podemos falar disso outra hora? – Santana sabia que ali não era o lugar para aquela conversa.
— San...
— Quinn, por favor, podemos? Acho que aqui não é lugar para isso. – Santana respirava fundo, mordendo o canto do seu lábio inferior.
— Claro... Podemos conversar mais tarde? O que acha de estudarmos juntas para a prova e. –
— Eu adoraria, Quinn, mas prometi que ajudaria Ashley após a aula. Podemos nos encontrar depois? – Ao ouvir que Santana ajudaria Ashley, seu estômago revirou. Imaginar talvez na ex-líder de torcida tirando mais uma pessoa de sua vida a fazia sentia náusea. Se isso acontecesse Quinn cortaria ambas de sua vida.
— Oh... Você vai ajudá-la em que?
— Espanhol. Aparentemente Ash tem um essay para fazer e pediu ajuda. – Ash. Ash. Seu coração acelerava ainda mais ao ouvir o apelido que Santana chamava a morena.
— Mm... Okay, podemos nos ver depois. Me liga quando estiver em casa? Hoje sua mãe fará massa, certo? – Quinn sorria, tentando esconder o ciúme que sentia.
— Isso! – Santana sorria. – E aí podemos conversar.
— Está bem... – Quinn olhava para o celular, e soltando a mão de Santana, pegava sua bolsa, se levantando. – Está na hora de irmos. Nos vemos no intervalo? – Santana se levantou logo depois de Quinn, ajeitando a bolsa em seu ombro.
— Mhm... Nos vemos no intervalo. Boa aula, nerd. — A latina brincava, e recebia outro selinho demorado.
— Boa aula, Tana! – A loira sorria, antes de sair pelos corredores da sessão onde estavam e para o seu desgosto, trombava com a pessoa no qual estava evitando há dias. Kitty Wilde estava na entrada da biblioteca e ao ver Quinn, sua postura e seus olhos mudaram rapidamente.
Fabray sentiu seu estômago revirar novamente e a vontade de vomitar era ainda maior. Desde o incidente do beijo em que tiveram Quinn fez questão de se afastar completamente de Kitty. Não se olhavam mais nas aulas que tinham juntas ou quando passavam uma pela outra no corredor. Fabray ficou furiosa sobre o que tinha acontecido e fez questão de mostrar a Kitty que daquele dia em diante, Wilde era invisível na vida de Quinn Fabray. O beijo nunca foi comentado por nenhuma das duas e muito menos entre Quinn e Brittany ou com Santana.
Xxxx
Santana andava pelos corredores do colégio para sua próxima aula quando avistou um dos três jogadores de futebol do incidente há um mês atrás. Mesmo já passando tanto tempo, a latina ainda se sentia apreensiva sempre que os encontravam e fazia questão de tomar outro caminho para que eles não a vissem. Porém, naquela manhã, Santana já estava perto de sua sala para poder voltar. A mesma olhou em sua volta a procura de alguém que pudesse lhe ajudar, mas obviamente, ninguém naquele colégio parecia se importar com ela. Todos a tratavam como uma invisível e se algo lhe acontecesse ali ninguém lhe ajudaria.
Respirando fundo, Santana ajeitou a bolsa em seu ombro e continuou seu caminho rezando mentalmente que aquele garoto, conhecido como Dawson, não fosse lhe notar. O mesmo estava de costas conversando com uma garota e Lopez tinha certeza que passaria despercebida, até que o mesmo se virou, graças a garota que conversava ter lhe avisando que Santana estava atrás dele.
— Hey... – A voz de Dawson era grossa e rouca, fazendo Santana parar abruptamente ao pular em sua frente. – Oh, faz dias que estou tentando lhe encontrar, mas por alguma razão você desapareceu. – Dawson estava visivelmente irritado, e ao mesmo tempo vitorioso por estar com Santana sem que Puckerman ou outro garoto o visse.
— O que você quer? – Santana perguntava rapidamente, sentindo seu coração disparar. Se algo acontecesse com ela ali, ninguém saberia, ninguém a ajudaria. Céus, por que isso sempre acontece?
— O que EU quero? Você acha que sou idiota, garota? – Dawson estava perto demais de Santana, e a mesma fazia o possível para não se intimidar. – Você acha que depois do que me fez passar eu não viria atrás de você?
— E-eu... – Santana dava um passo para trás, olhando para todos os lugares, menos para Dawson. Sua vontade era de quebrar seu nariz novamente, mas depois da conversa que teve com seu abuelo, Santana precisava se controlar, ou então, precisaria mudar de escola novamente.
— O que? Acha que só porque é uma garota não vou revidar o que fez? – Dawson empurrava os ombros de Santana, fazendo sua bolsa cair, mas antes que Santana ou o garoto pudesse fazer algo, o corpo de Dawson foi puxado para trás e lançado contra um dos armários com tanta força que o mesmo caiu no chão gemendo.
— Mandei você ficar longe dela, Dawson. Quão idiota você é para achar que eu não cumpriria com a minha palavra? – Puckerman falava alto, chutando o celular de Dawson que tinha caído no chão. – Se você sequer olhar para Santana novamente, ou pensar em fazer algo contra ela, não se esqueça de que sei onde você mora, e sei que você não passa de um bundão mimado, covarde que só arruma briga com garotas. Fique longe dela, essa é a última vez que lhe aviso. – Puckerman se abaixou dando dois tapas com força na cara do garoto, antes de voltar para Santana que o olhava surpresa.
— Você está bem? – Noah se abaixou pegando sua bolsa e lhe entregando.
— Mm... Sim, sim, estou bem. Obrigada. – A latina franzia o cenho, sem entender porque Noah Puckerman, o ex-namorado de Quinn estava lhe ajudando.
— Não há de que. Você é uma das amigas da Quinn agora, então se precisar é só me chamar. – Puckerman sorria, antes de deixa-la sozinha, ainda mais confusa.
Mesmo observando as palavras de Puck, o modo como ele a olhava, Santana não conseguia confiar no mesmo. Algo em Noah ainda era um mistério para a latina e em sua cabeça, tudo isso era para que o mesmo pudesse ter Quinn de volta.
— Santana! – A voz de Rachel, trazia a latina de volta para a realidade no momento em que entrou em sua próxima aula.
— Céus, Berry, você me assustou.
— Desculpa. – Rachel ria baixo, puxando a latina para se sentar ao seu lado. – Mas preciso muito da sua ajuda. – Nas últimas semanas, Santana, Rachel, Mercedes e o restante do grupo do coral tinham se aproximado bastante. Berry, Lopez e Jones, saiam até mesmo depois das aulas para comerem pizza, algo que deixava Santana muito feliz em saber que seus amigos do coral estavam sendo sinceros e realmente se interessava em sua amizade.
— Do que você precisa?
— Finn me convidou para sair essa manhã, mas eu não sei o que usar, então imaginei talvez se você podia me ajudar e. –
— Whoa, whoa... Devagar, Rachel. Respira. – Santana respirava, tentando acalmá-la. – Agora começa de novo, porque não entendi nada.
— Certo. Finn me convidou para sair essa manhã e imaginei talvez se você podia me ajudar a escolher uma roupa? Sei que as meninas das líderes de torcida tiram sarro da forma como me visto e quero estar bonita para o Finn. – Rachel falava suavemente, fazendo Santana sorrir.
— Berry, você se sente bem da forma como se veste? – Santana perguntava e Rachel assentia. – Então você não precisa mudar por ninguém. Se Finn te convidou para sair é porque ele gosta de você exatamente como é. Não temos que mudar por ninguém. Minha mamí sempre me ensinou isso. Tenho certeza que qualquer roupa que você escolher vai ficar ótima. – Santana sorria suavemente, fazendo sua amiga sorrir.
— Obrigada, Santana. É a primeira vez que me falam isso... Mm... Obrigada.
— Não deixe as pessoas te influenciarem, Berry, mas enfim, para quando é esse tão esperado encontro? – Santana brincava fazendo Berry rir antes de disparar a falar.
Xxxx
— Você acha mesmo que tem alguma coisa acontecendo com a Quinn? – Uma das lideres de torcida sussurrava próximo ao ouvido de Kitty que olhava sem parar para a mesa de Fabray no refeitório.
— Tenho certeza. Essa garota Santana está tirando o que temos de melhor no nosso time e precisamos que Quinn esteja 100% concentrada em nós. – Kitty respondia friamente.
— Talvez podemos assustar essa latina... – Brianna, outra amiga de Kitty comentava. – Alguma coisa essa garota tem que podemos usar contra ela.
— Sabe, Bri, você não é tão estúpida como pensei. – Kitty sorria, e Brianna revirava os olhos. – Quinn vai voltar para nós. Ela vai voltar pra mim e essa garota latina vai saber quem somos. – Kitty olhava com tanto ódio para Santana que seu estômago revirava. Ela não perderia Quinn Fabray para uma garota tão sem graça como Santana Lopez. Quinn tinha que estar ao lado de Kitty e de mais ninguém.
Xxxx
Após sua última aula, Santana saia de sua sala, quando uma sorridente e alegre Ashley surgia a sua frente, segurando seus livros, a fazendo rir com a cara de felicidade da morena.
— Está pronta? – Ashley perguntava.
— Sim, estou pronta. Vamos para a biblioteca, gosto de estudar por lá.
— Ótimo. Não vejo a hora de me livrar desse essay, sério. Espanhol não é uma das minhas matérias favoritas, mas... – Ashley dava de ombros, enquanto Santana parava em frente ao seu armário, guardando alguns de seus livros.
— Entendo. Com um professor como o Sr. Schue é difícil se apaixonar pela matéria. – Santana brincava, e enquanto ambas riam, Quinn se aproximou, olhando de Ashley para Santana.
— Hey, Q.
— Hey Ashie... Oi Tana. – Quinn sorria, tentando ignorar o ciúme que embrulhava seu estômago.
— Já está indo para casa? – Santana perguntava carinhosa, fechando seu armário.
— Não... Sue marcou treino de última hora, preciso estar na quadra em alguns minutos. E vocês, o que vão fazer?
— Estamos indo estudar. San vai me ajudar no essay de espanhol. – Ashley respondia, e Quinn sentia seu coração acelerar com a mesma chamando Santana de “San”.
— Oh... Te disse que Santana é uma ótima tutora de espanhol. – Quinn sorria, apenas pressionando seus lábios, sem mostrar seus dentes.
— Não é pra tanto, Q. – A latina falava tímida, sem tirar os olhos de Quinn. Se ela conhecesse bem Quinn, não teria dúvidas de que a loira estava com ciúmes de vê-la com Ashley.
— Bom, preciso ir ou então Sue vem atrás de mim. Nos falamos depois? – Quinn falava com Santana, e a latina sabia exatamente o que Fabray estava dizendo.
— Claro, nos vemos depois.
— Okay... Tenha uma boa aula, Ashie. – Quinn depositava um beijo na bochecha das duas garotas antes de deixá-las sozinhas.
— Quinn está com ciúmes. – A voz de Ashley fazendo Santana olhá-la.
— Não, ela... Por que ela ficaria com ciúmes?
— Não sei. – Ashley ria, encolhendo seus ombros. – Mas ela estava com muito ciúme. Acredite, conheço Quinn Fabray.
Por alguma razão, saber que Quinn Fabray estava com ciúmes fazia Santana sorrir. Mesmo sabendo dos obstáculos que teriam, mesmo sabendo que isso precisava ser mantido em segredo, Santana não se importava. Ela faria qualquer coisa por Quinn e talvez isso seja o começo daquilo que Santana sempre quis, e nessa noite, quando se encontrasse novamente, Santana Lopez iria pedir Quinn Fabray em namoro.
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