Hurricane
1 In the eye of a hurricane.
Notas iniciais
William McKinley High School, Lima, Ohio. Um colégio onde apenas dois grupos eram conhecidos. Os populares jogadores de futebol e as populares líderes de torcidas. O colégio se dividia em dois grupos no qual poucos se encaixavam. Tinham sorte quem era apenas amigos de um dos jogadores ou das líderes de torcidas. Nunca eram atingidos por slushies e era imune ao qualquer tipo de bullying porque eles, os amigos populares lhes protegiam.
Fora esses grupos populares, existiam também alguns não muito desconhecidos como o grupo de química. O grupo de matemática. Os jogadores de xadrez e o time de corrida feminino. Esses eram os grupos que participavam de competições, ganhavam prêmios, mas infelizmente não eram reconhecidos por ninguém além deles mesmo e seus professores que os ajudavam estudar.
Existia também um grupo nada popular, porém se ouviam falar muito no colégio, o Glee Clube. Nada se compara com a fama das líderes de torcidas, mas todos sabiam da existência do grupo.
Sr Schue o professor do glee clube, acolhia seus alunos com muito amor dizendo que ali era o lugar onde eles não precisariam ter medo de ser quem realmente eram. Porque naquele lugar ele não permitiria nenhum tipo de bullying ou slushies vindo dos outros membros. O grupo não era formado por muitos, mas era o suficiente para começarem naquele ano.
Apesar de terem vários grupos, existem também àqueles alunos e alunas no quão andavam sozinhos pelos corredores do William McKinley High School. Ninguém sabia seus nomes, até porque, nunca demonstraram interesses em conhecê-los. Ninguém sabia sobre suas vidas ou como viviam. Alguns deles eram conhecidos como apenas fantasmas e outros... Aqueles que eram grandes alvos de slushies eram chamados como nerds e isso incluía uma das latina mais estudiosa e sozinha do colégio, Santana Lopez.
Santana não era popular e era rotulada como a nerd de William McKinley. Alguns dos jogadores de futebol sempre tentavam copiar suas provas e quando não tinham a resposta que gostariam Santana era alvo de slushies pelos corredores. Ninguém a conhecia pelo nome, mas sabiam o quão esperta era. Alguns em sua aula de espanhol a chamavam de nerd latina, mas nada disso lhe tirava sua concentração. Santana sempre tentou não ouvir as coisas más que lhe falavam, tentou sempre não se deixar abalar com os empurrões que levava pelos corredores. Depois de tudo o que passou quando tinha quinze anos, aprendeu a levantar a cabeça e seguir em frente. É difícil mentir e dizer que os insultos não a machucam, mas com a ajuda de seus pais sempre procurou esquecer tudo o que vivia dentro do colégio.
Apesar de não ser rica como todas as garotas e garotos de sua escola, Santana sabia dar valor ao que tinha. Sua mãe se tornou Chef de um dos restaurantes mais refinados de Lima e seu pai era professor de sua própria academia de luta. Não ganhavam muito como gostariam, mas ganhavam o suficiente para proporcional para a garota seus livros preferidos e um violão que ganhou no último natal. Santana adorava cantar e tocar, mas isso é algo que ela faz apenas quando está sozinha ou com sua abuela e abuelo que lhe ensinou como usar o instrumento.
Santana é o tipo de garota que não se importa com roupas caras e sapatos. Sempre gostou de coisas simples e aprendeu sozinha – e com ajuda da internet – a ter seu próprio estilo que é considerado um estilo nerd por muitos. Ela não dispensa calça jeans, blusinhas simples e seu all star ou sua bota que ganhou de seu abuelo. A latina adora seu cabelo escuro sempre solto e raramente faz um rabo de cavalo. Tudo depende do estilo de roupa que usa no dia. Maquiagem nunca é nada demais, aliás, desde pequena ouvia seus pais dizendo que era linda e que nunca precisaria de uma maquiagem sequer. Pode se dizer que ambos sempre estiveram certos.
A latina tem uma cor de pele linda. Seus olhos escuros e o formato de seu rosto nunca indicou que a mesma precisasse de alguma maquiagem. Santana nunca usou nada para pintar seus olhos ou destacar suas bochechas. A única vez que usou batom foi quando tinha dez anos e estava brincando com as coisas de sua mãe. E como todo nerd, Santana usava óculos. Sim, a latina tinha óculos um pouco oval (e quadrado), preto.
Apesar de a acharem diferente, Santana nunca se importou com o fato de ser diferente. Ela era quieta no colégio, não tinha amigos e preferia andar sozinha. Ia para suas aulas e quando precisava estava sempre na biblioteca. Não participava de nenhum grupo e gostava do modo como vivia sua vida. O relacionamento que tinha com seus pais era único. Com dezesseis anos eles ainda a tratam como se ela fosse uma criança. Eles a mimam o quanto podem e são orgulhosos pela filha que tem. Santana é esforçada e muitas vezes passa à tarde com seu pai na academia lhe ajudando enquanto estuda.
O fato de ser sozinha às vezes preocupa seus pais. Eles sabem o quanto ela sofre bullying no colégio e apesar de serem fortes para ajudá-la, rezam todos os dias para que um dia isso acabe e que ela possa ter alguém que cuide dela e que lhe trate como ela realmente merece. Alguém que veja o quão doce, amável, linda e divertida a latina é. Alguém que realmente a complete.
Seus pais e seus avós também sabem de algo importante na vida da garota e nunca lhe deram as costas por causa disso. Santana quando completou seus trezes anos descobriu o quanto tinha atração por garotas e foi difícil aceitar. O medo de ser rejeitava por seus pais e seus avós eram tanto que a latina chegou a ficar doente por manter isso dentro de si. Sua mãe desconfiava, mas esperou que Santana dissesse por si só e não demorou para que isso acontecesse. Para a surpresa da latina, todos eles foram muito amorosos e a disseram que nada disso mudaria o fato de que eles a amavam.
Seus pais também sabiam que Santana desde o dia em que pisou em William McKinley High School, há dois anos atrás se apaixonou por uma das garotas mais lindas do colégio e também uma das mais populares líderes de torcida, Quinn Fabray. Faz exatamente dois anos em que Santana se mudou para seu novo colégio e todas as vezes que a encontra pelos corredores, seu coração dispara, sua respiração fica fraca e suas pernas ficam bambas. Ela nunca teve coragem de se aproximar de Quinn, até porque, era nítido ver que a líder de torcida era hetero. Namorava um dos populares jogadores de futebol, Noah Puckerman e Santana sabia que nunca teria uma chance. Afinal, ela era uma nerd sozinha, óbvio que Quinn nunca olharia para ela. Todos diziam que Quinn era a famosa Ice Queen, mas Santana podia ver que de rainha do gelo ela não tinha nada. A latina sabia que por trás daquela máscara, tinha uma garota adorável que era diferente de todas que ela já viu.
Quinn Fabray era filha de um dos empresários mais ricos de Lima, e Santana sabia que a classe social era diferente e que talvez isso pudesse ser mais um obstáculo para as duas se aproximarem. Até parece que uma garota linda, rica, popular e hetero como Quinn Fabray sequer olharia para mim. Santana sempre pensava quando saia de seu transe.
Santana tinha suas aulas de espanhol, inglês e química junto de Quinn e sempre sentava longe da garota e muitas vezes se pegava observando Fabray por horas imaginando como seria abraçá-la. Beijá-la. Segurar em sua mão. A latina imaginava tantas coisas românticas que quando o sinal batia percebia que estava segurando sua respiração por horas sentindo seu peito doer por saber que nunca teria nada disso com a popular Quinn Fabray.
A latina tentava sempre se conformar e seguia em frente dedicando-se aos seus estudos, a sua paixão pela música e há oito meses atrás começou a treinar luta com seu pai para descarregar toda sua frustração.
Seus pais sabiam o quanto a garota era apaixonada por Quinn e quando tentava incentivá-la a se aproximar da loira, Santana tratava logo de colocar bloqueios e coisas negativas mostrando do porque isso nunca daria certo.
– Eu não passo de uma nerd desconhecida. Ela nunca sairia comigo ou sequer seria minha amiga. – Era o que Santana sempre dizia. O tom triste em sua voz nunca passava despercebido por seus pais quando falava de Quinn ou quando falava de sua escola. Era difícil vê-la tão sozinha o tempo todo, mas Santana odiava quando sentiam pena dela. Isso era algo que ela nunca permitiu que seus pais sentissem. Ela sempre dizia que ficava sozinha por opção e que eles não precisavam se preocupar, mas todos sabiam o real motivo pela mesma andar sempre sozinha.
Apesar de se mostrar forte e sempre tentar o máximo ignorar tudo o que acontecia no colégio, quando se trancava em seu quarto muitas vezes chorava sozinha até cair no sono. Sua mãe a ouvia, mas preferia deixá-la sozinha, até porque, conhecendo a filha que tem, Maribel Lopez sabia que se entrasse no quarto, Santana demonstraria o quão forte estava sendo e diria que sua mãe estava ouvindo coisas. A latina nunca quis deixar sua fraqueza estampada para seus pais, mesmo sabendo que eles já sabiam tudo o que acontecia com ela, até mesmo quando estava trancada em seu quarto.
Era uma quinta-feira de manhã e Santana estava terminando de se arrumar para mais um dia de aula. Ela usava uma calça jeans, com uma blusinha vinho, um sweater bege jogado por cima e sua bota preta. A latina deixou seu cabelo solto, calçando sua bota, pegando sua bolsa e saindo correndo de seu quarto para tomar um gole de café com seus pais.
– Bom dia, mijá. – Maribel sorria depositando um beijo na cabeça da filha.
– Bom dia, mama. Bom dia papi. – Santana jogava sua bolsa na cadeira, pegando uma xícara com café. – Mama, que horas você vai trabalhar hoje? – A latina perguntava se sentado ao lado de seu pai.
– Preciso estar no restaurante às dez horas, mijá, e a senhorita está atrasada. – Maribel, batia palmas. – Vamos, trate de tomar logo esse café, porque seu pai quem vai ter dar carona hoje.
– Mama, não precisa. Eu posso pegar um ônibus. – Santana revirava os olhos.
– O que? Recusando a carona do seu pai? – Alejandro brincava fazendo a garota rir.
– Não, papa, mas só estou dizendo que não precisa se incomodar, eu vou de ônibus.
– Eu te levo. – Alejandro falava firme e Santana sabia que não tinha o porque discutir e apenas assentiu tomando seu café.
Xxxx
– E então mijá, animada para o seu aniversário? – Alejandro perguntava enquanto levava Santana para o colégio.
– Mmm, normal, pai. Vai ser como todos os outros. – A latina dava de ombros. Depois que passou dos treze anos, Santana já não se empolgava mais com seus aniversários. Claro que ela adorava os bolos que sua mãe fazia, mas conforme começava a andar sozinha, os amiguinhos em suas festas iam diminuindo até o dia em que só tinham ela, seus pais, seus avós e sua tia Eva, que era uma das suas tias preferidas, já que a mesma era divertida e era a irmã mais nova de Alejandro.
– Você sabe que podemos fazer algo divertido ou até mesmo irmos viajar. – Alejandro tentava animar a garota.
– Papa, não se preocupe. Não quero nada no meu aniversário, nem mesmo viajar, porque sei o quanto não estamos podendo financeiramente para isso, então não se preocupe. De verdade. – Santana sorria simpática depositando um beijo na bochecha de seu pai que não parecia muito convencido, mas preferiu encerrar o assunto.
Não demorou para que Alejandro estacionasse seu carro em frente ao colégio de Santana. A garota pegou sua bolsa do banco de trás, depositando um beijo na bochecha de seu pai e saindo do carro.
– Depois da aula vou na academia, papi. Meu treino com o Jamie é às quatro horas, mas posso ficar lá se caso precisar de mim. – A latina sorriu.
– Está bem, mijá, nos vemos mais tarde. – Alejandro sorriu enquanto sua filha fechava a porta e desaparecia para dentro do colégio.
Hoje era um dos dias em que Santana sabia que seria alvo dos garotos do time de futebol, até porque, eles teriam um teste de história e Santana sabia que eles iriam tentar colar de sua prova, mas ela como sempre não deixaria que isso acontecesse. Para se prevenir, Santana foi direto para o seu armário, tirando seus livros de dentro do mesmo e colocando uma blusinha reserva para se caso alguma acidente acontecesse.
Enquanto a latina separava seus livros para a primeira aula, uma voz a centímetros de distância de seu armário a fez paralisar o que estava fazendo. Ela conhecia muito bem aquela voz e sempre que a ouvia, seu coração disparava.
Santana colocou sua bolsa no seu ombro e escondida atrás da porta do seu armário, ela podia ver Quinn Fabray com uma de suas melhores amigas Brittany Pierce retirando alguns livros de onde estavam. Apesar de serem populares ambas eram prestativas com os estudos e nunca perdiam uma aula. Quinn era aluna nota A, enquanto Brittany se esforçava com a ajuda da amiga para não tirar F nas matérias.
Quinn estava linda como sempre, usando seu uniforme das cheerios, mas como o tempo não era um dos melhores, ela usava uma calça ao invés da saia que sempre costumava usar. Aquela saia no qual fazia Santana perder a respiração.
A latina estava tão concentrada e perdida olhando Quinn que não percebeu que dois brutamontes se aproximavam dela e antes que ela desse por si, seu corpo se chocou forte contra seu armário, fazendo seus óculos caírem no chão, assim como sua bolsa. Santana sentiu o impacto do metal batendo contra sua barriga e se segurou para não gritar com a dor. O empurrão foi tão forte que ela teve sorte em não bater a cabeça.
Os dois garotos passaram por ela e enquanto estava desorientada recolhendo seus livros e os colocando em sua bolsa, novamente não percebeu que alguém pegava seus óculos do chão.
– São seus? – A garota perguntou e Santana congelou levantando seu rosto e encontrando ninguém mais do que Quinn Fabray e Brittany S. Pierce ao seu lado. A latina sem saber o que dizer apenas assentiu olhando tímida para as duas.
– O-obrigada. – Santana sussurrou e as duas líderes de torcida sem dizerem mais nada, simplesmente sorriram e saíram de perto da latina.
A garota sentia suas pernas bambas e sua respiração falhar. Apesar de ter sido Brittany quem segurava seus óculos, ela não pode notar que Quinn também estava lá e a olhando curiosa. Claro que ela só se aproximou de mim, porque a amiga dela estava junto. Santana pensou, ajeitando seus óculos em seu rosto e voltando para sua rotina, tentando esquecer o que tinha acontecido, até porque, ela sabia que isso nunca mais aconteceria. Quinn e Brittany nunca mais falariam com ela novamente.
O sinal tocou indicando que sua primeira aula começaria. A garota foi direto para sua sala onde teria seu primeiro teste de história e para se livrar dos brutamontes que a perseguiam, Santana tentou sentar mais a frente longe deles.
Felizmente conseguiu fazer sua prova sem que ninguém a perturbasse e sem surpresa alguma, foi a primeira a terminar. Alguns alunos que costumavam tentar colar de suas respostas a olhavam com raiva e alguns dos jogadores a olhavam com tanto ódio que Santana sentiu seu corpo arrepiar com medo do que eles pudessem fazer. A latina tentava dar atenção apenas para seus livros enquanto tentava tirar sua cabeça de Quinn.
Logo que o sinal bateu novamente, Santana juntou suas coisas rapidamente, saindo rápido de sua sala para evitar qualquer confronto com os garotos que sem dúvida viria atrás dela. A latina andava tão rápido que quando deu por si, estava em sua próxima aula de espanhol no qual encontraria Quinn.
A latina se sentou em uma das mesas próximas a janela e encarava o lado de fora enquanto o professor esperava que todos os outros alunos entrassem. Ela estava tão preocupada com o que os garotos fariam com ela que não percebeu a pessoa que sentou seu lado.
– Bom dia, turma. – Sr Schue entrava na sala, fazendo Santana se virar e pela primeira vez perceber quem estava logo ali.
Assim que Santana viu Quinn Fabray sentando pela primeira vez ao seu lado na aula de espanhol, seu coração começava a bater tão rápido em seu peito que ela temia que toda a classe pudesse estar ouvido. Sua respiração estava fraca e era como se fosse ter um ataque de pânico. Santana não sabia se devia lhe cumprimentar ou fingir que estava tudo normal, até porque, ela mesma nunca cumprimentou nenhuma das outras garotas que já se sentou ao seu lado nas aulas e se fizesse isso com Quinn, a loira poderia achar que ela estava louca, até porque, quem era Santana para puxar assunto com Quinn Fabray. Ninguém. Não sou ninguém. Santana pensava, tentando se concentrar na aula.
Sr Schue não era um dos melhores professores de espanhol que Santana já teve e por ser tão fluente em sua própria língua, Santana começava a desenhar em seu caderno e todas as vezes que seu professor falava alguma coisa errado, ela o corrigia entre sussurros consigo mesma revirando seus olhos impaciente. A única coisa boa de sua aula era Quinn, e naquele momento ela desenhava tentando esquecer o fato de que o amor da sua vida estava sentado logo ao seu lado.
Era a quinta vez em que Santana corrigia Sr Schue e dessa vez ela ouviu um pequeno riso adorável que por um segundo a fez acreditar que ela estava ouvindo coisas.
– Você é engraçada. – Quinn sussurrava e pela segunda vez naquele dia, Santana paralisou continuando olhando para seu caderno. – Se eu soubesse que era tão divertido sentar ao seu lado nessa aula chata já teria feito isso antes. – A loira continuava sussurrando e dessa vez Santana sentiu seu peito explodindo de felicidade. Era a primeira vez que Quinn dirigia a palavra a ela e a latina precisava se concentrar para não falar nenhuma besteira.
Santana tirou seus olhos de seu caderno, levantando a cabeça e encontrando os olhos castanho-esverdeados de Quinn. Céus, ela tem os olhos mais lindos que já vi. Santana pensou e antes de responder, tentou agir naturalmente.
– E-ele fala quase tudo errado. – Santana falava suavemente dando de ombros.
– E pelo visto você é fluente em espanhol. – Quinn sussurrava abrindo um sorriso suave e Santana assentia.
– Minha família é latina e todos eles falam espanhol o tempo todo. Acabei aprendendo. – Santana continuava falando suave sem mostrar o quão tímida estava ao lado de Quinn.
– Bom, minha família é Francesa, mas nem por isso falo francês. – Quinn comentava e Santana apenas sorriu sem saber o que dizer.
Santana não acreditava que Quinn Fabray tinha acabado de falar com ela. Depois de tanto tempo apenas a olhando de longe, hoje a líder de torcida tinha falado com ela. A latina estava tão feliz que precisava se segurar para não sorrir a toa e assustar Quinn.
Antes que Santana pudesse tentar puxar outro assunto o sinal bateu e Quinn juntou suas coisas acenando suavemente para a latina e saindo da sala acompanhada de suas outras amigas que a esperavam na porta. A latina juntou suas coisas devagar, sorrindo feito boba andando lentamente para seu armário e antes que pudesse chegar até lá, um banho gelado de slushie atingiu seu rosto e seu peito a fazendo parar onde estava. Três jogadores de futebol a acertaram com três copos de slushies, enquanto um deles batia a mão em seus livros os derrubando no chão e o outro a empurrava contra o armário a fazendo bater as costas com força e cair no chão.
O impacto foi tão forte que Santana sentia como se seu corpo estivesse perdido as forças para levantar. A latina sabia que eles se vingariam dela, mas não imaginou que fariam algo desse porte.
– Isso é por você não ter nos deixado colar da sua prova, idiota. – Um dos garotos falava irritado perto dela.
Os três logo desapareceram de sua frente a deixando sentada no chão de olhos fechados. Seus óculos estavam sujos de slushie, assim como toda sua roupa e provavelmente seus livros. Ela não queria se levantar, porque sabia o quanto suas costas estavam doendo, mas também sabia que ninguém lhe ajudaria se ela mesma não se ajudasse.
Ela levantou devagar, juntando seus livros do meio do corredor, pegando sua bolsa e tirando seus óculos para limpá-los. A vontade de chorar era tanta, mas Santana se mantinha forte para não demonstrar o quanto isso lhe machucava por dentro.
A latina se aproximou de seu armário, pegando a roupa extra que tinha trago e foi direto para o banheiro se limpar. Assim que se viu sozinha, as lágrimas começaram a correr por sua bochecha e ela começava a lavar seus óculos, irritada por sempre ser alvo desses idiotas. Ela só queria ficar sozinha e estudar, não tinha o porque eles fazerem isso com ela.
Santana prendia seu cabelo em um bagunçado rabo de cavalo, lavando seu rosto. Tirou seu sweater o colocando em cima da pia e tirando sua blusinha para poder limpar seu pescoço. A latina passou uma toalha úmida tirando todo o doce do seu pescoço e logo vestiu sua blusinha reserva, mas ao ver que tinha esquecido de trazer uma blusa extra, ficou irritada consigo mesma porque passaria frio por ter sido tão idiota. A garota limpava seus livros chorando irritada e logo que terminou, lavou seu rosto mais uma vez, soltando seu cabelo e saindo do banheiro para a cafeteria onde poderia comer seu lanche em paz.
Ela já não chorava mais, mas estava irritada enquanto começava a sentir frio. Santana se sentou sozinha em uma mesa perto da janela, colocando sua bolsa pendurada na cadeira e abrindo seu lanche que trazia sempre de casa começando a comê-lo lentamente. Ela evitava olhar para os lados com medo de que fosse receber outro banho de slushie e sempre se concentrava em desenhar, mas dessa vez, seus braços começavam a tremer de frio e apesar da escola estar aquecida, não era o suficiente para que a esquentasse.
Santana tentava ignorar o frio, prestando atenção nos traços dos seus desenhos, mas ficava difícil já que seus braços se arrepiavam com o gelado do refeitório. Sem aguentar por muito tempo, a latina fechou seu caderno rapidamente, jogando tudo dentro de sua bolsa e pegando seu lanche, saindo correndo para um lugar onde pudesse ficar aquecida e logo se encontrou dentro da biblioteca, sentada no fundo onde tinha algumas prateleiras de livros e logo acima o aquecedor.
A latina começava a se sentir aquecida, encostando-se a prateleira, com seus joelhos dobrados e seu lanche logo ao seu lado. Ela não sabia como enfrentaria suas duas últimas aulas passando frio e esperava que talvez se falasse com o diretor, ele a deixaria ir embora. Era difícil tudo o que Santana passava, mas ela fazia o possível para não se deixar entristecer como há um tempo atrás.
Ela não queria sair daquele lugar e depois de comer seu lanche, já não sabia mais o que fazer. Seu celular não estava funcionando e ela não tinha ninguém para quem pedir uma blusa. Santana tirou seu caderno da bolsa, voltando a desenha e quando percebeu começava a cantar para si mesma para passar o tempo como fazia todas as vezes que se sentia sozinha.
Carry me awayIn the eye of a hurricane
City sleeps below
But no one knows where go
When I'm carried away
In the eye of a hurricane
I have no fear
There's a certain kind of peace here
When we sleep, it's
Where I dream
And it all makes sense to me
When people run for cover
But I stand out
And shout in to the sky to
Santana cantava com tanta paixão e sempre foi assim todas as vezes que cantava. Sua voz era linda e se alguém estivesse ali para ouvi-la com certeza ficaria impressionado.
Carry me away
In the eye of a hurricane
City sleeps below
But no one knows where go
When I'm carried away
In the eye of a hurricane
I have no fear
There's a certain kind of peace here
You said you'll teach me
How to disappear
The bells ring out
You'd tried but couldn't find me here
So you kept on searching
But you're the one whose lost
And I'm flying over houses and farms
And I'm never coming down
I'm never coming down
Carry me away
In the eye of a hurricane
City sleeps below
But no one knows where I go
When I'm carried away
In the eye of a hurricane
I have no fear
There's a certain kind of peace here.
– Wow! – Santana paralisava pela terceira vez naquele dia e assustava ao olhar para cima e encontrar novamente Quinn Fabray parada a sua frente próxima a prateleira. Essa garota está me perseguindo? Santana pensava. – Você canta muito bem, Santana. – A latina arregalou os olhos.
– Como você?
– Como sei o seu nome? – Quinn perguntou e Santana assentiu. – Bom, nós temos algumas aulas juntas eu acho. – A loira brincou sorrindo. – O que você está fazendo aqui?
Santana não sabia se deveria dizer a verdade, até porque, ela odiava quando sentiam pena dela, mas era Quinn a sua frente e ela não conseguia mentir para a loira.
– Alguns garotos do time de futebol me deram um banho de slushie e precisei me trocar. – Santana falava suavemente. – E infelizmente, esqueci de trazer outra blusa reserva, a outra que estava usando está suja e molhada. Aqui é o único lugar realmente quente da escola. – A latina se sentia envergonhada e seus olhos agora já não encaravam mais Quinn.
– Esses garotos são uns idiotas. – Quinn parecia irritada. – Vem. Eu vou te arrumar uma blusa quente.
– N-não precisa. – Santana tentava suar a mais educada e simpática possível. Ela não podia ser vista com Quinn ou a reputação da loira ia por água baixo e Santana não queria que sua amada fosse alvo dos garotos do futebol. – Tudo bem, eu já liguei para o meu pai e ele está vindo me buscar. – Mentira.
Sem dizer nada, Quinn se aproximou da latina se sentando ao seu lado e observando o desenho que Santana trabalhava.
– V-você não precisa ficar aqui se não quiser. – Santana olhava para sua mão e sentiu o ombro de Quinn encostando ao seu, fazendo seu corpo se arrepiar.
– Mas eu quero. – Quinn sorria e Santana começava a acreditar que todo seu dia estava sendo apenas um sonho. Claro que era um sonho. Quinn jamais falaria com ela e muito menos ia querer lhe fazer companhia. Isso é tudo um sonho e quando eu acordar, eu ainda vou estar na minha cama e minha mãe gritando comigo. A latina pensou. – Você desenha muito bem. – A loira comentava e Santana começava a entrar em desespero.
Droga, ela vai ficar aqui me fazendo companhia e vai perceber que menti. Meu pai nunca vai chegar e... Calma, Santana respira. É só dizer que talvez seu pai vai se atrasar ou esquecer de você.
– Obrigada. – Santana voltava sua atenção para seu desenho e Quinn ficava em silêncio ao seu lado.
– Sério, Quinn, você não precisa ficar aqui. Tenho certeza que seu namorado ou suas amigas devem estar te procurando agora e não quero te manter ocupada e. –
– Santana! – Quinn interrompia a latina. – Eu estou aqui porque quero. – A loira sussurrou sorrindo suavemente e as borboletas na barriga da latina começavam a bater asas.
– Mas por que? – Santana perguntava. – Eu não sou ninguém e você é popular e. –
– Você realmente acha que não é ninguém? – Quinn perguntava e Santana franzia o cenho sem entender. – Olha, vamos dizer que eu sempre quis me aproximar de você e sempre achei que te deixaria com medo ou intimidade. Todos me veem como uma garota fria e má, mas não sou assim e já faz um tempo que vejo esses garotos te enchem e depois de hoje, resolvi que talvez pudesse ser um ótimo dia para puxar assunto com você. – No mesmo instante Santana arregalou os olhos.
Realmente, isso é tudo um sonho. A latina pensou.
– Não tem nada de legal ou diferente em mim, pode ter certeza. – Santana falava baixo.
– Isso é o que vamos ver. – Quinn encostava sua cabeça na prateleira olhando para a latina e sorrindo. – É adorável te ver tão tímida, sabia? Sempre te vejo passando por mim de cabeça baixa e seus óculos são meus favoritos. – Santana sentia seu peito acelerando com tudo que ouvia, ela estava animada com isso, mas ao mesmo tempo com medo de que tudo isso fosse algo passageiro. Talvez Quinn só estivesse com pena dela e esteja lá por causa disso. – Eu adoro te ver com aquelas suas camisas de super-herói, principalmente a do capitão America. – Quinn ria baixo. – Isso mostra o quão nerd você é. Aposto que adora ler livros e revistas em quadrinhos. Acertei? – A loira perguntava fazendo Santana sorrir suavemente e assentir sem saber o que dizer. Ela estava em choque com tudo que ouvia e não tinha certeza se confiava em suas palavras. – Eu também adoro ler. Tenho vários livros e adoro essa biblioteca. Meus pais fizeram uma biblioteca em casa e eu e minha irmã aprendemos a ter gosto pelos livros. – Wow, ela tem um biblioteca em casa? Isso deve ser demais. Santana pensava encantada com tudo que ouvia.
– Eu adoro ler e aqui também é meu lugar favorito. – Santana respondia suavemente.
As duas novamente ficavam em silêncio e Quinn observava Santana atentamente, não só com o movimento delicado de sua mão em seu desenho, mas cada traço de seu rosto. Quinn percebia o quão a latina era linda por baixo daqueles óculos e sorria suavemente consigo mesma ao ver o quão adorável Santana era enquanto se concentrava.
– Será que... – Quinn pausava. – Mmm, será que você pode me ajudar com algumas coisas de espanhol? – A loira mordia o canto de seus lábios. – Eu estou com dúvida em algumas coisas e achei que talvez você pudesse me ajudar já que é tão fluente na língua. – Santana não sabia se estava ouvindo direito e rapidamente encontrava os olhos de Quinn ficando em silêncio. – Se você não puder tudo bem, eu me viro e. –
– Claro. – Santana respondia interrompendo a loira. – E-eu posso te ajudar sim, sem problemas. – A latina sorria.
– Ótimo, podemos combinar então amanhã a tarde aqui na biblioteca? – Quinn parecia empolgada, mas Santana preferiu não se animar com tudo que estava acontecendo.
Claro, ela provavelmente só precisa de alguém para ajudá-la. Por que outro motivo ela falaria com você, Lopez? Santana sentia seu peito apertando.
– Mhm, claro. – O tom de voz de Santana já não era tão animado como antes, ao contrário de Quinn que só faltou lhe abraçar.
– Então nos vemos amanhã depois da aula. – Quinn confirmava pela última vez e Santana apenas assentiu voltando para o seu desenho e novamente ficaram em silêncio e Quinn continuava no mesmo lugar.
Ela não tinha certeza do que estava acontecendo, mas sabia que tinha uma razão para Quinn estar sendo tão legal com ela. Claro, ela só queria ajuda. Não quer mais nada, além disso. Afinal, quem ia querer ser amiga de Santana nerd Lopez?
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