Notas iniciais
Oiii gente! O primeiro capítulo recebeu mais review do que eu esperava e então resolvi fazer um segundo capítulo!! Espero que gostem xxxxx

Santana estava em seu quarto, sentada na sua cama com um de seus livros abertos enquanto tentava estudava. A latina estava com um short cinza de pijama, com uma blusinha branca com manga ¾, com seus óculos e seu cabelo amarrado em um bagunçado rabo de cavalo. O relógio marcava quase dez horas da noite e desde quando chegou em casa por volta das seis horas da noite, tudo o que pensava era no seu dia.

Era difícil se concentrar, porque tudo o que ocupava sua cabeça era Quinn sentada ao seu lado por uma hora na biblioteca lhe fazendo companhia. Ela se perguntava se tudo aquilo tinha realmente acontecido. Quinn tinha falado com ela pela primeira vez hoje e até agora tudo parecia um sonho. Claro que em sua cabeça a aproximação de Quinn era apenas por interesse, até porque, a líder de torcida deixou isso bem claro no final da conversa entre elas confirmando pela terceira vez o encontro de estudos que elas teriam no dia seguinte na biblioteca. Na cabeça de Santana, tudo não passou de um simples favor. Quinn precisa de um tutor em espanhol e só a procurou exatamente por isso. Uma líder de torcida popular como Quinn Fabray jamais se tornaria amiga de uma nerd – ninguém – Santana Lopez.

A latina fazia o possível para não se empolgar demais e se precipitar. Quinn não estava ali para fazer amizade. Ela não a procurou por ter achado Santana interessante, mas como poderia? Santana não passa de uma desconhecida nerd que não tem nada além de sua motivação para os estudos, o que é o suficiente para ela mesma. Santana apenas foca em seus estudos porque sabe que são seus esforços que vão levá-la para longe. Seu sonho de ser uma artista é o que lhe faz ignorar tudo o que já lhe aconteceu no passado. É o que lhe faz se manter calma e não retrucar, mesmo que ser alvo dos populares lhe faça sofrer tanto. Depois de tudo o que a latina já passou aprendeu que suas atitudes de agora podem lhe prejudicar no futuro lhe causando um grande dano em sua tão sonhada carreira.

Sua alto-estima não é tão elevada como das outras garotas e é exatamente por isso que não se acha interessante ou linda como seus pais e sua tia sempre falam. Santana não é interessante, não é linda e – nos olhos dos seus colegas de escola – é uma perdedora, por que então Quinn ia se aproximar dela se não fosse para arranjar uma tutora?

Mesmo com seu coração acelerando com a ideia de estar novamente próxima de Quinn amanhã, Santana fazia o possível para não se iludir sozinha e tentava se concentrar em seus estudos.

A latina lia novamente a última página de seu livro prestando mais atenção quando uma batida em sua porta à fez dispersar.

– Mi amor? – Maribel falava suavemente abrindo a porta e colocando sua cabeça para dentro do quarto. – Posso entrar?

– Mama? – Santana sorria colocando seu livro em seu colo. Depois que Maribel foi promovida a Chef raramente quando chegava em casa encontrava sua filha acordada e hoje por ter saído mais cedo, teve a sorte de ver Santana ainda estudando. – Você chegou mais cedo.

– É ótimo te ver acorda, princesa. – Maribel fechava a porta atrás de si e se aproximava sentando ao lado de Santana. – Ultimamente quando passo aqui para te dar um beijo você já está dormindo.

– Eu estava estudando. – Santana encostava sua cabeça em sua cabeceira olhando para sua mãe.

– Como foi à aula hoje? – Maribel e Alejandro sempre faziam questão de saber do dia de Santana. Mesmo que as duas não se encontrassem, no dia seguinte Maribel demonstrava interesse pelo dia da filha.

– Mmm, aconteceram algumas coisas inesperadas, mas normal. – Santana dava de ombros. Sempre era fácil conversa com seus pais. A latina quando se viu sozinha, aprendeu que podia falar sobre o que fosse com seus pais e sua tia Eva.

– Ah é? – Maribel perguntava sentindo um pingo de esperança de que essa “coisa inesperada” tenha sido algo bom. – O que aconteceu?

– Quinn Fabray falou comigo hoje. – Santana tentava não demonstrar a felicidade que estava por dentro, mas ao contrário dela, Maribel não fez questão alguma de esconder o quão surpresa estava pelo amor da vida de sua filha ter finalmente falado com ela. Depois de tudo o que já passaram Santana mais do que ninguém merecia ser feliz. – Mas antes de você se empolgar, ela apenas precisa de ajuda com espanhol, nada demais. – A latina deu de ombros coçando seu nariz suavemente.

– Mijá, isso é ótimo. Essa simples ajuda, pode se tornar em... –

– Em nada, mama. – Santana a interrompia. – Ela só precisa de alguém pra estudar. Ela é Quinn Fabray, a líder de torcida mais popular do colégio e nunca ia querer ser minha amiga ou me conhecer. Eu sou só... Santana Lopez. – A latina encolheu seus ombros olhando para suas mãos e o seu tom de voz era tão... Vulnerável que Maribel sentia seu coração apertar ao ver sua filha dessa forma. Como toda mãe, ela odiava ver sua pequena tão sozinha e sabia que eram por culpa de sua antiga escola que Santana pensava assim de si mesma.

– Santana, não fala assim. – Maribel agora segurava na mão de sua filha carinhosamente. – Mijá, você é inteligente, linda, engraçada e. –

– O que adianta ser tudo isso se ninguém faz questão de conhecer? – Santana balançava sua cabeça negativamente. – Eu levei um banho de slushie porque não deixei um dos jogadores de futebol copiar minha prova, fui empurrada contra o meu armário e minhas costas estão doendo até agora. Passei frio o restante da tarde toda e tive que me manter aquecida na biblioteca até o ônibus chegar. – O tom de voz da latina era de tristeza e os olhos de sua mãe se enchia de lágrimas. – O que adianta ser tudo isso se ninguém faz questão de me conhecer, mama? E quer saber? Também não faço questão alguma de conhecer ninguém. Quinn só conversou comigo porque precisa de ajuda e só, mama. Só isso. Não precisa sentir pena, porque logo isso tudo acaba e eu vou embora daqui. Eu vou ficar bem. – Santana respirou fundo, abrindo um sorriso forçado depositando um beijo na bochecha de sua mãe.

– Mijá... –

– Não mama, eu já te falei, não quero que sintam pena de mim. Não estou naquele colégio para fazer amigos, eu só... Só queria que eles me respeitassem. – A latina agora olhava para seu livro tentando soar como se nada disso a machucasse. – Amanhã depois da aula vou ficar na biblioteca, ajudar Quinn e pronto. Vai ser só isso. – Maribel e Alejandro já tinham feito de tudo para incentivar Santana a se aproximar de outros colegas, mas a garota sempre dizia que ninguém valia a pena, porque todos eram iguais. Ninguém a respeitava e quanto mais longe ela ficasse melhor seria. Seus pais não sabiam mais o que fazer e faziam o máximo para respeitá-la, mas era difícil vê-la dessa forma todos os dias.

– Nós podemos conversar com o seu diretor e. –

– Mama... – Santana a interrompia. – Não. Vai ficar tudo bem, prometo. Sei me cuidar.

– Santana, você sabe que não pode... –

– Eu sei. – A latina a interrompia novamente. – Não se preocupe. – Santana não queria mais falar desse assunto e tudo começa lhe perturbar. Maribel também sabia que quando a latina começava a balançar a perna como um tique nervoso, era sinal de que ela não estava mais se sentindo confortável em continuar a falar. Mesmo odiando tudo isso, Maribel resolveu então mudar de assunto, pousando sua mão sobre a perna de Santana fazendo-a parar.

– O seu pai comentou que você não quer nada de aniversário. – Maribel respirava fundo, tentando sorrir, falando carinhosamente.

– Sim, vocês realmente não precisam fazer ou me dar nada. – Santana falava suavemente. – Afinal vai ser como todos os outros, um dia normal.

– Mmm, mas e se eu disser que tenho uma surpresa para você? – Maribel arqueava sua sobrancelha e no mesmo instante sua filha a olhava curiosa.

– Surpresa? Mama, não precisa me comprar nada.

– E quem disse que vou gastar algum dinheiro? Recebi um telefonema hoje de uma pessoa dizendo que vai estar aqui para o seu aniversário. Que faz questão de mimar e abraçar a única sobrinha que ela tem. – Santana no mesmo instante arregalou os olhos sentindo seu coração acelerando de felicidade.

– Tia Eva? – Santana perguntou empolgada e Maribel assentiu rindo baixo quando sua filha levantava os braços comemorando.

Eva Lopez era a irmã mais nova de Alejandro e por ser solteira, sempre se destacou como uma tia legal, antenada, engraçada e moderna. Quando mais nova ajudava sua cunhada e amiga a cuidar de Santana e ambas desde o inicio tiveram um ótimo relacionamento. Conforme Santana ia crescendo via em sua tia uma melhor amiga e quando a mesma precisou se ausentar se mudando para Nova York foi um choque para Santana que mesmo sendo nova, sofreu com a ausência da tia. Hoje Eva é uma ótima médica que trabalha em um dos melhores hospitais de Nova York. Tem um ótimo apartamento no centro da cidade e apesar de continuar solteira, tem a fisionomia de uma modelo com um corpo lindo. Se não fosse médica, Eva sem dúvidas seria famosa como modelo e para sorte de Santana, a latina puxou a genética da tia, tendo um ótimo corpo que sempre faz questão de esconder entre suas roupas, mesmo que sua tia muitas vezes insista em fazê-la usar blusinhas que mostrem seu abdômen definido por conta de suas aulas de luta.

– Ela disse que faz questão de te trazer um ótimo presente. Inclusive ela me perguntou sobre o que você queria e. –

– Mama! Não! O que você disse? – Santana não gostavam quando gastavam dinheiro com ela, muito menos sua tia que fazia questão de lhe dar presentes caros.

– Pode ser que eu tenha dito a ela que você estava louca para ganhar um celular novo. – Maribel entortava sua boca e Santana paralisava.

– Mama... Não, eu não acredito! – Santana balançava a cabeça. – N-não precisa me comprar nada, ainda mais algo caro. Eu já tenho um celular e. –

– E ele não funciona, mijá. Ele está quebrado.

– Mas mama, eu estava juntando dinheiro para poder comprar outro.

– Mijá, é seu aniversário e você conhece sua tia. Ela vai ficar feliz por estar te dando algo que você queira. – Maribel sorria segurando novamente na mão de sua filha tentando acalmá-la. – Você sabe o quanto nos te amamos, princesa, e precisa aceitar que faríamos qualquer coisa por você. Fazemos qualquer coisa para te ver feliz. – Maribel franzia o cenho aproximando de Santana percebendo o bico suave que a mesma fazia. – Te amo, mi amor. – Maribel sussurrava e sua filha deitava a cabeça em seu ombro.

– Obrigada, mama, eu também te amo. – Santana respondia carinhosa. Ela adorava ficar abraçada com sua mãe antes de dormir. Santana se sentia mais calma e tentava não enlouquecer com seu encontro com Quinn no dia seguinte.

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Após um dia de aula, Santana estava aliviada por não ter levado nenhum banho de slushie naquela manhã. Seu horário de almoço foi tranquilo e ela não tinha encontrado Quinn hora alguma para confirmar se realmente se encontraria na biblioteca como tinham combinado no dia anterior. Ela estava nervosa e contava até dez enquanto caminhava até a biblioteca segurando contra seu peito seu livro de espanhol e seu caderno.

Assim que entrou na biblioteca, foi direto para uma das mesas no canto da sala. Colocou seus livros sobre a mesa, abrindo o mesmo e seu caderno, pegando seu lápis e enquanto esperava, começava a desenhar na última folha nervosa com medo de que tudo isso fosse um sonho e que Quinn não fosse aparecer, mas antes que seus medos se tornassem cada vez mais reais, uma voz rouca e suave a tirou de seu transe.

– Hey. – Quinn estava parada a sua frente, segurando seus livros, se sentando logo ao seu lado. – Você veio. – A loira sorria parecendo estar feliz em vê-la.

– Mm, hey... – Santana sorria suavemente. – Eu vim você precisa de ajuda então...

– Muito obrigada por estar fazendo isso. – Quinn começava a abrir seu livro, pegando seu lápis. – Eu realmente estou precisando de ajuda e ninguém nesse colégio parece ser capaz de me ajudar. – Santana não sabia o que dizer então apenas sorriu.

– Você pode abrir seu livro na página 24. – A latina já estava com o seu livro aberto e Quinn assentiu folheando seu livro. – Certo, vamos começar com algumas coisas mais simples dessa matéria e depois vamos passar para a parte mais difícil até você pegar tudo direito, está bem? – Santana falava suavemente e Quinn apenas continuava assentindo.

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Santana nunca achou que ouvir Quinn falando espanhol seria tão sexy. A latina respirava fundo, tentando conter seu coração todas as vezes que Quinn repetia algo que ela dizia. A voz rouca e suave da loira com sotaque fazia com que a latina sentisse todo seu corpo se arrepiando e era difícil tirar seus olhos dos lábios da mesma. Santana muitas vezes se pegava encarando os lábios rosados de Quinn todas as vezes que a mesma falava. A latina precisava muitas vezes contar até dez antes de continuar.

– Ótimo. Tudo bem se tentarmos fazer uma. –

– Quinn? – Enquanto Santana tentava mudar para o próximo exercício uma voz grossa tirou atenção delas, fazendo-as olharem para a direção da porta.

– Puck? – Quinn sorria suavemente ao ver seu namorado se aproximando e Santana abaixava a cabeça olhando para seu livro. A latina antes mesmo de ver os dois juntos, já sentia seu coração apertando doendo por saber que Quinn era do Noah e que nunca seria dela.

– Hey, baby. – Puck depositava um selinho nos lábios de Quinn.

– Hey, você já está indo? – Quinn perguntava suavemente.

– Já. Você quer que eu te espere?

– Não, não precisa. – A loira respondia. – Eu vou estudar mais um pouco de espanhol e. –

– Tudo bem se você já quiser ir, Quinn. – Santana falava tão baixo que se Quinn não estivesse ao seu lado não teria ouvido. – Nós podemos encerrar por hoje se você quiser.

– Se você quiser, eu te levo então. – Puck sorria e pela primeira vez, Santana percebia que aquele jogador de futebol não a olhava com desprezo. Afinal, Puck era um dos que nunca tinham lhe dado nenhum banho de slushie até hoje.

– Não. – Quinn olhava para Santana. – Está tudo bem, e-eu preciso de mais alguma ajuda se você não se importar. – A loira encontra os olhos da latina que sem dizer nada apenas assentiu.

– Ok então, eu vou indo, porque mama Puckerman deve estar me esperando. – Puck se aproximou novamente de Quinn depositando outro selinho em seus lábios. – Nos vemos mais tarde. Mmmm falou, Santana, certo? – Noah pela primeira vez dirigia sua palavra à latina que o olhou surpresa. – É esse o seu nome, certo? Santana? – A latina assentiu. — Beleza, até mais, Santana. – O garotou sorriu e Santana surpresa não disse nada, apenas acenou timidamente.

– E então, onde estávamos? – Quinn perguntava e Santana voltava sua atenção para o livro no exercício onde pararam.

Não demorou para que o a porta da biblioteca se abrisse novamente e agora um grupo de líder de torcida entrava na sala procurando por Quinn, e assim que a avistaram, se aproximaram surpresas em ver com quem ela estava.

– Ew, Quinn! – Uma das garotas loiras fazia cara de desgosto e Quinn e Santana levantaram a cabeça para olhá-las. – O que você está fazendo com ela? – A garota perguntou apontando para Santana. Geralmente a latina arquearia sua sobrancelha e demonstraria que não estava intimidade com as garotas a sua frente, mas por conta de tudo que já tinha lhe acontecido, Santana simplesmente abaixou sua cabeça começando a escrever como se ninguém estivesse falando com ela.

– Ela. – Quinn falava seria. – Tem nome, e é Santana. – A loira falava irritada. – E tenho certeza que você é esperta o suficiente para ver que estou estudando, Kitty.

– Bom, o seu tempo acabou, porque a treinadora precisa conversar com você agora. – Kitty arqueava sua sobrancelha, parecendo não se intimidar com o olhar de Quinn.

– Diz para a treinadora que eu estou estudando e que converso com ela mais tarde. – Quinn rebatia voltando sua atenção para seus livros.

– Ela não vai gostar nada disso, Quinn. – Kitty continuava insistindo.

– Mmmm... Tudo bem, Quinn. – Ao contrário do que tinha feito quando Puck as interrompeu, Santana começou a juntar suas coisas rapidamente. – Nós terminamos por hoje. Se você precisar de mais alguma ajuda é só me avisar. – A latina deu um sorriso suave e podia notar o quanto Quinn estava furiosa por ter sido interrompida.

– Mas, Santana... – Quinn falava suavemente. – Como eu vou poder falar com você de novo?

– Mm, aqui no colégio? – A latina abraçava seus livros começando a se levantar.

– Certo, mas e um telefone? Celular? Talvez facebook? – Quinn perguntava e Santana olhava para Kitty percebendo que não só ela, mas as outras garotas as olhavam com desgosto. Santana não sabia do porque Quinn ia querer seu contato, até porque, elas poderiam se encontrar no colégio. Tudo não passa de uma simples ajuda, certo?

– E-eu não tenho celular e nem facebook. – Santana falava sussurrando somente para Quinn ouvir. – N-não quero te colocar em encrenca com a sua treinadora. Nos falamos depois. – Antes que Quinn pudesse dizer qualquer coisa, Santana saiu disparada pela porta, apenas ouvindo a loira começando a falar irritada com suas líderes de torcida.

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Santana pegou o ônibus indo direto para a academia onde teria mais uma aula de luta e faria companhia para seu pai, já que não estava com cabeça para ficar sozinha em casa naquela tarde.

A latina teve seu treinou e antes que tomasse banho, ficou na sala de dança ouvindo música e arriscando alguns passos que via em vídeos de aulas online. Ela era boa no que fazia. Aliás, era incrível como uma pessoa tão reservada podia ser boa em tantas coisas. Luta, violão, canto, dança, artes... Santana tinha tantos dons naturais e que infelizmente não fazia questão de mostrar para ninguém além de si mesma. Sempre disse que apenas usaria isso em sua faculdade se fosse preciso, mas a ideia de entrar para algum desses grupos no colégio estava descartada.

Após tomar seu banho a mesma se sentou no sofá lendo seu livro da noite passando tentando terminá-lo, mas antes de chegar às últimas páginas caiu no sono e só se levantou na hora em que seu pai e Jamie a chamaram para fechar a academia às dez horas da noite. Geralmente ela ia mais cedo para casa, porque gosta sempre de deixar a janta pronta para seu pai quando ele chega, mas nessa tarde, o cansaço falou mais alto a fazendo dormir.

Santana sequer teve tempo para comer quando chegou em casa indo direto para seu quarto, trocando de roupa e se deitando para dormir. A garota estava exausta e não teve tempo de esperar que sua mãe chegasse naquela noite.

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Como todas as manhãs a latina tomou um copo de seu café com seus pais e foi para o colégio de ônibus, já que seu pai precisava sair mais cedo e não teria como levá-la. Santana nunca reclamou em andar de ônibus, mas também nunca foi seu favorito.

Assim que chegou ao colégio foi direto para o seu armário, preocupada de como seria seu dia. Cada dia era uma surpresa e ela se perguntava se hoje levaria algum empurrão. Se alguém a ofenderia ou se levaria alguma slushie. Ela se pergunta se Quinn Fabray falaria com ela hoje na aula de espanhol ou se tudo aquilo foi apenas um teatro para ter sua ajuda.

Enquanto colocava sua bolsa no armário e pegava seu livro, sentiu que tinha algumas pessoas atrás dela. Ela não sabia se deveria se virar, até porque estava com medo de que fosse levar slushie logo pela manhã. A latina respirou fundo, fechando seu armário e se virando devagar encontrando três líderes de torcidas a encarando com desgosto. Eram as mesmas que entraram na biblioteca no dia anterior atrás de Quinn.

– Mmm... – Santana entortava sua boca sem saber o que dizer.

– Fique longe da Quinn. – Kitty rebatia. – Ela é popular, é uma das melhores líderes de torcida do nosso time e se alguém a ver com você vai estragar a nossa reputação. – Kitty arqueava sua sobrancelha e Santana apenas a ouvia. – Estamos entendidas? – A latina sabia que não podia deixar ninguém mandar nela e sabia também que não podia se meter em encrencas, mas ela não deixaria essa garota arrogante lhe dizer o que fazer (mesmo ela estando certa). Santana sabia que se vissem Quinn ao seu lado a reputação da garota estaria por um fio.

– Não quero atrapalhar a reputação de ninguém, eu só estava lhe ajudando em espanhol. – Santana falava firme demonstrando não ter medo de Kitty.

– Bom, mas eu sugiro que isso termine, até porque você não ia gostar se nós tomássemos uma providência sobre isso, certo? – Kitty se aproximava de Santana, encarando-a nos olhos e a latina a encarava de volta.

– O que está acontecendo aqui? – De repente a voz na qual Santana tanto ama soava furiosa ao seu lado, fazendo Kitty se afastar.

– Só estava avisando para essa perdedora para ficar longe de você, Quinn. Sei que você não quer sujar sua reputação por causa dela. – Kitty parecia orgulhosa ao falar. Orgulhosa por estar “defendendo” uma de suas amigas, mas Quinn não parecia nada feliz com o que tinha acabado de ouvir.

– Minha reputação? – Quinn se colocava ao lado da latina e Santana podia sentir seu coração saltando por sua boca. – Quem é você para dizer com quem devo andar ou não? – Fabray arqueava sua sobrancelha e Santana podia perceber Kitty e as outras garotas dando um passo para trás. – Fica longe dela, Kitty. Se eu ver qualquer uma de vocês perto da Santana, eu juro que faço da vida de vocês um inferno! – Quinn rebatia e naquele momento, Santana sentia seu coração se apertando ainda mais apaixonado ao ver Quinn lhe defendendo. Ela não sabia se era possível se apaixonar ainda mais, mas tudo aquilo era um sonho. As borboletas em seu estomago começavam a bater asas e Santana agora olhava para a loira furiosa ao seu lado.

Sem dizer nada as três garotas viraram as costas deixando Quinn e Santana sozinhas. A loira fechou seus olhos por alguns segundos respirando fundo, enquanto Santana se afastava de seu armário, abraçando seus livros.

– Mmm, obrigada. – Santana falava suavemente. – Você não precisava ter feito isso.

– Eu sei. – Quinn sorria. – Você vai dizer agora que sabe se cuidar sozinha, mas sei o quanto os jogadores de futebol e algumas das líderes de torcida pegam no seu pé, mas não quero ver minhas amigas fazendo isso.

– Certo. Obrigada. – Santana falava novamente, mesmo sabendo que isso não pararia as líderes de torcida de continuarem pegando no seu pé. A latina sorriu novamente e antes que se virasse para ir a sua primeira aula, Quinn se colocou a sua frente.

– Então, o que você vai fazer depois da aula? – Quinn perguntava adorável, fazendo Santana se perder em seus olhos castanho-esverdeados.

– Nada. – Santana respondia rapidamente. Mesmo que Quinn apenas a tivesse usando para ter aulas de espanhol, a latina não podia negar que adorou ter passado aquele tempo com a loira e o quão sexy foi ouvi-la falando em espanhol.

– Pensei se talvez pudéssemos continuar nossos exercícios de onde paramos? – Quinn encolhia seus ombros e assim que Santana abriu a boca para responder, dois braços forte passavam em volta da cintura de Quinn fazendo-a se assustar ao receber um beijo demorado na bochecha de Noah. Santana olhou para seus pés, porque tudo aquilo era desconfortável e dolorido de olhar. Seu coração apertava tanto que ela mal conseguia ficar perto dos dois. – Puck!

– Hey baby – Noah sussurrava contra a orelha de Quinn que parecia desconfortável com aquilo, tentando sair do abraço de seu namorado.

– E-eu preciso ir. – Santana falou sem tirar os olhos de seus pés e se virou rapidamente desaparecendo no corredor antes que Quinn pudesse dizer alguma coisa.

Sempre foi difícil e dolorido para Santana ver os dois juntos e ela odiava esse sentimento que a fazia querer chorar todas as vezes que via o amor da sua vida nos braços de outro. Ela sabia que isso nunca aconteceria com elas e era o que mais lhe machucava. O fato de que elas nunca ficariam juntas.

A latina correu para o banheiro sentindo seu peito explodindo e seus olhos começavam a se encher de lágrimas. Já era difícil vê-los tão íntimos de longe, agora de perto parecia machucar ainda mais, porque Santana sempre se imaginou fazendo tudo aquilo com Quinn. Lhe abraçando por trás, lhe dando beijos carinhosos no pescoço, na bochecha. Imaginou seus dedos entrelaçados andando pelo corredor do colégio. Imaginou sempre Quinn lhe enchendo de beijos carinhosos contra seu armário. Mas claro que isso nunca passou de um sonho. Santana nunca amou ninguém dessa forma e sempre quando contava como se sentia para sua tia Eva, a mesma fazia questão de piorar tudo dizendo que Quinn era a “the one” da vida de sua sobrinha. A garota sempre chorava antes de dormir pensando na loira e dessa vez, nada parecia diferente.

Seu peito doía tanto que Santana se trancou em uma das cabines do banheiro, fechando a tampa to toilet, colocando seus livros em cima do mesmo e se sentando dobrando seus joelhos contra seu peito e começando a chorar silenciosamente.

Ela odiava tanto aquele lugar, mas sabia que precisava aguentar, porque logo sairia dali e poderia ir embora. Era tão difícil ver Quinn e Puck. Era tão dolorido. Tudo era tão complicado e apesar de saber que logo tudo acabaria ela não sabia até quando seria capaz de aguentar tudo isso em silêncio.

A latina tirou seus óculos e todo o choro que parecia estar engasgado em seu peito começava a sair naquela hora. Seu passado parecia passar em sua mente como um filme. O quanto sofreu bullying em sua antiga escola. O quanto estava sofrendo em seu novo colégio. O quanto seu amor impossível por Quinn lhe machucava. O quanto ser sozinha lhe fazia sofrer, mesmo quando ela dizia que não.

Seus soluços começavam a aparecer e ela deixou que saíssem já que estava sozinha no banheiro. Ela estava perdendo sua aula de espanhol, uma das suas aulas em que teria a companhia de Quinn, mas de que adianta ter a companhia de Quinn se tudo não passa de interesse? Se tudo machuca ainda mais?

– Argh! – Santana batia o pé na porta com tanto força que seu corpo deslizou por cima de seus livros a fazendo cair no chão, batendo seu braço com força contra o toilet. – Droga! – A latina gritou passando a mão no seu braço que começava a latejar. Ela não sabia há quanto tempo estava naquele lugar deixando suas frustrações saírem, mas assim que se levantou a porta do banheiro se abriu e duas garotas entravam rindo.

– As aulas do Sr Schue são tão chatas. – A voz de Quinn soava no banheiro e Santana rapidamente fechava seus olhos se sentando novamente onde estava.

– É por isso que eu não gosto de espanhol. – Brittany falava suavemente. – Lorde T. tentou me ensinar, mas eu nunca aprendo. – Santana não sabia quem era Lorde T, mas não podia deixar de prestar atenção na conversa das duas. – E como estão as coisas entre você e Puck? – Brittany perguntava e Santana sentia as lágrimas caírem novamente contra sua bochecha. Ela não queria ouvir esse tópico da conversa e antes mesmo de saber a resposta seu coração já começava a apertar.

– Estamos bem... – Quinn respondia indiferente.

– E vocês já fizeram sexo? – Brittany perguntava curiosa e dessa vez Santana queria que um buraco se abrisse naquele momento e a sugasse para dentro.

– Brittany! – Quinn começava a rir ao ver o quão direta sua amiga estava sendo.

– O que? Eu quero saber. – Brittany falava inocente. – Da última vez você me contou que ele tentou, mas você não deixou e agora quero saber se vocês já fizeram. – Santana sabia que Quinn sem dúvidas ia responder a essa pergunta, mas ela não queria ouvir. Ela não podia ou tudo ficaria pior. Seu coração despedaçava como se um caminhão estivesse passando por cima dele mil vezes. Seu estômago revirava e ela sentia como se fosse vomitar a qualquer momento. Sua barriga estava vazia naquela manhã e ela mal tinha comido alguma coisa. Santana precisa sair dali antes que ouvisse algo que fosse lhe deixar pior.

– Bom... – Quinn começava a falar, mas antes de terminar a porta de uma das cabines se abriu rapidamente fazendo as duas líderes de torcida pular de susto e Santana passava rápido por elas, arrumando seus óculos em seu rosto e segurando firme seu livro. – Santana? – Fabray olhava preocupada para a porta do banheiro que se fechava. – Santana? – Quinn agora a chamava, saindo correndo do banheiro seguida por Brittany, encontrando a latina virando o final do corredor correndo.

Santana sentia como se sua respiração fosse parar a qualquer momento. Estava ficando cada vez mais difícil para respirar e ela não sabia o que fazer. Seu peito apertava e as lágrimas não paravam de cair. Ela corria em direção à porta, passando por corredores vazios e por um segundo ouviu a voz de Quinn lhe chamando, mas ela não queria olhar para trás. Tudo estava doendo demais e ela parecia estar no seu limite por hoje. Talvez se ela deitasse em sua cama tudo ficaria melhor até amanhã. Claro, ela precisava ficar sozinha e deixar que toda essa dor saísse assim como ela fazia algumas noites antes de dormir.

A latina finalmente chegou à porta do colégio, abrindo com força, enquanto corria. Sua visão estava embaçada com as lágrimas que insistiam em cair e ela mal conseguia ver para onde estava indo. Seus pés apenas queriam tirá-la daquele lugar. Do lugar onde todos pareciam odiá-la.

Enquanto ela corria podia sentia o vento gelado queimando seu rosto molhado, suas mãos sem luvas congelavam com o frio. Ela não sabia em qual distância estava do colégio, mas pode ouvir novamente a voz de Quinn lhe chamando e sentiu seu coração acelerando desesperado com medo de que a loira se aproximasse e tentou acelerar, mas com sua visão tão embaçada, não percebeu onde estava correndo e antes que desse por si ouviu Quinn gritando seu nome com tanto desespero que ao olhar para trás, apenas sentiu um forte impacto fazendo seu corpo subir e deslizar para o chão com força. Ela não sabia o que tinha acontecido até realizar que todo seu corpo começava a doer assim como sua cabeça. Seus olhos queriam se fechar e tudo o que ela viu antes de dormir, foi o amor da sua vida chamando pelo seu nome pela última vez.

Notas finais
Recebi uns comentários sobre quem seria passiva e quem seria ativa na história. Eu já respondi em particular, mas vou comentar aqui também porque gosto de dar toda a atenção possível para vocês leitores, e também porque vocês arrasam e merecem. Bom, geralmente eu prefiro deixar para escolher isso no momento. Não classifico uma só sendo passiva ou ativa, gosto de distribui essa função para as duas. A minha escolha parte do momento em que ela estão na "cena". Se é briga, algo romântico... Escolho a partir daí. Espero que isso não desanime ninguém e que possam dar uma chance para a história. Talvez pode até ser que eu diferencie mais nessa, até porque É algo diferente do que estou acostumada escrever, então gente, é só o começo, deem uma chance!!! :( Amo minhas(meus) leitores(as) que sempre me acompanham e sejam bem-vindo os novos. Espero que essa história agrade vocês. Obrigada pelos reviews, gente!!! Review??? xxxxx