Hurricane
3 I'm sinking inside
Notas iniciais
– Onde ela está? – Maribel entrava as pressas no hospital, seguida por seu marido, procurando por sua filha, desesperada.
Logo após o acidente, Brittany foi quem chamou por ajuda e em poucos minutos uma ambulância levava Santana para o hospital mais próximo, enquanto Quinn a acompanhava para não deixá-la sozinha.
A latina continuava inconsciente quando chegou ao hospital e já fazia mais de vinte minutos que ninguém sabia do estado da garota.
Maribel estava desesperada por não acreditar que isso estava acontecendo com sua pequena. Depois de tudo o que a mesma já passou isso não poderia ter acontecido. Santana não merecia isso, por que ela não pode simplesmente viver a vida dela normalmente sem que nada atrapalhasse?
A atendente da recepção lhes enviou para a sala de espera ao lado da sala de emergência na qual os médicos estavam examinando Santana. Ao chegar lá Maribel ficou surpresa ao ver quem estava sentada chorando assustada acompanhada de outra garota. A mãe de Santana olhou para seu esposo sem entender, mas com toda essa situação, decidiu que deixaria aquela garota para mais tarde.
– Alejandro, ligue para sua irmã. – Maribel falava com seu marido chamando atenção das outras duas dentro da sala. – Eu quero Eva aqui conosco, quero que sua irmã cuide da nossa filha. – Maribel chorava em silêncio e seu esposo apenas assentiu se retirando da sala.
Enquanto Maribel andava de um lado para o outro, as duas garotas se olhavam sem saber o que fazer. Brittany sabia que aquela era a mãe da Santana, até porque, as duas eram idênticas. Quinn não sabia o que dizer, mas sabia que também precisava fazer alguma coisa, afinal, ela estava com Santana na hora em que tudo aconteceu.
Sem dizer nada, Brittany apertou carinhosamente a mão de sua amiga indicando que estava tudo bem e ambas se levantaram indo em direção a latina que tentava se acalmar.
– Mmm... Senhora Lopez? – Quinn falava suavemente e Maribel as olhava. – E-eu sou Quinn Fabray e essa é minha amiga Brittany Pierce. Nós tentamos fazê-la parar e conversar, mas Santana foi mais rápido e de repente tudo aconteceu sem que pudéssemos ajudá-la. – Quinn começava a chorar novamente e Maribel sentia seu coração apertando pensando em Santana. — Me desculpe, senhora Lopez, nós realmente tentamos fazê-la parar. – Quinn passava a mão em seu rosto e Brittany apenas assentia passando seu braço em volta de sua amiga.
– Está tudo bem, querida. – Maribel falava carinhosa. – Nada disso é culpa de vocês. – Lopez sorria e as garotas apenas assentiam.
Maribel não podia negar que estava surpresa em ver Quinn e sabia que seria grosseiro perguntar o que a mesma estava fazendo ali já que sequer conhecia sua filha. Será que as duas estão se tornando amigas? Maribel pensava e seu coração apertava torcendo para que isso fosse verdade. Tudo o que ela mais queria era que Quinn visse o quão maravilhosa sua filha era e que as duas pudessem finalmente se entender.
As três sentavam uma do lado da outra quando Alejandro voltou para a sala olhando confuso para Maribel que apenas balançou a cabeça para que ele não perguntasse nada.
– Eva vai pegar o primeiro voo para Lima essa noite. – Alejandro comentava.
– Diós mio. – Maribel começava a falar frustrada. – Por que essas coisas continuam acontecendo com a nossa filha, Alejandro? Por que ela simplesmente não pode ser feliz?
– Mi amor, não fala assim. – Alejandro se aproximava abraçando sua esposa. – Você sabe o quanto Santana é feliz.
– Ela é? Eu não consigo vê-la tão feliz, mi amor. – Maribel chorava, fazendo Quinn e Brittany prestarem atenção no casal. – Ela é sempre tão sozinha e isso me machuca. Como mãe me machuca vê-la tão sozinha o tempo todo. Você acha que ela é feliz por sofrer bullying dessa forma? Se eu pudesse livraria minha pequeña de tudo isso. – Maribel deitava sua cabeça no peito de Alejandro sendo consolada pelo mesmo.
Ao ouvir o sofrimento de Maribel, Quinn sentia seu coração apertando. Ela já tinha visto Santana ser empurrada nos corredores. Levado slushies por alguns jogadores e naquele momento se arrependia por nunca ter se aproximado dela antes. Por nunca ter lhe ajudado nas horas em que ela mais parecia precisar. Quinn se sentia mal por ter deixado tudo isso chegar tão longe e se sentia culpada por tudo o que estava acontecendo.
– Senhor e senhora Lopez? – Um dos médicos entrava na sala, fazendo todos olharem para ele.
– Eu sou o doutor Blanchard. – O médico estendia sua mão para cumprimentá-los.
– Por favor, doutor nos diga como está minha filha. – Maribel perguntava apreensiva.
– Bom, Santana levou uma bela pancada ao ser atropelada a deixando inconsciente. Foi um grande susto, mas fizemos todos os exames e não constatou nenhuma fratura ou qualquer sangramento interno. – O doutor falava tranquilamente e os quatro pareciam respirar aliviados com a notícia. – Sua filha é uma lutadora e passa bem. Ela está apenas com alguns arranhões no braço esquerdo e em seu rosto, mas não é nada grave. Não vai deixar nenhuma marca ou sequela. – Blanchard sorria, mas logo seu sorriso diminuía e Quinn podia perceber ficando preocupada. – Mmm... Senhor e Senhora Lopez, Santana continua inconsciente, nós já fizemos exames para saber o que a mantinha assim e felizmente não achamos nada grave, como tinha tido antes e todos seus sinais mostram que tudo vai depender dela para que recupere a consciência. Seus sinais vitais estão ótimos, mas ela aparenta estar em um tipo de transe no qual seu cérebro se recusa a voltar ao mundo real. Seu corpo não parece lutar para que isso aconteça, apenas para que ela continue viva e bem, mas a vontade de acordar parte apenas de sua filha e infelizmente ela não aparenta estar lutando para isso. – No mesmo instante Maribel arregalou os olhos apertando com força a mão de seu marido.
– E o que isso significa? – Alejandro perguntava.
– Bom, senhor Lopez, enquanto ela continuar inconsciente vamos fazer o possível para mantê-la saudável, alimentada e bem cuidada. Como eu disse, os sinais vitais de Santana estão ótimos, o choque não lhe causou nenhum dano físico ou interno... Mmm... Deixe-me lhe explicar de uma maneira mais fácil. Santana está inconsciente por vontade própria. Porque seu cérebro quer assim e para acordar vai depender somente dela. – Doutor Blanchard terminava de falar e no mesmo instante, Maribel começava a chorar desesperada.
Claro que Santana não queria voltar. Ela tinha uma família ótima, era uma ótima garota, mas ninguém fora de sua casa dava valor a ela. Ninguém fazia questão de conhecê-la e ninguém a respeitava. Sofria bullying todos os dias. Já tinha passado por algo horrível em sua antiga escola, o amor de sua vida estava com outro e nunca ficaria com ela. Ela sofria e chorava todas as noites por ser tratada como uma ninguém. Por que ela ia querer voltar para um mundo onde vivia sozinha? Para um mundo onde ela mais sofria do que era feliz? Sua família se esforçava, Santana reconhecia isso e os amava de coração, mas sabia que não era especial. Na escola diziam palavras que a machucavam, agiam de maneira que a machucavam. Fora de casa ela sempre se machucava, então por que ela voltaria para tudo isso? Por que ela iria querer uma vida assim de volta? Ela não tinha amigos. Não tinha Quinn... Sua vida era sofrida e ela estava exausta. Exausta de não ser reconhecida por pessoas que não fossem seus pais e seus avós. Estava exausta por ser taxada como uma nerd Zé ninguém. Tudo era cansativo. Claro que Santana não queria voltar.
– Nós podemos vê-la? – Maribel perguntava e o médico assentia.
– Senhora Lopez? – Quinn chamava pela mãe de Santana antes de deixá-la ir. – Tudo bem se ficarmos esperando aqui?
– Querida, está tudo bem. Vá para casa, tome um banho e quando se sentir melhor pode ter certeza que Santana vai ficar feliz em recebê-la. – Maribel falava carinhosa e Quinn assentiu sabendo que Lopez tinha razão.
Quinn estava suja e com frio. Suas mãos estavam congelando e seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar. Ela se sentia mal por tudo que tinha acontecido e depois de ouvir o que o médico tinha dito, sua culpa aumentou. Ela queria se bater por não ter se aproximado de Santana antes. Queria poder fazer alguma coisa para que a latina voltasse querer acordar. Queria mostrar para Santana que ela agora estava lá e que não ia a lugar algum. Que Quinn ia protegê-la e não deixar ninguém empurrá-la ou lhe acertar slushies. Quinn queria mais do que nunca se aproximar da latina. Ela sempre via Santana de longe, mas imaginava que assustaria a garota se aproximando dela. Que deixaria Santana apreensiva. Que talvez a latina fosse reservada demais para conversar com ela.
A verdade é que Quinn sempre reparou em Santana, mas nunca imaginou que a garota sofria tanto a ponto de sequer não querer acordar por seus pais. Quinn precisava fazer alguma coisa e não sairia do lado da latina. Ela deixaria toda essa bobagem para trás e faria o que fosse para se aproximar de Santana, mas não por dó, mas sim porque sempre teve vontade de conhecê-la. Seu jeito misterioso a deixava curiosa e agora ela sentia seu coração disparado de medo. Disparado e apertando com sentimento de carinho e respeito pela Latina que ela mal conhecia.
Xxxx
Maribel e Alma estavam sentadas na cadeira próximas a Santana, enquanto a observavam dormindo. Santana aparentava estar tranquila e dormindo pacificamente. Maribel passava sua mão acariciando o cabelo de sua filha sem tirar os olhos da mesma na esperança de que Santana fosse acordar a qualquer momento. Seus olhos estavam fixos no rosto tranquilo da garota pedindo mentalmente que ela acordasse.
Alma estava do outro lado da cama de Santana segurando firme na mão de sua neta, de cabeça baixa rezando para que sua neta abrisse os olhos. Rezando para que todo esse tormento acabasse e que sua única e doce neta pudesse viver sua vida em paz.
– Abre os olhos, mi amor. – Maribel sussurrava próxima a orelha da filha. – Eu sei o quanto é difícil pra você, mas não desisti, princesa. Abre os olhos. Volta, porque eu prometo que farei o possível pra que daqui em diante tudo se torne melhor. – Maribel passava seus dedos suavemente entre as mechas do cabelo da latina. – Eu te amo tanto, pequeña e nós precisamos de você.
O relógio marcava quase dez horas da noite quando a porta do quarto se abriu e o avô de Santana entrava no quarto com dois copos de café.
– Trouxe café para vocês. – Carlos se aproximava das duas mulheres. – Alejandro já foi até o aeroporto buscar Eva e devem chegar aqui a qualquer momento.
– Obrigada, Carlos. – Maribel sorria colocando seu copo de café no criado mudo ao lado da cama da latina.
– Tem duas garotas do lado de fora na sala de espera dizendo serem amigas de Santana. – Carlos comentava fazendo Maribel olhá-lo. – Elas perguntaram se podiam entrar, mas pedi que esperassem você decidir, Maribel. – A mãe de Santana franziu o cenho por alguns segundos antes de se lembrar de que tinha dito que Quinn e Brittany poderiam voltar para ver sua filha. Maribel sabia que Santana ficaria feliz em ver que Quinn realmente tinha voltado e decidiu que as deixaria entrar.
– Claro, elas podem entrar. – Maribel sorriu e Carlos assentiu saindo do quarto para buscá-las.
– Quem são? – Alma perguntava.
– Brittany e Quinn. – Maribel respondia sem tirar os olhos de sua filha. – Quinn Fabray. – Alma abriu um sorriso enorme ao saber que o amor da vida de sua neta finalmente parecia se aproximar da mesma. Ela sempre soube do amor de Santana por Quinn e sempre torceu para que sua neta pudesse ter sua tão sonhada chance com Quinn Fabray.
– Senhora Lopez? – A voz suave de Quinn soava timidamente no quarto, fazendo Maribel e Alma olharem em sua direção. As duas loiras se aproximaram das latinas suavemente.
– Quinn, Brittany. Essa é minha sogra Alma. – Maribel apresentava a avó de Santana e as duas garotas a cumprimentaram educadamente.
– C-como ela está? – Brittany perguntava se aproximando da cama segurando um unicórnio de pelúcia.
– Estável. – Alma respondia. – Os médicos disseram que ela continua na mesma.
– Não se preocupe senhora Lopez, Santana vai acordar logo. – Brittany falava inocente fazendo as duas latinas sorrirem. – A partir de hoje, eu e Quinnie vamos cuidar dela e ninguém mais machucá-la.
– Obrigada, Brittany. Isso com certeza vai fazer muito bem a minha Santana. – Maribel sorria ao ver o quão inocente e sincera Brittany estava sendo. – Vejo que você trouxe um unicórnio. – Maribel comentava.
– Trouxe. – Brittany estendia o urso de pelúcia entregando para Maribel. – Espero que ela goste. Unicórnios são meus favoritos, eles sempre me deixam feliz e tenho certeza que eles também vão ajudar a Santana.
– Obrigada, querida. Tenho certeza que vai. – Maribel colocava o unicórnio ao lado da cama de Santana, percebendo que Quinn estava com seus olhos fixos em sua filha.
Desde quando foi para casa, Quinn não conseguia pensar em outra coisa a não ser em Santana. A loira foi às pressas tomar banho e se trocar para que pudesse passar mais tempo com a latina sem deixá-la sozinha mesmo sabendo que Maribel estaria lá. Quinn ficou aliviada ao ver que seus pais não estavam em casa e saiu sem que os mesmos lhe atrasasse com milhões de perguntas.
A loira saiu tão rápido de casa que por um segundo esqueceu que Brittany também iria lhe acompanhar. Ela estava tão preocupada com a latina que ninguém lhe importava mais naquele momento do que Santana.
Fabray olhava fixa para Santana sentindo seu coração apertar ao vê-la tão frágil e vulnerável naquela cama. Seu coração apertava por saber que não podia fazer nada naquele momento que fosse ajudá-la. Que fosse fazê-la acordar. Quinn não sabia exatamente como Santana se sentia todos os dias, mas ao saber que a própria latina não queria acordar a fazia querer colocá-la em seus braços e protegê-la até o momento em que ela se sentisse bem.
Quinn não sabia de onde ou porque estava sentindo tudo isso, mas sabia que não podia ignorar o fato de que uma garota tão interessante como Santana pudesse estar passando por tudo isso.
– Maribel! – A porta no mesmo instante se abriu tirando Quinn de seu transe encontrando outra latina entrando as pressas no quarto. Maribel rapidamente se levantou abraçando a mulher começando a chorar novamente.
Quinn não pode deixar de notar o quão linda a outra latina era. A mesma usava uma calça vermelha justa, com um scarpin preto, uma blusa preta e um casaco da mesma cor. Seu cabelo estava solto e era como se essa mulher tinha acabado de sair de uma capa de revista latina.
– Eva. – Alma se levantava indo de encontro a sua filha.
– Como ela está? Alejandro me contou o que os médicos disseram. – Eva se virava para Maribel novamente.
– Eu sinceramente não sei o que fazer, Eva. – Maribel tentava se acalmar. – Já pedi que ela voltasse pra mim, mas ela não reage.
– Nós vamos dar um jeito nisso, está bem? Tudo o que ela precisa é saber que estamos aqui. – Eva falava suavemente e agora notava as duas garotas loiras no quarto.
– Oh, — Maribel se colocava ao lado de sua cunhada para apresentar as garotas, sabendo exatamente o que Eva estava pensando. Obviamente ela estava surpresa como todos os outros por saber que duas garotas do colégio de Santana estavam lá, afinal sua tia sabia o quão sozinha a garota era e nunca imaginou que encontraria alguém de fora da família. – Essas são Brittany Pierce e Quinn Fabray. Estudam no mesmo colégio de Santana e estavam com ela na hora do acidente. – Assim que Maribel pronunciou o nome de Quinn, Eva arqueou sua sobrancelha abrindo e fechando sua boca como um peixe.
– É um prazer conhecê-las e é ótimo saber que Santana tem amigas. – Eva comentava sem tirar os olhos de Quinn.
– Mmm... É um prazer conhecê-la senhora... – Quinn falava educada.
– Oh, senhorita Lopez, mas isso me faz sentir velha, então podem apenas me chamar de Eva. – A tia de Santana gesticulava com a mão fazendo as garotas sorrirem. – Bom, mama e Maribel, Alejandro me contou que vocês estão aqui há horas e eu sugiro que vocês vão para casa, tomem um banho, descanse, comam alguma coisa, porque agora quem vai ficar com minha little monster sou eu. – Eva batia palma percebendo o olhar de Maribel. – Não, Bel. – Eva falava suavemente. – Você precisa descansar, amiga. Pode ir que eu vou cuidar bem dela e prometo que qualquer novidade te ligo.
– Eva... – Maribel voltava a olhar para Santana.
– Bel, pode ir. Ela vai ficar bem.
– Mijá, você tem certeza? – Agora era Alma quem entrava na conversa. – Você acabou de chegar de viagem e. –
– Mama, estou bem. Podem ir, prometo que ligo. – Maribel hesitou por alguns minutos antes de concordar. A latina não queria deixar sua filha, mas sabia que precisava tomar um banho e comer, até porque, ela estava com seu uniforme do restaurante e precisava descansar. Ela confiava em sua cunhada e sabia que Santana estaria em ótimas mãos.
– Está bem. Obrigada, Eva. Obrigada por ter vindo. – Maribel agradecia sua cunhada lhe abraçando pela última vez.
– Não precisa me agradecer, está bem? Você sabe que faço tudo por Santana. – Eva sorria depositando um beijo na bochecha de Maribel e se despedindo também de sua mãe.
Por ser médica, Eva sabia o que estava acontecendo com sua sobrinha e sabia que Santana ficaria bem. Claro que ela estava preocupada, até porque, Eva sabia do quão difícil estava sendo para Santana e temia que a garota entrasse em coma, mas Eva também sabia que sua sobrinha era uma lutadora e assim que souber que todos estavam ali por ela, Santana acordaria e voltaria para todos eles.
Assim que Alma e Maribel saíram, Eva se viu sozinha com sua sobrinha e as duas garotas que ficaram em silêncio sentadas no sofá durante todo o tempo. Eva não conseguia tirar os olhos de Quinn ao ver o quão linda a loira era. Santana sempre a descrevia bem, mas Eva nunca imaginou que Quinn era tão linda.
– Então vocês são amigas da Santana? – Eva se sentava na cadeira onde Maribel estava, quebrando o silêncio no quarto.
– N-nós temos algumas aulas juntas. – Quinn falava suavemente. – E ela estava me ajudando com a matéria de espanhol.
– Eu não tenho aula junto com ela, mas sempre a vejo na cafeteria. – Brittany comentava.
– Minha little monster é ótima em espanhol. – Eva sorria passando sua mão pelo cabelo de Santana. – Ela ultimamente é tão sozinha, confesso que fiquei feliz em vê-las aqui.
– Eu não consigo imaginar o quanto deve ser ruim ser sozinha, mas de agora em diante vamos sempre estar com ela. – Brittany comentava.
– Isso é ótimo. Santana já sofreu tanto que é difícil vê-la tão sozinha. – Eva agora olhava para sua sobrinha acariciando a bochecha da mesma.
– Ela vai acordar, não vai? – Quinn perguntava com seu coração apertado.
– Pode demorar um pouco, mas ela vai sim. – Eva sorria virando-se para encontrar o olhar de Quinn. A médica queria tanto contar tudo o que Santana já tinha lhe dito sobre Quinn, mas sabia que se fizesse isso sua sobrinha jamais confiaria nela novamente. Eva queria contar o quanto Santana era apaixonada por Quinn, mas ela era a única pessoa em quem Santana confiava 100% e não queria perder o relacionamento de confiança que tinha com sua única sobrinha. – Santana ficaria feliz em saber que vocês estão aqui. – Eva sussurrou olhando intensamente nos olhos de Quinn, abrindo um sorriso de lado antes de voltar sua atenção para sua sobrinha deixando uma confusa Quinn Fabray tentando organizar seu pensamento.
Quinn queria se aproximar da cama, poder segurar a mão de Santana e pedir que ela acordasse. Pedir que ela abrisse os olhos e não tivesse mais medo. A loira queria confortar Santana para mostrar o quanto ela se importava, mas tudo era desconfortável com Eva junto delas e Quinn se sentia sufocada por não poder se aproximar.
As horas estavam passando e Quinn sabia que logo precisaria ir embora. Ela olhava para Santana intensamente, enquanto Brittany se conversa com Eva. Fabray sabia que seus minutos ali dentro estavam acabando e ela precisava fazer alguma coisa ou passaria dias arrependida por não ter ajudado Santana.
A loira respirou fundo, contando até dez e se levantando pensando focada apenas no que estava prestes a fazer. Ela sabia que Eva estava lhe olhando, mas continuou se aproximando até se colocar ao lado de Santana, pegando na mão da latina cuidadosamente.
– Mm hey San. – Quinn falava suavemente se sentando na cama ao lado da latina. – Mm... Eu só queria dizer que você precisa acordar, está bem? Seus pais, seus avós e sua tia estão muito preocupados e assustados e... – Quinn pausava passando seu polegar sobre a mão de Santana. – E-eu também estou muito preocupada. Você precisa voltar, está bem? Seja lá o que estiver acontecendo com você, eu prometo que tudo vai acabar, porque eu vou cuidar de você, está bem? Eu prometo que vou. Me desculpa por não ter feito isso antes. – Quinn pausava novamente e Eva mesmo conversando com Brittany não tirava seus olhos de Quinn. – Me desculpe por não ter me aproximado antes, mas agora eu estou aqui e tudo isso vai mudar. Você precisa acordar, Santana. Não precisa ter medo. – A loira sussurrava acariciando a mão da latina enquanto ficava em silêncio.
– Quinnie bear. – A voz de Brittany a tirava de seu transe fazendo-a olhá-la. – Nós precisamos ir. Está tarde e tia Eva precisa descansar. – Tia? Quinn pensou olhando para a latina.
– Claro. – Quinn sorriu e antes de se levantar, depositou um beijo na bochecha de Santana. – Boa noite, San. – A loira sussurrou se levantando.
– Vocês podem voltar amanhã.
– Claro, tia Eva. Nós voltaremos. – Brittany depositava um beijo na bochecha de Eva e em seguida se aproximava de Santana fazendo o mesmo. – Boa noite, Tana. – A loira sorria estendendo sua mão para Quinn.
– Mmm... Boa noite, Eva. Obrigada por ter nos deixado ficar. – Quinn falava educada, segurando na mão de Brittany. – Foi um prazer conhecê-la.
– Imagina, Quinn. – A tia de Santana se aproximava de Quinn lhe dando um abraço apertado. – Foi um prazer conhecê-la, querida. Boa noite.
– Boa noite, Eva. – Fabray sorria educada e logo as duas amigas já não estavam mais no quarto, deixando Eva sozinha com sua sobrinha.
– Wow, little monster... – Eva brincava se sentando na cadeira novamente ao lado de Santana. – Você me disse que Quinn era linda, mas nunca me contou que ela era linda. – Eva depositava um beijo demorado na bochecha da latina. – Trate de acordar, porque temos muito que conversa, está bem? – A médica agora falava carinhosa, voltando a acariciar a testa de sua sobrinha.
Xxxx
O relógio marcava cinco horas da manhã quando Maribel voltou para o hospital encontrando sua cunhada dormindo na cama ao lado de Santana lhe abraçando. As duas dormiam tranquilas e pareciam apenas duas irmãs grudadas uma na outra.
Maribel sorriu suavemente se aproximando da cama, tirando o cabelo de Santana de seu rosto e em seguida olhava para Eva agradecendo mentalmente por ter sua amiga para ajudá-la. Maribel tinha um grande carinho pela irmã mais nova de seu esposo e no momento em que se conheceram viraram grandes amigas. Eva é extrovertida, mas uma latina esquentada que protege todos a sua volta. Ela pode não ser alta como seu irmão, mas não tinha medo de nada. Enfrentava quem fosse para proteger seus amigos e sua família.
A latina se sentou no sofá a frente da cama, sem tirar os olhos de Santana. Maribel não pretendia ter dormido quando chegou em casa, mas após tomar um banho, seu corpo relaxou a fazendo cair no sono assim que se deitou na cama por alguns segundos. A mãe de Santana acordou no susto às quatro horas da manhã, se trocando rapidamente para voltar e ficar ao lado da filha.
Assim que Alejandro entrou no quarto, balançou a cabeça abrindo um sorriso ao ver sua irmã caçula tão possessiva ao lado de sua filha. Ele sabia que a relação das duas era como duas irmãs, mas mesmo assim continuava se surpreendendo com o modo que sua irmã cuidava de Santana.
– Mi amor, acho que Eva deveria ir para casa e descansar. – Maribel sussurrava para não acordá-las. – Sua irmã chegou de viagem e mal teve tempo para trocar de roupa.
– Deixe que ela descanse mais um pouco e logo a acordo para levá-la em casa. – Alejandro se sentava ao lado de sua esposa, passando seu braço por trás de sua cabeça no sofá. – Santana vai ficar feliz em vê-la aqui.
– Santana sofreu muito quando sua irmã foi embora. Sei o quanto ela sente falta de ter a tia por perto.
– E não tenho dúvidas de que Eva também sente falta da Tana. Não é a toa que insisti para ela ir passar o winter break em Nova York.
– É difícil ver Santana tão sozinha. – Maribel deitava sua cabeça no ombro de seu marido. – Confesso que fiquei confusa ao ver Quinn e Brittany aqui, mas ao mesmo tempo fiquei tão feliz, mi amor. Tão feliz em ver que finalmente Quinn parece estar se aproximando de Santana. Nós sabemos o quanto nossa pequena sofre por ser sozinha e principalmente por ser apaixonada por Quinn.
– Nem me fale. – Alejandro agora falava empolgado. – Espero que Quinn continue ao lado de Santana, assim como Brittany. Achei aquela garota divertida, fará bem para nossa mijá.
– Santana precisa voltar, Alejandro. Ela precisa voltar e ver que não está sozinha. Que estamos aqui com ela. Que Quinn finalmente está ao seu lado. – Maribel podia sentir seus olhos encherem de lágrimas sentindo a dor de sua filha. – Ela precisa voltar. Quero minha filha de volta. – Alejandro no mesmo instante abraçou sua esposa, depositando um beijo sobre a cabeça da mesma e ambos ficavam em silêncio esperando o momento em que Santana fosse abrir os olhos.
Xxxx
Naquela manhã, Quinn mal tinha conseguido dormir. Ela rolava na cama sem parar pensando em Santana. No quão frágil a latina estava naquela cama de hospital e rezando para que a mesma acordasse. A loira sentia seu coração lhe dizendo que ela precisava fazer alguma coisa. Precisava mostrar para Santana que ela não está sozinha e que tudo ficaria bem.
Enquanto estava no colégio, Quinn foi surpreendida durante o lanche com alguns colegas lhe entregando cartões para que ela enviasse para Santana. Ela sempre achou que a latina fosse sozinha e que ninguém a conhecia, mas depois do acidente, alguns – outros nerds – do glee clube se aproximaram dela pela primeira vez pedindo que ela os informasse onde a latina estava. Quinn não podia mentir que sentia raiva por tudo aquilo. Todos pareciam apenas se importar agora, ninguém se importou quando Santana foi empurrada contra seu armário, quando levou slushie ou quando sofreu bullying pelo corredor do colégio e agora todos pareciam demonstrar preocupação. Claro que essa raiva sumia quando ela mesma se sentia culpada por não ter se aproximado da latina antes e ter lhe ajudado. Todos esperaram que a situação de Santana piorasse para se importar e isso era doloroso.
– Hey baby – Puck se aproximava de Quinn lhe dando um selinho rápido nos lábios. – Você está bem? – O garoto perguntou enquanto Quinn estava guardando seus livros antes de ir embora.
– Mhm... Só estou preocupada. – Quinn abriu um meio sorriso.
– Santana, huh? – Puck perguntava.
– Sim, queria ir vê-la novamente no hospital, mas tenho treino das cheerios agora e só vou poder ir à noite. – Quinn fechava seu armário e os dois começavam a andar de mãos dadas pelo corredor.
– Ela vai ficar bem. – Puck falava suavemente. – Tenta se concentrar no seu treino que as horas vão passar rápido e logo você vai poder visitar sua amiga. – O garoto depositava um beijo em sua bochecha.
– Obrigada por entender, Puck.
– Qualquer coisa por você. – Noah respondia fazendo Quinn sorrir. – Nos vemos mais tarde? Posso te ligar?
– Claro. Mais tarde nos falamos. – Quinn depositou um beijo na bochecha de seu namorado sem clima algum para aquele momento e saiu deixando-o sozinho para trás.
Ela gostava muito de Noah, e agradecia por tê-lo como seu namorado, mas seu namoro nunca passou de um simples relacionamento do colégio e ela não podia dizer se o que sentia realmente poderia ser chamado de amor. Talvez fosse apenas carinho, respeito, amizade. Os dois se davam muito bem e Noah a respeitava a todo o momento demonstrando ser um ótimo namorado. Sempre soube cuidar dela e cuidar principalmente de todas suas necessidades. Namorar um quaterback era algo que deixava seus pais felizes e Quinn já estava acostumada com sua vida monotoma. Sua vida na qual sempre se acostumou com a presença de Noah junto dela. Com a presença do seu namorado carinhoso junto dela. Fabray nunca amou ninguém, mas sabia que sua paixão por Noah não chegava ao ponto de ser amor.
Xxxx
Maribel estava sentada ao lado de sua filha, passando a mão em seu cabelo sem conseguir se afastar da mesma. Seu peito doía por ver Santana daquela forma e ela faria qualquer coisa para tomar o lugar da mesma e tirá-la de todo aquele sofrimento.
Eva assim que acordou pela manhã, depois de muita insistência Alejandro convenceu em levá-la para casa para que ela pudesse tomar banho e descansar. O pai de Santana precisou ir para academia, mas logo estaria de volta. Alma e Carlos, os avós de Santana também estariam no hospital daqui à uma hora.
O médico já tinha passado naquela manhã para checar Santana, dizendo que a latina estava bem, mas que infelizmente ainda continuava distante e que não tinham tido nenhuma mudança desde a hora em que chegou.
Maribel rezava sem parar ao lado da filha pedindo que Deus tivesse piedade e que fizesse sua pequena abrir os olhos, que fizesse Santana ver o quão amada ela é e o quanto seus pais precisam dela.
Enquanto Maribel continuava em silêncio ao lado da filha uma batida suave na porta a fez se virar no mesmo instante em que a mesma se abriu revelando quatro adolescentes no qual Maribel nunca tinha visto antes.
– Boa tarde, senhora Lopez. – Uma das garotas falava suavemente. – Desculpe estarmos entrando sem avisar, mas a enfermeira disse que podíamos então...
– Tudo bem. – Maribel se ajeitava na cadeira olhando curiosa para os quatro.
– Mmm, nós... Nós estudamos com Santana. Temos algumas aulas junto com ela. Eu sou Rachel Berry. – A morena baixinha estendia sua mão para Maribel que se levantou para cumprimentá-la.
– Oh... Berry? De Leroy e Hiram Berry? – Maribel sorria ao reconhecer o sobrenome da garota que assentia. – Oh, seus pais são clientes fies do restaurante onde trabalho.
– Oh, a senhora trabalha no Waldorf? – Rachel perguntava.
– Sim, eu sou a Chef.
– Eu adoro aquele restaurante, é um dos meus favoritos. – A garota sorria se virando para seus amigos. – Essa é Mercedes Jones, Tina Cohen Chang e esse é Kurt Hummel. – Todos cumprimentaram Maribel educadamente antes de se aproximarem da cama de Santana.
– Nós somos do glee clube. – Mercedes comentava. – Eu tenho aulas de geometria com Santana, já fizemos um trabalho juntas, mas infelizmente ela não parece deixar as pessoas se aproximarem e não pude continuar sendo sua amiga ou sequer conversar com ela em classe. Ela é sempre muito quieta, senhora Lopez. – Mercedes falava suavemente e Maribel assentia.
– Eu sei, querida e não te culpo por não ter conseguido se aproximar. Minha Santana é difícil de deixar as pessoas entrarem em sua vida.
– Nós ficamos realmente muito preocupados quando soubemos o que aconteceu. – Agora era Kurt quem falava. – Espero que a senhora não se importe por estarmos aqui, porque realmente nos importamos com Santana, mesmo ela não sabendo quem somos.
– Ela é tão sozinha, senhora Lopez, e estamos aqui para mostrar que ela não está sozinha e que nós sabemos quem ela é. – Rachel voltava a falar.
– Queremos mostrar que ela não precisa ficar sozinha, afinal somos todos losers. – Tina comentava fazendo Maribel rir baixo enquanto seus olhos enchiam de lágrimas ao ver mais gente se preocupando com sua filha.
– Diós mio. – Maribel juntava suas mãos sobre seu peito. – Deus ouviu minhas preces e mandou vocês quatro como respostas. – A latina sorria. – Vocês não fazem ideia do quanto fico feliz em vê-los aqui e tenho certeza que Santana também ficará.
– Sei que nossa aparição é repentina, mas acredite senhora Lopez, nossa intenção é a melhor e realmente queremos mostrar para Santana que ela não está sozinha e queremos ajudá-la. – Kurt falava se aproximando de Maribel. – Nós sabemos o quão difícil é ser diferente no nosso colégio, o quão é difícil levar slushie e ser empurrado contra os armários todos os dias, porque nos também sofremos isso, mas nós temos uns ao outros e estamos aqui porque queremos que Santana possa nos ter como apoio. – Maribel ficou encarando os quatro adolescentes sentindo seu coração disparar de felicidade. Tudo o que ela queria era que sua filha finalmente tivesse amigos, tivesse alguém para apoiá-la e depois de tanto tempo torcendo para isso, hoje Rachel, Kurt, Mercedes e Tina aparecem na vida de Santana.
– Obrigada. – Maribel respondia suavemente.
– Nós trouxemos algumas flores. – Tina falava empolgada se aproximando do único vaso sobre o criado mudo do outro lado da mesa de Santana. – Será que alguma enfermeira pode trazer água?
– Pode deixar aí, querida, logo chamo uma enfermeira para trazer outros vasos. – Maribel respondia suavemente.
Os quatro conversaram um pouco com Maribel para saber do estado de saúde de Santana, desejando que a latina acordasse logo para que assim como Quinn, eles pudessem mostrar a ela que tudo ficaria bem e que eles estariam ao seu lado para apoiá-la no que fosse necessário. Maribel se sentia aliviada ao ver que mais gente se importava com sua filha e que a mesma não estava sozinha. Aquele momento com os quatro adolescentes fez com que ela implorasse em pensamento que Santana abrisse os olhos.
Não demorou para que os quatro fossem embora e Maribel estava novamente sozinha com sua filha no quarto voltando a acariciar seu cabelo, quando um dos dedos de Santana se mexeu suavemente fazendo-a arregalar os olhos.
– Mijá? – Maribel falava suavemente perto do ouvido de Santana. – Mijá, por favor, meu amor, abre os olhos, a mamãe está bem aqui e você precisa acordar. Eu preciso de você. Princesa você não vai acreditar quem esteve aqui para te visitar. – Maribel sorria quando uma lágrima caia sobre sua bochecha. – Por favor, mijá, não desiste. – A latina depositou um beijo suave na bochecha de Santana na esperança de que sua filha fosse acordar, mas a mesma não teve sequer qualquer reação naquele momento fazendo sua mãe chorar em silêncio aflita por não saber o que fazer.
– Argh! Eu odeio essas enfermeiras que se acham a dona do pedaço. – Eva entrava no quarto, irritada jogando sua bolsa no sofá fazendo Maribel arquear sua sobrancelha, limpando suas bochechas. – Eu juro que um dia ainda acabo com essas intrometidas. Quem ela pensa que é para barrar Eva Lopez de visitar a sobrinha? – A irmã de Alejandro falava inconformada.
– Acabou? – Maribel perguntava observando sua cunhada. – Ela é enfermeira nova, provavelmente não deve ter ido com sua cara. – A mãe de Santana brincava fazendo Eva revirar os olhos.
– Impossível. Todos vão com a minha cara. – Eva falava orgulhosa, dando de ombros. – Enfim, como ela está? Alguma novidade? – A tia de Santana agora se aproximava da cama, se sentando ao lado da sobrinha, segurando sua mão.
– E-ela mexeu o dedo há alguns minutos antes de você chegar. – Maribel falava empolgada e no mesmo instante Eva olhou para a mão da sobrinha.
– Maribel, isso é ótimo! – Eva apertava os dedos de Santana sem tirar os olhos da garota. – Isso mostra que ela sabe que estamos aqui.
– Hoje mais quatro garotos do colégio vieram vê-la. – Maribel comentava sorrindo. – Você não faz ideia do quão feliz fiquei em vê-los, Eva. Os quatro são do glee clube e disseram que já tentaram se aproximar de Santana em algumas aulas, mas ela nunca deu abertura, sempre se fechou.
– Ela sempre foi assim, Bel. Depois de tudo o que aconteceu no seu último colégio, ela se fechou ainda mais. Parece não confiar em ninguém além de nós.
– E na Quinn, talvez? – Maribel semicerrava os olhos.
– Ah meu Deus, falando em Quinn... Que garota linda, Bel. Santana sempre me contou que ela era linda, mas nunca imaginei que fosse tanto. – Eva comentava. – E parece ser um doce de menina, só espero que essa proximidade dela com Santana não cause nenhum sofrimento para minha little monster ou ela vai ser ver comigo e tenho certeza que ninguém aqui quer conhecer a Eva irritada. – A tia de Santana dava de ombros fazendo Maribel rir baixo.
– Quinn parece ser uma ótima garota e é muito bom vê-la se aproximando finalmente de Santana. Minha mijá merece ser feliz, Eva. Ela realmente merece.
– E ela vai. – Eva acariciava a mão de Santana. – Ela vai ser muito feliz.
– Mmm, com licença? – Uma batida na porta fazia as duas Lopez sorrirem ao ver quem estava entrado. – Espero não estar incomodando.
– Claro que não, Quinn. – Eva gesticulava pedindo que a loira entrasse. – Maribel estava me contando que Santana mexeu um dedo.
– Mesmo? – Quinn falava empolgada sentindo uma pequena dificuldade para respirar.
– Mhm, parece que ela estava começando a reagir. Pode ser que ela esteja percebendo que agora sua vida vai mudar e ela não precisa mais ter medo em ficar sozinha. – Eva podia ver a reação de felicidade de Quinn nos olhos brilhando da garota.
– Isso... – Quinn pausava. – Ela não vai mais ficar sozinha. Eu vou estar aqui para cuidar dela, senhora Lopez. E-eu realmente vou. – Quinn sentia seu coração disparando. – Mmm, alguns alunos me pararam hoje para me entregar isso. – A loira tirava alguns cartões de sua bolsa entregando para Maribel. – São cartões de melhoras. Muitos não a conhecem, mas isso não os impede de se importar, certo? E tenho certeza que se Santana souber disso vai ficar muito feliz e vai ajudá-la a acordar. – Fabray falava com tanta confiança que Eva e Maribel se olharam por alguns segundos sorrindo.
– Eu tenho certeza que isso vai ajudá-la. – Maribel respondia abrindo alguns dos cartões.
Quinn se aproximava da cama, olhando fixamente para Santana se segurando para não se aproximar da garota e acariciar seu cabelo. Ela tinha tanta coisa para dizer, mas ela não conseguia já que Maribel e Eva estavam no quarto. Quinn começava a ficar aflita, respirando fundo contando mentalmente até dez.
– Mmmm... – Eva que não tirou os olhos de Quinn pareceu perceber a reação da mesma e rapidamente soltou a mão de sua sobrinha se levantando da cama. – Bel, você está aqui há muito tempo. O que acha de irmos tomar um pouco de café? Quinn pode ficar fazendo companhia para a Tana e tenho certeza que se tiver alguma novidade ela avisa, certo Quinn? – Eva virava-se sorrindo para Quinn.
– C-claro. – Quinn sentia seu peito disparando ao perceber que finalmente ficaria sozinha com Santana. – Eu aviso e prometo que vou ficar de olho nela. – A loira sorria e antes que Maribel pudesse protestar, Eva segurou na mão de sua cunhada, pegando sua bolsa no sofá e a arrastando para fora do quarto, fechando a porta atrás de si.
A se ver sozinha com Santana, Quinn podia sentir seu estômago revirando, sua respiração falhada e seu coração acelerado. Ela respirava fundo tentando se acalmar, se sentando no lugar de Maribel, segurando na mão da latina, enquanto sua outra mão acariciava o cabelo de Santana, sentindo o quão quente a mesma estava. Seus dedos deslizavam carinhosamente pelas mechas escuras do cabelo da latina, e Quinn começava a falar suavemente.
– Hey, eu sei que você pode me ouvir. – Quinn sorria suavemente, sem parar de acariciar o cabelo da mesma. – Eu sei que já falei isso milhões de vezes, mas eu preciso que você acredite em mim, Tana. Eu preciso que você confie em mim, porque eu prometo que não vou deixar mais nada de ruim acontecer com você. – Fabray acariciava a mão da latina com seu polegar. – Me desculpa por nunca ter me aproximado de você antes, mas eu estou aqui agora, Tana, e ninguém vai fazer nada de ruim contra você, porque eu não vou deixar. Nem que eu precise andar ao seu lado a todo tempo no colégio, não vou deixar mais ninguém te machucar. Você precisa confiar em mim. Sei que não somos amigas, mas você não faz ideia do quanto tenho vontade de me aproximar de você e de te conhecer. – Quinn olhava fixamente para a direção dos olhos da latina na esperança de que a mesma fosse acordar. – Aquele dia na biblioteca você me disse que não era ninguém e que não tinha nada de interessante em você, mas você Santana Lopez é a garota mais interessante que já conheci. Conheço muitas garotas fúteis e você é diferente, Santana. Seu dia não fica ruim se seu batom barrar ou se sua unha quebrar, porque você se importa com coisas maiores. Você se importa com pessoas a sua volta, porque eu vi o modo como você se importou comigo enquanto me ajuda em espanhol. Você é inteligente, engraçada e... – Quinn pausava, deslizando seus dedos sobre a bochecha de Santana. – E você é linda, Santana. Mesmo com aqueles óculos que te deixam super fofa, continua sendo linda, e só idiotas para não notar o quão interessante você é. Não deixe ninguém te dizer o contrário.
Quinn respirava fundo, ficando em silêncio por alguns segundos, enquanto acariciava a mão de Santana e o rosto da mesma carinhosamente. Ela não sabia do porque seu coração acelerava tanto naquele momento, mas Quinn desejava que Santana abrisse os olhos e que pudesse ver o quão ela estava sendo sincera.
– Por favor, Santana. – Quinn falava carinhosa. – Por favor, você precisa acordar. Sua mãe e seu pai precisam de você. Seus avós e sua tia precisam de você, San... – Fabray pausava depositando um beijo na bochecha da latina. – Eu preciso de você aqui, está bem? Preciso que você confie em mim e que me deixe tomar conta de você, porque agora você não está mais sozinha. Você já pode acordar, Tana, não precisa ter medo. – Quinn sussurrava e no mesmo instante, sentiu os dedos de Santana pressionarem contra sua mão apertando lentamente.
Quinn arregalou os olhos sentindo seu peito explodindo olhando fixamente para a mão da latina, esperando que isso não tenha sido uma impressão e sim algo real. Santana realmente apertou sua mão após ouvir sua voz. Isso precisa ser real.
Fabray não sabia o que fazer e enquanto estava hipnotizada apertando a mão de Santana, não notou que a latina começava a movimentar seus olhos lentamente os abrindo, piscando rapidamente antes de deixá-los abertos e percebendo quem estava ao seu lado.
Santana estava tão dispersa por ter ficado horas inconsciente que não tinha certeza se ainda estava dormindo ou acordada. Quinn estava ao seu lado, isso provavelmente deveria ser outro sonho dos milhares que ela teve enquanto dormia. A latina abriu sua boca para falar, mas logo a fechou percebendo que Quinn entrelaçava seus dedos aos dela esperando que Santana tivesse outra reação. Santana fechou seus olhos novamente esperando que seu sonho acabasse, mas ela ainda podia sentir Quinn apertando seus dedos e acariciando seu braço carinhosamente fazendo a latina sentir todo seu corpo se arrepiar com o simples toca da loira e resolveu abrir os olhos novamente e dessa vez, Quinn estava olhando para ela ficando surpresa com o que via.
– Q-Quinn? – Santana finalmente abria sua boca, confusa, e antes que Quinn respondesse, os braços da loira estavam em volta da cintura da latina e a mesma lhe abraçava com força.
– Santana? – Quinn começava a chorar. – Ah meu Deus, San, você acordou. – A loira desencostava sua cabeça do ombro da latina, encontrando os olhos da mesma. – San, eu vou cuidar de você. Eu prometo que vou cuidar de você. – Quinn depositava um beijo na testa de Santana e a mesma não conseguia reagir com tudo aquilo, mas ver Quinn tão feliz em vê-la acordada, fazia seu coração disparar apaixonado. O amor de sua vida estava ali, ao seu lado lhe prometendo que cuidaria dela e naquele momento, Santana se esqueceu do porque estava com tanto medo de recuperar sua consciência.
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