Hurricane

19 Don't mess with her


Notas iniciais
Whoa, galera, atualizando duas fanfics nesse fim de semana, huh? Saudades quando eu conseguia escrever um capítulo por dia, haha. Enfim, espero que vocês gostem desse capítulo.

– Lucy? – Frannie abria a porta do quarto de sua irmã, a encontrando deitada na cama sorrindo para o celular. – Hey... – Frances fechava a porta atrás de si, se jogando na cama ao lado de sua irmã.

– Hey... – Quinn mordia o canto de seus lábios, bloqueando o celular, dando atenção a Frannie.

– E então... Como foi seu dia? Mamãe me contou que você ficou fora o dia inteiro. – Frances arqueava suas sobrancelhas, fazendo Quinn sorrir ainda mais.

– Passar à tarde com a Santana. – Quinn respondia suavemente, fazendo Frannie sorrir.

– E como foi? O que vocês fizeram? Oh, acredito que ela seja o motivo por esse sorriso bobo nos lábios. – Frances apertava a bochecha da irmã, a fazendo rir.

– Sim. Pode se dizer que Tana é o motivo sim. E a tarde foi ótima, Frann. Ela é tão... Carinhosa e ao mesmo tempo parece ser tão frágil. Foi muito difícil ter que voltar para casa e deixá-la sozinha. – Quinn ajeitava o travesseiro, brincando com os dedos de sua irmã.

– Awww. E por que sinto que tem algo que a senhorita não está me contando? – Frannie provocava e Quinn mordia o canto de seus lábios.

– Mmm... Nós nos beijamos.

– Lucy Quinn! – Frannie arregalava os olhos, empolgada, segurando na mão da irmã. – Se beijaram? E como foi? Você gostou? Phew, é claro que gostou, o sorriso nos seus lábios não escondem isso. – Frannie falava sem parar, fazendo Quinn rir.

– Sim, gostei e foi um beijo tão... Suave e macio. Totalmente diferente dos beijos agressivos e atrapalhados de Puck. – Quinn revirava os olhos. – Ela foi cuidadosa e, Fran, você precisa ver o quanto ela é amorosa. Ugh! Você precisa conhecê-la. Tenho certeza que vocês vão se dar muito bem.

– Whoa... Quinn, já está querendo apresentar a namorada para a irmã? Tem certeza disso? – Frances brincava, e as bochechas de Quinn ficavam vermelhas com a palavra “namorada”.

– E-ela não é minha namorada, Frann, mas é importante pra mim que você a conheça. – Quinn falava suavemente e Frances se aproximou depositando um beijo na bochecha de sua irmã caçula.

– Será um prazer conhecê-la, little one. – Frances falava carinhosa. – Talvez podemos marcar de tomarmos sorvete no próximo fim de semana, o que acha?

– Mhm... Eu adoraria. Vou conversar com ela e marcamos o dia.

– Ótimo, agora pare de querer me enrolar, mocinha, e comece a me contar os detalhes dessa tarde tão maravilhosa que passou. – Frances se ajeitava para mais perto de sua irmã e agora Quinn começava a falar sem parar.

Xxxx

O relógio marcava seis horas da manhã quando seu celular começava a despertar fazendo-a murmurar com o barulho. Santana nunca foi uma garota fácil para acordar cedo, mas enquanto acordava lentamente, as lembranças do dia anterior surgiam em sua mente a fazendo sorrir e abrir os olhos rapidamente.

Seu coração estava acelerado e as borboletas em sua barriga acordavam junto com ela batendo asas sem parar. A lembrança dos beijos de Quinn a faziam sorrir abraçando seu travesseiro ao se lembrar dos braços da mesma a segurando. Estava difícil controlar toda a felicidade que sentia e antes que seu segundo alarme soasse, Santana tirava as cobertas de cima de seu corpo, se levantando e indo direto para o banheiro tomar um delicioso banho quente para despertar.

Enquanto a água caia sobre seu corpo, Santana tentava se concentrar nas palavras de Quinn e esquecer o medo que sentia. Apesar da felicidade, Santana se preocupava com o que aconteceria naquela manhã quando se vissem no colégio. Quinn a cumprimentaria normal, como todos os dias? Ou será que a ignoraria como Marley fez por meses? Seu estômago começava a revirar e imaginar sendo ignorada por Quinn lhe machucava. Calma, Santana. A latina respirava fundo, repetindo sem parar as palavras que Quinn tinha lhe dito. Nada vai mudar. Santana pensava. Ela disse que nada vai mudar. A latina fechava seus olhos, tentando controlar as borboletas em sua barriga para finalmente terminar seu banho e correr para o colégio, ansiosa para ver Quinn.

Após sair do banho, Santana se enrolou na toalha, indo direto para seu quarto se arrumar. Optou como sempre, por uma blusa de manga cumprida marrom, uma calça jeans skinny, com sua bota UGG favorita – e quase a única, já que a antiga já estava desbotando –, separou uma moletom cinza de toca sem estampa alguma e por cima uma jaqueta preta de couro que tinha ganhado de Quinn em seu aniversário. Soltou seu cabelo, ajeitando seus óculos antes de sair de seu quarto, arrumou seus livros em sua bolsa e saiu com o celular em mãos para tomar café.

– Oh, bom dia, mijá. – Alejandro sorria, ao ver sua filha se aproximar.

– Bom dia, papi. Donde estás, mami? – Santana depositava um beijo na bochecha do pai, indo pegar uma xícara de café.

– Dormindo. – Alejandro sorria, se sentando em volta da mesa. – Ela precisa descansar e hoje entra mais tarde no restaurante.

– Oh... Hoje depois da aula irei até a academia. – Santana sentava ao lado de seu pai, pegando as torradas na mesa.

– E Quinn irá com você?

– Não sei, papi. Talvez. Vou falar com ela depois. – A latina sorria, começando a comer uma de suas torradas.

– Você está feliz, mijá. É bom te ver assim. – Alejandro comentava, sorrindo, fazendo Santana sorrir ainda mais. – Faz tempo que não via seus olhinhos brilhando dessa forma.

– Tenho medo de toda essa felicidade ser apenas um sonho. – Santana pressionava seus lábios.

– Mijá...

– Não, papi. Está tudo bem, praticamente já estou acostumada em ter as pessoas me usando e. –

– Hey! – Alejandro franzia o cenho em choque ao ouvir as palavras da filha. – Santana, você não tem que se acostumar com esse tipo de coisa. Você não é um objeto para pessoas te usarem ou para brincar com você. Pelo contrário, você é uma garota especial e precisa colocar isso na sua cabecinha. – Alejandro encostava seu dedo sobre a testa da filha a fazendo olhá-lo.

– É só que... Parece que todas as vezes que fico feliz, algo acontece e acaba com tudo, tenho medo de alguém acabar com a minha felicidade essa manhã. Alguém me fazer acordar para a realidade e perceber que minha tarde com a Quinn foi apenas um sonho. – Santana brincava com sua torrada, olhando para seu prato.

– Mijá, você precisa se dar mais crédito. Eu e sua mãe vimos Quinn aqui ontem a tarde, então, nada daquilo foi um sonho. – Alejandro brincava, fazendo sua filha sorrir. – Vai ficar tudo bem, princesa, não vai te acontecer nada. – Alejandro sorria, e Santana apenas assentia, respirando fundo, voltando a tomar seu café.

Xxxxx

– Quinnie! – Os braços de Brittany passavam fortes em volta do pescoço de Quinn a fazendo sorrir com o impacto. – Quero saber de tudo sobre o seu dia com a Sannie. – Brittany sorria empolgada, fazendo Quinn rir.

– Prometo te contar tudo, mas não aqui, está bem? Depois do coral, te conto tudo. – Quinn sorria e Brittany apenas assentia, segurando sua mão e foram juntas para seus armários. – E como foi seu encontro com Mike?

– Foi legal. – Brittany dava de ombros. – Ele é um cara legal, mas não fomos feitos para namorar, nascemos para sermos amigos. – Brittany falava tão seria que Quinn se segurava para não rir do jeito fofo da amiga.

– Você tem certeza? Porque sei que Tina está de olho nele há meses. Se ela descobrir que você realmente não o quer, provavelmente vai atrás dele. – As duas paravam em frente aos armários.

– Tenho certeza. Tina parece ser uma garota legal e Mike merece alguém como ela. – Brittany dava de ombros, pegando seu livro para a primeira aula.

– E você disse isso á ele?

– Mhm, disse sim. Quando ele me deixou em casa, falei que não o via como alguém para me relacionar, mas sim como um grande amigo. Ele pareceu um pouco desapontado no começo, mas depois que conversamos ele entendeu e disse que seriamos amigos. – Brittany sorria.

– Isso é ótimo, B. Fico feliz que tenha dado tudo certo no final. – Quinn fechava seu armário e antes que pudessem dizer algo, Puck aparecia ao seu lado, fazendo Brittany revirar os olhos.

– Hey Quinn. – O garoto falava sorrindo.

– O que você quer, Puck? – Quinn perguntava, mas sua voz não demonstrava irritação como na manhã anterior.

– Mmm... Será que depois da aula podemos conversar? Ontem você parecia com muita pressa e eu realmente queria conversar com você, Quinn. – Puck falava suave e o arrependimento em sua voz era nítido. Quinn não sabia se deveria ou não aceitar, mas ao olhar nos olhos de seu ex-namorado, podia ver que o mesmo estava sendo sincero em querer apenas conversar.

– Ok. Você pode me encontrar depois da aula, mas precisa ser rápido, porque hoje tenho aula do coral. – Quinn respondia fazendo Puck sorrir.

– Claro. Obrigado, Quinn. – E assim, o mesmo saia de perto das duas líderes de torcida.

– Você vai mesmo dar uma chance a ele? – Brittany perguntava fazendo careta.

– Uma chance para ele conversar comigo, nada mais do que isso. Depois de tudo que aconteceu percebi que não fomos feitos um para o outro. Sempre achei que minha vida seria perfeita ao lado do quarteback mais popular do colégio, mas não é assim. Minha vida tem chances de ser perfeita ao lado de outra pessoa. – Quinn mordia o canto de seus lábios, se lembrando dos lábios de Santana, fazendo seu coração disparar.

– Awwww Quinnie! – Brittany sorria, passando os braços em volta do ombro da amiga. – Seu lado apaixonado está aparecendo. – A dançarina brincava, fazendo Quinn rir.

– Não, não está. Vamos ainda quero falar com Santana antes do primeiro sinal. – As duas saiam abraçadas pelo corredor na direção do armário da latina.

Xxxx

Assim que desceu do ônibus, Santana podia sentir o vento gelado batendo em seu rosto. A mesma colocou sua toca do moletom e suas luvas, caminhando os poucos minutos até avistar seu colégio e alguns alunos que chegavam de carro.

A mesma esperava que naquela manhã não fosse alvo de nenhum slushie ou grosseria de algum aluno – que obviamente a odeia –, do time de futebol ou rugby.

Ao entrar no colégio, tirou sua toca ajeitando seu cabelo e seus óculos que pareciam ter embaçado com o vento gelado. A mesma respirou fundo, fechando seus olhos por alguns segundos antes de finalmente caminhar em direção ao seu armário sem olhar para os lados, tomando cuidado para não esbarrar em ninguém. Ser invisível e não ser notada por ninguém causava sérios problemas para Santana, porque sempre que esbarrava em algum outro aluno, era respondida com um forte empurrão em troca.

Após passar por alguns dos jogadores de futebol, Santana finalmente chegava em seu armário e para sua surpresa, era esperada por Brittany e Quinn que sorriam ao vê-la.

– Bom dia, Sannie! – Brittany se aproximou lhe abraçando, fazendo-a sorrir.

– Bom dia, Brittany. – Santana respondia e seus olhos encontravam aos de Quinn. – Hey.

– Bom dia, Tana. – Quinn se aproximava, depositando um beijo demorado na bochecha da latina a fazendo prender a respiração.

– Bom dia... Mmm, vocês chegaram muito cedo ou eu quem estou atrasada? – Santana perguntava, abrindo seu armário.

– Estamos todas no horário. Na verdade, chegamos só tem alguns minutos. – Quinn encostava-se ao armário ao lado.

– Oh... – Santana respondia, virando sua atenção para os livros a sua frente.

Após pegar seus livros, as três saíram juntas pelos corredores logo que ouviram o primeiro sinal tocar. A sala de Santana era a mais próxima, então, Quinn e Brittany a levaram primeiro antes de irem para suas salas.

– Hey San! – A voz de Jake fazia Santana sorria ao vê-lo em sua primeira aula.

– Oh, hey Jake. – A latina acenava, se sentando em sua mesa na frente e Jake mudava de lugar se sentando atrás da mesma.

– Como você está? – O garoto perguntava.

– Estou bem e você?

– Bem também. Mmm, estava pensando. O que acha de sairmos para tomarmos um chocolate quente? – Jake falava animado a fazendo franzir o cenho.

– Mmm... – Santana não sabia de onde esse convite estava vindo tão repentinamente e, não tinha certeza se deveria aceitar ou não. Ela nunca saiu com ninguém de seu colégio, até porque, ninguém nunca reparou que ela existia e de repente, após seu acidente, o clube do coral decidiu se importar.

– Olha, tudo bem se não quiser, San. Só achei que seria legal para nos conhecermos melhor. Posso chamar também a Rachel, Kurt, Tina... Quinn, se isso lhe deixa mais confortável. É que... – Jake pausava, coçando sua nuca. – É difícil eu me identificar com alguém tão rápido como me identifiquei com você, e, sempre te via sozinha, mas achei que você preferia na verdade se manter afastada das pessoas e nunca me aproximei. Desculpa, só achei que... Enfim, tudo bem se não quiser. Tá tranquilo. – Jake sorria, carinhoso, e Santana continuava o olhando. Era difícil acreditar nas pessoas interessadas em sua amizade depois de tanto tempo sozinha. Como eles podem achar que ela queria ser sozinha? Elas não sabem que não ter amigos nenhum era doloroso? Sentir como se você fosse o problema. Sentir todos os dias como se todo o colégio te odiasse, porque ninguém mostrava interesse algum em se aproximar. Eles acham que ela queria ser sozinha?

Santana sentia seu peito ardendo. Ela sempre teve aulas com Jake e todos os outros do clube do coral e, só depois que sofreu seu acidente todos resolveram se aproximar. Isso tudo era pena? Eles se aproximaram dela por sentirem dó de tudo o que ela passa? Santana não queria amigos assim. Ela queria amigos que se interessasse pelo o que ela realmente é. Mostrasse interesse em lhe conhecer de verdade. Mas espera, Jake disse que queria me conhecer. Santana pensava, ainda olhando para Jake sem dar uma resposta. Suas mãos começavam a suar frias e fechando seus olhos por alguns segundos, Santana tentava ignorar todo o medo que surgia em sua cabeça. Talvez Jake estivesse sendo sincero. Talvez ele realmente tenha se identificado com ela, até porque ela tinha sentido o mesmo. Os dois já passavam maior parte do tempo juntos, e ela o via como um futuro grande amigo. Eles já passavam tanto tempo juntos que só o que realmente faltava era terem programas de amigos. Afinal, ele agia como seu irmão protetor sempre a acompanhando pelo colégio. Será só um café no qual teriam a oportunidade de se conhecerem longe do colégio.

– Ok. – A voz de Santana era baixa, fazendo Jake olhá-la confuso.

– Perdão?

– Ok. E-eu topo em sairmos para tomarmos um chocolate quente ou um café. – A latina sorria, e Jake fazia o mesmo.

– Legal! – Jake falava animado. – Então, o que acha hoje a tarde depois da aula?

– Oh, hoje? Mmm... Tenho um compromisso hoje depois da aula, mas depois estarei livre. – Santana assentia.

– Beleza! Então, umas seis horas está bom?

– Mhm, está ótimo. E-eu encontro você mais tarde no. –

– Não, San. Eu te busco. Me passa seu endereço, porque não vou fazer você vir até aqui pra me encontrar. – Jake segurava um lápis e após hesitar por alguns segundos, Santana finalmente falava seu endereço, apreensiva por ser julgada ao falar o nome de seu bairro.

– Combinado. Às seis horas estarei lá. – Jake sorria, animado, como se finalmente estivesse começando a se entender com uma irmã que não via há anos.

– Ok. – Santana mordia o canto de seus lábios se virando, assim que o professor entrou na sala.

Xxxx

O sinal tocava novamente indicando que algumas horas já tinham se passado e era o momento em que todos gostavam: o intervalo. Diferente de todos os alunos, Santana se aproximou primeiramente de seu armário pegando seu caderno de desenho antes de ir à cafeteria. Ela não sabia se encontraria Quinn e Brittany por lá, mas como já estava acostumada em se sentar sozinha, não dispensava seus desenhos.

Antes que pudesse se virar, um dos jogadores enormes de rugby passou ao seu lado, lhe empurrando, fazendo todos seus lápis caírem no chão. A mesma arregalou os olhos com medo de que todos fossem se quebrar. Sua bolsa caiu para o lado oposto e assim que se abaixou para recolher seus lápis, percebia que outra pessoa fazia o mesmo para lhe ajudar. Algo que nunca acontecia, e o que mais lhe surpreendeu foi ver quem era a pessoa que lhe ajudava.

– Esses garotos são uns idiotas. – A voz de Ashley soava irritada, fazendo Santana olhá-la. – Espero que seus lápis não tenham se quebrado ou então farei esse idiota pagar por eles. – Santana sabia que as líderes de torcida tinham uma grande popularidade no colégio e Ashley sendo do antigo grupo de Quinn, sabia como ser uma bitch para vários ali. – Você está bem? – A morena perguntava preocupada, entregando os lápis que tinha recolhido para Santana.

– Mhm... Obrigada. – Santana pegava sua bolsa, ajeitando seus óculos, apreensiva com a presença da morena.

– Hey... – Ashley falava suavemente. – Não precisa ter medo de mim, está bem? Sei que já fiz algumas burradas ao lado de Kitty contra você, mas não sou como elas e nunca fui. Me arrependo pelas coisas que fiz contra você e peço desculpas, está bem? – Santana a olhava surpresa e apreensiva. – Kitty foi uma péssima influência e fiz muitas idiotices por causa disso. Uma delas foi trair a confiança da Quinn... – Ashley respirava fundo. – Mas já me desculpei com ela e Brittany e, nada mais justo do que me desculpar com você também. Não se preocupe, não vou mais te perturbar e não vou deixar que Kitty se aproxime de você novamente. – Ashley sorria sincera e após hesitar alguns minutos, Santana assentia, guardando seus lápis em sua bolsa.

– Obrigada. E-eu preciso ir. – A latina olhava para baixo, saindo rapidamente de perto de Ashley a caminho da cafeteria.

Ao passar pela porta, seus olhos discretamente procuraram por Quinn na esperança de achá-la sozinha a sua espera, mas sua amada estava rodeada de líderes de torcida que sequer a viu chegando.

Santana segurou firme em sua bolsa, desviando seu olhar para o chão e indo para o fundo do refeitório onde sempre se sentou. Na mesa mais afastada de todos. O grupo do coral estava sentado junto, mas nenhum deles também a viu e Santana não queria ser intrusa em se convidar para sentar com eles. Até porque, o grupo parecia distraído demais para notá-la, assim como Quinn e Brittany.

A latina se sentou em seu lugar de sempre, colocando sua bolsa na mesa e começando a tirar seu sanduíche e uma maçã de dentro de uma sacola que se pai tinha lhe preparado. Colocou seu caderno de desenho a sua frente, tirando também seu estojo com seus lápis e após morder seu lanche, o colocou ao lado sobre o guardanapo, começando os primeiros traços na folha em branco.

A discussão em sua mesa de líderes de torcida estava tão agitada que Quinn e Brittany sequer viram Santana passar. As duas estavam conversando sobre o campeonato no próximo mês e sobre os últimos detalhes que precisavam ser feitos entre Kitty e as outras garotas da pirâmide. Fabray era a capitã e apesar de precisar ter a palavra final, os minutos tinham se passado e começava a sentir falta da latina.

Quinn olhou em direção a porta, mas ninguém passava por ali. Franzindo o cenho, Quinn se virou olhando em direção à mesa isolada onde Santana sempre ficava e, um sorriso aparecia em seus lábios ao ver a latina tão distraída desenhando.

Antes que pudesse se levantar e ir até lá, Quinn olhou por trás de Santana percebendo que três jogadores de futebol se aproximavam rindo segurando copos de slushies em mãos. A líder de torcida arregalou os olhos e a raiva subia como um vulcão em seu corpo a fazendo se levantar rapidamente.

– Se vocês ousarem em jogar isso nela, eu juro que nenhum dos três terá o prazer de ser pai um dia. – A voz de Quinn foi tão alta que alguns grupos que estavam pertos a olharam, incluindo as líderes de torcida e Santana.

– Qual é, Quinn... Você sabe que isso é divertido. – Um dos garotos falava, fazendo Santana olhar para trás arregalando os olhos ao ver o que eles tinham em mãos.

– Isso não é divertido, seus idiotas. – Agora era Ashley quem falava irritada ao lado de Quinn, surpreendendo a loira. – Será divertido se por acaso eu jogasse isso em vocês?

– Fiquem longe dela. – A voz de Jake aparecia logo ao lado de Santana, acompanhado de Sam e Riley.

Sem dizer nada, Santana olhava para os amigos que lhe protegiam e começava a juntar rapidamente seu desenho, com medo de que sujassem seu caderno que ganhou de Eva. A mesma embrulhava novamente seu lanche, com a cabeça baixa, sentindo seus olhos encherem de lágrimas. É claro que alguma coisa aconteceria. Não tinha um dia sequer que alguém lhe causasse um problema. Ela estava tão cansada disso que ao se levantar, olhou para os três jogadores segurando os copos se segurando para não atingi-los com suas habilidades de muay thai.

– Aww ela está com medinho. – Um dos garotos provocava, fazendo-a olhá-lo.

– Tana, não dê ouvidos a isso... Vem, eles não vão jogar isso em você, porque sabem muito bem que se fizerem isso o futuro deles como jogadores vai acabar.

Santana continuava olhando para os três a sua frente e em sua cabeça, a imagem dela batendo nos três a fazia sentir raiva. Raiva por não poder reagir a essas agressões. Por não poder chamar atenção. Raiva por ter que se esconder. Sem pensar, Santana se aproximou dos três batendo sua mão furiosa sobre os copos rapidamente e virando em cima de cada um deles, os pegando de surpresa.

– Whoa... – Jake e Sam gritavam animados, começando a rir com a atitude de Santana.

– Sua filha da p. – O garoto deu um passo furioso para acertá-la, mas Santana acertou seu nariz com a palma de sua mão, o fazendo cair para trás.

– Whoa! – Agora outros garotos estavam por perto, impressionados com o que Santana tinha feito. Quinn e Brittany estavam com os olhos arregalados e ao ver o garoto no chão com o nariz sangrando, Santana parecia ter saído de seu transe percebendo o que tinha feito.

– Oh não... – A latina sussurrava, olhando ao seu redor e vendo que todos os alunos a olhavam. Alguns impressionados e surpresos. Outros assustados. Alguns dos garotos animados e torcendo por ela, e foi então que seus olhos encontraram os avelãs que tanto ama.

Quinn a olhava surpresa, mas também assustada. Ela sabia que Santana tinha habilidades, mas nunca imaginou que a mesma usaria contra alguém de seu colégio. Uma parte de Quinn entendia que talvez fosse preciso, até porque, os garotos nunca a deixavam em paz, mas outra parte sentia-se desesperada, porque sabia que Santana estava encrencada e que seus pais não ficaram nada felizes ao saberem disso.

– Santana... – A voz suave de Quinn, chamava por ela, mas Santana parecia estar em uma grande crise. Seu peito começava a doer e segurando firme em sua bolsa, a latina sabia o que estava acontecendo.

Santana saiu correndo, empurrando aqueles que estavam a sua frente e, Quinn junto de Brittany a seguiam. A latina corria pelos corredores enquanto as lágrimas caíam ferozmente por suas bochechas e sua respiração estava presa em sua garganta. Seu peito começava a doer e seu pensamento começava a girar em torno de seus pais.

Mami vai ficar uma fera. E-eu não posso desapontá-los. Já desaponto tantas pessoas, não posso fazer isso com meus pais e meus avós. Santana pensava, empurrando a porta do banheiro com força e caindo no chão, se encostando contra a parede.

– Não, não, não, Lo siento, lo siento. – Santana sussurrava, abraçando seus joelhos contra seu peito e escondendo seu rosto entre suas pernas, com uma grande dificuldade para respirar.

– Santana? – A voz de Quinn era desesperada. As duas líderes de torcida entravam correndo no banheiro se ajoelhando em frente da latina. – San... Olha pra mim. Olha pra mim. – Quinn colocava suas mãos nos braços de Santana que lentamente, levantava sua cabeça encontrando os olhos preocupados das duas loiras a sua frente.

– Lo siento, Quinn. E-eu não queria ter feito aquilo. E-eu não queria. – Santana chorava, soluçando e Quinn passou seus braços em volta da mesma, lhe abraçando com força, deitando a cabeça da latina em seu peito.

– Shh, Sannie, não fica assim, está tudo bem. – Brittany acariciava a mão de Santana, tentando acalmá-la.

– Santana, respira, v-você não pode ter ataque de pânico agora, está bem? – Quinn falava assustada sem saber o que fazer.

– Quinn? – Ashley entrava rapidamente no banheiro sendo seguida por Rachel, Tina e Mercedes. – Jake, Sam e... Puck estão com os garotos. – A morena falava suavemente, fazendo Quinn e Brittany olhá-la.

– Puck?

– Sim, eles foram ter certeza que aqueles idiotas não vão causar mais problemas para Santana e, não vão deixa-los denunciar nada para o diretor ou qualquer outra pessoa. – Ashley falava suavemente e as meninas assentiram.

– Você ouviu, Tana? Eles não vão causar problemas. O direito não vai ficar sabendo de nada e vai ficar tudo bem. – Quinn tentava acalmá-la, mas Santana sabia que nada ficaria bem. Ela sabia que alguma coisa ainda aconteceria. Ela não confiava em ninguém.

– Q-quinn... – Santana sussurrava, com dificuldades para respirar. – E-eles... E-eu sinto muito, não queria ter feito isso. E-eu não queria machucá-lo.

– Santana, você não o machucou. Presta atenção... – Quinn pousava suas mãos no rosto da latina a fazendo olhá-la. – Você não fez nada de errado, Santana, só estava se defendendo. Eles iam te atacar e você fez certo em se defender e só. Foi só isso, Tana. Você se defendeu, está tudo bem... Está tudo bem. – Quinn depositava beijos pelo rosto da latina, fazendo as outras garotas olharem surpresas com aquela atitude, mas Fabray não se importava. Sua prioridade era a latina em crise em seus braços.

Santana tentava se concentrar nas palavras de Quinn. Sim, só estava me defendendo. Só estava me defendendo. A latina repetia sem parar essas palavras em sua cabeça, deitando contra o peito de Quinn, na tentativa de se acalmar.

Segurando firme na mão de Brittany, Santana fechava seus olhos e antes que pudesse pensar em algo, a voz de Quinn cantava uma suave lullaby na qual sua irmã sempre cantou para ela antes de dormir. A música era calma e, surpresa ao ouvir aquilo, Santana fechava seus olhos, tentando se concentrar em apenas na voz de Quinn e em sua respiração.

Logo Santana começava a se acalmar, com sua respiração voltando ao normal e as lágrimas já não caíam mais. A latina olhava sorrindo para Brittany e seus olhos subiam para as garotas que a olhavam preocupadas.

– Você está bem? – Rachel perguntava, fazendo Quinn parar de cantar.

– S-sim. – Santana respondia, olhando para as garotas a sua frente.

Quinn olhou para as garotas e em seguida para Brittany. As duas se falaram por olhar e antes que pudessem dizer algo, Ashley foi quem quebrou o silêncio.

– Hora de irmos. – A morena falava autoritária.

– Mas... – Rachel começou, mas Ashley a interrompeu.

– Não, vamos, vamos... – Ashley puxava as garotas que resmungavam ao saírem.

– Quinnie, vou estar aqui fora se precisar de mim. – Brittany se levantava, e Santana apertou sua mão.

– Gracias, Britt. – A latina sussurrava antes de deixa-la ir.

Assim que Brittany as deixou a sós, Santana se afastou de Quinn, encontrando os olhos da mesma.

– Vai ficar tudo bem. – Quinn sussurrava. – Você só estava se defendendo, Tana. Eles não vão fazer nada.

– Meus pais vão ficar decepcionados, Quinn. – Santana sussurrava, olhando para suas mãos.

– San... Seus pais têm tanto orgulho de você. Tenho certeza que se explicar o que aconteceu eles vão entender. – Quinn sorria, acariciando a bochecha da latina.

– Você acha?

– É claro que sim. Santana, o relacionamento que você tem com seus pais é único. Tenho certeza que eles entenderão. Eles são loucos por você. – Quinn depositava um beijo em sua bochecha a fazendo sorrir. Sentindo seu peito se aliviar.

– Obrigada, Q. Obrigada por estar aqui agora.

– Eu não estaria em outro lugar. – Quinn falava carinhosa e por alguns segundos, as duas olhavam uma nos olhos da outra, antes de Fabray se aproximar depositando um selinho demorado nos lábios da latina. – Vou estar sempre aqui. – Quinn sussurrava e Santana assentia, sorrindo, com o beijo que recebia novamente.

Quinn tinha razão, Santana só tinha se defendido e nada mais. Ela tinha feito algo que já deveria ter feito há meses atrás. Santana não sabia o que aconteceria depois daquilo, mas bloqueava todos os pensamentos ruins que surgia, imaginando que talvez, as coisas fossem mudar para algo melhor. Ela mostrou na frente de todo o colégio que sabia se defender, por que raios mexeriam com ela agora? Talvez essa atitude tenha lhe trago algo bom. Pelo menos era isso que Santana se forçava a pensar, com medo de que estivesse errada. Tudo o que ela precisava agora, era conversar com seus pais, mas antes, mataria saudades dos lábios que sonhou a noite toda.

Notas finais
E então, gostaram? Espero que simmm! Adorei ter conseguido atualizar essa fanfic essa semana, porque estava com esse capítulo a dias na cabeça, haha. Espero que tenham gostado, babies. Review? xxxx