Notas iniciais
Capítulo betado. A história se passa depois do fim do anime. Pov do Killua. Espero que gostem. Mandem reviews! Boa leitura

Após o término daquele milésimo de segundo, em que tudo aconteceu tão rápido, três corpos caíram: um morto, um inconsciente, morrendo, e eu, consciente, vivo, mas desejando não estar.

Caí de joelhos, achando que havia terminado, olhei para trás e vi a pior coisa que poderia ter visto: minha irmã, Alluka, morta com seu crânio esmagado pelo golpe que deveria ter causado minha morte; meu melhor amigo, se é que ele já não tivesse passado desse título, Gon, eletrocutado, provavelmente morto ou morrendo.

Tudo isso começou quando eu vi na televisão uma notícia que me fez engasgar com o chocolate que comia. Eu tinha acabado de voltar da escola, que minha irmã tanto implorara para não frequentar sozinha — ela me ganhara com o seguinte argumento "Temos apenas um ano de diferença e você age como um adulto responsável por uma criança, onii-chan". Para não entrar em maiores detalhes do porque eu agia dessa forma, aceitei, apesar de o argumento não ser justificativa para irmos ambos à escola —, comia tranquilamente um chocolate antes de me preocupar com o almoço, enquanto via as notícias: “Grande Hunter é encontrado morto em um quarto de hotel que alugava com seu filho.

Aprumei-me no sofá e conferi se Alluka estava distraída o suficiente com a lição de casa. Estava.

Hunter Arqueológico, Duble Hunter, ex-membro do Zodíaco, 34 anos, Ging Freecss foi encontrado morto por seu filho Gon Freecss, também Hun…”

Nessa hora, desliguei a TV a tempo de Alluka não ver nada ao vir me acudir, enquanto eu engasgava com o chocolate.

Demorou um tempo até eu ter certeza de que minha irmã já estava compenetrada em equações de primeiro grau novamente, então quando liguei novamente a televisão, o noticiário já havia acabado e sido substituído por um programa de esporte.

Após viajar com a Alluka pelo mundo, já tendo visitado cada lugar que eu queria e cada um que ela queria, percebi que era hora de se preocupar com o futuro, o futuro dela, mais especificamente. Não deixaria ela ser uma assassina. Não gostaria que ela fosse uma Hunter, mas duvidava muito que aquela menina não quisesse ao menos fazer o Exame. A apoiaria em quaisquer que fossem suas decisões na vida, mas, para que ela tivesse direito de escolha, deveria ter o ensino fundamental completo, no mínimo, ou sua melhor opção seria se tornar uma Hunter.

Ao pensar nisso tudo, tomei a decisão de fixar um endereço e matriculá-la na melhor escola do mundo, nisso, acabei por comprar uma casa de bambu (escolha da Alluka) em um terreno próximo a escola eleita, no qual também me matriculei. Por termos acabado de comprar a casa e pelo fato de que ter um endereço fixo seria muito mais propício aos ataques-Illumi (Alluka que deu o termo), não tínhamos nem telefone, nem Internet. E, como perdi meu Beatle 08 nas ruínas de Luluka e não liguei mais a TV, eu não fiquei sabendo mais detalhes sobre a morte de Ging até tal notícia bater na minha porta, ou melhor, na minha cara.

No dia seguinte, quando eu estava levando um pedaço de bolo para minha irmã que lia no quarto, escutando música nos fones, Gon entrou enfurecido, derrubando a porta dos fundos. Ele me olhava com um ódio maior que olhara Neferpitou, coisa que, até então, eu achava impossível. Ele não havia feito nenhum juramento pior que a morte para conseguir mais poder daquela vez, mas parecia ter mais aura maligna do que quando fizera.

Caí no chão e agradeci que Alluka não estivesse escutando nada, enquanto o prato quebrava e o bolo se espalhava pelo chão de bambu. Não pude dizer nada antes de levar um murro na cara que me fez voar até a parede da pequena área de serviço.

Ele continuou desferindo golpes e eu comecei a esquivar a partir do terceiro, que me quebrou um dente. Meu cérebro travou e mesmo que muitas coisas precisassem ser ditas, nenhuma palavra saía de minha boca. O que estava acontecendo? Ging morrera e Gon veio me matar?! Não tinha o menor sentido!

Aquele ódio no olhar me paralisava. Sentia dor e pânico, e Gon era o culpado. Porém isso não impedia o meu coração de perder um pouco do ritmo toda vez que sua voz vinha em gemidos de fúria e “Saisho wa guu"s. Já havia decidido parar de negar (pelo menos para mim mesmo) meu amor por Gon e minha sexualidade. Porém, acho meio estranho me definir como “gay", pois não me sinto atraído por garotos, me sinto atraído pelo Gon. Eu o amo acima de tudo (com exceção, talvez, da Alluka) e, por isso, me recusei a retribuir os golpes. Ao invés disso, me satisfiz em balbuciar murmúrios sem sentido, enquanto desviava de socos, espadas de Nen e projéteis de aura.

Cada gemido de puro ódio, cada golpe deferido, cada aura assassina sentida e cada olhar vingativo matava uma parte de mim, quebrava mais um pedaço de meu coração e produzia mais uma lágrima em minha face. Gon! Pare! Gon, o que você está fazendo?! finalmente meu cérebro conseguiu formular pensamentos concretos, entretanto apenas gemidos indefinidos saiam de meus lábios.

Se fosse qualquer outra pessoa, a essa altura, já estaria morta, ou no mínimo desacordada. Onde estavam meus onze anos de treinamento assassino?! Onde estava meu treinamento Hunter?! Onde estava meu instinto de sobrevivência?!

Gon, o que eu fiz?! pensei ao levar um soco não intensificado na boca do estômago e vomitar sangue.

Não sei exatamente quanto tempo ficamos naquilo, mas, quando Gon estava começando a suar e eu estava com três dentes a menos, o rosto assado de lágrimas, dois olhos roxos, estando um inchado ao ponto de me forçar a mantê-lo fechado, um ombro deslocado e uma provável hemorragia interna, ele falou pela primeira vez:

—Por que... Você... Não me ataca!?!?!? – disse ele em um grito de fúria

Se já havia feito algum progresso em recuperar a fala, este regrediu a zero ao ouvir tais palavras.

Meu choque não durou muito tempo, porém. Enquanto escutava-o gritar a plenos pulmões, ele se preparava para mais um Jajaken, e dessa vez parecia usar toda a aura que lhe restava, a qual surpreendentemente não era pouca. Então, desesperada, Alluka entrou na destruída área de serviço arrancando os fones e gritando:

—Onii-chan! Ataq...

Ela viu antes de mim, e esse talvez tenha sido meu maior erro: Gon, que até a última vez que eu olhara, estava acumulando aura do outro lado do cômodo, vinha correndo com o punho carregado em minha direção se aproveitando do meu choque e de minha atenção desviada para a Alluka.

Também reparei tarde demais que Alluka vinha em minha direção no mesmo ritmo. Quando finalmente compreendi a situação, o punho de Gon já estava a poucos centímetros do meu rosto e Alluka já havia saltado para interceptá-lo.

Nos milésimos de segundos seguintes, numa tentativa falha de impedir o trágico desfecho já inevitável, descarreguei toda a eletricidade que tinha no meu corpo em Gon, resultando finalmente nos três corpos, cada qual em seu estado.

Cuspi sangue com um pequeno pedaço de dente antes de gritar até minha garganta arder e se acumular um pouco mais de sangue em minha boca para se cuspir. Alluka com certeza não tinha salvação: sobre seu uniforme escolar espalhavam-se sangue e miolos e os delicados traços de seu rosto simplesmente não existiam mais. Gon não estava muito melhor, mas parecia respirar. Com certeza morreria dentro de alguns minutos, se aquele subir e descer do seu peito não fosse apenas ilusão minha.

As lágrimas escorriam pelo meu rosto e seu sódio fazia arder cada corte e machucado em que elas passavam.

O que foi isso?! eu repetia mentalmente.

Sem motivo, sem razão, sem aviso, Gon tentou me matar, no processo, matou Alluka e agora eu o matei. O que é isso? O pior e mais realista pesadelo da minha vida?!

Fiquei ali chorando de dor. Dor no corpo. Dor na mente. Dor no coração. Dor na alma. Não sabia como prosseguir. Tudo acabou. Não existia continuação. Eu não conseguia visualizar continuação. O que eu deveria fazer agora? Levantar, tratar minhas feridas e limpar os corpos para que pudessem ser enterrados? Procurar o objeto afiado e/ou pontiagudo mais próximo e me matar? Nem precisaria de tal objeto, na verdade, tinha minhas unhas.

Já estava fitando minha mão esquerda transformada quando ouvi passos. Isso não me fez ficar mais alerta ou sequer me levantar, entretanto. Apenas levantei os olhos (o olho, na verdade) para a porta de bambu.

— Não se atreva a fazer isso! – Illumi passou pela porta já aberta. Levantei-me. Não voltei minha mão ao normal. Olhei Illumi, sério. Alluka estava falando alguma coisa ao entrar... Deveria ser “Ataque-Illumi”.

— Aniki... – disse com a voz carregada de desprezo.

— Eu não fiz tudo isso para você se matar no final. Venha, vamos para casa.

— O que você quer dizer com “Eu não fiz tudo isso”? – O olhar e a aura assassina vieram tão naturalmente quanto o tom de ameaça em minha voz. De repente, toda a dor sumiu e meu corpo parecia disposto a lutar por horas seguidas. Puro ódio corria em minhas veias como nunca antes. Meu olhar dizia “Escolha bem suas palavras, podem ser as últimas”.

Ele bateu palmas deu um gritinho e quase pulou de alegria.

— Você aprimorou muito sua postura assassina nesse últimos anos! – Ele ainda sorria – Serei o mais claro possível.

Ele tirou uma muda de roupas do meio das próprias vestes, pôs ela à sua frente. Então, começou a amassar seu rosto, seus cabelos começaram a se contorcerem e mudarem de cor. No final daquela estranha e perturbadora transformação, ele estava algumas cabeças mais baixo e suas roupas, agora grandes demais, cobriam suas atuais feições. Acho que os consecutivos golpes na cabeça e eu estar enxergando com apenas um olho me fizeram perceber o que realmente estava acontecendo apenas quando ele vestiu as roupas da muda.

Um menino albino de olhos felinos azuis, cabelos espetados, camiseta branca em cima de blusa azul, short cinza e tênis roxo, igual a mim, mas não eu me encarava com um olhar macabro e um sorriso travesso. Entendi tudo naquele momento e a ânsia de vômito se fez presente automaticamente. Porém, novamente as palavras abandonaram meu cérebro e a dificuldade de digerir aquilo tudo era tremenda.

O falso eu ainda andou em círculos, transformou sua mão em lâmina e sacudiu-a antes de se enfiar novamente nas vestes grandes demais e, com repugnantes espasmos, retornou a ser meu desprezível irmão mais velho. Por fim, ele ajeitou as roupas e retirou os retalhos aos quais foram reduzidas as peças de sua “fantasia de Killua”.

— Fiz-me claro? – ainda mirava-o, pasmo – Foi só eu me transformar em você. Para uma transformação rápida eu não preciso de agulhas, sabe. Entrar no quartinho de hotel em que o pai e o garoto estavam hospedados. Foi mais fácil que eu pensava descobrir onde estavam, contando com a reputação do Ging em apagar rastros, transformar minha mão em navalha, como qualquer Zoldyck sabe fazer e arrancar-lhe o coração com um movimento rápido. Sabia que não derrubei uma gota de sangue?! Eu simplesmente esperei Gon perceber-me para então fugir pela janela o mais rápido possível, me destransformado na primeira curva.

“Quando te disse para não fazer amigos, queria penas teu bem, Killu... Não foi necessário muito para ele vir te espancar e matar seu irmãozinho que tanto ama. Ou você o trairia ou ele te trairia. E foi o que aconteceu. Ele te espancou, matou seu irmão. Você o matou, como sempre soube que faria. Você é um assassino, Killu, volte para casa, conclua seu treinamento, se torne um assassino por inteiro e assuma os negócios da família, como eu e o papai sempre quise…”

Ainda pude ouvi-lo murmurar “An?” antes de subir em seu ombro e, usando as coxas como alavanca e puxando-lhe a cabeça pelos cabelos, o matei. Minha intenção era de quebrar seu pescoço, mas meu ódio e força foram tamanhos que arranquei-lhe a cabeça.

Seu corpo cedeu e logo meus pés tocaram o chão. Minhas roupas estavam sujas de sangue: um pouco meu, um pouco de minha irmã e muito sangue daquele homem estranho. Os nós dos meus dedos estavam brancos por terem tantos fios negros de cabelo travando minha circulação. Segurando pelos cabelos, extravasei o que restava de minha ira batendo sua cabeça decepada na parede. Sem muito interesse no estrago que causei, larguei a cabeça e tirei os diversos cabelos presos em meus dedos, enquanto caminhava à esmo, porém acabei por chegar aos corpos.

Acariciei a única parte intacta do rosto de Alluka: sua bochecha direita. Me deu uma agonia ao sentir que sua pele estava completamente gelada… Suspirei antes de, novamente, afundar no desespero e deixar as lágrimas rolarem.

Gemia alto, de puro desespero, e a certos intervalos, gritava. Não sei exatamente quando me entreguei àquela posição, mas lá estava eu, deitado como um feto no chão de bambu, entre dois corpos. Cheiro de cabelo e carne queimados e o típico cheiro metálico de sangue atingiam meu nariz, me deixando extremamente enjoado. Como queria apagar esse dia da história! Como queria que, pelo menos, Nanika estivesse viva para me ajudar a concertar tudo! Talvez ela realmente não pertencesse à esse mundo e não tivesse morrido, apenas abandonado a Alluka… Afastei tais pensamentos, sem saber direito o motivo.

Havia parado de chorar, apenas sentindo a profunda tristeza que me atingia em silêncio. Suspirei. No ato de levantar, sem razão específica para tal ação, escutei um gemido e…

— Ki...Killua…? – Gon disse, em claro sofrimento.

Notas finais
Gostaram? Peço reviews novamente. Hisokinhas pra vocês.