Hunters&killers Caçadores Paranormais - Interativa
2 #2 Logan - Duas vidas
Notas iniciais

^ Logan na forma humana ^
Fui acordado na manhã de segunda pelo barulho da porta do meu quarto sendo aberta com brutalidade. Seguiu-se por passos de salto alto e logo a janela foi aberta, deixando que a claridade do sol invadisse meu quarto por completo. Puxei o cobertor até a cabeça, escondendo meus olhos daquela ardência.
– Logan! Logan Wilde! – A voz da minha mãe logo de manhã me irritou. Ela sabe que eu acabei de “acordar”, mas mesmo assim fala alto para me dar dor de cabeça – Não quero você levantando tarde mais uma vez. Eu vou trabalhar e quando voltar eu quero que já tenha lavado a louça da janta de ontem, ponha a roupa para lavar, deixe-a de molho no amaciante, torça e pendure...
Deixei-a falando sozinha, fazendo uma imensa lista de tarefas caseiras. Eu queria dizer a ela que estava cansado por caçar demônios na noite anterior. Mas acho que ela não iria acreditar.
– Tá mãe! Já intendi, já intendi! – Resmunguei – É: faça isso, faça aquilo desde cedo!
Senti o colchão afundar no meu lado, provavelmente minha mãe havia se sentado. Tirei o cobertor do rosto e tentei encara-la. A minha visão estava embaçada e eu mal conseguia abrir direito os olhos. Ela passou a mão no meu cabelo.
– Volto tarde hoje. Acho que não o verei até amanhã. Amo você, meu filho.
– Também... – Respondi voltando a cobrir a cabeça.
– O que é isso no seu braço?
Nem precisei olhar para saber do que ela estava falando. Era uma marca de mordida vermelha por causa do meu sangue. Culpa daqueles desgraçados...
– Nada não, manhê. São aquelas meninas do colégio, sabe? Começaram com essa mania de morder quem passa por elas... – Menti, quase desmaiando de sono.
– Sei – Ela levantou se dirigindo a porta. Fiquei aliviado que poderia dormir mais um pouco depois que ela finalmente saísse – Ah, mais uma coisa. Seus irmãos estão aí, então vê se prepara um bom café da manhã para eles, okay?
Antes que eu pudesse responder algo, ouvi a porta se fechar. Bufei. Como se não tivesse coisas o suficiente para eu fazer. Dei uma espiada no relógio que marcava 7:56 a. m. E depois voltei a dormir.
[...]
Abri os olhos lentamente e a primeira coisa que vi foi os ponteiros do relógio marcando as horas. Com dificuldade enxerguei que era quase dez da manhã. Suspirei e levantei, já arrumando minha cama. Saí do meu quarto indo em direção ao banheiro para fazer a higiene matinal.
Ao sair fui para a sala onde meus irmãos assistiam à televisão. Eram dois sendo que ambos eram garotos mais novos que a mim. Um deles, Drew tinha nove anos de idade. Um capetinha de cabelos claros, curtos e bagunçados. Nunca parava de aprontar e cuidar dele era um inferno. O outro tinha quatorze e era o típico adolescente chato... Gostava de ficar trancado no quarto mexendo no celular e muitas vezes preferiria sair com os amigos. Ele era bem esquisitinho. Seu nome era Richard. Tinha cabelos negros iguais aos meus (Quando estou em minha forma humana) e olhos escuros como a escuridão da noite. É até estranho eu dizer isso como uma qualidade já que ele era meu irmão e me odiava explicitamente. Porém não posso negar que eram lindos.
Fui para a cozinha, gritando para que me ouvissem:
– Vão querer comer o quê? – Abri um armário e analisei tudo que havia dentro.
– Nada. Acordou tarde demais... De novo – Resmungou Richard. Eu fechei a porta do armário, irritado.
– Se não comerem nada a culpa vai cair em cima de mim.
– Não se preocupe Logan. Richard já me fez um sanduiche – Gritou Drew animado, provavelmente se pendurado na estante... Corri na hora que percebi isso, e cheguei a tempo de pega-lo antes que caísse no chão. Como isso era normal não dei bronca nem nada, apenas tentei fitar a Richard que sequer olhava para mim.
– Você fez um sanduíche para ele? – O moreno deu de ombros, me irritando mais ainda.
– É. O que tem? Tanto faz.
Larguei o caçulo no sofá e corri para a área de serviço colocando a máquina de lavar para funcionar. Voltei para a sala, lembrando-me da lista de tarefas da minha mãe. Quanto mais rápido eu terminar de fazer, mais rápido eu volto a dormir.
– Vocês dois! – Eu disse, não pude continuar, pois Drew começou a correr em minha volta imitando uma sirene de ambulância. Peguei-o pelos cabelos, porém não de uma forma que machucasse. Fazendo com que ele olhasse para mim – Se arrumem para irmos ao Walmart. Mamãe quer que reponhamos o estoque.
– Você quis dizer que ela quer que você reponha o estoque – Corrigiu Richard no seu tom mal-humorado. Olhando-me com desdém.
– E você me respeite, ouviu bem? – Ameacei – Sou o mais velho, posso te colocar de castigo por um mês se eu quiser.
– Vai em frente! – Respondeu – Coloque-me de castigo Logan. Quero ver você ter coragem para isso.
Nem precisei dizer nada. Richard já foi se trancar no quarto, batendo a porta com violência, fazendo com que a placa que estava escrito “Fique longe” balançasse. Suspirei tentando me controlar para não entrar lá e descarregar socos e ponta pés naquele moleque. Virei à cabeça para Drew que estava indiferente de tudo. Ele era mais “fácil” de se lidar.
– E então... Waffers com sorvete de creme para o almoço? – Indaguei forçando um sorriso.
– Só se for com MUUUUUUUUUUITA calda de caramelo! – Se animou. Eu estiquei a mão para que ele batesse um High Five, e fui recompensado.
– Mas para isso você vai ter que convencer teu irmão emburrado lá – Apontei para o quarto de Richard – Consegue fazer isso, Mestre Yoda?
– É uma façanha muito complicada Luke – Se embalou na brincadeira, falando de um jeito formal e engrossando a voz como se fosse o repórter do canal sete – Mas tudo por alguns Waffers!... E cinco pratas.
– Ora só! Mas que aproveitador é esse. Deixo-te com o troco que sobrar das compras.
– Qual é?! Eu sei que só vai sobrar uma merreca. Da última vez que eu concordei com isso, só recebi cinquenta centavos!
– Okay. Ganhou de novo, campeão. Cinco pratas – Falei mostrando a cédula. Ele tentou pegá-la, pulando com os braços esticados.
– Me dá! – Esquivei o dinheiro dele, pondo para mais alto. Onde ele não alcançaria.
– Na-na-ni-na-ni-na-não! Primeiro o serviço, depois a recompensa. Vai lá.
Ele obedeceu, andando naturalmente até o quarto do Richard. Batendo algumas vezes na porta, logo foi recompensado por uma voz abafada do outro lado. Conversaram algumas coisas rapidamente até que Drew se voltasse até mim com um sorriso brincando em seus lábios.
– Eu tentei... – Arqueei as sobrancelhas.
– Que tentativa mais podre foi essa?
– Trato é trato, Logan. Pode ir passando a grana – Estendeu a palma da mão.
– Tá bom... Aqui está – Entreguei-lhe a cédula – Vamos logo então.
Peguei as chaves de casa e me dirigi até a porta da frente, dando laços em meus coturnos. Drew apenas colocou seus tênis das Adidas em promoção de qualquer jeito e começou a pular de agitação na passagem. Gritei para Richard, apenas numa última tentativa de convencê-lo:
– Se você for ficar arrume a casa e passe pano no chão. Ou não terá Waffers depois!
Abri um sorriso satisfeito quando o moreno saiu de cara fechada do quarto, segurando sua jaqueta sobre o ombro.
– Como você é chato, Logan!
– Você que é preguiçoso – Devolvi.
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Aquele parecia ser o mais barato das marcas de sorvete, mas ainda estava em dúvida se aquele outro seria mais gostoso... Aquela marca era boa e agradava os gostos dos três irmãos, sendo que a outra era muito mais barata, porém o gosto não era muito bom. Fiquei pensativo e hesitante por um bom tempo.
Nem liguei por saber que Drew estava infernizando a vida dos atendentes e fazendo bagunça por onde passava. Sempre que me trazia algo e perguntava se podia comprar eu respondia da mesma forma: “Não” sem nem ao menos olhar do que se tratava.
Acabei levando o mais caro, não me importando com a bronca que levaria da minha mãe, afinal, ela também iria comer.
Ao mesmo tempo em que coloquei o pote dentro do carrinho de supermercado, Richard jogou algumas revistas dentro do mesmo. Peguei-as na hora, observando do que cada uma falava: Jogos, detonados, carros de corrida...
– Ei! Pare de fuçar nas coisas dos outros! – Esbravejou.
– Quero saber no que vou gastar, com licença? – Respondi, ignorando a fuzilada no olhar.
Uma sobre terror, mais de jogos e... Revista masculina? Joguei tudo numa pratileira qualquer, recebendo uma expressão frustrada do meu irmão.
– Qual é o teu problema? – Indagou irritado. Como sempre.
– Play Boy, Richard? Fala sério. Para que ficar vendo essas porcarias e ainda tão cedo. ‘Qualé? Você é novo, bonito... E essas coisas são pra gente que nunca vai arranjar namorada na vida.
Ele me olhava com uma expressão esquisita. E que estava começando a me assustar.
– O que foi?
– CAAAAAAAAARA! Isso foi tão gay! – Exclamou incrédulo – Se eu estiver errado, está parecendo a nossa mãe!
– O que foi que eu disse?
– Meu... Você me chamou de “novo, bonito... Play Boy é coisa pra virgem e blá, blá, blá” – Fez com que sua voz se tornasse aguda e irritante, como se eu tivesse realmente aquele tom.
– Eu não falo assim – Ainda de expressão incrédula, se afastou de mim sem dizer mais nada, me deixando no vácuo.
Meu Zeus dos Olimpos! O que eu fiz para ter um irmão que me odeia tanto? Era falta do que? De tapa nas nádegas de certo...
Consciência: “Okay Logan. Agora sim você tem que concordar que está parecendo à mãe dos dois”.
Bati na minha própria cabeça para afastar aquela voz chata ecoando dentro de mim. Arrastei o carrinho de compras até o caixa menos cheio e apoiei o cotovelo na barra, fazendo com que meu queixo ficasse sob minha mão. Observei os humanos a minha frente... Alguns nem desconfiavam da existência de um mundo sobrenatural em movimento simultâneo com a Terra. E nenhum deles sabe que nós fazemos de tudo para protegê-los.
Fechei os olhos e respirei fundo. Sabe como é chato fazer mil e umas coisas fodásticas e ninguém além de você ficar sabendo? E sabe como é ruim ter de levar a monótona vida de seres humanos comuns até esperar que a noite caísse para a verdadeira emoção começar? Bem, você não sou eu. Acho que é por isso que gosto da série Dexter. Identifico-me com o protagonista nas horas em que ele tende a fingir, até mesmo para a irmã mais nova, ser uma pessoa normal.
– Hey Logan! – Fui tirado dos meus pensamentos pela voz de Drew – Estou com fome!
– Já estamos indo para casa maninho.
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Ah, à noite. Com sua lua avermelhada dominando o céu junto com seu exército de estrelas cintilantes. O vento parecia ótimo para uma caçada contra alguns demônios. Eu estava entrando no colégio Hunters&killers com um sorriso de orelha a orelha. Nunca me senti tão motivado a devorar as áureas negras dos exorcizados...
Passei pelo enorme portão com as iniciais do colégio, já me transformando em Demon of Dark instantaneamente. Minhas roupas, cabelo, olhos, tudo mudou num piscar de olhos.
A primeira aula seria na sala dez, onde a professor Tyreese ensinava-nos os pontos fracos de cada monstro.
Entrei na sala me sentando numa das cadeiras do fundo ao lado das janelas. Joguei minha mochila do lado da carteira e apoiei o braço em cima do encosto da cadeira, observando a sala de aula. Havia tudo qualquer tipo de criatura que você possa imaginar. E todos com vida dupla. As garotas mais bonitas, no meu ponto de vista, eram as meio vampiras e as exorcistas, que não tinha muitas.
Na minha fileira se sentavam quatro garotas. A primeira se chamava Ashley Forbes ou Ash, de dezessete anos. A segunda era a Katherine Black, conhecida como Megias no colégio com a mesma idade da anterior, tinha também a bruxa mais gata da sala: Jennifer C. Marback de vinte e um anos conhecida aqui por Yssa e nas caçadas Cora. E por último, logo a minha frente se encontrava Annie Blanc com quinze anos. Eu e meus amigos a chamávamos de estranha, claro que eu não dizia isso para ela. O seu nome oficial aqui no colégio é Halloween Doll.
Saber sobre tudo de todos é um dos benefícios que se ganha quando trabalha na secretaria do colégio uma vez por semana, ficando até mais tarde na sexta à noite. As classes não eram divididas por idade e sim pelo nível de cada um. Nós, por exemplo, estamos no veterano. Embora alguns daqui não merecessem esse título.
O professor Tyreese entrou na sala. Ele tinha os cabelos like Wolverine e unhas pretas de terra, deixando bem claro que era um lobisomem puro-sangue.
– Peguem os cadernos e confiram a última aula para mim, sim? – O professor pediu e eu ouvi alguns reclamando dele. É. Tenho que admitir que lobisomens não sejam muito populares na Hunters&killers – Se eu me lembro, discutimos anteriormente a melhor forma de caçar um fantasma, certo?
– Sim professor – A sala murmurou em coro, desanimada.
– Ótimo! Hoje falaremos sobre os pontos fracos dos vampiros – Pegou um giz e anotou o que disse no quadro negro.
– Isso foi uma indireta, sor? – Indagou a loira de mechas vermelhas, Ash. Mostrando as presas afiadas ao pronunciar as palavras. Tyreese se virou para fita-la.
– Mas é claro que não. Só porque sou um lobisomem não significa que odeio meus alunos vampiros. Só gosto de caçar os descontrolados. Meu trabalho aqui é esse. Acha que eu gosto de explicar qual é a melhor forma de matar um da minha espécie?
– Sei lá – Ela respondeu debochando – Não sou você.
Tsc. Tsc. Se você continuar assim Srta. Forbes, eu terei que carimbar uma advertência na sua ficha...
– Há, há – Disse ele sarcástico – Muito engraçado Ashley Forbes. Já que se acha tão esperta, por que não diga à classe sobre os pontos fracos de um vampiro?
– Vai ser moleza – Devolveu cruzando os braços atrás da cabeça – Estacas de madeira são eficientes quando cravadas diretamente no coração. Fora isso, eu aconselho ainda queimar o corpo no sol ou até mesmo com uma chama qualquer. Outro meio eficiente é arrancar-lhe a cabeça do tronco, mas isso exige muita força do combatente.
– Como você sobrevive de manhã? – Eu perguntei de braços cruzados e apoiando os calcanhares na carteira. Não que não soubesse, afinal, cada vampiro tem um jeito diferente de sobreviver ao sol do meio-dia.
– Demon, por favor... – Começou o professor, provavelmente querendo que eu melhorasse minha posição. Ignorei.
– Tomo banho de protetor solar fator oitenta e uso roupas compridas que cubram meu corpo por inteiro. Faça calor ou frio. Ou eu apenas evito sair do meu quarto.
– Acho que meu irmão é um vampiro também e nem me contou – Brinquei, satisfeito ao escutar as risadas da maioria dos meus colegas. O professor interrompeu:
– Okay classe. Concentrando aqui, por gentileza. Ainda quero dar minha aula.
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