Hunters

21 Capítulo 3


- Dean, Dean, Dean. Eu tenho que variar às vezes. – Sua risada foi magnífica, aquelas risadas em que você sentia inveja de não ter saído de sua garganta. Dean se calou por um momento.

- O que quer?

Ele hesitou.

- Somente explicar para vocês um pequeno acontecido. – O corredor onde Júlia morreu pareceu tomar destaque entre os outros até nós vermos e voltamos a atenção para ele.

- Júlia, uma pena ter morrido. Mas estava na hora.

Ele dava voltas na pequena sala da biblioteca.

- Ela era jovem. – O interrompi.

- Como?

- Ela era jovem, e se não tiver uma boa razão para ela ter ido. Você irá se arrepender.

Ele me olhou estranho por um momento, enquanto os meninos estavam bravos comigo, o estilete preso em meu braço fez tudo formigar.

- Você e corajosa, mas não desperdice isso. – Ele hesitou novamente.

– Júlia morreu por saber demais, o inferno já estava ficando cheio disso.

- Como? – Nós três falamos ao mesmo tempo.

- Oh, vocês não sabiam. Ela estava pesquisando esse tipo de coisa pois desconfiava de você Ana. Ela começou a descobrir as coisas, a cabeça dela estava como a cabeça de um de vocês, caçadores. O inferno ficou uma fera e todos começaram a perseguir ela, a deixando com medo. Mas não adiantava, até que veio o pedido a mim, eu só tinha a obedecer. – Então “o’ morte parou de falar respirando fundo, meu coração estava apertado.

- Nenhum demônio a matou para você vingar, eu a matei. – Minha cabeça se abaixou derrotada, meus braços se amoleceram e o estilete acabou caindo no chão com o meu sangue pingando.

- Droga! – Dean falou baixo, apertei meu braço por impulso, os meninos vieram em minha direção e quando vimos a sala , não tinha mais ninguém.

- Você está bem? – Sam tentava ver, o corte era um pouco aberto. Nada tão grave comparando com o que já passei.

- Vai melhorar. – Falei ainda desnorteada apertando o corte, o braço de minha blusa já estava todo molhado.

Resolvi tirar ela e ficar só com a regata, enrolei em meu braço enquanto saímos do prédio. Soltamos as fitas do porteiro e deixamos ele ali, acordaria logo, no caminho para o hotel todos ficamos em silêncio. Troquei a blusa de lado umas três vezes até que estancou, já estava acostumada com a perda de sangue que sempre tive, ele pareciam se repor muito rápido, nem me sentia fraca.

- Amanhã, depois do enterro voltaremos para Detroit, combinado? – Dean disso quando parou o carro, os dois olharam para mim com um pouco de esperança de poder voltar para a vida que a gente sempre teve.

- Por mim tudo bem. – Sai do carro procurando a chaves de meu quarto no bolso, o mal humor tinha me pegado de uma forma impressionável, subi direto para o meu quarto, e me despi para um banho quente.

Agora eu me sentia culpada, culpada por tudo que aconteceu. Por que eu descobri sobre o meu pai/demônio morto? Perguntas sem sentidos como essa passavam em minha cabeça, mas eu até achava bom. Até a Júlia tentar descobrir o que eu estava fazendo, aquilo era chato e porque o Luciano não falou isso?

Chega Ana – meu subconsciente agia – não pode até ser sua culpa, vamos seguir com as caçadas?

Fiquei meio confusa com esse meu “ outro lado” e sai do banho e quase gritei quando vi que tinha gente dentro do meu quarto.

- Sou eu. – Dean quase me prende.

- Desculpa, mas posso me vestir?

Olhei para ele ainda um pouco mal humorada, ele riu e se virou em pé.

- Minhas desculpas senhorita. – Nós dois rimos então me vesti rápido, uma calça e uma blusa.

- Essa noite. – Eu me virei para ele. – Vamos apenas conversar, por favor? – Fiz minha cara de pidona que ninguém resistia, ele me olhou por um momento e me deu um selinho.

- Na verdade, eu estava pensando em te levar em um lugar. – Ele falou devagar.

- Não estou afim de sair Dean.

- Ai eu vou ter que te obrigar. – Ele sorriu, aquele sorriso de garanhão em que ele sabia que não fazia muito bem a mim, abaixei a cabeça tentando resistir, mas ele sempre ganhava.

- Tudo bem.- Sorri derrotada, Dean pelou empolgado, me pegou pelo braço e me guiou pelo carro.

- Mas é o Sam? – perguntei automaticamente.

- Ele que sugeriu o lugar, mas quer descansar. – Assenti confusa, entrei no carro com ele, não sabia nada sobre o caminho, mas quando Dean desligou o carro, nós estávamos na floresta. Dean saiu do carro correndo ao porta-malas.

- Você não vai me estrupar ou nada não né? – Tentei brincar, saiu até natural, ele riu sem humor e fez uma careta, retribui com uma risada mafelica.

Dean pegava as melhores armas que tinha em seu acervo no Impala, as carregava e jogava no chão como não fosse nada, eu somente observava.

- Meu pai, me levava para alguma floresta quando estava confuso ou de mal humor. Pegava seus melhores rifles, armas e afins e nós atirávamos para o nada, as vezes pegávamos um animal por pura coincidência ou sorte. – Ele riu. – Mas eu sempre saia melhor daquela grande conversa e tiros.

- Muito legal, mas está me contando isso por que? – Ele me entregou um dos rifles.

- Porque é isso que vamos fazer, você vai melhorar seus tiros e ainda ficar melhor. – Ele sorrio torto, analisei sua expressão, Dean estava querendo ajudar de alguma forma sua namorada com grandes conflitos internos.

Sorri tentando ficar empolgada, em minha mão tinha uma snaiper semi automática sem apoio, ou seja, era pesada e eu estava quase me arrastando para acompanhar Dean, que percebeu, e carregou pra mim a minha é a dele.

Chegamos em um lugar alto, uma colina, Dean fez questão de arrumas as duas armas enquanto eu o observava, ele disse que tinha que treinar o seu cavalheirismo.

- Sabe que gosto de você assim.

- Sei, é agradeço, mas quero melhorar para você gostar mais.

Depois que ele arrumou as armas, mandou que eu deitasse e olhasse a paisagem.

- É bonita.

- Atire em coisas banais, que não afetaram. Vamos três tiros seguidos.

Olhei para Dean confusa, mas ele tinha certeza do que eu deveria fazer, assenti, me arrumei de forma que conseguisse manusear a arma corretamente. Ele sorriu, animado.

Atirei no chão, depois em uma árvore e depois numa fruta que caiu no chão com o impacto do segundo tiro, no momento em que me concentrei em não atirar em pessoas, meus músculos relaxaram é eu pude me esquecer a raiva que sentia sobre a morte de Júlia, Dean estava certo.

- Eu queria aquela manga, mas você meio que acabou com ela. – Disse Dean tirando o olho da mira da arma dele, eu ri.

- Desculpa.

- Tudo bem, agora é minha vez, vamos revesar. – Dean se arrumou e atirou em coisas aleatoriamente, depois eu, e no final, a floresta onde estávamos parecia um lugar que tinha restos de uma batalha, estávamos descansando no capo do Impala.

- Você ainda está de mal humor? – Ele perguntou depois de um tempão de somente analisando a paisagem.

- Não muito, mas ainda estou intrigada. – Falei com uma careta, ele pareceu ver porque riu um pouco.

- Quer falar sobre isso? – Sua risada ainda estava quando falou.

Bufei algumas vezes até achar a maneira certa de dizer isso.

- Eu estou sentindo uma culpa enorme pelo o que aconteceu. – Falei finalmente bufando de novo, até parecia que se eu bufasse, a culpa iria sair aos poucos.

- Mas não é culpa sua.

- Não fale isso, vai me deixar com mais raiva. – A respiração ficou mais lenta, ele parecia respirar fundo.

- O quê quer que eu diga? – Ele falou lentamente.

- Que eu sou uma burra, que eu devia ter feito alguma coisa para ela não morrer. – Ele demorou dessa vez de responder.

- Você não é burra e nada disso. – Ele respirou fundo. – Aposto que você não lembra o que eu falei quando seu pai morreu e você queria vir com a gente. – Já não me afetava mais falar do meu pai demônio.

- Sim. – Acabei dando uma risada. – Eu não lembro.

- Que nós não temos finais felizes Ana. – Ele não estava feliz por falar isso. – Quero dizer, não e toda vez, não e em 99% que a nossa vida e uma droga. – Ele sorriu de repente. – E nos outros 1% acontecem coisas como.... a gente. – Eu sorri e levantei minha cabeça para dar um beijo nele. Depois de algum momento de silêncio eu resolvi falar.

- Você tem razão, mas sei lá. E coisa de dentro, eu cresci com ela.

- Eu entendo. – Ele começou a fazer cafuné em mim, cafuné vindo de Dean Winchester? Ele realmente queria ajudar.

- Entende? – Ele hesitou, e parou de fazer cafuné em mim. Droga! Toquei em algum assunto delicado.

- Bom, nosso pai, ele , é...

- Se não quiser falar, tudo bem.

- Não, vou falar. Só estou pensando. – Eu assenti e ficamos mais um tempo em silêncio, a curiosidade estava me matando a cada segundo. Ele olhou para uma das árvores que tínhamos atirado, eu olhei também, tentando disfarçar minha curiosidade, mas enfim falou.

- Nosso pai, ele morreu por minha causa. – Não falei nada, ele pareceu entender. Respirou fundo e continuou.

- Uma coisa aconteceu. – Eu sabia que ele ia editar a história. – E nós três ficamos bastante feridos e então indo para o hospital, bateram feio na gente e eu fui o que mais machuquei e não iria sobreviver. Então meu pai fez um acordo com o demônio de olho amarelo, que queria muito a alma dele, sabe as almas dos Winchesters são as mais valiosas, aposto que a sua também, mas ele fez isso para que eu continuasse vivo, eu sinto culpa até hoje.

Senti que sua respiração falhou, saiudo meu lugar no capo e fiquei em sua frente, e ele de cabeça baixa, quase chorando, mas o seu grande orgulho não deixava eu ver.

- Dean, eu sinto muito. Mas não é sua culpa. – Peguei na mão dele, que estava fria, ele hesitou, mas entrelaçou nosso dedos.

- Não fale isso, vai me deixar com mais raiva. – Ele ria com as poucas lágrimas caindo. Não sei de onde vieram, mas quando eu ri, lágrimas também caiam dos meus olhos.

- Posso perguntar uma coisa? – Depois de um tempo falei.

- Claro.

- Como é. – Eu hesitava. – Esse “acordo” com demônios? – Ele não gostava do assunto, não mesmo, eu sabia que ele já tinha feito um, ele abaixou a cabeça e tomou e pegou uma cerveja que eu tinha deixado para ele há um tempo cerveja e deu um grande gole.

- Imagina que você quer uma coisa meio impossível, como ressuscitar pessoas, se curar de uma doença ou até ter sucesso em seu trabalho e você mesmo não consegue fazer isso. – Ele olhou para mim e assenti logo para ele continuar.

- Então você vai numa encruzilhada, com uma caixinha que tem algumas coisas necessárias e então você oferece a sua alma em troca do que quer. Ele somente te dá alguns anos a mais para viver na terra e quando acaba você vai para o inferno. – Arquivei tudo em minha mente dizendo somente um “Ah”.

- Espero que você nunca faça isso Ana Marie Brandon. – Ele me olhou serio. – Você não sabe como é isso, ainda mais que, como disse antes, a sua alma e bem pedida lá entre eles. – Cruzei os braços e também olhei para ele séria.

- E você Dean Winchester, nunca faça de novo. Porque você não vai ter a mesma sorte de ser tirado duas vezes. – Castiel virou um grande amigo, que estava sumido há algum tempo.

- Não mesmo. – Ele finalmente sorriu, voltei para a posição que estava. Conversamos sobre coisas banais até o sono cair em mim, Dean pareceu me carregar até o carro, não lembro muito. Somente fechei os olhos e capotei para os sonhos.

O sonho começou com eu dando alguns passos leves, mas barulhentos por causa da estrada que era de britas, eu estava perdida. Procurando por alguma coisa, até que dei uma volta completa e vi Dean, ele estava enfiando uma pequena caixinha em um buraco na terra. Eu tentei correr, mas minhas pernas não parecia andar, tentei gritar, mas minha voz não saia. Até que uma linda mulher apareceu, ela era sexy com um vestido preto e decotado porem não vulgar, seu salto não era afetado pela estrada. “ Olha quem voltou, Dean Winchester.” Sua voz era aveludada, deduzi que aquilo era para ficar mais fácil da pessoa cair no truque. “Eu quero fazer um pacto.” Dean estava com aquela cara de bravo, e sua voz estava mais grossa do que o normal. Ele não demorava muito para falar. “Eu lhe ofereço minha alma e ela fica viva.” Ele apontou para o algo, olhei com junto com a demônio e lá eu estava sangrando com um buraco no peito, eu não podia fazer nada. “Interessante...” a demônio hesitava. “Cinco anos com a sua feliz mulher.” Os dois se olharam por um tempo. “Dez, ou eu vou embora.” Dean sempre negociava as coisas boas, eu sorri em silêncio. Mas aquele sorriso doía, o que ele estava fazendo? “Feito.” Então ela o puxou para um beijo, eu sentia gosto de sangue em minha língua e minha face mudava e meu rosto esquentava. “O que você fez?” eu sussurrava, não dava nada, então a demônio foi embora acenando e sorriso sarcasticamente, e eu estava acordada confusa pelo sangue.

Meus olhos estavam abertos e eu via o pequeno quarto de hotel, bufei aliviada, tinha acabado. Percebi que minhas mãos estavam quase arrancando a camisa de Dean e ele não parecia se incomodar me abraçando, as soltei formigando e involuntariamente olhei para meus pés, que estavam descalços, mexi os dedos e estava somente com a meia preta. Sorri agradecendo.

Notas finais
cade voces? o proximo sovem com 5 reviwes, nem que demore um ano