Hunters
22 Capítulo 4
Tentei sair do grande abraço dele sem incomodá-lo e deu certo, o sono dele era mais pesado que tudo, sai do abraço e fui dando pequenos pulos na cama até pisar no chão. Ele se mexeu e virou para o lado quando percebeu que não estava mais me abraçando, andei silenciosamente e tirei as botas dele com muito cuidado. Dei uma pequena olhada no relógio e já era 3:47 A.M , eu queria acordar bem tarde, mas tem mais choro em algumas horas. Peguei um edredom que o hotel fornece e joguei nele, peguei um pouco pra mim e cai no sono de novo. Por sorte eu não sonhei mais, somente acordei com alguém fungado no meu pescoço, passei a mão para ver o que era antes de abrir os olhos e se entregar.
- Hey, acorde, já está na hora de ir para o enterro. – Sam dizia.
Se o Sam estava me acordando, Dean já estava acordado e arrumado. Eu estava quase para dizer “Não quero.” , mas seria uma sacanagem, eu que forcei eles a virem aqui.
- Um minuto. – Levantei meu braço se espreguiçando, minha mão tava levantada somente um dedo. Espreguicei mais uma vez e levantei da cama e fui direto para o banheiro
.- Bom dia. – Falei dando um sorriso para Sam que retribuiu rindo de mim. Fui tirando minha blusa e fechando a porta.
Tomei um banho rápido e pulei para fora do quarto com minhas roupas básicas de sempre. Caçadores nunca tinha uma grande noção da moda.
- Já temos caso. — Sam falou na porta de meu quarto.
- Já? – Ele assentiu.
- Alguma idéia? – Dei um gole grande de meu café.
- Não sabemos, vamos ver tudo hoje. Pronta para trabalhar?
Assenti dando um sorriso torto, um caso era sempre começo de uma aventura. Machucado leves e alguma confusão, principalmente agora com essa coisa de Apocalipse. 99,9% dos casos tinha alguma confusão envolvendo o grande acontecimento que estava por vir. Céu e inferno queriam dominar o mundo, mas uma grande dúvida que vinha em mim era. Onde estava Deus? Alías, não foi ele que fez tudo? Por que não pode acabar? Ele tinha o poder. Perguntaria a Castiel a próxima vez que o visse.
Dean estava no carro, tomando o seu café e arrumando as coisas.
- Bom dia.
- Bom dia. – Ele sorriu.
- Ok, acordando cedo. De novo. Para casos, aonde vamos?
- Vamos ver uns corpos que morreram de forma estranha. – Gruni.
- Argh, odeio ver gente morta logo de manhã.
- Essa é a nossa vida.
Como sempre, eu era alguma coisa a parte, para a coisa de parceiros deles dois não saíssem do padrão. Sam procurou, procurou e procurou por distintivos que por um momento eu pensei que iria ficar no carro. Até que ele achou e me entregou.
- Analista do necrotério da FBI? – Disse irônica.
- E o único que serve. – Sam parecia dar de ombros tentando se explicar.
- Preciso de traje, jaleco, prancheta. Esse tipo de coisa. – Meu tom de voz saiu um pouco desesperado, por sempre ser a boa garota. Eu me cagava quase que literalmente de medo de alguma coisa dar errado.
- Atrás de você. – Dean disse sem humor, me virei e tudo estava em cima do tampão do porta-malas.
- Vocês são uns ladrõezinhos... – Não terminei a frase porque eu não conseguia achar a palavra exatamente certa. Estranhos? Talvez, quem seria o ladrão que não pega seu dinheiro?
Vesti-me sem jeito no banco e coloquei meu crachá, meu nome era. Mary Meinerz.
- Mei..o que? – Tentei falar meu “nome”.
- Meinez, se diz como se escreve.
- Obrigada.
Eles também se arrumaram, foi aí que percebi que os dois já estavam com calças de smokings e as blusas sociais por baixo de suas jaquetas descoladas. Eles tinham habilidade, quando me ofereci para dirigir, Dean fez foi se mostrar que ele dava o nó na gravata e dirigia ao mesmo tempo.
- Bobão. – Sussurrei me encostando no banco, esperando que o caminho chegasse logo.
Chegamos lá e tudo estava quieto, saímos do carro e deixei-os trabalharam em seus personagens
- Bom dia senhorita. – Sam olhou para seu crachá. – Scott , somos da FBI , eu sou o agente Lilncon e esse e meu parceiro Gottschalk é essa e a nossa analista Meinez.
- Pra que ela? – A recepcionista questionou.
- Alguém da sua equipe ligou pedindo que o corpo não fosse retirado, então trouxemos nossa analista para que o pedido fosse atendido. – Sam falou no automático, eu tive a vontade de olhar para ele como quem dizia “Mas que diabos?”, mas me segurei.
A moça hesitou, nos olhou por um momento e assentiu nos levando para o necrotério. Eu resolvi contar, nós mostramos os nossos distintivos pelo menos cinco vezes para quem aparecia no corredor e dentro do necrotério, até a recepcionista se irritou e dizia que estávamos com ela. Quando ela finalmente abriu a gaveta, prendi o vômito.
- Aproveitem. – Sua voz sarcástica foi a ultima coisa que ouvi depois que a porta bateu.
- Ai que nojo. – Soltei sem perceber, mas olhei para os lados e os meninos sentiam o mesmo.
O corpo era de um homem, estava completamente ressecado e cheio, eu digo cheio de furuncos e muito pus, prendi o vômito muitas vezes e tentei prestar atenção na conversa deles.
- Pode ser bruxas. – Dean falava.
- Então teria que ter um saquinho, será que está na roupa ou onde ele morreu?
- Seria mais próprio no local, mas não custa nada ver nas roupas.
- Claro. – Eu sussurrei e Dean cuspiu uma risada. Eu tentava não olhar para o corpo, mas era meio impossível. – Ana, você está verde. – Ele disse enquanto eu revisava as roupas do cara.
- Não, não estou. – Disse tentando parecer com raiva.
- Está sim, ta tudo bem?
- Não, não esta. – Dean olhou para o corpo rapidamente e cuspiu outra risada.
- E nojento, mas precisa disso tudo? – Eu gemi, querendo que o corpo fosse de outro jeito. Tinha que ser pus e furuncos? Ai, Deus.
Sam deu risadinhas baixas, o fuzilei com os olhos e ele se calou.
- È, mas deixa-me contar um segredinho pra vocês. – Disse sussurrando.
– Eu tenho pavor de pus, eu odeio essa gosma amarela. Vocês sabem que eu não sou fresca, mas eu vejo tudo menos pus.
- Pus? – Dean gargalhada.
- Sim, é cala a boca e simplesmente me ignorem. – Sam assentiu parecendo procurar alguma coisa, até que me empurrou uma garrafa de água.
- É engraçado, mas respira. – Assenti quase bebendo a garrafa toda.
- Vamos ver as roupas juntos. – Disse passando em sua frente.
Foi difícil, mas depois de muita inchação de lingüiça da minha parte, eles pegaram cada um uma peça de roupa do home para que “examinasse”, mesmo assim eu fiquei com duas.
Procurei em todos os bolsos e partes possíveis da blusa, jaqueta e já estava no final da calça quando descobrir um bolso secreto.
- Odeio essas coisas. – Comentei procurando, toquei em um tecido aveludado, puxei animada. Era o saquinho.
- Achei.
Não demorou muito e os meninos já estavam atrás de mim olhando.
- Vamos. – Sam disse. – Isso já basta para a nossa vida.
Então agradecemos a moça que nos deixou entrar e pulamos dentro do Impala para de volta ao hotel, foi que eu percebi que finalmente estava melhorando, sentia a minha cor branca anormal voltando.
- Então... – Dean olhou para o retrovisor com aquele olhar que eu conhecia muito bem, ele iria me provocar. Fechei a cara, esperando o que iria por vir. — ...tem pavor de pus?
- Sim e daí? – Disse de forma grosseira, senti que Sam olhou para Dean de modo como dizia. Deixa quieto. Não vi se Dean respondeu, fiquei com raiva muito rápido.
- Vocês não entenderiam o porquê. – Disse antes que ele dissesse alguma coisa, cruzei os braços sentindo uma onda de frio que não sabia de onde tinha vindo.
- Talvez sim, alias, somos loucos. – Eu tentei rir, meu passado era uma coisa que eu trancava a mil chaves, mas algumas vezes era aberta de uma forma inexplicável.
Eles ficaram calados por um tempo, até que Sam falou.
- Se quiser conversar..
- Agora não.
Me encolhi no banco tendo a sensação idiota de que aquilo combinava com o meu pai, poderia ter mais coisas que eu não lembrava e na verdade eu não queria mesmo lembrar. Minha atitude tirou todo o clima de brincadeira, nós ficamos calados até chegar ao hotel. Eu vi que aquilo era culpa então tentei puxar assunto, mas alguma coisa já se manifestou antes de mim.
Um ronco grande e assustador me fez tremer, os meninos olharam pra mim de uma maneira estranha e demorou para que percebesse que o ronco veio de mim, eu estava com fome, acho que eu comeria um leão sem ao menos cozinhar. Não tinha comido nada, somente tomado o café.
- Acho que nós todos estamos com fome. – Sam ria.
- Vamos comer? Depois trabalho? – Disse e os dois assentiram.
Acabamos indo para uma lanchonete bem longe dali, quando o sangue esfriou, minha barriga dava aqueles roncos estrondos quase todo minuto possível, ele queria mantimentos. Chegamos à lanchonete, eu quase não deixei a garçonete se apresentar e fui pedindo qualquer petisco rápido enquanto o pedido vinha, ela acabou trazendo uma cestinha de pãezinhos enquanto os hambúrgueres – os meninos pediram a mesma coisa – eram preparados.
- Então.. – Disse comendo o outro pão em outra tentativa de puxar assunto. – Já tem algum tipo de bruxa suspeita?
- Não sabemos. – Sam disse. – Tem que ver o que tem no saquinho, mas aqui não dá. – Assenti, mas sua voz não estava normal. Dean nem ao menos falou direito. Eu respirei fundo, sabia o que dizer.
- Eu tenho pavor de pus porque uma amiga minha de infância morreu da mesma maneira, completamente cheia de pus e adivinha que foi os últimos a vê ela? – Não deixei que respondessem.
- Eu e meu pai. – Disse olhando para os dois que não se espantaram, sempre fui difícil de me relacionar com aqueles dois. Em anos, eu ainda não sabia direito.
- Sei que tem haver com o meu pai, mas eu odeio pensar nisso.
- Tudo bem. – Dean disse.
- Vocês sempre me contam tudo, acho que seria sempre bom eu também contar pra vocês. – Sorri torto, a comida tinha chegado.
- Também acho. – Sam disse sorrindo.
O clima pesado tinha saído logo depois, estávamos comendo e contando piadas de um e do outro, sempre zoando quem estava por perto. A lanchonete não estava tão cheia como algumas vezes estava, comemos rápido, cada um pagou sua parte então voltamos ao hotel, fui para o quarto deles.
- Vamos trabalhar agora. – Sam disse me olhando, ele pegou alguns papeis e jogou em cima da mesa.
- O que é isso?
- Os relatórios das pessoas que viram e do pessoal do necrotério. – Eu não sei porque eu ainda ficava surpresa.
- Vocês são loucos. – Disse me sentando na mesa, Dean deitou na cama não ligando a TV. Percebi que ele estava realmente cansado. Olhei para ele com os olhos confusos.
- Não sei porque, mas nesse tempo que tivemos para dormir, ele não dormiu nada. – Sam sussurrou numa maneira que só eu ouvisse, assenti tentando entender o acontecimento. Procurei em minha mente o que eu poderia ter feito, mas não achei nada, depois conversaria com Dean.
- Então, o que estamos enfrentando? – Perguntei ao ver que Sam já tinha aberto o saquinho, tinha um osso curvado pequeno, alguma erva é casca de alguma coisa.
- Vou te que ligar para o Bob, ele deve saber, porque isso esta além do que eu sei. – Ele ia pegando o telefone, eu o impedi.
- Deixa que eu faço isso. – Formou um sorriso em meu rosto que eu não sabia dizer o porquê, tinha tempos que eu não falava com Bob, era sempre Dean ou Sam, é eu sempre percebia que ele perguntava sobre mim.
Peguei meu telefone, disquei o número e apertei em ligar, tocou somente duas vezes.
- Que surpresa! – Sua voz tinha aquele toque de felicidade.
- Oi Bob, tudo bem? – Minha voz também tinha saído feliz.
- Tudo ótimo e como está?
- Ah, você sabe, dúvidas de caçadores. – Ele riu.
- Manda.
- Nós sabemos que é uma bruxa, mas sua intenção e irreconhecível aos nossos olhos.
- O que tem no saquinho? – Escutei passos e páginas sendo viradas rapidamente.
— Um osso pequeno, meio curvado. – Hesitei quando percebi o que era. – Costela de bebê? – Minha voz saiu falhada e confusa. percebi que meios olhos estavam arregalados.
- Continue e respire. – Bob disse depois de muito tempo. Obedeci, respirando fundo.
- Uma erva, parecida com a folha de maconha. – Sam cuspiu uma gargalhada e eu prendi os quilos da minha.
- Ok. – Bob pareceu ter a mesma reação.
- E um pedaço de casca, parece de ovo. Mas não caseira, meio amarelado e um pouco manchado. – Disse analisando a casca.
- Ok, um minuto. – Obedeci esperando, senti ele parecendo falar alguma coisa como. “Blá, blá, blá.” Até ele falar.
- Achei! Parece que vocês terão uma grande festa.
Fale com o autor