Hunters

15 Capítulo 15


Paramos em uma lanchonete que servia pratos prontos, grandes demais. Acabei dando um pouco do meu para Sam – que parecia estar com mais fome do que eu – No almoço os meninos brincaram criando razões loucas por que comer tanto e ser magra desse jeito, algumas eu gostei, eram reais. Brinquei de qual garçonete era a mais bonita para eles e se tinha coragem de convidá-las para sair, eles escolheram, mas não convidaram.

Voltamos para o hotel, à mecha de cabelo ficou em um plástico ao lado das chaves do carro, encima da estante. Aonde todos podiam ver e não esquecer também! A tarde foi tediosa, eu passei a parte dela dormindo no quarto dos meninos – eu sei que parece errado, mas eu não queria ficar sozinha — e eles eram bons garotos! Quando acordei só vi Sam sentado na mesa vendo o notebook.

- Acordou princesa? – Perguntou ele rindo.

- Não Sam, estou dormindo ainda. – Disse rindo, no começo ele me olhou com raiva, mas depois rio. Passei a mão nos olhos procurando alguma coisa.

- Onde tá Dean? – Perguntei um pouco desorientada, era um processo lento até eu acordar.

- Ele está andando de carro. Ele sempre faz isso quando não tem nada pra fazer, deve ta paquerando aquela garçonete. – Disse ele rindo, eu ri um pouco desesperada e confusa, meu coração martelou quando ouvi “paquerando aquela garçonete”, sentimentos confusos.

Levantei e fui pegar um pouco de água para mim, andei até Sam para ver o que ele estava vendo e era mais pesquisa.

- Não cansa não? – Perguntei no tom de deboche.

- Ah é legal, eu fico sabendo das coisas. – Ele sorriu me dando o troco e eu me sentei na cama de novo. Olhei na janela e me assustei, já era noite.

- Dormi tanto assim? – Perguntei sem tirar os olhos da janela.

- Não, quando dormiu já ia anoitecer. – Disse ele rindo, suspirei aliviada e poucos segundos depois Dean chegou fazendo barulho.

- A tal Elena foi cremada. – Ele disse sem humor, olhei para ele um pouco assustada.

- O que você foi fazer? – Sam perguntou confuso, eu não entendi a reação.

- Fui checar se ela foi cremada o mente fraca, eu falei. – Dean disse sem entrar no quarto, Sam olhou para o nada pensativo e deu de ombros.

- Ainda bem que a Ana tava dormindo.- Dean olhou com nojo para Sam, eu entendi a charada de primeira e dei uma gargalhada. Sam olhou para Dean com raiva.

- Não tem nada não se meu amigo ta necessitado. – Disse rindo mais ainda, Dean deu gargalhadas que eu aposto que a moça no andar de baixo na recepção ouviu. Sam não falava nada, só olhava para fuzilando com os olhos.

- Que seja. – Dean respirou fundo para conseguir falar. – Vamos?

- Vamos. – Nós dois dizemos juntos.

Checamos as armas e fomos para a antiga casa de novo, no caminho eu estava mais tranqüila. Já sabia o que fazer e como agir. Não demoramos a chegar à antiga casa por causa de Dean, ele também estava ansioso – mas pelo menos eu não estava demonstrando.

- Tudo bem Dean? – Perguntei com uma sobrancelha levantada.

- Tudo, tudo ótimo. – Ele disse rápido e me dando um sorriso, assenti que estava tudo bem. Chegamos e não demoramos muito, cada um ficou com uma arma, um cartucho reserva e uma lanterna.

- Trouxe o cabelo? – Dean disse enchendo o cartucho de sua arma, eu bufei.

- Merda! Sabia que tinha esquecido alguma coisa! – Disse batendo o pé e me virando para o lado oeste da casa.

- Tem alguém aqui. – Calculei rápido e vi a trilha feita da minivan até a porta dos fundos da casa.

- Como? – Dean disse com raiva, claro que era por minha causa.

- Tem alguém aqui. – Gritei.

– Olha aquela minivan, e uma trilha feita até a porta dos fundos da casa. – Sam e Dean olharam por um momento.

- Não é possível. – Sam disse com negatividade.

- Esse caras ainda estão vivos? – Dean disse apontando para a minivan.

- Quem? – Perguntei confusa, Dean respirou fundo.

- Uns fãs de meia tigela que dizem ser caçadores. Só atrapalha a nossa vida! – Ele gritou alto, parecia que era para eles escutarem.

- Olha porque você não vai pegar o cabelo enquanto eu e Sam salvamos a vida dessas pobres pessoas loucas? – Meu rosto era irônico, Dean percebeu e riu. Ele assentiu e entrou no carro.

- Vamos lá. – Disse corajosa, mas eu sabia que essa coragem ia acabar. Entramos na casa e como sempre estava tudo escuro. Ligamos a lanterna e lá estavam eles.

Era um grupo, uma menina e três meninos. Eles andavam pela casa se cagando de medo e gritaram bem alto quando a gente entrou.

- Quem são vocês? – Um gritou protestando e metendo sua lanterna na nossa cara, não precisamos nem responder.

- Winchester. – Ele disse com raiva.

– Mas quem é essa? – Ele olhou para mim com o olhar superior.

- A nova integrante. – Sam respondeu. O homem bufou e se virou entediado, os vultos passavam por se fossem um trânsito de fantasmas.

- Melhor que você. – Sam sussurrou, o homem não ouviu, mas dei um cutucão nele para parar com aquilo. Eu não era melhor que ninguém. Respirei fundo procurando o que fazer, ficar ali não era meus planos.

- O que acharam? – Perguntei sem humor nenhum em minha voz.

- Nada, ela não aparece. Só da uns sustos, mas não aparece. – Disse ele sem orgulho dele mesmo.

- Que coisa, vou aonde achei o cabelo. – Disse para Sam que assentiu. A menina quase pulou encima de mim.

- Vai lá encima mesmo? – Disse ela como quisesse me proteger.

- Se você quiser vim. – Eu via a vontade nos olhos dela de subir ali e descobrir o que tinha.

- Ta bom. – Ela saiu do transe e deu de ombros sorrindo, eu sorri para ela e depois fiz uma careta para Sam como “Louca” e apontei para ela. Sam riu.

Os degraus rangiam de novo e a menina se arrependeu quando chegamos encima, tentei ser simpática.

- Sou Ana, qual e o seu nome? – Perguntei sorrindo, ela virou o rosto para mim e sorriu.

- Michele. – Disse ela sorrindo.

- O que está fazendo aqui? – Perguntei curiosa, tinha uma certa mania de perguntar as coisas.

- Eu queria aventuras, mas parece que sou a mais corajosa daqui. – Disse ela resmungando, eu ri. Andei até o quarto que pertencia à assombração.

- O que está fazendo? – Ela perguntou me seguindo.

- Esse quarto pertenceu ao fantasma que esta assombrando. – Entrei no quarto, mas agora eu estava admirada com o tanto de coisas estavam ali. Minha felicidade não durou muito, um vento forte entrou no quarto e a antiga porta foi fechada.

- Droga! – Disse correndo até a porta, Michele deu um grito espontâneo e se afastou.

- Esta presa, porta velha! – Dei um chute depois de minhas tentativas de abrir a porta, Michele não falou nada, peguei meu celular no bolso da calça .

- Que ótimo!Sem sinal! – Disse indo em direção de Michele, peguei o saco de sal grosso todo apertado no meu casaco.

- Fica perto de mim. – Ela assentiu com a cabeça, estava paralisada e em choque. Peguei o saco e fiz um roda entre a gente.

- Não saia daqui. – Disse em um sorriso incentivador, aquilo era o que eu estava menos esperando. Michele enfiou a mão no bolso e pegou alguma coisa.

- I-isso e o que eu uso para falar com os meninos. – Disse ela baixo e se encolhendo, peguei rápido e vi que era um tele comunicador. Não sabia de os códigos que usavam só comecei.

- Alguém na escuta? – Disse esperançosa.

- Oi, Michele? – Uma voz de homem disse, eu não sabia quem era.

- Não é a Ana a que foi com ela, deixa eu falar com o Sam! – Disse em um tom de voz mandão, ele não falou nada. Escutei um sussurro como “ E pra você.” , escutei um vento e a depois a voz de Sam.

- Ana, o que houve? – Ele perguntou com a voz preocupada.

- Estamos presas aqui em cima, no quarto que pertenceu a fantasma. Não dá pra sair. – Disse em desespero, quando terminei briguei comigo mesmo por ter falado daquele jeito.

- Já to indo. – Ele desligou e eu devolvi o tele comunicador para ela. Estudei cada ponto do quarto sem sair do circulo de sal, tentei prever cada ponto em que ela podia aparecer, com a arma na mão eu relaxei. Mas não por muito tempo, outro vulto entrou no quarto e ela apareceu como quem não quer nada.

Atirei sem pensar duas vezes, por sorte eu acertei de primeira. Michele tampou os ouvidos com o tiro e um chute eu escutei vindo do outro lado da porta.

- Não sai daí. – Disse me virando para Michele, ela assentiu sem dizer nada e eu corri para a porta,

- Sam? – Gritei desconfiada.

- Sou eu! Liguei para o Dean, ele ainda ta chegando no hotel. – Gemi lamentando, a fantasma veio no quarto de novo. Meus olhos se arregalaram, mas me aquetei, alguma coisa em mim dizia que eu teria que ver o que ela queria.

A fantasma entrou sem dizer nada, Michele gritou eu quase gritei para ela se calar e ficar quieta, me encolhi na parede perto da porta e Sam pareceu me entender porque os chutes pararam. A fantasma olhou para onde eu estava, olhou tentando me achar mas o escuro não deixava. Então ela se virou para Michele, Michele olhou assustada como ela quisesse alguma coisa, as pernas do fantasma foram até o chão – ela se aproximou e Michele começou a se afastar o plano do dela estava dando certo.

- Para! – Eu gritei, Michele parou confusa e o vulto veio até mim. Onde estavam as minhas mãos? A arma não se levantava e eu não conseguia me mexer, as pernas estavam paralisadas. “ Corra, atire, faça alguma coisa!” Meu consciente gritava. A fantasma estava a pouco centímetros de mim, consegui mexer um pouco minha mão, atirei – ela desapareceu de novo. Eu suspirei aliviada, tinha conseguido.

Rezei para que Dean queimasse o cabelo logo. Dean estava bem e sem correr perigo, tive a sensação estranha que queria que ele tivesse lá mesmo, gemi ao lembrar que o isqueiro estava com Sam, quando voltei a me mexer completamente. Fui para o circulo com Michele.

- Tudo bem? – Foi a primeira coisa que disse enquanto ela estava tentando voltar ao seu normal. Ela somente fez “sim” com a cabeça, percebi alguma coisa oleosa em seu rosto. Eram lágrimas.

Sem pensar eu a abracei, ela se ajeitou em meu peito e deixou que as lágrimas caíssem, afaguei seu cabelo enquanto a fantasma não voltava – olhei meu celular e nada de sinal.

- Vamos sair daqui vivas, ok? – Disse com o tom corajoso, até me assustei com o meu tom de voz.

- Ok. – Disse ela, a primeira vez que ela disse alguma coisa desde que ficamos presas aqui.

Ficamos dentro do circulo sem se quer nos mexer direito, em minha mão direita estava a arma ainda um pouco cheia, a fantasma não apareceu desde a hora em que ela quase me pegou e também Sam não chutou mais na porta – deve ter se tocado que eu estava totalmente presa – tinha passado uns 20 minutos quando o vulto de vento forte veio de novo.

Ela era, estava com o olhar glamoroso de quem estava fazendo um plano super maligno, coloquei a arma em sua direção e atirei, depois do tiro a porta se abriu e se quebrou um pouco com o impacto com a parede.

- Eu disse que ia te tirar daqui. – Sam disse ofegante com a arma na mão, eu ri, ele tinha atirado na fechadura e chutado.

- Onde está Dean? – Perguntei com um pouco de desespero em minha voz.

- Chegando. – Disse ele ainda ofegante, Sam pegou o seu saco de sal e fez o circulo entre ele e o resto dos “caçadores”

- Vamos revesar os tiros ok? – Disse ele sorrindo, assenti e esperamos a próxima aparição dela.

No total foram cinco tiros do Sam e seis do meu até Dean chegar, ele chegou correndo todo atrapalhando tentando segurar tudo.

- Me dá o isqueiro! – Ele gritou com o saco que estava o cabelo na mão, abriu o saco rápido ligando o isqueiro. Ela apareceu de novo, Sam atirou rápido antes que ela pensasse.

- Vamos lá, vamos lá. – Ele ligava o isqueiro que apagava em segundos, ela apareceu de novo e eu atirei. O desespero estava me dominando de novo. Demorou a ele ficar ligado até o fogo pegar no cabelo. A fantasma apareceu de novo, mas não foi preciso atirar dessa vez.

- Conseguimos! – Disse comemorando.

- Muito bem! – Uma voz estranha saiu de dentro da sala, ele dava palmas calmamente.

- Um grupo perfeito! – Percebi que ele não estava sozinho, um sobretudo bege meio escondido me achou atenção.

- Castiel? – Eu e mais alguém disse ao mesmo tempo, fui ver quem era, era Dean.

- Oi. – Ele disse sem humor e com a cabeça baixa, o outro na frente dele falou.

- Sou o superior de Castiel, Zacarias. – Ele disse olhando para nós todos, Michele e seus amigos caíram no chão desmaiando.

- Eles não podem saber de tudo. – Zacarias comentou antes que alguém perguntasse, olhei para ele para estudá-lo, o corpo que ele tinha pegado não era nada agradável. Ele já tinha sua idade, os cabelos brancos e a calvície dizia isso, ele tinha uma barriguinha. Aquela famosa “ barriga de chopp” , ele usava um terno que não era muito bonito.