Hunter
9 Capítulo 9 - Só eu e você
Notas iniciais
Boa Leitura e Comentem !
POV Bella
Robert Pattinson – Let Me Sing
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Estava num mar negro, dentro desse mar eu não sabia nada, nem quem eu era e nem onde estava. A única coisa que sabia era que ali estava melhor do que qualquer outro lugar. Eu mergulhava cada vez mais fundo, mais fundo, fundo...
Ele estava lá, nas profundezas, com aquele olhar penetrante e o sorriso torto que tanto amo. De repente, uma mulher, parecida comigo, os mesmo olhos lilás, seu cabelo era, também, a cópia do meu, mas negros como a noite, aparece em minha frente e me abraça.
“Filha, tome cuidado e me desculpe” disse a mulher desaparecendo de repente.
“Mãe? MÃE!!” comecei a chorar em busca de minha mãe naquele mar frio, mas nada encontrando.
Edward foi se aproximando de mim e me abraçou.
“Não se preocupe meu amor, eu sempre irei cuidar de você” ele disse.
Quando fui abraçá-lo, ele sumiu como a mulher, que eu acho que era minha mãe. Como se fosse possível chorava mais ainda, o ar começou a me faltar como se alguém me sufocasse, eu me debatia passando a mão em meu pescoço, mas nada tinha ali, minhas forças foram se acabando e fui ficando sonolenta.
O mar foi ficando meio borrado, o fundo foi ficando mais longe, o negro foi se iluminando, cheiro de ovos começou a surgir. Minha mente começou a raciocinar direito e os acontecimentos anteriores foram surgindo em minha cabeça e a tristeza me encheu junto com a dor que formou no meu peito.
A imagem de uma mulher não saia de minha cabeça, ela era muito parecida comigo, mas não lembro tê-la visto alguma vez.
Permaneci imóvel, abri os olhos e olhei pra cima, não era o teto lá de casa, mas não importa, tomara que eu estivesse no inferno. Olhei pro lado e vi uma bandeja com comida, minha boca encheu de água, mas ignorei a fome e continuei com a inspeção. Olhei em direção aos meus pés, onde vinha a claridade, e estaquei com o que vi.
* Beyoncé – Disappear
http://www.youtube.com/watch?v=TIbpxaq1Xlw
Edward estava de pé, perto a parede de vidro, e com a testa encostada no vidro, não poderia dizer se estava de olhos abertos ou fechados, pois ele estava de costas pra mim.
Admirei-o por alguns milésimos de segundos, ele era muito lindo. Seu corpo não era tão musculoso, mas seus músculos ainda sim eram evidentes. A blusa destacava seus músculos das costas e dos braços, estava perfeito. A vontade de ir ao seu encontro e me afundar em seu abraço era grande, mas resisti.
Parei de olhá-lo e me ajeitei na cama, me sentando um pouco. Ele percebeu o movimento e virou em minha direção me encarando com uma expressão indecifrável.
- Bom dia Isabella – disse com um meio sorriso no rosto.
- Bom... dia – disse meio que estrangulada, eu não falava isso nunca a ninguém. Foi até estranho o jeito que falei. Abaixei a cabeça em tristeza por isso. Eu tinha raiva de mim mesma por ser tão horrível com todos. Ele percebeu minha tristeza e o seu sorriso desapareceu.
- Desculpa ter a trazido pra cá – ele disse olhando a paisagem, mais voltou a olhar pra mim com culpa – mas eu não poderia ter a deixado sozinha na clareira ou sua casa, não sabia se você estava bem ou não, mas se quiser pode ir embora sem dizer nada, eu não deveria ter me entrome...
- Não se preocupe – disse num sussurro o cortando, eu não tinha forças nem vontade de falar mais alto – eu fico grata por ter, eeh, cuidado.. de – limpei a garganta em nervosismo – mim – senti minhas bochechas arderem.
- Eeh, ok – ele disse com confusão estampada em seu rosto, mas disfarçou rapidamente – está com fome? Eu fiz café da manhã pra você, espero que não se importe de eu ter tomado essa iniciativa – ele disse um pouco nervoso.
Ele era tão bom, tão bom comparado a mim, como ele podia se quer pensar em me tratar bem depois de tudo que fiz? Eu não merecia tudo isso, não mesmo.
- Não me importo – disse-lhe tentando abrir um meio sorriso, mas saiu um pouco forçado.
Levantei-me da cama e percebi que estava com a mesma roupa de ontem. Ela estava um pouco suja, com pedaços de grama grudado no tecido. Olhei pros meus pés descalços e lembro que nem colocado sapato eu coloquei antes de sair de casa. Dei de ombros, estava sem humor o suficiente pra me importar com a aparência. Acho que ele percebeu meu olhar, e deu um meio sorriso, não entendi o porque.
- Naquela sacola ali – ele apontou para uma sacola de uma loja feminina que estava ao lado da porta – tem roupa e calçado pra você – ele disse um pouco receoso.
- Ok – foi só o que consegui falar, fui comer, minha barriga retorcia-se de fome.
Sentei e comecei a comer. Enquanto comia, ele ficava me olhando, ainda no mesmo lugar, com as costas encostadas no vidro.
- Por favor, sente-se – não sei da onde que as palavras vieram, mas pronunciei sem nem ao menos conseguir manter pra mim. Ele me olhou surpreso, mas sem dizer nada se sentou ao meu lado.
Ficamos alguns minutos assim, eu comendo em silencio, e ele também não dizia uma palavra. Estava até que um silencio confortável, mas se continuasse assim durante mais algum tempo não iria mais ser tão confortável.
Terminei o café, e fui pegar a roupa pra me trocar.
- Pode tomar banho se quiser, aquela porta ali é um banheiro, já tem uma toalha separada pra você – disse apontando pra porta em um dos lados do quarto.
Assenti e fui com a sacola ao banheiro.
Despi-me e fui ajeitar a temperatura da água. Entrei em baixo do chuveiro e fechei os olhos, aproveitando a sensação relaxante que me trouxe.
A tristeza me tomou por completo, mas eu tinha que ser forte, eu podia me segurar, pelo menos aqui. Já demonstrei muita fraqueza ontem, pra ele e pra mim mesma.
Terminei de lavar-me e saí. Nem prestei atenção no que fazia, eu estava meio que no modo automático. Foi o único jeito que encontrei de não desmoronar. Sequei meus cabelos com a toalha, e os penteei com uma escova que estava em cima do balcão, a única coisa que na hora percebi era que a roupa servia muito bem e era bonita, será que foi Edward quem comprou? Duvido muito.
Ao voltar pro quarto, vi que já estava tudo arrumado, a cama feita, com os lençóis trocados e a bandeja já não estava mais na escrivaninha. Ele estava sentado na cama, com a cabeça apoiada nas mãos, e ao perceber minha presença, me olhou e me lançou um olhar que me fez corar violentamente.
- Eh.. – limpei a garganta – a roupa serviu, obrigada – agradeci num sussurro nervoso, mas ele nada disse. Respirei fundo – eu pago por ela depois, não estou com a minha carteira agora – ele nem se mexeu enquanto eu falava, e o olhar permanecia o mesmo, e eu corando ainda mais – eeeh – limpei a garganta novamente, a vontade de pular sobre ele e o abraçar até essa tristeza cessar era grande, estava lutando contra ela desde que o vi nesse quarto, e já estava quase cedendo – tchau – disse num sussurro.
Ao me direcionar a porta, escuto o vento de sua corrida.
*Lara Fabian – Love by Grace
http://www.youtube.com/watch?v=md4aBXC_5dQ
Ele estava grudado em minhas costas, ainda sem dizer nada, só me segurando firmemente, fazendo com que meu corpo grudasse ainda mais ou dele. Ele respirava em meu pescoço erraticamente, fazendo arrepios subirem em minha espinha, eu estava tensa até o momento, mas meu corpo relaxou logo que sua cabeça descansou em meu ombro, dando um beijo em meu pescoço.
Eu não podia lutar, eu não queria. No momento eu só o queria junto a mim, me abraçando e dizendo que tudo iria ficar bem.
Lágrimas, que até então estavam presas a força, desciam em meu rosto, e meu corpo acompanhou-as, caindo junto, mas Edward não permitiu, pois estava ainda me abraçando pela cintura. Ele me virou de frente pra si, e me olhou, aquela expressão de dor estava junto ao seu rosto, não, eu não quero que ele sofra.
Foi mais forte que eu, segurei sua nuca puxando-o pra mim, fazendo nossos lábios chocarem-se com força. Ele correspondeu ao beijo logo quando iniciei o beijo, como se ele estivesse precisando desse toque tanto quanto eu.
Era como se tudo se encachace, como se todos os problemas explodissem e só existisse no mundo eu e ele, tudo parou só minha mente girava extasiada pelo toque de sua boca na minha.
Nossos lábios se encaixavam perfeitamente, como se fossemos feitos um pro outro, o beijo estava urgente, mas mesmo assim suave, minhas lágrimas caiam ainda mais, mas eu não as prendia pra mim mais, eu não queria mais me prender, não agora com ele. Queria pelo menos uma vez poder dividir meus problemas com alguém, não ser mais sozinha, pelo menos um momento, aquele momento.
Ele me pegou no colo, me embalando, ainda sem parar o beijo, e nos levou pra cama.
Ele se sentou e se arrastou até encostar as costas na cabeceira.
Depois de alguns instantes, separamos nossos lábios e nos encaramos, eu ainda chorava um pouco. Ele tentou enxugar meu rosto, mas foi em vão, pois minha face molhava novamente.
- Você é tão linda – ele disse com tom de admiração, fazendo-me corar – me dói vê-la assim, tão triste – ele disse, mas pareceu ficar com vergonhado, pois desviou seu olhar e olhou pro chão. Segurei sua face com as duas mãos e a puxei pra cima, fazendo-o olhar em meus olhos. Puxei sua boca pra minha novamente, um beijo calmo, apenas um selinho demorado e profundo.
- Obrigada – foi só o que eu consegui dizer antes de ele selar nossos lábios, mas dessa vez mais urgente, fazendo minhas costas ir de encontro ao colchão, com ele vindo junto em cima de mim.
Pensei que ele tentaria alguma coisa a mais que aquele beijo, mas me enganei. Ele apenas me beijava e acariciava meu rosto com o polegar.
Depois de um tempo assim, separamos nossos lábios, e ele se sentou me puxando junto, me puxando pro seu colo.
- Isabella, por favor, diga-me o que está acontecendo com você, eu quero conhecê-la – suplicou, olhando fixamente em meus olhos e segurando com suas duas mãos meu rosto.
Cerrei os dentes, lutando contra a vontade de falar, mas eu sabia o que iria acontecer, minha vontade de dizer-lhe e de fazer sua vontade era maior que todas as outras vontades de meu corpo.
POV Edward
Eu não acreditava no que estava acontecendo, pensei que ela fugiria dos meus braços como fez da ultima vez, mas ela não fez.
Eu não consegui me segurar quando a vi indo embora tão linda, não conseguia tirar os olhos dela, aquele vestido ficou tão bem nela. Me sentia culpado por estar a deixando envergonhada com meu olhar, mas ao mesmo tempo feliz por isso.
Meu corpo se moveu de encontro ao teu num ato involuntário, eu não queria deixá-la ir, e ela depois de meu toque parecia querer o mesmo que eu.
Ela se entregou aos meus carinhos assim como eu me entreguei aos dela, era como se dependêssemos disso.
Meu mundo estava derretendo de tanta paixão que nos envolvia ali, éramos só nós dois no mundos e mais nada.
Mesmo estando tão envolvido por ela, não esquecia o fato de ela estar tão triste, me doía internamente vê-la assim, eu precisava saber o que tinha acontecido, aliás, eu precisava conhecê-la, iria esperar o momento certo pra isso.
Depois de eu ficar envergonhado de assumir meus sentimentos, ela me olhou nos olhos e agradeceu a mim, não sabia ao certo o motivo do agradecimento, mas nem perguntei, seus olhos mostravam tanta paixão que não consegui me segurar e a beijei mais uma vez com toda minha devoção a ela.
Quase perdi minha cabeça e tentei dar o próximo passo as carícias, mas eu sabia muito bem que ela não estava no momento pra isso e me controlei.
Ficamos um tempo assim, nos curtindo e nos acariciando suavemente. Eu não agüentava mais ficar quieto eu precisava saber.
- Isabella, por favor, diga-me o que está acontecendo com você, eu quero conhecê-la!
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