Hunter
10 Capítulo 10 - Meu Maldito Passado.
Notas iniciais
Boa Leitura!
POV Bella
Eu sabia que ao começar a contar toda minha vida, a dor que já estava me sufocando, iria aumentar, mas eu precisava falar, aliás, confiar em alguém, pelo menos uma vez na vida.
Ele me suplicava com aqueles olhos âmbar, intensamente fixo nos meus. Era como se ele quisesse ver minha alma através deles, coisa no qual eu duvidava que tinha, pois com certeza já perdi a muito tempo.
— Por favor! – ele suplicou mais uma vez, eu soltei um alto suspiro em derrota sobre me manter calada e levantei de seu colo, fui pro meio do quarto.
— Eu tenho 1809 anos – ele ficou espantado por minha idade, mas não pensava algo coerente por isso, só espanto – sou mais velha que os Volturi, ou pelo menos já havia nascido muito anos antes de aquela corja nojenta se juntar. Antes de seu “reinado” iniciar, eram outros vampiros quem “comandavam” o reino vampírico, o clã Donatto, era um clã tirano, que não aceitavam nada. Cada vez que saiam do castelo, podia ter certeza, haveria uma matança por vir, tanto vampiros quanto humanos eram massacrados – eu falava sem emoção, apenas nojo — Eles eram mais temidos que os Volturi são hoje – parei e olhei pra ele — eu não posso dizer se eram mais temidos antes do massacre que seu clã passou – ao falar do massacre meu peito doeu, e uma lágrima involuntária desceu de meus olhos – quando foram atacar um reino de bruxas, foram muitas perdas pros dois lados, mas as bruxas foram basicamente exterminadas – lágrimas fluíram de meus olhos livremente agora, ele veio até mim, que estava de pé no meio de seu quarto, quase desabando de tanto chorar por conta da tristeza que me consumira, me abraçou e me levou de volta pra cama, me colocando em seu colo.
— Shiii, não fique assim Isabella, se quiser, não precisa continuar, eu não irei te aborre... – ele dizia me embalando, como se fosse uma criança.
— Não – eu coloquei o dedo em seus lábios interrompendo-o – eu quero e preciso – e selei nossos lábios suavemente.
— Por que a tristeza ao me contar sobre o massacre das bruxas? – ele perguntou quando finalizamos o beijo.
— Foi nesse massacre que minha mãe foi morta. Foi o dia do meu nascimento e o de sua morte – eu já chorava copiosamente. Ele me abraçava com carinho e compaixão.
— Tua mãe era uma bruxa então? – ele disse enquanto me puxava pra trás pra poder encarar meus olhos.
— Era a rainha – disse deixando um sorriso de orgulho de minha mãe escapar de meus lábios – Cira Beladonna, era seu nome, era a mais poderosa de todas as bruxas que se podia imaginar, dizem que ela conhecia tudo sobre magia e sobre o mundo das bruxas. Ela era a rainha mais amada e respeitada de toda Volterra – eu sorria de admiração por minha mãe, mas logo a tristeza voltou e olhei pro chão – era, até esses malditos Donattos aparecerem e destruir toda a cidade. O número de mortes foi idêntico, mas o número de bruxas era menor do que de vampiros, então foi um massacre do reino de minha mãe – eu levantei e fui ao banheiro lavar o rosto pra relaxar um pouco, ele me seguiu.
— Mas como você sobreviveu? – ele me perguntou, encostado na soleira da porta, nunca tirando os olhos de mim.
— Isso ainda é um mistério pra mim – disse olhando pra pia, apoiando nela com os dois braços, me virei pra ele e encostei meu bumbum na bancada da pia – só sei que alguém me levou até Zafrina – ele me olhou com cara de duvida – ela foi como uma mãe pra mim, me criou e cuidou de mim até eu completar 16 anos – fui caminhando em sua direção e o abracei sentindo seu cheiro, me dava tanta paz.
— O que aconteceu depois disso? – ele disse dando um beijo no topo de minha cabeça.
— Um maldito vampiro a matou, ela estava dormindo e eu tinha ido até uma aldeia perto da casa dela, comprar algumas coisas, eu não era tão boa com previsões ainda, mas consegui prever alguns minutos antes – ele me pegou no colo e nos levou até a cama, sentando – quando cheguei lá, o vampiro já estava sugando as ultimas gotas de seu sangue – minhas lágrimas escorriam agora de meus olhos, não tinha mais como segurar, era como se eu estivesse no meio da cena de novo – comecei a chorar e o vampiro me viu, ele veio pra cima de mim, me atacando – ele ficou tenso – mas antes que ele conseguisse chegar a mim, meu lado de vampira acordou, pela primeira vez, e pulei em cima do vampiro – fiquei calada depois disso.
— Não quer mais falar? – ele disse esfregando meu braço com uma mão.
— É melhor você ver – falando isso, desbloqueei minha mente, deixando as imagens da luta entrar em sua mente.
Ele ficou rígido quando viu o vampiro maldito vir pra cima de mim, me apertou mais contra ele.
Evanescence – My Immortal
http://www.youtube.com/watch?v=B-A-4NQfFRs
Zafrina estava morta, por aquele monstro sugador de sangue, ele olhou pra mim e um sorriso nasceu de seus lábios sujos de sangue. Uma raiva me tomou e senti meus olhos mudarem de alguma maneira, não me importei, só enxergava tudo vermelho, e uma vontade louca de afundar meus dentes da garganta do sanguessuga e depois de arrancar-lhe a cabeça fora.
Não me importei com o tamanho dele, já que era muito maior que eu e provavelmente mais forte, quando ele veio pra cima de mim, eu rosnei alto e meus dentes começaram a doer, meus caninos tinham crescido, não tive tempo de questionar o porquê daquelas mudanças em mim, só deu tempo de eu pular em cima dele e fincar meus dentes em seu pescoço.
Cuspi o pedaço e rosnei, minha boca tinha o sangue daquele nojento escorrendo, mas nada importava, eu só queria mata-lo.
Ele me deu um soco na barriga me fazendo voar pra parede, não doeu, e caí de pé. Agachei em posição de ataque.
- Você é muito abusada pirralha – ele disse rosnando pra mim – tudo isso por uma bruxa velha? – eu rosnei mais alto, eu não comandava minhas ações, meus instintos que me controlavam
Não respondi, só pulei em cima dele, mais rápido do que ele pode acompanhar, segurei sua cabeça com as duas mãos e puxei, fazendo força com os pés que estavam em cima de cada ombros.
- Verme nojento – disse quando pisei em sua cabeça com força, esmagando.
Depois disso cai chorando ao lado de Zafrina, minha única família que restou, agora estava morta, pelas mãos de outro sanguessuga desgraçado.
- Mãe, volta por favor, me mostra como se faz isso – eu batia no peito morto de Zafrina – não me deixe sozinha mãe, você prometeu nunca me deixar, lembra?
Fique deitada em cima de Zafrina chorando durante um tempo, eu estava com muita raiva do que tinha acontecido, eu sentia que ainda estava diferente, levantei e fui me ver num espelho, quando consegui me ver, cai pra trás, tropeçando nos próprios pés, tamanho o susto que levei. Me levantei e me encarei de novo, dessa vez as minhas lágrimas vieram iguais cachoeira.
- NÃO, NÃO, NÃO – eu gritei tocando meus caninos, que eram muito pontiagudos e maiores que o resto do meus dentes – isso não pode estar acontecendo comigo – olhei horrorizada pros meus olhos que estavam negros como a noite – eu não sou isso – eu soquei o espelho em mil pedaços e caí no chão novamente, abraçando minhas pernas.
Eu não sou uma vampira, não posso ser! Como isso está acontecendo comigo? Nunca fui mordida e cresço igual a um humano normal. Eu não posso ser igual a eles, não posso.
Fui até o lado de Zafrina e deitei ao seu lado abraçando-lhe o corpo, ignorando o cheiro de seu sangue que me queimava a garganta, eu só queria morrer.
Eu chorava muito aninhada ao peito de Edward, encharcando sua camisa.
- É por isso que você nos odeia tanto? – ele disse me abraçando forte – não odeie minha família, nós nunca faríamos mal algum pra você.
Ele dizia meio nervoso, como se depois de eu lhe contar tudo aquilo eu iria embora, nem que eu quisesse.
Coloquei o dedo em sua boca, o fazendo ficar quieto e o beijei ternamente, eu precisava de seu toque, me dava paz e me fazia esquecer tudo que me aconteceu.
Ele segurou minha nuca com uma mão e retribuiu o beijo apaixonadamente.
- Eu confio em você – eu disse quando cessamos e nossas testas estavam coladas. Ele deu um sorriso feliz e me deu um selinho.
Foi estranho assumir isso, mas foi tão verdadeiro e espontâneo que achei mais estranho ainda.
Acordei com o sol batendo em meu rosto e com a garganta ardendo de sede, olhei pro corpo de Zafrina e o abracei pela última vez. Peguei-o no colo, sem fazer o mínimo de força, e o levei pra seu jardim.
Arrumei toda cerimonia de despedida, tudo como Zafrina tinha me ensinado, e coloquei o corpo no meio.
— Que Zux, nossa deusa, proteja sua alma, mãe – disse antes de começar a orar o mantra.
Meus olhos tingiram de roxo, como em todo momento que uso de bruxaria acontece, e a energia da terra, vinha em forma de vento, fazendo meus cabelos e roupas voar pra cima. Ao terminar o mantra, desintegrei teu corpo mandando aos céus, para perto de Zux, minhas lágrimas caiam sem parar.
Depois disso fui pra dentro de nossa cabana, pegar o corpo, ainda vivo do vampiro, para mata-lo de vez.
Vampiros são muito difíceis de matar, mesmo sem a cabeça o corpo fica vivo, mesmo sem conseguir fazer nada, estes vermes ainda vivem, se não tomar conta a cabeça de regenerava e com a ajuda de alguém, colocando no lugar, ele voltavam a ativa. Tive sorte de ninguém ter vindo aqui juntar a cabeça do vampiro que matou Zafrina.
Fui até a cabeça, que antes esmagada, agora estava totalmente perfeita, tirando a parte de que não estava grudada ao corpo, dei uma risada cínica quando ele olhou pra mim, me abaixei e peguei a cabeça pelos cabelos, me levantando.
— Que feio, perdeu pra uma pirralha abusada de apenas 16 anos – cuspi na cabeça, tamanha era minha raiva – parasita nojento, você vai assistir a tua morte lenta, detalhadamente – disse indo em direção ao corpo – e enquanto você se retorce de dor eu do risada do quanto patético você é.
Retirei a perna, puxando lentamente, vi seu rosto e torcer de dor e um rosnado saiu de minha garganta junto com uma risada, saiu de mim involuntariamente, mas eu tinha tanta raiva que nem liguei.
- É horrível ficar sem saber o que fazer pra agonia passar – peguei a vela que iluminava a casa, e coloquei a perna em cima, para que apenas aquecesse – eu vou ficar um ano se precisar, mais eu vou queimar parte por parte de seu corpo, muito lentamente, você vai estar querendo morrer, mais do que qualquer outra coisa que você tenha desejado em sua vida escrota e inútil – fui aproximando a perna lentamente da chama, quando sua perna começou a queimar, um urro estrangulado de dor saiu de sua garganta – pode gritar, isso só vai diminuir o ritmo, e fazer você sentir mais e mais a dor que provavelmente Zafrina sentiu enquanto você a matava – dizia rosnando, meus caninos já estavam expostos e eu enxergava vermelho, eu me sentia nojenta por ter esse meu lado sanguessuga, mas a maior parte de mim só se importava em fazer aquele verme sofrer como nunca sofreu.
E foi isso que fiz durante 5 dias, queimando parte por parte de seu corpo morto.
Edward não dizia nada, nem pensava nada, só estava assimilando tudo que tinha escutado.
- E-eu... me desculpe — eu disse chorando – me desculpe pelos pensamentos sobre vocês, eu sei que a sua família nunca faria mal, é só que ...
- Shii – ele me calou com um selinho – você tem motivos pra isso, não se culpe – ele pegou meu rosto com as duas mãos, como se fosse um cristal e distribuiu beijos por todo meu rosto, inclusive meus olhos, que estavam fechados pra sentir melhor seu toque – e eu não pedi pra você se culpar, e sim desabafar e eu te conhecer, não se preocupe comigo.
- Obrigada – eu disse o abraçando mais forte – você é tão bom pra mim – disse soltando um suspiro.
“Eu não o mereço, não deveria estar com ele, ele não merece sofrer com uma pessoa como eu” pensei, esquecendo totalmente o fato de ele ainda estar conectado a minha mente.
- Não sei mais ficar sem você – ele disse olhando em meus olhos intensamente – eu sei que nós estarmos juntos é algo errado tanto pra mim quanto pra você – ele dizia com confiança – mas se é o que queremos dane-se tudo!
- Mas eu não sou boa, eu sou uma criatura perigosa, ruim e desalma....
- Chega – ele falou mais alto – pare de ficar se penalizando, todo mundo comete erros, é normal!
- Você não está me entendendo Edward – eu disse levantando, começando a me irritar – eu GOSTO de matar, eu não me arrependo de nenhum assassinato que cometi – ele me olhava em choque – se eu pudesse voltar no tempo eu cometia todos novamente, e o que me irrita é que você não intende que eu nunca vou mudar o jeito que eu sou, eu realmente, não sou boa, e nunca mais voltarei a ser!
- Mas...
- Não tem mais, a ultima vez que me lembro de ser boa, foi antes de Zafrina morrer, a morte dela, foi a morte de tudo de bom que restava em mim – eu já estava exaltada, meus caninos já estavam a mostra e meus olhos estavam pretos – eu não sou uma pessoa com muito autocontrole, e não luto pra controlar, se eu tiver vontade de matar eu irei matar.
- Minha paciência, já deu, senta a porra da bunda nessa cama e se acalma, ou eu vou fazer isso a força! – ele gritou alterado.
Mas um grande problema ele arranjou, eu nunca fui de receber ordens, e sempre que tentam mandar em mim, eu perco o rumo e ataco. Ele mal terminou de falar eu voei pra cima dele com uma mãe na sua garganta.
- Antes de você pensar, eu mataria você, então não me ameace que eu te mato! – disse ameaçadoramente em seu ouvido, ele gargalhou.
- Me mate logo de uma vez! – ele disse.
A raiva, que já era grande, cresceu em mim de uma maneira absurda, mas eu não consegui pensar em nenhuma maneira de mata-lo, e sim, uma vontade estranha, que concretizei sem pensar duas vezes.
Notas finais
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