Hunter
15 Capítulo 15 - Inimigos - parte 1
Notas iniciais
Sleeperstar — I Was Wrong — http://www.youtube.com/watch?v=h04JE9t4VYs
POV Bella
Dentro daquele carro eu pensava claramente em minhas decisões. Eu não queria que Edward saísse ferido nunca, principalmente se fosse por minha causa e eu tinha em mente que se ele ficasse comigo ele correria esse risco a cada segundo.
Nesse momento mais do que nunca eu sentia raiva de meu passado, raiva do monstro que fui e pior, que ainda era, e raiva de não poder resolver isso.
Não dizia uma palavra durante o percurso, eu já tinha tomado minha decisão e a dor que me tomava era forte, provavelmente uma palavra me faria cair e desistir de tudo. Maldito Jacob. Por que ele tinha que aparecer logo agora que eu estava tão bem, tão... feliz.
Ele parou e respirou fundo, então senti seus dedos gelados passeando em meu rosto, aquele toque era tão bom.
- Não quer passar a noite em minha casa?
- Eu tenho a minha, Edward – acabei dizendo em meio à raiva, soltei todo o ar dentro de mim me arrependendo de ter sido tão estupida e abri os olhos, sem olhar pra ele, não podia – eu... – não podia mais ficar ali, não conseguiria continuar.
Saí rapidamente transtornada, meu corpo estava entorpecido. Por que eu não podia ser a egoísta que estou tão acostumada a ser? Por que justo nessa hora a Bella boazinha não podia ficar enterrada como antes? Isso me deixou ainda mais frustrada aumentado minha raiva.
- Hey, espere Bella – quando dei por mim ele estava na minha frente e eu estava pronta para atacar.
Demorei alguns instantes para perceber que era Edward quem estava em minha frente e que eu o via como uma ameaça, maldito lado vampiro.
- Merda, me desculpe Edward – passei as mãos nos cabelos, um gesto totalmente nervoso – eu reajo assim quando sou pega de surpresa – não podia mais encara-lo, então desviei dele e fui em direção à porta, mas ele me impediu segurando meu pulso.
- Isabella, pare e me fale o que está acontecendo? – eu continuei não olhando em seus olhos, sabia que se o fizesse as chances de eu continuar eram quase nulas – Por que está agindo assim? – porque eu quero o seu bem, pensei o olhando tristemente.
- Eu tenho que ir Edward – não me movi esperando ele me deixar para que eu possa sofrer sem o envolver, quando percebi que ele não iria soltar, raiva e tristeza me encheram por estar fazendo isso – por favor, só... vá embora – abaixei a cabeça contendo a vontade de chorar que me sufocava a garganta.
Ele me soltou e foi para seu carro, eu não me mexia, estava paralisada pela dor.
- Achei que tudo o que aconteceu hoje tinha valido a pena pra você como foi pra mim – me virei para ele com remorso e ultraje por ele estar pensando desse jeito – pelo jeito, achei errado – eu não podia culpa-lo por ter achado isso, então eu tive que correr pra dentro de casa para que ele não me visse desabando em lágrimas da mais terrível dor.
A dor piorou ao escutar ele implorando, em seus pensamentos, para que eu voltasse atrás e pedisse desculpas pelo meu comportamento, implorando para eu abrir essa porta e fosse o abraçar dizendo que o que eu disse era mentira, mas eu não podia fazer isso, não podia mais o fazer sofrer e correr riscos por ser tão egoísta por querer ele por perto. E foi escutando seu carro arrancar cantando pneus que me debulhei em lágrimas e em uma dor terrível em meu peito. Abracei meu tronco deslizando pela porta sentando no chão e ali ficando por horas.
Rihanna – Wait Your Turn — http://www.youtube.com/watch?v=PgUqsl-qoFY
Quando abri os olhos, percebi que já tinha amanhecido e eu não tinha percebido que tanto tempo tinha passado, eu não dormi, pra falar a verdade é raro eu dormir. Isso acontece apenas quando uso muita magia, que desgasta meu corpo, então eu só durmo pra recuperar toda a energia, o que agora não era meu caso, já que eu já tinha dormido muito dois dias atrás.
Levantei e fui tomar um banho. Coloquei uma calça jeans justa, uma regata acompanhada de uma jaqueta de couro e uma bota, eu tinha que resolver todos os assuntos pendentes em minha vida. Nunca fui de depender dos outros em minhas decisões e não seria agora que faria isso.
Coloquei os óculos de sol, já que o sol hoje resolveu vir com força total na nublada Forks, e peguei a chave do carro correndo até a garagem.
Estava a 200 km/h na estrada e bufava irritada com a vontade de ir correndo, pois seria muito mais rápido.
Nessa hora a Bella boazinha tinha voltado ao túmulo me deixando extremamente irritada. Na hora em que tinha que ser uma quase chorava de tanta dor que me causava. No momento a única coisa que me vinha à mente era uma morte lenta e dolorosa para todos aqueles cachorros.
O debate interno foi interrompido quando entrei no território de La Push, aquele cheiro de cachorro me dava nojo. Provavelmente sentiram meu cheiro logo que cheguei, porque ao parar na frente de um galpão onde os lobos se reuniam, o cheiro de carniça invadiu minhas narinas como brasa queimando, a sensação de náusea me tomou.
- Cheira como a morte – falei quando entrei no local e algumas dezenas de lobos me encararam juntamente com alguns não transformados, todos rosnaram.
- Olha quem fala – falou uma mulher que fedia igual a todos os cachorros dali, seu nome era Leah.
Gargalhei alto sarcasticamente.
- Uma cachorra? Essa é nova – ela rosnou se transformando em loba e pulando em mim – vocês nunca aprendem – falei como se estivesse falando com uma criança que fez arte ao paralisar ela no ar.
Ela começou a soltar ganidos, se remexendo tentando descer.
- Não tente isso de novo Lessie, que você pode começar a andar com somente três patas, ou nem andar novamente – ela rosnou – ótimo! – sorri e a joguei longe – Onde está Sam? – falei olhando todos que me encaravam e rosnavam.
Um lobo negro pulou sobre todos e parou em minha frente.
- Ótimo, agora se transforme – disse fria, eu nunca revelei que conseguia ler mentes para nenhum cachorro e eles também não descobriram o que era bom.
O lobo ficou de pé e em alguns segundos os pelos sumiram e um homem musculoso e pardo surge totalmente nu.
- Olá Isabella – ele falou sério totalmente ereto, totalmente mesmo.
- Oh por favor, se vista, todos já viram que seu pinto é grande, agora esconda-o! – falei com nojo, ele bufou e pegou a peça que estava amarrada em seu tornozelo vestindo rapidamente – Bem melhor.
- O que a trás aqui? – disse seco.
- Estou aqui pra lembrar-lhe de nosso acordo – cruzei meus braços.
- Nós estamos fazendo tudo de acordo com o combinado.
- Estão o caralho, eu não quero nenhum lobo andando por Forks e muito menos Seattle sem minha permissão – bufei.
- E nós estamos fazendo isso – falou estufando o peito. Levantei uma sobrancelha e caminhei em sua direção lentamente, espalmei minha mão em seu peito e senti ele se arrepiar ao meu toque.
- Então me diga por que o porco do Jacob estava na boate de Victória ontem à noite sangrando no banheiro por eu ter quase o matado? – sussurrei sedutora e ameaçadora em seu ouvido, ele ficou rígido – Não tente me enganar Sam – me afastei e notei o volume em sua bermuda – se comporte na frente de todos! – falei com um sorriso cínico, ele rosnou, mas logo abaixou a cabeça em vergonha.
- Eu não sabia...
- Nem venha com essa, eu sei muito bem que vocês tem a mente conectada quando se transformam – ele me olhou com espanto, empinei o nariz e dei uma passo a frente – Estou aqui pra avisar, se algum vampiro aparecer morto em Forks ou Seattle e eu descobrir, e pode ter certeza que quando vocês decidirem eu irei saber, a trégua que firmei com o velho Uley acaba e sua raça imunda vai ser exterminada antes que você possa pensar em pedir perdão.
- Você machucou alguém do nosso bando? – ele rosnou.
- Não machuquei – balancei a cabeça negativamente – eu deixei a beira da morte, mas infelizmente vocês se curam rápido.
- O trato diz que você não pode fazer mal algum...
- Aos seus cachorrinhos? Sei muito bem o que ele diz – disse com desdém.
- Então...
- Cale a boca, eu deveria é ter o matado quando ele pensou que poderia encostar um dedo em mim, quanto mais vir se esfregar em minha bunda – minha carranca era de nojo.
- Ele não fez...
- Oh sim, o bastardo fez e pagou, agora não me venha com esse papo de que eu não poderia encostar um dedo naquele moleque – me exaltei – então esse é outro aviso, estou mudando o trato, eu não quero vocês em Seattle, nem em Forks, Port Angeles ou cidades vizinhas, não quero saber de vampiro morto pelas mãos, ou melhor patas, de algum de vocês – Sam negou – não estou negociando, e outra coisa, se algum de vocês pensarem em encostar o dedo em mim ou em algum Cullen, eu disse PENSAR, vai ter a morte mais dolorosa que se pode imaginar, e pode ter certeza que nessa morte eu sou especialista – eles recuaram com o tom ameaçador que usei – acho bom terem medo, porque o que estou falando irá acontecer.
- Os Cullens voltaram? – Sam falou, olhei com curiosidade, mas disfarcei.
- Sim – falei amarga, não gostei de eles saberem algo sobre algum deles.
- Relembre-os do trato.
- Eu irei – falei tentando ignorar a vontade de perguntar sobre o que se tratava, e fui embora.
Rihanna – G4L — http://www.youtube.com/watch?v=4WwWGvIBIVE
A história com os lobos começou quando me mudei a primeira vez para Forks, logo no início do século XX. Quando fui caçar para os lados de La Push, senti o cheiro nojento deles e acabei me deparando com o velho Uley, que de início tentou me matar pensando que eu era somente uma vampira, mas no final das contas ele achou que eu era algum demônio pior, o deixei achar o que quisesse e acabei firmando o trato de não machucar sua tribo se vampiro algum fosse morto na região, ele acabou tendo que concordar já que eu não estava negociando.
Vampiro vivo pra mim é algo que vale muito, principalmente vampiro velho. Toda e qualquer informação sobre o ataque as bruxas era bem-vinda, algo que nunca tive o necessário para saber o suficiente e matar o mandante. Esse sim eu caçaria até o inferno e o faria sofrer muito mais do que sua eternidade com o capeta.
Segui até Seattle e fui para a casa de Victória, precisava ver o que ela tinha conseguido para mim. Parei o carro na frente de sua casa e desci. Toquei a campainha e esperei até ela abrir a porta.
- Olá – ela falou com curiosidade.
- Como foi de viagem? – perguntei entrando em sua casa.
- Como...? – entramos – sente-se – sentei-me no sofá.
- Chega de papo, vamos ao que interessa – ela ficou rígida, dando um passo para trás, olhei em seus olhos e a mandei falar tudo sobre os Volturi.
- Os Volturi estão sabendo da existência de um ser mais poderoso que um vampiro – falava automaticamente — querem organizar buscas por todo o mundo, querem destruí-lo a todo custo – bufei irritada.
- Mas que merda, não tenho sossego – afundei meu rosto em minhas mãos – você sabe quem falou sobre mim?
- Um vampiro nômade, James Gigandet – e foi ouvindo esse nome que minha respiração parou.
- James Gigandet? – falei com a voz alterada.
- Um vampiro que não tem origem, apenas passou essa informação a Aro e de alguma maneira bloqueou sua mente a ele, não o deixando ler.
Eu estava em estado de choque, como James estava me ferrando desse jeito? Ou melhor, como ele se transformou em um vampiro? Eu não conseguia raciocinar direito, eu precisava sair dali, mas eu precisava de todos os detalhes dos Volturi e essa investigação deles sobre mim.
- Olhe nos meus olhos e me de suas mãos – a hipnotizei, segurando suas mãos quando ficamos de pé.
Falei algumas palavras para o feitiço e me conectei com sua mente, retirando todas as suas lembranças sobre mim e pegando todas as dos Volturi. Se algo fosse pra cima dela, não saberiam de nada e eu não seria exposta.
Depois de pegar e apagar de sua memória todas as lembranças, como sempre fazia, e me encaminhei para fora de sua casa e quando pisei no acelerador a libertei da hipnose.
Arrumei uma pequena mala e resolvi ir para a Itália, eu precisava entrar na mente de Aro e saber de tudo que ele sabia sobre mim. Antes de sair de casa resolvi me disfarçar de vampira, o feitiço era exigente, mas eu precisava com urgência. Fui para o bosque atrás de minha casa e montei uma fogueira, ela seria apenas para canalizar a energia e não me desgastar tanto.
Comecei a dançar em volta do fogo, algo muito comum com feitiços complexos, e citar as palavras certas. As palavras não eram de nenhuma língua conhecida, era um dialeto das bruxas. Na hora certa parei em frente ao fogo e abri os braços erguendo-os acima da cabeça, visualizando o fogo aumentar de tamanho e intensidade.
Comecei a sentir meu corpo mudando, minha pele esfriando e meus batimentos diminuindo, com isso perdi as forças nas pernas, soltando um grito de dor pela mudança, mas mesmo assim não parei de dizer as palavras, que saiam em meios a gritos e tosses. Quando tudo foi dito senti como se meu corpo queimasse e foi soltando um grito tão alto que a escuridão me tomou por alguns minutos, pois acordei e o fogo ainda ardia firmemente e o dia tinha a mesma claridade.
Sentia todas as diferenças de meu corpo, o silencio do corpo oco era imenso e triste, pousei a mão em cima do coração e senti dor por não senti-lo bater mais. Minha pele estava dura e fria como mármore e minha garganta queimava como nunca. Olhei novamente para a fogueira e como se nunca estivesse ali apagou em meio segundo, estranhei e corri para casa.
Olhei-me no enorme espelho de meu quarto e espantei com a cor de meus olhos, como uma vampira normal, eles estavam um escarlate gritante, a cor destacava-se mais por conta da minha pele quase translúcida, grunhi em desaprovação e corri para minha penteadeira pegar um blush e paralisei quando olhei pelo reflexo o relógio digital em cima do criado mudo ao lado de minha cama. Era o mesmo horário de quando resolvi ir a La Push, em menos de um segundo segurava o relógio e olhava atentamente a data, tinha se passado três dias.
- Três dias? Eu fiquei desacordada por TRÊS dias? De novo isso caramba! – gritei jogando o relógio contra a parede, que rachou com a força.
Não aguentava essas épocas em que meu corpo parecia mais frágil. Qualquer feitiço que eu fizesse era como se triplicasse sua força, me desgastando muito. Eu me sentia vulnerável, fraca. Ficava com medo do que estaria acontecendo comigo.
Respirei fundo tentando me controlar, fui ao banheiro e fiz mais um feitiço. Olhei-me no espelho da pia e respirei fundo mentalizando as palavras com os olhos fechados, quando terminei e abri os olhos senti uma pressão na cabeça e paralisei ao olhar o sangue que tinha escorrido de meu nariz.
- Merda – limpei com as costas da mão e lavei a mão e o nariz.
Voltei a encarar e fiquei mais tranquila vendo que funcionou e meus cabelos estavam loiros. Respirei fundo e passei uma maquiagem para deixar-me mais corada.
Notas finais
aaah, leeiam minhas outras histórias e comentem por favor!
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