Hunt at Night
24 Meu amigo passa por um aperto
Notas iniciais
Os lobos tinham a mesma agilidade das caçadoras pra arrumar os preparativos para partimos. Eu colhi algumas frutas que seriam meu lanche na viagem, mas as vezes no dia meu corpo exigia carne. Eu ignorava esses pensamentos, e continuava imaginando como as coisas estavam sem mim. A viagem foi até que tranqüila, a não ser que... teve um incidente. A gente tava em nosso segundo dia de viagem e faltavam mais alguns dias, um ou dois. Estávamos em nossa caminhada da tarde pela floresta. Descansamos a noite, com paradas a mudanças do sol, que era como o nosso relógio. Naquela hora da tarde eu já estava meio cansada, mas não o suficiente para confessar. Eu acabei parando para descansar numa arvore, quando de repente um grito selvagem cortou o ar. Instantaneamente meu arco brilhou em minhas costas e junto com todos os pelos dos meus braços se arrepiando. Do meio das arvores saiu um ciclope. Seu corpo coberto por andrajos e seu olho agitado captava tudo em sua volta. Ele fixou seu olhar em mim e depois seguiu em direção aos lobos. Eu não sabia como funcionava sua mente, sem racional ou não. Alguns ciclopes desenvolvem sua mente e acaba trabalhando a favor dos deuses, e têm outros que continua primitivos e selvagens. Esse ciclope parecia se encaixava na segunda opção. O ciclope avançou em direção aos lobos que se espalhou pela floresta. Meu cérebro processava tudo em câmera lenta e eu, tola, fiquei parada no mesmo lugar. Por um descuido besta se posso dizer, o lobo que falava comigo correu ainda olhando para mim e bateu de cara a uma arvore. O ciclope primitivo ou não, sem duvidas não era burro e pegou o lobo pelo pescoço. Foi ai com o perigo ocorrendo que meu cérebro acordou,
–Ei, coloca o lobo no chão. — falei com a voz mais tranqüilizadora que eu tinha.
O ciclope fez uma cara de confuso que logo mudou para zangado:
–Nãooooo – gritou ele em resposta a mim.
–Deixa o lobo e eu não machuco você. Eu não quero fazer isso. – falei dando passos em direção ao monstro.
– Saia! Ele é meu. Eu o peguei primeiro.- disse ele apertando a mão em volt do pescoço do lobo.
–Olha, eu só quero que você o solte o lobo. — disse , gesticulando a mão em direção ao chão.
–Não! Ele é meu almoço.
–Mas eu o quero. É meu amigo.
– Garota chata.- disse ele com a mão desocupada no olho. Ele apertou sua mão e meu amigo lobo ficou inconsciente. O ciclope pasmo, jogou o lobo em minha direção. Fui atingida em cheio pelo corpo do lobo e caiu alguns metros dali. Coloquei o seu corpo de lado com muito cuidado e segurei o choro.
–Ciclope mau!Muito mau! – falei e comecei a atirar minhas flechas carregadas de fúria e venenos.
Ele rugiu e veio na minha direção. Usei meu arco como um bastão e o atingi no rosto.Depois que percebi que não era necessário aquele golpe pois quando caiu no chão, o ciclope já estava morto. Caminhei cambaleando até o lobo. O resto da matilha estava de cabeça baixa e olhos tristes.
–Ele não ....Não pode está...- eu tropeçava em minhas próprias palavras.
Um lobo olhou para mim e depois ruivou. Eu não ia aceitar aquilo. Fechei os olhos e coloquei minhas mãos em cima do lobo. Eu canalizava todas as minhas energias para as minhas mãos. Uma luz começou a brilhar no lobo, ficando cada vez mais vez mais forte. Continuei me concentrando enquanto a luz ultrapassava minhas pálpebras.Então a luz foi substituída por a escuridão.
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