Hunt at Night
25 A volta para casa
Notas iniciais
Acordei com um bando de lobos me olhando. Levantei e olhei ao meu redor.
–O que aconteceu? – perguntei, meio tonta.
“Você me salvou, pequena deusa” disse meu amigo lobo.
Um sorriso se espalhou no meu rosto.
– Você está ...bem. Isso é muito bom. – afirmei sem esconder minha felicidade. Nesses poucos dias, aquele lobo tinha sido o único que conversei então eu tinha pego um ser apego e afinidade.
“ Sim. Estou muito bem.” Disse o lobo e riu. Sorri também. A matilha corria e pulava. Olhei em volta e depois para mim. Quase tive um ataque cardíaco ao perceber uma mancha escura no meu braço. Olhei com mais clareza e vi que não era uma simples mancha ou hematoma, e sim uma tatuagem em forma de uma pata.
–O que é isso?- perguntei, olhando indignada aos lobos. Todos negaram com a cabeça anunciando não saberem também.
Por impulso, comecei a correr pela floresta. Parei em frente a um lago e então observei o local. Era tão bonito que chegava a ser surreal. Era tão verde, tão natural e perfeito. Com tanta poluição lá fora, que a existência daquele lugar era incrível. Me ajoelhei com cuidado e mergulhei o braço naquela água, com a intenção de tirar aquela tatuagem. Passei a mão no braço, cada vez mais forte e nada da tatuagem sair. Voltei para meus amigos, sentei num tronco desanimada e disse:
–Não sai. Isso aqui não saia, de jeito algum.- falei.
“Posso dar uma olhada ?” perguntou meu amigo.
Estiquei o braço e olhei pro lado, já que aquela coisa em mim começava a me irritar.
“ Parece ter sido feita a ferro em brasa. Uma dessa é para sempre” disse o lobo após de um longo tempo me analisando.
– Isso não importa agora.Vamos continuar a caminhada. – disse me levantando.
“ Já está escurecendo. É melhor acamparmos aqui”
– Tá bom.
E ali passamos a noite. Minha janta foi maçãs. Logo com os primeiros raios do sol, partimos novamente. Nessa caminhada, eu já estava mais disposta e nenhum sinal de cansaço estava em mim. Então, paramos menos e acabamos chegando a New Jersey no fim da tarde. Meu coração passou a pulsar mais rápido ao entrar na rua de casa. Fiquei mais feliz por não estar sozinha, pois agora tinha novos amigos e que seriam para sempre. Ao me aproximar da casa, reparei uma movimentação. Tinha garotas saindo e entrado.
– Elas estão aqui! Eu sabia. – sussurrei.
“De fato. Vai até lá, Pequena Deusa”, disse Artie. Sim, era esse o nome do meu jovem amigo lobo. Eu tinha acabado perguntando quando estávamos caminhando.
–Uma pessoa normal iria lá e as surpreenderiam com um abraço apartado, não é? – perguntei.
“ Sim.Uma pessoa normal faria isso. Mas...”
–... Eu não sou nem um pouco normal.- completei.
“Exatamente. Então qual é o plano?”
Sorri como se tivesse ganhado na loteria.
Eu dei a volta e utilizei minha “passagem secreta”. Era um pequeno beco que dava para o fundo de casa, tinha também alguns caixotes que eu usava para esconder um buraco no muro. O buraco não era muito grande, mas era o suficiente para uma pessoa magra passar, o que era o meu caso. Retirei os caixotes e passei.
Dei de cara com uma bagunça de ferramentas da mamãe e quase cai.
– Caramba!Sempre me esqueço de tirar essas coisas. – o que era verdade.
Caminhei em silêncio até a porta dos fundos. Por sorte,a porta estava aberta. Empurrei devagar a porta com as mãos e parei na área de serviço. Fui silenciosa até a cozinha que por sinal, não havia ninguém. Fui até a geladeira e peguei uma lata de refrigerante. Quando a bebida deslizou por minha boca, me senti quente mesmo tal liquido estando gelado. Eu poderia distinguir cada sabor que constituía, cada bolinha de gás que estourava na minha língua.
–Ei, caçadora. Me dá um lata ai.- pediu alguém. Levantei o rosto para ver quem pedia a bebida. Era Bryan. Seu olhar tava distante e muito triste. Dava até dó no coração. Eu queria abraçá-lo e dizer que estava tudo bem comigo.
– Aqui está. – falei abaixando mais e erguendo a lata com uma mão.Ele pegou e a bebeu lentamente, depois deu um longo suspiro e se virou pra sair.
Levantei do meu esconderijo gelado e falei:
– Bry, não fica assim. Tudo vai dar certo. – falei.
–Eu sei, Ty. Mas depois que você morreu, ficou tudo mais difícil. – disse ele. Então ele parou e pensou em suas palavras. Contei mais ou menos três a quatro segundos, então ele se virou pra mim e seu rosto perdeu a cor . Só tive tempo de vê-lo cair no chão.
–Mas que garoto mole.- falei rindo.
Fui até a sala e vi mamãe sentada no sofá com uma xícara na mão.
–Mamãe, Bryan ta desmaiado na cozinha- alertei.
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