Hunt at Night
15 Grandes responsabilidades, grandes perigos
– Puts, eu não sei como te explicar isso. – falei.
– Tenta, pelo menos.
Respirei fundo e deixei as palavras jorrarem da minha boca. No final, não saberia dizer quem chorava mais. Podíamos inundar todo país. Levantei e olhei para o céu. Pergunte ia mim mesma se Zeus estava lá e se podia nos ver. Seria bom ter uma ajudinha. Mas será que eu aceitaria tal ajuda? Sou muito orgulhosa, sempre tentando fazer tudo sozinha com o conceito de que faço melhor. Isso parece ridículo, eu sei. Mas era da minha natureza pensar assim. É claro que com as caçadoras tive que mudar, pensar em grupo. Olhei para Bryan que agora enxugava sua lagrimas.
– Eu sei que é difícil. – falei.
– Não. Você não sabe. Sinto como se um enorme buraco abrisse em meu coração.-disse ele com amargura.
–Você não lembra? Fui eu que a vi morrendo, foi por mim que ela morreu- e desabei no degrau- Foi culpa minha.
Bryan deu tapinhas em minhas costas e murmurou:
– Não foi sua culpa. Ela era uma heroína. Vamos apenas lembrar-se dela assim.
Ele estava tentando ser forte. Segurar o choro, erguer a cabeça e seguir em frente, era esse meu lema. E eu pude ver o esforço que Bryan fazia.
–Ta bom, você está certo. — afirmei, mesmo não tendo tal confiança em mim mesma.
–É bom entrar pra dentro. Mamãe vai quer conversar com você — disse Bryan, com o olhar distante.
–É . Boa idéia . Vai entrar também?- perguntei já me levantando dos degraus.
– Não. Preciso de um tempo... Pra pensar.
– Ta bom, mas a ultima pessoa que falou isso, quase teve hipotermia. Cuidado- falei dando uma risadinha.
– Quem?
–Depois te conto – e entrei pra dentro.
Mamãe estava na cozinha, sentada-se à mesa.
– Como está mamãe?- perguntei.
–Bem , Mein Engel- “meu anjo”.
– Que bom, mama. E me desculpa pela a briga que aconteceu. Estávamos estressados.
– A namorada do seu Bruder... Ela morreu não é?
– Sim. Ela morreu pra me proteger. Um monstro veio me atacar e ela se colocou entre mim e o animal. E eu não pude salva-la ou mesmo impedir tal tragédia. Nunca me arrependi de algo, mas naquele dia eu me arrependi por não consegui salva-la.
– Oh, minha querida. Não fique assim, sei que fez o melhor que pode. – e nisso ganhei um abraço apertado de mãe, que foi o suficiente para acelerar meu coração. Mães têm o dom de fazer isso com a gente, não é? Fazer o mundo sumir, fazer a gente ser o herói da história. Isso muda nosso dia.
Bryan entrou aos tropeços na cozinha.
– Que foi isso? – perguntei.
– Bry, não quebre a casa toda, por favor – disse mamãe. Ri da situação, Bryan havia conseguido quebrar apenas dois copos e para mamãe aquilo já era quebrar a casa inteira.
– Foi mal, mamãe. Eu limpo- desculpou-se.
– Não, querido. Você vai se cortar. Deixa que eu limpo tudo isso- disse mamãe já se agachando.
Puxei mamãe para cadeira e empurrei Bryan. Peguei a vassoura e a pá e menos de segundos tudo já estava limpo. Mamãe e Bry se encontravam de boquiabertos. Passei a mão pela a planta na janela e vi que precisava de água. Isso é uma das vantagens de ser caçadora. Podemos nos comunicar com animais e plantas, com isso possuímos uma ajuda em nosso habitat. A outra vantagem é em caso de necessidade poder chamar a ajuda da natureza, com um guia sendo sátiro ou ninfa mais próximos. Eu nunca havia necessitado dessa ajuda, mas a considero a mais legal.
–Como você arrumou tudo tão rápido?- perguntou Bryan.
– Na caçada, temos que ser rápidas. Pra arrumar acampamento e desmontá-lo também. Tudo tem que ser rápido. – expliquei
–Isso deu para perceber. – disse mamãe.
Bom ate agora estava tudo tranqüilo, mas eu tinha que contar que me tornei a tenente de Ártemis e nesse ramo, com pode vem às responsabilidades e perigos. Não que eu fosse morrer por isso como a Jessye. Mas sim, como tenente tinha um perigo maior Eu não chegava a me preocupar tanto com esse perigo, mas também não queria deixar mamãe desavisada.
Peguei nas mãos de mamãe e disse:
– Olha como não temos mais... A Jessye, Ártemis precisou de uma nova tenente. Por escolha da deusa, eu sou a nova tenente e possuo responsabilidades. Mas como expliquem antes, há perigos na caçada.- eu dizia tropeçando nas palavras.Mostrei meu braço aonde o monstro havia arranhado-me e mamãe suspirou- Há grandes perigos, mamãe.
– O que...que foi isso?- perguntou ela.
– um monstro me atacou e tive que me defender, então usei o braço. – afirmei.
–Daqui a pouco, você vai pro mesmo rumo que a Jessye. – resmungou Bryan.
– Eu já aceitei a responsabilidade, Bryan. Não vou voltar atrás. Não vou ficar em casa me protegendo como você. Se há perigo no mundo, irei enfrentá-los, se há algo que posso fazer, farei. Não serei mais um ser egoísta humano que olha o mundo e só pode ver a ponta do seu próprio nariz. E se eu tiver que morrer, vou morrer. Nada poderá evitar isso. Mas não fazer mais uma pessoa desconhecida que morreu.
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