Virei pra Stella e perguntei:

– O que aconteceu ?- eu sabia que tinha acontecido alguma pela cara de emergência de Stella.

– Eu não sei. Uma vez a gente veio parar aqui, esse senhor conseguiu prender nossa deusa e ... – Stella decidiu se calar.

– E o que?- insisti.

– E pediu algo em troca.

– O que? E pode, por favor, falar mais rápido, acho que não temos muito tempo pra conversa – confessei olhando para o homem que nos olhávamos como se fossemos um show da TV.

Ele riu e disse:

– Demore o tempo que quiser. – disse ele. Eu juro que achei isso bem estranho. Ele tinha um sorriso maléfico e olhar de psicopata. Olhei pra Stella com pressa.

–Que nossa tenente trocasse de lugar com Ártemis. Leal a deusa, a garota caminhou em direção da morte... – explicou Stella.

– Não exagere, Caçadora – advertiu o homem.

Stella lhe dirigiu um olhar zangado e depois se virou para mim.

– Ela era destemida. Esse senhor ameaçou todas nós e ela sem saber o que fazer, o atacou. Ele a empurrou em direção a uma janela grande de vidro e ela caiu em direção ao mar. Depois de dias de procura com esperança de encontrá-la viva, achamos seu corpo boiando. Foi uma das piores cenas que já vi. Ártemis nos fez prometer esquecer tudo aquilo e foi isso que fizemos. – disse Stella.

– Vocês esqueceram-se de dizer que explodiram minha casa e a mim naquele dia. – disse ele como se fosse algo muito comum. Eu não falaria assim com alguém que tentasse me explodir.

–O senhor era uma ameaçada, e foi eliminado. Mas pelo que vejo você voltou. O que quer? – disse Stella. Percebi seu humor alterar de medo a raiva ou até mesmo ódio .

– Terminar o que começamos. – disse ele e logo olhou pra mim.

– Você não vai conseguir. – falei quase gaguejando.

– Não? Como tem tanta certeza? Eu já capturei sua deusa. – disse ele e caminhou até o caixão.

Por impulso, me aproximei. Eu ia correr até lá, mas Stella segurou meu braço.

– Você... seu... que raiva. –afirmei.

– Cadê sua tenente? Quero que ela dê um passo a frente.

Eu ia dar um passo quando Stella me puxou, quase me fazendo cair e falou:

–Sou eu. – disse ela.

– Stella, não – falei tão baixo que saiu um sussurro.

– Acho que não. Mandem entrar nosso convidado de honra.

Dois guardas cruzaram a sala trazendo uma pessoa acorrentada. Um a pessoa não, era Bryan. Ele estava machucado, mas aparentemente vivo. Engoli meu coração com um pouco de saliva.

– Eu esqueci de dizer que também descobri quem é a tenente de vocês. Sei de muitas coisas da sua vida, Ty Lee. – disse o homem.

Olhei angustiada para o Bryan, depois para o caixão.

– Ela...Ela está vida , não é? – perguntei, segurando as lagrimas.

– Está dormindo. Eu usei um encanto nela. – disse ele , com uma tranqüilidade enorme.

– Ela não morre, Ty. É imortal. – cochichou Stella para mim.

–Está certa. Eu me ...me esqueci. – confirmei em resposta .

Dei alguns passos para frente.

– Por que pegou meu irmão? – perguntei.

– Por que achei que isso deixaria a situação mais interessante. – disse ele.

Bryan tentou se colocar de pé, mas acabou caindo. Com uma cara de chateado e disse:

– Você é um idiota. –disse, sentado no chão. Agora eu podia ver os cortes no seu braço e rosto. Suas mãos e pés com correntes.

– Calado- disse o homem. Meu Zeus, eu nem sabia seu nome.

– Você não manda em mim. – disse Bryan entre os dentes, quase como um rosnado.

O homem o ignorou e se virou para nós.

– Agora a proposta: você troca de lugar de lugar com sua deusa e seu irmão. É claro que todos poderão partir em segurança se prometerem não fazer nenhum mal a mim. Então? Aceita? A escolha está em suas mãos. – disse ele.