Hunt at Night
22 A perfeita mentirosa.
Eu não sabia o que dizer. Eu precisava de um plano e rápido. Após alguns segundos, uma idéia maluca brilhou na minha mente.
–Posso conversar em particular com as garotas?- perguntei ao homem.
– Claro. Só não demorem muito. Não tenho tempo a perder. –disse ele.
Puxei as garotas para um canto da sala e disse:
– Olha , quero que vocês façam o seguinte: Não liga para nada que eu fale pois será mentira. Apenas concordem. Quando eu der o sinal quero que peguem Ártemis e meu irmão. Quero que corram, o mais rápido que possam. Não vão voltar para cá em hipótese alguma. – disse eu, em meu tom mais sério com uma ponta de autoridade.
– Ty...você não... o que pretende fazer?- Perguntou Katherine.
– Querida, o que vou fazer vai ser eletrizante. – falei dando um sorriso.
– O que Ty?- Perguntou Beatrice.
– Apenas prometam. Vou precisar isso de vocês. — pedi
– Ok. Prometemos. Não acho isso certo, mas se precisa de nós, não a deixaremos na mão.- disse Stella.
Atrás dela, todas concordaram.
– Obrigada, meninas. Vocês estão no meu herz. – falei, pegando uma palavra do alemão. Ok, significava “coração”. Eu esqueço que nem todos têm um pouco de alemão.
Caminhamos até o meio da sala e o tal homem se virou para nós.
–Então? – perguntou ele.
– A gente decidiu ir embora. Pode ficar com a Deusa e com meu irmão. Ártemis é uma deusa imortal. Quando você a liberta, ela saberá aonde ela nos encontrar. Você não pode matá-la. – disse eu. Eu nunca menti tanto. Ao ouvir tais palavras saírem de mim, tive que me segurar para não fazer uma careta. Isso é o certo! Faça o necessário, disse a mim mesma.
A cara de espanto do homem foi instantânea. Eu queria rir dele, mas me denunciaria e eu acabaria falando que tudo era mentira e eu estava muito desesperada.
– Como você pode pensar assim? – perguntou ele.
– Mas não é verdade?- perguntei indo na direção do caixão.
– Sim, ela é imortal, mas você é leal a ela. Não deveria fazer de tudo pela deusa?
Eu estou fazendo, disse eu mentalmente.
– E me entregar a você? Sou leal, não estúpida. – falei parando ao lado do caixão. Era torturante vê-la presa daquele jeito. Fechei os olhos, tentando me concentrar naquela mentira que eu me embolava.
– Mas e seu irmão? Depois da Deusa, ele é a pessoa que você mais se importa. Você vai deixá-lo morrer? – continuou o homem.
– Ele sumiu de casa. Me deixou por cinco anos. Você não tem idéia de como é horrível ter pesadelos quase todas as noites e ir a milhares de psicólogos. Passei um ano tomando remédios. Eu não era louca para eu tomar aquela quantidade. –falei. Sim, tudo aquilo era verdade. Tentei fazer aquelas palavras saírem com mais magoa possível. Queria fazer aquele homem perder o interesse nos dois.
Bryan se remexeu no chão e murmurou:
– Eu sinto muito, Ty. Me desculpa. — disse ele.
Eu sei, Bryan. É claro que te desculpo, mas agora cala a boca, pensei quero que ele lesse mentes. Respirei fundo e continuei:
–Desculpa agora não adianta, Bryan. – falei e me virei para o homem – Está vendo o que passei? Você acha que devo salva-lo?
– Acho. Isso seria o certo – disse ele.
Sorri e disse:
– Você está completamente certo.- falei. No mesmo momento usei meu braço para quebrar o caixão e aceitei uma flecha nas correntes de Bryan.
– Nãããããooo. O que você fez, sua caçadora idiota? – ele parecia não acreditar. Depois de segundos, seu espanto mudou para raiva. Seu rosto tomou um tom de vermelho vivo.
Ártemis escorregou para fora dos cacos do caixão e começou a tossir. Eu sabia que ela podia estar fraca.
– Meninas, peguem Ártemis e Bryan. Façam o que eu lhes pedi. – disse , ou melhor, gritei.
Elas se dividiram em dói grupos e foram ao auxilio de Bryan e Ártemis. O homem se virou para mim.
– Eu vou matá-la. – disse ele para mim.
–Nossa! Ficou estressado só porque acabei com seu plano? Tem gente que morre por mais coisas. – falei sorrindo. Eu ia distraí-lo até todos saírem.
– Isso não vai ficar assim. – disse ele.
–Claro que não. Vou te irritar mais- afirmei.
– Sua estúpida. Acha que vai me matar? Pois não vai. Nem as outras caçadoras conseguiram, e elas eram melhor que você.
– Nossa. Assim magoa. – disse rindo. Olhei para a porta e vi Stella saindo por ultimo. Ela ia voltar. Eu peguei uma flecha e atire no pilar ao lado da porta que caiu, bloqueando-a. Agora elas não tinham como voltar.
– Esperta, como vai sair daqui agora?- perguntou ele rindo.
Não disse nada. Peguei mais flechas e atirei agora nele. Palavras mágicas voavam da minha boca, encantando as flechas. O homem gritava de dor a cada flecha. Ele parecia mais irritado e dolorido.
Comecei a atacar as coisas ao meu redor quando algo me atingiu nas costas. Cai com uma dor incrível. O homem veio na minha direção. Ele estava horrível. Seu rosto que era belo, agora deformado ao decorrer do veneno de minhas flechas.
– Se eu morro, você morre junto- disse ele, me pegando por minha blusa e me jogando na parede. Me senti sem peso, uma boneca de pano. Aquele impacto doeu muito. Minha cabeça doía junto com os meus braços usados para diminuir o impacto. Cai no chão novamente. A centímetros, estava uma flecha. A peguei e enfiei em seu olho. O homem caiu e eu fui em direção a uma janela. A quebrei e vi que dava para o mar e um céu limpo. Me concentrei, pensando em energia elétrica, nuvens de tempestade e outras coisas do gênero. Vi nuvens carregadas vindo na minha direção. Eu esperava que aquilo fosse suficiente para dar uma bela explosão e mandar tudo para baixo. Procurar o homem e o encontrei agonizando do chão.
– O que você fez comigo? Meu corpo por dentro ferve, e dói muito. – disse ele. Eu não sabia se ele sentia mesmo tal dor, mas as flechas que atingi nele seria o suficiente para matar uma cidade.
– É veneno. – afirmei.
– Você é mais esperta que pensei. Mas eu não irei morrer. Meus restos voltaram para o mar e aos poucos, num processo lento, vou retomando minha forma. – disse ele.
– Enquanto tempo?- perguntei.
– Uns cem ou duzentos anos. Eu me sinto horrível.
– Talvez eu tenha sorte e você morra.
–Nem todos nessa vida têm sorte.
–Então estaremos esperando outro ataque.
– Até, caçadora.
E ele se levantou e se jogou pela janela. Eu fiquei sem ação. Então puxei o raio e tudo explodiu. Voei com o impacto e com sorte meu corpo foi jogado naquele corredor que trouxeram Bryan. As paredes a minha volta roeram e começou a cair. Levantei e comecei a correr na esperança de achar uma saída. No final do corredor tinha algumas portas. Abri todas. Finalmente em uma porta havia uma escada e uma passagem pra sair. Subi a escada e sai numa floresta. Olhei para trás e vi o galpão longe ruir e desmoronar. Ali, na grama mesmo, desmaiei.
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