Hunt at Night
14 A dor compartilhada
– Eu sei. Por isso vim aqui. — falei.
–E porque a Jessye não atende mais minhas ligações ou responde minhas mensagens?
Nessa hora senti as lágrimas inundaram os meus olhos. Minha reação confundia mais Bryan.
–Eu sinto muito, Bryan.- falei virando de costas pra ele. Não queria encarar ele.
De repente as maos de Bryan puxaram meus antebraços, forçando-me a encará-lo.
–O QUE VOCÊ E SUA DEUSA LOUCA FIZERAM COM A JESSYE??-Bryan começou a gritar,apertando meus antebraços.
–Ártemis... Eu... Nós não fizemos nada!- falei em meio as lágrimas.
–Aposto que a proibiu de me ver, não é? — perguntou ele, me segurando mais forte.
–Como pode pensar isso de mim? — perguntei ainda chorando. Ele ficou mudo.
Empurrei Bryan com minhas mãos e sai pra fora, batendo forte a porta. Eu sentei nos degraus da varanda e coloquei minha cabeça apoiada em meus braços. Aonde Bryan apertou, doía. Mas do que ele havia me acusado e minha deusa,isso doía mil vez mais. Eu jamais faria algo do gênero. Ele havia me julgado sem ao menos saber a história ou o que havia acontecido. Minhas lágrimas transbordavam de meus olhos ao lembrar de tudo. Cada detalhe estava fresco e muito vívido em minha mente.
Escutei a porta se abrir e alguém sentar ao meu lado nos degraus. Permaneci de cabeça abaixada, olhando minhas lágrimas caírem no chão.
–Ty... Eu queria pedir desculpas. Fui um idiota. Eu não queria falar aquilo, eu juro. — reconheci a voz de Bryan. Eu senti a sinceridade em suas palavras e arrependimento também.
Levantei a cabeça e olhei para a grama por longos cinco minutos. Depois respirei fundo e disse,analisando aos Bryan havia segurado e que provavelmente viraria hematomas:
– A Lady Ártemis estava errada. Eu não deveria ter vindo. — disse eu.
–Espera um pouco... Ártemis deixou você vim até aqui?
–Claro. Eu não viria se Ártemis não deixasse.
– Ela é melhor do que eu imaginava.
–De quem está falando?
– De Ártemis. Ela da uma liberdade a vocês e mesmo assim pedi algo em troca.
– Nem tudo é de graça. E o que ela pedi é pouco.
– Não acho. Isso impedi vocês de crescer, de ter uma família e viver uma vida normal. Você não perceber que como semideuses, é muito difícil ter uma vida normal, por que não somos normais. Nada normais. Não somos mortais.
–Por isso, Bryan. Temos a chance de fazer diferença, de mudar o mundo, de fazer algo para ser lembrados. Temos o dom e eu não desperdiçar isso.
– Ty, você é muito sonhadora. O mundo não é esse mar de rosas que pensa.
– E é por isso que devemos ajudar. Semideuses eram também chamados de heróis, e eu nunca vi um herói sentar na frente de uma televisão e tomar o refrigerante a via toda.
–Tá bom. Você ganhou. Desta vez.
Gargalhei e fingir comemorar a conquista. Bryan também sorria quando seu sorriso sumiu como um raio.
– Mas então por que a Jessye sumiu?- perguntou ele.
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