Notas iniciais
Abaixo vocês irão ver um símbolo da World Behind My Wall Corporation que fiz faz tempo e já devia ter colocado antes na fanfic, mas sempre esquecia. Então, agora está aí :D

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Diga-me, você mataria para salvar uma vida?

Diga-me, você mataria para provar que está certo?

Bater, bater, queimar, deixe tudo queimar

Este furacão está perseguindo todos abaixo da terra

(Hurricane – 30 Seconds to Mars)

02 de Setembro de 2109

Pronta para a ação

20h58min PM

Comecei a subir as escadas para os andares de cima. Eu estava pronta para poder usar a arma em meu pulso se fosse necessário, mas realmente não queria, gostaria mais de usar minha força. Ouvi passos vindos em minha direção e dei de cara com dois homens vestidos de preto, com aquelas máscaras de oxigênio e armas em punho. Vi o símbolo da World Behind My Wall Corporation em seu uniforme e percebi que isso poderia mais me ajudar do que me ferrar.

– Sou eu, Wilhelmine Langebahn – falei, colocando minhas mãos na frente para mostrar que eu não tinha nada de perigoso – Por favor, me ajudem!

Os homens abaixaram as armas percebendo quem eu era. Tenho certeza que receberam ordens de trazerem-me sã e salva dessa operação. Quando um deles sacou um comunicador – talvez para avisar os outros que a Humanoid 483 fora achada – eu dei um chute em suas costas que o fez cair inconsciente no chão. Os outros dois homens se precipitaram contra mim e eu lhes dei chutes e socos até eles se juntarem ao seu amiguinho.

Eu sentia-me ótima. Sei que não era culpa deles, eram meros peões, mas era ótimo descarregar a raiva em alguma coisa. Além de que estou treinando para possíveis obstáculos piores do que aqueles três idiotas. Continuei o meu caminho até o saguão, ouvia muitos barulhos e tiros de lá e tenho certeza que é onde estava a maior concentração porque o lugar era espaçoso.

As grades que eu me apoiara várias vezes ou sumiram ou viraram metal retorcido. Havia buracos no chão e vários corpos jaziam, a maioria, para o meu terror dos Dogs Unleashed. Ouvi um barulho aterrorizante, que lembrou-me vagamente o barulho que um Tiranossauro Rex fazia em Jurassic Park, quando eu passava várias tardes assistindo filmes antigos com Berta.

Descobri a origem do som e vinha de um robô com quase dois metros, parecendo o esqueleto de uma pantera, que pulava de um lado para o outro, abocanhando e jogando pessoas pelos ares com seus dentes de platina. Ele parou por um instante e seus olhos vermelhos focalizaram em mim, mas não se atreveu a me atacar, apenas não sabia direito o que fazer. Peguei uma das barras que estava no chão e fui até ele, colocando a mão na frente, mostrando que eu estava do seu lado. A pantera esquelética abaixou sua cabeça até deixar-me tocá-la, fiz um carinho bastante superficial e isso foi o suficiente para estabelecer confiança.

– Sou a Humanoid 483, qual o seu nome? – eu perguntei, continuando a acariciar sua cabeça lisa.

– Sou Tiger X13 – ele respondeu com uma voz humana masculina e forte – Estamos a sua procura.

– Ótimo ouvir isso – respondi sorrindo. Em um segundo eu já estava em cima da pantera, colocando a barra abaixo do seu pescoço, pressionando para cima – Olha, Tiger X13, odeio pessoas que machucam animais, mas infelizmente você não pode ser considerado como um. Apesar de eu ter dó de ferir até robôs, é bom você fazer exatamente o que eu mando ou explodo sua cabeça e tchau existência artificial.

A pantera – ou tigre, tanto faz – emitiu um barulho parecido com a de um animal ferido. Se eu não a tivesse visto em ação, matando humanos, teria muita compaixão, mas eu havia deixado esse sentimento para trás. Comecei a dar comandos para ela, mandando-a ir até onde um grupo de robôs estava cercando um bando de pupilos de Bill. Os dentes dela pegaram um robô, atravessando-o ao meio enquanto suas garras e rabos empurravam os outros de encontro à parede até esmagá-los.

– Vocês não aprenderam nada com Bill? – eu exclamei, rindo da expressão de pânico daqueles garotos – Vão lá e os aniquilem! São suas vidas que estão em jogo!

Puxei a barra para que a pantera virasse e ela não andou, começou a virar a cabeça de um lado para o outro na tentativa de tirar-me de cima. Apertei mais forte a barra, tentando controlá-la, já preparada para usar minha arma caso fosse necessário. Os olhos vermelhos dela começaram a piscar várias vezes.

– Perigo! Perigo! – ela exclamava, ainda se contorcendo – Tiger X13 traidor! Tiger X13 traidor!

Foi então que eu lembrei-me de um caso antigo, de um robô fabricado pela World Behind My Wall Corporation para trabalhos domésticos. O robô acabou matando um bebê porque não conseguia fazer com que ele parasse de chorar, logo depois a máquina parou de funcionar por ter sido considerada traidora, ou seja, matou um humano que deveria proteger. Nesse caso, o Tiger X13 deveria matar Dogs Unleashed e não robôs que estão do seu próprio lado.

Antes que eu pudesse impedir, os olhos vermelhos apagaram e a pantera caiu no chão, totalmente desligada, mas pulei antes que eu também caísse junto. De certa forma, foi uma grande perda, afinal eu podia locomover-me da maneira muito mais fácil e destrutiva. Agora eu não podia enganar mais ninguém, afinal havia vários robôs e humanos da World Behind My Wall Corporation, olhando-me e um tanto receosos, sem saber se atacavam ou não.

– Senhorita Langebahn – um dos homens estava tentando falar comigo, longe o suficiente para que eu não o machucasse, pelo menos, era o que ele pensava – Viemos a mando do seu pai, vamos salvá-la! Não somos inimigos!

– Eu não vou com vocês e se tentarem levar-me, vocês vão ter o prazer de verem um pouco o que uma Humanoid 483 pode fazer.

Mal acabei de falar, um dos robôs veio em minha direção, rápido o suficiente para que eu não visse, só que eu já estava acostumada. Bill era rápido daquela mesma maneira e as lutas com ele foram o suficiente para que eu me acostumasse com combates corpo-a-corpo com robôs. O braço robótico se aproximou do meu, pronto para agarrá-lo, mas eu desviei e peguei o dele, girando seu corpo até arremessá-lo para o grupo inimigo que estava próximo, derrubando-os como se fossem pinos de boliche.

Os soldados humanos estavam inconscientes, mas os soldados robôs ainda estavam ótimos o suficiente para se manterem em pé. Fui até a pantera e comecei a tentar arrancar os dentes de sua boca enorme, só que era praticamente impossível, eles estavam muito bem soldados. Optei que arrancar a cabeça toda seria muito mais fácil, mesmo que fosse um tanto pesada e pudesse atrapalhar meus movimentos.

Preparei-me novamente quando três robôs correram até mim. Segurei firmemente a cabeça e a arremessei com tudo no tórax de um deles e os dentes o atravessaram. Infelizmente a cabeça ficou inútil porque não conseguia mais tirá-la de lá, então tive que soltá-la e lutar apenas com os meus punhos. Bater em um robô é muito mais difícil do que em um humano ou Humanoid, pois como eram feito de platina, eram duros demais para serem destruídos.

Foi então que precisei optar pela minha arma. Meu pulso se abriu e o cano saiu, quando os dois robôs se aproximaram o suficiente, eu atirei. Uma luz verde enorme saiu do cano e atingiu-os, impulsionando-os para trás até explodirem em mil pedaços quando encontraram a parede. Olhei feliz para o estrago, principalmente ao perceber que vários Dogs Unleashed olhavam-me de forma agradecida.

Não havia muito que fazer no saguão, os outros pareciam poder lidar com aquilo. Corri para as escadas e comecei a subi-las até chegar ao andar do meu quarto. Havia mais corpos no chão e os que estavam de pé, pertenciam mais a World Behind My Wall Corporation do que aos Dogs Unleashed. Foi quando notei um deles segurando Natalie, com uma arma tocando sua têmpora.

– Você é uma gracinha – gracejou o homem – Será que dá tempo de brincar com você antes que estouremos os seus miolos?

– Venham brincar comigo, seus idiotas! – eu exclamei – Vou enfiar essa arma aonde você merece, meu chapa.

O cara nem viu o que lhe atingiu. Meu pé acertou sua cabeça em cheio e senti o estralar de um pescoço se quebrando. Eu acabara de matar uma pessoa, por mais que estivesse com raiva, não conseguia sentir-me bem com aquilo. O corpo caiu no chão e fiquei encarando em pânico a poça de sangue que começou a sair dele, só dando conta depois que um dos caras atingiu sua arma com tudo em minhas costas, fazendo-me cair. Antes de cair, olhei para uma Natalie chorosa, encolhida de encontro à parede, mas com olhos extremamente agradecidos.

– Você é a filha daquele cientista, não é? Que pena que mandaram levá-la sã e salva – o cara falou, apontando a arma para minha cabeça – Pensei que ficaria feliz ao ser salva, mas pelo visto se apegou demais a eles.

Ele parou de falar e pegou um comunicador, falou rapidamente que havia me achado e que eu não estava muito feliz de estar sendo salva. Dei uma rasteira nele e ele tombou no chão, fazendo a arma e o comunicador voarem longe, por fim, bati a cabeça dele no chão até que perdesse a consciência.

– Natalie, você precisa dar o fora daqui – eu falei, a ajudando se levantar – É muito perigoso!

– Eu estava escondida na enfermaria quando eles entraram e começaram a destruir tudo – ela falou, chorando abundantemente enquanto agarrava meu braço – Não tem jeito de fugir, eles vão nos achar. Estamos em desvantagem, vieram dezenas de robôs e eles estão atacando aos poucos.

– Onde está Bill? – perguntei. Minha mão humana tremia enquanto o medo tomava conta de mim. Não havia mais raiva, só o pânico de perdê-lo ou de ser tarde demais para os outros – Você sabe?

– Ele deve estar no primeiro andar, onde ficam as motos. Se no saguão já está desse jeito, lá deve estar pior! O que vamos fazer?

Isso era minha culpa. Eles queriam-me e iriam fazer de tudo para conseguir. Bill estava errado pensando que daria conta de tudo. Claro que estava errado, será que eles pensaram que poucos robôs seriam mandados para me salvar? Porque eu não tentei intervir? Porque não fugi naquele maldito dia em vez de buscar informações? Ninguém que eu gosto estaria em perigo. Nenhum Dogs Unleashed poderia terminar isso, só há uma pessoa e essa pessoa sou eu.