Se você está procurando

E se perde aqui

Então vou ao seu encontro

E te trago de volta para mim

(Fur Immer Jetzt – Tokio Hotel)

1º de Setembro de 2109

Quero sair dessa festa, agora!

22h22min PM

– Ah... oi, Tom – eu disse engolindo seco, mas depois tive que usar meu sarcasmo – Parabéns! Essa festa está tããão legal.

– Vamos, levante-se. Festas não são para ser comemoradas sentadas, você acaba perdendo toda a diversão – ele disse, puxando meu braço para que eu realmente me levantasse.

Lancei um último olhar para a mesa: Judd estava me olhando de boca aberta, Alison continuava vermelha e petrificada, Agnes estava tensa e Natalie estava olhando para outro copo de cerveja enquanto balançava seu pezinho ao som da música. Sem falar nas outras pessoas que me olhavam. Aquilo estava chamando mais atenção das pessoas do que quando eu ficava meio louca nas festas.

– O que diabos você está fazendo? – eu sussurrei entre os dentes.

– Estou te salvando – ele respondeu de volta, mas passou o braço em volta da minha cintura e me puxou para longe da mesa – Você não vai querer ficar na companhia delas, não é?

– Natalie é uma pessoa super legal.

– E ela é, mas já está tão bêbada que não sabe diferenciar você de uma cadeira. Não finja, dava para perceber sua cara de tédio a quilômetros de distância.

– O que tem de diferente entre elas e vocês? O que os garotos fazem para se divertir? – eu falei sarcasticamente.

Ele não precisou nem responder. Em uma das mesas, Gustav e Georg estavam bebendo uma caneca enorme de cerveja o mais rápido que podiam enquanto todos torciam e agitavam. No final, o vencedor foi Gustav.

– Georg, não basta perder para uma menina? – Tom exclamou, fazendo Georg mostrar-lhe o dedo do meio. Logo senti um cutucão em minhas costas – É a sua vez.

– Não posso beber – sussurrei – Você sabe do meu passado!

– Nada te impediu de beber vinho e me dopar. Prometo que vou ficar de olho em você, não a deixarei beber mais nenhum copo além desse.

– Quem é o próximo? – Georg perguntou e Tom me empurrou com tudo para a mesa – Você? Aposto que vence do Bill.

– O que? – eu exclamei alto o suficiente para que minha voz esganiçada ecoasse. Quando me virei para o outro lado da mesa, Bill já estava sentando com sua caneca cheia de cerveja, me olhando de forma surpresa.

– É melhor você ganhar – Georg sussurrou – Vou apostar a maior nota em você.

Antes que eu pudesse negar a participação, eles colocaram uma caneca cheia de cerveja na minha frente. Fiquei olhando a espuma sem saber o que fazer até finalmente conseguir encarar os olhos do meu adversário. Bill estava sorrindo de deboche. O maldito estava sorrindo, enquanto eu estava totalmente apreensiva! Talvez ele pensasse que eu não poderia vencê-lo, ou quem sabe estava pensando em ganhar como vingança por causa das fotos. Não vou perder para ele!

Segurei a asa da caneca firmemente com a mão esquerda – nada de robôs metidos nessa competição –, sentindo o sangue alemão passar pelas minhas veias, implorando por cerveja. Quando Tom abaixou o lenço no meio da mesa, comecei a beber o conteúdo loucamente. Engolia todo aquele líquido sem ao menos degustar o seu sabor, pouco me importava a cerveja, eu só queria ganhar de Bill e esfregar isso na cara dele.

O conteúdo terminou e bati a caneca com tudo em cima da mesa. Bill bateu exatamente na mesma hora e fiquei sem saber quem fora o primeiro ou se havíamos empatado.

– Segundo a câmera de Gustav, que captou toda essa incrível competição – Tom disse – A vencedora é Wilhelmine!

– Eu ganhei? – exclamei, pulando da cadeira e Georg me jogou para o alto.

– Toma essa, Tom! – Georg disse – Pode passar a grana!

– Isso que dá confiar demais no irmão – Tom resmungou, tirando dinheiro do bolso e entregando a Georg.

Olhei para Bill, esperando que estivesse bravo, mas ele estava rindo da algazarra. Mas que diabos? Não foi no aniversário do ano passado que ele não sorria em nenhuma foto? Por que agora está tão feliz sendo que perdeu para mim?

– Bill, você tem que pagar a aposta também – Tom falou.

– Que aposta? Não apostei em nada, eu estava na competição – Bill respondeu, sem entender nada.

– Mas eu apostei por você. Apostei um beijo que você não perdia a competição e você perdeu.

– Pode ir dá lá seu beijo para o Georg, imbecil.

– Eu apostei o SEU beijo e não é com o Georg – Tom fez sinal para mim, me deixando embasbacada.

– O que você está tentando fazer? – Bill falou realmente bravo. Super legal da parte dele estar me recusando, não que eu me importe.

– É o seu aniversário, se divirta! Faz tempo que você não faz isso – então Tom abaixou a voz – Ou quer beijar a Alison? Ela baba demais, se quer saber, e também ronca. E Wilhelmine é bonita, legal, beija bem, não que eu saiba, é apenas uma suposição.

– Desde quando você virou conselheiro amoroso, Tom?

– Droga, Bill – Tom puxou o irmão, o fazendo ficar de pé – Seja um pouco mais meu irmão e faça algo logo.

Não podia ficar mais ouvindo aquilo, tinha que dar o fora. Quando decidi ir de encontro a porta de saída, um braço surgiu na minha frente acompanhado de um Georg com tantas más intenções quanto Tom.

– Você também está nisso? – eu resmunguei.

– Tom me prometeu o dobro da minha aposta se eu o ajudasse – Georg disse, me virando para Bill que também estava sendo empurrado por Tom.

– Eu te pago o triplo se me deixar sair, vocês dois estão cometendo um erro, eu não gosto dele – eu falei, entrando em desespero.

– Muito tentadora sua oferta, mas Tom é meu amigo, além de que isso vai ser bem mais divertido.

Ainda tentei negociar com Georg, mas meu corpo trombou com o de Bill. Eles não podiam fazer nada, eu não ia beijá-lo de forma nenhuma, mesmo que a festa inteira – menos a mesa das garotas – tivesse gritando e nos induzindo a isso. Sabia que não devia ter vindo, mas nunca sigo minha intuição mesmo.

Tentei não levantar minha cabeça e encará-lo, mas tive que fazer isso para descobrir o que ele planejava. Bill ainda estava discutindo com Tom, quando percebeu que eu estava o olhando, ele se virou para mim. Seus olhos encontraram os meus e senti meu rosto ficar quente, mesmo que não fosse a reação que eu gostaria de ter.

– Desculpe por isso – ele falou finalmente

– Como se isso fosse grande coisa – eu retruquei, afinal eu não estava chateada com uma idiotice dessas, no mínimo desconfortável, mas não chateada.

– Desculpe-me por ontem, então. Se isso for grande coisa para você – ele tentou mostrar um tom arrependido, mas a meu ver, estava mais para rude.

Ele não podia se desculpar de verdade, não quando sabia que eu roubei as fotos, mas não sabia o motivo. No fundo, ele ainda tinha raiva de mim pelo que fiz. Por isso, um sentimento de vingança nasceu em mim. Respirei fundo e sorri para Bill, percebi que ele relaxou quando viu isso. Caiu na armadilha, meu chapa.

Passei meus braços em volta do pescoço dele, o puxando para baixo o suficiente para que eu o alcançasse. Entre gritos de euforias e risos bêbados, eu trouxe os lábios dele aos meus e o beijei fervorosamente. Por causa do susto e da ação inesperada, no começo Bill ficou um bocado parado até assimilar o que estava acontecendo, só depois ele deixou-se envolver mais, o que até pegou-me de surpresa. Confesso que a vingança seria doce quando tudo terminasse, mas decidi prolongar o momento o máximo que eu podia.

Desde ontem, eu meio que ansiava por uma oportunidade dessas. Queria uma chance para usá-lo de forma apaixonada e depois ferir seu orgulho, como ele feriu o meu. E eu tinha que me concentrar ou poderia colocar tudo a perder. Com certeza eu não o amava, mas sentia uma ligeira atração.

Eu parei de beijá-lo, percebi que com toda a gritaria, nenhum deles iria ouvir o que eu tinha a dizer. Só Bill, ouviria.

– Ah, Tom – eu gemi, sentindo logo em seguida os músculos dele enrijecerem ao ouvir aquilo.

Tudo bem, isso foi um golpe baixo. Eu tinha quase certeza que Bill sabia que entre Tom e eu não houve apenas conversas, além de que falar o nome do irmão o atingiria mais do que outro nome qualquer. Também sabia que eles não iam brigar por mim, porque para Tom eu era apenas a integrante nova e para Bill eu era sua irmãzinha mimada. Mas aquilo foi o suficiente para ferir seu orgulho, porque ele se afastou de mim, sem que ninguém percebesse a verdadeira causa disso.

– Pronto – eu exclamei, olhando para Georg, Tom e os outros – Agora podem parar de pressionar. Quem mais quer competir comigo?

E foi assim que bebi umas três canecas de cerveja, pelo menos até onde eu consegui contar. Como podem ver, nunca confie no Tom, ele não me impediu de beber nem um pouco – principalmente porque ele ganhou um bocado de grana comigo, já que consegui vencer todos com que competi. Cada vez que eu abaixava a minha caneca, eu olhava para Bill em sua cadeira, pensativo, sem participar mais das brincadeiras. Eu havia destruído o sorriso dele e não estava realmente contente com isso. Onde está a vingança doce mesmo?