How to be a mother
4 Trazendo a verdade
Notas iniciais
— Estamos aqui e você está me encarando. — Zelena mexeu o canudo dentro do seu copo numa forma de agitar todo o conteúdo.
— Porque está no único “bar” decente desta cidade tomando suco? — August perguntou a ruiva, que levou o canudo aos lábios sentindo o gosto do suco sem nenhum toque de álcool. Aquilo era horrível, resmungou mentalmente.
— Você tem os seus segredos, eu tenho os meus. — Estendeu seu copo numa forma de provar que havia vencido aquela pequena guerra.
— E, se nos desvendássemos? — Desde que seus olhos vislumbraram a ruiva sorridente para as amigas, a primeira vista, August sentiu-se verdadeiramente interessado. Interessado demais ao ponto de não conseguir disfarçar, Zelena era bela.
— Não. — A ruiva respondeu mais uma vez, fugindo, falsamente, das investidas dele.
— Sua palavra favorita é não? — Tinha um sorriso preso ao canto dos lábios, e a olhava sem muito pudor.
— Não. — Reforçou sua fala e bebeu mais um gole. Zelena pode ver, por cima dos ombros de August, Regina e Emma com seus sorrisos cúmplices trocando carícias. — Digamos que eu esteja numa dieta especial. Não estou podendo beber.
— Você não precisa de uma dieta. — Umedeceu os próprios lábios com sua bebida, seus olhos nunca desviavam-se dos dela.
— Muito gentil da sua parte, mas isso não vai colar. — Zelena deixou seu copo da mesa e levantou-se. Seu teatro aquela noite era um bem ensaiado, August por sua vez, estava gostando da peça. Zelena virou-se de costas e esperou que ele viesse atrás dela, mas ele não veio. Voltou a mesa dele e apoiou suas mãos sobre esta. — Essa é a hora que você vem atrás de mim.
— Eu disse que respeitaria o seu “cai fora”. — Ele riu mais uma vez, ficou de pé junto dela. — E, onde eu iria atrás de você?
— Essa parte, nós podemos deixar por sua conta. — A ruiva deu três passos na direção dele, que a trouxe mais pra perto. Sua barba por fazer, roçou contra o pescoço de Zelena que sentiu seus olhos revirarem por alguns segundos. As pessoas, a música ambiente no Rabbit Hole, nada fazia diferença, não havia crianças ali.
— Acho melhor irmos para algum lugar mais reservado. — August sussurrou próximo aos ouvidos da ruiva. — Sua irmã está com aquele olhar ameaçador que toda irmã faz para um cara.
— Certo. — Sussurrou de volta a ele, sua mão uniu-se a de August, eles saíriam dali e teriam o momento deles. Simulou um telefone junto ao rosto quando passou por Regina e pegou sua pequena bolsa de mão sobre a mesa. — Eu te ligo mais tarde. — Zelena nunca tivera muito juízo.
***
— Apartamento bonito o seu. — A dona dos olhos azuis e cabelos ruivos pronunciou assim que encontrou no local. Parecia um pouco vazio, o que indicava que ele vinha pouco ali, mas estava bem limpo.
— Uma bela visão. — August murmurou antes de trazer a ruiva para os seus braços num beijo urgente. Os lábios deles pediram para se encontrarem, sem ao menos dizer palavra alguma.
Zelena correspondeu ao beijo dele, seus hormônios não só falavam, como gritavam — internamente — para serem liberados num orgasmo. Poderia dizer que perdera o controle que sempre tivera de seu corpo, ele estava mudando agora, mesmo que não mostrasse nenhuma diferença em seu exterior e, aos poucos, as mudanças seriam ainda mais notáveis.
Ambos naquela sala pouco visitada, queriam dividir sentimentos, não importava a profundidade ou se, eles de fato, fossem sentimentos fortes de uma noite, apenas queriam sentir. August, por sua vez, desvendava o corpo da ruiva com suas hábeis mãos. Mesmo por cima do tecido que ela vestia, podia ser sentido cada uma das curvas, seus lábios nunca abandonaram os lábios voluptuosos dela, segurou a bela mulher em seu colo e a guiou até a mesa, as pernas de Zelena estavam enlaçadas na cintura dele, prendendo-o ali, onde queria tê-lo.
Por um segundo, um mísero segundo, eles se distanciaram. O contato intenso dos lábios os deixou ainda mais ofegantes, fora necessário. Zelena umedeceu seus lábios, mordiscando-os. Não que precisasse seduzir August, ela tinha conseguido sem o menor esforço. Aos mãos dele, deslizaram para o fecho, abrindo-o de maneira delicada. Zelena não queria o delicado, puxou o vestido para longe de si. As mãos másculas encaixaram-se por cima do sutiã que ainda cobria os seios, mentalmente a ruiva agradeceu Dorothy por ter enviado o conjunto de lingerie a tempo de sua mudança. Fora de grande ajuda.
A expressão no rosto dele, era notável. Admirava, sem pudor algum, o corpo da mulher a sua frente, estava hipnotizado. O beijo fora retomado por Zelena, ainda mais urgente que o anterior. Já August queria tocar o corpo da ruiva e lhe dar todo o prazer necessário. Deslizou seus lábios pelo rosto dela, mordendo-lhe o queixo. No pescoço depositou um beijo demorado, Zelena retribuiu com um gemido seguido de uma doce risada.
August uniu suas mãos no rosto dela, fazendo os olhares se encontrarem. Um olhar que pedia permissão para prosseguir. Zelena lhe estendeu a bandeira verde, balançando a cabeça positivamente. Os lábios dele percorreram o colo, inspirou sentindo o cheiro de Zelena, apesar de ver uma mulher bem forte, seu cheiro era suave, algo como maçã-verde, constatou.
Suas mãos soltaram o fecho do sutiã, até o puxar delicadamente para longe. Eram seios lindos e fartos. Abocanhou o direito, enquanto sua outra mão acariciava o esquerdo. Zelena gemeu alto, quase não pode se controlar ao sentir o contato dos lábios quentes dele contra os seus seios. As mãos da ruiva passeavam pelos cabelos escuros, suas mãos prenderam-se ali, fazendo uma carícia. August abocanhou o outro seio tão de pressa e afoito que o corpo da ruiva contorceu-se agora encostada contra a mesa.
— Você é tão linda. — Ele murmurou enquanto formava uma trilha de beijos pelos seios dela, até chegar ao umbigo. Seus lábios foram em direção a calcinha de Zelena, ele afagou o local passando seu nariz por cima do tecido. Ela cravou as unhas sobre os ombros dele da forma que conseguiu.
— August… — Sua voz saiu baixa e fraca. — Eu quero que sentir você, dentro de mim. — A rouquidão era quase um marco, sua voz soou com uma pequena ordem, de fato era.
Ele sorriu decidido a atender o pedido daquela bela mulher. Puxou o tecido para baixo, por ambas as coxas, Zelena ainda usava seu salto alto, a atmosfera erótica ao redor deles não se dissipou. Beijou o interior da coxa de Zelena, e a ouviu gemer de novo. O gemido dela era um som que ele havia gostado de escutar. Ele a segurou novamente, seus lábios se encontraram enquanto ele a carregava para o quarto, não era justo e nem digno possuí-la ali, sobre uma mesa gélida.
Deitou Zelena sobre sua cama, a ruiva era tão linda que ele não conseguiu desviar os olhos enquanto tirava suas próprias roupas. Jaqueta, camiseta, o jeans em que vestia e os seus sapatos. Seu corpo foi de encontro ao da ruiva, os lábios se encontraram uma vez mais, Zelena ajeitou-se na cama e August junto dela. Encaixou seu membro, penetrando-a delicadamente.
Ali, eram apenas os dois, não tinha problemas exteriores ou questionamentos/pré-julgamentos. Zelena deixou-se guiar pelas estocadas lentas que August dava, sua cintura movia-se de encontro buscando sua libertação silenciosa. August buscar dar algo lento e doce a ela, mas Zelena queria algo quente e rápido. Entendendo a vontade da ruiva e atendendo o seu próprio íntimo ele começou a ir mais rápido. Os gemidos se misturavam por aquele cômodo, altos e roucos. Ele segurou as mãos na cabeceira da cama para lhe auxiliar em seus movimentos, já Zelena cravou suas unhas nas costas dele. Ela podia sentir aquela sensação única se construir e vir, estava cada vez mais próxima.
Seu íntimo se contraiu e seus lábios liberaram o gemido vindo do orgasmo que queria liberar a tantos dias. Sexo fazia mulheres como ela felizes, muito felizes. August sentiu Zelena ficar cada vez mais apertada com a chegada de seu orgasmo, e então ele gozou deixando o seu próprio gemido grave espalhar-se por ali. A tempos não se aventurava daquela forma e conhecia alguém capaz de lhe fazer entregar-se às loucuras do seu íntimo.
— Ei, não dorme… — Zelena inverteu as posições ficando por cima dele. — Eu quero mais. — Ela nunca o deixaria dormir, Zelena Mills era normalmente insaciável.
— Você é uma bagunça quente, Zelena.
***
Zelena abriu os olhos e notou a figura dormindo agarrada a si. Suas mãos a segurando de forma protetora pela cintura, o calor do corpo dele sobre o seu, tudo isso poderia ser totalmente confortável, mas para ela não era, não aquela hora. Sentiu-se enjoada, seu corpo estava dolorido e seu estômago começou a dar pequenas voltas. Olhou para o relógio digital sobre o criado mudo e viu o quanto era tarde. Onze e meia da manhã, Regina a mataria por não ter ligado.
Tirou o braço de August de cima, e colocou o travesseiro em que dormiu no lugar. Abaixou-se vendo o vestido no chão, estava amarrotado, não fazia diferença. Sua cabeça rodou, o estômago virou mais uma vez, só teve tempo de correr em direção ao banheiro. Ajoelhou-se e deixou tudo o que estava no estômago - da noite anterior — ir embora. Mesmo que quisesse, não conseguiria segurar.
August levantou-se num susto, o barulho vindo do banheiro de seu apartamento o assustou, se não fosse pela figura da ruiva ajoelhada, ele poderia acreditar que tinha dormido sozinho, tinha dormido muito bem. Prendeu os cabelos dela com suas mãos e segurou seus ombros, auxiliando-a. Quando Zelena pareceu acalmar-se, ele a ajudou sentar sobre a tampa do vaso e deu descarga, encheu um copo com água e lhe entregou.
— Você está bem? — Perguntou colocando as mãos no rosto dela, estava pálida e quente.
— Sim. — Zelena queria responder, queria lhe contar a verdade, mas não sabia se tinha coragem de fazê-lo.
— Você não parece estar nada bem. Não precisa mentir pra mim. — Os olhos dele buscaram os dela, o cansaço estava estampado na face da ruiva.
— É complicado. — Revirou os olhos, não era o tipo de pessoas que gostava de ser questionada.
— Nós estamos nus no banheiro do meu apartamento, Zelena… O que pode ser mais complicado que isso? — Abaixou-se, ficando de joelhos. — E, somos desconhecidos, você pode me contar qualquer coisa.
— Eu estou grávida, August. — Disparou com certa raiva em suas palavras. Seu enjoo a deixou ainda mais irritada.
— Acredito, Zelena, que isso demora um pouco pra acontecer. — Ele deu uma risada. — Nós transamos tem algumas horas.
— Eu não disse que estou grávida de você, eu disse que estou grávida. — Cruzou os braços e ele ficou de pé, encostou-se na parede.
— Você é casada? — Arregalou os olhos sentindo uma pontada de nervosismo, tentava sempre se manter correto.
— Não, Deus me livre. — Levantou-se, eram quase da mesma altura. — E, eu não tenho que ficar me justificando.
— É por isso que você estava indo embora. — Apontou para o vestido dela jogado no chão do banheiro, ele tinha certeza de que não estava ali ontem.
— O que você esperava? Que eu ficasse aqui e fosse tomar café com você e depois nós fossemos sair como um casal? Eu não sou desse tipo, você sabe disso. Estava na cara ontem que você tinha me desvendado. — Disse completamente de má fé, pegou o próprio vestido e começou a colocá-lo.
— Sim, você tem razão. Mas não era por isso que eu te trataria feito uma idiota. Eu não sou esse tipo de homem. — Ambos deixaram o banheiro e voltaram ao quarto, August vestiu a própria calça enquanto Zelena o olhava.
— Então você é o primeiro. — Ainda estava emburrada, ainda sentia-se enjoada e, nunca perderia a oportunidade de alfinetar alguém.
— Zelena, vamos começar de novo. — Estendeu suas mãos tentando fazer com que ela apertasse. — Eu sou August Booth, sou escritor. Vinha para Storybrooke boa parte das minhas férias de verão ficar com meu pai.
— Zelena Mills. — Mordeu o próprio lábio, sentou-se na cama e ele ao seu lado. — Eu tenho que contar coisas minhas agora? É um tipo de grupo de apoio para grávidas que um escritor faz?
— Muito engraçado. Você usa piadas para escapar de perguntas. Anda, responde. — Deitou puxando ela para cima do seu corpo.
— Sou estilista, fiz um acordo para ser demitida. Vou viver um tempo do meu auxílio e, não faço ideia de como criar uma criança. — Deu uma risada. — Mas eu sei que farei o meu melhor.
— Acredito em você. — Tocou seus lábios com os dela. — Está grávida de quanto tempo?
— Um mês e três semanas. Descobri a muito pouco tempo. — Respirou fundo e rolou na cama ficando ao lado dele. — Nos conhecemos, quando éramos crianças? Eu morava aqui antes de vir de Boston.
— Acho que não. — Deu de ombros e ela riu. — Quer almoçar comigo?
— Não. — Zelena respondeu vendo a surpresa presa ao olhar dele. — Brincadeira, eu estou faminta.
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