How to be a mother
18 Primeiro Natal
Notas iniciais
Hoje era exatamente dia 20 de Novembro, daqui há exatos 3 dias Rose completaria seu primeiro mês de vida e assim como em seu primeiro mês de vida, teríamos seu primeiro Natal. Bom, não só o primeiro Natal dela, mas o primeiro Natal de Ava e Nicholas.
— Bom dia, amor. — August me chamou baixinho, ele estava de pé com Rose em seu colo.
— Bom dia. — Ela havia passado a noite inteira acordada sentindo cólicas, eu havia passado a noite acordada junto dela. — Finalmente ela dormiu.
— Sim, você deveria ter deixado eu te ajudar. — Reclamou colocando ela em meus braços. Estávamos no apartamento dele, talvez a mudança de ambiente tivesse deixado-na estressada.
— Você precisa ir trabalhar logo, precisava dormir. — Murmurei ao olhar o relógio na cabeceira de sua cama. — Oi meu amorzinho. — Sorri para ela com seus olhos muito azulados me fitando. Tirei meu seio para fora da camisola e comecei a amamentá-la.
— Sim, mas você não dormiu e vai passar o dia todo cansada. — Beijou a minha testa. — Falei com Sidney se teria algum problema adiantar as coisas do jornal de casa, assim posso ficar com as duas e você pode dormir um pouco mais.
— Eu já mencionei que você é um anjo? — Murmurei fazendo o mesmo rir. — Eu agradeço, mas você precisa ir trabalhar. Nós podemos revezar essa noite e, eu tenho que ir pra casa…
— Ajudar Regina. — Ele murmurou e eu dei uma risada por ele saber exatamente o que eu deveria fazer. — Queria poder ajudar na surpresa.
— Você pode, voltando do trabalho cedo. — Fiquei de pé ao deixar a cama, para poder levantar Rose e fazer com que ela arrotasse. Ela fez um barulho alto fazendo nós dois darmos risadas.
— Melhor pra fora do que pra dentro, filha. — August beijou a testa dela e depois os meus lábios. — Tem certeza que não quer que eu deixe vocês em casa?
— Tenho sim. Vamos tomar banho juntinhas no seu chuveiro e depois vamos caminhar até chegar em casa.
— Está bem, amo vocês. — Beijou-me uma vez mais e deixou o quarto.
***
Depois de tudo que aconteceu entre Cora e eu, nós duas decidimos que talvez fosse melhor nós nos darmos tempo. Minha mãe respeitou muito bem isso, respeitou ao ponto de contentar-se apenas com fotos de Rose enviadas para ela e, também, com fotos de Ava e Nicholas. Ela estava ansiosa para conhecê-los, então decidimos que ela deveria vir pra o Natal e para comemorar o primeiro mês de vida da minha filha.
Nós duas estávamos caminhando de volta para a mansão, ela adormecida em seu bebê conforto, enquanto eu olhava a vitrine da Mills. De fato, eu não havia voltado a trabalhar, mas havia feito meus projetos em casa e estava decidida que depois do ano novo retornaria. Tinham belos vestidos na vitrine, acessíveis para qualquer morador de Storybrooke, não havia porquê não produzí-los para os moradores e manter as minhas “jóias”, guardadas ao fundo.
— Olá. — Uma voz feminina chamou minha atenção.
— Oi. — Respondi no mesmo instante. — Está procurando alguma coisa na loja? Nós vamos abrir novamente no dia 26. — Comentei. Por ter passado esse tempo em casa, resolvi dar uma folga maior as minhas funcionárias.
— Você é Zelena Mills? — Me perguntou, então eu vi o garotinho segurar as mãos dela. O mesmo garotinho de alguns meses atrás enquanto eu caminhava por Boston, o garotinho com o mesmo rosto de Robin Locksley.
— Sim, sou eu. — Respondi firme segurando o bebê conforto com certa força, fazendo os nós dos meus dedos tornarem-se brancos.
— Você já deve me conhecer, afinal, você é a mulher que estava dormindo com meu marido. — Murmurou, apesar das suas palavras tencionarem em me constranger, tive que controlar-me para não dar uma risada.
— Vai ser baixa assim mesmo na frente do seu filho? — Perguntei, mesmo o garotinho parecer alheio a toda nossa situação. — Você está enganada sobre isso.
— Estou? Então porquê tem ligações dele para uma tal “Zelena Mills”? — Ironizou. — E porquê ele morreu na cidade ao lado da sua? Você sabia que a última ligação dele foi pra você? Ele estava vindo para vê-la, então por favor, me esclareça os fatos. — Mesmo que ainda fosse cedo, algumas pessoas passavam do outro lado da calçada nos observando, até mesmo a Granny Apareceu na porta de sua loja um tanto preocupada, mas eu lhe sinalizei que estava tudo bem.
— Ele não estava vindo pra me ver. — Disse a mesma que manteve seus braços cruzados.
— Então foi para ver a filha de vocês? — Praticamente gritou.
— Se você não souber se comportar como uma pessoa civilizada, eu serei obrigada a lhe dar as costas. Seu filho não precisa passar por esse tipo de coisa e eu não vou admitir que grite comigo na frente da minha filha. Até porque, meu sangue ferve fácil! — Berrei de volta. As coisas estavam começando a esquentar.
— Ei, Zelena, está tudo bem por aí? — Graham veio andando apressado em nossa direção.
— Está sim. — Murmurei olhando dele para Marian.
— Senhora Locksley. — Graham a cumprimentou.
— Xerife. — Respondeu olhando dele pra mim.
— Graham, você se importa de avisar ao August? — Pedi a ele mediante aquela situação.
— Claro, tudo bem. — Ele concordou e logo voltou a caminhar em direção a delegacia.
— Deve ser bom não é? — Olhei confusa e ela prosseguiu. — Ter todos esses homens caindo ao seus pés.
— Marian, sinceramente não quero brigar com você, então é bom que seja respeitosa, porque se tem uma coisa que eu adoro é ser baixa ao ponto de não poupar esforços pra ver alguém arruinado, então não atice esse meu lado. — Pontuei. Olhei ao redor, os rostos curiosos continuavam. — Se importa de conversarmos na minha loja?
— Certo, tudo bem. — Ela não parecia ser uma pessoa ruim, estava passando por uma situação de luto e, pelo jeito, queria tornar-me seu saco de pancadas. Tateei minha bolsa e achei a chave, nós duas entramos, seu filho estava amedrontado e eu sentia muito por ele estar presenciando aquela situação.
— Ei, garoto, sabe mexer em computador? — Perguntei a ele que balançou a cabeça positivamente. — Lá atrás tem um, porque não brinca um pouco? — Ele sorriu pra mim, depois olhou sua mãe como se pedisse permissão.
— Tudo bem. — Concordou fazendo com que o mesmo corresse para os fundos da minha loja. Rose ainda dormia, deixei a mesma em seu bebê conforto em cima da mesa. — Porque tinham ligações dele pra você?
— Porque seu marido é o pai biológico dela. — Apontei pra Rose.
— E você vem me dizer que não era amante dele.
— Eu não era. — Quase berrei, vendo Rose se mover no bebê conforto. — Eu não faço ideia do porque seu marido estava numa festa do meu antigo trabalho, estava bêbada e ele também. — Cruzei meus braços vendo a mesma começar a ficar chocada. — Eu nem ao menos lembrava quem era ele até o dia que vi vocês em Boston e as lembranças me atingiram com força. Já estava conformada de que havia sido tocada por alguém que eu nunca mais veria, que havia me deixado sozinha no dia seguinte.
— Então você… Vocês mantiveram contato depois disso?
— Ele se achava responsável pela Rose. — Respirei fundo. — Queria que ela tivesse o nome dele, agir como homem, mas eu disse que ele deveria contar tudo a você antes.
— Ele pretendia mesmo me contar?
— Não sei, mas não queria que ele entrasse na vida dela com mentiras. — Apontei para a mesma. — Assim como você não merecia nada do que aconteceu, ela também não.
— Ele estava aqui para vê-la quando morreu.
— Ele veio por um cliente, disse que tinha achado um presente e que gostaria de dar a Rose. Ela não havia nascido ainda. — Confessei. — Entrei em trabalho de parto quando os paramédicos me contaram da morte dele, minha gravidez era de risco.
— Não, Zelena, ele não veio por um trabalho, ele veio por você. — Marian sentou-se numa das poltronas. — Ele realmente me disse que estava na cidade ao lado por um trabalho e quando ele morreu eu quis saber quem era o cliente, mas não tinha ninguém, só você.
— Não… ele… — Então tudo que August havia me falado era real, Robin tinha sentimentos por mim. — Marian, eu jamais me envolveria com ele. O que fizemos, não foi certo e tirando o fato de ter me dado Rose, me arrependo todos os dias por ter me envolvido com alguém que já tinha um relacionamento. — Respirei fundo e olhei para minha filha adormecida. — Não planejei nada disso, mas faria tudo para tê-la novamente.
— Mas ele parecia gostar de você. — Riu um tanto nervosa e eu vi as lágrimas se formarem e seu rosto. — Eu fui muito apaixonada por ele e olha o que ele fez comigo, com a nossa família.
— Eu sinto muito. — Não me movi, ficar onde eu estava era a melhor solução, lhe dar espaço. — Eu não tenho culpa pela morte dele, tão pouco Rose, mas eu sinto muito por você estar nessa situação… Por você estar aqui e por minha causa.
— Vim aqui esperando confrontá-la. — Marian disse, seus ombros estavam trêmulos. — Esperava de alguma forma jogar a culpa de tudo isso em você, mas a verdade é que, eu sabia que estava errada por vir aqui. — Respirou fundo. — Robin era meu marido, ele que me devia respeito e mesmo antes de morrer, ele poderia ter sido honesto, poderia ter falado sobre ela. — Apontou pra minha filha. — Mas ele preferiu não fazer.
— Quando nos encontramos e conversamos sobre o bebê, contei a minha irmã quem era o pai biológico da minha filha. — Coloquei minhas mãos sobre ela no bebê conforto. — Regina conhecia você, você foi cliente dela em Boston, mas ela também conhecia Robin, já tinha me dito sobre a pessoa que ele era, mas tudo isso já tinha acontecido. Eu esperava que ele lhe contasse a verdade.
— Você teria me contado? Teria me falado o que ele fez se eu não viesse falar com você?
— Não. — Olhei pra ela. — Primeiro porque eu não queria atormentá-la com mais um problema, você perdeu seu marido, o pai do seu filho e o homem que você amava, segundo, não era uma obrigação minha, era dele. Por mais que tenhamos errado, ele era casado com você e lhe devia isso.
— Sua filha é linda. — Ela respondeu, parecia cansada, talvez exausta depois de tudo o que eu lhe disse. — Ela tem os olhos dele. — Apontou pra Rose, eu a acompanhei. Minha filha tinha acordado.
— Mamãe, podemos ir pra casa? — O menino veio na direção dela e puxou a barra de sua roupa.
— Claro querido. — Maria baixou-se para pegá-lo em seu colo. — Eu posso? — Perguntou ao aproximar-se, dei um pequenos espaço. — Roland, essa é…?
— Rose. — Repeti.
— Essa é Rose, sua irmã. — Murmurou, mas ao fundo eu podia sentir uma marca enorme de tristeza em sua voz.
— Mas você não teve outro bebê. — Ele a olhou.
— É porque ela é filha do seu papai. — Ajeitou os cabelos dele. — Agora, precisamos ir embora, certo?
— Tchau, Rose. — Baixou-se para encostar suas mãos na dela. — Quando ela crescer nós podemos brincar?
— Claro. — Murmurei delicadamente e logo em seguida vi Marian sair com ele. O que diabos tinha acontecido aqui?
***
Depois do encontro com Marian, fui para casa e encontrei August no caminho, acabei contando tudo pra ele antes e depois era Emma e Regina. Ele havia dito que eu tinha sido muito corajosa e honesta, que talvez Marian precisasse daquela verdade pra seguir em frente com seu filho, eu esperava que sim.
Alguns dias se passaram e ficávamos cada vez mais próximos do natal. Mesmo tendo comprado os enfeites e os presentes das crianças bem antes, a árvore ainda não havia sido montada. Nesse ano, a véspera seria num sábado e o Natal num domingo, então aproveitaríamos para montar a árvore com as crianças hoje, na sexta e, depois nós iríamos pra cozinha adiantar as sobremesas, mesmo que Regina insistisse em fazer toda ceia de Natal sozinha.
— Vou deixá-la na cama com você. — Murmurei para August que ainda estava sonolento.
— Nós vamos também, temos que fazer isso em família. — Ele respondeu de volta e eu sorri. — Nossa filha completa um mês hoje.
— Tá bem senhor familiar, vou ajudar Regina com o café da manhã e você troca o bebê. — Sentei-me na cama para beijá-lo e ele me segurou lá por mais tempo. — Estou pensando em um bolo, o que acha?
— Sinto sua falta. — Murmurou, eu também sentia, resguardo podia ser uma droga. — Uma ótima ideia.
— Nós vamos resolver isso, ok? — Beijei a testa dele e ele sorriu. — Cora deve chegar para o almoço.
— Por falar na sua mãe, meu pai concordou em vir para ceia de Natal amanhã. — Sorri contente, Marco era um ótimo homem, assim como meu pai foi.
— Que maravilha! Agora eu preciso descer. — Murmurei e ele começou a beijar meu pescoço. Seus beijos foram descendo para o meu colo e depois para o meu seio, cravei minhas unhas em seus ombros e deixei minha cabeça pender para trás.
Nunca fui uma mulher muito resistente, sexo pra mim sempre foi parte importante, então eu sempre estava pronta para fazê-lo e August sabia como me tocar. A casa ainda estava adormecida, talvez Emma e Regina estivessem acordadas, então nós tínhamos tempo. Suas mãos foram por entre as minhas coxas, até minha virilha e depois para o meu centro. Tocava-me com uma lentidão que era capaz de incendiar todo meu corpo, movia minha cintura em direção os seus dedos e pelos deuses, eu sabia que daquela forma ele me faria gozar gozar logo.
Mas foi quando um chorinho começo a soar pela babá eletrônica, August tencionou em parar e eu o olhei.
— Nem pense nisso. — Murmurei um tanto brava. — Deixa ela chorar, ela vai parar logo. — Capturei os lábios dele e podia ver que ele segurava uma risada.
— Espero que sim. — Beijou-me de volta, mas agora era eu que não conseguia me concentrar, o choro dela aumentava ao ponto de escutarmos do quarto da frente. — Ok, ela não quer deixar nós dois namorarmos.
— Quem sabe hoje a noite, hm? — Pisquei e o mesmo riu. — Vou ver se está tudo bem com ela, mas vou deixá-la lá pra você trocar.
— Aguardo ansiosamente. — Me deu mais um beijo. — Pode deixar, já desço com ela limpinha.
— Olá pequena. — A peguei no colo vendo seus olhinhos sem nenhum rastro de lágrimas, era apenas sua manha rotineira. — Você atrapalhou a mamãe e o papai em algo muito importante. — Acariciei seu rostinho e sentei na cadeira de amamentação. — Mas vamos te dar um desconto porque hoje você completa seu primeiro mês de vida. — Beijei o topo de sua cabeça, enquanto a colocava em meu seio, vendo-a sugá-lo imediatamente. — Daqui há alguns dias será o seu primeiro Natal, mas não fique assustada… Está sendo meu primeiro Natal como mãe. Rose, antes eu ficava tão assustada com tudo relacionado a você, mas é a primeira vez em muito tempo que eu não sinto medo. Talvez algo como a oportunidade de ser sua mãe me deixe encorajada. — Ela parou de sugar por alguns momentos, apenas para tomar fôlego. — Nós temos as suas tias, seus padrinhos, seus avós, seu papai, mas o mais importante disso tudo Rose Wayne Mills, nós temos uma a outra e nada é mais importante pra mim do que você. — Tirei a mesma do meu seio fazendo ela me olhar por alguns segundos antes de colocá-la em meus ombros para que ela arrotasse. — Eu amo você, filha.
— Andem preguiçosos. — Regina saiu com as crianças da cozinha, aparentemente os dois haviam ficado boa parte da noite acordados brincando e agora estavam completamente sonolentos, nem mesmo o café da manhã os havia despertado. Emma ria dos três enquanto Rose dormia em seu colo.
— Deixa a gente dormir só mais um pouquinho. — Nicholas pediu enquanto Emma passava Rose pro colo de August e o menino sentava o lado dela.
— Depois do almoço vocês dois podem dormir. — Minha cunhada arrumou os cabelos dele, enquanto Ava sentou-se ao lado de Regina.
— Por favor… — Ava pediu à minha irmã.
— Vocês vão perder a mágica da coisa, crianças. — Murmurei ao levantar-me, abri a caixa repleta de enfeites natalinos. August e Emma haviam montado a árvore antes das crianças descerem, só precisávamos enfeitá-la.
— Nós não fazemos isso há muito tempo. — Nicholas murmurou ao deixar o lado de Emma e Ava fez o mesmo. Ambos pegaram enfeites dentro da caixa.
— O que nós fazemos agora? — A menina perguntou um tanto receosa.
— O que vocês quiserem meus amores. — Regina colocou as mãos sobre os ombros dela a encorajando. — Essa é a sua casa agora, então é a árvore de Natal de vocês e, da Rose, é claro.
— Vem, Ava. — Nicholas a puxou pela mão e ambos ficaram mais próximos a árvore encaixando seus enfeites nos galhos. Nossas vidas mudaram tão rápido em menos de um ano e, mesmo que as mudanças pudessem as vezes ser estressantes, não era nada disso que sentíamos agora.
August colocou Rose no bebê conforto e ajudou as crianças com a árvore, Emma e Regina estavam abraçadas olhando os três fazerem aquilo juntos, era bom estar em família. Como eu previa, as crianças acabaram despertando com a bagunça feita junto de August e não foi assim tão demorado para eles terminarem de enfeitar a mesma com meu namorado segurando a nossa filha — agora acordada — em seus braços, enquanto encaixava a estrelinha na árvore de Natal.
— Mamãe, esses são Ava e Nicholas. — Regina murmurou assim que eu desci com os dois, havia ajudado Emma a escolher roupas para eles usarem já que Regina buscaria Cora na rodoviária da cidade vizinha.
— Oi… — Nicholas murmurou ao andar na frente da irmã, Ava permaneceu segurando as minhas mãos sem jeito.
— Você deve ser o Nico… — Minha mãe baixou-se para dar atenção a ele. Eu sentei no degrau e sussurrei nos ouvidos de Ava.
— Ela parece ser durona, mas você vai gostar dela. — Ava riu, ela era esperta demais pra saber que velhas senhoras bem vestidas eram difíceis de prever.
— Sim, eu sou o Nico. — Ele sorriu abertamente e minha mãe o abraçou.
— E, você deve ser a Ava. — Ela concordou movendo sua cabeça e, assim como quando chegou aqui, permaneceu impassível como se o “estranho” ainda fosse assustador demais para ela.
— Sou eu. — Olhou da minha mãe pra Regina e de Regina para mim. Eu balancei a cabeça positivamente, assim como minha irmã havia feito, então Ava se deixou aproximar. — Sou irmã do Nico.
— Só isso? — Perguntou buscando uma conversa com a menina, Regina e eu sorrimos cúmplices.
— Acho que só… — Ela deu de ombros.
— Você é bem mais do que isso. — Cora alisou seu rosto. — Você é minha neta.
— Eu sou? — Ela arqueou a sobrancelha, mas isso não a pegou de surpresa, Regina e eu mostramos reações silenciosas iguais.
— Não só você, seu irmão também. — Pude ver de relance Nicholas abrir um enorme sorriso e, então, os dois se deixaram ser abraçados pela avó Cora Mills. — Onde está a pequena Rose?
— Aqui. — August veio da sala com ela em seus braços. — Pronta para conhecer a avó. — Murmurou fazendo-a rir. Cora ainda mantinha as duas crianças próximas a ela quando August a trouxe, minha mãe olhou pra mim como se pedisse permissão para segurá-la, balancei a cabeça positivamente.
— Crianças, quem chegar por último na sala de jantar vai comer mais aspargos. — Emma murmurou da ponta das escadas e rapidamente os dois mais novos correram dando risadas. — Olá, vou colocar os dois para almoçar e já volto pra cá. Amor me ajuda? — Emma murmurou e Regina logo seguiu com ela.
— Vou buscar as malas da senhora no carro. — August murmurou enquanto minha mãe permanecia silenciosa olhando pra Rose.
— Me perdoa. — Cora disse olhando para minha filha. — Me perdoa por ter dito que você não seria capaz, por ter sugerido que você ficaria melhor sem ela.
— Está tudo bem, mãe. — Coloquei as mãos nos seus ombros. — Eu pensei o mesmo, mas hoje ela está aqui conosco, completando seu primeiro mês de vida e fazendo parte dessa nossa família.
— Rose, como uma bela Rosa, cultivada num doce jardim. — Cora beijou o topo da cabeça dela. — Meus parabéns… Ela é linda, ela é igual a você. Estou tão orgulhosa, Zelena… De você e da sua irmã… Ganhei três netos num único mês e nunca me senti tão realizada.
— Mãe, você tem a oportunidade de fazer tudo completamente diferente com essas crianças, estamos confiando em você. — Beijei o seu rosto e segui para cozinha, ela ainda segurava minha filha.
Todos nós estávamos sentados na grande mesa arrumada no quintal. August junto de David e Graham organizaram pequenas fogueiras em latas, protegendo o gramado de pegar fogo e nos aquecendo. Apesar de estar frio, não tinha neve e estava suportável ficar fora de casa, o que não queria dizer que nos próximos dias seriam da mesma forma, segundo a meteorologia, a temperatura cairia ainda mais e tinha possibilidade de neve para o ano novo.
Além da minha mãe e Marco — pai de August — que conversavam animadamente, Mary que estava com 3 meses, quando havia descoberto sua gravidez já tinha 2, segurava Rose em seu colo completamente adormecida, David estava abraçado a sua esposa, não muito diferente de Emma e Regina que se dividiam para cortar a carne da ceia no prato das crianças. Graham e Ruby estavam próximos a uma das fogueiras, enquanto August e eu observávamos todos eles, ele me abraçou por trás e acariciava minha barriga, ainda mantendo um “vício” da gravidez.
— Nós temos uma bela família. — sussurrou próximo ao meu ouvido me fazendo sorrir delicadamente.
— Reparou que estamos deixando de ser disfuncionais? — Perguntei e o mesmo riu. — Minha mãe está deixando de ser uma megera, ontem quando sopramos as velas do primeiro mês da Rose ela até chorou. — Ele gargalhou e mordeu minha bochecha. — Estamos enchendo essa casa de crianças.
— É uma boa forma de perpetuar sua essência. — Deu a volta, segurando minhas mãos e caminhamos de volta a mesa enquanto Regina pedia para nos juntarmos aos outros.
— Por favor, todos se sentem. — Emma pediu segurando as mãos da minha irmã que permanecia de pé.
— Temos uma anúncio a fazer. — Regina murmurou, tomei meu lugar e logo Mary passou Rose para o meu colo, ela começou a resmungar baixinho.
— Nós já podemos abrir os presentes que estão na árvore? — Ava perguntou fazendo com que todos nós déssemos uma risada.
— É um anúncio tão importante quanto esse. — Emma apertou as bochechas dela e eu sorri.
— O papai noel vai vir mais cedo? — Nico perguntou e Regina riu.
— Vai sim. — Minha irmã beijou a cabeça do mesmo e pediu pra ele ficar de pé em cima da cadeira, Ava fez o mesmo enquanto ambas seguravam cada um os impedindo de desequilibrar. Todo aquele suspense estava me deixando curiosa.
— Quando minha esposa chegou com duas crianças na nossa casa, bem lá no fundo eu sabia que as coisas mudariam daquele dia em diante. — Alisou os cabelos de Ava extremamente parecidos com os dela. — Que se, de alguma forma, nós os deixássemos ir embora, nossas vidas não seriam mais as mesmas e sim vazias.
— Por noites, conversamos sobre aquelas vidas ali sobre nossa responsabilidade. — Regina olhou para Emma e sorriu. — Sobre a importância de cuidar deles dois, de dar amor e proteger.
— Então, numa dessas noites, eu pedi a ela que me desse um filho. — Emma olhou para Ava e depois para Nicholas. — Não só um filho, eu queria dois. E queria dois muito especiais que, com um par de poucas semanas eu já os amava incondicionalmente. Pedi a Regina, Ava e Nicholas. — Minha cunhada tinha lágrimas em seus olhos, também senti os meus molharem e August me abraçar.
— Antes de tomarmos qualquer providência, conversamos com essas duas crianças que tanto amamos. — Regina segurou Nicholas pelos ombros. — Pedimos a eles para sermos suas mães. E, quando eles disseram que queriam ser nossos filhos, foi como ouvir Emma dizer sim no nosso casamento. Foi tudo tão certo, tão puro, tão lindo.
— E, ontem enquanto Rose completava seu primeiro mês de vida, nós recebemos a notícia de que a burocracia do nosso processo de adoção tinha sido aprovado. — Ava virou-se para Emma e se agarrou a mesma, abraçando-a. — Temos algumas etapas ainda pela frente, mas…
— Mas nesse nosso primeiro natal, nós podemos dizer que somos finalmente suas mães. — Regina respondeu ao abraçar Nicholas e depois, Emma abraçá-la junto com Ava.
Família é muito mais do que um laço de sangue, família é um laço de amor que conecta vidas e, ninguém, pode mudar isso.
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